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Alimentos e hidratação para o verão: algo diferente das outras estações?

Thaize Polizelli

Nutricionista clínica

 

Com os termômetros registrando altas temperaturas, é preciso redobrar os cuidados com a alimentação e, principalmente, com a hidratação. No caso dos pacientes oncológicos, a atenção deve ser ainda maior, já que a dieta precisa ser equilibrada para suas necessidades durante o tratamento, sendo rica em frutas, verduras e legumes diversificados, alimentos integrais, gorduras boas e fontes proteicas. Sem esquecermos da HIDRATAÇÃO.

O calor promove uma perda significativa de água e eletrólitos, como potássio, magnésio e sódio. Estas substâncias são essenciais para o funcionamento adequado do nosso corpo. Devemos sempre nos atentar à quantidade de água ingerida no dia a dia para mantermos toda a funcionalidade do nosso organismo. A Organização Mundial da Saúde recomenda a ingestão de 2 a 2,5 litros de água ao longo do dia e, para atingirmos a recomendação, o verão pode ser nosso aliado por meio de:

 Sucos de frutas: as frutas cítricas são bem toleradas durante o período de tratamento; então, faça suco com as frutas da estação que, além de mais doces, possuem mais nutrientes por sua sazonalidade adequada. Abacaxi, caju, melancia, melão, limão, manga, maracujá, tangerina, kiwi, uva, maçã, entre outras.

Utilize água filtrada ou água de coco para o preparo; chá preparado em casa com gengibre e batido com fruta é uma ótima opção para os pacientes nauseados.

A dica também está em preparar o suco utilizando a casca dos alimentos, que deve estar higienizada corretamente. O suco não deve ser coado antes do consumo, assim as fibras ficam garantidas.

Combinar frutas com verduras (e até legumes!) é uma opção interessante, pois além de hidratar, diversifica e aumenta a quantidade de frutas, verduras e legumes ingeridos no dia. Maçã, limão e couve pode ser uma das combinações, assim como maracujá e um pouco de manjericão. Use a criatividade!

Carregue sempre com você uma garrafinha com água, pois o consumo de água é um hábito. Temos o péssimo costume de beber água apenas quando temos sede, mas esquecemos que sede é o primeiro sinal de desidratação.

Sacolé, picolé e gelo de fruta: uma outra forma de consumir as frutas no verão é na forma de sacolé, picolé e até gelo.

Para o sorvete podemos apenas picar as frutas da nossa preferência, dispô-las em fôrmas próprias para picolé ou copos descartáveis com um palito de sorvete, completar com água de coco, chás naturais de ervas claras preparados em casa como: hortelã, camomila, erva doce e gengibre e ou suco de fruta e levar para o congelador. Temos outra opção de picolé: faça uma massa batendo a fruta da sua preferência com um pouco de liquido, incluído o leite.

Já para o sacolé e o gelo, deve-se bater a fruta com pouca água (ou outro líquido) até obter uma consistência mais pastosa e dispor tudo em suas respectivas embalagens.

Lanches naturais: se preparado adequadamente, pode substituir uma refeição completa. Utilize patês feitos em casa como os de frango, de sardinha, de grão de bico, entre outros. Recheie o pão, tapioca ou outra fonte de carboidrato com o patê escolhido, folhas e legumes.

Lembre-se de procurar sempre um nutricionista especialista na área para melhor adequação da sua dieta ao seu tratamento.  E mantenha-se hidratado!

Verão e Câncer de Pele: O que devemos saber?

Verão e Câncer de Pele: O que devemos saber?

Moramos em um país tropical, com temperaturas altíssimas o ano todo e com vários destinos turísticos contemplados por praias. É natural nos expormos mais ao sol, o que pode, com o passar do tempo, causar graves danos a pele entre eles o câncer.

O câncer de pele é o mais comum, sendo responsável por 25% de todos os casos de câncer na população adulta e aumentou cerca de 55% nos últimos 10 anos, causando 1 morte a cada 3 horas no mundo todo. E como a pele é formada por diferentes células, existem diferentes tipos de tumores, com agressividades e tratamentos diferentes.

Os tipos mais comuns de câncer de pele são o Carcinoma Epidermóide(CEC) ou Espinocelular, o Carcinoma Basocelular (CBC) e o mais temido de todos, o Melanoma.

O Basocelular é o mais frequente (cerca de 70%) e também o menos agressivo. É formado à partir de células chamadas basais, muito frequentes na pele, e por isso o seu nome. Ocorre com maior frequência nas áreas mais expostas ao sol como rosto e pescoço, sendo o nariz o local mais acometido. Tem crescimento lento e por isso, raramente causa metástase que é quando o tumor se espalha para outros órgãos, mas pode causar sérios danos às estruturas no local onde ele surge. Seu tratamento é essencialmente cirúrgico, ou seja, tem altas taxas de cura quando ressecado completamente. Recentemente foi aprovado no Brasil uma nova droga chamada Vismodegib para o tratamento desse tipo de câncer de pele quando não se pode mais curá-lo com cirurgia ou radioterapia.

O Carcinoma Epidermóide é o segundo mais comum, representando 20% de todos tumores de pele. É formado à partir de células chamadas escamosas que podem ser encontradas em todas as camadas da pele. Acomete com maior frequência o couro cabeludo, orelhas e face em indivíduos após os 50-60 anos. Seu tratamento inicial também é cirurgia, mas é um tumor mais agressivo do que o Basocelular e se não for retirado rapidamente pode se espalhar para outros órgãos e estruturas sendo necessário quimioterapia para tentar controlar os sintomas e seu crescimento.

O mais temido de todos os canceres de pele, o Melanoma é o menos frequente, cerca de 4% de todos os tumores de pele, mas foi responsável por 1500 mortes no Brasil em 2017, segundo dados do INCA. É formado à partir dos melanócitos, células da pele responsáveis pela produção da melanina, pigmento que dá cor a pele, por isso a maior parte dos melanomas tem o cor preta. Pode acometer além da pele, os olhos, mucosas e genitais. O melanoma é altamente agressivo, com capacidade de se espalhar rapidamente para quase qualquer lugar do corpo, inclusive para o cérebro. A cirurgia é a melhor forma de curá-lo. Atualmente estamos vivendo uma revolução no tratamento do melanoma nas suas formas mais avançadas ou seja, metastáticas, com surgimento de medicamentos novos chamados de drogas alvo e a imunoterapia. Esses novos medicamentos tem aumentado substancialmente o tempo e a qualidade de vida dos pacientes com suas formas mais avançadas.

Os principais fatores de risco para todos os tumores de pele são:

  • Pele e olhos claros
  • Exposição prolongada ao sol ao longo da vida
  • Vários episódios de queimaduras solares grau I e II
  • Fatores genéticos (cerca de 10% dos casos)

Quando várias pessoas da mesma família já tiveram tumores de pele. Nessas pessoas os cuidados devem ser redobrados e a consulta ao dermatologista deve ser feita de rotina.

Para aqueles pacientes que necessitam de exposição ao sol para produção de vitamina D, a recomendação é a exposição de alguma parte do corpo (não precisa ser o corpo todo) por 10 a 15 min ao dia, evitando o horário de maior incidência dos raios solares ( 9h-16 h). Dessa forma garante-se os benéficos do sol, mas sem comprometer a saúde.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, as medidas de proteção para evitar câncer de pele são:

  • Usar chapéus, camisetas, óculos escuros e protetores solares.
  • Cubra as áreas expostas com roupas apropriadas, como uma camisa de manga comprida, calças e um chapéu de abas largas.
  • Evitar a exposição solar e permanecer na sombra entre 10 e 16 horas (horário de verão).
  • Na praia ou na piscina, usar barracas feitas de algodão ou lona, que absorvem 50% da radiação ultravioleta. As barracas de nylon formam uma barreira pouco confiável: 95% dos raios UV ultrapassam o material.
  • Usar filtros solares diariamente, e não somente em horários de lazer ou de diversão. Utilizar um produto que proteja contra radiação UVA e UVB e tenha um fator de proteção solar (FPS) 30, no mínimo.  Reaplicar o produto a cada duas horas ou menos, nas atividades de lazer ao ar livre. Ao utilizar o produto no dia a dia, aplicar uma boa quantidade pela manhã e reaplicar antes de sair para o almoço.
  • Observar regularmente a própria pele, à procura de pintas ou manchas suspeitas.
  • Manter bebês e crianças protegidos do sol. Filtros solares podem ser usados a partir dos seis meses.
  • Consultar um dermatologista uma vez ao ano, no mínimo, para um exame completo.