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Julho Amarelo – Conscientização do câncer ósseo – Câncer ósseo e dor óssea devido ao câncer não são a mesma coisa

Uma das perguntas mais comuns no consultório de oncologia é sobre o câncer nos ossos. É importante destacar que câncer ósseo é diferente de câncer nos ossos. O câncer ósseo ocorre quando o câncer se origina diretamente no osso. Exemplos incluem osteossarcoma, condrossarcoma e sarcoma de Ewing.

Já a metástase óssea, ocorre quando células cancerígenas de um tumor primário em outra parte do corpo (como mama, pulmão ou próstata) se espalham para os ossos. Aqui, o osso não é o local de origem do câncer, mas, sim, um local para onde o câncer se espalhou.

 

Aproveitaremos o mês de conscientização do câncer ósseo para esclarecermos mais sobre o assunto.

 

O câncer ósseo primário é relativamente raro no Brasil, como em outras partes do mundo, representando menos de 1% de todos os tipos de câncer. Os tipos mais comuns de câncer ósseo primário incluem:

 

  1. Osteossarcoma: é o tipo mais frequente de câncer ósseo primário, geralmente afetando adolescentes e jovens adultos. É frequente nos ossos longos, como os ossos das pernas e braços.

2. Condrossarcoma: comumente encontrado em adultos, este câncer se origina nas células cartilaginosas e pode ter evolução mais indolente.

  1. Sarcoma de Ewing: afeta, predominantemente, crianças, adolescentes e adultos jovens. Pode ocorrer em qualquer osso, mas é mais comum na pelve, costelas e ossos das pernas.

 

Como se dá o diagnóstico e tratamento no Brasil?

 

– O diagnóstico do câncer ósseo geralmente envolve exames de imagem, como radiografias, tomografias computadorizadas (TC) e ressonâncias magnéticas (RM), além de biópsias para confirmação histológica.

– O tratamento pode incluir cirurgia para remover o tumor, quimioterapia e radioterapia. A escolha do tratamento depende do tipo, localização e estágio do câncer, bem como da saúde geral do paciente.

 

Desafios do tratamento do câncer ósseo

– Acesso ao tratamento especializado e às tecnologias avançadas pode ser limitado em algumas regiões, especialmente nas áreas mais remotas do país e no serviço público.

– A conscientização sobre os sintomas e a importância do diagnóstico precoce também é um desafio, o que pode atrasar o início do tratamento.

 

A conscientização sobre o câncer ósseo no Brasil envolve esforços contínuos de profissionais de saúde, pesquisadores, além de políticas públicas para melhorar a detecção precoce e o acesso a tratamentos de alta qualidade, assim como a desmistificação e a informação para toda população.

 

 

20 DE MARÇO – Dia Mundial da Saúde Bucal – Saúde bucal do paciente com câncer

Bruna Sabino

Cirurgiã Dentista

CRO 105.586

 

A saúde bucal é sempre um assunto que merece muita atenção; entretanto, o tema é ainda mais importante quando falamos de pacientes com câncer, que requerem cuidados especiais para manter sua qualidade de vida e bem-estar.

As manifestações ou complicações orais mais frequentes são: mucosite (inflamação da mucosa), candidíase oral, xerostomia (boca seca), cárie de radiação, disgeusia (perda e/ou alterações do paladar), trismo muscular, alterações vasculares e osteorradionecrose.

Muitos pacientes, no intervalo de 7 a 15 dias após o início do tratamento, apresentam risco de desenvolvimento de lesões bucais, dentárias e periodontais, que podem estar relacionados à quimioterapia, radioterapia e com os focos odontogênicos preexistentes.

Em pacientes que recebem quimioterapia mielosupressiva, os efeitos adversos mais comuns são representados por: neutropenia, imunidade comprometida, que deixa o paciente mais susceptível às infecções bacterianas, virais e fúngicas, e a trombocitopenia, diminuição das plaquetas, podendo ocorrer sangramento gengival durante a escovação e até mesmo espontaneamente.

A xerostomia é quando a boca fica excessivamente seca. Isso acontece devido às alterações nas glândulas salivares, causadas principalmente pela radioterapia. Com a ausência do efeito protetor da saliva, pode ocorrer mau hálito, aumento da ocorrência de cáries, dificuldade na mastigação e mucosa mais vulnerável às infecções. Outras consequências da xerostomia são a atrofia das papilas da língua, inflamação e fissuras, resultando em maior sensibilidade bucal, provocando sensação de ardência e em alguns casos dor. Com a diminuição da salivação pode ocorrer má adaptação de próteses e traumas sucessivos na mucosa oral.

Além disso, durante o tratamento pode haver complicações na gengiva, como a doença periodontal, que é uma inflamação gengival que, em casos extremos, pode provocar mobilidade dentária e a perda dos dentes.

Já a mucosite é uma inflamação da mucosa, de condição ulcerativa, que se manifesta não somente na boca, mas em todo o trato gastrointestinal. Suas lesões podem ser extremamente dolorosas, podendo dificultar ou impedir que o paciente consiga ingerir alimentos sólidos e, em casos extremos, até mesmo a água.

Alguns agentes modificadores ósseos – bifosfonatos –, prescritos para a prevenção de eventos ósseos, como fraturadas patológicas, em pacientes com metástases ósseas, apresentam risco de causarem osteonecrose dos maxilares.

Por esses motivos, é aconselhável que todo paciente com diagnóstico de câncer seja encaminhado para uma avaliação odontológica antes de iniciar o tratamento e, principalmente, para aqueles em que o tratamento for para câncer de cabeça e pescoço ou se for prevista uma imunossupressão profunda e prolongada, no caso do transplante medula óssea. Além disso, o cirurgião dentista também irá acompanhar o paciente em todo o processo do tratamento, durante e após a quimioterapia e radioterapia, de modo a diagnosticar e tratar as alterações bucais decorrentes do tratamento.

O acompanhamento odontológico é importante de modo que o paciente seja orientado em relação ao uso correto do fio dental, técnicas de escovação, características das cerdas das escovas, uso e tipo de enxaguatórios bucais, utilização de saliva artificial para o tratamento da xerostomia, cuidados com os aparelhos protéticos, orientação quanto à higiene oral para a manutenção da cavidade oral livre de infecção, reduzindo e prevenindo os riscos de desenvolver infecção localizada e sistêmica durante períodos de neutropenia. Mais ainda: o cirurgião dentista, também utilizará da laserterapia, uma modalidade de tratamento para os efeitos colaterais da quimioterapia e radioterapia, que tem como objetivo a reparação celular, acelerar o processo de cicatrização, analgesia, prevenção e tratamento da mucosite oral.

O importante é saber que é possível prevenir e controlar cada um destes sintomas e a principal ferramenta para isso é a manutenção rigorosa da higiene bucal e o cuidado odontológico antes, durante e após as terapias para o câncer. O trabalho multidisciplinar é fundamental para o sucesso do tratamento oncológico. Logo, o acompanhamento odontológico, proporcionará mais conforto e bem-estar durante as diversas fases do tratamento, impactando positivamente na qualidade de vida do paciente.

 

 

14 de Fevereiro – Dia da Amizade – Amigos: válvula propulsora de incentivo! Do momento do diagnóstico do câncer ao tratamento

Os estigmas do câncer referem-se ao sofrimento, à dor, ao medo da morte, à preocupação com a autoimagem, bem como à perda do atrativo sexual, da capacidade produtiva e de peso¹. Mesmo com todos os avanços em relação ao diagnóstico e ao tratamento, o estigma em relação ao câncer ainda é forte, tanto na sociedade como em equipes de saúde com pouca afinidade pelo tema.

No diagnóstico oncológico, os estigmas trazem ansiedade e tristeza aos pacientes. Como podemos lidar com isso? O acolhimento é a chave para reverter isso. E acolher é a especialidade dos amigos.

Muitos estudos descobriram que pacientes oncológicos com forte apoio emocional tendem a se ajustar melhor às mudanças que a doença traz, têm uma visão mais positiva e frequentemente relatam uma melhor qualidade de vida. Por este motivo, as pessoas com câncer precisam do apoio de seus amigos.

Uma situação comum é o relato de pessoas próximas sobre não saber como agir nessas situações, por isso, trago aqui, algumas possibilidades:

  • Certifique-se de que seu amigo saiba que ele é importante para você.
  • Envie mensagens de texto breves e frequentes ou faça chamadas curtas e regulares.
  • Verifique com a pessoa que ajuda com seus cuidados diários (cuidador) para ver o que mais ele pode precisar.
  • Sempre ligue antes de visitar. Seja compreensivo se seu amigo não puder vê-lo naquele momento.
  • Faça visitas curtas e regulares em vez de longas e infrequentes.
  • Entenda que seu amigo pode não querer falar, mas também pode não gostar de ficar sozinho.
  • Não tenha receio de tocar, abraçar ou apertar a mão de seu amigo.
  • Ajude seu amigo a se concentrar em tudo o que desperta bons sentimentos, como viagens ou animais de estimação.
  • Ajude seu amigo a manter um papel ativo na amizade, pedindo conselhos, opiniões e perguntas.
  • Pergunte ao seu amigo se ele está sentindo algum desconforto. Sugira novas maneiras de ficar mais confortável, como usar mais travesseiros ou mover os móveis de lugar.
  • Faça elogios honestos, como “você parece descansado hoje.”
  • Certifique-se de incluir seu amigo ao falar com outras pessoas na sala.
  • Respeite as decisões dele sobre o tratamento do câncer, mesmo se você discordar. ²

 

Além daqueles velhos e bons amigos que dividimos a trajetória de vida, surgem novas amizades durante o tratamento com aqueles que dividem a rotina oncológica: a pessoa que se senta ao lado durante a infusão da quimioterapia, aquele (a) que aguarda com você a consulta médica, aquele (a) que realiza sessões de radioterapia em horário próximo ao do paciente. Essa conexão com quem está experimentando momentos desafiadores pode ser extremamente valiosa. É o momento de compartilhar emoções, sentimentos, pensamentos e vivencias do tratamento oncológico. Acredito que esse laço é forte e duradouro, além de permitir ao paciente conhecer outras vivências dentro do mesmo contexto.

A presença dos amigos, seja os antigos ou os novos, é fundamental para uma vida feliz e completa e isso não muda durante a jornada oncológica.

 

Referências

  1. Chiattone, H. B. C. (1992). Uma vida para o câncer. In V. A. Angerami-Camon (Org). O doente, a psicologia e o hospital(pp. 71-107). São Paulo: Pioneira.
  2. Stan Goldberg. LovingSupporting, and Caring for the Cancer Patient: A Guide to Communication, Compassion, and Courage. November 16, 2017.

 

 

17 de setembro: Dia Mundial da Segurança do Paciente – Dia de celebrar a segurança do cuidado de nossos pacientes

O Dia Mundial da Segurança do Paciente é celebrado em 17 de setembro e a Organização Mundial da Saúde (OMS) elegeu para este ano de 2023 o tema “Engajar pacientes para a segurança do paciente “, em reconhecimento ao papel crucial que pacientes, familiares e cuidadores desempenham na segurança dos cuidados de saúde. O slogan é “Amplifique a voz dos pacientes!”. A escolha da temática é extremamente acertada e oportuna.  E esse reconhecimento vai ao encontro da concepção de que o fundamento ético da segurança do paciente é o direito humano universal de todos, para não sofrerem danos associados aos cuidados em saúde. Importante: inexiste efetivação de tal direito sem a participação dos pacientes em seus cuidados.

Segundo a OMS, as evidências demonstram que quando os pacientes são considerados parceiros em seus cuidados, ganhos significativos são obtidos em segurança, satisfação e resultados de saúde. Ao se tornarem membros ativos da equipe de saúde, os pacientes podem contribuir para a segurança de seus cuidados e do sistema de saúde como um todo. Por meio do slogan “Amplifique a voz dos pacientes!”, a OMS clama pela adoção de medidas destinadas a assegurar a representatividade dos pacientes nos mecanismos de governança, o seu envolvimento na formulação de políticas públicas e no desenho de estratégias de segurança, bem como a sua participação ativa em seus cuidados em saúde. Para que essa aspiração seja alcançada, é fundamental a criação de meios efetivos para que pacientes, familiares e organizações amplifiquem suas vozes de modo a expressarem suas preocupações, expectativas e preferências em políticas, programas e estratégias de segurança do paciente.

 

Estes são os objetivos do Dia Mundial da Segurança do Paciente 2023:

 

  1. Aumentar a conscientização global sobre a necessidade de envolvimento ativo dos pacientes e suas famílias e cuidadores em todos os ambientes e níveis de assistência à saúde para melhorar a segurança do paciente;

 

  1. Envolver formuladores de políticas, líderes de saúde, profissionais de saúde e assistência, organizações de pacientes, sociedade civil e outras partes interessadas nos esforços para envolver pacientes e famílias nas políticas e práticas para cuidados de saúde seguros;

 

  1. Capacitar pacientes e familiares a se envolverem ativamente em seus próprios cuidados de saúde e na melhoria da segurança dos cuidados de saúde;

 

  1. Defender ações urgentes sobre o envolvimento do paciente e da família, alinhadas com o Plano Global de Ação para a Segurança do Paciente 2021–2030, a ser adotado por todos os parceiros.

 

Trabalhando juntos para tornar os cuidados de saúde mais seguros!

Fonte: Adaptado de World Health Organization (WHO). World Patient Safety Day 2023: Engaging Patients for Patient Safety. 2023. Disponível em: <https://www.who.int/news-room/events/detail/2023/09/17/default-calendar/world-patient-safety-day-2023–engaging-patients-for-patient-safety>. Acesso em 14 de setembro de. 2023.

 

15 de julho: Dia do Homem – Câncer no homem: quais os desafios?

A saúde masculina ainda é um tabu para muitos homens. Quando o assunto é câncer, então, os mitos e preconceitos ficam mais evidentes. Tal motivo nos incentiva à divulgação de informações para conscientização e prevenção dos tipos de câncer mais incidentes em homens.

No Brasil, cerca de 225 mil homens são diagnosticados com câncer todos os anos, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Este número ainda não considera o câncer de pele, que é o mais recorrente no país.

Segundo as estimativas do Instituto, os cinco principais tipos de câncer em homens são o de próstata, de cólon e reto, da traqueia, brônquio e/ou pulmão, de estômago e da cavidade oral. Veja a seguir quais os sintomas mais comuns de cada um deles.

 – Próstata: O câncer da próstata é a neoplasia mais frequente, atingindo cerca de 65 mil homens a cada ano, especialmente após os 50 anos. Ele é caracterizado pelo crescimento descontrolado de células nesta glândula. Esse tipo da doença tem desenvolvimento lento e, normalmente, assintomático. Os principais sinais de alerta para o câncer de próstata estão ligados às alterações no fluxo urinário (dificuldade ou frequência) e dores na região pélvica, costas e costelas. No entanto, eles costumam aparecer já em um estado mais avançado do tumor. Por isso, é fundamental manter a regularidade dos exames preventivos.

– Cólon e reto: Tanto o câncer de cólon quanto o retal têm origens bastante parecidas. Por isso, costumam ser chamados de câncer colorretal. Ele se inicia no revestimento do cólon ou do reto e pode estar relacionado a presença anterior de alguma patologia na região. Porém, estudos indicam que a dieta rica em gordura, carne e alimentos processados e pobre em fibras são o fator mais importante no surgimento deste tipo de câncer. Entre os principais sintomas, podemos destacar sangue nas fezes, alteração do trânsito intestinal e na forma das fezes, perda de peso repentina, sensação de fraqueza e dor abdominal.

– Pulmão: A cada 100 novos casos de câncer entre homens brasileiros, cerca de 8 são no sistema respiratório. Entre os sintomas dos cânceres no sistema respiratório estão tosse, chiado e ruído ao respirar, falta de ar, infecções de repetição das vias aéreas superiores, tosse com sangue e, em estágio avançado, dificuldade em engolir, rouquidão, fadiga e perda de peso. Contudo, os locais mais comuns de câncer nas vias aéreas são o pulmão e os brônquios. Esse tipo da doença é dividido em dois grandes grupos: as pequenas células e os não pequenas células. Esse último, é subdivido em adenocarcinoma, carcinoma escamoso e carcinoma de grandes células. Eles geralmente têm como sintoma tosse, podendo estar acompanhada de escarro com hemoptise e falta de ar. Esse tipo de neoplasia é diretamente relacionado com o tabagismo.

– Estômago: Também conhecido como câncer gástrico, esse tipo de doença se desenvolve lentamente, a partir de alterações no revestimento interno do estômago. Dependendo de onde ele começa a se desenvolver, o câncer pode ter resultados diferentes. O mais comum é o adenocarcinoma, que totaliza quase 95% dos casos da doença nessa região. Ele se origina na mucosa estomacal, que é a camada mais interna do órgão. Apesar de raramente apresentar sintomas na fase inicial, o câncer de estômago pode causar falta de apetite, perda de peso, azia, náuseas ou indigestão, vômitos e distensão abdominal.

– Cavidade oral: Este tipo de câncer é detectado em aproximadamente 11,2 mil homens brasileiros todos os anos. Ele é caracterizado pelo desenvolvimento de células tumorais nos lábios, gengivas, bochechas, céu da boca, bordas e embaixo da língua. As estatísticas do INCA mostram que ele é mais comum em homens a partir dos 40 anos e está intimamente ligado ao tabagismo e ao consumo de bebidas alcoólicas. Para a detecção precoce, é fundamental estar alerta a sinais como feridas sem cicatrização na boca ou nos lábios, manchas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, gengivas, céu da boca ou bochechas, além de nódulos no pescoço e rouquidão persistente.

 

Como prevenir?

Ainda que o fator genético possa influenciar o surgimento dos diversos tipos de câncer em homens, a grande maioria dos casos da doença está relacionada a fatores externos, que podem ser controlados ao se adotar hábitos mais saudáveis no dia a dia.

Confira como é possível reduzir os riscos de desenvolvimento do câncer:

– Abandonar o tabagismo;

– Moderar o consumo de bebidas alcoólicas;

– Manter uma dieta equilibrada (evitando gorduras em excesso);

– Controlar o peso corporal;

– Praticar atividades físicas

– Evitar exposição à radiação ionizante, substâncias químicas nocivas e metais pesados.

 

Referências

  1. Ministério da Saúde. Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: INCA, 2023.
  2. Dorak, M. T., & Karpuzoglu, E. (2012). Gender differences in cancer susceptibility: an inadequately addressed issue. Front Genet, 3, 268.

Prevenção e combate à hipertensão. O que muda no paciente em tratamento do câncer?

No Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial – 26 de abril –, destaco o problema que, em 2019, foi responsável por 110,5 óbitos a cada 100 mil habitantes no Brasil. A data é para conscientizar a população sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento da doença. Dados do Ministério da Saúde apontam que em 2021 foram realizados cerca de 6,1 milhões de atendimentos para hipertensão a mais que em 2020.

Por isso, a importância de políticas, programas, estratégias, diretrizes e outros materiais técnicos como formas de promoção da saúde e prevenção, rastreamento, diagnóstico e tratamento da doença.

A HAS – hipertensão arterial sistêmica – é caracterizada pela elevação sustentada dos níveis de pressão arterial e é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e renais. Ela também é frequentemente associada a outras doenças crônicas e a eventos como morte súbita, acidente vascular encefálico, infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e doença arterial periférica.

A hipertensão arterial pode ser primária, quando surge sem causa clara; ou secundária, quando decorrente de outros problemas de saúde. Por isso, é fundamental diagnosticar a origem do problema para que seja realizado o tratamento mais adequado. Dentre os sintomas mais comuns estão dor de cabeça, tontura, palpitações e alteração na visão. Entretanto, a hipertensão, geralmente, é silenciosa, sendo importante aferir regularmente a pressão arterial.

O conjunto das doenças cardiovasculares e os vários tipos de câncer representam, respectivamente, a primeira e a segunda maiores causas de morte no Brasil e no mundo. Esses grupos distintos de doenças que crescem a cada dia, compartilham, contudo, muitas causas comuns, como o envelhecimento e o aumento de peso da população, alimentação inadequada, tabagismo, poluição, hereditariedade, genética, estresse, entre outros.

Os objetivos do tratamento do paciente hipertenso com câncer não diferem dos demais hipertensos, ou seja, deve-se focar em três alvos: 1) identificar as causas da HAS; 2) avaliar o estilo de vida e reconhecer fatores de risco cardiovascular ou comorbidades que possam afetar o prognóstico ou guiar a escolha do tratamento; e 3) avaliar a presença ou ausência de lesão em órgão-alvo associada a HA. Medidas higiênicas dietéticas devem ser sempre encorajadas, orientando a prática de atividade física, dieta hipossódica e controle do peso corporal.

A despeito de múltiplos mecanismos fisiopatológicos envolvidos na doença, o tratamento da hipertensão arterial é efetivo, conta com mudança de hábitos de vida e tratamento farmacológico com múltiplas drogas disponíveis, atuando em vários sistemas, muita das vezes em sinergismo, com intenção de prevenir desfechos como o infarto agudo do miocárdio, o acidente vascular encefálico, câncer, entre outros.

 

Referências:

  1. Rosa LV, Issa JS, Salemi VM, Yones RN, Kalil Filho R. Epidemiologia das doenças cardiovasculares e neoplásicas: quando vai ocorrer o cruzamento das curvas? Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo. 2009;19(4):525-34.
  2. Suter TM, Ewer MS. Cancer drugs and the heart: importance management. Eur Heart J. 2013;34(15):1102-11.
  3. Kalil Filho R, Hajjar LA, Bacal F, Hoff PM, Diz MD, Galas RB, et al. I Diretriz Brasileira de cardio-oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arq Bras Cardiol. 2011;96(2):1-52.
  4. Souza, V. B. de ., Silva, E. N., Ribeiro, M. L., & Martins, W. de A.. (2015). Hypertension in Patients with Cancer. Arquivos Brasileiros De Cardiologia, 104(3), 246–252. https://doi.org/10.5935/abc.20150011

 

 

Começa uma nova fase de vacinação contra a COVID-19 em todo o Brasil

Começou na segunda-feira (27/02) mais uma etapa da campanha de vacinação contra a COVID-19 no Brasil. Nesta nova fase, as pessoas estão sendo vacinadas com o reforço do imunizante bivalente da Pfizer.

Segundo o informe técnico operacional divulgado pelo Ministério da Saúde, nesta primeira fase, serão imunizadas as pessoas acima de 70 anos, pessoas que vivem em instituições de longa permanência (ILP), pacientes imunocomprometidos e comunidades indígenas, ribeirinhos e quilombolas (veja datas abaixo).

Em seguida, serão imunizadas as pessoas com mais de 60 anos, gestantes e puérperas, trabalhadores de saúde, pessoas com deficiência e população privada de liberdade. Estados e municípios podem definir seus próprios calendários. Por isso, vale checar as datas antes de se deslocar para o posto de saúde.

Esta vacina é uma atualização em relação aos primeiros imunizantes fabricados contra a COVID-19 e protege contra a cepa original do coronavírus e as subvariantes ômicron.

O objetivo do reforço com a bivalente é expandir a resposta imune específica à variante ômicron e melhorar a proteção da população.

A meta é vacinar 90% da população-alvo. Veja calendário:

 

27/02: Pessoas acima de 70 anos; pessoas vivendo em instituições de longa permanência (ILP); pacientes imunocomprometidos (entenda mais abaixo) a partir de 12 anos; e comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas;

06/03: Pessoas de 60 a 69 anos;

20/03: Gestantes e puérperas;

17/04: Trabalhadores da saúde, pessoas com deficiência permanente (a partir de 12 anos), população privada de liberdade, adolescentes cumprindo medidas socioeducativas e funcionários do sistema de privação de liberdade.

 

Demais grupos

Além dos grupos prioritários, o ministério também quer intensificar a campanha com a vacina monovalente para os maiores de 12 anos. A ideia é aumentar a cobertura vacinal nesses outros públicos. A recomendação é:

– Uma dose de reforço para quem tem até 40 anos.

– Duas doses de reforço para quem tem mais de 40 anos.

A Pfizer, assim como a Anvisa, reforça que a vacina monovalente original continua sendo importante instrumento no combate à COVID-19.

 

Quem são os imunossuprimidos?

As pessoas com baixa imunidade são chamadas de imunossuprimidas ou imunocomprometidas:

– Pessoas transplantadas de órgão sólido ou de medula óssea;

– Pessoas com HIV e CD4 <350 células/mm3;

– Pessoas com doenças reumáticas imunomediadas sistêmicas em atividade e em uso de dose de prednisona ou equivalente > 10 mg/dia ou recebendo pulsoterapia com corticoide e/ou ciclofosfamida;

– Pessoas em uso de imunossupressores ou com imunodeficiências primárias;

– Pessoas com neoplasias hematológicas, como leucemias, linfomas e síndromes mielodisplásicas;

– Pacientes oncológicos que realizaram tratamento quimioterápico ou radioterápico nos últimos seis meses.

Os imunossuprimidos são todas aquelas pessoas que recebem ou receberam tratamento que mexe com o sistema imunológico ou que têm alguma doença que deprime o sistema imunológico.

 

Vacinação é um ato de cuidado consigo e com todos ao seu redor. Vamos aderir a nova oportunidade e aumentar nossa proteção contra a COVID-19.

Referências

  1. Ministério da Saúde
  2. FioCruz
  3. SBIM – sociedade brasileira de imunizações.

 

Existe relação entre álcool e câncer? Quais os tipos de câncer?

Sim, as bebidas alcoólicas podem causar câncer. É confirmado pela ciência. Um novo estudo acaba de atualizar essa relação direta depois de analisar dados da última década: em todo o mundo, o álcool foi responsável por cerca de 740.000 tumores apenas em 2020. Isso significa que mais de 4% dos cânceres globais se devem à ingestão de bebidas alcoólicas, sendo, portanto, totalmente evitáveis e passíveis de prevenção.

O estudo, publicado pela revista The Lancet Oncology, aponta diferenças importantes por região e sexo: três em cada quatro cânceres provocados pelo álcool atingiram homens e as regiões do planeta mais afetadas são o Extremo Oriente e a Europa Central e de Leste.

O estudo destaca a contribuição de, inclusive, níveis relativamente baixos de consumo de álcool para as taxas de câncer, o que é preocupante, mas também sugere que pequenas mudanças no comportamento público em relação à bebida poderiam ter um impacto positivo nas futuras taxas de câncer.

Lamenta-se que a população não saiba o suficiente sobre essa associação direta entre as bebidas alcoólicas e o câncer de mama, de boca, de garganta, de laringe, de esôfago, de fígado, de cólon e de reto.

Há pouca consciência da relação entre o álcool e o risco de câncer no público em geral, mas acrescentar advertências sobre o câncer nos rótulos das bebidas, semelhantes às usadas nos cigarros, poderia dissuadir as pessoas de comprar produtos alcoólicos e aumentar a consciência sobre a relação causal com o câncer. Além disso, a indústria do álcool se empenha em confundir a população sobre esse risco.

Diante dos fatos apresentados é imprescindível medidas de combate ao uso abusivo de álcool; regulamentação de venda e de propagandas do produto e, ainda, a estruturação de medidas preventivas e rastreamento para priorizar diagnóstico precoce da população exposta ao fator de risco mencionado. Priorizar hábitos saudáveis é eficaz no combate ao câncer.

 

Referências Bibliográficas:

  1. https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(21)00279-5/fulltext
  2. https://www.inca.gov.br/causas-e-prevencao/prevencao-e-fatores-de-risco/bebidas-alcoolicas#:~:text=Estudos%20mostram%20que%20consumir%20bebidas,para%20todas%20as%20bebidas%20alco%C3%B3licas.
  3. https://pebmed.com.br/pesquisadores-associam-consumo-de-alcool-a-risco-de-cancer/

 

17 de outubro: Dia Nacional da Vacinação

Vacina é tecnologia antiga. Os primeiros imunizantes surgiram na China, há mais de mil anos. No Ocidente, são mais recentes, pouco mais de 200 anos; e no Brasil, as vacinas começaram a ser adotadas na primeira metade do século XIX, mas só depois de muita resistência viraram política pública de saúde.

Da revolta das vacinas, em 1904, à erradicação de doenças como a poliomielite, em 1994, ou o sarampo, em 2016, o Brasil acumulou experiência e virou referência internacional pelo seu Programa Nacional de Imunização, o PNI, que coloca o Brasil no primeiro lugar do mundo na oferta de vacinas gratuitas para toda a população. São 45 imunizantes diferentes para diferentes faixas etárias.

As vacinas são um marco na história da saúde humana e, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, salvam a vida de 3 milhões de pessoas a cada ano. Para reforçar a importância das vacinas, o Brasil comemora, em 17 de outubro, o Dia Nacional da Vacinação, uma data para promover a importância da imunização no controle de epidemias.

Menciono a importância histórica das vacinas, não só agora, com o surgimento da Covid19, mas para erradicação ou diminuição da incidência de várias doenças graves, como varíola, caxumba, gripe, poliomielite, rubéola, sarampo e tétano.

Atualmente, mesmo com a inegável contribuição das vacinas para a vida humana, a comunidade científica ainda esbarra em um problema que pode ser tão perigoso quanto uma doença: a desinformação. Mesmo rodeada de mitos, a vacinação é o método mais seguro e eficaz para combater a disseminação de vírus e a ocorrência de epidemias infectocontagiosas.

Vacina. Vacina. Vacina. Acredito que ouvimos e discutimos tanto sobre isso nos últimos meses que podemos encontrar entre nós aqueles que defendem, os que são neutros e os que têm dúvidas. É completamente normal estar nessas três situações supracitadas e é a informação de qualidade que permite que haja entendimento do processo, segurança e aplicação de uma vacina.

Então, mais do que nunca, que o Dia Nacional da Vacinação seja lembrado e comemorado conforme se deve: com acesso e utilização desse recurso de promoção de saúde. E, assim, cada um pode fazer sua parte por si e pelo próximo: vacinando-se. Ajudando a diminuir as variantes, as mortes, as sequelas, o medo e a pandemia (a atual e as anteriores).

Fontes:

– Agência Senado

https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2021-06/dia-nacional-da-imunizacao-lembra-importancia-de-se-vacinar

 

Prevenção ao suicídio

Deixar de viver é uma saída considerada por muitos em momentos de crise. Embora a temática ainda seja tabu, a ideia de abandonar a vida aparece em pessoas de todas as idades.        A ligação do comportamento suicida com doenças mentais; principalmente depressão e uso excessivo de bebidas alcoólicas; é algo bastante estabelecido. Outros fatores relacionados incluem a exposição a situações de abuso, violência, isolamento emocional e dor crônica, assim como momentos de crise, incluindo término de relacionamento, morte de pessoas próximas e até problemas financeiros; todos relacionados com a sensação de falta de esperança.

Em resumo, o suicídio tem determinantes complexos e não é incomum que características impulsivas façam parte da equação, particularmente em homens, principalmente quando conjugadas ao consumo de álcool e outras drogas.

A pergunta que não quer calar é: deve-se falar sobre o assunto? Isso não pode funcionar como estímulo à própria prática do suicídio? A literatura recente tem mostrado que, ao contrário, conversar sobre o tema, de modo sério, com base científica, pode ser uma das melhores maneiras de prevenção do ato. Não estamos falando de divulgar episódios pela imprensa e pelas mídias sociais, falando de detalhes pessoais mórbidos, ou o método utilizado por determinado indivíduo. Isso, sim, poderia estimular o chamado suicídio por contágio.

Estamos falando aqui de buscar compreender e lidar de modo responsável com o desespero e a dor, de tentar acompanhar o percurso de sentimentos que, às vezes, nascem e se desenvolvem nas pessoas. Por seu lado (e isto é muito importante), sentimentos suicidas são temporários. O que aparece como a única solução em um momento frequentemente muda de figura minutos, horas ou dias depois. E é justamente aí que técnicas de prevenção têm sido propostas nos últimos anos.

O Plano de Segurança para Prevenção do Suicídio, criado por pesquisadores da Universidade de Columbia, é um dos métodos que podem ser utilizados individualmente ou como parte de um programa de tratamento. Trata-se de intervenção breve e construída de maneira colaborativa entre profissional e paciente, com ênfase em uma lista de estratégias de enfrentamento para serem utilizadas durante o início de uma crise suicida.

Seu objetivo é auxiliar o indivíduo a recobrar o sentimento de controle ao ter em mão uma lista de recursos objetivos e individualizados que o ajudarão a enfrentar a angústia em momentos em que a capacidade de resolver problemas se encontra muito reduzida. Comportamentos suicidas não são raros, principalmente em épocas de crise. A saúde mental precisa e pode colaborar com os que precisam de ajuda nessas horas.

 

Referencias

– Machado, Daiane Borges e Santos, Darci Neves dos Suicídio no Brasil, de 2000 a 2012. Jornal Brasileiro de Psiquiatria [online]. 2015, v. 64, n. 1 [Acessado 2 Agosto 2021] , pp. 45-54.

– Gonçalves LRC, Gonçalves LRC, Gonçalves E, Oliveira Junior LB. Determinantes espaciais e socioeconômicos do suicídio no Brasil: uma abordagem regional. Nova Economia 2011; 21(2):281-316

– Bertolote, J. M. (2012). O suicídio e sua prevenção. São Paulo, SP: Ed. Unesp.