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O psicólogo na jornada do câncer

Aline Riguete

Psicóloga

Leonardo Silva

Oncologista Clínico

 

 

A chegada de um diagnóstico de câncer muitas vezes traz a sensação de que o chão se abre, de repente, sob os pés. A notícia chega de forma abrupta, muda o rumo dos planos e impõe uma nova realidade ao paciente e à sua família. Nesse momento, não são apenas os exames e os tratamentos que importam. Há também uma avalanche de emoções: medo, ansiedade, raiva, tristeza, incredulidade. Cada pessoa reage de um jeito, e nenhuma reação é “certa” ou “errada”.

Muitas vezes, a primeira reação é o silêncio. O paciente olha para o médico, escuta palavras como “tumor”, “quimioterapia”, “cirurgia”, mas não consegue assimilar. Depois, as noites em claro, perguntas sem resposta, pensamentos repetitivos. “E se eu morrer? E se eu não aguentar o tratamento? Como vai ficar a minha família?” “E o meu trabalho?”. É um momento em que o corpo e a mente parecem não falar a mesma língua: enquanto os exames apontam a doença, a mente tenta entender o que está acontecendo.

É nesse cenário que um profissional extremamente importante entra em ação: o psicólogo. Ele não chega para oferecer soluções mágicas nem frases prontas de otimismo. O que o psicólogo oferece, em primeiro lugar, é presença. Um espaço onde o paciente pode expressar suas emoções, verbalizar seus medos, tudo isso sem medo de ser julgado. É uma escuta qualificada que ajuda a organizar o caos interno e a dar nome às emoções. Nomear o que sentimos já é, muitas vezes, o primeiro passo.

 

O caminho do tratamento

Com o início do tratamento, a vida passa a girar em torno de consultas, exames, eventuais internações. O corpo muda: o cabelo pode cair, o paladar se altera, a energia diminui. Não são apenas efeitos colaterais, mas sinais visíveis de que algo profundo está acontecendo. A autoestima sofre, e muitos pacientes relatam não se reconhecer mais diante do espelho.

O psicólogo ajuda a reconstruir essa relação com o corpo, lembrando que ele não é um campo de batalha, mas sim um aliado. Além disso, paciente e psicólogo atuam em conjunto para elaborar a aceitação das mudanças temporárias, desenvolver estratégias para lidar com o medo e a ansiedade, e reduzir o sofrimento emocional que acompanha cada etapa da jornada.

E aqui vale destacar um ponto importante: o cuidado psicológico não melhora apenas o bem-estar. Estudos científicos mostram que pacientes com suporte emocional apresentam melhor aderência ao tratamento, têm menos sintomas depressivos e até enfrentam melhor os efeitos colaterais. Isso acontece porque mente e corpo não são duas entidades separadas: quando cuidamos de um, o outro também responde.

Famílias também precisam de suporte nessa fase. Muitas vezes, os familiares se colocam no papel de “pilares de força”, mas podem se sentir sobrecarregados. É comum que sintam culpa por estarem cansados ou por, em alguns momentos, desejarem uma pausa. O psicólogo lembra a eles que cuidar de si é também uma forma de cuidar do paciente.

 

Depois do tratamento: o retorno à rotina

Quando o tratamento termina, há um alívio evidente: as consultas ficam mais espaçadas, os exames se tornam menos frequentes, e o paciente é, muitas vezes, considerado em remissão. Mas junto com a alegria, surgem novas angústias. “E se o câncer voltar?”. Cada dor de cabeça, cada resfriado, pode reacender o alarme. É o que chamamos de ansiedade da recidiva.

Além disso, retomar a rotina pode ser mais difícil do que se imagina. O trabalho, as relações sociais, a vida amorosa, tudo parece diferente. O paciente já não é a mesma pessoa de antes, mas também não deseja ser definido apenas pelo câncer. Esse é um período delicado de reconstrução da identidade.

O psicólogo ajuda nesse processo, auxiliando o paciente a resgatar projetos de vida, a reconhecer suas conquistas e a lidar com o medo constante. É como reaprender a viver, carregando cicatrizes que, embora dolorosas, também contam histórias de resistência.

 

Quando não há cura

Há situações em que o câncer não pode ser curado, mas isso não significa ausência de vida ou de possibilidades. Esse é um momento que exige delicadeza, acolhimento e escuta atenta, tanto para o paciente quanto para a família.

O psicólogo tem um papel fundamental nesse processo: oferecer espaço para que a pessoa possa se expressar, falar sobre seus desejos, medos e conquistas. Esse espaço abre caminho para diálogos autênticos, em que o paciente pode expressar seus afetos, refletir sobre sua trajetória e encontrar aquilo que dá sentido à sua vida.

Para a família, o acompanhamento psicológico também é um suporte essencial. Ele ajuda a encontrar formas de estar junto, de participar do cuidado e de ressignificar a convivência, sem deixar de cuidar de si. O cuidado psicológico, nesse momento, é sobre garantir dignidade, autenticidade e humanidade em cada etapa da jornada.

 

A família e os cuidadores

O câncer nunca é uma experiência individual. Ele atravessa toda a rede de relações do paciente: parceiros, filhos, pais, amigos. Os cuidadores, em especial, vivem uma rotina intensa de consultas, medicamentos, atenção constante. Muitas vezes, deixam de lado seus próprios sonhos, sua saúde, seu descanso.

O psicólogo atua também junto a eles, oferecendo um espaço para expressar cansaço, raiva, culpa. Lembra que ser cuidador não significa ser invencível e que cuidar de si é parte do processo de cuidar do outro.

 

Quebrando mitos

Ainda hoje, muita gente acredita que procurar um psicólogo é sinal de fraqueza. É como se fosse proibido admitir que não damos conta de tudo. Mas, na verdade, buscar apoio é um ato de coragem. Significa reconhecer que o sofrimento emocional é tão legítimo quanto a dor física.

Assim como cuidamos do corpo com exames e remédios, precisamos cuidar da mente com escuta, diálogo e acolhimento. A psicologia mostra que ninguém precisa enfrentar o câncer sozinho, nem o paciente, nem a família.

 

Um companheiro de jornada

O psicólogo, no cuidado oncológico, não é alguém que “resolve” os problemas, mas alguém que caminha ao seu lado. Ele ajuda a transformar dor em aprendizado, silêncio em palavras, medo em possibilidade de ressignificação. Está presente desde o impacto inicial do diagnóstico até os momentos finais da vida, sempre oferecendo acolhimento, presença e esperança.

Cuidar da mente é também cuidar da saúde. E, diante do câncer, esse cuidado pode fazer toda a diferença. Porque, mesmo em meio à tempestade, ainda é possível encontrar abrigo, preservar vínculos e viver com dignidade.

Dia Nacional da Saúde: e a sua, como anda?

Comemorado em 5 de agosto, o Dia Nacional da Saúde é uma excelente oportunidade para refletirmos sobre como nossos hábitos diários influenciam nosso bem-estar a longo prazo. Saúde é movimento, alimentação consciente, sono de qualidade e mente equilibrada. É, acima de tudo, prevenção, inclusive contra o câncer.

Já parou pra pensar em como os hábitos do dia a dia impactam sua saúde no futuro?

  • Você pratica alguma atividade física regularmente?
  • Seu sono está em dia ou tem sido um desafio?
  • Já experimentou momentos de pausa, como meditação ou respiração consciente?
  • Como anda a alimentação: seu prato tem mais alimentos naturais ou industrializados?
  • Seus exames preventivos estão atualizados?
  • Já pensou em buscar ajuda para parar de fumar?

 

Estudos mostram que até 40% dos casos de câncer poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida. E é por isso que, como oncologista, minha missão também é te informar, apoiar e incentivar a cuidar da sua saúde antes mesmo de adoecer. Cuidar da saúde é também um ato de coragem e responsabilidade com o futuro.  Escolha cuidar de você com mais presença e propósito!

No Dia Nacional da Saúde, fica aqui o convite:
Adote hoje mesmo uma atitude preventiva: pode ser um prato mais colorido, uma caminhada de 30 minutos, uma aula de yoga ou aquele exame que você vem adiando.

Pequenas decisões, somadas, constroem grandes resultados. E a saúde que você quer no futuro começa agora.

Linfoma: O que há de novo e viável na prática clínica?

O linfoma, um tipo de câncer que se origina nos linfócitos, células do sistema imunológico, tem visto avanços significativos no diagnóstico e tratamento nos últimos anos. Essas inovações estão transformando a prática clínica, oferecendo aos pacientes opções mais eficazes e personalizadas.

Uma das áreas de maior progresso é o diagnóstico. A combinação de biópsia de medula óssea, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), testes genéticos e moleculares; permite uma classificação mais precisa dos subtipos de linfoma. Essa acurácia é fundamental, pois diferentes subtipos de linfoma têm diferentes evoluções, respondendo de maneiras distintas aos tratamentos.

O campo do tratamento foi revolucionado pela chegada das terapias-alvo, da imunoterapia, dos agentes imunomoduladores e dos anticorpos bi-específicos.

As terapias-alvo atuam em vias moleculares específicas, bloqueando o crescimento e a proliferação das células cancerosas com menos toxicidade às células saudáveis. Exemplos incluem os inibidores de BTK, inibidores de BCL-2 e inibidores de vias de sinalização específicas. Esses medicamentos, muitas vezes orais, oferecem uma alternativa com menos efeitos colaterais em comparação à quimioterapia tradicional.

Os agentes imunomoduladores apresentam boa eficácia ao modular o sistema imunológico e inibir o crescimento das células cancerosas. São utilizados em combinação com outros medicamentos e apresentam um bom perfil de tolerância, com baixos efeitos colaterais.

A imunoterapia, por sua vez, age estimulando o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater o câncer. Os inibidores de checkpoint imunológico (Anti-PD1) têm demonstrado eficácia notável em linfomas refratários ou recidivados.

Outra inovação revolucionária é a terapia com células CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell). Nesse tratamento, as células T do próprio paciente são coletadas, geneticamente modificadas em laboratório para expressar um receptor que as direciona especificamente para as células cancerígenas e, então, infundidas de volta no paciente. Embora ainda com acesso mais restrito devido à sua complexidade e custo, está disponível em centros especializados e representa uma esperança significativa para pacientes com poucas opções terapêuticas restantes.

Outra recente adição ao arsenal terapêutico são os anticorpos bi-específicos. Diferente dos anticorpos monoclonais tradicionais que se ligam a apenas um alvo, os anticorpos bi-específicos possuem “dois braços”: um se conecta a uma proteína presente na célula do linfoma (como o CD20 nas células B malignas) e o outro se liga a uma proteína nas células T do paciente (como o CD3). Ao fazer essa “ponte”, os anticorpos bi-específicos aproximam as células T do tumor, ativando o sistema imunológico para destruir as células malignas de forma mais direcionada. Esses medicamentos vêm mostrando resultados promissores em linfomas recidivados ou refratários representando uma alternativa a terapia CAR-T.

A participação em estudos clínicos é uma via importante para pacientes que podem se beneficiar de terapias experimentais promissoras ou que esgotaram as opções de tratamento padrão. A pesquisa clínica é um pilar fundamental para trazer as inovações para a prática clínica. A pesquisa tem se concentrado na combinação de diferentes classes de medicamentos, como quimioterapia com imunoterapia ou terapias-alvo. Essas combinações buscam sinergias que aumentam a eficácia do tratamento e superam mecanismos de resistência.

O futuro do tratamento do linfoma é promissor, com pesquisas contínuas explorando novas combinações de terapias, biomarcadores para prever a resposta ao tratamento e abordagens menos invasivas. A medicina personalizada é a chave, adaptando o tratamento às características genéticas e moleculares de cada tumor e ao perfil do paciente.

 

Quando a arte cuida: arteterapia para quem enfrenta o câncer

Enfrentar o câncer é atravessar um território desconhecido, repleto de medos, silêncios e descobertas. É um momento que gera reflexões sobre o passado, o presente e o futuro, envolvendo todos os aspectos da vida pessoal e profissional, podendo resultar em sentimentos de angústia e ansiedade. A cirurgia, a quimioterapia e a radioterapia são modalidades terapêuticas eficazes contra o câncer, porém não conseguem tratar os efeitos mentais/psicológicos, os quais podem ser muito debilitantes.

Nesse contexto, entendemos que o tratamento vai além dos medicamentos e exames — ele envolve também o cuidado com aquilo que não se vê nos laudos: o emocional, o afeto, a identidade que muitas vezes se perde no caminho.

A arteterapia nasce justamente aí, no espaço entre a dor e o alívio, entre o que machuca e o que cura. Mais do que uma atividade, ela é uma forma de cuidar com delicadeza, oferecendo ao paciente um jeito de se expressar sem pressa, sem julgamento, apenas sendo. A arte, nesse contexto, é presença, é cuidado, é escuta.

Neste texto, vamos falar sobre como a arteterapia pode ajudar pacientes oncológicos e seus cuidadores a atravessarem esse processo com mais humanidade, sentido e leveza. Porque, às vezes, quando as palavras faltam, é a arte que cuida.

Programas de medicina complementar e integrativa já são considerados componentes-chave no suporte ao paciente oncológico, inclusive com recomendações da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e pela Sociedade de Oncologia Integrativa (SIO), especialmente para pacientes com diagnóstico de câncer de mama. A arteterapia se insere entre as terapias recomendadas, com objetivo de auxiliar no controle de sintomas como ansiedade e estresse, bem como outros efeitos colaterais do tratamento.

O emprego da arte como forma de tratamento de doenças não é algo novo. O filósofo e médico persa Avicena, considerado o pai da medicina moderna e que viveu por volta dos anos 1000 na região hoje conhecida como Irã, acreditava e usava a música como forma de tratamento de sintomas psicológicos associados a diversas doenças. Porém, a arteterapia como conhecemos hoje tem suas raízes com o artista e escritor britânico Adrian Hill, que definiu a arte como “a inimiga das doenças”. Na década de 1940, ele começou a realizar estudos com a aplicação de arteterapia, evidenciando efeitos benéficos na redução do estresse e melhora do estado psicológico dos pacientes.

A arteterapia é uma prática terapêutica que utiliza diferentes formas de expressão artística — como pintura, desenho, modelagem, colagem, escrita, música — como ferramentas para cuidar da saúde emocional. Não é preciso saber desenhar bem nem ter talento para a arte. O foco não está no resultado estético, mas sim no processo criativo, que permite que sentimentos difíceis encontrem caminhos de expressão e elaboração. Muitas vezes, o que não conseguimos dizer em palavras ganha forma e cor no papel. E isso pode ser profundamente libertador.

A música é uma das formas de expressão artística mais estudadas com relação aos seus efeitos sobre a saúde. Diversos estudos mostram que a musicoterapia tem efeitos na redução dos níveis de ansiedade e na melhora do equilíbrio emocional. Além disso, em pacientes oncológicos a musicoterapia pode ser um potente auxiliar no controle da dor oncológica. Outros efeitos benéficos incluem melhoria na sensação de controle, na imunidade, no relaxamento e na sensação de bem-estar.

Um conceito central na arteterapia é o de que emoções que não poderiam/seriam expressas em palavras possam ser expressas em imagens. Não existem limites para o uso da imaginação no desenvolvimento de formas criativas de expressar o luto. A arte seria um meio para a “criação de um significado”. Em um estudo com mulheres com diagnóstico de câncer de mama que se inseriram em diferentes tipos de arteterapia visual (colagem, modelagem em argila, pintura, criação de cartões, trabalho com tecidos) foram observados quatro efeitos positivos: 1. a arteterapia permitiu às mulheres mudar o foco do pensamento para aspectos mais positivos na vida, diminuindo a preocupação com o câncer; 2. reforço da autovalorização e da identidade pessoal; 3. a arteterapia foi associada a um efeito positivo na manutenção de uma identidade social, permitindo às mulheres resistirem a serem definidas pelo câncer; e 4. permitiu a expressão de seus sentimentos de forma simbólica, especialmente durante o tratamento.

Diversos estudos mostram que a terapia com artes visuais traz benefícios em termos de melhora da sensação de bem-estar, no relaxamento, e na redução de emoções negativas. Em pacientes com doenças crônicas, sessões de arteterapia estão associadas a melhora na qualidade de vida e redução de sintomas depressivos. A terapia com artes visuais também pode ser aliada no tratamento da dor oncológica, bem como no cuidado emocional dos seus cuidadores.

Não é à toa que oportunidades para expressão criativa vêm ganhando espaço cada vez maior nos hospitais dos Estados Unidos da América (EUA) e da Europa nas últimas décadas. Isso porque a arte é capaz de oferecer algo que a medicina tradicional não consegue. Recentemente, médicos da cidade suíça de Neuchâtel lançaram um programa piloto com duração prevista de 2 anos no qual as autoridades locais proverão visitas a museus prescritas pelos médicos aos pacientes. Com base em um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) publicado em 2019, o objetivo do projeto é promover a melhora da saúde mental, reduzir os impactos negativos de traumas, reduzir o risco de declínio cognitivo e da fragilidade física, bem como reduzir a mortalidade prematura. Caso seja bem-sucedido, o plano é de ampliação do projeto para inclusão de espetáculos de teatro e dança.

O enfrentamento do câncer é um processo que exige muito mais do que força física. Ele toca a identidade, os sentimentos e as relações. Assim, a arteterapia é um recurso sensível e poderoso para ajudar pacientes e cuidadores a atravessarem esse caminho de forma mais leve e significativa.

Ao permitir que emoções difíceis sejam expressas por meio da criação artística, a arteterapia oferece um espaço de acolhimento e escuta onde não há certo ou errado, bonito ou feio — apenas o que é verdadeiro. A arte se apresenta, então, como uma linguagem capaz de traduzir o que muitas vezes não se consegue dizer em palavras, promovendo alívio emocional, fortalecimento da autoestima e resgate do sentido de si.

Incluir a arteterapia no cuidado de pessoas com câncer é reconhecer que saúde vai além do corpo. É cuidar também do que sente, do que se vive e do que se sonha, mesmo em meio ao tratamento. Quando olhamos para o ser humano de forma integral, a arte se revela não apenas como expressão, mas como presença, como companhia e como forma de cuidado. E isso faz toda a diferença.

Atenção: mulheres com endometriose têm mais chance de desenvolver câncer de ovário

O câncer de ovário é a quinta principal causa de morte por câncer em mulheres em todo o mundo, representando uma doença altamente letal devido à dificuldade em diagnosticá-lo precocemente. Conhecer os fatores de risco para o desenvolvimento desse câncer é essencial para o desenvolvimento de estratégias de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento. Entre os fatores de risco bem estabelecidos estão a idade avançada, histórico familiar de câncer de ovário, mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, além de condições ginecológicas, como a endometriose.

A endometriose é uma condição ginecológica crônica e complexa, caracterizada pelo crescimento de tecido endometrial (a camada mais interna do útero, e que se descama na menstruação) fora do útero, afetando predominantemente mulheres em idade reprodutiva. Estima-se que cerca de 10% das mulheres em todo o mundo sofram com a endometriose, sendo uma das principais causas de dor pélvica crônica e infertilidade. Embora a etiologia exata da endometriose ainda não seja completamente compreendida, fatores genéticos, imunológicos e ambientais têm sido implicados no desenvolvimento da doença. Estudos prévios já haviam demonstrada uma relação entre a endometriose e o risco de câncer de ovário, sugerindo um aumento no risco da ordem de duas vezes.

Recentemente, um grupo de pesquisadores liderados pela Dra Mollie Barnard, da Universidade de Utah, nos EUA, publicou um importante estudo com o objetivo de avaliar a relação entre diferentes tipos de endometriose e o risco de câncer de ovário, dividido por subtipos. Esse estudo traz contribuições importantes ao reforçar a ligação entre diferentes subtipos de endometriose e o risco de desenvolvimento de câncer de ovário, com foco especial nos tipos histológicos do tumor.

Os principais achados revelam que as mulheres com endometriose têm um risco 4 vezes maior de desenvolver câncer de ovário em comparação àquelas sem endometriose. Um dado novo e que chama a atenção é de que o risco é ainda maior para as mulheres com endometriose acometendo os ovários e/ou outros órgãos profundos. Para essas, o aumento de risco é de quase 10 vezes, para todos os tipos de câncer de ovário e, se considerarmos os tumores chamados do tipo I (endometrioide, células claras, mucinoso e seroso de baixo grau) o aumento de risco chega a 19 vezes. Isso é importante pois indica uma forte correlação entre os subtipos mais graves de endometriose e subtipos de câncer de ovário que são agressivos e menos responsivos à quimioterapia.

Isso reforça a necessidade de desenvolvimento de estratégias de diagnóstico e tratamento da endometriose, especialmente dos subtipos mais graves da doença, com intuito de prevenção do câncer de ovário. Além disso, ressalta a importância de manter essas mulheres em um acompanhamento clínico mais rigoroso, incluindo a necessidade de novas pesquisas sobre possíveis intervenções preventivas que possam ser aplicadas a esse grupo de risco.

 

Referências

  1. Barnard ME, Farland LV, Yan B, et al. Endometriosis Typology and Ovarian Cancer Risk. JAMA. 2024; 332(6):482-489. doi: 10.1001/jama.2024.9210.
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estatísticas de câncer. Disponível em: https://www.inca.gov.br/numeros-de-cancer. Acessado em 20 de agosto de 2024.
  3. Paulino E, de Melo AC, Silva-Filho AL, et al. Panorama of Gynecologic Cancer in Brazil. JCO Glob Oncol. 2020; 6:1617-1630. doi: 10.1200/GO.20.00099.
  4. Shafrir AL, Farland LV, Shah DK, et al. Risk for and consequences of endometriosis: A critical epidemiologic review. Best Pract Res Clin Obstet Gynaecol. 2018 Aug;51:1-15. doi: 10.1016/j.bpobgyn.2018.06.001.

Julho Amarelo – Conscientização do câncer ósseo – Câncer ósseo e dor óssea devido ao câncer não são a mesma coisa

Uma das perguntas mais comuns no consultório de oncologia é sobre o câncer nos ossos. É importante destacar que câncer ósseo é diferente de câncer nos ossos. O câncer ósseo ocorre quando o câncer se origina diretamente no osso. Exemplos incluem osteossarcoma, condrossarcoma e sarcoma de Ewing.

Já a metástase óssea, ocorre quando células cancerígenas de um tumor primário em outra parte do corpo (como mama, pulmão ou próstata) se espalham para os ossos. Aqui, o osso não é o local de origem do câncer, mas, sim, um local para onde o câncer se espalhou.

 

Aproveitaremos o mês de conscientização do câncer ósseo para esclarecermos mais sobre o assunto.

 

O câncer ósseo primário é relativamente raro no Brasil, como em outras partes do mundo, representando menos de 1% de todos os tipos de câncer. Os tipos mais comuns de câncer ósseo primário incluem:

 

  1. Osteossarcoma: é o tipo mais frequente de câncer ósseo primário, geralmente afetando adolescentes e jovens adultos. É frequente nos ossos longos, como os ossos das pernas e braços.

2. Condrossarcoma: comumente encontrado em adultos, este câncer se origina nas células cartilaginosas e pode ter evolução mais indolente.

  1. Sarcoma de Ewing: afeta, predominantemente, crianças, adolescentes e adultos jovens. Pode ocorrer em qualquer osso, mas é mais comum na pelve, costelas e ossos das pernas.

 

Como se dá o diagnóstico e tratamento no Brasil?

 

– O diagnóstico do câncer ósseo geralmente envolve exames de imagem, como radiografias, tomografias computadorizadas (TC) e ressonâncias magnéticas (RM), além de biópsias para confirmação histológica.

– O tratamento pode incluir cirurgia para remover o tumor, quimioterapia e radioterapia. A escolha do tratamento depende do tipo, localização e estágio do câncer, bem como da saúde geral do paciente.

 

Desafios do tratamento do câncer ósseo

– Acesso ao tratamento especializado e às tecnologias avançadas pode ser limitado em algumas regiões, especialmente nas áreas mais remotas do país e no serviço público.

– A conscientização sobre os sintomas e a importância do diagnóstico precoce também é um desafio, o que pode atrasar o início do tratamento.

 

A conscientização sobre o câncer ósseo no Brasil envolve esforços contínuos de profissionais de saúde, pesquisadores, além de políticas públicas para melhorar a detecção precoce e o acesso a tratamentos de alta qualidade, assim como a desmistificação e a informação para toda população.

 

 

Julho Verde – Câncer de cabeça e pescoço: menos preconceito e mais informação

O câncer de cabeça e pescoço abrange um grupo de neoplasias que afetam regiões como boca, faringe, laringe, cavidade nasal e seios paranasais, glândulas salivares e tireoide. No Brasil, é uma preocupação significativa de saúde pública, especialmente devido à alta prevalência de fatores de risco como tabagismo e consumo de álcool.

 

Sobre a incidência, de acordo com os dados do INCA, o câncer de cabeça e pescoço representa uma porcentagem significativa dos casos de câncer no Brasil. Os principais tipos incluem:

  1. Câncer de boca: aproximadamente 15 mil novos casos por ano.
  2. Câncer de laringe: cerca de 7 mil novos casos por ano.
  3. Câncer de faringe: Inclui nasofaringe, orofaringe e hipofaringe, com incidência variada.

 

A mortalidade do câncer de cabeça e pescoço apresenta uma alta taxa, especialmente quando diagnosticado em estágios avançados. Segundo o INCA, a mortalidade desses cânceres é preocupante devido ao diagnóstico tardio e à falta de acesso a tratamentos adequados.

 

Então precisamos falar sobre prevenção!

Fatores de risco

 

  1. Tabagismo: o principal fator de risco para o câncer de cabeça e pescoço.
  2. Consumo de álcool: aumenta significativamente o risco, especialmente quando combinado com o tabagismo.
  3. Infecção por HPV: associada principalmente ao câncer de orofaringe.
  4. Má higiene oral: contribui para o desenvolvimento de câncer oral.
  5. Exposição a substâncias químicas: alguns tipos de trabalho aumentam o risco de exposição aos agentes carcinogênicos.

 

Medidas de prevenção

 

  1. Cessação do tabagismo e redução do consumo de álcool: são as medidas mais eficazes.
  2. Vacinação contra HPV: recomendada para adolescentes, pode prevenir infecções que levam ao câncer.
  3. Higiene oral adequada: inclui visitas regulares ao dentista.
  4. Uso de equipamento de proteção individual (EPI): para trabalhadores expostos a substâncias químicas.

 

Como é feito o diagnóstico do câncer de cabeça e pescoço?

 

Sinais e sintomas de alerta:

– Lesões na boca que não cicatrizam.

– Dor ou dificuldade para engolir.

– Rouquidão persistente.

– Nódulos no pescoço.

– Sangramento ou dor na boca.

 

Exames de diagnóstico

  1. Exame clínico: realizado por dentistas ou médicos.
  2. Biópsia: para confirmação do diagnóstico.
  3. Exames de imagem: tomografia, ressonância magnética, e PET scan para avaliação da extensão da doença.

 

Quais os tratamentos do câncer de cabeça e pescoço?

  1. Cirurgia: frequentemente o primeiro passo para remoção do tumor.
  2. Radioterapia: utilizada pós-cirurgia ou em combinação com outros tratamentos.
  3. Quimioterapia: geralmente usada em casos avançados ou metastáticos.
  4. Terapias-alvo: tratamentos que visam moléculas específicas envolvidas no crescimento do câncer.
  5. Imunoterapia: ainda não disponível no SUS.

 

Uma doença que precisa muito de Cuidados de Suporte, como exemplo:

  1. Fonoaudiologia: para reabilitação da fala e deglutição.
  2. Nutrição: para manter um estado nutricional adequado durante o tratamento.
  3. Psicologia: apoio emocional e psicológico para pacientes e familiares.

 

 

Quais são os desafios no Brasil

  1. Acesso ao diagnóstico e tratamento: disparidades regionais e falta de infraestrutura.
  2. Educação e conscientização: necessidade de campanhas de prevenção e detecção precoce.
  3. Capacitação de profissionais de saúde: treinamento adequado para diagnóstico e tratamento.

 

A jornada da prevenção ao tratamento do câncer de cabeça e pescoço no Brasil envolve uma abordagem multifacetada, que inclui mudanças de comportamento, melhoria do acesso aos serviços de saúde e o desenvolvimento de estratégias de tratamento personalizadas. A conscientização e a educação contínuas são cruciais para reduzir a incidência e melhorar os resultados para os pacientes.

 

Estudos recentes demonstram que cabeleireiros têm maior risco de desenvolver câncer

Um conjunto de pesquisas internacionais, incluindo um recente e impactante estudo brasileiro publicado na Environmental Research, destaca o risco elevado de câncer entre cabeleireiros devido à exposição a produtos químicos carcinogênicos. Este estudo brasileiro é um dos primeiros a investigar a mortalidade por câncer específica entre cabeleireiros no Brasil, revelando taxas de mortalidade alarmantemente altas em comparação com outros trabalhadores, enfatizando a urgência de políticas de segurança e saúde ocupacional mais rigorosas.

Principais descobertas globais e do estudo brasileiro:

 

  • Risco elevado identificado pela IARC: A Agência Internacional para Pesquisa do Câncer (IARC) classificou a ocupação de cabeleireiro como “provavelmente carcinogênica para humanos” (Grupo 2A), especialmente em relação ao câncer de bexiga e pulmão.

 

  • Dados do estudo brasileiro: o estudo realizado no Brasil mostrou que cabeleireiros têm uma probabilidade significativamente maior de morrer de vários tipos de câncer, com mulheres cabeleireiras enfrentando riscos ainda maiores. Este estudo também revelou a ocorrência de mortes prematuras notáveis entre esses profissionais.

 

  • Contexto global e recomendações: outros estudos internacionais, como os da Occupational and Environmental Medicine, corroboram esses achados, ressaltando a necessidade de estratégias preventivas e regulamentações mais efetivas para proteger os cabeleireiros de riscos ocupacionais nocivos.

 

Implicações para políticas públicas

Os resultados desses estudos reforçam a necessidade de uma ação imediata para implementar regulamentações mais rígidas e medidas de proteção no local de trabalho, garantindo que cabeleireiros possam realizar seu trabalho de forma segura. As autoridades de saúde e os responsáveis pela regulamentação devem ser chamados a rever e fortalecer as normas de segurança para prevenir a exposição a substâncias perigosas.

 

Para mais informações sobre o estudo brasileiro e acesso a dados globais, visite nosso site e o link do estudo:
https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0013935123027469?via%3Dihub

 

Por que devemos ter um mês de conscientização para o câncer de bexiga?

O número estimado de casos novos de câncer de bexiga para o Brasil, para cada ano do triênio de 2023 a 2025, é de 11.370 casos, sendo 7.870 casos em homens e 3.500 em mulheres. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de bexiga ocupa a 12ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes, e a Região Sudeste apresenta as maiores taxas de incidência estimadas. Nessa região, o câncer de bexiga em homens ocupa a 6ª posição e nas mulheres é o 15º mais frequente.

Para o interior de São Paulo, neste mesmo período, estima-se o número de casos novos de: 1.610 para homens e 810 para mulheres. A faixa etária da maioria dos casos ocorre em pessoas com mais de 55 anos.

 

Fatores de risco

– Tabagismo: fumar é o principal fator de risco para o câncer de bexiga, sendo responsável por cerca de metade dos casos.

– Exposição a substâncias químicas: a exposição a certos produtos químicos utilizados nas indústrias de tintas, borracha e outros pode aumentar o risco.

– História familiar: ter um histórico familiar de câncer de bexiga também pode aumentar o risco.

– Infecções crônicas: infecções urinárias crônicas e o uso prolongado de sondas urinárias podem ser fatores de risco.

 

Diagnóstico

– Sintomas: sangue na urina (hematúria) é o sintoma mais comum. Outros sintomas podem incluir dor ao urinar, necessidade frequente de urinar e dor abdominal.

– Exames: a cistoscopia é um exame essencial para o diagnóstico, permitindo a visualização direta da bexiga e a biopsia do tumor. Outros exames incluem exames de urina, ultrassonografia e tomografia computadorizada para avaliar se o tumor apresenta metástases.

 

Tratamento

– Cirurgia: a ressecção transuretral do tumor vesical (RTUV) é comum para tumores superficiais. Em casos mais avançados, pode ser necessária a cistectomia (remoção da bexiga).

– Terapia intravesical: instilação de medicamentos diretamente na bexiga, como o BCG (Bacillus Calmette-Guérin), pode ser utilizada para tratar e prevenir a recidiva de tumores superficiais. Nos últimos anos, há uma escassez dessa medicação por falta de interesse da indústria em produzi-la. Felizmente, no último ano houve uma regularização da disponibilidade.

– Quimioterapia e imunoterapia: podem ser utilizadas antes ou depois da cirurgia ou mesmo em casos metastáticos.

– Terapia-alvo: este tratamento menos tóxico e mais eficaz tem seu papel quando o tumor é metastático e tem algumas mutações específicas.

 

Prevenção e controle

– Cessação do tabagismo: a principal medida preventiva é parar de fumar.

– Exames regulares: pessoas com alto risco devem realizar exames regulares para detecção precoce. O médico urologista é o melhor profissional para determinar a necessidade desses exames

– Saúde ocupacional: medidas de proteção para trabalhadores expostos a produtos químicos são essenciais.

 

A abordagem do câncer de bexiga envolve uma equipe multidisciplinar para oferecer o melhor tratamento possível e aumentar as chances de cura e qualidade de vida do paciente.

 

21 de junho Dia Internacional do Yoga – Yoga como terapia complementar no tratamento do câncer: uma jornada de bem-estar físico e emocional

Sabemos que até metade das pessoas diagnosticadas com câncer buscam alguma forma de tratamento complementar, alternativo ou integrativo, em algum momento do seu tratamento. Se considerarmos apenas as mulheres com câncer de mama nos EUA, essa porcentagem chega a 80%. De forma geral, as pessoas buscam técnicas de medicina integrativa especialmente para auxílio no controle de sintomas da doença, mas também para tratamento dos efeitos colaterais do tratamento. Esses sintomas incluem dor, insônia, depressão, ansiedade, náusea (enjoos) e limitação de movimentos.

A yoga representa, talvez, a terapias integrativa mais estudadas. A palavra “yoga” deriva do sânscrito yug, que significa “união”, e em sua filosofia tradicional o objetivo da yoga seria a união do indivíduo com a consciência universal. Em tibetano, a palavra para yoga é nejor, que além de “união” pode significar também “original”, “conhecimento autêntico” ou “entendimento”. E esse significado mais profundo alude à nossa condição humana original, imutável. Na psicologia ocidental isso corresponderia ao “Eu verdadeiro”. É uma prática milenar, com origem no sul da Ásia há mais de 5.000 anos, compreendendo diversas correntes filosóficas. Entre os diversos estilos de yoga, o mais comum é a Hatha Yoga, que combina a prática das posturas e dos exercícios de respiração.

A jornada do tratamento do câncer é frequentemente desafiadora, repleta de obstáculos físicos e emocionais. Em meio a essa jornada, a busca por terapias complementares que possam auxiliar no enfrentamento da doença e na promoção do bem-estar tem se tornado cada vez mais frequente. Nesse contexto, a yoga surge como uma ferramenta valiosa, oferecendo benefícios que vão além do corpo físico, com potencial de impactar positivamente na saúde mental e emocional dos pacientes.

 

Yoga e o corpo físico: alívio dos sintomas e promoção da saúde

 

Estudos científicos têm demonstrado que a prática regular de yoga pode trazer diversos benefícios físicos para pacientes com câncer. Através de posturas suaves, exercícios de respiração e técnicas de relaxamento, a yoga pode ajudar a aliviar sintomas comuns do tratamento, como dor, fadiga, náuseas e insônia. Além disso, a prática regular pode fortalecer o sistema imunológico, melhorar a flexibilidade e a força muscular, e auxiliar na recuperação física após cirurgias e outros procedimentos médicos.

A prática da yoga traz redução no relato de dor dos pacientes de forma precoce, sugerindo que o benefício já se inicia logo após a primeira semana. Além disso, o efeito auxiliar no controle da dor se mantém a médio prazo, quando a yoga é praticada de forma regular. Da mesma forma, pacientes que praticam yoga de forma regular apresentam menor grau de fadiga.

 

Yoga e a mente: enfrentando o estresse e a ansiedade

 

O diagnóstico e o tratamento do câncer podem gerar uma série de repercussões em questões relacionadas à saúde mental, como medo, ansiedade, estresse e depressão. A yoga oferece um espaço seguro para que os pacientes possam explorar e processar essas emoções de forma saudável. Através da meditação, da atenção plena e da conexão com o corpo, a yoga ajuda a reduzir o estresse, a ansiedade e a depressão, promovendo o bem-estar mental e emocional. Estudos sugerem, inclusive, que pacientes com câncer que praticam regularmente a yoga apresentam benefício mais duradouro no controle de sintomas de ansiedade e depressão, bem como melhora significativa na qualidade de vida.

 

Yoga e o espírito: encontrando força e resiliência

 

A yoga é uma prática que se estende além do corpo físico e da mente, visando conectar o indivíduo com seu ser interior. Através da yoga, os pacientes podem encontrar força interior, resiliência e esperança para enfrentar os desafios do tratamento. A prática regular pode ajudar a desenvolver uma atitude positiva diante da vida, a fortalecer a autoestima e a promover a autoaceitação. Estudos iniciais inclusive sugerem que a prática regular das técnicas de respiração da yoga modifica a concentração de determinadas substâncias no cérebro que ajudam a controlar processos de reparo dos neurônios, bem como a plasticidade neuronal, o que pode ajudar a preservar as funções cerebrais. Esses efeitos tem o potencial de auxiliar no desenvolvimento pessoal, na melhoria/manutenção da energia vital e na resiliência frente a situações de estresse.

 

Yoga como terapia complementar: uma abordagem individualizada

 

É importante ressaltar que a yoga deve ser praticada sob a orientação de um profissional qualificado, que adapte as posturas e técnicas às necessidades individuais de cada paciente. A prática deve ser sempre complementar ao tratamento médico convencional, e não em substituição a ele.

 

Yoga como aliada na jornada do câncer

 

Como vimos, a yoga se apresenta como uma poderosa ferramenta para pacientes com câncer, oferecendo benefícios que abrangem o corpo, a mente e o espírito. Através da prática regular, os pacientes podem encontrar alívio dos sintomas, reduzir o estresse e a ansiedade, fortalecer o sistema imunológico, melhorar a qualidade de vida e encontrar força interior para enfrentar os desafios da doença. A yoga é um convite para uma jornada de autoconhecimento, cura e bem-estar, que pode transformar a vida dos pacientes e auxiliar na busca por uma jornada com melhor qualidade de vida.

 

Referências

 

  1. Horneber M, Bueschel G, Dennert G, et al. How many cancer patients use complementary and alternative medicine: a systematic review and metaanalysis. Integr Cancer Ther. 2012 Sep;11(3):187-203.

 

  1. Boon HS, Olatunde F, Zick SM. Trends in complementary/alternative medicine use by breast cancer survivors: comparing survey data from 1998 and 2005. BMC Womens Health. 2007 Mar 30;7:4.

 

  1. Mao JJ, Palmer CS, Healy KE, et al. Complementary and alternative medicine use among cancer survivors: a population-based study. J Cancer Surviv. 2011 Mar;5(1):8-17.

 

  1. Niu N, Huang R, Zhao J, et al. Health benefits of yoga for cancer survivors: An updated systematic review and meta-analysis. Asia Pac J Oncol Nurs. 2023 Oct 13;11(3):100316.

 

  1. Brown RP, Gerbarg PL. Yoga breathing, meditation, and longevity. Ann N Y Acad Sci. 2009 Aug;1172:54-62.