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Dia Mundial de Enfrentamento ao Câncer de Cabeça e Pescoço

Julho Verde é o mês de conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Este tipo de câncer compreende todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe), tireoide e nas glândulas salivares. No Brasil, é o terceiro câncer mais frequente nos homens e nas mulheres (quando somados, o câncer de boca, garganta e glândula tireoide). Aproveitando o momento, vamos responder algumas perguntas importantes sobre o tema:

Existem formas de prevenir?

Para reduzir as chances de desenvolver qualquer tipo de doença é necessário evitar a exposição aos fatores de riscos. Em alguns cânceres, os fatores para seu desenvolvimento não podem ser evitados, como é o caso da idade ou predisposição genética. Quando falamos do câncer de cabeça e pescoço, com exceção ao câncer de tireoide, os seus fatores de risco podem ser evitados. As formas de prevenção são:

– Evitar o tabagismo e consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

– Usar preservativo durante o ato sexual.

– Tomar a vacina contra o HPV.

– Manter alimentação equilibrada.

– Realizar higiene oral.

 

Quais são os sintomas da doença?

Os sintomas relacionados ao câncer dependem do local que ele tem origem. Na fase inicial, a maioria dos casos é uma doença silenciosa e não causa nenhum sintoma, por isso a importância de consultas regulares com dentista ou médico. Com o crescimento do tumor surgem os principais sintomas como:

– Rouquidão ou alteração na voz.

– Dificuldade/dor para engolir.

– Feridas persistentes na boca.

– Emagrecimento sem causa definida.

– Nódulo no pescoço.

– Dor de ouvido ou na cabeça.

– Tosse persistente.

 

Quais são os vilões para o desenvolvimento deste tipo de câncer?

Temos três vilões bem reconhecidos. Em primeiro lugar, está o tabagismo. O cigarro é a maior causa evitável de morte no mundo e para o câncer de cabeça e pescoço não é diferente. As pessoas que fumam têm o risco que varia de 5 a 25 vezes maior do que os não fumam. É importante reforçar que a inalação do tabaco, por cachimbo ou narguilé, e o hábito de mascar fumo também aumentam o risco desse câncer.

Em segundo lugar está o uso abusivo de bebidas alcoólicas. Este hábito pode aumentar o risco desse tipo de câncer em 5 a 6 vezes, a depender da quantidade ingerida durante a vida. Quando associado ao tabagismo, o risco aumenta ainda mais.

Em terceiro lugar, mas cada vez mais importante, está a infecção pelo HPV. É o mesmo vírus que pode causar o câncer de colo de útero, vagina, vulva, anus e pênis.  Sua relação é mais importante com o câncer de orofaringe (garganta), sendo o subtipo HPV 16 o maior vilão. O câncer relacionado com o HPV apresenta algumas diferenças comparado aos relacionados ao cigarro e bebidas alcoólicas, geralmente ocorre em pessoas mais jovens, os tumores primários são menores e apresentam maiores chances de cura. Uma das formas de contaminação é o sexo oral desprotegido, por isso a importância do uso de preservativo durante essa prática sexual. Outra forma de prevenção é a vacinação.  No Brasil, as indicações para a vacinação pelo Ministério da Saúde são para meninas de 9 a 14 anos e para meninos de 11 a 14.

 

Como é feito o diagnóstico?

No Brasil por volta de 70% dos casos de câncer de cabeça e pescoço são descobertos já em estágios avançados em razão da falta de informação das pessoas sobre a doença. O diagnóstico tardio aumenta a possibilidade de sequelas e diminui as chances de cura.  Quando descoberto em fase inicial, as chances de cura são de aproximadamente 90%. Para o diagnóstico é preciso realizar uma avaliação da cavidade oral e exames de imagens (tomografia ou ressonância). Mas para a confirmação será sempre necessária uma biópsia.

 

Quais são os maiores avanços no tratamento do câncer de cabeça e pescoço nos últimos anos?

Grandes avanços foram atingidos no tratamento do câncer de cabeça e pescoço nos últimos anos. Basicamente, temos três formas de combater esse tipo de tumor: cirurgia, radioterapia e terapia sistêmica (quimioterapia, anticorpos monoclonais e imunoterapia). Na cirurgia, a incorporação da cirurgia robótica possibilitou procedimentos menos invasivos e com menores sequelas. Na radioterapia, as novas técnicas trouxeram maior precisão de tratamento nas áreas acometidas pelo tumor, possibilitando maiores doses e poupando os tecidos e órgãos saudáveis. Na Oncologia, tivemos a aprovação da imunoterapia para os pacientes com metástases ao início do tratamento. Estes medicamentos estimulam o sistema imune a combater as células tumorais, proporcionando aumento no tempo de vida associado a menores efeitos colaterais.

 

Dia do Homem: o que você tem feito pela sua saúde?

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os homens vivem 7,1 anos a menos do que as mulheres, sendo a taxa de mortalidade maior em praticamente todas as faixas etárias. Mas qual seria a justificativa? A resposta é a associação de vários motivos, mas entre os principais estão a maior exposição a alguns fatores de risco e a menor aderência aos exames preventivos. Dentre os fatores de risco destacamos o tabagismo, etilismo, falta de prática de atividade física e obesidade.  Outro dado preocupante revelado pelo Ministério da Saúde é que 31% dos homens não têm o hábito de ir ao médico e 55% destes afirmam que não precisam. Esta conjunção está diretamente relacionada ao risco de desenvolver diversas doenças nos homens, com maior destaque para o câncer.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam como os cânceres mais frequentes nos homens os de pele, próstata, intestino, pulmão e de cabeça e pescoço. E o que todos eles têm em comum? A maioria dos casos pode ser prevenido.

Vamos começar falando do câncer de pele, que é o tumor mais frequente. Felizmente, este tipo de tumor apresenta uma baixa taxa de mortalidade, mas pode deixar sequelas secundárias: a cirurgia para sua retirada. Os dois tumores de pele mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermóide, ambos diretamente relacionados à exposição não protegida ao sol. O cuidado com a exposição solar e o uso de protetor solar seriam o suficiente para reduzir o desenvolvimento destes tumores.

O segundo tumor mais frequente é o câncer de próstata. Dados do INCA estimam 65.840 novos casos em 2022 no Brasil, sendo o responsável pela segunda maior causa de morte por câncer. O seu principal fator de risco é o envelhecimento, algo que não podemos evitar, mas por um outro lado é um câncer altamente curável quando diagnosticado precocemente. Identificar este tumor na fase inicial é possível pela realização dos exames preventivos de toque retal e PSA. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Urologia, recomenda que homens a partir de 50 anos devem procurar um profissional especializado para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos, por já possuírem um risco aumentado.

Na terceira posição está o câncer de intestino. Este câncer está relacionado à idade mais avançada, histórico familiar e aos hábitos de vida como excesso de alimentos industrializados, sedentarismo e obesidade. Sabemos que evitar a exposição a estes fatores risco pode reduzir de forma significativa as chances de ter um câncer de intestino. Por isso, é importante manter um estilo de vida saudável com atividade física no mínimo três vezes por semana, manter peso adequado, realizar dieta rica em fibras, evitar o tabagismo, etilismo e excesso de carne vermelha e embutidos, além de realizar o exame preventivo de colonoscopia.  No Brasil, esse exame é recomendado para homens e mulheres entre 50 a 74 anos. Em casos de história familiar para câncer de intestino, o exame deve ser realizado dez anos antes da idade que o familiar apresentou o diagnóstico.

O câncer de pulmão é o quarto câncer mais frequente nos homens, com 17.760 casos novos ao ano de acordo com o INCA. É o câncer que mais mata homens. Infelizmente, sua incidência vem aumentando no mundo o que o torna um problema de saúde pública em razão do impacto dos altos custos do seu tratamento. A maioria dos casos deste tipo de câncer seriam evitados se as pessoas não fumassem. Aproximadamente 80% dos casos estão diretamente ligados ao tabagismo, hábito considerado como a maior causa evitável de mortes no mundo todo. Os pacientes que fumam têm em média 14 anos a menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, está cada vez mais claro que os tabagistas passivos (quem não fuma, mas convive de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares.

Em quinto lugar está o câncer de cabeça e pescoço, que compreende todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe) e nas glândulas salivares. Os fatores de risco para o desenvolvimento desta neoplasia já são bem estabelecidos. O principal é o tabagismo. O risco é dependente do número de cigarros fumados por dia e do tempo de uso. Os tabagistas têm o risco de desenvolver câncer de 5 a 25 vezes a mais do que os que não fumam. O segundo fator de risco de destaque é o etilismo. Um estudo revelou o aumento de 5 a 6 vezes no risco de desenvolver o câncer de cabeça e pescoço com consumo de álcool superior a 50 g/dia versus menos de 10 g/dia (aproximadamente uma lata de cerveja). Suspender o consumo de álcool reduz em 4% ao ano o risco de doença maligna da laringe ou a faringe.

Como vimos, uma grande parte dos cânceres que afetam o homem poderiam ser evitados com medidas de prevenção e um diagnóstico precoce. O Dia do Homem tem como objetivo conscientizar a população masculina sobre os cuidados que deve tomar com a sua saúde. Vamos aproveitar esse dia para iniciar hábitos de vida mais saudáveis e lembrar de colocar os exames preventivos em dia!

 

Julho Verde: por que ele é ainda mais importante na pandemia?

Estamos em julho, mês de conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Trata-se de um tumor que merece atenção devido ao número expressivo de casos anualmente, com estimativa de 36.620 novos casos em 2021 só no Brasil. Este tipo de câncer compreende todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe), nas glândulas salivares e tireoide.  Nos homens é o terceiro câncer mais frequente (quando somados o câncer de boca, garganta e glândula tireoide), ficando atrás apenas do câncer de próstata e de intestino.

Os homens são mais acometidos com uma razão de 2 a 4 homens para cada mulher. Esta diferença está relacionada à exposição aos fatores de risco para desenvolver este câncer, sendo o tabagismo o principal deles. Pessoas que fumam muitos cigarros ao dia ou por um período prolongado, têm o risco de desenvolver o câncer 5 a 25 vezes maior do que os não tabagistas. Vale ressaltar que o uso de cachimbo, o hábito de mascar fumo e mesmo o uso de narguilé também estão associados ao aumento do risco.

Outros fatores importantes são o consumo excessivo de bebida alcoólica e a infecção pelo vírus HPV. O HPV é o mesmo vírus relacionado ao câncer de colo de útero, vagina, vulva, ânus, pênis, e está relacionado, principalmente, ao desenvolvimento do câncer de orofaringe (garganta). A infecção é transmitida durante a relação sexual oral desprotegida.

Um dado muito preocupante surgiu durante a pandemia de COVID-19. Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas revelou uma mudança alarmante de alguns hábitos na população brasileira durante o período de pandemia. O estudo revelou que do total da população avaliada, 12% fumavam e, entre os fumantes, 23% aumentaram 10 cigarros no consumo diário e 5% aumentaram 5 cigarros. No que se refere ao consumo de bebida alcoólica, 18% relataram aumento no consumo, chegando a um aumento de 25% em adultos entre 30-39 anos. Esses dados servem de alerta para o aumento deste tipo de câncer no futuro.

Outra grande preocupação causada pela pandemia foi a redução de aproximadamente 50% no diagnóstico de novos casos de câncer em 2020. Ressaltando que o câncer não parou de acontecer, mas sim seu diagnóstico. No que se refere especificamente ao câncer de cabeça e pescoço, no Brasil, mesmo antes da pandemia já havia uma grande dificuldade em se fazer o diagnóstico precoce, aproximadamente 70% dos casos eram descobertos com a doença localmente avançada ou com metástase, sendo esperado uma piora pós-pandemia.

O diagnóstico tardio deste câncer traz muitas Implicações negativas, desde a diminuição das chances de cura até a necessidade de tratamentos agressivos causando sequelas e piora da qualidade de vida.  Por isso, feridas na boca que não cicatrizam, dor ou irritação persistente da boca ou garganta, placas avermelhadas ou esbranquiçadas que duram mais de três semanas, alteração da voz ou dificuldade de deglutir sempre devem ser investigadas.

Nos últimos anos, tivemos grandes avanços no tratamento deste câncer. No que tange à cirurgia, os procedimentos realizados com auxílio do robô permitem melhores acessos para a ressecção dos tumores localizados na boca. O advento de novas técnicas de radioterapia permitiu maior precisão do local a ser tratado, melhorando o controle do tumor, associando menos efeitos colaterais. Já na doença mais avançada com metástase a imunoterapia aumentou o tempo de sobrevida dos pacientes, associado menores toxicidades do que a quimioterapia.

Apesar dos avanços no tratamento, a melhor arma contra o câncer continua sendo a não exposição aos fatores de risco, evitando o cigarro, o excesso de bebida alcoólica, relações sexuais desprotegidas; reiterando que é necessário fazer acompanhamento médico para o diagnóstico precoce. Vamos aproveitar o mês de julho para reforçar a importância de um estilo de vida saudável e cuidar da nossa saúde mesmo durante este período de pandemia.

Julho Verde e sua missão no aumento da cura

Julho é o mês de conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Trata-se de um câncer de extrema importância no Brasil tanto por sua frequência quanto por seu alto número de mortes.  Quando agrupados, os tumores de boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe), glândulas salivares e tireoide representam o terceiro tumor mais frequente em homens e mulheres.

Diante destes dados, a Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço lançou o slogan: “O câncer tá na cara, mas às vezes você não vê”. O objetivo é chamar atenção para o diagnóstico precoce, aumentando assim as chances de cura. Atualmente, 60% dos casos são diagnosticados em fases tardias, necessitando de tratamentos mais intensos, com menores chances de cura e mais sequelas. Por isso, a presença de feridas na boca que não cicatrizam, dor ou irritação persistente da boca ou garganta, placas avermelhadas ou esbranquiçadas que duram mais de 3 semanas, alteração da voz ou dificuldade de deglutir devem ser sempre investigados para descartar um tumor em fase inicial.

Outro ponto que merece destaque é a prevenção. Isto é, medidas que todos nós podemos fazer para reduzir o risco de desenvolver esse tipo de câncer. A principal delas é não fumar ou suspender esse hábito o mais rápido possível. As pessoas que fumam têm o risco que varia de 5 a 25 vezes maior do que os não fumam, a depender do número de cigarros por dia e do tempo de tabagismo.  A inalação do tabaco, por cachimbo ou narguilé, uma espécie de cachimbo de água, também aumenta o risco desse câncer.

Um outro vilão que deve ser evitado é o álcool, em ingesta abusiva. Este hábito pode aumentar o risco desse tipo de câncer em 5 a 6 vezes. É importante salientar que todas as bebidas alcoólicas podem causar o câncer, porém o principal fator relacionado ao aumento do risco é a quantidade ingerida durante a vida.

O terceiro fator, e não menos importante, é a infecção pelo HPV.  Esse é o mesmo vírus relacionado ao câncer de colo de útero, vagina, vulva, anus e pênis.  Nos últimos anos, ocorreu um aumento de casos de câncer de cabeça e pescoço, especialmente na região da orofaringe, em pessoas mais jovens, que nunca fumaram ou fizerem uso abusivo de bebidas, e o principal causador é a infecção pelo vírus do HPV. Dados norte-americanos revelam que 70 a 80% dos casos de câncer de orofaringe está relacionado ao HPV. No Brasil, o Ministério da Saúde estima que cerca de 54,6% dos brasileiros entre 16 e 25 anos estão infectados com HPV, sendo 38,4% deles com os subtipos de maior risco para o câncer cabeça e pescoço. Dentre as formas de contaminação, merece destaque o sexo oral desprotegido, por isso a importância do uso de preservativo durante essa prática sexual.

Outra forma de prevenção contra esse tumor relacionado ao vírus do HPV é a vacinação.  No Brasil, as indicações para a vacinação pelo Ministério da Saúde são para meninas de 9 a 14 anos e para meninos, de 11 a 14. Fora dessas indicações a vacinação pode ser realizada no sistema privado.

Nos últimos anos, grandes avanços foram atingidos no tratamento do câncer de cabeça e pescoço. No âmbito da cirurgia, tivemos a incorporação da cirurgia robótica, que possibilitou procedimentos menos invasivos e com menores sequelas. Na radioterapia, as novas técnicas trouxeram maior precisão de tratamento nas áreas acometidas pelo tumor, possibilitando maiores doses e poupando os tecidos e órgãos saudáveis. Já na Oncologia, tivemos a recente aprovação da imunoterapia para os pacientes com metástases ao início do tratamento, proporcionando aumento no tempo de vida associado a menos efeitos colaterais. Estes medicamentos estimulam o sistema imune a combater as células tumorais. Sua ação ocorre por bloquear a inibição das células de defesa (linfócitos), permitindo assim que estas reconheçam e destruam as células tumorais.

É notório o avanço que as novas tecnologias trouxeram para aumentar o sucesso no tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Contudo, a prevenção e o diagnóstico precoce ainda são as principais armas para aumentar as chances de cura. A campanha Julho Verde tem o intuito de trazer este alerta, portanto não deixe de fazer a sua parte!

25 de maio: Dia Internacional da Tireoide

Higino Steck

Cirurgião de cabeça e pescoço

 

Desde 2007, a International Federation of Thyroid instituiu o dia 25 de maio como o Dia Internacional da Tireoide e a semana do dia 25 como a Semana de Concientização da Tireoide, endossados pela European Thyroid Association (ETA),  American Thyroid Association (ATA),  Latin-American Thyroid Society (LATS), Asia and Oceania Thyroid Association (AOTA), Chinese Society of Endocrinology (CSE) e Chinese Society of Nuclear Medicine (CSNM).

A tireoide é uma glândula em formato de borboleta localizada no pescoço e que tem a função de regular o metabolismo, atuando sobre órgãos como o coração, o fígado e os rins. Produtora dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), essa glândula também interfere no crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, no humor e no peso corporal. É é uma glândula essencial para a qualidade de vida das pessoas.

Quando a glândula não funciona corretamente, algum distúrbio deve se manifestar. Se libera hormônios em quantidade insuficiente, ocorre o hipotireoidismo, um problema que acomete 10% da população e é facilmente diagnosticado com um exame de sangue. A levotiroxina, utilizada para reposição hormonal nesses pacientes é um dos medicamentos mais vendidos no mundo.  Já quando há hormônios em excesso, ocorre o hipertiroidismo. Também são comuns os nódulos da tireoide, que nem sempre apresentam sintomas, e o bócio, caracterizado pelo aumento de volume na tireoide, que muitas vezes está associado ao hipotireoidismo ou ao hipertireoidismo.

Os nódulos na glândula tireoide são comuns e podem ocorrer em qualquer idade, porém mais frequentes em mulheres e com o passar dos anos. Estima-se que 50% das mulheres acima dos 50 anos possuem nódulos em tireoide, sendo que 90% desses nódulos são benignos e 10% são malignos. Os nódulos podem ser vistos ou palpados no pescoço quando maiores, enquanto que os menores são visualizados apenas pelo exame de ultrassonografia. A maioria dos nódulos não precisa de tratamento por serem benignos e pequenos. Nódulos maiores podem precisar de tratamento cirúrgico ou com uma nova tecnologia disponível em alguns centros no Brasil que é a ablação por radiofrequência, que evita a cirurgia e, portanto, a necessidade de reposição hormonal.

Cerca de 10% dos nódulos podem ser malignos e o diagńostico é feito por meio de punção guiada por ultrassom. A incidência do câncer de tireoide tem aumentado muito em todo o mundo. É o câncer mais comum da região da cabeça e pescoço e afeta três vezes mais as mulheres do que os homens.  Pela mais recente estimativa brasileira (2018), é o quinto tumor mais frequente em mulheres e pode ocorrer em qualquer idade, sendo um câncer frequente em mulheres jovens.

O tratamento do câncer de tireoide em geral é cirúrgico, com a retirada parcial ou total da glândula tireoide, e as taxas de cura são altas com o tratamento adequado. Após cirurgia de retirada total da tireoide, faz-se necessária reposição do hormônio tireoidiano diariamente por toda a vida. Mas a vida dos pacientes volta ao normal com essa reposição.

A tireoide é uma glândula essencial na vida das pessoas! E o Dia Internacional da Tireoide serve para concientizar sobre sua importância.

Câncer de cabeça e pescoço pode ser prevenido?

Abril é o mês de conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Apesar de pouco discutido na mídia, merece um lugar de destaque por representar o quarto câncer mais frequente nos homens brasileiros. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 11.200 novos casos de câncer de cavidade oral e 6.470 de câncer laringe para o ano de 2020. Ainda mais impactante que esse dado é imaginar que a grande maioria desses casos poderiam ser evitados pela não exposição aos fatores de risco. A resposta parece simples, porém na prática é um desafio a ser alcançado.

Quando falamos do câncer de cabeça e pescoço nos referimos a todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe) e nas glândulas salivares. A agressão contínua desses tecidos pelos fatores de risco causa alterações celulares podendo precipitar o câncer.

Os fatores de risco para o desenvolvimento desta neoplasia já são bem estabelecidos. O principal é o tabagismo. O risco é dependente do número de cigarros fumados por dia e do tempo de uso. Os tabagistas têm o risco de desenvolver câncer de 5 a 25 vezes mais do que os não fumam. Nesse contexto o cigarro não é o único vilão, o cachimbo e o hábito de mascar fumo ou tabaco também estão comprovadamente associados a um risco aumentado de câncer de boca e faringe.

É importante destacar que o uso de narguilé, uma espécie de cachimbo de água no qual o tabaco aromatizado é queimado e aspirado por uma mangueira até a boca, também é potencialmente um risco. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), consumir uma rodada do Narguilé é equivalente a fumar 100 cigarros.

O etilismo é o segundo fator de risco mais importante. Também está relacionado com a quantidade ingerida durante a vida. Um estudo revelou o aumento de 5 a 6 vezes no risco de desenvolver o câncer de cabeça e pescoço com consumo de álcool superior a 50 g/dia versus menos de 10 g/dia (aproximadamente uma lata de cerveja).

O terceiro fator que ganha cada vez mais importância é a infecção pelo vírus HPV. Esse vírus é o mesmo relacionado ao câncer de colo de útero, vagina, vulva, anus e pênis. Dentre os 150 subtipos, o mais relacionado ao câncer de cabeça e pescoço é o subtipo 16, sendo a orofaringe (garganta) o local mais acometido. Dados norte-americanos revelam que 70 a 80% dos casos de câncer de orofaringe está relacionado ao HPV. Diferentemente dos outros fatores de risco, ele é responsável por câncer em pacientes mais jovens e sem hábito de tabagismo e etilismo.

Sabemos que esses tumores relacionados à infecção pelo vírus apresentam uma melhor resposta ao tratamento. Outra boa notícia é que a vacinação contra o HPV confere proteção contra esse tipo de câncer. No Brasil, as indicações para a vacinação de acordo com o Ministério da Saúde são o grupo de meninas dos 9 aos 14 anos e de meninos dos 11 aos 14 anos.

Concluindo, curar todos os casos de câncer de cabeça e pescoço ainda não é possível, porém evitar o cigarro, o etilismo e incentivar a vacinação contra HPV podem prevenir a maioria dos casos. Vamos aproveitar o mês de abril para iniciar um estilo de vida saudável e atingir nosso desafio de reduzir a nossa estatística contra o câncer de cabeça e pescoço.

Imunoterapia para câncer de cabeça e pescoço aprovada no Brasil

Em junho havíamos falado que um novo tratamento para pacientes com câncer de cabeça e pescoço do tipo escamoso foi aprovado pelo Food and Drug Administration (FDA) nos EUA, no dia 10 daquele mês. Agora, cinco meses depois, a indicação foi aprovada no nosso país pela Anvisa.

A nova indicação se baseou no estudo KEYNOTE-048, que envolveu mais de 800 pacientes com doença avançada ou recidivada e que ainda não tinham recebido nenhum tratamento para o tumor. Os indivíduos foram divididos aleatoriamente em três grupos: o primeiro com Pembrolizumabe isolado, outro com Pembrolizumabe mais quimioterapia e mais um com o tratamento-padrão atual (quimioterapia + Cetuximabe).

Os resultados mostraram que nos pacientes com PDL-1 positivo (CPS ≥ 1 e ≥ 20), o uso de Pembrolizumabe isolado levou a um aumento da sobrevida de 2 e 4,2 meses e uma redução do risco de morte de 22 e 39%, respectivamente. Na população geral (qualquer PD-L1), apesar desse benefício não ter sido comprovado, o Pembrolizumabe foi considerado não-inferior.

No caso da combinação de Pembrolizumabe com quimioterapia, houve melhoria da sobrevida global mediana de 3,7 e 3,2 meses, com redução do risco de morte de 40 e 35% nos pacientes com PD-L1 maior que 20 e 1, respectivamente. Diferente do caso do Pembrolizumabe isolado, a combinação mostrou aumento da sobrevida global também na população geral, com ganho de 2,3 meses na mediana.

Interessante notar que o Pembrolizumabe isolado promoveu menor taxa de efeitos colaterais graves (17%) quando comparado à quimioterapia padrão (69%). Mesmo quando combinado, não houve aumento significativo destas toxicidades (71%).

É um importante marco para os pacientes brasileiros com câncer de cabeça e pescoço, que podem receber tratamentos cada vez mais eficazes. Entretanto, esta (e nenhuma outra) imunoterapia não está disponível no SUS e, portanto, seguiremos trabalhando para o que o acesso chegue a todos os brasileiros.

 

Referências:

https://www.fda.gov/drugs/resources-information-approved-drugs/fda-approves-pembrolizumab-first-line-treatment-head-and-neck-squamous-cell-carcinoma

https://oncologypro.esmo.org/Meeting-Resources/ESMO-2018-Congress/KEYNOTE-048-Phase-3-study-of-first-line-pembrolizumab-P-for-recurrent-metastatic-head-and-neck-squamous-cell-carcinoma-R-M-HNSCC

https://meetinglibrary.asco.org/record/171051/slide

https://www.ascopost.com/News/60093

https://clinicaltrials.gov/ct2/show/NCT02358031

http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmVisualizarBula.asp

Cigarro eletrônico, cigarro light e narguilé: soluções ou novos vilões para o câncer de cabeça e pescoço?

O câncer de cabeça e pescoço, apesar de pouco discutido, apresenta um papel de destaque entre as neoplasias mais frequentes no Brasil. Estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimam para os anos de 2018-2019, 14.700 novos casos de câncer de cavidade oral e 7.670 novos casos de câncer de laringe e, quando somados, ocupam o posto de terceiro tumor mais frequente nos homens brasileiros.

Essa neoplasia abrange todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe) e nas glândulas salivares. O seu principal fator de risco é o tabagismo, sendo o risco de desenvolver câncer de cabeça e pescoço dependente do número de cigarros fumados por dia e seu tempo de uso. Tabagistas pesados têm o risco de desenvolver câncer de 5 a 25 vezes maior do que os não tabagistas. Diante desses dados é inevitável o questionamento: Podemos substituir o cigarro tradicional pelo cigarro eletrônico, cigarro light ou narguilé para evitar esse tipo de câncer? A resposta é NÃO.

O cigarro eletrônico é um dispositivo composto por um cartucho que armazena nicotina líquida, água, substâncias aromatizantes e solventes que, alimentado por uma bateria, produz um vapor com tais compostos. Erroneamente utilizado como uma ferramenta para cessar o tabagismo ou uma forma segura de “fumar”, o cigarro eletrônico vem ganhando mais adeptos em todo o mundo. Um estudo na população norte americana no período de 2010 a 2013 mostrou um aumento de 3,3 para 8,5 % de adultos que já fizerem o uso de cigarro eletrônico (King BA et al, Nicotine Tob Res. 2015).

O maior problema é que não existe evidência cientifica que comprove que o cigarro eletrônico é eficaz para cessar o tabagismo e que seja um hábito seguro para a saúde. Está comprovado que pode aumentar o risco de doenças cardiopulmonares, como infarto agudo do miocárdio e asma, e que contém substâncias potencialmente cancerígenas. A consequência da inalação crônica do vapor e das substâncias carcinogênicas ainda é pouco conhecida em relação ao risco de desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço. É provável que os malefícios causados pelo cigarro tradicional sejam maiores, porém isso não justifica o uso indiscriminado do cigarro eletrônico.

Já o cigarro light, desenvolvido na década de 1960, apresenta menores teores de alcatrão e nicotina e supostamente deveria ser mais “fraco” e com menor potencial de riscos à saúde. Infelizmente isso não é verdade. Para permitir uma maior diluição da fumaça, os filtros possuem pequenos orifícios/perfurações para a ventilação, permitindo a inalação de mais fumaça com taxas mais concentradas de carcinógenos e outras toxinas. Um estudo publicado em 2017 mostrou maior risco de câncer de pulmão, sub tipo adenocarcinoma, em pacientes tabagistas que fizerem uso do cigarro light (Song MA et al, J Natl Cancer Inst. 2017). Quando falamos especificamente sobre câncer de cabeça e pescoço, ainda não temos estudos avaliando a sua segurança, desta forma, assim como os cigarros tradicionais deve ser evitado.

Outra forma de consumo de tabaco que ganhou popularidade na última década é o narguilé. Uma espécie de cachimbo de água no qual o tabaco aromatizado é queimado, atravessa um recipiente com água e a fumaça é aspirada por uma mangueira até a boca.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde revelam um espantoso aumento de 139% no consumo de narguilé no período de 2008 a 2013 entre homens de 18 a 24 anos no Brasil.

Considerado inofensivo pela grande maioria dos usuários, pode ser mais perigoso que o tabagismo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), consumir uma rodada do cachimbo é equivalente a fumar 100 cigarros. Os riscos para a saúde estão relacionados com inalação de monóxido de carbono, hidrocarbonetos aromáticos e aldeídos voláteis, que também são encontrados no cigarro. Estudo publicado em 2015 pelo Dr Teja Munshi, revelou aumento de lesões pré-malignas e câncer de cabeça e pescoço em usuários de narguilé (Munshi T et al, J Am Dent Assoc. 2015). O subtipo de câncer mais frequente foi carcinoma epidermóide, o mesmo encontrado nos pacientes tabagistas.

Tendo em vista tais pontuações, o cigarro eletrônico, cigarro light e o narguilé não são formas adequadas para o combate ao câncer de cabeça e pescoço. Muitas vezes difundidos como hábitos inofensivos, na realidade não são seguros e devem ser evitados. A melhor alternativa para reduzir o risco do câncer continua sendo a mesma: suspender o tabagismo, manter hábitos de vida saudáveis e fazer acompanhamento médico de rotina.

Sexo e câncer de cabeça e pescoço: qual é a relação?

O dia 27 de julho é o Dia Mundial de Prevenção ao Câncer de Cabeça e Pescoço. Durante todo este mês são realizadas campanhas de conscientização sobre o tipo de câncer e vamos aproveitar para esclarecer um tema pouco discutido e intrigante: existe relação entre sexo e câncer de cabeça e pescoço? A resposta é SIM.

Este câncer compreende todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe) e nas glândulas salivares. Estatísticas do Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimam para 2018, 14.700 mil novos casos de câncer de cavidade oral e 7.670 mil novos casos de câncer de laringe, alcançando, quando somados, o posto de terceiro tumor mais frequente nos homens brasileiros.

Os dois principais fatores de risco são o tabagismo e o etilismo. Entretanto, a infecção pelo vírus HPV está ganhando cada vez mais destaque. É o HPV o responsável pela relação entre sexo e câncer de cabeça e pescoço. A transmissão ocorre durante o sexo oral não protegido. A infecção crônica pelo HPV tem maior relação com o desenvolvimento do câncer de orofaringe (garganta) e mais raramente em outros sítios da cabeça e pescoço.

Estudos epidemiológicos norte-americanos revelam uma diminuição de casos novos de câncer de laringe, hipofaringe e cavidade oral nas últimas décadas e isso se deve às campanhas antitabagismo. Na contramão desta tendência, os casos novos de câncer de orofaringe estão aumentando, com evidências relacionando a elevação à infecção por HPV. Dados sugerem que aproximadamente 70 a 80% dos pacientes com câncer de orofaringe na população norte americana e europeia são portadoras do HPV.

Este vírus é o mesmo relacionado ao câncer de colo de útero, vagina, vulva, ânus e pênis. Existem cerca de 150 subtipos de HPV, sendo o mais relacionado ao câncer de cabeça e pescoço o subtipo 16. Diferentemente dos outros fatores de risco, ele é responsável por câncer em pacientes mais jovens e sem hábito de tabagismo e etilismo. O vírus, assim como a incidência do câncer de orofaringe, é mais frequente em homens.
Os tumores relacionados à infecção pelo vírus apresentam uma melhor resposta ao tratamento, porém as estratégias são as mesmas para o câncer não relacionado ao vírus. As principais opções são cirurgia, radioterapia e quimioterapia, que são indicadas conforme o tamanho e disseminação do tumor.

Diante da agressividade do tratamento, que frequentemente causa sequelas permanentes, é importante a realização de medidas de prevenção. Temos duas estratégias efetivas para esse tipo de câncer relacionado ao vírus do HPV. A primeira delas é o sexo seguro, reforçando a necessidade de uso de preservativos em todos os tipos de prática sexual.

A segunda é a vacinação contra o HPV, que além de proteger contra o câncer de orofaringe, tem ação contra os cânceres de colo de útero, vagina, canal anal e pênis. A vacinação está disponível no setor privado e no SUS. As indicações para a vacinação de acordo com o Ministério da Saúde são: meninas e meninos dos 9 aos 14 anos, pacientes com câncer em quimioterapia ou radioterapia, transplantados e portadores de HIV entre 9 a 26 anos.

Vamos aproveitar o mês Julho Verde e participar desta campanha de conscientização dos tumores de cabeça e pescoço. Além de evitar os fatores de riscos mais conhecidos como cigarro e bebida alcoólica, é importante entender a relação entre sexo e este câncer, reforçando a importância do sexo seguro e a vacinação contra o HPV para o combate efetivo à esta neoplasia.

Os Avanços no Tratamento do Câncer de Cabeça e Pescoço

O câncer de cabeça e pescoço abrange todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe) e nas glândulas salivares. Apesar de pouco discutido é um câncer frequente no Brasil. Os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) revelam que os tumores de cavidade oral são o quinto e os de laringe o oitavo cânceres mais frequentes no sexo masculino.

O fato do homem ser mais acometido está diretamente relacionado aos fatores de risco, sendo o tabagismo o principal deles. Esse hábito pode aumentar o risco de desenvolver o câncer em 5 a 25 vezes comparado aos não tabagistas. O segundo fator mais importante é o etilismo, aumentando o risco em até 6 vezes comparado aos não etilistas.  Outros fatores conhecidos são as infecções virais pelo HPV relacionada com exposição sexual, dieta pobre em nutrientes, exposição ocupacional a produtos químicos como petróleo, plásticos, amianto e por fim síndromes genéticas.

O tratamento dessa neoplasia é dependente de muitas variáveis: localização e tamanho do tumor, presença de metástases, desejo do paciente e acesso as técnicas disponíveis. Diante de todos esses detalhes se faz necessário o tratamento através de uma equipe multidisciplinar (cirurgião, oncologista, radioterapeuta, dentista, psicóloga, nutricionista, fonoaudióloga e fisioterapeuta).

 A cirurgia e a radioterapia são as opções de tratamento do tumor em fase inicial. Já em tumores maiores ou com disseminação para os linfonodos do pescoço, pode ser associada a quimioterapia. Essa forma de tratamento ganhou destaque na mídia brasileira em 2011 quando o ex presidente Lula foi diagnosticado com câncer de laringe. O tumor estava localizado próximo a corda vocal e caso a cirurgia fosse realizada não seria possível preservar a sua voz. Diante dessa complicação, a estratégia utilizada foi a técnica de preservação de laringe, na qual inicia-se quimioterapia por um período de 2 meses, seguido de radioterapia associado a quimioterapia. Conforme presenciamos, o objetivo desejado foi atingido, a cura do tumor com a manutenção da voz.

Em relação ao paciente que apresenta tumor com recidiva ou metástases (disseminação para outras partes do corpo), o tratamento é realizado com quimioterapia isolada ou associada a um anticorpo chamado cetuximabe. Essa combinação permitiu o aumento no tempo de vida dos pacientes comparado à quimioterapia isolada. No entanto, essa estratégia de tratamento não está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

A maior novidade no tratamento do câncer de cabeça e pescoço foi a aprovação da imunoterapia pela ANVISA em dezembro de 2017. Estes medicamentos estimulam o sistema imune a combater as células tumorais. Sua ação ocorre por bloquear a inibição das células de defesa (linfócitos), permitindo assim que estas reconheçam e destruam as células tumorais. A imunoterapia aprovada foi o nivolumabe, indicada para pacientes que apresentam progressão do tumor durante ou após o tratamento com quimioterapia inicial a base de platina. O estudo que levou a aprovação dessa medicação demostrou aumento de tempo de vida dos pacientes em 2 meses.

Sendo assim, tornam-se cada vez mais evidentes os avanços no tratamento do câncer de cabeça e pescoço.  Eles têm permitido maiores chances de cura, preservando a funcionalidade dos órgãos e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. Apesar dessa evolução a melhor estratégia continua sendo a não exposição aos fatores de risco, mantendo um estilo de vida saudável e com acompanhamento médico para um possível diagnóstico precoce.