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14 de março – Dia Mundial do Rim – O que devo saber sobre câncer de rim?

Qual a data comemorativa para o “Dia do Rim” em 2024?

– 14/03/2024.

– Esta data foi idealizada pela Sociedade Internacional de Nefrologia.

 

Quais os profissionais que cuidam da saúde do rim?

– Os nefrologistas e urologistas são os profissionais responsáveis por cuidar das diversas doenças que podem afetar os rins.

 

Existe câncer de rim?

– Sim.

– O câncer de rim é um tumor relativamente raro; responde por aproximadamente 5% dos canceres em indivíduos adultos.

– No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) não dispõe de dados estatísticos sobre incidência do câncer renal.

 

O câncer de rim aparece mais em homens ou mulheres?

– O câncer de rim é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres.

 

Quais são os sintomas do câncer do rim?

– Na maioria das vezes, o câncer de rim não apresenta sintomas.

– É frequentemente diagnosticado ao acaso, após a realização de exames de imagem do abdome (ultrassom ou tomografia).

– A presença de sintomas sugere um quadro mais avançado. Dentre os sintomas, estão sangramento urinário, dor abdominal, perda de peso e até mesmo o aumento do volume renal, configurando uma massa (tumoração) que pode ser palpada no abdome.

 

Qual é o câncer de rim mais comum?

– O tipo de câncer renal mais comum é o carcinoma renal de células claras.

– Ele tem este nome pelas características das células cancerígenas quando vistas ao microscópio.

 

O câncer de rim é genético?

– Na maioria das vezes não.

– Existem síndrome genéticas (a maioria delas raras) que cursam com tumores no rim, às vezes de maneira recorrente. A mais conhecida é a síndrome de Von Hippel Lindau.

 

O câncer de rim pode gerar metástases?

– Sim. Todo câncer pode, teoricamente.

– Os locais mais frequentes de metástases são os ossos e os pulmões

 

Como é o tratamento do câncer do rim?

– É importante procurar profissionais especialistas.

– O tratamento do câncer de rim deve ser conduzido por urologistas, oncologistas e nefrologistas.

– A cirurgia tem um papel importante, uma vez que retira a doença. Existem urologistas especialistas em uro-oncologia.

– Às vezes, é necessário retirar todo o rim e, portanto, o monitoramento da saúde do rim que fica é muito importante. Aí entra o nefrologista.

– Após a cirurgia, alguns pacientes vão precisar de tratamento complementar com medicamentos. O oncologista é quem orienta essa parte do tratamento.

 

E para o câncer de rim com metástases? Existe tratamento?

– Felizmente, a oncologia evoluiu muito e, hoje, conta com medicamentos que conseguem controlar a doença por um longo tempo.

– A imunoterapia tem grande papel no tratamento do câncer do rim. Existem tratamentos com associação de imunoterápicos.

– Existem também medicamentos orais (como os inibidores de tirosina quinase) que podem ser utilizados para controle do câncer de rim; eles também podem ser combinados a imunoterapia.

 

 

5 de Fevereiro – Dia Nacional da Mamografia – Mamografia: 40 x 50 anos

O câncer de mama é o mais incidente nas mulheres. Para o triênio de 2023-2025, são esperados aproximadamente 74 mil novos casos de câncer de mama no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

A chance de cura e de sobreviver ao câncer mama está diretamente relacionada ao momento do diagnóstico da doença; quanto mais avançado o câncer está quando é descoberto, maior a complexidade dos tratamentos e menor a chance de cura. Tal diferença de sobrevida também pode se relacionar com outros fatores, como a falta de acesso aos serviços de saúde, o atraso na investigação de lesões mamárias suspeitas e na realização do tratamento.

Há um grande esforço dos profissionais envolvidos no cuidado do câncer em conscientizar a população da importância de hábitos que buscam prevenir o câncer; atividade física e alimentação saudável são os principais exemplos para isso.

Além da prevenção, existem estratégias que buscam o diagnóstico precoce do câncer de mama. O rastreamento com a mamografia é a principal arma que pode auxiliar na detecção precoce das doenças da mama, quando realizado em mulheres assintomáticas, numa faixa etária em que haja um balanço favorável entre benefícios e riscos dessa prática. Dentre as vantagens da mamografia estão: a redução da mortalidade pelo câncer, menores sequelas relacionadas aos tratamentos oncológicos, maior sobrevida, e o menores custos para sociedade relacionados aos investimentos em saúde de alta complexidade e perda de um indivíduo produtivo.

Os primeiros estudos científicos que demonstraram haver diminuição da mortalidade por câncer de mama entre as mulheres submetidas ao rastreamento com mamografia foram relatados há cerca de 60 anos. Alguns estudos mostraram um percentual de até 30% de redução na mortalidade no grupo de mulheres submetidas ao rastreamento; outras evidências científicas apontaram percentual de 15-20% de redução das mortes por câncer de mama.

Por outro lado, pesquisas observacionais demonstraram resultados inconsistentes, questionando os reais benefícios do rastreamento com mamografia e destacando também certos riscos que precisam ser conhecidos e ponderados: realização de biópsias excessivas, diagnóstico de patologias que não mudariam o curso de vida da mulher, a realização de tratamentos dispensáveis e a exposição à radiação (que raramente causa câncer, mas há um discreto aumento do risco quanto mais frequente é a exposição).

 

Recomendações de rastreamento

Diante de um cenário científico que dá margem a dúvida, existem divergências entre as recomendações de rastreamento, especialmente quanto a idade de início (40 ou 50 anos) e quanto a periodicidade (anual ou a cada 2 anos). No Brasil, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam a mamografia anual para as mulheres a partir dos 40 anos de idade. Tal medida difere das recomendações do Ministério da Saúde, que preconiza o rastreamento bianual, a partir dos 50 anos, excluindo dos programas de rastreamento uma faixa importante da população (mulheres entre 40-49 anos), responsável por cerca de 15-20% dos casos de câncer de mama.

Não há um consenso absoluto sobre quando iniciar a mamografia: se aos 40 ou aos 50 anos. Alguns protocolos de rastreamento defendem que essa decisão seja compartilhada com a paciente, explicando potenciais riscos e benefícios. O fato é que a oncologia mamária vem avançando diariamente, construindo um cenário muito diferente daquele em que se desenvolveu as evidências (favoráveis ou não) sobre rastreamento no passado. Um grande e importante estudo foi publicado há poucos dias em um jornal científico internacional, mostrando que rastreamento contribuiu em 25% na redução da mortalidade de câncer de mama nos Estados Unidos. Este dado atual sustenta a prática do rastreamento, e reforça a importância do diagnóstico precoce.

O câncer de mama permanece como uma doença desafiadora, exigindo avanços científicos e terapêuticos para melhoria das taxas de cura e mantendo-se como uma condição que exige diagnóstico precoce. O exame clínico das mamas, associado à mamografia periódica anualmente a partir dos 40 anos parece ser a melhor estratégia a ser adotada. A detecção em um estágio inicial permite um tratamento menos agressivo, determinando melhor qualidade de vida, com menores sequelas e efeitos colaterais, e aumentando as taxas de cura pela doença.

 

 

 

O que há de novo no tratamento do câncer de bexiga?

Durante muito tempo o tratamento padrão do câncer de bexiga foi embasado em abordagens cirúrgicas e quimioterapia com base em compostos derivados de platina. Essas estratégias ainda compõem o arsenal de combate ao câncer urotelial; entretanto, a Oncologia moderna passou a contar com novas tecnologias que, gradativamente, vem ganhando espaço no tratamento desta neoplasia.

A primeira (e não tão recente) incorporação foi a imunoterapia. Inicialmente, ela foi estudada e incorporada a prática clínica no cenário avançado (isto é, com metástases). Alguns estudos comprovaram a eficácia dos imunoterápicos após a falha de quimioterapia com platina. Mais recentemente, ela passou a integrar uma estratégia de manutenção após a algumas doses de tratamento com quimioterapia com platina; este tratamento é, hoje, o padrão de escolha para os pacientes que se apresentam com câncer de bexiga com metástases, ou que recidivam após algum tempo do tratamento definitivo deste câncer.

A imunoterapia também ganhou espaço no cenário inicial do câncer urotelial. É sabido que a maioria dos casos de câncer de bexiga se apresenta inicialmente como uma doença restrita as camadas superficiais da bexiga. Neste contexto, a ressecção transuretral é parte majoritária do tratamento e alguns pacientes terão indicação de terapias intravesicais com a Onco-BCG. Em casos não cirúrgicos e refratários a terapia intravesical com Onco-BCG, o uso de Pembrolizumabe (um imunoterápico muito conhecido por aplicabilidade em diversos tipos de tumores) mostrou resultados interessantes e vem sendo incorporado a prática clínica.

A terapia-alvo também trouxe avanços no tratamento do câncer de bexiga. É sabido que 15 a 20% dos pacientes com câncer urotelial tem alterações em genes do FGFR (receptor de fator de crescimento de fibroblastos). Neste sentido, foram desenvolvidos medicamentos que tem como alvo as células com tais alterações genéticas; é o caso do Erdafitinibe. A última edição do Congresso Americano de Oncologia Clínica (ASCO 2023) trouxe resultados consistentes deste medicamento em segunda linha de tratamento do câncer urotelial avançado com alterações genéticas em FGFR. Este medicamento já está disponível no Brasil, mas ainda com cobertura restrita pelos planos de saúde e sem perspectivas de chegada ao SUS.

Mais recentemente, o arsenal terapêutico para combate ao câncer de bexiga ganhou mais um combatente; os chamados ADC’s (anticorpos conjugados a droga). Essa tecnologia foi recentemente incorporada no tratamento de câncer de mama no Brasil. Esse tipo de tratamento tem um mecanismo de ação diferente, no qual um composto antineoplásico é “entregue” dentro do microambiente celular, através de um anticorpo específico que tem afinidade pela célula tumoral.  Para este mecanismo de ação, faz-se uma analogia à história do Cavalo de Troia, em que os gregos enviaram um “presente” para os troianos, supostamente reconhecendo a perda na Guerra de Troia. Dentro do cavalo estavam soldados espartanos que, à noite, saíram de dentro dele e atacaram a cidade de Troia, vencendo a guerra. Dois fármacos com este mecanismo de “Cavalo de Troia” vêm sendo amplamente estudados no tratamento do câncer de bexiga.

O Enfortumabe Vedotin foi o primeiro ADC aprovado e comercializado no Brasil para tratamento do câncer de bexiga. Hoje, é indicado em segunda linha terapêutica, após a falha de quimioterapia com platina e manutenção de imunoterapia. O Sacituzumabe Govitecan (já aprovado para tratamento do câncer de mama) deve chegar em breve como uma outra opção de ADC para o câncer urotelial avançado que falhou ao tratamento com quimioterapia e imunoterapia. Combinações de ADC’s com imunoterapias estão sendo estudadas em cenários diversos, inclusive como substitutos da quimioterapia em pacientes que não podem recebê-la.

Felizmente, a Oncologia caminha a passos largos no desenvolvimento de novos fármacos e alvos terapêuticos para o câncer de bexiga. Resta saber como será a incorporação destas tecnologias na prática do dia a dia. Ainda existe um grande desafio de tornar universal e igualitário o acesso a estes tratamentos no Brasil.

 

 

 

20 de maio – Dia Nacional do Medicamento Genérico – Mas, afinal, o que é o genérico e como ele surgiu no Brasil?

Medicamentos são itens de primeira necessidade, principalmente para portadores de doenças crônicas que demandam tratamentos contínuos. Para facilitar o acesso dos brasileiros aos medicamentos, criou-se o medicamento genérico, uma opção que pode chegar a preço 70% mais barato que o medicamento original com o mesmo princípio ativo e eficácia.

No dia 20 de maio de 2023, o Brasil celebra 24 anos de comercialização de medicamentos genéricos. Mas, afinal, o que é o genérico e como ele surgiu no Brasil?

O medicamento genérico é aquele que contém o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica, e é administrado pela mesma via, com mesma posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência. O genérico apresenta eficácia e segurança equivalente à do medicamento de referência. Para assegurar a equivalência terapêutica dos genéricos, testes de comparação in vitro e in vivo são apresentados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em 1999, houve a instituição do medicamento genérico por meio da Lei 9.787 de 10 de fevereiro deste ano. Essa lei garante a comercialização, por qualquer laboratório, de medicamentos cujas patentes estejam expiradas. Essas patentes são concedidas aos respectivos laboratórios que pesquisam um determinado princípio ativo e documentam cientificamente e clinicamente suas propriedades, estabelecendo parâmetros de utilização do mesmo. Em geral, as patentes são concedidas por até 20 anos. Uma vez vencida, a tecnologia passa a ser de domínio público, quando podem ser registrados medicamentos genéricos. O preço do medicamento genérico passa a ser menor pois os fabricantes não precisam realizar todas as pesquisas envolvidas no desenvolvimento de um medicamento inovador, visto que suas características são as mesmas do medicamento de referência.

Atualmente, cerca de 50% de todos os medicamentos de referência já estão disponíveis na sua forma genérica. A lista desses medicamentos está disponível no acervo digital da Anvisa e as farmácias e drogarias são obrigadas por lei a manter uma lista atualizada em local de fácil leitura para os consumidores. Para identificar os medicamentos genéricos, basta certificar-se de que na embalagem tenha escrito: “Medicamento Genérico – Lei 9.787/99” e uma tarja amarela com a letra G.

Quando falamos de medicamentos genéricos em Oncologia, ainda temos uma longa caminhada a percorrer, visto que muitas das medicações antineoplásicas (em especial as mais custosas) foram recentemente desenvolvidas e, portanto, ainda tem a patente vigente. Alguns medicamentos já estão disponíveis na sua forma genérica; é o caso do Anastrozol e do Tamoxifeno, medicamentos amplamente utilizados no tratamento do câncer de mama. Alguns quimioterápicos também já estão disponíveis como genéricos; a Doxorrubicina (conhecida por ser sua cor vermelha) é um dos exemplos.

Os genéricos representam pouco mais de 35% do total de medicamentos comercializados no país e já geraram uma economia de R$ 241 bilhões desde sua implantação, em 1999. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos). Em 2022, mais de 1,8 bilhão de caixas de genéricos foram comercializadas no Brasil. O número mostra um aumento de mais de 7% quando comparado ao ano anterior, o que denota confiança nessa modalidade de medicamentos por parte dos laboratório, comerciantes e da população que o consome.

 

 

 

 

Dia Mundial da Saúde do Rim

O dia 9 de marco de 2023 é o Dia Mundial da Saúde do Rim. Uma em cada dez pessoas terá algum tipo de problema relacionado a saúde dos rins, seja cálculo renal (popularmente chamado de pedra no rim), mal funcionamento dos rins (doença renal crônica) ou até mesmo câncer do rim. Essa data foi idealizada pela Sociedade Internacional de Nefrologia com o objetivo de conscientizar a população como um todo sobre eventuais doenças que acometem o órgão. A campanha tem o escopo principal na prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica (insuficiência renal), condição frequente em pacientes que acumulam comorbidades como hipertensão arterial e diabetes mellitus, e que pode culminar na necessidade de hemodiálise.

Os tumores do rim também fazem parte das doenças do rim, e merecem uma parcela de atenção. O câncer primário do rim é relativamente raro; corresponde a aproximadamente 5% de todos os tumores sólidos no adulto. Ele acomete duas vezes mais os homens do que as mulheres, numa faixa etária que varia entre 50 e 70 anos. Infelizmente, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) não dispõe de estatísticas brasileiras sobre câncer de rim. Por se tratar de um câncer não tão frequente, não existem políticas de rastreamento instituídas no Brasil.

Os tumores malignos do rim quase sempre não têm correlação com genética. Existem síndromes hereditárias raras que podem desenvolver diversos tipos de câncer, entre eles os do rim; a mais conhecida é a síndrome de Von Hippel Lindau. No que tange aos sintomas, o câncer de rim é comumente assintomático. Nestes casos, o diagnóstico é feito incidentalmente após a realização de exames de ultrassom ou tomografia do abdome por motivos outros e diversos. Uma pequena parcela (aproximadamente 10%) dos pacientes vai apresentar sintomas, o que denota um quadro mais avançado. Entre eles estão sangramento urinário, dor abdominal, perda de peso, e até mesmo o aumento do volume renal configurando uma massa (tumoração) que pode ser palpada no abdome. O tipo mais comum de câncer do rim é o carcinoma de células claras, que leva esse nome pelas características das células cancerígenas quando vistas ao microscópio.

Para os tumores restritos ao rim, o tratamento de escolha é cirurgia de retirada órgão acometido (nefrectomia), que pode ser parcial ou total. A cirurgia tem papel majoritário na cura do câncer do rim.  Após a nefrectomia, faz-se necessário o monitoramento da função renal junto ao nefrologista (profissional especialista no funcionamento dos rins). Para alguns casos, é necessário discutir a realização de tratamentos medicamentosos complementares com imunoterapia.

O tratamento medicamentoso tem maior relevância para o cenário avançado do câncer de rim, quando existem metástases. Os últimos anos foram ricos em avanços na oncologia, com a consolidação da imunoterapia e de terapias-alvos orais (inibidores de tirosina quinase – TKI), que outrora revolucionaram a história do câncer renal avançado. Hoje, esses tratamentos já são realidade no Brasil. Na saúde privada, a imunoterapia (combinada ou isolada) já faz parte do arsenal terapêutico para o câncer do rim, assim como os as terapias-alvos orais. No SUS, a imunoterapia ainda é um desfalque importante o tratamento do câncer de rim.

 

 

Dados atualizados e alarmantes sobre câncer do colo do útero

Em novembro do último ano, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) publicou o relatório anual de estima de neoplasias malignas, que nos trouxe em números uma realidade infelizmente alarmante. No Brasil, excluindo os tumores de pele do tipo não melanoma, o câncer do colo do útero apareceu em terceiro lugar entre as neoplasias mais incidentes na população feminina.

Para o ano de 2023, estima-se 17.010 novos casos, o que representa uma taxa nacional aproximada de 13 casos em cada 100 mil mulheres. Existe, entretanto, uma discrepância de incidência entre as regiões do Brasil; na região Norte e Nordeste, o câncer do colo uterino ocupa a segunda posição entre neoplasias mais incidentes, com taxas aproximadas de 20/100 mil e 17,5/100 mil, respectivamente. Em contraste a esse dado, na região Sul ocupa a quarta posição (14,55/100 mil) e, na região Sudeste (12,93/100 mil), a quinta posição. No que tange a mortalidade por câncer de colo uterino, a taxa padronizada de mortalidade pela população mundial na região Norte foi de 9,52 mortes por 100 mil mulheres, representando a principal causa de óbito por câncer feminino nessa região.

Alguns fatores contribuem para tais diferenças nos dados e piores desfechos da doença nas regiões Norte e Nordeste. O primeiro e majoritário é a baixa cobertura e eficácia dos programas de rastreamento. Associado a isso, é sabido que essas regiões detêm maiores taxas de infeção pelo HPV (Papilomavirus Humano), principal fator de risco para desenvolver lesões neoplásicas precursoras, que quando não diagnosticadas e tratadas em tempo evoluem para câncer de colo uterino. Por fim, o acesso aos métodos de diagnóstico avançado (colposcopia/imagem/biópsia) e tratamento (cirurgia/radioterapia/quimioterapia) é mais lento nas regiões Norte e Nordeste, o que favorece o diagnóstico em estádio mais avançado e, eventualmente, incurável. Estima-se que 35 a 40% dos casos serão diagnosticados em estádios III (localmente avançado) e IV (com metástases).

O HPV é o principal fator de risco:

O câncer do colo do útero está associado à infecção persistente por subtipos oncogênicos do vírus HPV (Papilomavírus Humano), especialmente o HPV-16 e o HPV-18, responsáveis por cerca de 70% dos cânceres cervicais. Em sua maioria, a infecção pelo HPV é transitória e regride espontaneamente nos primeiros seis meses a dois anos após a exposição. Em um pequeno número de casos, quando a infecção persiste e é causada por um subtipo viral oncogênico, pode ocorrer o surgimento de lesões denominadas precursoras (lesão intraepitelial escamosa de alto grau e adenocarcinoma in situ), cuja identificação e tratamento adequado evita a progressão para o câncer de colo uterino invasivo.

Outros fatores como à imunidade da portadora da infeção, à genética e o comportamento sexual podem influenciar os mecanismos ainda pouco conhecidos que determinam a regressão ou a persistência da infecção, assim como a progressão das lesões precursoras ao câncer. O início de atividade sexual precoce e a prática com múltiplos parceiros são fatores de risco para o desenvolvimento de câncer do colo do útero. A idade também interfere nesse processo, sendo que a maioria das infecções por HPV em mulheres com menos de 30 anos pode regredir espontaneamente, ao passo que acima dessa idade a persistência é mais frequente.

 

Exame citopatológico: rastreamento

 O principal método e mais amplamente utilizado para rastreamento do câncer do colo do útero é o teste de Papanicolau (ou exame citopatológico do colo do útero). Segundo a OMS, uma cobertura da população-alvo de, no mínimo, 80% associada a garantia de diagnóstico e tratamento adequados dos casos alterados, reduz, em média, de 60 a 90% da incidência do câncer cervical invasivo. A experiência de países desenvolvidos mostra que a incidência do câncer do colo do útero foi reduzida em torno de 80% onde o rastreamento citológico foi implantado com qualidade, cobertura, tratamento e seguimento das mulheres (WHO, 2007).

No Brasil, a rotina recomendada para o rastreamento é a repetição do exame Papanicolau a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano. A priorização desta faixa etária como a população-alvo do Programa justifica-se por ser a de maior ocorrência das lesões precursoras de alto grau, passíveis de serem tratadas efetivamente para não evoluírem para o câncer.

Entre 2016 e 2021, observou-se uma oferta estável de exames citopatológicos no Sistema Único de Saúde (SUS), com declínio ao final deste período devido a pandemia de COVID 19. Em 2021, houve um aumento no número de exames em relação à 2020, mas ainda inferior aos patamares alcançados nos anos anteriores à pandemia. As regiões Sudeste e Nordeste foram as que mais realizam de exames.

É importante, entretanto, analisar criteriosamente os dados, assim como a maneira que eles são coletados. Um maior número de exames na população-alvo não garante um programa de rastreamento melhor ou de cobertura efetiva; é necessário considerar a periodicidade dos exames. Um alto número de exames pode ser devido à repetição dos exames pelas mesmas mulheres, em periodicidade menor do que a trienal recomendada. Há ainda que se considerar uma possível superestimação dos dados em função de vieses inerentes aos tipos de pesquisas relacionados à autodeclaração. As respostas autorreferidas podem estar sujeitas a vieses de memória e podem variar de acordo com a compreensão da pergunta. Por fim, é valido ressaltar que o Brasil é um país continental. Sabe-se que a cobertura do exame citopatológico do colo do útero nas capitais é grande e se mantem perto de 80% na última década. Da mesma maneira, o acesso aos serviços de saúde nas capitais tende a ser melhor.

Na tabela abaixo, observamos a proporção de mulheres que realizaram o exame citopatológico do colo do útero em 2019.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2019. Nota: Intervalo de confiança de 95% indicado pela barra de erros.

 

Em 2019, o IBGE reportou que 6,1% das mulheres entre 25 e 64 anos de idade nunca fizeram o exame preventivo. A tabela abaixo compila o principal motivo de nunca ter feito exame preventivo.

 

Principal motivo de nunca ter feito exame preventivo %

Não acha necessário 45,1
Não foi orientada para fazer o exame 14,8
Tem vergonha 13,1
Nunca teve relações sexuais 8,8
O serviço de saúde era distante, demorado ou com horário de funcionamento incompatível com o da mulher 7,3
Outro 5,2
Fez cirurgia de retirada do útero/histerectomia 2,3
Tem dificuldades financeiras 2,1
Está marcado, mas ainda não realizou 1,4

Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional de Saúde 2019.

 

Por fim, é importante citar que a estratégia de rastreamento do câncer de colo de útero deve se modificar em breve no Brasil. Exames de detecção do HPV de alto risco estão sendo amplamente utilizados em países desenvolvidos há algum tempo, a fim de encontrar a parcela de mulheres que estiveram expostas ao vírus (principal fator de risco de câncer cervical) e assim, selecioná-las para um programa específico de exames de vigilância (colposcopia e citologia). Já existem estudos no Brasil, os quais devem motivar alterações na política de rastreamento das mulheres brasileiras.

 

Vacina: a esperança e possibilidade de erradicação

 A prevenção primária do câncer do colo do útero está relacionada à diminuição do risco de contágio pelo HPV. A transmissão do vírus ocorre por via sexual, através de lesões microscópicas na mucosa ou pele da região genital durante o sexo. Consequentemente, o uso de preservativos (camisinha) pode proteger do contágio pelo HPV.

A principal forma de prevenção, entretanto, é a vacina contra o HPV. Em 2014, O Ministério da Saúde implementou no calendário vacinal o imunizante tetravalente contra o HPV para meninas; em 2017, houve ampliação para meninos. A vacina protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do HPV. Os dois primeiros causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70-80% dos casos de câncer do colo do útero. A faixa etária alvo da vacina são as meninas e os meninos com idade entre 9 e 14 anos; o imunizante é mais eficaz se usado antes do início da vida sexual. Preconiza-se duas doses, com intervalo de seis meses entre elas.

No Brasil, o objetivo é vacinar pelo menos 80% da população alvo em busca de uma redução na incidência do câncer cervical nas próximas décadas. A vacinação, associada aos programas de rastreamento efetivos (com Papanicolau e, futuramente, teste de HPV) são a forma mais efetiva de prevenção deste câncer e poderão erradicar o câncer de colo de útero num futuro próximo.

 

10 de março é o Dia Mundial do Rim

Higor Mantovani

CRM 155.725

 

A campanha tem enfoque na prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica; importante destacar também a atenção ao câncer renal

 

No dia 10 de março de 2022 é celebrado o Dia Mundial do Rim. Uma em cada dez pessoas terá algum tipo de problema relacionado a saúde dos rins, seja ele cálculos renais, mal funcionamento dos rins (também chamado de doença renal crônica) ou até mesmo o câncer do rim. O Dia Mundial do Rim foi criado para que profissionais de saúde e a população como um todo pudessem trocar informações sobre as doenças que acometem este órgão.

A campanha tem enfoque principal na prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica (ou insuficiência renal), condição frequente em pacientes que acumulam comorbidades como hipertensão e diabetes mellitus, e que pode resultar na necessidade de terapias renais substitutivas como a hemodiálise. Mas é importante lembrar sobre o câncer do rim e suas peculiaridades.

O câncer renal é relativamente raro e corresponde a aproximadamente 5% de todos os tumores do indivíduo adulto. Em geral, acomete mais os homens, em idade entre 50 e 70 anos, e quase sempre não dá sintomas. Por isso, é frequentemente diagnosticado ao acaso, após a realização de exames de imagem do abdome (ultrassom ou tomografia). Apenas 10% dos pacientes vão apresentar sintomas, sugerindo um quadro mais avançado. Podem surgir sangramento urinário, dor abdominal, perda de peso, ou até mesmo o aumento do volume renal configurando uma massa (tumoração) que pode ser palpada no abdome.

O tipo mais comum de câncer renal é o carcinoma de células claras. Ele tem esse nome pelas características das células do câncer quando vistas ao microscópio. Para os tumores localizados (restritos ao rim), o tratamento de escolha e que leva a cura é cirurgia de retirada rim, que pode ser parcial ou total. O tratamento com remédios está reservado para o cenário avançado do câncer de rim, quando já existem metástases. Felizmente, os avanços na oncologia trouxeram o advento da imunoterapia e de terapias-alvos orais que revolucionaram a história do câncer de rim avançado.

Para evitar o câncer do rim (e os demais problemas da saúde dele) é importante estar sempre cultivando um estilo de vida saudável; hidratar-se bem, combater o sedentarismo e a obesidade, e controlar doenças crônicas como hipertensão e diabetes fazem parte de um roteiro básico de uma boa saúde. Manter uma rotina de avaliações médicas também é importante. O monitoramento de exames de sangue (como ureia e creatinina), o exame clínico do abdome e a complementação com exames de imagem nos permite acompanhar a saúde dos rins. Eventualmente, esses exames podem evidenciar achados suspeitos em um dos rins e deflagrar o processo de investigação de um possível câncer de rim.

 

Mostre-me a evidência: “É possível curar o câncer de mama sem quimioterapia?”

Higor Mantovani

CRM 155.725

 

Desde 2008, o mês de outubro vem sendo “pintado” de rosa, trazendo à tona pautas importantes sobre o câncer da mama, o tipo de câncer mais incidente na população feminina. Muitos tabus e medos das mulheres se findaram em razão da força e do sucesso informativo das campanhas do outubro rosa. Para 2021, não deve ser diferente!

O programa “Mostre-me a Evidência” do grupo SOnHe retoma suas atividades neste mês de outubro, trazendo evidências para tratarmos de um assunto que muito se discute: afinal, é possível curar o câncer sem a tão temida quimioterapia?

Felizmente, é possível responder que sim!

E o motivo dessa resposta se dá porque hoje podemos diagnosticar o câncer precocemente pelo rastreamento. Muitos estudos atuais provaram que mulheres com tumores chamados iniciais, com nódulos pequenos de até 2 ou 3 cm, sem ou com mínimo acometimento dos gânglios axilares, podem não precisar da quimioterapia. É evidente que essa decisão é tomada de maneira muito criteriosa, embasada não só em aspectos clínicos de cada paciente, mas também em conjunto com informações da biopsia (por exemplo: o subtipo do tumor, e se existe relação com hormônios ou não) e mais recentemente com o auxílio de ferramentes genômicas, que nos possibilitam estimar o risco de recidiva da doença num futuro, e, portanto, definir por indicar ou não a quimioterapia com mais propriedade.

Apesar de toda essa tecnologia que já está disponível, o adequado uso dela só terá sentido se de fato diagnosticarmos a doença no seu estágio inicial. E daí, por mais que já se fale muito sobre isso, é de extrema importância reforçar que cada deve mulher procurar o seu médico e manter em dia os exames de rastreamento da mama. Há quem vai “advogar contra” a mamografia e o ultrassom, dizendo que ambos não previnem câncer e que apenas podem diagnosticar precocemente a doença. Mas é justamente disso que precisamos para ter a chance de curar o câncer apenas com cirurgia, radioterapia e medicações orais.

Aproveite esse outubro rosa para regularizar os seus exames de rotina.

Compartilhe esse texto com seus amigos e pessoas próximas, e possibilite que mais mulheres façam o diagnóstico precoce do câncer de mama.

 

 

Obesidade: o que devemos saber

Higor Mantovani

CRM 155.725

Sabemos, hoje, que a obesidade tomou proporções epidêmicas, tornando-se responsável pelo desenvolvimento e agravamento de doenças crônicas, tal como hipertensão, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, problemas respiratórios e até mesmo câncer. Tecnicamente, a obesidade em adultos é definida pelo parâmetro do Índice de Massa Corpórea (IMC) superior a 30. Já aqueles indivíduos com IMC entre 25 e 29,9 são considerados portadores de sobrepeso.

O tema em pauta se torna ainda mais preocupante quando nos damos conta de que as doenças citadas anteriormente respondem pelos maiores percentuais de morbimortalidade a nível de Brasil e mundo. Na atual pandemia que vivemos, vimos ainda a obesidade se apresentar como um importante fator de risco para o desenvolvimento da forma grave da COVID-19. Tais fatos reforçam ainda mais a importância da conscientização e do combate a obesidade e ao sobrepeso. A adoção de um estilo de vida mais saudável interfere diretamente no controle e desenvolvimento de tais doenças. Exercícios físicos regulares, associados ao menor consumo de produtos embutidos/industrializados e ao combate ao alcoolismo e tabagismo são medidas que contribuem para a prevenção de doenças crônicas.

Quando falamos especificamente do câncer, é sabido que aproximadamente 15 a 20% dos casos tem relação com obesidade. Ressalto aqui a correlação mais intima com o câncer colorretal, de útero (endométrio) e de mama. A obesidade responde ainda por 7 a 10% dos óbitos em pacientes oncológicos, além de proporcionar um maior risco de complicações decorrentes do tratamento, como infecções. E não para por aí; diversos estudos demonstraram que manter-se obeso ou com sobrepeso após o tratamento do câncer da mama pode aumentar o risco de recidiva de doença.

Nunca é tarde para a mudança do estilo de vida e o início de hábitos mais saudáveis. Essa postura, entretanto, requer dedicação e regularidade. Para isso, existem diversos profissionais engajados com esse objetivo e dispostos a auxiliar neste desafio; é o caso do educador físico, do nutricionista, do fisioterapeuta, e de muitos outros que podem contribuir no processo de combate ao sedentarismo e ao excesso de peso. Procure ajuda, se movimente e estimule as pessoas ao seu redor a adotar uma vida mais saudável e ativa.

 

Dia Internacional do Idoso

No dia 1˚ de outubro é celebrado o Dia Internacional da Pessoa Idosa. A data foi estabelecida em 1991 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de tornar evidente questões relacionadas aos direitos e a saúde do idoso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que idosos são indivíduos com 60 anos ou mais. Desde a transição do milênio temos visto uma inversão nas pirâmides populacionais a nível mundial. A causa deste fenômeno certamente está relacionada ao maior zelo e investimento na saúde e nos direitos dos idosos.

É esperado que o avançar da idade cronológica caminhe em paralelo ao surgimento de doenças crônicas. Como representantes deste grupo de moléstias podemos citar a hipertensão, o diabetes, as doenças cardiovasculares e até mesmo o câncer. É também fato que a medicina moderna evoluiu e aprendeu a lidar com essas morbidades, tornando-as passiveis de controle (ainda que parcialmente). Hoje, um paciente portador de câncer aos seus 70-80 anos tem tratamentos de segurança e eficácia muito superiores aos existentes nos anos 80-90.  Com isso, em alguns casos, é possível preservar e prolongar a vida de pessoas que outrora foram desenganados ao diagnóstico.

Mas o Dia do Idoso chega para algo que vai além da celebração de novos medicamentos e da evolução da medicina; ele vem para nos convocar a uma reflexão sobre como envelhecer de maneira saudável. Afinal, melhor do que tratar doenças é poder preveni-las. Para isso, faz-se necessária a propagação de estratégias preventivas para as doenças citadas anteriormente e para tantas outras, com foco em evitá-las ou diagnosticá-las precocemente.

Precisamos intensificar políticas que venham combater os vilões de uma boa saúde e da longevidade, tais como o tabagismo, o alcoolismo, a obesidade e o sedentarismo. É preciso garantir acesso e agilidade na atenção primária, além de revisitar as políticas de rastreamento de câncer, garantindo os exames e procedimentos necessários. É preciso rever o fluxo para aqueles idosos com doenças recém diagnosticadas, com tratamento em tempo hábil e adequado. É preciso zelar pela saúde mental do idoso; para alguns, o envelhecimento é sinônimo de regressão, solidão e de perda de autonomia. Em conjunto, é de importância ímpar buscar o adequado posicionamento social do idoso (até no mercado de trabalho se desejo for), com a devida garantia e respeito aos seus direitos.

Que no dia 1˚ de outubro possamos resgatar nos idosos o sentimento de respeito das palavras “senhor” e “senhora”, e fazê-los sentir orgulho disso. Afinal, todos chegaremos lá um dia e esperamos encontrar uma sociedade justa, que se preocupe com o bem-estar dos seus idosos. Fica aqui os parabéns e o sentimento de gratidão do Grupo SOnHe para com nossos amigos, familiares e pacientes que já se encaixam na definição de idoso.