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Alerta Oncologia 27 de novembro de 2019

Uma nova tecnologia brasileira para auxílio no diagnóstico do câncer

No dia 13 de agosto, foram publicados os resultados de uma pesquisa inédita no mundo e desenvolvida no Brasil: o uso da cera de ouvido para auxílio no diagnóstico do câncer. Os dados apresentados são bastante interessantes e merecem uma investigação mais a fundo. Mas devemos tomar cuidado, pois ainda está longe de ser padronizado como teste de rotina.

A publicação dos pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) está em uma importante revista científica, a Scientific Reports, que pertence à mesma editora da revista Nature. A pesquisa consistiu em selecionar 102 pacientes, sendo 52 com câncer e 50 sem, e realizar uma análise da composição química de amostras de cerúmen (cera de ouvido), a fim de tentar diferenciar quem tinha câncer de quem não tinha. Esta análise da cera incluía a identificação de substâncias específicas relacionadas às atividades das células cancerosas no organismo, já que é sabido que diversas secreções do corpo, incluindo a cera, são compostas de substâncias produzidas por diferentes células do organismo. Uma das principais vantagens deste exame é a sua facilidade de realização e rapidez do resultado (três horas), sendo pouco invasivo e possivelmente de custo reduzido (cerca de R$ 200).

Os resultados mostraram que a análise do cerúmen foi capaz de discriminar 100% dos pacientes com câncer daqueles sem câncer.  Ou seja, a combinação das substâncias encontrada nos pacientes portadores de neoplasia foi diferente da combinação presente nos pacientes saudáveis.

Os dados são um importante avanço na área de diagnóstico de câncer e ensejam o desenvolvimento de novas pesquisas que possam confirmar sua utilidade prática. Entretanto, é necessário ressaltar que este método ainda não foi validado para uso rotineiro, visto que, para tal, são necessários estudos do tipo prospectivo e que comparem com os meios diagnósticos atualmente em uso.

Não só isso: é preciso também a investigação do impacto clínico real da adição deste exame para identificação precoce do câncer. Isto se dá devido ao fato de que um resultado positivo não obrigatoriamente significa que o paciente terá o diagnóstico definitivo mais precoce e, na busca pelo mesmo, outros exames podem ser realizados sem necessidade, trazendo ansiedade e possíveis complicações para os indivíduos, sem que isso leve a um aumento de sobrevida ou maior chance de cura. Ademais, a análise do cerúmen não foi capaz de determinar a origem do tumor.

Ressaltados estes pontos. E o que se conclui é que temos um grande avanço, admiravelmente desenvolvido no nosso país e com grande potencial para trazer benefícios à população, principalmente se estudos mais aprofundados mostrarem que o diagnóstico do câncer possa ser feito mais cedo e com um menor custo e que isso possa refletir em maiores chances de cura e/ou tempo de vida.

 

Referências

Barbosa JMG, et al. Cerumenogram: a new frontier in cancer diagnosis in humans. Scientific Reports. 2019;9:11722 (https://www.nature.com/articles/s41598-019-48121-4.pdf)

https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2019/08/31/pesquisa-da-ufg-aponta-que-cera-do-ouvido-ajuda-no-diagnostico-precoce-do-cancer.ghtml

Escrito por

Renata

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