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Linfoma: O que há de novo e viável na prática clínica?

O linfoma, um tipo de câncer que se origina nos linfócitos, células do sistema imunológico, tem visto avanços significativos no diagnóstico e tratamento nos últimos anos. Essas inovações estão transformando a prática clínica, oferecendo aos pacientes opções mais eficazes e personalizadas.

Uma das áreas de maior progresso é o diagnóstico. A combinação de biópsia de medula óssea, tomografia por emissão de pósitrons (PET-CT), testes genéticos e moleculares; permite uma classificação mais precisa dos subtipos de linfoma. Essa acurácia é fundamental, pois diferentes subtipos de linfoma têm diferentes evoluções, respondendo de maneiras distintas aos tratamentos.

O campo do tratamento foi revolucionado pela chegada das terapias-alvo, da imunoterapia, dos agentes imunomoduladores e dos anticorpos bi-específicos.

As terapias-alvo atuam em vias moleculares específicas, bloqueando o crescimento e a proliferação das células cancerosas com menos toxicidade às células saudáveis. Exemplos incluem os inibidores de BTK, inibidores de BCL-2 e inibidores de vias de sinalização específicas. Esses medicamentos, muitas vezes orais, oferecem uma alternativa com menos efeitos colaterais em comparação à quimioterapia tradicional.

Os agentes imunomoduladores apresentam boa eficácia ao modular o sistema imunológico e inibir o crescimento das células cancerosas. São utilizados em combinação com outros medicamentos e apresentam um bom perfil de tolerância, com baixos efeitos colaterais.

A imunoterapia, por sua vez, age estimulando o próprio sistema imunológico do paciente a reconhecer e combater o câncer. Os inibidores de checkpoint imunológico (Anti-PD1) têm demonstrado eficácia notável em linfomas refratários ou recidivados.

Outra inovação revolucionária é a terapia com células CAR-T (Chimeric Antigen Receptor T-cell). Nesse tratamento, as células T do próprio paciente são coletadas, geneticamente modificadas em laboratório para expressar um receptor que as direciona especificamente para as células cancerígenas e, então, infundidas de volta no paciente. Embora ainda com acesso mais restrito devido à sua complexidade e custo, está disponível em centros especializados e representa uma esperança significativa para pacientes com poucas opções terapêuticas restantes.

Outra recente adição ao arsenal terapêutico são os anticorpos bi-específicos. Diferente dos anticorpos monoclonais tradicionais que se ligam a apenas um alvo, os anticorpos bi-específicos possuem “dois braços”: um se conecta a uma proteína presente na célula do linfoma (como o CD20 nas células B malignas) e o outro se liga a uma proteína nas células T do paciente (como o CD3). Ao fazer essa “ponte”, os anticorpos bi-específicos aproximam as células T do tumor, ativando o sistema imunológico para destruir as células malignas de forma mais direcionada. Esses medicamentos vêm mostrando resultados promissores em linfomas recidivados ou refratários representando uma alternativa a terapia CAR-T.

A participação em estudos clínicos é uma via importante para pacientes que podem se beneficiar de terapias experimentais promissoras ou que esgotaram as opções de tratamento padrão. A pesquisa clínica é um pilar fundamental para trazer as inovações para a prática clínica. A pesquisa tem se concentrado na combinação de diferentes classes de medicamentos, como quimioterapia com imunoterapia ou terapias-alvo. Essas combinações buscam sinergias que aumentam a eficácia do tratamento e superam mecanismos de resistência.

O futuro do tratamento do linfoma é promissor, com pesquisas contínuas explorando novas combinações de terapias, biomarcadores para prever a resposta ao tratamento e abordagens menos invasivas. A medicina personalizada é a chave, adaptando o tratamento às características genéticas e moleculares de cada tumor e ao perfil do paciente.

 

Você conhece os componentes presentes no nosso sangue?

Produzido pela medula óssea, nosso sangue é formado por plasma e células. O plasma é constituído por água, proteínas, sais, lipídios, hormônios e vitaminas. As células são os glóbulos vermelhos (eritrócitos ou hemácias), os glóbulos brancos (leucócitos) e as plaquetas.

As plaquetas são fragmentos de grandes células (megacariócitos) que atuam na coagulação do sangue, defesa do organismo, reparo de lesões e resolução do processo inflamatório.

As hemácias são células sanguíneas que carregam hemoglobina sendo responsáveis pelo transporte do oxigênio dos pulmões para os tecidos do corpo e pela retirada do gás carbônico desses tecidos para ser eliminado pelos pulmões. São também responsáveis por modular a imunidade inata.

Os leucócitos são responsáveis pela defesa do nosso organismo contra substâncias estranhas e contra agentes infecciosos como vírus ou bactérias. Originam-se de células células-tronco na medula óssea se diferenciando em neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e linfócitos.

Neutrófilos, em torno de 60 a 70% dos leucócitos, tem a função fagocitar (englobar e destruir) bactérias, outros microrganismos e partículas estranhas que invadem o corpo.

Linfócitos, cerca de 20 a 30% dos leucócitos, se subdividem em três tipos principais (que terão outras subdivisões). Linfócitos B se diferenciam em plasmócitos, que são responsáveis pela produção de anticorpos (imunidade humoral) e neutralizam e destroem antígenos e invasores do organismo. Atuam também como uma espécie de memória, sendo ativados e produzindo anticorpos mais rapidamente quando somos expostos novamente a um micro-organismo que já encontramos anteriormente. Linfócitos T são responsáveis por ativar e regular Linfócitos T e B (subtipo T auxiliar), matar células estranhas (T citotóxicos) e autorregular a resposta inflamatória (T regulador). Linfócitos NK, ou Natural Killer, são células matadoras naturais, que mesmo sem estímulo, atacam micro-organismos e células tumorais.

Eosinófilos, em torno de 2 a 4% dos leucócitos, atuam na fagocitose dos complexos antígeno-anticorpo e modulam a resposta alérgica e inflamatória. Basófilos, cerca de 0,5 a 1% dos leucócitos, liberam histamina, que atua na resposta inflamatória e alérgica.

Monócitos, em torno de 3 a 8% dos leucócitos, se transformam em macrófagos, que são células que fagocitam microrganismos (bactérias, fungos e vírus) e células mortas.

O hemograma é um exame de sangue simples que analisa os componentes sanguíneos (leucócitos, hemácias e plaquetas), seus formatos e quantidades sendo parte vital da avaliação inicial feita pelo hematologista.

 

 

Por que o fevereiro é laranja?

A campanha Fevereiro Laranja visa conscientizar e apoiar a comunidade no entendimento da leucemia, uma doença que, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), ocupa a décima posição entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil, sem considerar os tumores de pele não melanoma.

As leucemias são cânceres hematológicos decorrentes de alterações genéticas nas células-tronco da medula óssea e fatores ambientais, ainda não totalmente esclarecidos. Podem ser classificadas em crônicas ou agudas conforme a velocidade de crescimento das células leucêmicas. Quando crônica há produção de células maduras, capazes de realizar algumas funções normais, progredindo lentamente, com pacientes pouco sintomáticos ou assintomáticos.  Quando aguda, produz células imaturas, incapazes de realizar suas funções normais, progredindo rapidamente. Sua classificação também depende do tipo de glóbulo branco acometido, podendo ser mieloides ou linfoides.

Podem apresentar como sintomas fraqueza, cansaço, tontura, palidez, inapetência, perda de peso, falta de ar, febre, suor a noite, dor óssea, hematomas e sangramentos, infecções, aumento do baço, do fígado e dos linfonodos (ínguas).

Para diagnóstico, são realizados exames com coleta de sangue e/ou punção da medula óssea.

O tipo de tratamento e a duração vão depender do tipo de leucemia. As leucemias agudas são mais graves e precisam de tratamento imediato pois a ausência de tratamento é fatal para o paciente. Já as leucemias crônicas devem ser avaliadas pelo médico hematologista para a indicação da necessidade ou não de tratamento medicamentoso, pois um grande número de pacientes com Leucemia Linfocitica Crônica, por exemplo, fica em seguimento clínico sem necessitar de tratamento inicialmente.

O tratamento por ser feito com quimioterapia (injetável ou oral), terapias-alvo (substâncias que bloqueiam proteínas ou moléculas envolvidas no crescimento das células cancerígenas), radioterapia, transplante de medula óssea e imunoterapia (anticorpos monoclonais ou CAR-T Cell).

Pacientes com boa performance clínica, conforme o risco da leucemia aguda, podem ter indicação de transplante de medula óssea alogênico como consolidação do tratamento inicial, para uma maior chance de cura. Para ser realizado o transplante alogênico, o paciente precisa de um doador compatível. Alguns casos de Leucemia Mieloide Crônica refratários ao tratamento inicial também podem ter a indicação de transplante de medula alogênico.

Pacientes com indicação de transplante alogênico iniciam a busca do doador entre os membros da família. Irmãos germanos têm a maior chance de serem 100% compatíveis. Caso não apresente doador aparentado compatível pode-se encontrar um doador não aparentado no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). Pessoas saudáveis, com 18-35 anos, podem se cadastrar nos bancos de sangue/ Hemocentros para serem doadores e, assim, ajudar esses pacientes a aumentarem suas chances de cura.

 

 

22 de setembro – Dia Mundial de Conscientização da Leucemia Mieloide Crônica – LMC: doença não tem cura, mas é possível atingir a cura funcional

A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é um tipo de câncer relativamente raro que afeta a medula óssea e a produção do sangue. Apesar de possuir um componente genético associado ao seu aparecimento no indivíduo, não é uma doença hereditária, com seus fatores de riscos ambientais não sendo totalmente conhecidos A doença acomete principalmente adultos e raramente é diagnosticada em crianças. Sua incidência é um pouco mais comum em homens.

A LMC possui uma característica singular, a presença da anormalidade genética no cromossomo Philadelphia. Este cromossomo é resultado da troca de material genético entre os genes ABL no cromossomo 9 e o gene BCR no cromossomo 22, formando o BCR/ABL. Por esse motivo o dia 22 de setembro (22/9) foi escolhido para simbolizar o Dia Mundial de Conscientização da Leucemia Mieloide Crônica. O cromossomo recebeu este nome porque foi descoberto nos anos de 1960 por pesquisadores da cidade de Philadelphia nos Estados Unidos.

A mutação leva a uma produção anormal e desenfreada de glóbulos brancos (leucócitos) maduros, que perdem a sua função e se acumulam no organismo impedindo a produção de células saudáveis do sangue. A doença é lenta e progressiva e pode causar palidez, cansaço, aumento do volume abdominal e dor no lado esquerdo do abdômen devido ao aumento do baço, suor noturno, perda de peso, dor óssea, infecções, hematomas e sangramentos.

Os primeiros indícios da doença são identificados por meio do exame clínico e do hemograma que evidencia o aumento no número de glóbulos brancos. A confirmação se faz por testes citogenéticos e de biologia molecular que identificam a alteração genética do gene BCR/ABL, o cromossomo Philadelphia.

O tratamento para cada paciente é baseado na fase da doença no momento do diagnóstico e na condição clínica do paciente. A maioria dos pacientes inicia o tratamento com medicamentos orais, os inibidores de tirosina quinase (ITKs), que atacam exatamente o alvo (o cromossomo Philadelphia), combatendo as células doentes. Os ITKs revolucionaram o prognóstico da doença, pois hoje em dia, os pacientes em tratamento apresentam uma doença crônica controlável com expectativa de vida igual à das pessoas livres desse diagnóstico. No entanto, o sucesso do tratamento depende da adesão do paciente ao uso dos medicamentos, afinal, quando tomados incorretamente podem gerar uma evolução da doença. Existem casos de evolução mais grave, cada vez mais raros, em que ainda é necessária a realização de quimioterapia endovenosa e do transplante de medula óssea.

Após o início do tratamento é muito importante realizar o acompanhamento do paciente para o monitoramento da doença residual mínima, que define a quantidade de células “doentes” ainda presentes no organismo durante as diferentes fases do tratamento. Esse monitoramento também é realizado por biologia molecular feito com uma simples coleta de sangue.

Em alguns casos, a interrupção do uso das medicações é possível para pacientes que atingiram níveis excelentes de controle da doença por tempo prolongado. Contudo, essa alternativa só é viável mediante supervisão médica pois caso seja detectado o reaparecimento das células leucêmicas, será necessário retomar o tratamento medicamentoso, o que ocorre em 50% dos casos. A LMC não é curável com as terapias atualmente disponíveis, mas atualmente, cada vez mais pacientes alcançam remissões extremamente profundas sendo usado o termo cura funcional.

 

 

Agosto Verde Claro – Conscientização sobre os linfomas e a importância do diagnóstico precoce

Agosto foi o mês escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para conscientização sobre o linfoma. Trata-se de uma iniciativa que tem como objetivo atrair a atenção de pessoas em todo o mundo para promover o diagnóstico precoce, visando uma melhor resposta ao tratamento.

Apesar de poucos conhecidos pela população, os linfomas não são infrequentes. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) deste ano, os linfomas não-Hodgkin (LNH) são o nono câncer mais comum com número estimado de casos novos, para cada ano do triênio de 2023 a 2025, sendo de 12.040 casos. Já o linfoma de Hodgkin (LH) ocupa a 20ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes, com número estimado de casos novos de 3.080 casos por ano. Podem afetar pessoas de qualquer idade, com o LNH tornando-se mais comum com o envelhecimento e o LH sendo mais comum entre adolescentes, adultos jovens e idosos.

Entre os principais fatores de risco, para alguns tipos de linfoma, estão sistema imune comprometido por doenças hereditárias, doenças autoimunes, uso de drogas imunossupressoras ou infecção pelo HIV; e a presença de infecções virais pelo vírus Epstein-Barr (EBV), o vírus linfotrópico de células-T humanas do tipo 1 (HTLV-1) e a bactéria Helicobacter pylori.

Mas o que são os linfomas? Os linfomas são um tipo de câncer que se originam no sistema linfático, composto por linfonodos e tecidos que produzem as células (linfócitos) responsáveis pela defesa do nosso organismo por meio da produção de anticorpos e vasos linfáticos que conduzem essas células pelo corpo. O tecido linfoide está presente em todos os órgãos do nosso organismo. Conforme o subtipo celular, são divididos em linfomas Hodgkin (LH) e linfomas não Hodgkin (LNH). O LH apresenta dois subgrupos de acordo com a OMS: linfoma de Hodgkin clássico, que se subdivide em quatro subtipos; e linfoma de Hodgkin predomínio linfocitário nodular. Os LNH não têm um tipo celular característico, podendo representar mais de 50 tipos diferentes de linfoma.

Manifestam-se com ínguas (linfonodomegalias) endurecidas e indolores, podendo apresentar febre, suores noturnos, emagrecimento, cansaço e coceira no corpo. Conforme os locais acometidos, podem ainda apresentar tosse, falta de ar, dor no peito, aumento do volume abdominal e lesões cutâneas.

Os sintomas variam entre os subtipos de linfoma e órgãos acometidos: alguns são extremamente agressivos, causando sintomas logo no início e progressão rápida; já outros subtipos apresentam progressão mais lenta, indolentes, podendo ficar assintomáticos por anos.

O diagnóstico requer a realização de biópsia, com a retirada do tecido para análise microscópica das características. O estadiamento da doença pode ser feito através de tomografia por Emissão de Pósitrons (PET-CT), tomografia computadorizada, ressonância magnética, biópsia de medula óssea e punção de liquor (realizados conforme quadro clínico).

Com relação ao tratamento, o LH na maioria dos casos, é uma doença curável apresentando uma taxa de cura de mais de 85%. O tratamento clássico é a poliquimioterapia (múltiplas drogas) com ou sem radioterapia associada. Em alguns casos, pode também ser realizada a imunoterapia: medicamentos (anticorpos monoclonais produzidos em laboratório) que têm um alvo específico para um componente que há nas células do linfoma, induzindo o sistema imune a reagir contra ele; ou com medicamentos inibidores do ponto de controle imunológico que aumentam a resposta imunológica do corpo contra as células. Para pacientes que sofrem recaídas ou que não respondem ao tratamento inicial pode ainda ser indicado o transplante de células hematopoiéticas.

O tratamento dos LNH é pode ser feito com quimioterapia, imunoterapia, radioterapia, terapias-alvo (substâncias que bloqueiam proteínas ou moléculas envolvidas no crescimento das células cancerígenas) e o transplante de células hematopoiéticas. No caso dos LNH indolentes pode ser indicada apenas observação clínica até quando houver progressão clínica com necessidade de tratamento. Para os pacientes que sofrem recaídas ou que não respondem ao tratamento inicial, existe ainda a opção do tratamento pioneiro com as células CAR-T (linfócitos T com receptores antigênicos quiméricos), que são linfócitos retirados do paciente que são processados em laboratório, adquirindo a capacidade de perseguir e eliminar as células do linfoma ao serem reintroduzidos no paciente.

Apesar do diagnóstico de um câncer ser um momento difícil, sabe-se que, atualmente, os pacientes portadores de linfoma contam com a evolução da ciência e das terapias modernas, que promovem melhores respostas, com menor quantidade de efeitos colaterais, aumentando as chances de cura e a qualidade de vida dos pacientes.

 

 

Dia Mundial do Doador de Sangue. No Brasil, desde 2021, não há impedimento para doadores com qualquer orientação sexual. Nos EUA, a liberação ocorreu este ano

Dia 14 de junho é comemorado o Dia Mundial do Doador de Sangue. Por isso, neste mês acontece a campanha “Junho Vermelho”, que visa conscientizar, sensibilizar e estimular a população sobre a importância de ser um doador. 

Ressalta-se que não há um substituto para o sangue e sua disponibilidade é essencial em diversas situações. Uma única doação pode ajudar a salvar até quatro vidas.

A doação de sangue é um gesto voluntário, altruísta e não remunerado por meio de um processo realizado em etapas. Os voluntários realizam um cadastro, passando por avaliação de pré-triagem (sendo verificado sinais vitais, peso e dosagem de hemoglobina) e triagem clínica, momento em que o candidato passa por uma entrevista individual e sigilosa para verificar se a doação é segura ao doador e ao paciente. Nesse processo é fundamental a sinceridade do voluntário para garantir que o processo ocorra com segurança para o doador, pois determinados problemas de saúde podem gerar complicações no ato da doação e com o paciente que está suscetível a doenças infecciosas que podem ser transmitidas pela doação. 

A doação de sangue é um procedimento extremamente seguro, que acarreta pouco risco para a população em geral, com a coleta sendo feita por profissionais especializados com material estéril, descartável e de uso individual.

No Brasil, a lei permite doação a partir dos 16 anos de idade – sendo que para aqueles que ainda não completaram 18 é necessária aprovação por escrito de um responsável legal – até os 69 anos de idade, desde que a primeira doação tenha ocorrido antes dos 60 anos. É necessário também ter peso mínimo de 50kg. Gestantes não podem doar e mulheres que estão amamentando só podem doar se o parto tiver ocorrido há mais de 12 meses. Em mulheres que não estão amamentando, a doação pode ser feita três meses após o parto (ou aborto). 

O intervalo entre as doações de sangue atualmente recomendado é de 90 dias para mulheres e 60 dias para homens.

O doador deve ter boas condições de saúde sendo permitida a doação de portadores de algumas doenças como hipertensão, dislipidemia, hipotiroidismo, entre outras, desde que controladas. Já antecedente de neoplasia maligna, mesmo que curada, diabetes insulino-dependente, infecção prévia por HIV, hepatite C ou B e doença de chagas, doença cardíaca importante e outras doenças graves excluem definitivamente o candidato à doação. Etilistas crônicos e usuários de drogas injetáveis também são inaptos a doação. Tatuagem, piercing, vacinas e procedimentos cirúrgicos podem gerar inaptidão à doação por um período.

Este ano, nos Estados Unidos, o Food and Drug Administration (FDA) emitiu novas recomendações na avaliação de elegibilidade do doador de sangue independentemente da orientação sexual, sexo ou gênero do doador. No Brasil, desde 2021, após aprovação de um projeto no Senado, a doação é permitida independente da orientação sexual, de candidatos com parceiro(a) sexual fixo, sem relações ocasionais com terceiros, há pelo menos doze meses.

No dia da doação recomenda-se no mínimo 6 horas de sono, ter realizado uma alimentação leve, apenas evitando refeições gordurosas 3 horas antes da doação e deve-se também evitar bebida alcoólica por pelo menos 12 horas antes da doação. Levar documento de identificação com foto emitido por órgão oficial.

Doe! E se você não pode doar, você pode ajudar ao divulgar e apoiar campanhas de doação. Todo auxílio é válido para continuar a permitir que este ato de solidariedade continue a salvar vidas por todo o mundo.

 

Mas, afinal, o que é transplante de medula óssea e para quem é indicado?

Lorena Bedotti Ribeiro

CRM: 158055

Hematologista

 

O transplante de células tronco hematopoéticas (TCTH) é um tratamento potencialmente curativo para uma variedade de neoplasias hematológicas (leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, etc), distúrbios benignos da medula óssea (anemia falciforme, anemia aplásica, talassemia, etc), neoplasias oncológicas (tumor de células germinativas, neuroblastoma), doenças autoimunes e de erros inatos do metabolismo. É um procedimento no qual o paciente é condicionado com quimioterapia e/ou radioterapia e/ou agentes imunoterápicos, seguido pela infusão de células progenitoras hematopoiéticas de qualquer fonte ou doador para reconstituir a medula óssea.

O TCTH pode ser dividido em subtipos baseados no doador de células hematopoiéticas, na fonte de células progenitoras hematopoiéticas e no regime preparativo. Cada um desses fatores influencia a eficácia e as toxicidades de curto e longo prazo associadas ao procedimento.

Fontes das células progenitoras hematopoiéticas:

  • Sangue periférico – coletadas por aférese após aplicação de fatores de crescimento hematopoiético.
  • Sangue do cordão umbilical.
  • Medula óssea – colhidas diretamente após punção dos ossos da bacia.

Tipos de TCTH relacionado aos doadores:

  • Autólogo – células progenitoras hematopoiéticas são coletadas do paciente antes da administração de quimioterapia em altas doses projetadas para atingir uma neoplasia subjacente.
  • Alogênico – células progenitoras hematopoiéticas coletadas de um parente ou de um doador não relacionado que apresente compatibilidade com o paciente. A análise é realizada a partir de amostras de sangue do doador e do paciente, chamado de exame de histocompatibilidade (HLA). Os irmãos do paciente, de mesmo pai e mesma mãe, são os familiares que têm a maior chance de serem 100% compatíveis (HLA-idêntico). Caso não apresente doador aparentado HLA-idêntico pode-se encontrar um doador não aparentado no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), realizar um transplante com doador aparentado haploidêntico (50% compatível) ou com células do banco de cordão umbilical.

Apenas cerca de 25% dos pacientes apresentam doador ideal (aparentado HLA-idêntico). No restante dos casos torna-se necessário procurar um doador alternativo. Pessoas saudáveis, com 18-35 anos, sem doenças infecciosas, incapacitantes, neoplasias, doenças hematológicas ou autoimunes podem se cadastrar nos bancos de sangue/ Hemocentros para serem doadores não aparentados no REDOME e, assim, ajudar esses pacientes a aumentarem suas chances de cura.

 

Leucemia: informações importantes para população

Lorena Bedotti Ribeiro

CRM: 158.055

Hematologista

 

A medula óssea é o local de fabricação das células sanguíneas. Na medula óssea saudável as células-tronco nascem, amadurecem e passam por um processo de diferenciação, formando os diversos tipos de células do sangue: glóbulos brancos (leucócitos), glóbulos vermelhos (hemácias) e plaquetas.

As leucemias são cânceres hematológicos decorrentes de mutações genéticas nas células-tronco da medula óssea, gerando glóbulos brancos doentes que não funcionam normalmente, se multiplicam mais rápido e morrem menos, atrapalhando a produção saudável das demais células da medula.

Podem ser classificadas em crônicas ou agudas conforme a velocidade de crescimento das células leucêmicas. Quando crônica há produção de células maduras, capazes de realizar algumas funções normais, progredindo lentamente.  Quando aguda, produz células imaturas, incapazes de realizar suas funções normais, progredindo rapidamente. Sua classificação também depende do tipo de glóbulo branco acometido podendo ser mieloides ou linfoides. Tipos:

  • Leucemia Mieloide Crônica (LMC)
  • Leucemia Linfocítica Crônica (LLC)
  • Leucemia Mieloide Aguda (LMA)
  • Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA)

 

Pelo site do INCA, em 2020 foram diagnosticados 10.810 casos novos de leucemia no Brasil, sendo 5.920 em homens e 4.890 em mulheres.

Podem apresentar como fatores de risco a exposição a produtos químicos e irradiação, tratamento prévio de outros cânceres, exposição a cigarro e desordens genéticas. Vale ressaltar que a maioria dos casos não apresentam fatores de risco conhecidos, não podendo ser evitados.

Podem apresentar como sintomas fraqueza, cansaço, tontura, palidez, inapetência, perda de peso, falta de ar, febre, suor a noite, dor óssea, hematomas e sangramentos, infecções, aumento do baço, do fígado e dos linfonodos (ínguas).

Para diagnóstico, são realizados exames com coleta de sangue e/ou punção da medula óssea, como hemograma, mielograma, imunofenotipagem por citometria de fluxo, citogenética, testes moleculares, FISH, biópsia de medula. Tomografias computadorizadas, ressonâncias magnéticas e punção lombar para coleta de líquor também podem ser necessárias.

O tipo de tratamento e a duração vão depender do tipo de leucemia, podendo ser feito com quimioterapia (injetável ou oral), terapias-alvo (substâncias que bloqueiam proteínas ou moléculas envolvidas no crescimento das células cancerígenas), radioterapia, transplante de medula óssea e imunoterapia (anticorpos monoclonais ou CAR T cell).

O diagnóstico precoce proporciona melhores resultados no tratamento, sendo indicada avaliação médica em todo paciente com quadro clínico sugestivo.