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8 de maio – Dia Mundial de Conscientização do Câncer de Ovário – 5 sintomas silenciosos do câncer de ovário

O câncer de ovário é a segunda neoplasia ginecológica mais comum, atrás apenas do câncer do colo do útero. Como acontece com outros tipos de câncer, quanto mais cedo for feito o diagnóstico de câncer de ovário, maior será a chance de cura. Porém, no caso do câncer de ovário é difícil chegar a um diagnóstico precoce, pois a maioria das mulheres apresenta poucos ou nenhum sintoma.

Por isso o câncer de ovário é conhecido como o “assassino silencioso”. Estima-se que cerca de 7.300 mulheres no Brasil serão diagnosticadas com câncer de ovário em 2024. Assim, as mulheres devem ficar atentas a esses cinco sintomas silenciosos para aumentar as chances de detecção precoce.

 

  1. Inchaço
    O inchaço pode ser um sintoma comum para algumas mulheres durante o ciclo menstrual, mas também pode ser um sintoma de câncer de ovário. Pode ser uma sensação persistente de saciedade depois de comer muito pouco.
    Se não puder ser associada à época do ciclo menstrual ou se parecer estar piorando, é hora de consultar um ginecologista.

    2. Dor abdominal ou pélvica
    Uma dor persistente ou que ocorre na maioria dos dias, no estômago ou na região pélvica, é outro sintoma silencioso ao qual se deve estar atento. Pode ser um tipo diferente de dor que piora progressivamente. Ou também aparecimento de dor durante a relação sexual.

 

  1. Fadiga
    O terceiro sintoma silencioso é a sensação de cansaço, que não melhora com mais descanso. Se for uma sensação persistente é necessário avaliar para ter certeza de que não se trata de algo mais sério.

    4.Mudanças nos hábitos intestinais
    Se uma mulher começar a ter problemas repentinos de intestino preso ou diarreia, isso pode ser um sinal de câncer de ovário. Geralmente, é um sintoma que se mantém por bastante tempo.

    5. Urinar frequentemente
    O último sintoma silencioso do câncer de ovário é que algumas mulheres sentirão que precisam urinar com mais frequência do que o normal. Também pode aparecer como uma sensação de queimação ou pressão durante urinar.

 

Identificou algum desses sintomas?

 

Sugerimos:

– Procurar um profissional de saúde se tiverem problemas persistentes, graves ou que se agravem com qualquer um dos cinco sintomas silenciosos.
– É importante que a mulher seja avaliada se estiver percebendo diferenças em seu corpo.

-Dependendo dos sintomas e do exame pode ser indicado uma avaliação laboratorial e exames de imagem.

A educação capacita cada mulher a reconhecer possíveis sintomas, assumir o controle de sua saúde e procurar atendimento médico rapidamente quando necessário.

 

8 de março – Dia Internacional da Mulher – O desafio de cuidar das mulheres que vivenciam o diagnóstico de tumores femininos

“Ser oncologista é acompanhar com empatia as dores das Mulheres quando recebem o diagnóstico, acolhendo e caminhando juntas.”

(Dia da Mulher)

 

O Dia da Mulher começou com uma greve, ainda no início dos anos 1900, de mulheres da indústria de vestuário demandando melhores condições de trabalho. Desde então, e especialmente a partir dos anos 1970, a ONU declara 8 de março o Dia da Mulher. Com o foco em igualdade e empoderamento muitos caminhos foram abertos, especialmente no mercado de trabalho. Assim sendo, hoje assumimos diversos papéis, com múltiplas jornadas que englobam: trabalho, família, cuidados com filhos, pais e avós.

Nesse sentido, tenho há quase 15 anos a possibilidade de cuidar de mulheres que vivenciam diagnósticos e tratamentos de tumores femininos e seus desafios. Meu cotidiano é permeado pela aprendizagem em ajudar os pacientes a administrar todo o peso de um tratamento oncológico e o manejo da sobrecarga dessa experiência: transmissão de diagnósticos, acolhimento de angústias de mulheres e seus familiares. São ocasiões em que estou presente totalmente, olho no olho, momento de segurar nas mãos, considerando cada passo e planejando como lidar e seguir em frente.

Esta semana, particularmente, foi um desafio lidar com questões de saúde de minha família, reuniões importantes de pesquisa, supervisão e aulas para meus residentes… tudo junto, muito intenso, em poucos dias e com muita correria.

Passados estes dias, fiquei pensando: o que me move como oncologista e o cuidado com mulheres, o que me inspira? Como é possível abraçar tantas demandas, algumas externas, mas muitas minhas, de estudo, de ensinar, de dar aulas e fazer pesquisas? No fim das contas, percebo que é o atender, é o cuidar no dia a dia que me inspira. O momento da porta do consultório fechando e o olhar nos olhos das mulheres que cuido, a escuta de cada uma, o exercício da arte de individualizar os tratamentos, cuidando da pessoa, ajustando funcionalidades, idade, outros diagnósticos. É um trabalho árduo construir um percurso com expectativas realistas, enquadrando o conhecimento terapêutico e molecular em que eu, oncologista, e a mulher que estou cuidando e sua família possamos percorrer junto, escolhendo palavras com foco no que é possível, razoável e mesmo doloroso.

E, assim, depois de uma semana tão corrida, eu estava de volta no consultório, conversando, olhando seus últimos exames escutando seus medos e também as histórias das últimas viagens, de como estão os filhos, netos, como vão na escola, trabalho, faculdade e o que tem gostado de fazer… Enfim, sou fascinada e patologicamente encantada por cuidar de mulheres fantásticas que estão no processo difícil e transformador de diagnósticos oncológicos. E é isso que me motiva, inspira mesmo!

 

 

Mamografia: em todas as idades?

O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as mulheres no Brasil e no mundo. É também a primeira causa de morte por câncer no Brasil e no mundo. Dados de países com alta renda demostram uma queda de mortalidade atribuída aos programas de rastreamento e terapias mais efetivas. No Brasil não observamos diminuição da mortalidade por câncer de mama. A dificuldade de acesso aos tratamentos e o diagnóstico tardio podem ser as causas.

Em que idade começar o rastreamento?

É importante não esquecermos: a mamografia é o único exame que, quando realizado rotineiramente pela mulher a partir dos 40 anos, na ausência de quaisquer sintomas nas mamas, diminui o risco de falecer por um câncer de mama. Isso foi comprovado em grandes estudos realizados em mais de 500 mil mulheres, com redução da mortalidade entre 10% e 35% no grupo de mulheres que faziam mamografias regularmente comparada às que não faziam. A ultrassonografia e a ressonância magnética podem complementar o rastreamento, especialmente em mulheres de alto risco ou com mamas densas.

No Brasil, as sociedades médicas recomendam o rastreamento mamográfico anual para as mulheres entre 40 a 75 anos. Temos uma proporção maior de diagnósticos em pacientes jovens do que em outros países, como Alemanha e Estados Unidos, com 41% de pacientes com diagnóstico de câncer de mama em idade inferior a 50 anos. Já o Ministério da Saúde indica a mamografia de rastreamento para mulheres de 50 a 69 anos sem sinais e sintomas de câncer de mama, a cada dois anos. A mamografia diagnóstica, diferente da mamografia de rastreamento, é indicada para avaliar lesões mamárias suspeitas e pode ser realizada em qualquer idade, inclusive em homens. A mamografia de rastreamento é para mulheres assintomáticas, já a mamografia diagnóstica é indicada quando há uma lesão mamária suspeita.

Nenhum teste de rastreamento é perfeito e a mamografia não é exceção. Fatores como a densidade mamária e a idade influenciam a efetividade da mamografia, dificultando a detecção dos tumores. A mamografia de rastreamento é menos efetiva em mulheres mais jovens por possuírem mamas mais densas. Em torno de 25% dos cânceres de mama em mulheres entre 40-49 anos não são detectados pela mamografia. Em mulheres com lesões suspeitas e especialmente com nódulos palpáveis, a investigação rápida com avaliação, mamografia, ultrassonografia e, se indicado biopsia, são primordiais para um diagnóstico precoce.

 

Em que idade parar o rastreamento?

Como recomendação, a mamografia de rastreamento em mulheres com mais de 75 anos deveria ser interrompida. Os benefícios do rastreamento mamográfico com diminuição de risco de morte nesta faixa etária não foi demonstrado. A maioria dos tumores em mulheres idosas tem crescimento lento, podendo não afetar a expectativa de vida e, assim, não impactar na mortalidade. O recomendado, em casos selecionados, é uma avaliação individual, se possível de acordo com a saúde e doenças existentes que impactam na expectativa de vida de cada mulher. Segundo o IBGE a expectativa de vida dos brasileiros vem aumentando e a das mulheres é 80,3 anos. Temos, portanto, uma população cada vez mais idosa e com melhor expectativa de vida. Assim, o seguimento com mamografia de rastreamento deveria ser descontinuado em mulheres com expectativa de vida menor que 5 anos e avaliada individualmente em mulheres acima de 75 anos.

28 de maio: Luta pela saúde da mulher

Dra. Vivian Antunes

Dra. Susana Ramalho

 

Quem é a mulher que adoece no Brasil?

A mulher que adoece no Brasil é a mesma que sonha, que ama, que gesta, que trabalha e que é cuidadora principal de tantas famílias.

Essa mulher é a que está ao seu lado. A que te ama, a que te cuida ou a que está dentro de você. Ela é cada uma de nós ou cada uma que está ao seu lado apoiando sua vida.

No Brasil, uma em cada oito mulheres nascidas hoje terão câncer de mama durante a vida, se viverem até os 60 anos. Dessas, 82% não tem nenhum antecedente familiar de câncer de mama.

O câncer de mama é o tumor mais comum entre as mulheres e também o responsável pelo maior número de óbitos no Brasil e no mundo. Mas, e no nosso Brasil, quem é a mulher que adoece de câncer de mama? Alguns pesquisadores iniciaram, em 2008, uma pesquisa com o objetivo principal de descrever quem são, como são e como é a doença nas mamas dessas brasileiras.

Numa série de estudos intitulada “AMAZONA I-III”, pesquisadores do Brasil todo nos deram a oportunidade única de conhecer melhor esse cenário. Uma das informações mais importantes foi que no Brasil temos 41% de pacientes com diagnóstico de câncer de mama em idade inferior a 50 anos, o que é uma proporção maior de diagnósticos em pacientes jovens do que em outros países, como Alemanha e Estados Unidos.

Outro dado que chama muito a atenção e traz preocupação é que o diagnóstico das nossas mulheres é feito em fase mais tardia da doença. Em torno de 71% das pacientes são diagnosticadas nos estádios II (46,8%) e III (24,6%), quando a doença já é localmente avançada geralmente atingindo os gâglios linfáticos da axila, o que certamente impacta direta e negativamente na mortalidade das brasileiras. Esse número é consideravelmente mais alto do que em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, com dados que mostram apenas 31% de pacientes com diagnóstico na fase localmente avançada da doença.

No Brasil, apenas 18% das pacientes são diagnosticadas no estádio I, o mais precoce, o estádio que geralmente se consegue diagnosticar quando se faz exames de mamografia de rotina(o chamado rastreamento). Quando olhamos comparativamente e retrospectivamente, os dados de 2001 são muito semelhantes aos de 2018, ou seja, infelizmente sem melhoras nesse cenário.

Isso mostra que apesar da estratégia de rastreamento para diagnóstico precoce estar disponível no Brasil, não está atingindo a nossa população de mulheres de forma eficaz, seja por que as mulheres não aderem ao exame oferecido, ou por dificuldade de acesso a esse recurso.

Outro tipo de câncer importante entre as mulheres e que também marca um a imensa desigualdade no nosso país é o câncer de colo uterino. Em estados da região Norte do Brasil esse é o câncer mais incidente entre as mulheres, ultrapassando o câncer de mama, que é o primeiro em incidência em todas as outras regiões. Assim observamos que este é um triste marco das diferenças socioeconômicas desse nosso país continental.

Esse dado vem carregado de um “pesar” que já nos acompanha há décadas. Apesar do câncer de colo de útero ser bastante prevenível, através da vacinação contra o vírus HPV e através do exame de rastreamento de citologia oncótica (o conhecido preventivo – exame papanicolau), temos uma altíssima incidência e mortalidade no Brasil. A incidência de câncer de colo de útero no Brasil é muito maior que vários países desenvolvidos onde a incidência é bastante baixa. Para 2018, a estimativa esperada no Brasil foi de 16.370 casos novos, com um risco de 17,11 casos a cada 100 mil mulheres.

Outro tumor que também atinge as mulheres é o de ovário, com menor incidência (estima-se 6.150 casos novos no Brasil) porém alto risco por escasso métodos de prevenção e necessidade de tratamento adequado e precoce. Também o tumor de endométrio vem crescendo sua incidência principalmente associado a obesidade, sedentarismo e síndromes metabólicas cada vez mais frequentes em nossa população feminina.

Voltando a falar da nossa mulher que sonha, que ama, que gesta, que trabalha, e que “cuida”, paro minha reflexão no verbo “cuidar”. O mesmo cuidado que nossas mulheres têm com seus filhos, netos, maridos e trabalho, deve ser destinado a ela, seja por parte da ciência, que tem o dever de melhorar o cenário da doença com novas descobertas (cada vez mais frequentes, é verdade!), seja por parte do governo, com melhor gestão assistencial, ou por ela mesma, voltando seu olhar para o seu próprio cuidado como forma de amor à vida.

 

Quais as perspectivas para as mulheres brasileiras?

 É importante ressaltar que os casos de câncer irão dobrar até 2035 no mundo todo. E o maior aumento será nos países em desenvolvimento com população relativamente jovem. Assim, os sistemas de saúde devem estar preparados, já que se estima que 60% dos casos de câncer ocorrerão nesses países, precisarão planejar e alocar recursos.

O impacto que o adoecimento de uma mulher em uma família – em que muitas vezes ela é a fonte principal de sustento – é enorme e pouco se tem feito para melhorar os programas de rastreamento e o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, o que reflete a grande disparidade das taxas de mortalidade observadas entre os dados Brasil e EUA.

No Dia da Luta pela Saúde da Mulher, precisamos mostrar esta disparidade e cobrar do governo mais atitudes de prevenção em saúde feminina para que possamos, em um futuro breve, chegar perto das estatísticas de países desenvolvidos como os Estados Unidos, diminuindo a mortalidade por câncer em todo o país.

26 de agosto: Dia Internacional da Igualdade da Mulher

Diferença dos cuidados oncológicos da mulher nos serviços públicos e privados

Vitória da incorporação do medicamento Pertuzumab no SUS reflete um AVANÇO EFETIVO E MAIS IGUALDADE no tratamento de mulheres com câncer de mama avançado HER2 positivo

A partir de agosto de 2020, as pacientes com câncer de mama HER2-positivo metastático ganharão esperança e seus oncologistas, alívio. O Pertuzumabe, importante medicamento para tratamento de câncer de mama HER2 positivo avançado, foi incorporado para tratamento de pacientes do SUS e estará disponível a partir deste mês. É importante ressaltar que o Pertuzumabe estava incorporado ao SUS desde dezembro de 2017, conforme portaria publicada no diário Oficial da União (Portaria n°57, de 4 de dezembro de 2017), que tornou pública a decisão de incorporar o medicamento para uso no combate ao câncer de mama HER2 positivo metastático em primeira linha de tratamento. Porém, em quase três anos, a situação não se alterou, com a justificativa do SUS que não havia acordo para compra do medicamento.

O Pertuzumabe é um medicamento conhecido como terapia-alvo. Isso porque é capaz de localizar, especificamente nas células do tumor de mama que expressam a proteína HER2, o chamado câncer de mama HER2 positivo. Assim o Pertuzumabe é um anticorpo desenvolvido para tratar o subtipo de câncer de mama HER2 positivo. Em torno de 20 a 25% dos cânceres de mama são HER2 positivo. Nesta incorporação, o Pertuzumabe está sendo oferecido para pacientes com câncer de mama HER2 positivo em estádio avançado, com metástases. A sua utilização, associada ao Trastuzumabe (outro anticorpo/terapia-alvo) e Docetaxe (um quimioterápico), proporciona mais benefícios em termos de controle da doença, prolongando a vida com qualidade em comparação com outras terapias sem a associação de Pertuzumabe. O histórico das incorporações das terapias-alvo (Pertuzumabe Trastuzumabe) se encontra na tabela abaixo. Todas as incorporações de medicações passam por um processo na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) no Ministério da Saúde. Especialmente a partir de 2016, houve um esforço e grande dedicação da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), com a participação dos oncologistas André Sasse e Vivian Antunes, ambos do Grupo SOnHe, em associação com entidades representativas da sociedade civil, para acelerar este processo de incorporação e acesso às medicações tão importantes.

O uso do bloqueio duplo – como é chamada a associação de Pertuzumabe e Trastuzumabe – é uma estratégia que amplia a efetividade do tratamento e garante imenso benefícios às pacientes.

 

Assista aos vídeos da Dra. Susana sobre Câncer de Ovário

8 de maio: Dia Mundial do Câncer de Ovário

Vídeo 1: Os sintomas do Câncer de Ovário

Vídeo 2: Estatísticas sobre o Câncer de Ovário

Vídeo 3: Câncer de Mama e Câncer de Ovário

Vídeo 4: Os exames preventivos para o Câncer de Ovário

Vídeo 5: Sintomas persistentes do Câncer de Ovário

Vídeo 6: O que fazer na suspeita de Câncer de Ovário

Vídeo 7: Tratamentos para o Câncer de Ovário

Vídeo 8: O diagnóstico precoce é essencial