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Tabagismo: curiosidades. Entendendo o tabagismo em 18 passos!

1 – Quando começou o uso do cigarro?

É controverso quando tudo começou, mas os astecas e maias, na América Central, já fumavam substâncias psicoativas, enroladas em folhas de plantas e mesmo tabaco. A partir da dominação espanhola no Novo Continente, o tabaco chegou à Europa e, em 1830, ganhou a França, onde se popularizou. A partir de 1845 foi lançado à escala industrial sob a tutela do estado francês que geria a produção e comercialização. No Brasil, os indígenas já usavam o fumo em alguns rituais e as grandes navegações portuguesas colocaram os portugueses em contato com o tabagismo.

 

2 – São muitas substâncias nocivas.

São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer, estando relacionado a pelo menos 30% de todos os tumores.

 

3 – A nicotina atinge o cérebro em 10 segundos.

Depois de tragar um cigarro, leva cerca de 10 segundos para a nicotina chegar ao cérebro, liberando substâncias responsáveis por promover sensação de prazer e euforia. Por isso, o cigarro é tão viciante.

 

4 – Um terço da população do mundo é fumante.

Acredita-se que um terço de toda a população adulta do mundo seja composta por fumantes. Destes, a maior parte está na China e aproximadamente cerca 60% dessas pessoas desejam parar de fumar.

 

5 – As mulheres sofrem mais com o cigarro e parar de fumar não engorda tanto quanto as pessoas pensam.

Os problemas causados pelo tabagismo são mais graves para mulheres devido a sua fisiologia natural, questões como gestação e uso de anticoncepcionais. As mulheres correm mais riscos de sofrer com infertilidade, menopausa precoce e problemas como flacidez e rugas. Quando uma pessoa para de fumar seu organismo sofre alterações metabólicas que promovem um ganho de peso. No entanto, esse ganho de peso costuma variar entre dois e quatro quilos apenas. Se você parar de fumar e ganhar mais peso que isso é interessante procurar acompanhamento psicológico.

 

6 – Quais os tumores estão relacionados ao tabagismo?

O tabagismo está diretamente relacionado a um maior risco de desenvolver vários tipos de neoplasias, com particular importância para cânceres de pulmão, cabeça e pescoço (boca, língua, faringe, laringe, esôfago), estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero, leucemias.

 

7 – Quais outras doenças são relacionadas ao cigarro?

O tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), como angina, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral.  Além de diversas outras doenças respiratórias (enfisema pulmonar, bronquite crônica, asma, infecções respiratórias). Há ainda outras doenças relacionadas ao tabagismo: úlcera do aparelho digestivo; osteoporose; catarata; impotência sexual no homem; infertilidade na mulher; menopausa precoce e complicações na gravidez. Estima-se que, no Brasil, a cada ano, cerca de 157 mil pessoas morram precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo. Os fumantes adoecem com uma frequência duas vezes maior que os não fumantes.

 

8 – Cigarro e COVID-19.

Na atualidade, não podemos esquecer da pandemia de Sars-CoV-19, causada pelo coronavírus, que já matou milhares de pessoas pelo mundo. Já existem dados de estudos chineses e italianos relacionando o tabagismo com a forma mais grave da doença e uma maior letalidade. Acredita-se que um dos motivos pelos quais a Itália teve tantos casos graves e óbitos por COVID-19, seja o fato do número de tabagismo nesse pais ser um dos mais altos da Europa.

 

9 – O cigarro poderá causar mais de 7,5 milhões de mortes em 2020 no mundo. No Brasil, são 428 mortes por dia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que no ano de 2020 acontecerão mais 7,5 milhões de mortes provocadas pelo tabagismo e tanto os fumantes ativos como os passivos são vítimas desse produto. O tabagismo é considerado a maior causa evitável de mortes no mundo. Só no Brasil são 428 mortes por dia pelo tabaco, o que causa um impacto gigantesco na saúde e na economia. Estima-se que R$ 56,9 bilhões são perdidos a cada ano devido a despesas médicas e perda de produtividade relacionados às doenças ligadas ao tabagismo. Os pacientes que fumam têm, em média, 14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma.

 

10 – Fumantes passivos também sofrem as consequências.

Cada vez está mais claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. Do total de mortes relacionadas ao cigarro, 12% ocorrem em fumantes passivos.

 

11 – Câncer de pulmão e tabagismo.

O câncer de pulmão, o terceiro mais incidente no Brasil e aquele que mais mata, está diretamente relacionado ao tabagismo. Mais de 80% dos pacientes são ou foram tabagistas. Trata-se de um dos canceres mais agressivos, acometendo cerca de 1,8 milhão de pessoas e em mais de 80% dos casos a doença é diagnosticada em fases avançadas, com metástases, quando a cura é praticamente impossível. Mesmo aqueles que param de fumar precisam de 20 anos para terem seus riscos diminuídos para próximo de uma pessoa que nunca fumou. O câncer de pulmão mata no mundo mais que os canceres de próstata, mama e intestino juntos.

 

12 – Câncer de cabeça e pescoço e tabagismo.

O câncer de cabeça e pescoço, sendo o mais frequente, o carcinoma epidermoide, representa o terceiro tipo mais comum de câncer nos homens no Brasil (quando contamos os tumores de cavidade oral, faringe, hipofaringe e laringe juntos) e está intimamente relacionado ao tabagismo, sendo acompanhado logo em seguida pelo álcool e, depois, pela infecção pelo vírus do HPV.

 

13- Câncer de bexiga e tabagismo.

Embora o câncer de bexiga seja mais raro que o câncer de pulmão e o de cabeça e pescoço, é extremamente agressivo. Acomete mais de nove mil brasileiros, sendo 6.6 mil homens e 2,7 mil em mulheres, e causa a morte de cerca de 4 mil pessoas ao ano. 70% dos casos de câncer de bexiga estão ligados ao uso de cigarro. As substâncias nocivas do cigarro são filtradas pelos rins e entram em contato com a parede da bexiga.

 

14 – Brasil com lugar de destaque no combate ao tabagismo.

O Brasil ganhou lugar de destaque ao conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita, por exemplo, com a disponibilização de medicações como a bupropiona.  Os impostos sobre os cigarros aumentaram, chegando a 83%, em 2018; as propagandas foram proibidas em televisão e revistas, tornou-se obrigatório estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do cigarro e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% em 2017).

 

15 – Cigarro, hábito se inicia cedo.

O I Levantamento sobre Drogas entre universitários de instituições de ensino superior (IES) públicas e privadas das 27 capitais brasileiras foi realizado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Os resultados apontaram que estudantes universitários do sexo masculino iniciaram (experimentaram pela primeira vez) o uso de tabaco aos 15,9 anos de idade e os do sexo feminino, aos 16 anos, perfazendo média de 16 anos.  Além disso, os estudos indicam que a experimentação de tabaco é maior entre estudantes da rede pública de ensino e, geralmente, as frequências de uso de tabaco nos últimos 30 dias também são maiores em instituições de ensino públicas

 

16 – Redução do tabagismo em todas as idades.

A redução do tabagismo vem acontecendo, no Brasil, em todas as faixas etárias, com redução de 50% entre os jovens com menos de 30 anos e também redução de 44% entre as mulheres. Segundo o INCA mais de 1,5 milhão de pessoas fizeram tratamento na rede pública para parar de fumar nos últimos 10 anos. Mas ainda não foi possível acabar completamente com esse vício. Dados mostram que as capitais onde mais se fuma são Porto Alegre, São Paulo e Curitiba. Enquanto Salvador, São Luiz e Belém são as que tem menos fumantes. O Brasil ocupa hoje o 34º lugar entre os países que mais fumam em um ranking que engloba 149 nações.

 

17 – Alternativas ao cigarro convencional.  Perigo em crescimento!

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais. No entanto, isso não é verdade. Alguns deles, como o narguilé, são ainda mais nocivos. E o cigarro eletrônico vem se mostrando um grande perigo! O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo. Em 2018, mais de 3,5 milhões de estudantes do ensino médio, nos EUA disseram já ter experimentado o cigarro eletrônico. Seus efeitos deletérios ainda não são completamente conhecidos, mas o Centro de Controle de Doenças dos EUA, divulgou recentemente várias mortes associadas diretamente ao uso do cigarro eletrônico. Por isso o combate ao cigarro ganha novos inimigos que não podem ser esquecidos.

 

18 – Os benefícios ao parar de fumar são rapidamente sentidos.

Há quem acredite que o tabaco leva anos para começar a causar danos no corpo humano. Na verdade, é preciso apenas alguns minutos para que esses danos comecem a acontecer no organismo. No entanto, mesmo depois de anos alimentando esse vício é possível recuperar a saúde depois de colocar um fim nele. Apenas 48 horas depois de parar de fumar, as terminações nervosas começam a ser regeneradas, fazendo com que se sinta melhor os sabores e cheiros. Porém, uma pessoa que fumou por muitos anos, precisa de cerca de 20 anos livre do cigarro pra voltar a ter o mesmo risco de desenvolver câncer de pulmão de uma pessoa que nunca fumou.

29 de agosto: Dia Nacional de Combate ao Fumo Temos muito o que comemorar! Mas sempre será um grande desafio

O tabagismo como vício vem acometendo a humanidade há mais de 200 anos. Já passou por diferentes fases, desde seu uso pelos povos pré-colombianos, na América Central, ou em rituais indígenas, na América do Sul, até sua exploração comercial na Europa durante a Revolução Industrial e sua banalização pela indústria cinematográfica de Hollywood, nas décadas de 80 e 90. Fato é que o cigarro se tornou popular e também o maior inimigo do ser humano, sendo o grande responsável por mortes evitáveis em todo mundo.

A partir do final da década de 90, com o entendimento dos mecanismos deletérios do cigarro no corpo humano e sua clara associação com dezenas de doenças cardiovasculares, respiratórias e neoplásicas, iniciou-se no mundo inteiro um movimento na tentativa de inibir e dificultar o seu uso. São mais de 4.000 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 50 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância em cânceres de pulmão, cabeça e pescoço e bexiga. Além disso é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial). Além de diversas outras doenças respiratórias.

As pessoas que fumam têm em média 14 anos menos de expectativa de vida em relação as que não fumam. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para 7 milhões de mortes ao ano por doenças causadas pelo cigarro, sendo 12% dessas mortes em fumantes passivos. Só no Brasil são 400 mortes por dia pelo tabaco, o que causa um impacto gigantesco na saúde e na economia, visto que muitas pessoas atingidas são jovens e economicamente ativas, além de um grande custo para o sistema de saúde pública, com gastos bilionários em tratamentos de doenças relacionadas ao tabaco.

Na tentativa de diminuir o tabagismo e com isso as doenças a ele relacionadas, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Nesse contexto, o Brasil ganhou lugar de destaque ao conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita, por exemplo, com a disponibilização de medicações como a bupropiona.

Além disso, foi disponibilizada uma linha telefônica para as pessoas tirarem dúvidas sobre o tabagismo, houve aumento dos impostos que chegaram a 83%, em 2018; as propagandas foram proibidas em televisão e revistas, tornou-se obrigatório estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do cigarro e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% em 2017).

O Brasil, ao lado de Turquia, tornou-se referência ao mundo no combate ao cigarro, sendo o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) que são: monitorar o uso do tabaco e as políticas de prevenção, proteger as pessoas contra o tabagismo, oferecer ajuda para parar de fumar, avisar sobre os perigos do tabaco, aplicar proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco e aumentar os impostos sobre o tabaco.

A redução do tabagismo vem acontecendo, no Brasil em todas as faixas etárias, com redução de 50% entre os jovens com menos de 30 anos e também redução de 44% entre as mulheres. Segundo o INCA, mais de 1,5 milhão de pessoas fizeram tratamento na rede pública para parar de fumar nos últimos 10 anos.

Mas ainda não foi possível acabar completamente com esse vício. Dados mostram que as capitais onde mais se fuma são Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, enquanto Salvador, São Luiz e Belém são as que tem menos fumantes. O Brasil ocupa hoje o 34º lugar entre os países que mais fumam em um ranking que engloba 149 nações.

Em paralelo à diminuição do tabaco, vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo o uso dos cigarros eletrônicos, cujos os efeitos deletérios ainda são desconhecidos. Em 2018, mais de 3,5 milhões de estudantes do ensino médio nos EUA disseram já ter experimentado o cigarro eletrônico. O Centro de Controle de Doenças dos EUA acabou de divulgar a morte de um morador e Illinois como potencial primeiro caso – do mundo – de morte associada diretamente ao uso do cigarro eletrônico. Por isso, o combate ao cigarro ganha novos inimigos que não podem ser esquecidos.

O Brasil tem o audacioso objetivo de se tornar o primeiro país do mundo livre do tabaco. E, por isso, o dia 29 de agosto ganha importância como o Dia Nacional de Combate ao Fumo para lembrar que essa guerra ainda terá vários capítulos e a atenção nunca deverá ser diminuída no intuito de manter o Brasil na rota do combate ao cigarro.

Brasil sem cigarro: Manifesto do INCA reforça posição contra o comércio de cigarros eletrônicos

Recentemente, o cigarro eletrônico foi tema do Alerta Oncologia e de dois textos no blog do Grupo SOnHe (Dr. David e Dr. Vinícius) e isso não foi por acaso. As polêmicas em relação ao seu uso têm se tornado cada vez mais frequentes, em virtude do dilema entre redução do tabagismo como estratégia de promoção da saúde e aumento do uso dos e-cigarrettes. Agora, em agosto de 2019, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) lançou um manifesto de apoio à resolução da ANVISA, de 2009, que proíbe a comercialização de cigarros eletrônicos no Brasil até hoje (RDC 46/2009).

Este manifesto foi motivado pelo novo relatório publicado em 26 de julho pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o tabagismo no mundo. Nele, o Brasil foi destacado por apresentar um programa de controle de tabagismo do mais alto nível, desde a conscientização da população, passando pelos impostos sobre o produto e chegando até as proibições de uso do cigarro em locais públicos. Aliado a isto, os dados animadores do Ministério da Saúde mostram uma redução do número de fumantes no Brasil de 35% (1989) para menos de 15% em 2013, com novos dados de 2018 sugerindo que essa taxa baixou para 10%.

Essa situação vem contrastando com a expansão do uso dos cigarros eletrônicos pelo mundo, muitas vezes por influência da própria indústria, que usa um discurso de redução de danos, como se esses produtos fossem “light”. Entretanto, como extensamente explicado por nós, do Grupo SOnHe, e pelo próprio INCA, as evidências sobre os cigarros eletrônicos apontam que estes são, sim, um risco à saúde, além de aumentarem a iniciação de pessoas não fumantes no hábito do tabagismo, principalmente na população mais jovem. Dentre os danos, estão também o risco de câncer pelo vapor quente e das doenças cardiovasculares pela nicotina presente nos e-cigarrettes.

Vale citar uma frase do manifesto do INCA: “os interesses da saúde pública são contrários aos da indústria do tabaco, sendo, portanto, incompatíveis nos objetivos pretendidos”. E isso embasa e reforça o apoio irrestrito do INCA à manutenção da proibição dos cigarros eletrônicos no Brasil, visando sempre a promoção da saúde e o objetivo de tornar o Brasil um país livre do tabaco.

O grupo SOnHe, preocupado com a saúde da população e em busca da redução dos hábitos que aumentem o risco de câncer, apoia o manifesto e alerta à comunidade de que o que conquistamos no combate ao tabagismo não pode ser perdido.

Referências:

https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//apoio_a_manutencao_da_rdc_46_2009_inca.pdf

http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2718376/RDC_46_2009_COMP.pdf/2148a322-03ad-42c3-b5ba-718243bd1919

https://www.who.int/tobacco/global_report/en/

https://www.inca.gov.br/noticias/inca-lanca-manifesto-por-brasil-livre-do-tabaco

Cigarro, narguilé e maconha: existe relação com o câncer?

Recentemente no nosso blog, falamos sobre os perigos do tabagismo e do uso de narguilé. Porém, essas não são as únicas práticas recreativas nocivas à saúde. A maconha é uma droga cujo uso tem crescido, sendo a substância ilícita mais consumida no mundo e que pode ter consequências maléficas para os seus usuários, dentre elas o câncer.

Em maio, falamos um pouco sobre o tabagismo e sobre como esse hábito – que envolve inalar mais de 4.000 substâncias tóxicas, sendo 70 cancerígenas – pode afetar a nossa saúde. O tabaco causa perto de 90% dos cânceres de pulmão e tem relação com 30% das mortes por todas as neoplasias malignas. Além disso, aumenta muito o risco de doenças cardiovasculares e causa danos consideráveis aos órgãos do corpo, envelhecendo a pele e prejudicando a capacidade de respirar. Vimos também que a melhor opção é sempre deixar de fumar, não só para a pessoa, mas também para os familiares e amigos que convivem com a mesma, visto que o fumo passivo também é um risco. Para parar, não adianta, o indivíduo tem que conhecer os riscos a que ele está exposto e saber que está usando uma droga que vicia e mata.

Em outro post, o Dr. David Cunha mostrou que o narguilé é uma nova moda entre os jovens e adultos. O seu uso se baseia na aspiração de fumaça de diversas substâncias através de um cachimbo acoplado a um recipiente com água. Muitas vezes os usuários referem, erroneamente, que a prática não traz malefícios. Mas estudos mostram que uma rodada de narguilé (aproximadamente 45 minutos) equivale a fumar 100 cigarros. Desse modo, as consequências vêm junto com a utilização: câncer de pulmão, de cavidade oral e garganta, doenças cardiovasculares e enfisema pulmonar. Além disso, a dependência química também pode ocorrer, já que altos níveis de nicotina também são inalados, e há o risco inclusive de infecções por compartilhamento do cachimbo entre as pessoas.

Em relação à maconha, estima-se que aproximadamente 180 milhões de pessoas façam uso no planeta. Apesar de algumas pessoas a considerarem inofensiva, diversos problemas advêm do seu uso.

Dependência química, problemas vasculares, doenças psiquiátricas, alterações pulmonares agudas, infertilidade são alguns exemplos. Alguns estudos mostram que pode haver um aumento pequeno no risco de infarto do coração e acidente vascular cerebral (AVC), mais conhecido como derrame. Outros trabalhos associam o uso regular da maconha com redução da cognição, ou seja, piora da capacidade de raciocinar. Dentre os problemas psiquiátricos, os usuários apresentam maior risco de desenvolver esquizofrenia, com um aumento de aproximadamente 24%. Ademais, ansiedade, depressão, transtorno bipolar, parecem ter alguma relação com o uso da substância. E não podemos esquecer que o uso de drogas como a maconha pode levar também ao desenvolvimento de dependência a outras drogas, como o próprio cigarro e o álcool, além de ser uma porta de entrada para outras mais pesadas.

Sobre a relação com o câncer, os estudos, apesar de serem de evidência científica reduzida, mostram que há aumento de ocorrência de alguns tipos de câncer. O de testículo é um deles. Pesquisadores notaram um aumento de 150% na incidência deste tipo de tumor entre pessoas que usavam maconha. Em relação ao câncer de pulmão, a maconha leva a alterações diretas no tecido pulmonar, que predispõem ao desenvolvimento de tumores malignos, já que irrita e lesa as células do parênquima dos pulmões.

Apesar dos efeitos deletérios do seu uso regular, a maconha tem se mostrado útil para a medicina, já que tem sido usada em algumas situações específicas, como controle de dor, falta de apetite e de náuseas e vômitos em pacientes com câncer. Os estudos são controversos, porém alguns mostram alguma melhora do enjoo pós-quimioterapia em pacientes que não tiveram sucesso usando as medicações comuns. O mesmo aconteceu com o nível de dor quando doentes com câncer avançado foram tratados, sem sucesso, com medicações analgésicas normalmente utilizadas pelos médicos. Outro uso foi o de estimulador de apetite em pessoas com falta dele. Entretanto, devemos nos lembrar dos efeitos adversos do uso da droga e que não se sabe quais podem ser as consequências do uso à longo prazo. De qualquer maneira, os compostos derivados da maconha ou a própria planta para consumo não são liberados no nosso país.

É isso aí! Fora os estudos com algum papel da maconha na medicina, o tabagismo, o narguilé e a maconha são hábitos com muitos efeitos colaterais e devem ser combatidos e evitados, a fim de promover melhor saúde para nosso corpo e nossa mente. Praticar esportes, encontrar amigos, trabalhar, explorar a natureza, todos esses bons hábitos podem ser o caminho para uma vida sem drogas e com saúde!

 

Referências:

www.uptodate.com

Tabagismo e câncer

Dr. Rafael Luis Moura Lima do Carmo

Se alguém lhe oferecesse algo que contivesse mais de 4.000 substâncias tóxicas, sendo 70 cancerígenas, você usaria? Imagino que não. Pois essa é a descrição da composição química do cigarro.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o tabagismo é a maior causa de morte evitável no mundo, acarretando anualmente mais de 5 milhões de fatalidades. Mais de 50 doenças têm relação com o uso do cigarro, entre elas estão o infarto, o derrame cerebral (AVC) e o câncer.

Cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão e aproximadamente 25% das mortes por AVC ou infarto são atribuídas ao ato de fumar. E não é só no pulmão. Outros tipos de câncer também têm relação com o fumo, como o de bexiga, o da cavidade oral, de esôfago, de laringe, de mama, entre outros, sendo que o uso do tabaco é considerado a maior causa e é responsável por 30% das mortes por todos os tipos de câncer.

Para se ter uma ideia, no Brasil, segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o número de mortes anuais pelo tabagismo é de aproximadamente 200 mil por ano, ou seja, é como se o dobro de toda a população de Paulínia-SP, por exemplo, morresse todo ano em decorrência do câncer. Uma pesquisa do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo mostrou que 65% dos casos de neoplasias de bexiga estão relacionados ao tabagismo. Quanto aos gastos financeiros com o diagnóstico e tratamento do câncer relacionado ao cigarro, a estimativa é de uma despesa de mais de R$ 50 bilhões, o que corresponde a um pouco mais do que o PIB da cidade de Campinas.

E como é que o cigarro leva ao câncer? A ciência mostra que as alterações genéticas provocadas pelo tabagismo são as causadoras das neoplasias malignas e os agentes carcinógenos presentes no cigarro entram nos tratos digestivos e respiratório e no sangue, de onde chegam às diversas células do organismo. Ao atingi-las, causam lesões ao DNA e podem levar a mutações nos genes, o que tem como consequência o aumento da chance desta célula se tornar maligna.

Como o câncer de pulmão é o mais relacionado ao fumo, vamos falar um pouco mais sobre ele. Quem fuma tem um risco 10 a 30 vezes maior de desenvolver câncer de pulmão, o que aumenta a chance durante a vida do mesmo ocorrer de 1 para 30%. Um valor muito alto! Quanto mais tempo de uso e maior número de cigarros fumados por dia, maior essa chance. Não podemos esquecer, porém, que não há limite seguro para o uso do cigarro, ou seja, não usar é sempre melhor do que usar, mesmo que o uso seja pequeno.  E as consequências são estrondosas: mais de 1,6 milhão de mortes por câncer de pulmão todo ano no mundo!

Vale lembrar que existem também fumantes passivos, que são as pessoas que, recorrentemente, inalam a fumaça produzida pelos fumantes ativos. Apesar dos ativos apresentarem maior risco, os passivos também sofrem com o hábito e chegam a ter um aumento de 30% do risco de câncer de pulmão, além de 24% de infarto. A OMS estima 890 mil mortes de fumantes passivos no mundo anualmente. Então, não basta só não fumar, mas também estimular as pessoas, principalmente parentes e amigos com quem convivemos, a não fumar.

Certo! O tabagismo faz mal. Mas os fumantes dizem que interromper o vício é muito difícil. E é mesmo! Entretanto, com força de vontade, informação e ajuda de profissionais da saúde é perfeitamente possível.

Primeiramente, é importante saber que os riscos de câncer de pulmão reduzem de 20% a partir de 5 anos do dia em que se para de fumar, chegando a quase 90% de redução após 15 anos. Assim, também é com as outras neoplasias, como no caso da mama, em que a cessação do tabagismo reduz em 50% o risco de morte e a chance de retorno da doença.

Além disso, os efeitos benéficos de parar de fumar também são sentidos na função respiratória, risco cardiovascular e até mesmo nas relações sociais.

A dificuldade em parar vem da alta dependência química e também física e psicológica do cigarro. O fumante tem o organismo “acostumado” à nicotina e retirá-la de uma hora para outra causa algumas consequências, as quais compreendem a síndrome de abstinência, caracterizada por insônia, ansiedade, inquietação, entre outros sintomas. Psicológica e fisicamente, o cigarro é visto como uma “bengala” para o paciente em alguns eventos do dia (como acordar, ou tomar um café) ou mesmo para momentos de estresse. Por conta disso, a parada gradual pode ser uma opção à interrupção súbita, tendo em mente que o modo mais efetivo é aquele em que se estabelece uma data a partir da qual não se fumará mais.

Quanto à ajuda especializada, pode ser encontrada em médicos ou mesmo em grupos de apoio ao combate ao fumo, com ricas trocas de experiências, compartilhamento de caminhos de sucesso e possíveis percalços com os quais o indivíduo pode se deparar durante a abstinência. Em algumas situações, o uso de medicações pode se fazer necessário, nesse caso o médico psiquiatra é muitas vezes o mais indicado para a orientação.

Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas fumam, sendo que 80% estão em países subdesenvolvidos. No Brasil, a prevalência reduziu de 34 para 11% desde 1989. Tal queda se deve não só à conscientização sobre os malefícios, mas também às campanhas antitabaco pelo mundo.

Em 1950, a primeira lei antitabaco foi promulgada no Brasil, proibindo o seu uso em alguns locais públicos. Uma curiosidade assustadora é que a proibição de fumo em hospitais só veio na década de 1980. E foi só a partir da década de 1990 – com a imprensa divulgando informações sobre os malefícios do cigarro – que o cerco passou a se fechar, com a proibição em quase todos os locais públicos. Nessa mesma época, houve estabelecimento de regras para a venda e propaganda dos derivados do tabaco, além de aumento de impostos. Tais medidas foram bastante eficazes, mas os recintos privados ainda eram locais de uso permitido. Em 2009, seguindo tendências recentes de outras importantes cidades do mundo, uma lei do estado de São Paulo passa a proibir o fumo também em estabelecimentos privados fechados, o que foi um grande avanço para a saúde de todos. Por fim, em 2014, a Lei Federal 12.546 estendeu essa proibição para todo o país, contemporizando um problema já conhecido há muitos anos pela ciência.

Em suma, as consequências do uso do cigarro são alarmantes e têm relação direta com a ocorrência do câncer. Para virarmos o jogo, o caminho é, sem dúvida, a cessação do hábito, seja por decisão própria, seja por proibições legislativas, já que os impactos não se restringem ao próprio indivíduo, mas se estendem a toda a sociedade.

Para mais informações, pode-se acessar o site do Programa Nacional do Controle do Tabagismo do INCA (vide referências) ou entrar em contato com o Disque Saúde (136) ou mesmo procurar a unidade de saúde mais próxima. Fato é que parar é sempre o melhor remédio!

 

Referências:

http://www.icesp.org.br/sala-de-imprensa/noticias/291-cigarro-e-responsavel-por-65-dos-casos-de-cancer-de-bexiga-em-homens

http://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tobacco

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo

http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2011/lei-12546-14-dezembro-2011-612002-normaatualizada-pl.pdf

Ponto de Encontro – Tabagismo – Entrevista com o Dr. David Pinheiro Cunha, médico oncologista do grupo SOnHe

Assista ao vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=mlxJxAKNP4k&feature=youtu.be