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14 de março – Dia Mundial do Rim – O que devo saber sobre câncer de rim?

Qual a data comemorativa para o “Dia do Rim” em 2024?

– 14/03/2024.

– Esta data foi idealizada pela Sociedade Internacional de Nefrologia.

 

Quais os profissionais que cuidam da saúde do rim?

– Os nefrologistas e urologistas são os profissionais responsáveis por cuidar das diversas doenças que podem afetar os rins.

 

Existe câncer de rim?

– Sim.

– O câncer de rim é um tumor relativamente raro; responde por aproximadamente 5% dos canceres em indivíduos adultos.

– No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) não dispõe de dados estatísticos sobre incidência do câncer renal.

 

O câncer de rim aparece mais em homens ou mulheres?

– O câncer de rim é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres.

 

Quais são os sintomas do câncer do rim?

– Na maioria das vezes, o câncer de rim não apresenta sintomas.

– É frequentemente diagnosticado ao acaso, após a realização de exames de imagem do abdome (ultrassom ou tomografia).

– A presença de sintomas sugere um quadro mais avançado. Dentre os sintomas, estão sangramento urinário, dor abdominal, perda de peso e até mesmo o aumento do volume renal, configurando uma massa (tumoração) que pode ser palpada no abdome.

 

Qual é o câncer de rim mais comum?

– O tipo de câncer renal mais comum é o carcinoma renal de células claras.

– Ele tem este nome pelas características das células cancerígenas quando vistas ao microscópio.

 

O câncer de rim é genético?

– Na maioria das vezes não.

– Existem síndrome genéticas (a maioria delas raras) que cursam com tumores no rim, às vezes de maneira recorrente. A mais conhecida é a síndrome de Von Hippel Lindau.

 

O câncer de rim pode gerar metástases?

– Sim. Todo câncer pode, teoricamente.

– Os locais mais frequentes de metástases são os ossos e os pulmões

 

Como é o tratamento do câncer do rim?

– É importante procurar profissionais especialistas.

– O tratamento do câncer de rim deve ser conduzido por urologistas, oncologistas e nefrologistas.

– A cirurgia tem um papel importante, uma vez que retira a doença. Existem urologistas especialistas em uro-oncologia.

– Às vezes, é necessário retirar todo o rim e, portanto, o monitoramento da saúde do rim que fica é muito importante. Aí entra o nefrologista.

– Após a cirurgia, alguns pacientes vão precisar de tratamento complementar com medicamentos. O oncologista é quem orienta essa parte do tratamento.

 

E para o câncer de rim com metástases? Existe tratamento?

– Felizmente, a oncologia evoluiu muito e, hoje, conta com medicamentos que conseguem controlar a doença por um longo tempo.

– A imunoterapia tem grande papel no tratamento do câncer do rim. Existem tratamentos com associação de imunoterápicos.

– Existem também medicamentos orais (como os inibidores de tirosina quinase) que podem ser utilizados para controle do câncer de rim; eles também podem ser combinados a imunoterapia.

 

 

10 de março é o Dia Mundial do Rim

Higor Mantovani

CRM 155.725

 

A campanha tem enfoque na prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica; importante destacar também a atenção ao câncer renal

 

No dia 10 de março de 2022 é celebrado o Dia Mundial do Rim. Uma em cada dez pessoas terá algum tipo de problema relacionado a saúde dos rins, seja ele cálculos renais, mal funcionamento dos rins (também chamado de doença renal crônica) ou até mesmo o câncer do rim. O Dia Mundial do Rim foi criado para que profissionais de saúde e a população como um todo pudessem trocar informações sobre as doenças que acometem este órgão.

A campanha tem enfoque principal na prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica (ou insuficiência renal), condição frequente em pacientes que acumulam comorbidades como hipertensão e diabetes mellitus, e que pode resultar na necessidade de terapias renais substitutivas como a hemodiálise. Mas é importante lembrar sobre o câncer do rim e suas peculiaridades.

O câncer renal é relativamente raro e corresponde a aproximadamente 5% de todos os tumores do indivíduo adulto. Em geral, acomete mais os homens, em idade entre 50 e 70 anos, e quase sempre não dá sintomas. Por isso, é frequentemente diagnosticado ao acaso, após a realização de exames de imagem do abdome (ultrassom ou tomografia). Apenas 10% dos pacientes vão apresentar sintomas, sugerindo um quadro mais avançado. Podem surgir sangramento urinário, dor abdominal, perda de peso, ou até mesmo o aumento do volume renal configurando uma massa (tumoração) que pode ser palpada no abdome.

O tipo mais comum de câncer renal é o carcinoma de células claras. Ele tem esse nome pelas características das células do câncer quando vistas ao microscópio. Para os tumores localizados (restritos ao rim), o tratamento de escolha e que leva a cura é cirurgia de retirada rim, que pode ser parcial ou total. O tratamento com remédios está reservado para o cenário avançado do câncer de rim, quando já existem metástases. Felizmente, os avanços na oncologia trouxeram o advento da imunoterapia e de terapias-alvos orais que revolucionaram a história do câncer de rim avançado.

Para evitar o câncer do rim (e os demais problemas da saúde dele) é importante estar sempre cultivando um estilo de vida saudável; hidratar-se bem, combater o sedentarismo e a obesidade, e controlar doenças crônicas como hipertensão e diabetes fazem parte de um roteiro básico de uma boa saúde. Manter uma rotina de avaliações médicas também é importante. O monitoramento de exames de sangue (como ureia e creatinina), o exame clínico do abdome e a complementação com exames de imagem nos permite acompanhar a saúde dos rins. Eventualmente, esses exames podem evidenciar achados suspeitos em um dos rins e deflagrar o processo de investigação de um possível câncer de rim.

 

14 de março de 2019: Dia Mundial do Rim

Pacientes com câncer de rim metastático que tratam pelo SUS poderão, finalmente, comemorar uma importante conquista!

O câncer de rim é o terceiro mais frequente do aparelho geniturinário, ficando atrás em termos de incidência dos cânceres de próstata e bexiga. Representa aproximadamente 3% das neoplasias malignas do adulto. Estatísticas americanas estimam uma incidência anual em torno de 51 mil novos casos, sendo responsável por aproximadamente 13 mil mortes/ano. Infelizmente não temos dados oficiais de incidência e mortalidade no Brasil. Há ligeiro predomínio de incidência no sexo masculino, na razão de 3:2.

O tipo histológico mais comum é o câncer renal de células claras, responsável por 85% dos tumores diagnosticados. A maioria dos pacientes são acometidos pela forma esporádica da doença, com pico de incidência entre a 6ª e 7ª década de vida. Contudo, 2% dos pacientes desenvolvem a doença em idades mais precoces, geralmente relacionada às síndromes genéticas como von Hippel-Lindau e Li-Fraumeni.

Os fatores etiológicos relacionados à predisposição da neoplasia renal podem ser divididos em fatores evitáveis, relacionados aos hábitos de vida da população, como o tabagismo e a obesidade, e aos fatores não evitáveis, relacionados às doenças associadas como a hipertensão arterial crônica e a doença renal cística adquirida associada à insuficiência renal crônica. O tabagismo isolado é responsável por 19% casos.

Aproximadamente 54% dos tumores renais diagnosticados hoje estão confinados ao rim, 20% são localmente avançados (acometendo gânglios regionais próximos ao rim) e 25% já apresentam metástases à distância da doença, principalmente para os pulmões, fígado e ossos.

Nos pacientes com câncer de rim com doença localizada ou localmente avançada e sem metástases a distância, a cirurgia oncológica realizada por profissional médico qualificado permanece como tratamento padrão. Já nos pacientes com doença disseminada, ou seja, metastática, é necessário algum tratamento que tenha ação em todos os locais onde se tem evidência de doença, o que chamamos de tratamento sistêmico. A quimioterapia convencional citotóxica tem pouca eficácia no câncer de rim e, por isso, não é utilizada de rotina.

Nos dias atuais, um dos principais tratamentos para pacientes com doença metastática é a classe de drogas conhecidas como inibidores de tirosino-quinases (TKIs), como por exemplo o Sunitinibe e o Pazopanibe. Essas medicações, conhecidas como drogas-alvo, agem em vias específicas do tumor, levando em última análise a morte da célula tumoral. Estudos mais recentes mostraram o papel da imunoterapia no tratamento destes pacientes. Diferente da quimioterapia convencional e mesmo das drogas-alvo, os imunoterápicos agem estimulando nosso sistema imunológico no combate ao câncer. A imunoterapia se mostrou superior em termos de aumentar a sobrevida dos pacientes em relação ao Sunitinibe.

Recentemente, uma nova estratégia terapêutica foi estudada no contexto de doença disseminada: a associação de imunoterapia com inibidor de tirosino-quinase (droga-alvo). Os resultados em termos de sobrevida são animadores e num futuro próximo este deverá ser o novo padrão de tratamento neste cenário.

Apesar de todo avanço no arsenal terapêutico no câncer renal metastático ocorrido principalmente na última década, a realidade dos pacientes que necessitam do Sistema Único de Saúde (SUS) como fonte pagadora do tratamento é desanimadora. O valor mensal repassado aos serviços públicos ou privados que prestam atendimento ao SUS para cada paciente com tumor renal maligno em tratamento é de R$ 571,50, o que permite apenas uso de drogas obsoletas, com pouca efetividade clínica contra o tumor e com perfil de efeitos colaterais desfavorável. No Brasil, na maioria dos casos, pacientes com câncer do sistema de saúde público demoram mais para ter acesso aos diversos medicamentos de eficácia comprovada que podem dar mais qualidade e expectativa de vida. Para os pacientes da rede pública, o tratamento até hoje disponível, o Interferon-alfa, não estava associado a melhora na sobrevida global e tampouco demonstrou evidências significativas de ganho de qualidade de vida e/ou alívio de sintomas, além de elevada toxicidade, posologia complexa, e taxas de resposta objetiva menores que 20%.

Há algum tempo, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), em associação com outras entidades de apoio ao paciente com câncer, vem lutando junto ao Ministério da Saúde (MS) pela incorporação da terapia-alvo (TKIs) contra o câncer renal no rol de procedimentos oncológico do SUS. No dia 28 de dezembro de 2018, o MS editou a Portaria 91 que incorpora o Pazopanibe e Sunitinibe ao SUS para o tratamento de pacientes com carcinoma renal de células claras metastático. A medida tem 180 dias para entrar em vigor. O Sunitinibe foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) há 12 anos. O Pazopanibe há 7. E ambos já são cobertos pelos planos de saúde aos seus pacientes há pelo menos quatro anos. Esperamos que a partir de junho de 2019 – prazo máximo para início do uso dos medicamentos no SUS – os pacientes que dependem da saúde pública possam também se beneficiar de um tratamento mais eficaz e que comprovadamente aumenta a sobrevida.

Destaques do Congresso Europeu de 2018 em câncer de rim

O estudo JAVELIN 101 foi o principal estudo apresentado na ESMO este ano no tocante ao câncer de rim. Nos dias atuais, o principal tratamento para pacientes com câncer de rim e com doença metastática é a classe de drogas conhecidas como inibidores de tirosino-quinases (TKIs), como por exemplo o Sunitinibe e o Pazopanibe. Essas medicações, conhecidas como drogas-alvo agem em vias específicas do tumor, levando em última análise a morte da célula tumoral. Estudos mais recentes mostraram o papel da imunoterapia no tratamento destes pacientes. Diferente da quimioterapia convencional e mesmo das drogas-alvo, os imunoterápicos agem estimulando nosso sistema imunológico no combate ao câncer. A imunoterapia se mostrou superior em termos de aumentar a sobrevida dos pacientes em relação ao Sunitinibe.

O JAVELIN 101 comparou a associação do Avelumabe, um imunoterapico com o Axitinibe, uma droga-alvo da classe dos TKIs em pacientes com câncer de rim metastático. Neste estudo, 886 pacientes foram divididos em dois grupos semelhantes em que pacientes do grupo experimental receberam a associação de Avelumabe com Axitinibe e pacientes do grupo controle receberam o tratamento padrão: Sunitinibe. O grupo de pacientes que recebeu o tratamento experimental teve uma maior sobrevida livre de progressão da doença em comparação ao grupo controle, ou seja, o câncer demorou mais tempo para progredir em quem recebeu a associação imunoterapia com droga-alvo (13,8 meses X 8,4 meses). Em termos de efeitos colaterais, a adição da imunoterapia à terapia-alvo se mostrou segura e não aumentou significativamente as taxas de efeitos adversos já esperados para este tratamento. Vale ressaltar que no Brasil tal tratamento ainda não está liberado pela Anvisa para ser prescrito pelos oncologistas, porém em um futuro próximo deverá mudar a conduta médica.

Outro estudo apresentado neste congresso e que merece menção é o ATLAS. Para pacientes com câncer de rim localizado ou localmente avançado, mas sem evidência de metástases a distância, a cirurgia oncológica é o tratamento padrão e único capaz de promover a cura. Porém, quanto mais avançado no local for o tumor, maior é a chance de recidiva futura (desenvolvimento de metástases). Até o momento, não há evidências científicas robustas de que algum tratamento oferecido após a cirurgia para estes pacientes consiga diminuir a chance de recidiva do câncer, ou seja, não temos ainda um tratamento adjuvante padrão.

No estudo ATLAS, os investigadores avaliaram o papel do Axitinibe, uma droga-alvo da família dos TKIs utilizada no tratamento de pacientes com câncer de rim metastático como dito anteriormente, porém, agora, no cenário adjuvante, ou seja, após a cirurgia com intuito curativo. Mais de 700 pacientes foram divididos em dois grupos semelhantes em que, no grupo padrão, os pacientes após cirurgia receberam placebo e, no grupo experimental, Axitinibe por no mínimo um e no máximo três anos. Os investigadores concluíram que não houve diferença estatisticamente significativa em termos de sobrevida livre de doença (câncer) entre os dois grupos, ou seja, receber a droga-alvo não melhorou a sobrevida dos pacientes após a cirurgia e ainda aumentou o risco de efeitos colaterais. Portanto, para pacientes com câncer de rim com doença localizada ou localmente avançada e sem metástases a distância, a cirurgia oncológica realizada por profissional médico qualificado permanece como tratamento padrão.

LOF 2018: Latin America Oncology Forum 2018

Entre os dias 25 e 27 de abril de 2018, a Cidade do Panamá sediou o Fórum Latino-Americano de Oncologia (LOF 2018), evento que reuniu oncologistas da América do Sul, da América Central e do Caribe. Foram três dias de discussões, focadas especialmente nos cânceres de mama, de rim e de pulmão. Evento de alto nível científico, contou com a presença de especialistas e pesquisadores de países como EUA, Espanha, Áustria, Brasil, Argentina, México e Colômbia, que proferiram palestras e discussões de casos clínicos, sempre com a interação da plateia.

Câncer de mama

No primeiro dia, o tema foi o câncer de mama, com discussões focadas na doença hormônio-sensível, que corresponde à maioria dos casos. Foram apresentados dados de estudos clínicos sobre uma nova classe de drogas, os inibidores orais de tirosino-quinases dependentes de ciclinas 4 e 6 (CDK4/6), que quando associadas ao tratamento hormonal em pacientes com câncer de mama com positividade para receptores hormonais e com doença metastática (avançada/disseminada)  foi capaz de aumentar o tempo para progressão da doença quando comparado à pacientes que só fizeram uso do tratamento hormonal padrão. Ou seja: pacientes que usaram a combinação de hormonioterapia com a nova droga demoraram aproximadamente dez meses a mais para que a doença progredisse. Essa nova classe de medicação oncológica está indicada tanto para pacientes que estão fazendo o primeiro tratamento para doença metastática quanto para pacientes que falharam a uma linha inicial de tratamento hormonal.  A opinião de todos os especialistas presentes na mesa de discussão é que nos dias atuais, pacientes com câncer de mama com positividade para receptores hormonais e com metástases, o uso de quimioterapia convencional deverá ser adiado ao máximo e deve-se restringir às pacientes com grande volume de doença em órgãos-alvo – como fígado e pulmão, e que necessitam de uma resposta rápida (a chamada crise visceral) – ou para pacientes que eventualmente tenham apresentado progressão da doença em todas as linhas de tratamento hormonal.  O palpociclibe, um representante desta nova classe de medicações inibidoras do CDK4/6, deverá estar disponível no Brasil nos próximos meses e será mais uma arma no tratamento das pacientes com câncer de mama receptor hormonal positivo.  Um ponto bastante interessante para os médicos brasileiros presentes no evento foi ouvir a experiência de colegas de outros países que já usam os inibidores CDK4/6 em sua prática clínica. Saber como são manejados os eventos adversos e também quais os benefícios clínicos foi extremamente importante, uma vez que devemos começar a utilizar esta classe de mediações em breve no país.

Câncer de rim

O câncer de rim foi tema das discussões no segundo dia de evento. Apesar de pouco frequente, as opções de tratamento oncológico para esta neoplasia têm crescido nos últimos anos. Foram apresentadas novidades no tratamento cirúrgico que cada vez mais tende a ser menos agressivo para pacientes com tumores iniciais. Quanto ao tratamento farmacológico, foram apresentados dados atualizados dos estudos com os inibidores de tirosino-quinase, classe de drogas que revolucionou o tratamento dos pacientes com câncer renal metastático.  Em 2007, a primeira geração desta terapia-alvo – composta por drogas como o sunitinibe e o sorafenibe – foi disponibilizada no Brasil. Desde então, outras medicações da mesma classe como o pazopanibe e também de outras classes como os inibidores de mTOR se incorporaram ao arsenal terapêutico disponível contra o câncer renal metastático. Foram apresentados também dados dos estudos com imunoterapia para pacientes que progrediram a doença após uso dos inibidores de tirosino-quinases. Neste cenário, pacientes que receberam imunoterapia tiveram uma sobrevida maior em relação aos pacientes que receberam terapia-alvo com inibidor de mTOR, considerada o padrão até o momento.  Após as apresentações, os palestrantes se reuniram em uma mesa de discussão com apresentação de casos clínicos de pacientes tratados em serviços de diferentes países. Os oncologistas da plateia puderam participar com perguntas. Foi um momento de grande aprendizado e de troca de experiências.

Câncer de pulmão

O terceiro e último dia foi dedicado às discussões sobre câncer de pulmão, cujo tratamento tem evoluído muito nos últimos anos. Saímos de uma era na qual os pacientes com câncer de pulmão eram divididos em apenas dois grupos baseados no tipo de célula tumoral e que a base da terapia era a quimioterapia convencional, com muitos efeitos colaterais e respostas modestas, para uma era onde cada vez mais temos individualizado o tratamento destes pacientes baseados em características moleculares e genéticas do tumor. O foco das discussões do dia foi o uso das terapias-alvo no câncer de pulmão e a escolha do perfil de pacientes que se beneficiam com o uso dessas drogas. Pacientes mesmo com doença metastática avançada e que têm o perfil para uso de alguma terapia-alvo, vivem mais quando recebem este tratamento do que quando recebem a quimioterapia convencional. O desafio, portanto, é fazer o diagnóstico correto. Os palestrantes do dia apresentaram dados de estudos mostrando a eficácia e o perfil de eventos adversos das diversas terapias-alvo já disponíveis, além de explanarem sobre novas drogas ainda em desenvolvimento e o que podemos esperar no futuro próximo do tratamento do câncer de pulmão. Como nos dias anteriores, no final, os especialistas de reuniram numa mesa de discussão com apresentação de casos clínicos de pacientes e com a participação dos médicos da plateia, que puderam fazer perguntas.

Câncer de rim : Incidência, fatores de risco e diagnóstico

O câncer de rim é o terceiro mais freqüente do aparelho geniturinário, ficando atrás em termos de incidência dos cânceres de próstata e bexiga. Representa aproximadamente 3% das neoplasias malignas do adulto. Estatísticas americanas estimam uma incidência anual em torno de 51 mil novos casos, sendo responsável por aproximadamente 13 mil mortes/ano. Infelizmente não temos dados oficiais de incidência e mortalidade no Brasil. Há ligeiro predomínio de incidência no sexo masculino na razão de 3:2.

O tipo histológico mais comum é o câncer renal de células claras, responsável por 85% dos tumores diagnosticados. A maioria dos pacientes são acometidos pela forma esporádica da doença, com pico de incidência entre a 6ª e 7ª década de vida. Contudo, 2% dos pacientes desenvolvem a doença em idades mais precoces, geralmente relacionada às síndromes genéticas como von Hippel-Lindau e Li-Fraumeni.

Os fatores etiológicos relacionados à predisposição da neoplasia renal podem ser divididos em fatores evitáveis, relacionados aos hábitos de vida da população, como o tabagismo e a obesidade e fatores não evitáveis, relacionados a doenças associadas como a hipertensão arterial crônica e doença renal cística adquirida associada à insuficiência renal crônica. O tabagismo isolado é responsável por 19% casos.

Aproximadamente 54% dos tumores renais diagnosticados hoje estão confinados ao rim, 20% são localmente avançados (acometendo gânglios regionais próximos ao rim) e 25% já apresentam metástases à distância da doença, principalmente para os pulmões, fígado e ossos.

A principal forma de apresentação clínica é o sangramento na urina (hematúria) que pode ser visível (macroscópica) ou microscópica, quando avaliada apenas no exame de urina. Aproximadamente 50% dos pacientes têm este sinal. Cerca de 10% dos pacientes abrem o quando com dor no flanco (região lateral das costas abaixo das costelas), sangue na urina e massa abdominal palpável – tríade clássica de Grawitz, porém nos dias atuais, a forma mais freqüente de diagnostico são os achados incidentais em exames de rotina feitos por outra causa como a ultrassonografia do abdome. Caso o ultrassom  mostre alguma massa suspeita no rim, o próximo passo seria a realização de uma tomografia computadorizada do abdome. A tomografia, além de auxiliar no diagnóstico da doença, é bastante útil no seu estadiamento (verificação da extensão para outros órgãos) e no planejamento do tratamento mais adequado. A ressonância nuclear magnética é raramente utilizada na avaliação destes tumores, e só é realizada em situações muito específicas.

Ao contrário do que é o padrão para a maioria dos tumores, a biópsia pré-operatória não é realizada de rotina na suspeita de câncer de rim e só deve ser realizada em situações excepcionais quando os exames de imagem (como o ultrassom e a tomografia) não conseguem diferenciar entre uma tumoração de aspecto benigno de uma de aspecto maligno.

Por fim vale ressaltar que, por ser um tumor pouco prevalente, não há nenhuma recomendação médica formal de algum tipo de rastreamento na população geral para o diagnostico precoce do câncer de rim como acontece nos tumores de mama e colo de útero por exemplo. Porém devemos ficar atentos a alguns sinais e sintomas que quando presentes, em especial nas pessoas acima dos 50 anos, devem ser considerados: presença de sangue na urina, dor em flancos ou o achado de alguma tumoração nos rins vista em uma ultrasonografia de abdome de rotina por exemplo. Nestes casos, um médico deverá ser consultado para que se prossiga a investigação. Quanto mais inicial for o diagnóstico do tumor, maior a chance de cura.