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Março: Mês das Mulheres – Quais são os cânceres mais incidentes em mulheres?

Alguns dos cânceres que mais frequentemente afetam as mulheres são os de mama, colorretal, pulmão, colo do útero, corpo do útero (endometrial), câncer de ovário e de pele. Conhecer esses cânceres e o que você pode fazer para ajudar a preveni-los ou descobri-los precocemente (quando são pequenos, não se espalharam e podem ser mais fácies de tratar) pode ajudar a salvar sua vida.

 

A estimativa Globocan/IARC1 é que ocorreram 19,3 milhões de casos novos de câncer no mundo (18,1 milhões, se forem excluídos os casos de câncer de pele não melanoma). Um em cada cinco indivíduos terão câncer durante sua vida.2,3 O câncer de mama feminina é o mais incidente no mundo, com 2,3 milhões (11,7%) de casos novos, seguido pelo câncer de pulmão1, com 2,2 milhões (11,4%); cólon e reto, com 1,9 milhão (10,0%); próstata, com 1,4 milhão (7,3%); e pele não melanoma, com 1,2 milhão (6,2%) de casos novos. Nos EUA, o câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres e também a segunda principal causa de morte por câncer (depois do câncer de pulmão). Cerca de 1 em cada 8 mulheres terá câncer de mama invasivo durante sua vida4.

 

No Brasil foram estimados, para o ano de 2023, 704 mil casos novos de câncer. O câncer de mama é o mais incidente, acomete 30,1% das mulheres. O câncer de cólon e reto é o segundo mais frequente (9,7%). Na sequência, observam-se os cânceres do colo do útero (7,0%), traqueia, brônquio e pulmão (6,0%) e tireoide(5,8%)(Figura1). Observa-se no Brasil uma predominância do câncer de mama feminina em todas as regiões geográficas. Porém, na região Norte, o câncer do colo do útero figura como o mais incidente no Amazonas e no Amapá, enquanto nos demais estados, encontra-se na segunda posição. Nas regiões Sudeste e Sul, o câncer do cólon e reto é o segundo mais incidente, em todas as UF. Destaca-se o câncer de pulmão figurando na terceira posição no Paraná e no Rio Grande do Sul (Figura 2) 5,6.

 

Os tumores femininos podem ocorrer em qualquer idade, mas o risco aumenta à medida que a idade avança. Algumas mulheres podem ter uma chance maior de ter câncer de mama, colo de útero, cólon e reto ou pulmão, do que outras. Mas todas as mulheres devem conhecer os riscos desses cânceres e o que podem fazer para ajudar a reduzir o risco.

 

Referências:

  1. Globocan/IARC1
  2. FERLAY et al.2021
  3. SUNG et al., 2021
  4. https://www.cancer.org/cancer/risk-prevention/understanding-cancer-risk/cancer-facts/cancer-facts-for-women.html
  5. https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/3700/2644
  6. https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2023.pdf).

 

Figura 1 – Distribuição proporcional dos dez tipos de câncer mais incidentes nas mulheres estimados para 2023, exceto pele não melanoma5,6

Figura 2 – Distribuição dos três tipos de câncer mais incidentes nas mulheres (taxa ajustada) por UF, 2023-2025,5,6

Dia do Homem: o que você tem feito pela sua saúde?

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os homens vivem 7,1 anos a menos do que as mulheres, sendo a taxa de mortalidade maior em praticamente todas as faixas etárias. Mas qual seria a justificativa? A resposta é a associação de vários motivos, mas entre os principais estão a maior exposição a alguns fatores de risco e a menor aderência aos exames preventivos. Dentre os fatores de risco destacamos o tabagismo, etilismo, falta de prática de atividade física e obesidade.  Outro dado preocupante revelado pelo Ministério da Saúde é que 31% dos homens não têm o hábito de ir ao médico e 55% destes afirmam que não precisam. Esta conjunção está diretamente relacionada ao risco de desenvolver diversas doenças nos homens, com maior destaque para o câncer.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam como os cânceres mais frequentes nos homens os de pele, próstata, intestino, pulmão e de cabeça e pescoço. E o que todos eles têm em comum? A maioria dos casos pode ser prevenido.

Vamos começar falando do câncer de pele, que é o tumor mais frequente. Felizmente, este tipo de tumor apresenta uma baixa taxa de mortalidade, mas pode deixar sequelas secundárias: a cirurgia para sua retirada. Os dois tumores de pele mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermóide, ambos diretamente relacionados à exposição não protegida ao sol. O cuidado com a exposição solar e o uso de protetor solar seriam o suficiente para reduzir o desenvolvimento destes tumores.

O segundo tumor mais frequente é o câncer de próstata. Dados do INCA estimam 65.840 novos casos em 2022 no Brasil, sendo o responsável pela segunda maior causa de morte por câncer. O seu principal fator de risco é o envelhecimento, algo que não podemos evitar, mas por um outro lado é um câncer altamente curável quando diagnosticado precocemente. Identificar este tumor na fase inicial é possível pela realização dos exames preventivos de toque retal e PSA. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Urologia, recomenda que homens a partir de 50 anos devem procurar um profissional especializado para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos, por já possuírem um risco aumentado.

Na terceira posição está o câncer de intestino. Este câncer está relacionado à idade mais avançada, histórico familiar e aos hábitos de vida como excesso de alimentos industrializados, sedentarismo e obesidade. Sabemos que evitar a exposição a estes fatores risco pode reduzir de forma significativa as chances de ter um câncer de intestino. Por isso, é importante manter um estilo de vida saudável com atividade física no mínimo três vezes por semana, manter peso adequado, realizar dieta rica em fibras, evitar o tabagismo, etilismo e excesso de carne vermelha e embutidos, além de realizar o exame preventivo de colonoscopia.  No Brasil, esse exame é recomendado para homens e mulheres entre 50 a 74 anos. Em casos de história familiar para câncer de intestino, o exame deve ser realizado dez anos antes da idade que o familiar apresentou o diagnóstico.

O câncer de pulmão é o quarto câncer mais frequente nos homens, com 17.760 casos novos ao ano de acordo com o INCA. É o câncer que mais mata homens. Infelizmente, sua incidência vem aumentando no mundo o que o torna um problema de saúde pública em razão do impacto dos altos custos do seu tratamento. A maioria dos casos deste tipo de câncer seriam evitados se as pessoas não fumassem. Aproximadamente 80% dos casos estão diretamente ligados ao tabagismo, hábito considerado como a maior causa evitável de mortes no mundo todo. Os pacientes que fumam têm em média 14 anos a menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, está cada vez mais claro que os tabagistas passivos (quem não fuma, mas convive de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares.

Em quinto lugar está o câncer de cabeça e pescoço, que compreende todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe) e nas glândulas salivares. Os fatores de risco para o desenvolvimento desta neoplasia já são bem estabelecidos. O principal é o tabagismo. O risco é dependente do número de cigarros fumados por dia e do tempo de uso. Os tabagistas têm o risco de desenvolver câncer de 5 a 25 vezes a mais do que os que não fumam. O segundo fator de risco de destaque é o etilismo. Um estudo revelou o aumento de 5 a 6 vezes no risco de desenvolver o câncer de cabeça e pescoço com consumo de álcool superior a 50 g/dia versus menos de 10 g/dia (aproximadamente uma lata de cerveja). Suspender o consumo de álcool reduz em 4% ao ano o risco de doença maligna da laringe ou a faringe.

Como vimos, uma grande parte dos cânceres que afetam o homem poderiam ser evitados com medidas de prevenção e um diagnóstico precoce. O Dia do Homem tem como objetivo conscientizar a população masculina sobre os cuidados que deve tomar com a sua saúde. Vamos aproveitar esse dia para iniciar hábitos de vida mais saudáveis e lembrar de colocar os exames preventivos em dia!

 

O inimigo por trás do sol

O câncer de pele é o mais comum no Brasil e no mundo, representando 25% de todos os tumores sólidos. Nos últimos dez anos o número de casos aumentou cerca de 50%. Dentre todos os tumores de pele, o melanoma, embora mais raro (representa por volta de 4% do total) é, sem sombra de dúvida, o mais agressivo. Por isso mesmo, apesar de dezembro ser considerado o mês mundial de conscientização para o câncer de pele, o melanoma reserva uma data à parte, no mês de junho, para chamar a atenção sobre seus riscos e desafios. Mesmo em um momento tão complicado, como este que estamos passando com a pandemia da COVID-19, é extremamente importante lembramos sobre os riscos de se desenvolver melanoma. Os inimigos novos não mudam a necessidade de se combater os inimigos antigos!

O melanoma é o câncer de pele mais agressivo e o que mais mata. Se não diagnosticado no início, pode dar metástases (quando um tumor se espalha para outros órgãos) rapidamente. Infelizmente muitas pessoas descobrem esse tumor já nessas fases mais avançadas. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que em 2020 teremos cerca de oito mil casos novos de melanoma, com 1.700 mortes ao longo do ano, só no Brasil. Os dados nos EUA são ainda mais impressionantes com mais de 100 mil casos novos esperados para 2020.

O melanoma é um tumor que surge a partir de danos causados nas células da pele produtoras de melanina (o pigmento que dá cor à pele) e pode aparecer não só na pele, mas também em mucosas e nas unhas. Esses danos são causados pela exposição direta ao sol, sem proteção. Os raios UVB são os grandes vilões, causando queimaduras na pele mais superficial e, quando essa exposição se dá de forma prolongada, as células da pele podem sofrer alterações em seu DNA levando ao desenvolvimento do câncer. Pessoas de pele e olhos mais claros têm um risco maior. Geralmente se apresentam como manchas enegrecidas e nem sempre é fácil diferenciar um melanoma de uma mancha ou uma “pinta” comum.

Um dado interessante é que a incidência de melanoma no mundo vem aumentando nos últimos anos, mas a mortalidade está diminuindo. Ou seja, mais pessoas têm diagnosticado a doença, mas também mais pessoas têm se curado ou controlado a doença. Isso tem ocorrido graças o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e menos tóxicos.

Até o início desta década, o único tratamento disponível para tratar a doença mais avançada era a quimioterapia citotóxica, que causava muitos efeitos colaterais e era pouco eficiente contra esse tipo de tumor. Com a descoberta e desenvolvimento das imunoterapias e das terapias-alvo, isso mudou radicalmente. A imunoterapia age no organismo fazendo com que o sistema imunológico do próprio paciente reconheça as células malignas e atue de forma mais eficaz em destruí-las. Já a terapia-alvo funciona em uma parcela dos pacientes que possuem uma mutação especifica em um gene chamado BRAF. As terapias-alvo são medicamentos em comprimidos que inibem a ação desse gene.

Estes tratamentos trouxeram resultados impressionantes no controle do melanoma, que deixou de ser um tumor altamente letal para ter resultados muito semelhantes aos de outros canceres considerados menos agressivos. Além de um maior tempo de vida na doença avançada, os tratamentos mais modernos melhoraram substancialmente a qualidade de vida dos pacientes. Reiterando que alguns desses tratamentos são feitos com medicações orais.

Mesmo com todos esses avanços é primordial alertar a população para buscar diagnósticos em fases mais precoces, quando a chance de cura é real. Portanto, alertamos às pessoas para que conheçam o seu corpo e façam uma autoavaliação sempre que possível, além de se protegerem do sol, evitando exposições prolongadas, principalmente sem o uso de protetores solares ou roupas adequadas. E, sempre que notarem alguma mancha estranha ou nova, que procurem o dermatologista para uma avaliação mais detalhada.

Para a autoavalição ou autoexame usamos a chamada regra do ABCDE. A letra “A” é assimetria. O paciente pode observar se a pinta, ao ser dividida em duas metades, tem estas metades simétricas. Caso tenha um formato irregular, é uma suspeita. A letra “B” se refere às bordas da lesão, pois toda pinta deve ter suas bordas lisas. Pintas com bordas recortadas, como um mapa, podem ser suspeitas. A letra “C” refere-se às cores da pinta. Existem diversos tons normais, do marrom claro ao escuro. Entretanto, quando mais cores diferentes (vermelho, branco, preto, tons cinza-azulados), mais suspeita é a pinta. O “D” é o diâmetro dos sinais, considerados com maior risco quando estão maiores de 0,6 cm. A última é a letra “E”, de evolução: uma pinta que progressivamente tem algum crescimento ou modificação deve ser investigada.

Algumas atitudes podem ajudar a prevenir esse tumor. O uso de roupas de mangas cumpridas e chapéus, uso de protetores solares que devem ser repassados a cada três horas e evitar o sol entre as 9 horas e as 16 horas. Existem dois principais tipos de raios solares, o UVA e o UVB (os raios UVB, como dito anteriormente, são os mais associados ao desenvolvimento do melanoma) e os protetores solares têm diferentes FPS (Fatores de Proteção Solar). Os protetores ideais são contra os raios UVA e UVB e pelo menos fator 30 pelo corpo e fator 50 no rosto, local em que a pele é mais sensível e frágil. Crianças devem usar protetores específicos, com produtos que geram uma barreira química e física.

O melanoma, quando descoberto precocemente tem chances de 95% de cura e seu tratamento é essencialmente cirúrgico no início. O problema é quando o tumor já se espalhou para os gânglios e para outros órgãos, o que dificulta a cura e exige tratamentos mais sistêmicos (que agem em todo o organismo). O mês de junho é o mês de alerta ao melanoma. E todas as pessoas, com medidas simples, podem evitar o aparecimento desse tumor. Não deixe essa doença marcar você. Procure marcas e pintas estranhas em seu corpo e, em caso de dúvidas ou alterações, procure um dermatologista.

Sol: mocinho ou vilão? “Preciso de vitamina D, mas tenho medo de ter câncer de pele”

O sol é o grande responsável por toda vida que existe neste planeta. Sem ele não existiríamos. Seus benefícios são amplamente conhecidos, permitindo às plantas a realização da fotossíntese, e garantindo a luz e energia essenciais para nossa vida.

O astro é fundamental em vários processos metabólicos do nosso organismo, como na ativação e produção do calcitriol (forma ativa da vitamina D), que além de regular a saúde óssea também influencia em algumas reações enzimáticas relacionadas a chamada homeostase ou equilíbrio do nosso corpo.

No entanto os mesmos raios solares que são fundamentais para manutenção desse equilíbrio indispensável para nossa saúde, também estão associados a uma série de danos na pele, como: envelhecimento precoce, aparecimento de manchas e rugas e o tão temido câncer de pele. Devemos lembrar que o câncer de pele é o mais comum no Brasil e no mundo e representa cerca de 33% de todos os tipos de câncer.

Então, como lidar com algo tão necessário e importante e que ao mesmo tempo pode ser tão devastador?

Como tudo na vida, a palavra chave é “equilíbrio”. Devemos estar em contato com o sol e os raios UVA e UVB para manutenção de nossa saúde, mas esse contado deve se dar de forma regrada, respeitando alguns cuidados, para que possamos tirar o melhor proveito daquilo que a natureza nos fornece gratuitamente, mas evitando os excessos ou modismos que podem causar danos extremamente prejudiciais.

Hoje, sabemos que a vitamina D é importante não apenas no metabolismo do cálcio e fosforo e fortalecimento dos ossos, mas também na síntese de antibióticos naturais pelas células de defesa do nosso corpo, na modulação da autoimunidade e síntese de proteínas inflamatórias, no controle da pressão arterial e, como participa da regulação dos processos de multiplicação e diferenciação celular, é atribuído também a ela, papel protetor contra o câncer embora isso não seja completamente comprovado.

Fato é que precisamos de vitamina D ativa para regular várias funções fundamentais da nossa saúde. Diferente de várias outras vitaminas, a vitamina D não esta presente em grande quantidade nos alimentos. Apenas alguns alimentos específicos são ricos em vitamina D, tais com gema do ovo e alguns peixes mais gordurosos de águas frias e profundas como salmão e atum. Apenas 10 a 15% de nossa vitamina D provém da dieta, sendo os outros 90% produzidos pelo nosso próprio corpo. Segue abaixo uma tabela com alguns alimentos ricos em vitamina D:

O ponto inicial dessa produção e ativação, ocorre nas camadas profundas da pele, na qual fica armazenada a substância precursora da vitamina D que se chama 7-deidrocolesterol. Para que ocorra esse processo inicial de ativação da vitamina D é fundamental que o individuo receba luz solar direta, principalmente os raios UVB. Portanto a exposição solar é necessária para a produção dessa vitamina tão importante. Geralmente pessoas que moram em regiões mais frias do planeta e aqueles de pele negra produzem menos vitamina D. Nas pessoas negras isso acontece porque a melanina compete pelos fótons da radiação UVB, diminuindo a disponibilidade de fótons para a ativação da vitamina.

O problema está na exposição excessiva ao sol ao longo da vida que vai causando danos na pele com lesões no DNA da célula, o que aumenta a chance do aparecimento do câncer. E engana-se quem acha que a exposição ao sol durante os fins de semana, na piscina ou praia seja o único inimigo. O sol do dia a dia, quando saímos de casa para o trabalho, supermercado, shopping, também causa danos.

Mas como equilibrar a necessidade de se expor ao sol evitando os danos nocivos que os raios UVA e UVB podem causar?

As principais recomendações são:

Exposição ao sol por 10 a 15 minutos ao dia para as pessoas de pele clara e de 30 a 40 minutos para as pessoas de pele negra (lembrando que as pessoas de pele negra têm mais dificuldade em produzir vitamina D). Essa exposição deve ser antes das 9 horas da manhã ou após as 16 horas. O ideal é que seja sem o uso de protetor solar em alguma parte do corpo, idealmente nos braços ou pernas (recomenda-se que o rosto esteja sempre protegido por protetor solar e que a cada dia uma região diferente do corpo como pernas ou braços fique sem o protetor, nos 10 a 15 minutos).

Existe um estudo brasileiro que mostrou que o uso do protetor solar não interferiu na ativação da vitamina D, mas alguns especialistas acreditam que isso aconteceu porque as pessoas do estudo provavelmente não passavam o protetor solar de forma correta, deixando várias áreas do corpo sem o produto.

Outra recomendação é que a exposição seja direta, sem interposição de vidros ou janelas. O vidro das portas ou janelas bloqueia em parte a passagem dos raios UVB, necessários à vitamina D. Mas, como vivemos em um país tropical com grande incidência de raios solares na maior parte do ano, as chances de deficiência de vitamina D são menores e, portanto, os cuidados com a pele para prevenção do câncer e do envelhecimento precoce devem ser lembrados.

Como falado anteriormente, a dieta é capaz de proporcionar apenas cerca de 10 a 15% das necessidades dessa vitamina. E por isso muito tem se discutido sobre a suplementação de vitamina D, o que vem causando uma corrida muitas vezes desenfreada por níveis cada vez mais elevados no sangue nem sempre de forma adequada.

Os níveis ideais de vitamina D no organismo ainda é objeto de muito debate. De toda forma, hoje, considera-se níveis normais acima de 20ng/ml. A suplementação somente deve ser realizada sob orientação médica.

As pessoas sob maior risco de deficiência são:

  • Pessoas acima dos 60 anos ou que sofrem quedas e fraturas recorrentes.
  • Gestantes e lactantes.
  • Indivíduos com osteoporose e doenças osteometabólicas, tais como raquitismo e osteomalácia.
  • Portadores de doença renal crônica.
  • Situações de má absorção de nutrientes, como quem tem doença inflamatória intestinal ou fez cirurgia bariátrica.
  • Pessoas que fazem uso de medicações que podem interferir com a vitamina D: antirretrovirais, glicocorticoides, anticonvulsivantes, como exemplos.
  • Pacientes com câncer.
  • Presença de sarcopenia (perda de massa e força muscular).
  • Diabéticos.
  • Indivíduos com obesidade.
  • Pessoas com pele escura, que não se expõem ao sol ou possuem contraindicação a essa exposição.
  • Pacientes com insuficiência cardíaca.

Esses indivíduos devem estar mais atentos e dosarem a vitamina D, no sangue, com maior frequência. Deve-se ter muito cuidado com os excessos, pois níveis muito altos de vitamina D podem causar sérios problemas, como maior calcificação de determinados órgãos como os rins, podendo levar, inclusive, a uma parada de seu funcionamento.

Portanto, quando falamos de sol, vitamina D e câncer de pele, devemos ter em mente que o equilíbrio e bom senso são necessários e fundamentais para tirarmos o melhor proveito dessa fonte inigualável de energia sem comprometer nossa saúde.

Devemos evitar a falta e os excessos, como tudo na vida!

Proteção solar do couro cabeludo

Felipe Borba Calixto

Dermatologista

 

O câncer de pele não melanoma (carcinomas basocelular e espinocelular) é considerado o mais comum no mundo, com crescente incidência e importante morbimortalidade, representando um significativo problema de saúde publica. A maioria está associada à radiação ultravioleta, porém há outros fatores, incluindo predisposição genética, bronzeamento artificial, exposição à radiação ionizante, agentes químicos orgânicos, imunossupressão, feridas crônicas e infecção por papilomavirus humano (HPV). Indivíduos de fototipo baixo (pele, olhos e cabelos claros), que possuem múltiplas sardas, têm maior risco para o desenvolvimento de câncer de pele. Sendo assim, esforços preventivos destinam-se a reduzir a incidência e o prejuízo estético-funcional, além de melhorar a qualidade de vida e a saúde da população.

Desde os primórdios da humanidade existe a preocupação com os cabelos. Sua ausência e/ou perda da qualidade afetam diretamente o bem-estar dos indivíduos, com prejuízo de sua qualidade de vida e relação inter-pessoal. Além de exercer importante função estética e sexual, os cabelos servem como proteção do couro cabeludo contra radiação solar, traumas e exposição às baixas temperaturas. Com a idade, há diminuição da densidade dos cabelos e afinamento da haste e perda na qualidade e quantidade dos fios, levando a um maior risco para o desenvolvimento de manchas solares, lesões pré-cancerígenas e tumores cutâneos em razão da menor proteção do couro cabeludo. Sendo assim, o exame dermatológico sempre deve ser completo, avaliando toda a extensão da pele, desde as plantas dos pés até o couro cabeludo, áreas cobertas e expostas ao sol.

Tumores do couro cabeludo constituem cerca de 2% de todos os tumores cutâneos, sendo que os cânceres de pele não melanoma (CPNM) apresentam alta incidência, potencial de invasão local, tendência à recidiva, significativa morbimortalidade e alto custo à saúde pública. Os fatores de risco mais importantes dos CPNM do couro cabeludo são sexo masculino, idade superior a 60 anos, alopecia androgenética (calvície), cabelos claros e finos, antecedente pessoal de câncer de pele e exposição solar precoce e crônica. Sendo assim, medidas preventivas e terapêuticas devem ser adotadas na rotina de qualquer individuo sob risco.

A fotoproteção pode ser compreendida como um conjunto de medidas direcionadas a reduzir a exposição ao sol e a prevenir o desenvolvimento do dano solar agudo e crônico. São consideradas medidas fotoprotetoras: fotoproteção tópica (protetor solar), oral (polifenóis, vitaminas, carotenóides, ômega 3, polypodium leucotomas, entre outros) e mecânica (roupas, chapéus, óculos de sol, vidros e coberturas naturais ou artificiais), além da educação da população em relação às consequências da exposição solar (fotoeducação).

 A fotoproteção dos cabelos é feita com os mesmos princípios ativos utilizados na pele, adicionados às formulações de uso capilar, como condicionadores, géis e sprays. A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda a combinação do maior número possível de medidas na prevenção do dano solar e evitar a exposição ao sol sem a adequada proteção, principalmente entre 10h e 15h. O exame dermatológico rotineiro é fundamental na prevenção, detecção precoce e tratamento adequado de tumores de pele e suas lesões precursoras.

Previna-se!

O câncer mais frequente no Brasil e no mundo tem novos tratamentos disponíveis

O câncer de pele é o mais comum no Brasil e no mundo, correspondendo a aproximadamente 33% de todos os tumores malignos (165.580 novos casos são estimados pelo Instituto Nacional do Câncer, INCA, para 2018, sendo 51% em homens). Dentre os seus subtipos, os cânceres de pele não melanomas são os mais frequentes, mas geralmente menos letais. Já o melanoma, que representa cerca de 4% dos tumores de pele, se não diagnosticado na fase inicial da doença tem alta mortalidade. Por isso a prevenção e diagnósticos precoce ainda são as medidas mais baratas e eficientes no combate a este tipo de doença, que vem passando por uma revolução nos últimos anos com novos tratamentos disponíveis.

O câncer de pele é mais comum em pessoas acima dos 40 anos com pele, cabelos e olhos claros, sendo relativamente raro em crianças e negros, com exceção daqueles já portadores de doenças cutâneas anteriores. Pessoas com pele clara e que se expõem muito ao sol ao longo da vida vão sofrendo danos na pele com lesões no DNA da célula, o que aumenta a chance do aparecimento de um câncer. E engana-se quem acha que a exposição ao sol durante os fins de semana, na piscina ou praia seja o único inimigo. O sol do dia a dia, quando saímos de casa para o trabalho, supermercado ou shopping também causa danos que podem levar ao aparecimento do tumor de pele. O grande problema é que a maioria das pessoas não se protege diariamente, lembrando do protetor solar e chapéus apenas quando estão em lazer.

A pele é o maior órgão do corpo humano e é extremamente heterogênea e, portanto, pode ser acometida por diferentes tipos de câncer que surgem de células de linhagens diferentes com comportamentos também diferentes. Os mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermoide. Menos frequentes – porém mais letais – são o melanoma e o carcinoma de células de Merkel.

O carcinoma basocelular é o mais comum e sua incidência vem aumentando nos últimos anos. É também o menos agressivo, raramente se espalhando para outros órgãos. O tratamento padrão é a cirurgia e em alguns casos radioterapia. Mas, quando mais agressivo, este tumor pode destruir estruturas ao redor do local em que surgiu, comprometendo a funcionalidade e estética, principalmente quando ocorre na face, em locais como nariz e orelhas. Para aqueles raros casos em que o tumor se espalha para outros órgãos, existe um tratamento novo no Brasil, aprovado pela Anvisa, chamado Vismodegib. Essa medicação age inibindo uma via de sinalização celular chamada hedeghog, que está ativada em 90% dos casos mais avançados de basocelular.

Outro tumor de pele muito frequente é o chamado carcinoma epidermoide (CEC), que é mais agressivo que o basocelular e com maior chance de causar metástase para linfonodos e outros órgãos. Seu tratamento geralmente também é com cirurgia ou radioterapia, mas nos casos avançados e metastáticos o tratamento usual é com quimioterapia. Infelizmente, para esse tipo de tumor a quimioterapia tem baixas respostas e não existem estudos que comprovem o seu impacto na melhora tanto da qualidade quanto do tempo de vida. A imunoterapia, medicamentos que ativam o sistema imunológico do próprio paciente contra o câncer, tem mostrado resultados promissores no tratamento dos tumores de pele.  Recentemente foi aprovado pelo FDA, nos EUA, a droga imunoterápica Cimiplimab, um anti-PD-1, que mostrou taxas de resposta de 47% em pacientes com CEC de pele avançado. Esta medicação ainda não foi aprovada pela Anvisa e, portanto, ainda não está disponível no Brasil, mas esperamos em breve tê-la como opção.

Recentemente, foi aprovado no Brasil um tratamento para um outro tipo de câncer de pele (mais raro, mas muito agressivo!) chamado carcinoma de células de Merkel, um tipo de tumor neuroendócrino de pele. Até agora, um tumor com poucas opções de tratamento, no qual a quimioterapia convencional com platina era o mais usado, mas trazendo resultados ruins e com muita toxicidade. Mais uma vez a imunoterapia veio para mudar a evolução também deste tipo de câncer de pele. Tivemos, recentemente, a aprovação no Brasil da medicação Avelumab, um anti-PDL-1, trazendo resultados promissores e com menos efeitos colaterais.

Por fim, temos o melanoma, que mesmo representando apenas 4% dos tumores de pele é, sem dúvida, o mais temido e agressivo e sua incidência também vem aumentando no mundo. Até 2011 não tínhamos nenhum tratamento com eficácia comprovada e muitas pessoas morriam rapidamente em decorrência de suas metástases. Em 2011 tivemos a aprovação da imunoterapia Ipilimumab, que foi a primeira medicação a aumentar o tempo de vida dos pacientes. E, desde então, novos medicamentos foram desenvolvidos e, hoje, estão disponíveis. Para tratar os melanomas avançados temos duas classes de drogas aprovadas: a primeira é a chamada terapia-alvo, com medicamentos que associam inibidores do BRAF e MEK. Esses medicamentos funcionam para os pacientes que tem mutação em um gene chamado BRAF (portanto é necessário saber se o tumor tem a mutação antes de iniciar o tratamento). A outra classe é a imunoterapia – já comentada acima – que ativa o sistema imunológico do paciente. Existem hoje, no Brasil, três opções de imunoterapia para melanoma: Nivolumab, Pembrolizumab e Ipilimumab, podendo ainda ser feita a associação de dois medicamentos como Nivolumab+Ipilimumab. Estas medicações mudaram a história natural da terrível doença e, atualmente, os pacientes vivem mais e melhor.

Apesar do desenvolvimento de novos tratamentos, muito mais eficazes e com menor toxicidade, os tumores de pele quando muito avançados ainda comprometem a qualidade de vida e causam a morte de um grande número de pacientes. Por isso, o ideal continua sendo a prevenção, visto que a maior parte dos cânceres de pele são evitáveis. É essencial a proteção da pele contra os danos causados pelo sol. Evitar a exposição direta ao sol entre os horários das 9 da manhã até às 16 horas. Manter a pele coberta por roupas de mangas longas, uso de chapéus ou bonés. Usar protetor solar no rosto e corpo, todos os dias e não apenas na praia ou piscina. E lembrar de repassar o protetor, pelo menos, de quatro em quatro horas. Aquelas pessoas de pele, cabelos e olhos claros, além de quem tem parentes de primeiro grau que já tiveram câncer de pele, devem ter o cuidado redobrado. Para quem tem muitas manchas, pintas e lesões de pele causadas pelo sol, a visita regular ao dermatologista é fundamental.

Vivemos em um país tropical, com alta incidência solar, com dias muito quentes e um inverno pouco rigoroso. Estamos mais expostos aos riscos que a radiação solar traz. Além disso, estamos próximos do fim do ano e época de férias escolares, momentos propícios para viagens e diversão, mas também época em que mais nos colocamos em risco aos danos causados pelo sol. Por isso dezembro foi escolhido para ser o mês da campanha de combate ao câncer de pele. Trata-se da campanha do Dezembro Laranja. Vamos todos nos prevenir e entrar nessa onda!