O Grupo SOnHe Equipe Médica Onde Atuamos Conteúdos Contato Eventos

29 de agosto -Dia Nacional de Combate ao Fumo – O mundo está ficando sem ar! Ajude-o a respirar

Desde 1986, o dia 29 de agosto foi escolhido como o Dia Nacional de Combate ao Fumo para conscientizar as pessoas dos malefícios que o cigarro traz para a saúde. O que nas décadas de 50 a 80 era considerado chique e glamoroso – pois o cigarro sempre estava nos filmes de Hollywood e nas propagandas de esportes – já logo no início da década de 1980 começou a mostrar que as consequências eram terríveis. Vários estudos já demonstravam as tragédias relacionadas ao hábito de fumar e as várias doenças relacionadas, como o enfisema pulmonar, fibrose pulmonar, câncer de pulmão, câncer de cabeça e pescoço e vários outros tipos de câncer. Mas, infelizmente, o cigarro já era usado por um enorme número de pessoas no mundo e com a altíssima dependência que a nicotina causava, o planeta já começava a ficar com dificuldade de respirar, asfixiado. Eram necessárias ações rápidas e eficazes para alertar as pessoas.

 O cigarro é a maior causa de morte, de doença e de empobrecimento no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima para 2023 mais de 8 milhões de mortes por doenças causadas pelo hábito de fumar. Desses, cerca de 1,2 milhões são tabagistas passivos. Só no Brasil, são cerca de 430 mortes por dia relacionadas ao tabagismo. Mais de 170 mil mortes ao ano.

No mundo, são 1,1 bilhão de tabagistas e 80% deles estão em países de baixa ou média renda, onde os impactos do cigarro são ainda maiores. As pessoas que morrem prematuramente pelo cigarro, diminuem a renda de suas famílias, aumentam os gastos públicos com saúde e atrasam o desenvolvimento econômico, sem falar na parte social e emocional da perda de um familiar. O cigarro mata metade de seus usuários.

 São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. É a maior causa evitável de morte e disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer. Está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente, em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 2 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,7 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. É ainda o principal fator relacionado a doenças respiratórias como asma, bronquite, enfisema pulmonar. Está associado a impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades.

Os pacientes que fumam têm em média 14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, está cada vez mais claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também tem mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. E as crianças são as mais atingidas pelo tabagismo passivo. Cerca de metade das crianças no mundo estão expostas e respiram o ar contaminado pela fumaça do cigarro. E são elas que mais sofrem com problemas pulmonares, especialmente as mais novas. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são de fumantes passivos. O impacto na economia é de mais de US$ 56 bilhões ao ano, com tratamentos de doenças tabaco correlacionadas e com a perda precoce de vidas.

 

Por que é tão viciante?

A nicotina contida no cigarro atinge rapidamente o cérebro e, em menos de 10 segundos, libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, o cigarro é tão viciante e um hábito difícil de abandonar.  Daquelas pessoas que desejam abandonar o vicio menos de 5% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

Por outro lado, alguns benefícios de parar de fumar são imediatos: em 20 minutos o ritmo cardíaco e a pressão arterial baixam; em 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue cai para o normal; de duas a 12 semanas, a circulação sanguínea melhora e a função pulmonar aumenta; entre um a nove meses, a tosse e a falta de ar diminuem; em um ano, o risco de desenvolver uma doença coronariana cai pela metade (em relação a um fumante); entre cinco  e quinze anos, o risco de ter um acidente vascular cerebral é reduzido ao de um não fumante; em 10 anos, o risco de câncer de pulmão cai para cerca de metade em relação a um fumante e o risco de câncer de boca, garganta, esôfago, bexiga, colo do útero e pâncreas também diminui.

Na tentativa de diminuir o tabagismo e com isso as doenças a ele relacionadas, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Nesse contexto, o Brasil ganhou lugar de destaque ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as 6 medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram   treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita.

Outras medidas importantes foram o aumento de impostos sobre os cigarros, que chegaram a 83%, em 2018, a proibição de  propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população, em 1989, e 10%, atualmente), o que ainda corresponde a mais de 20 milhões de tabagistas.

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais. No entanto, isso não é verdade. Alguns deles, como narguilé, são ainda mais nocivos.

 

Cigarro eletrônico

O cigarro eletrônico tem servido de porta de entrada para os mais jovens no vício. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida, o que não impede o acesso fácil) e no mundo.  De acordo com relatório divulgado em maio de 2022 pelo sistema Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, pelo menos um a cada cinco jovens de 18 a 24 anos usa cigarros eletrônicos no Brasil. Do mesmo modo, a última pesquisa Covitel, desenvolvida pela organização global de saúde pública Vital Strategies e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), mostra que os adultos jovens apresentaram as maiores prevalências de experimentação de cigarro eletrônico (19,7%) e de narguilé (17%), no país, no ano passado. O consumo desses produtos é considerado modismo no Brasil e segue o comportamento observado em outros países, como Estados Unidos e Reino Unido, onde é permitida a comercialização.

Estudo recente, divulgado no fim de junho pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), informa que as vendas mensais de cigarros eletrônicos aumentaram 46,6%, passando de 15,5 milhões de unidades, vendidas em janeiro de 2020, para 22,7 milhões, em dezembro de 2022 naquele país. Esse incremento considera somente as vendas de varejo, excluindo o comércio online. Seus efeitos deletérios ainda não são completamente conhecidos, mas o Centro de Controle de Doenças dos EUA já divulgou várias mortes associadas diretamente ao uso do cigarro eletrônico.

Por isso, o dia 29 de agosto foi escolhido como Dia Nacional de Combate ao Cigarro, para orientar e reforçar junto à população as consequências sociais, políticas e econômicas do habito de fumar e chamar a atenção para os malefícios e danos causados a saúde de quem fuma ou convive com quem fuma. Vamos alertar a todos sobre a importância de abandonar o cigarro e para aqueles que realmente desejam parar, fica a orientação de procurar um profissional da área da saúde, seja no SUS, ou no ambiente privado, para obter auxílio contra esse que é, sem dúvida, o maior vilão da humanidade.

 

 

Melanoma: O bicho-papão dos cânceres de pele

O câncer de pele é a neoplasia mais frequente no Brasil e corresponde a 30% de todos os tumores malignos. Como a pele é heterogênea, o câncer de pele pode apresentar tumores de diferentes linhagens. Os mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermoide.

O melanoma representa 4% de todos os tumores de pele, mas é o mais agressivo por ter alta possibilidade de metástases (se espalhar pelo corpo). O melanoma se origina nos melanócitos, células da pele que produzem melanina, substancia que determina a cor da pele. É mais comum em adultos de pele branca, após os 40 anos e pode acometer qualquer local da pele ou mucosas, além de raramente, ocorrer na coroide, estrutura que fica dentro dos olhos. Nos indivíduos de pele negra o melanoma é mais comum nas áreas mais claras como palmas das mãos e plantas dos pés.       

No Brasil, os dados do INCA, estimam cerca de 9.000 casos novos em 2023 com 2.000 mortes no ano. Sendo as maiores incidências nos estados das regiões Sudeste e Sul. 

Há pouco tempo, os tratamentos contra o melanoma eram pouco eficazes e muito tóxicos com a quimioterapia sendo quase a única opção. A mudança ocorreu em 2010, com a apresentação dos resultados do primeiro estudo com imunoterapia, com uma medicação chamada Ipilimumab. Resumindo: uma medicação que conseguia ativar o nosso sistema imunológico permitindo ao próprio organismo “enxergar” melhor as células tumorais e, assim, ativar os linfócitos (nossas células “soldados”) para atacar o câncer. Hoje, existem vários outros medicamentos com mecanismos de ação parecidos, além do ANTI-CTLA4, temos os ANTI- PD1, ANTI-PDL1, ANTI -LAG, e outros vem surgindo, além da possibilidade de combinação com esses agentes. Foi uma mudança de paradigma na Oncologia.           

O aparecimento do melanoma

O desenvolvimento do melanoma também pode estar relacionado à ativação de um gene chamado BRAF. Este gene deveria estar desativado (como um interruptor que deveria estar desligado), mas que em algum momento se ativa (se liga!), ocasionando a proliferação de células tumorais e crescimento do tumor. Cerca de30 % dos pacientes com melanoma tem mutação do BRAF. Para aqueles pacientes que tem essa mutação, existem medicamentos que são inibidores de BRAF, portanto, que tentam frear a ação desse gene.

Mas, investir em prevenção ainda é o caminho mais eficiente, visto que o melanoma é um câncer associado à exposição solar e, portanto, pode ser, na maioria das vezes, prevenido. O uso recorrente de protetor solar, que deve ser passado diariamente e repassado a cada 2-3 horas, mesmo em dias pouco ensolarados. Uso de roupas mais longas, chapéus e evitar o sol nos períodos de maior incidência de radiação UV, entre as 9h e 16h são medidas simples que podem evitar um dos piores tipos de câncer. 

Diagnóstico precoce

Outra coisa muito importante é o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor o tumor, maiores as chances de cura. Para isso, é importante a visita regular a um dermatologista, especialmente para aquelas pessoas de pele clara ou com manchas crônicas pelo corpo. Mas cada pessoa também pode examinar e observar sua pele e suas manchas. 

Pode-se usar a regra do ABCDE para alertar sobre as manchas que devem ser melhor observadas: A= assimetria | B =bordas irregulares | C= cores de vários tons e heterogêneas | D=diâmetro maior 6mm | E=evolução com crescimento ou mudanças de aspecto.  Manchas ou lesões de pele que tenham essas características devem ser avaliadas por um dermatologista.

O melanoma é um dos tumores mais agressivos! Deve-se investir em prevenção e diagnóstico precoce. O tratamento ganhou, nos últimos anos, importantes medicamentos de grande eficácia, mas também de alto custo, sendo muitos deles não disponíveis no SUS. Todas as pessoas devem sempre examinar o próprio corpo em busca de manchas que tenham características de alerta.  O melanoma continua sendo o bicho-papão dos tumores de pele e talvez de todos os tumores.

 

Câncer de testículo – Os bonzinhos também matam

O câncer de testículo é uma neoplasia rara e representa cerca de 5% de todos os casos de câncer em homens. Na grande maioria, quando diagnosticados no início, as chances de cura são muito elevadas. E, exatamente por isso, muitas vezes deixamos de falar ou nos preocupar com ele. Mas mesmo tendo altas taxas de cura, não podemos nos enganar! O câncer de testículo pode matar ou deixar sequelas por toda vida.

A primeira coisa que precisamos ter em mente é que existem diferentes tipos de câncer de testículo. Seminoma, carcinoma embrionário, teratoma, tumor de saco vitelino: são apenas alguns exemplos. Cada um deles tem características diferentes, o que pode levar a necessidades de tratamentos também diferentes.

Os sintomas podem ser muito vagos ou frustos, como um pequeno incômodo em um dos testículos, aumento de tamanho e volume, sensação de peso. Dor geralmente não é muito comum e, quando acontece, costuma ser de fraca a moderada intensidade. Por serem sintomas relativamente leves e, às vezes, de progressão lenta, pode levar a um atraso no diagnóstico.

Outro aspecto importante é que não são neoplasias muito preveníveis, uma vez que não estão associadas a fatores externos e, sim, a algumas condições do próprio paciente.  Um dos fatores relacionados a um maior risco de câncer de testículo é a chamada criptorquidia (fato da criança nascer com um ou os dois testículos dentro da cavidade abdominal e não dentro da bolsa escrotal). Não existem muitos outros fatores bem estabelecidos como causadores desse câncer.

Também é importante nos atentarmos ao fato de que esse tipo de tumor é mais comum em homens jovens: entre os 20 e 30 anos. E, nessa faixa etária, outras doenças benignas com inflamações do testículo ou torções de testículo são muito mais comuns.

O diagnóstico pode ser sugerido por exames de imagem como ultrassom da bolsa escrotal e por exames de sangue que podem mostrar aumento de proteínas que são produzidas por células tumorais. Mas o diagnóstico definitivo é dado pela análise direta do testículo doente pelo patologista, após cirurgia. Aqui, dois pontos são cruciais. Primeiro: quando a suspeita é de câncer de testículo, geralmente não é indicado fazer biopsia e, sim, ir direto para cirurgia, chamada orquiectomia (retirada do testículo). Segundo: a cirurgia é o tratamento mais importante e que cura uma grande parte dos casos. Dependendo do tipo e da extensão do tumor, apenas a cirurgia será necessária.

Outros tratamentos podem ser necessários, em alguns casos, como quimioterapia e radioterapia, principalmente se o tumor já tiver se espalhado para outros órgãos. Os principais órgãos acometidos são os pulmões, os linfonodos, o fígado e os ossos. Diferente de outros canceres, cuja chance de cura quando as células tumorais já se espalharam pelo corpo é pequena, no caso das neoplasias testiculares, mesmo com metástase (doença espalhada), a chances de cura são altas.

Embora os tratamentos sejam altamente curativos podem trazer sequelas por toda a vida. Uma grande parte dos pacientes são jovens, por volta da segunda ou terceiras décadas de vida, e muitos ainda não tiveram filhos. Um tratamento de quimioterapia nessa faixa etária, principalmente associado à necessidade da retirada de um dos testículos, tem grandes chances de provocar infertilidade. Por isso os pacientes precisam ser sempre orientados sobre esses riscos e, quando desejarem, fazer congelamento de espermatozoides para uma possível fertilização in vitro no futuro, caso necessária.

Outro aspecto importante é que tumores de características semelhantes aos tumores de testículo, chamados de tumores germinativos, podem acometer outras áreas do corpo, não apenas os testículos. Podem aparecer dentro da cavidade abdominal ou mesmo no tórax. Essas neoplasias germinativas também podem acometer mulheres.

A prevenção e o diagnóstico precoce sempre são o melhor caminho. Saber reconhecer mudanças no seu corpo, valorizar qualquer alteração – por mais simples que possa parecer – e ter consultas regulares com um médico são recomendados. As meninas, assim que chegam na puberdade, são frequentemente levadas a uma consulta com o ginecologista. O mesmo não acontece com os meninos, que deveriam também nessa faixa etária passarem por avaliações com um urologista ou hebiatra (medico especialista nos cuidados de adolescentes).

O mês de abril é reconhecido como o Abril Lilás para conscientização do câncer de testículo e é importante frisar que, embora considerado por muitos um câncer “bonzinho”, ele também pode matar se não diagnosticado precocemente.

 

 

 

29 de agosto: Dia Nacional de Combate ao Fumo

O tabagismo como vício vem acometendo a humanidade há mais de 200 anos

O tabagismo como vício vem acometendo a humanidade há mais de 200 anos. Já passou por diferentes fases, desde seu uso pelos povos pré-colombianos, na América Central, ou em rituais indígenas, na América do Sul, até sua exploração comercial na Europa durante a Revolução Industrial e sua banalização pela indústria cinematográfica de Hollywood, nas décadas de 80 e 90. Fato é que o cigarro se tornou popular e também o maior inimigo do ser humano, sendo o grande responsável por mortes evitáveis em todo mundo.

A partir do final da década de 90, com o entendimento dos mecanismos deletérios do cigarro no corpo humano e sua clara associação com dezenas de doenças cardiovasculares, respiratórias e neoplásicas, iniciou-se no mundo inteiro um movimento na tentativa de inibir e dificultar o seu uso. São mais de 4.000 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 50 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância em cânceres de pulmão, cabeça e pescoço e bexiga. Além disso é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial). Além de diversas outras doenças respiratórias.

As pessoas que fumam têm em média 14 anos menos de expectativa de vida em relação as que não fumam. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para 7 milhões de mortes ao ano por doenças causadas pelo cigarro, sendo 12% dessas mortes em fumantes passivos. Só no Brasil são 400 mortes por dia pelo tabaco, o que causa um impacto gigantesco na saúde e na economia, visto que muitas pessoas atingidas são jovens e economicamente ativas, além de um grande custo para o sistema de saúde pública, com gastos bilionários em tratamentos de doenças relacionadas ao tabaco.

Na tentativa de diminuir o tabagismo e com isso as doenças a ele relacionadas, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Nesse contexto, o Brasil ganhou lugar de destaque ao conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita, por exemplo, com a disponibilização de medicações como a bupropiona.

Além disso, foi disponibilizada uma linha telefônica para as pessoas tirarem dúvidas sobre o tabagismo, houve aumento dos impostos que chegaram a 83%, em 2018; as propagandas foram proibidas em televisão e revistas, tornou-se obrigatório estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do cigarro e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% em 2017).

O Brasil, ao lado de Turquia, tornou-se referência ao mundo no combate ao cigarro, sendo o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) que são: monitorar o uso do tabaco e as políticas de prevenção, proteger as pessoas contra o tabagismo, oferecer ajuda para parar de fumar, avisar sobre os perigos do tabaco, aplicar proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco e aumentar os impostos sobre o tabaco.

A redução do tabagismo vem acontecendo, no Brasil em todas as faixas etárias, com redução de 50% entre os jovens com menos de 30 anos e também redução de 44% entre as mulheres. Segundo o INCA, mais de 1,5 milhão de pessoas fizeram tratamento na rede pública para parar de fumar nos últimos 10 anos.

Mas ainda não foi possível acabar completamente com esse vício. Dados mostram que as capitais onde mais se fuma são Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, enquanto Salvador, São Luiz e Belém são as que tem menos fumantes. O Brasil ocupa hoje o 34º lugar entre os países que mais fumam em um ranking que engloba 149 nações.

Em paralelo à diminuição do tabaco, vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo o uso dos cigarros eletrônicos, cujos os efeitos deletérios ainda são desconhecidos. Em 2018, mais de 3,5 milhões de estudantes do ensino médio nos EUA disseram já ter experimentado o cigarro eletrônico. O Centro de Controle de Doenças dos EUA acabou de divulgar a morte de um morador e Illinois como potencial primeiro caso – do mundo – de morte associada diretamente ao uso do cigarro eletrônico. Por isso, o combate ao cigarro ganha novos inimigos que não podem ser esquecidos.

O Brasil tem o audacioso objetivo de se tornar o primeiro país do mundo livre do tabaco. E, por isso, o dia 29 de agosto ganha importância como o Dia Nacional de Combate ao Fumo para lembrar que essa guerra ainda terá vários capítulos e a atenção nunca deverá ser diminuída no intuito de manter o Brasil na rota do combate ao cigarro.

 

 

Melanoma: o câncer cujo tratamento revolucionou a Oncologia

O câncer de pele é a neoplasia mais frequente no Brasil e corresponde a 30% de todos os tumores malignos. Como a pele – maior órgão do corpo humano – é heterogênea, o câncer de pele pode apresentar tumores de diferentes linhagens. Os mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermoide.

O melanoma representa 3% de todos os tumores de pele, mas é o mais agressivo por ter alta possibilidade de dar metástases (se espalhar pelo corpo). O melanoma se origina nos melanócitos, células da pele que produzem melanina, substancia que determina a cor da pele. É mais comum em adultos após os 40 anos e brancos e pode acometer qualquer local da pele ou mucosas, além de raramente poder ocorrer na coroide, estrutura que fica dentro dos olhos. Nos indivíduos de pele negra o melanoma é mais comum nas áreas mais claras como palmas das mãos e plantas dos pés.

No Brasil, os dados do INCA, estimam mais de 8.000 casos novos ao ano, com quase 2.000 mortes por ano. São as estimativas mais recentes. No passado, o melanoma metastático já foi considerado um dos tumores mais difíceis de tratar por conta de sua baixa resposta à quimioterapia e à radioterapia. As chances de se curar e de ter uma vida com boa qualidade, usando a quimioterapia, eram muito baixas. E até pouco tempo não haviam outros tratamentos eficazes.

Essa história começou a mudar quando, em 2010, no maior congresso de Oncologia do mundo, realizado em Chicago – EUA, foi apresentando os resultados do primeiro estudo com uma medicação chamada Ipilimumab, uma imunoterapia, com mecanismo de ação conhecido como um inibidor de checkpoint imunológico, nesse caso um Anti-CTLA4. Resumindo: uma medicação que conseguia ativar o nosso sistema imunológico permitindo ao próprio organismo “enxergar” melhor as células tumorais e, assim, ativar os linfócitos (nossas células “soldados”) para atacar o câncer. Foi a primeira vez na história que uma medicação mostrou em estudos a capacidade de aumentar o tempo de vida das pessoas com diagnóstico de melanoma metastático.

Isso foi uma revolução no tratamento do melanoma, mas também no tratamento de praticamente todos os outros tumores. A imunoterapia, hoje, é usada em vários momentos e para vários tipos de câncer e trouxe uma expectativa que até então era quase inimaginável: curar pacientes com tumores que já se espalharam pelo corpo. Claro que nem todos pacientes se beneficiam deste tratamento. Mas a possibilidade de estacionar a doença e de curar doenças avançadas foi possível apenas com a imunoterapia.

Hoje, existem vários outros medicamentos com mecanismos de ação parecidos, além do ANTI-CTLA4, temos os ANTI- PD1, ANTI-PDL1, e outros vem surgindo, além da possibilidade de combinação com esses agentes. Foi uma mudança de paradigma na Oncologia e trouxe esperanças para as pessoas acometidas por tumores avançados como melanoma, pulmão, rim, bexiga, cabeça e pescoço, estômago e vários outros.

Mas as revoluções não pararam na Imunoterapia. Um outro grupo de medicamentos chamados de inibidores de tirosina kinase, medicamentos orais que são direcionados contra alguns grupos de genes, também transformaram o tratamento do melanoma.

O desenvolvimento do melanoma pode estar relacionado à ativação de um gene chamado BRAF. Este gene deveria estar desativado (como um interruptor que deveria estar desligado), mas que em algum momento se ativa (se liga!), ocasionando a proliferação de células tumorais e crescimento do tumor. Nem todos os melanomas tem a ativação desse gene.

Cerca de 50-60% dos pacientes com melanoma e que tem idade menor de 60 anos, tem mutação do BRAF, isso cai para cerca de 20% nos pacientes com mais de 70 anos. Mas para aqueles pacientes que tem melanoma e tem essa mutação, existem medicamentos que são inibidores de BRAF, portanto, que tentam frear a ação desse gene. E estes medicamentos mostraram imensa eficácia.

Essas duas classes de drogas mudaram o tratamento na Oncologia e em especial no melanoma. A terapia-alvo, funciona para aqueles pacientes que tem mutação do BRAF, enquanto a imunoterapia pode funcionar para quem tem ou não a mutação. Esses medicamentos já foram aprovados no Brasil, pela Anvisa, e já passaram por todos os testes e estudos necessários e confirmaram serem eficazes.

Infelizmente, em um país tão desigual e com acesso a saúde também tão desigual, aquelas pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), não têm acesso a essas drogas. São medicamentos extremamente caros e que não foram incorporados no SUS. Portanto, essas medicações só estão ao alcance de pacientes que tenham planos de saúde (a maioria dessas medicações são de cobertura obrigatória pelos planos ou para quem possa pagar por eles, mas lembrando que estamos falando de tratamentos que podem chegar a mais de R$ 40 mil por mês).

Portanto, essas novas terapias trouxeram novas esperanças, como chance real de controle e até cura de um câncer muito avançado. Mas nos trouxeram também diversas reflexões e desafios: como equalizar o sistema e permitir que aquelas pessoas que dependem do SUS possam ter acesso a um tratamento tão caro?  Não existe ainda uma resposta e uma fórmula para resolver esse dilema. Não é uma questão apenas vivenciada no Brasil. Mesmo países ricos têm dificuldade em suportar o custo destes tratamentos na saúde pública e essa discussão depende efetivamente da participação de todos: pacientes, médicos, governo, indústria farmacêutica, para definir como gerir melhor os recursos e permitir que mais pacientes sejam beneficiados. Enquanto isso, infelizmente muitos pacientes ainda dependem da quimioterapia para seu tratamento do melanoma, o que já mostrou baixa eficácia e maior toxicidade.

O melanoma certamente é o câncer com maiores ganhos com a imunoterapia e terapia-alvo. Mas, ao mesmo tempo, também é o câncer com maior desigualdade de tratamento entre o serviço de saúde público e privado.

 

Onde há fumaça, há fogo!

O dia 29 de agosto é marcado como Dia Nacional de Combate ao Fumo, desde 1986, quando foi criado pela Lei 7.480, com o objetivo de alertar e chamar a atenção da sociedade para as implicações sanitárias, sociais e econômicas que esse terrível hábito pode trazer para nossas vidas. O tabagismo é a maior causa evitável de adoecimento e morte em todo mundo, sendo responsável por mais de 7,5 milhões de mortes ao ano em todo planeta e mais de 200 mil mortes ao ano somente no Brasil. São mais de 400 mortes ao dia no país relacionadas às doenças provocadas pelo cigarro. Portanto, estamos falando de uma pandemia global, silenciosa e sorrateira, que existe há várias décadas e somente nos últimos anos começou realmente a ser enfrentada.

Além do cigarro, grave problema de saúde pública, desde final de 2019, o mundo vive um dos momentos mais dramáticos da sua história com o surgimento e explosão do SARS-CoV-2. Nada ocupou mais o noticiário e nossas vidas nos últimos meses do que essa crise sanitária que vem mudando nossa forma de nos relacionar. Já foram mais de 560 mil mortes no Brasil por COVID-19 desde o início da pandemia e mais de 4 milhões de mortes no mundo. Ainda assim, como já dito, o cigarro mata por ano quase o dobro do que o número de vítimas causadas pela COVID-19 em quase 2 anos.

O tabaco, que já era usado pelas tribos indígenas na América do Sul em tempos remotos e depois como planta medicinal quando chegou à Europa, Ásia e África levada pelos colonizadores, ganhou proporções comerciais com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo. A partir das duas grandes Guerras Mundiais, o uso de tabaco na forma de cigarro começou a se popularizar. Hoje, o consumo de cigarros e outros dispositivos como charutos, narguilés e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos faz parte do cotidiano de milhões de pessoas, de todas as idades, todas as culturas e classes sociais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta para 2021, um aumento no número de mortes, direta ou indiretamente relacionadas ao tabagismo. São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. O cigarro é tão prejudicial e viciante, que a nicotina nele contida atinge rapidamente o cérebro e, em menos de 10 segundos, libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, é um habito difícil de abandonar. Daquelas pessoas que desejam largar o vício, menos de 10% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente, em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda: cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,6 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas, muitas vezes, ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. Cerca de 2 milhões de pessoas morrem ao ano por doenças cardíacas provocas pelo cigarro. O cigarro aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas, miocardites e de mortes súbitas.

O cigarro e a COVID-19

O cigarro é, ainda, o principal fator relacionado às doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema pulmonar.  E, nesse caso, não tem como não associar o cigarro à COVID-19. É inegável que a “pandemia” do cigarro agrava a doença causada pelo coronavírus. Logo no início da pandemia, em 2020, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, haviam constatado que as chances de progressão da doença e de óbitos entre fumantes eram 14 vezes maiores do que em não fumantes.

O cigarro provoca uma inflamação crônica nos pulmões, causando distúrbios pulmonares graves, além de – sabidamente – reduzir a imunidade de quem fuma.  Se o coronavírus provoca pneumonia e afeta os pulmões, é claro que o dano é maior naqueles pacientes que já tem comprometimento do tecido pulmonar causado pelo tabaco. Portanto uma parcela das pessoas que morreram pela COVID-19, indiretamente, são vítimas do cigarro.  .

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Stanfort, na primeira fase da pandemia, mostrou que jovens que usam cigarros eletrônicos tinhas de 5 a 7 vezes mais risco de terem COVID-19, provavelmente por conta dos danos pregressos das vias aéreas.

Os mesmos malefícios causados pelo cigarro no indivíduo, que demoram anos para aparecer, são uma avalanche com o vírus, que desencadeia essas mesmas alterações, mas em questão de dias. É uma doença inflamatória pulmonar grave com insuficiência respiratória alterando todo o sistema de coagulação, fazendo com que os indivíduos tenham trombose, tendo complicações isquêmicas e hemorrágicas, assim como acontece com quem fuma ao longo de anos, com um fator de agressão extremamente elevado”.

Muitas outras complicações

O uso do tabaco está associado, ainda, à impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades. Os pacientes que fumam têm, em média ,14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, é muito claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são em fumantes passivos.

Não podemos esquecer dos impactos econômicos, com perdas de mais de R$ 60 bilhões ao ano, considerando o que as pessoas doentes ou que morreram, deixaram de produzir, e os custos diretos e indiretos com tratamentos das doenças causadas pelo habito de fumar. O que se arrecada com impostos relativos à venda de cigarros não ultrapassa os R$ 13 bilhões ao ano, mostrando haver um grande desbalanço financeiro.

Por todos esses problemas Brasil vem implementando há muitos anos uma série de medidas para diminuir o número de dependentes ao cigarro no país.  O Brasil ganhou lugar de destaque no combate ao fumo ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS, chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir, de forma consistente, o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem gratuitamente pacientes tabagistas no SUS.

Outras medidas importantes foram: o aumento de  impostos sobre os cigarros que chegaram a 83% em 2018, a proibição de  propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% atualmente), e em todas as faixas etárias. Contudo, ainda temos mais de 20 milhões de tabagistas.

Ameaças aos progressos

Grande problema é que, no ano passado, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que 34% dos fumantes no Brasil declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia. Trata-se de um crescimento associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas em meio ao isolamento social. Além disso a forma de compra e obtenção de cigarro durante a pandemia de COVID-19, foi facilitada através de aplicativos de entrega que muitas vezes nem conferem a idade do comprador.

Narguilés e, mais recentemente os cigarros eletrônicos, também estão se tornando cada vez mais populares entre os jovens que defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais.  No entanto, isso não é verdade.

Alguns deles, como o narguilé, são ainda mais nocivos e o cigarro eletrônico, embora em geral não contenham nicotina, vem se mostrando um grande perigo. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo.  O cigarro eletrônico está associado a danos irreparáveis ao pulmão e a um pior prognóstico nos pacientes que contraem COVID-19.

Por isso, apesar de várias conquistas nos últimos anos – em especial no Brasil – na direção da diminuição no número de tabagistas, existem indícios e perigos recentes que estão ameaçando este progresso. Temos que nos atentar a estes sinais para interromper essa cadeia de prejuízos físicos, psicológicos, sociais e econômicos para nossa sociedade. Como tido na “boca popular”, onde há fumaça, há fogo, e esse fogo pode queimar e destruir uma vasta riqueza física, psicológica, social e econômica. Nós, do Grupo SOnHe, trabalhamos para trazer informações de qualidade e relevantes para nossos pacientes e população em geral, sempre com foco na melhora da qualidade de vida de todos.

 

O mundo asfixiado

Desde final de 2019, o mundo vive um dos momentos mais dramáticos da sua história com o surgimento e explosão do Sars CoV-2. Nada ocupou mais o noticiário e nossas vidas nos últimos meses do que essa crise sanitária que vem mudando nossa forma de se relacionar, interagir e viver. Já foram mais de 400 mil mortes no Brasil por COVID-19 desde o início da pandemia e mais de 3 milhões de mortes no mundo. Mas, ainda assim, temos que lembrar de outra pandemia, que atravessa séculos, e que mata sozinha mais de 7,5 milhões de pessoas ao ano. É mais do que o dobro de mortes causadas pela COVID-19, e isso vem acontecendo ano após ano, causando um impacto monstruoso na nossa sociedade. Estamos falando do tabagismo.

O tabaco já era usado pelas tribos indígenas na América do Sul, quando os colonizadores europeus aqui chegaram. Os indígenas acreditavam que a fumaça tinha poderes mágicos e terapêuticos. Depois com as colonizações portuguesas na África e Ásia, o tabaco chegou a todos os continentes. Durante os séculos XVI e XVII, o tabaco era usado basicamente para fins médicos. Achava-se que combatia a ansiedade e melhorava a atenção, mas com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, o habito de fumar tornou-se constante. A partir das duas grandes Guerras Mundiais, o uso de tabaco na forma de cigarro começou a se popularizar.

A partir do século XX, o uso do cigarro atingiu níveis epidêmicos. Mas foi apenas no final dos anos 80, que os efeitos negativos do cigarro se tornaram mais conhecidos e evidentes. E, então, pudemos entender os estragos e cicatrizes que esse problema trouxe à humanidade. O cigarro é a maior causa evitável de morte no mundo todo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera para 2021, algo próximo de 8 milhões de mortes em todo mundo por doenças causadas pelo hábito de fumar. Só no Brasil são cerca de 430 mortes ao dia relacionadas ao tabagismo, cerca de 160 mil mortes ao ano.

São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,6 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas, muitas vezes, ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. Em 29 de setembro (Dia Mundial do Coração) de 2020, a OMS divulgou que 2 milhões de pessoas morrem ao ano por doenças cardíacas provocas pelo cigarro. O cigarro aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, de arritmias cardíacas, miocardites e de mortes súbitas.

O cigarro é, ainda, o principal fator relacionado a doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema pulmonar. E nesse caso, não tem como não associar o cigarro com a COVID-19. É inegável que a “pandemia” do cigarro agrava a COVID-19. Logo no início da pandemia, em 2020, a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT/OMS) informou que pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, haviam constatado que as chances de progressão da doença e de óbitos entre fumantes eram 14 vezes maiores do que em não fumante.

O cigarro provoca uma inflamação crônica nos pulmões, causando distúrbios pulmonares graves, além de sabidamente reduzir a imunidade de quem fuma. Se o coronavírus provoca pneumonia e afeta os pulmões, é claro que o dano é maior naqueles pacientes que já tem comprometimento do tecido pulmonar causado pelo tabaco. Portanto, uma parcela das pessoas que morreram em decorrência da COVID-19, indiretamente são vítimas do cigarro.

De acordo com boletim informativo do Ministério da Saúde, desde a primeira contaminação notificada no Brasil até a 53ª semana epidemiológica, período que compreendeu de 27 de dezembro de 2020 a 02 de janeiro de 2021, 191.552 óbitos em decorrência da COVID-19 haviam sido registrados, sendo que 42% das vítimas eram cardiopatas (lembrando que o cigarro é a segunda maior causa de doenças cardiovasculares) e 6% tinham problemas crônicos pulmonares. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Stanfort, na primeira fase da pandemia mostrou que jovens que usam cigarros eletrônicos tinhas de 5 a 7 vezes mais risco de terem COVID-19, provavelmente em razão dos danos pregressos das vias aéreas.

Uma analogia feita por Jaqueline Scholz, cardiologista e diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor, do Hospital das Clínicas da USP exemplifica bem essa relação do cigarro com a COVID-10. “A COVID-19 é um cigarro mais apressado. Os mesmos malefícios que o cigarro causa no indivíduo, que demoram anos para aparecer, são uma avalanche com o vírus, que desencadeia essas mesmas alterações, mas em questão de dias. É uma doença inflamatória pulmonar grave com insuficiência respiratória, alterando todo o sistema de coagulação, fazendo com que os indivíduos tenham trombose, tendo complicações isquêmicas e hemorrágicas, assim como acontece com quem fuma ao longo de anos, com um fator de agressão extremamente elevado”.

O uso do tabaco esta associado, ainda, a impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades. Os pacientes que fumam têm, em média,14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, é muito claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são em fumantes passivos.

Tudo isso traz um grande impacto não apenas nas vidas daquelas pessoas que perderam entes queridos por conta do cigarro, mas também impacto na economia com perdas de mais de R$ 60 bi ao ano (considerando o que as pessoas doentes ou que morreram, deixaram de produzir e os custos diretos e indiretos com tratamentos das doenças causadas pelo habito de fumar. O que se arrecada com impostos com a venda de cigarros não ultrapassa os R$ 13 bi ao ano, mostrando haver um grande desbalanço nessa equação.

O cigarro é tão prejudicial e viciante, que a nicotina nele contida atinge rapidamente o cérebro e em menos de 10 segundos libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, é um hábito difícil de abandonar. Daquelas pessoas que desejam abandonar o vício menos de 10% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

Na tentativa de diminuir, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Neste contexto, o Brasil ao lado da Turquia, ganhou lugar de destaque ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratar pacientes tabagistas no SUS, de forma gratuita.

Outras medidas importantes foram o aumento de impostos sobre os cigarros que chegaram a 83%, em 2018, a proibição de propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população, em 1989, e 10%, atualmente) em todas as faixas etárias; mas ainda temos mais de 20 milhões de tabagistas.

O grande problema é que, em agosto de 2020, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que 34% dos fumantes no Brasil declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia, um crescimento associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas em meio ao isolamento social. Além disso, a forma de comprar e obter o cigarro foi ainda mais facilitada na pandemia de COVID-19. As pessoas podem comprar e solicitar o cigarro por meio de aplicativos como iFood, Rappi e James, ter o produto entregue em casa e, na maioria das vezes, sem a verificação da idade do comprador.

Estima-se que um terço da população adulta mundial seja tabagista, principalmente em países como China, Rússia e em países europeus. Destes, acredita-se que 60% desejam parar de fumar, mas não conseguem e não tem assistência para isso. Além disso, o hábito de fumar começa cedo, geralmente antes dos 20 anos, o que mostra a importância de orientar e alertar os jovens para os danos causados pelo tabaco

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e mais recentemente os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais. No entanto, isso não é verdade. Algumas delas, como o narguilé por exemplo, são ainda mais nocivos, e o cigarro eletrônico, embora em geral não contenham nicotina, vem se mostrando um grande perigo. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo. O cigarro eletrônico está associado a danos irreparáveis ao pulmão e a um pior prognóstico nos pacientes que contraem COVID-19.

Por isso, o dia 31 de maio foi escolhido, em 1987 pela OMS como Dia Mundial Sem Tabaco, para orientar e reforçar junto à população as consequências sociais, políticas e econômicas do hábito de fumar e chamar a atenção de todos para os malefícios e danos causados a saúde de quem fuma ou convive com quem fuma. O mundo esta asfixiado e sem oxigênio, mas isso não vem apenas da pandemia de COVID-19. A pandemia de tabaco é maior, mais duradoura e mata muito mais do que qualquer outra e está na hora de começarmos a respirar e viver melhor!

É Proibido Fumar! Respire essa ideia no Novembro Branco

Como dito na música eternizada, composta por Roberto e Erasmo Carlos, em 1964, mais do que nunca, no ano de 2020, “é proibido fumar” ou, pelo menos, deveria. O cigarro tem o título de maior causador de mortes evitáveis no mundo e são cerca de 7,5 milhões de mortes por ano. Além disso, o cigarro é o principal responsável pelo aparecimento do câncer de pulmão, neoplasia que, sozinha, mata mais que o câncer de próstata, mama e intestino juntos. São mais de 1,8 milhão de casos por ano ao redor do globo. E novembro é lembrado como o mês de conscientização do câncer de pulmão, o chamado Novembro Branco.

O câncer de pulmão é o segundo mais comum entre homens e o quarto entre as mulheres. No Brasil, mas é o câncer que mais mata. No mundo, desde 1985, é o câncer mais mortal. Ele é responsável por 13% de todos os casos novos de câncer no planeta. E seu aparecimento está diretamente relacionado ao hábito de fumar. Quem fuma tem 60 vezes mais risco de desenvolver câncer de pulmão em comparação com quem não fuma, além de maior risco de outros tumores como cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal.

Cerca de 90% dos diagnósticos de câncer de pulmão são em pessoas tabagistas ou ex-tabagistas, além de um número considerável em pessoas que nunca fumaram mas convivem de perto com quem fuma, os chamados tabagistas passivos.  São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos.

Ainda com relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida.  Ainda hoje, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa, com mais 1,6 milhão de mortes ao ano.

Por isso, tornou-se essencial discutirmos cada vez mais e alertar a população para os riscos desse tipo de câncer. O Novembro Branco marca o mês de conscientização sobre o câncer de pulmão. Esse mês, já amplamente conhecido pela cor azul, relacionado ao câncer de próstata, também traz o laço branco como símbolo para lembrar a neoplasia mais mortal de todas.

O câncer de pulmão, geralmente nas fases iniciais, é silencioso e pode não causar sintoma algum. À medida que cresce, pode provocar tosse, expectoração com sangue, falta de ar e cansaço, dores nas costas, perda de apetite e peso e inchaço no pescoço. O maior problema é que a maioria dos diagnósticos são feitos quando a doença já se espalhou pelo corpo e as chances de cura são baixas. Mas, diferente do câncer de próstata, cujo maior fator de risco é a idade e muitas vezes não pode ser evitado e, portanto, o foco está no diagnóstico precoce, o câncer de pulmão é, na quase totalidade, evitável uma vez que é associado ao tabagismo. Dessa forma é importante alertar para a necessidade de interromper o hábito de fumar, o grande responsável por esse mal.

Embora o Brasil, ao lado da Turquia, tenha alcançado excelentes resultados nos últimos anos no combate ao tabagismo, com uma redução expressiva no número de tabagistas – graças a medidas como o aumento de impostos sobre os cigarros, que chegaram a 83% em 2018, a proibição de  propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo – ainda temos cerca de 10% da população fumante ativa, o que representa mais de 20 milhões de tabagistas .

Ocupamos a oitava posição no ranking da OMS dos países com maior número absoluto de tabagistas. Além disso, dados mais recentes e extremamente preocupantes, mostraram que durante a pandemia de COVID-19, as pessoas passaram a fumar e beber mais, reflexo do maior tempo de confinamento em casa sob altos níveis de estresse e ansiedade, o que certamente trará impactos importantes na saúde, em um futuro breve. Também foi publicada recentemente uma pesquisa que mostra que pacientes com câncer de pulmão que se infectam com vírus da COVID-19 tem altas chances de morrer: cerca de 30%.

A nicotina contida no cigarro atinge rapidamente o cérebro e em menos de 10 segundos libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, o cigarro é tão viciante e um hábito difícil de abandonar.  Daquelas pessoas que querem deixar o vício, menos de 5% tem sucesso sem ajuda de um profissional. Então, geralmente não basta querer parar o vício, é preciso ajuda de psicólogos, psiquiatras e uma rede de apoio

Estima-se que um terço da população adulta mundial seja tabagista, principalmente em países como China, Rússia e em países europeus. Destes, acredita-se que 60% desejem parar de fumar, mas não conseguem e não têm assistência para isso. Além disso, o hábito começa cedo, geralmente antes dos 20 anos, o que mostra a importância de orientar e alertar os jovens para os danos causados pelo tabaco.

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e mais recentemente os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses últimos, alegando ser menos prejudicial. No entanto, isso não é verdade. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo.  Em 2018, mais de 3,5 milhões de estudantes do ensino médio, nos EUA, disseram já ter experimentado o cigarro eletrônico. Seus efeitos deletérios ainda não são completamente conhecidos, mas o Centro de Controle de Doenças dos EUA divulgou, em 2019, várias mortes associadas diretamente ao uso do cigarro eletrônico. Sua relação com o câncer de pulmão ainda não está totalmente comprovada, uma vez que os cigarros eletrônicos são de uso recente, porém é altamente provável que possa existir uma conexão

É importante dizer que para os casos avançados de câncer de pulmão, quando já existem metástases, os tratamentos mais novos com as chamadas terapias-alvo (que funcionam inibindo alguns genes que podem estar alterados no DNA das células) e a imunoterapia (que ativa o sistema imunológico contra o tumor) têm alcançado resultados extraordinários, tanto no aumento expressivo no tempo de vida quanto na qualidade de vida desses pacientes. Esses medicamentos estão revolucionando a Oncologia e trazendo novas perspectivas. De toda forma, infelizmente, são remédios caros e na maioria das vezes não disponíveis no SUS, o que limita o seu uso em uma grande parcela da população.

Que no Novembro Branco a sociedade tente “apagar” o cigarro da vida das pessoas e possa respirar ares mais saudáveis.

Respire essa ideia: pare de fumar!

O cigarro é a maior causa evitável de morte no mundo todo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera para 2020 mais de 7,5 milhões de mortes em todo mundo por doenças causadas pelo hábito de fumar. Só no Brasil são cerca de 428 mortes ao dia relacionadas ao tabagismo, cerca de 157 mil mortes ao ano.

São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente, em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo com 1,6 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas muitas vezes ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. É ainda o principal fator relacionado às doenças respiratórias como asma, bronquite, enfisema pulmonar. Está associado a impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades,

Os pacientes que fumam têm, em média, 14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, está cada vez mais claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são em fumantes passivos. O impacto na economia é de mais de 56 bilhões ao ano, com tratamentos de doenças tabaco correlacionadas e com a perda precoce de vidas.

A nicotina contida no cigarro atinge rapidamente o cérebro e em menos de 10 segundos libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, o cigarro é tão viciante e um hábito difícil de abandonar.  Daquelas pessoas que desejam abandonar o vício, menos de 5% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

Na tentativa de diminuir o tabagismo e com isso as doenças a ele relacionadas, vários países passaram a adotar medidas que estimulam o abandono do cigarro e outras que evitam o início do tabagismo. Nesse contexto, o Brasil – ao lado da Turquia – ganhou lugar de destaque ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratar pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita.

Outras medidas importantes foram o aumento de impostos sobre os cigarros (que chegaram a 83% em 2018), a proibição de propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostram os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% atualmente), o que ainda corresponde a mais de 20 milhões de tabagistas.

Estima-se que um terço da população adulta mundial seja tabagista, principalmente em países como China, Rússia e em países europeus. Destes acredita-se que 60% desejem parar de fumar, mas não conseguem e não têm assistência para isso. Além disso, o habito de fumar começa cedo, geralmente antes dos 20 anos, o que mostra a importância de orientar e alertar os jovens para os danos causados pelo tabaco.

Em 2020, o mundo foi invadido por uma nova pandemia causada pelo vírus Sars Covid 19, doença que já causou mais de 110 mil mortes no Brasil e mais de 800 mil mortes no mundo. Essa doença é capaz de inflamar e comprometer a função adequada dos pulmões levando milhares de pessoas à morte por insuficiência respiratória. Sabe-se que pessoas que fumam e já possuem algum grau de comprometimento pulmonar prévio têm maiores riscos de desenvolver quadros graves da doença.

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e mais recentemente os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais; no entanto, isso não é verdade. Algumas delas, como o narguilé, são ainda mais nocivos. E o cigarro eletrônico, embora em geral não contenha nicotina, vem se mostrando um grande perigo. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo.  Em 2018, mais de 3,5 milhões de estudantes do ensino médio, nos EUA, disseram já ter experimentado o cigarro eletrônico. Seus efeitos deletérios ainda não são completamente conhecidos, mas o Centro de Controle de Doenças dos EUA divulgou recentemente várias mortes associadas diretamente ao uso do cigarro eletrônico.

Por isso, o dia 29 de agosto foi escolhido como Dia Nacional de Combate ao Fumo.  O objetivo é orientar e reforçar junto à população as consequências sociais, políticas e econômicas do hábito de fumar e chamar a atenção de todos para os malefícios e danos causados à saúde de quem fuma ou convive com quem fuma. Vamos alertar a todos sobre a importância de abandonar o cigarro! E para àqueles que realmente desejam parar, fica a orientação de procurar um profissional da área da saúde, seja no SUS, ou no ambiente privado, para obter auxílio contra esse que é, sem dúvida, o maior vilão da humanidade.

Respire essa ideia!

Cada vez mais pessoas são acometidas pelo câncer de bexiga

O que é e por que aparece?

Embora seja um tumor mais raro se comparado ao câncer de mama nas mulheres ou ao câncer de próstata nos homens, cada vez mais pessoas estão sendo acometidas por essa doença, que já é o nono câncer mais comum no mundo e, no Brasil, é o sétimo câncer que mais acomete os homens. São esperados mais de 7.500 casos em homens e mais de 3.000 casos em mulheres para o ano de 2020 no país.

Estes números estão relacionados, principalmente, a dois importantes fatores: o envelhecimento da população. O câncer de bexiga é muito mais comum após os 60 anos, sendo a média de idade dos indivíduos acometidos de 73 anos. E, como a população esta vivendo por mais tempo, é natural que esse tipo doença apareça com maior frequência. Segundo, o tabagismo: sabemos que mais de 70% dos casos de tumores na bexiga estão diretamente relacionados ao uso de cigarro. Embora o número de fumantes venha caindo no país nos últimos 20 anos, ainda temos cerca de 10% da população tabagista, o que representa mais de 20 milhões de fumantes. Os homens são mais acometidos do que as mulheres na proporção de 3:1 e os negros tem um menor risco se comparado aos caucasianos.

A bexiga é o órgão das vias urinárias responsável por armazenar a urina até o momento de eliminá-la. Muitas substâncias tóxicas que podem estar presentes na urina ficam em contato com a parede de revestimento interno da bexiga e essas substâncias podem causar danos e alterações no DNA dessas células, possibilitando o aparecimento dos tumores. Algumas dessas substâncias estão presentes no cigarro, como já comentado, mas existem outras tais como os componentes químicos da indústria têxtil, tintas e outras fábricas que lidam com metal, couro, borracha, corantes e plásticos, além de adoçantes artificiais usados na dieta.

Sintomas e como fazer o diagnóstico?

Descobrir a doença nas fases iniciais não é tarefa fácil, porque nessa fase o tumor pode não causar qualquer sintoma ou os sintomas são confundidos com outras doenças menos graves, como infecção urinária ou cálculos renais ou de vias urinárias, já que as queixas de dor ao urinar, dor abdominal, vontade de urinar com muita frequência ou urina com mudança de coloração podem acontecer em todas essas enfermidades. Um sintoma que às vezes chama muita atenção é a presença de sangue na urina, mas nem sempre isso acontece. Todas as pessoas com mais de 55 anos que apresentem sangue na urina devem procurar um médico com urgência. A partir dessas alterações é importante a realização de exames de urina e de imagem, como ultrassom de abdome e pelve ou tomografias e, quando a suspeita for grande, a realização de uma cistoscopia (exame endoscópico das vias urinárias que permite ao médico olhar dentro da bexiga através de um conjunto óptico). Através da cistoscopia é possível fazer biópsias das áreas suspeitas.

Tratamento das fases iniciais

Cerca de 50% de todos os tumores de bexiga são diagnosticados em uma fase quando ainda não invadiu a musculatura da bexiga. Esse é o momento quando a chance de cura é maior com intervenções relativamente simples. É necessário fazer uma RTU (raspagem da área da bexiga acometida pelo tumor), podendo ou não ser necessário fazer algum tratamento local depois. Esses tratamentos locais podem ser com ONCO BCG (uma espécie de vacina, parecida com a BCG que é aplicada nos bebês para proteger contra a tuberculose). Especificamente sobre a ONCO BCG, o Brasil e o mundo vivem um problema de desabastecimento desse medicamento. No Brasil, o único laboratório que produz essa substância encontra-se fechado pela vigilância por não atender as normas adequadas de produção). Outra opção seria a realização de quimioterapia por infusão dentro da bexiga.

Medicamento desenvolvido na Unicamp traz esperança

Um medicamento desenvolvido na Unicamp e ainda em fase de testes, mostrou resultados animadores no tratamento de pacientes com doença inicial, sem invasão da musculatura da bexiga com mais de 80% dos pacientes tratados sem recidiva do tumor e, naqueles em que o tumor voltou, sua apresentação foi menos agressiva. O nome da medicação é Onco Therad e o seu desenvolvimento e estudo são conduzidos pelos professores Wagner Fávaro e Nelson Dúran. Embora os resultados iniciais sejam promissores, o medicamento ainda esta em fase de testes e não tem autorização da Anvisa ou FDA (órgão regulatório dos EUA) para ser comercializado.

Tratamento da doença localizada, mas que invade musculatura da bexiga

Nos casos em que o tumor já compromete a musculatura da bexiga, o tratamento padrão é a retirada cirúrgica da bexiga, podendo ser precedida de alguns ciclos de quimioterapia. Quando o paciente não pode ser submetido à cirurgia, uma outra opção é o tratamento combinado de quimioterapia com radioterapia.

Tratamento da doença metastática

Quando o tumor já provocou metástase, ou seja, já se espalhou para outros órgãos, o tratamento até há pouco tempo era a quimioterapia exclusiva, com resultados considerados ruins e com muita toxicidade. Novos tratamentos vinham ganhando espaço nesse cenário, principalmente a imunoterapia (medicamentos que ativam o sistema imunológico e o ajudam a combater melhor o câncer). Mas a imunoterapia sozinha também não tinha mostrado resultados tão expressivos como primeira opção de tratamento. Recentemente, em maio de 2020, no Congresso Americano de Oncologia (ASCO), o maior congresso do mundo neste assunto, realizado especialmente esse ano de forma virtual, mostrou os resultados de um estudo que combinou uma droga imunoterápica chamada Avelumabe com quimioterapia no começo do tratamento e, depois de alguns ciclos, mantém apenas a imunoterapia. Essa combinação alcançou resultados nunca vistos quando usado apenas quimio ou apenas imuno e, provavelmente, se tornará o padrão de tratamento quando este esquema estiver aprovado pela Anvisa para ser usado no Brasil.

Outro caminho que vem se mostrando promissor é a detecção de alterações moleculares no tumor e o desenvolvimento de medicamentos que agem diretamente nessas alterações, a chamada terapia-alvo. Já existe no Brasil um medicamento oral chamado Erdafetinib, que pode ser usado nos tumores avançados de bexiga que tenham alteração em um gene chamado FGFR.

Julho: mês de conscientização

O mês de julho é o mês de conscientização e combate ao câncer de bexiga. É importante alertar a população para a importância de se atentar para sinais de alerta e sintomas que muitas vezes são negligenciados, mas podem indicar algo mais grave como um câncer, especialmente em pessoas com mais de 60 anos e que são ou já foram fumantes. Esse é o compromisso do Grupo SOnHe, alertar e informar a população, para prevenção, que certamente é a melhor maneira de reduzir os números mostrados no início deste texto.