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Um balanço do ASCO 2017 pela visão do Dr. André Sasse e da Dra. Vivian Antunes

A sequência do congresso nos trouxe algumas apresentações marcantes.
Algumas delas tentaram provar que, em algumas situações, “menos é mais”. Ou seja, menos tratamento poderia proporcionar igual eficácia com menos efeitos colaterais.
Em pacientes submetidos à cirurgia curativa para câncer de colón e reto estádio III, foi estudada a possibilidade de diminuir o tempo de tratamento quimioterápico pós-operatório, dos atuais seis meses (o padrão) para três meses. Infelizmente, apesar de consideravelmente menos tóxico, o tratamento por três meses não pode ser considerado equivalente ao de seis meses, em relação à eficácia. Pelo menos não para todos os pacientes.
Resultados diferentes foram encontrados em pacientes com câncer de próstata, tratados com radioterapia. Para pacientes com alto risco de recidiva, o tempo de tratamento hormonal usado como padrão era de 36 meses. Já um novo estudo apresentado, demonstrou que fazer hormonioterapia por 18 meses deve ser suficiente. Melhor para os homens que sofrem muito com os efeitos da supressão de  testosterona. Nesse caso, menos tempo de tratamento trará melhora da qualidade de vida.
Na opinião do Dr. André Sasse, os resultados mais impressionantes foram os apresentados na sessão plenária do congresso, avaliando a importância da monitorização ativa. Nesse caso, são monitorados os sintomas e efeitos colaterais do tratamento em pacientes em tratamento quimioterápico.

A avaliação convencional foi utilizada como comparativo. Consiste em consultas periódicas antes das aplicações de quimioterapia, onde os médicos avaliam os efeitos colaterais do tratamento e ajustam os medicamentos e doses de acordo com a avaliação, caso seja necessário.

 

O monitoramento ativo se deu através de formato eletrônico. Com lembretes semanais aos pacientes, eles questionavam sintomas específicos. Um profissional de enfermagem era alertado automaticamente em caso de problemas, e esse mesmo profissional encaminhava o problema ao médico responsável ou resolvia por si em casos de baixa complexidade.
Esse sistema de monitoramento ativo diminuiu as complicações, a utilização de recursos hospitalares e o uso de pronto-socorros, como esperado. Também causou um impacto em sobrevida bastante significativo, muitas vezes não observado com a introdução de novas e caras tecnologias.

Assim, uma intervenção simples, barata e que aproxima médicos e enfermeiros dos pacientes, foi capaz de melhorar o seu prognóstico.
“É interessante observar que grandes avanços nos cuidados dos pacientes com câncer, vêm deixando a terapia mais simples e mais humana. E que a proximidade e o tratamento humanizado fazem muita diferença”, conclui André.

Já a Dra. Vivian Castro Antunes de Vasconcelos, trouxe suas análises sobre as novas perspectivas apresentadas no tratamento do o câncer de mama.

Segundo ela, as conquistas no tratamento do câncer de mama foram muitas nas últimas décadas, mas após essa ultima edição do Congresso Americano de Oncologia Clínica (ASCO 2017), ficou claro que a busca por novos tratamentos efetivos segue cada vez mais viva.

Os esforços dos oncologistas e pesquisadores do mundo todo se traduziram em brilhantes apresentações e ricas discussões.
Por ter tido a oportunidade de participar desse importante momento, Dra. Vivian escolheu alguns novos dados para compartilhar por aqui:

Com relação ao câncer de mama metastático, para as pacientes que têm receptores hormonais positivos,  foram apresentados três estudos interessantes demonstrando o papel da inibição da via do CDK4 e CDK6, o que é um conhecimento relativamente recente, e capaz de melhorar significativamente o tempo de vida das pacientes que vivem no cenário da doença ainda incurável.

O estudo Monarch 2 mostrou que para  pacientes que já tiveram progressão de doença com uma linha de tratamento hormonal, a associação de duas drogas, sendo uma já conhecida, chamada Fulvestranto e outra nova droga chamada abemaciclibe, traz um grande benefício clínico, mostrando 16 meses de boa resposta ao tratamento e sem aumentos na doença, enquanto o tratamento padrão até então proporciona 9 meses.

Para as pacientes que apresentam o subtipo de doença triplo-negativo também tivemos boas novidades, trazendo grande ânimo para esse tipo específico de doença, que apesar de ser o mais agressivo, ainda é o que conta com alternativas mais restritas de tratamento. Nos alegrou muito perceber que o conhecimento de novas vias moleculares são muito promissoras para que se possa encontrar melhores opções de tratamentos.

Dra. Vivian também considera importante, apresentar os dados em relação a inibidores da PARP e inibidores do PD1 (Imunoterapia).

O uso de um inibidor da PARP chamado talazoparibe para pacientes com mutação nos genes BRCA1/ BRCA2 mostrou grandes taxas de resposta, com redução expressiva da doença, mostrando a importância da inibição da PARP nessas pacientes.

Com relação à imunoterapia, que vem cada vez mais se revelando como uma verdadeira revolução no tratamento do câncer, o estudo Keynote 086 mostrou que o uso de Pembrolizumabe, inibidor de PD1, apesar de trazer taxa de resposta não expressiva, chamou muito a atenção foi peloprolongamento do tempo de vida surpreendente das poucas pacientes que responderam ao tratamento, conquistando um aumento no tempo de vida nunca antes visto, sendo importante ressaltar que as pacientes mantiveram excelente qualidade de vida durante o tratamento.

Para as pacientes com doença do subtipo HER2 superexpresso, onde os avanços conquistados na última década já se mostraram transformadores completos da história da doença, o estudo que trouxe certa inovação foi com o uso de uma droga já bem conhecida, mas em um contexto diferente.

Estamos falando do estudo Aphinity, no qual o uso do Pertuzumabe no tratamento adjuvante, ou seja, para pacientes que não tem doença metastática, e onde nosso foco está na cura ou no aumento do tempo livre de recorrência. O uso de dois agentes anti-Her 2, Pertuzumabe e Trastuzumabe foi capaz de melhorar ainda mais o que já conhecíamos com um agente único, passamos a ter 94,1% de pacientes completamente livres da doença em 3 anos. A magnitude do ganho com esse tratamento foi maior para pacientes com linfonodos comprometidos e com receptores hormonais positivos.

Apesar do estudo ser criteriosamente positivo para o que se propôs avaliar, considero que seja prudente fazer a ressalva de que os custos do tratamento são elevados mesmo para a realidade de países desenvolvidos, diante de um incremento dessa vez discreto, justificado pelo ganho extraordinário que já havíamos conquistado com o uso isolado de Hereceptin (93,2% em 3 anos), fazendo com que sua implementação seja cautelosamente pensada.

Dentre esses pontos importantes sobre os quais Dr. André e Dra. Vivan escolheram falar, fica a grande sensação de que muito trabalho tem sido feito e que estamos melhorando de forma mais acelerada do que em tempos anteriores, o que traz grande injeção de ânimo e esperança.

O que vimos no ASCO 2017 até agora!

Trouxemos aqui um diário sobre o que estamos acompanhando no ASCO 2017 ao longo destes dias.  Tomei a iniciativa de fazer um breve resumo.

Antes mesmo de começar a expectativa era de que, com os recentes anúncios de Trump, o debate permearia temas políticos, além de dados e estudos que poderiam mudar de forma imediata o tratamento realizado com alguns pacientes, deixei tudo registrado neste post.

A abertura, como citei aqui, foi inspiradora! Daniel Hayes, presidente da sociedade americana, falou brevemente sobre o corte orçamentário proposto pelo presidente Trump. Mas, principalmente, a proposta foi chamar todos para participar da solução dos problemas. Todos podem fazer a diferença e esta foi sua principal mensagem

A Dra. Vivian ainda falou neste outro post sobre a palestra também inspiradora e comovente do Dr. Siddartha Mukherjee, autor do best seller “O imperador de todos os males, uma biografia do câncer”. Em sua palestra ele fala sobre o tratamento humanizado que todo paciente necessita e merece, em suas palavras, devemos nos importar de forma intensa e genuína com o problema que temos junto com cada um de nossos doentes.

Hoje, dois estudos foram apresentados demonstrando que o uso precoce de Abiraterona em pacientes com câncer de próstata metastático faz com que o risco de progressão da doença diminua em mais de 70% e a sua expectativa de vida alcançar níveis sem precedentes. Detalhei a apresentação neste post.

Vamos trazer mais informações ao longo dos dias para vocês, acompanhem aqui no site e no facebook.

Estudos do uso de Abiraterona foram apresentados no ASCO 2017

Uso mais  precoce de Abiraterona em pacientes com câncer de próstata metastático faz a sua expectativa de vida alcançar níveis sem precedentes.
Dois estudos foram apresentados  no ASCO 2017 Meeting, avaliando se o uso de Abiraterona poderia ser benéfico a pacientes que fizeram diagnóstico de câncer de próstata metastático.
Até hoje, a Abiraterona vinha sendo usada tardiamente, em pacientes nos quais sua doença não era mais controlada com terapia hormonal convencional (supressão de testosterona).
Mas os dois estudos apresentados, de nome LATITIDE e STANPEDE – um deles na sessão plenária principal do congresso – demonstraram que em pacientes que acabaram de diagnosticar doença metastática, o uso concomitante de abiraterona à supressão de testosterona prolongou o tempo médio de controle da doença em aproximadamente 18 meses. E o risco de progressão da doença diminuiu em mais de 70%.
A expectativa de vida também melhorou, com diminuição de risco de morte por câncer de 37% em um estudo e 38% no outro.
A qualidade de vida dos pacientes tratados foi preservada, com efeitos colaterais pouco relevantes.
Estes resultados mostram um avanço impressionante no tratamento do câncer de próstata metastático, nos quais a cura não é mais possível. O controle de doença a longo prazo era um desafio, ainda mais mantendo uma boa qualidade de vida, sem precisar usar quimioterapia ou tratamentos mais agressivos.
A Abiraterona é um medicamento oral, usado continuamente, e também atua na via hormonal para controlar o câncer de próstata.
Agora o desafio será dar acesso à população, pois o custo da Abiraterona é alto, mesmo para planos de saúde, e não disponível no SUS.

Dr. Siddartha Mukherjee, arranca lágrimas na ASCO 2017

Sentada em meio aos meus muitos colegas oncologistas, vindos de todos os cantos do mundo para o congresso americano de oncologia.
Reconheço que viemos todos ávidos por novos conhecimentos, e realmente estamos vivendo um momento sem precedentes na histórica busca pela cura do câncer, mas sobre os diversos avanços que estamos vendo aqui falaremos em outro momento.
Hoje quero falar sobre a aula que tivemos com o Dr. Siddartha Mukherjee, autor do best seller “O imperador de todos os males, uma biografia do câncer”, que além de renomado médico é também dono das doces e certeiras palavras que conseguiram atingir o coração de todos, e acabaram por arrancar lágrimas dos milhares presentes.
Gostaria de dividir por aqui esse sentimento tão importante que conquistou toda minha atenção:
Em sua apresentação, dentre outras coisas, Siddartha mostrou que nossas lágrimas podem sim rolar junto às dos nossos pacientes, e que sobretudo, devemos nos importar de forma intensa e genuína com o problema que temos junto com cada um de nossos doentes.
Suas palavras vão de encontro aos pensamentos de Yung, que já dizia que além de dominar teorias e técnicas, devemos tocar uma alma humana sendo apenas outra alma humana.
Por fim, quero compartilhar que esse momento foi capaz de reavivar ainda mais esse sentimento que anima minha própria vida, o sentimento de amor aos pacientes. Saio da aula feliz, por ser alguém que tem como missão da própria vida, o cuidado de pacientes com câncer, e por estar ainda mais motivada por seguir esse caminho.

Dra. Vivian Antunes

Todos podem ajudar! Essa foi a mensagem central da abertura do ASCO 2017

Inspiradora. Assim considerei a apresentação de abertura do 2017 ASCO Meeting, feita pelo presidente da sociedade americana, Daniel Hayes.
Com o tema do congresso “Making a Difference in Cancer Care *WITH YOU*” (fazendo a diferença no tratamento do câncer *COM VOCÊ*), a proposta foi chamar todos para participar da solução dos problemas.
Houve um breve momento de protesto contra o corte orçamentário proposto pelo presidente Trump. Mas Dr. Hayes lembrou a famosa frase de Kennedy, “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”. E convocou a todos a pressionarem congressistas para criar uma legislação mais favorável aos cuidados dos pacientes com câncer, mas também a participaram com mais responsabilidade com iniciativas da própria ASCO. A ideia é que cada voz pode fazer diferença, e também de que cada dólar doado pode ajudar a financiar pesquisas e inovações.
Dr. Hayes ainda ressaltou que apesar de estarmos longe de curar todos os tipos de câncer, já conseguimos curar uma razoável parcela de pacientes. E essa evolução se deu por dedicação de pesquisadores, por compreensão científica e pela participação de pacientes em pesquisas clínicas bem planejadas.
A mensagem que fica é que, cada pessoa pode dar sua contribuição. Seja com trabalho, com voluntariado, com doações em dinheiro para pesquisas, com divulgação científica, com pressão para políticos legislarem de maneira mais responsável… Todos podem ajudar. E fazer a diferença.
E apesar de ser um congresso nos EUA, o discurso é completamente apropriado para nossa realidade no Brasil.

Dr. André Sasse

Mais um passo para o tratamento do Câncer

Pela primeira vez na história, o FDA (órgão que regulamenta o uso de medicamentos nos EUA), aprovou o uso de uma medicação para o tratamento de diferentes tipos de câncer, independente do órgão acometido. Tem-se como base a existência de alterações moleculares especificas nas células tumorais.

Essa droga é o Pembrolizumabe (Keytruda) , que faz parte do mais novo arsenal contra o câncer. O medicamento é capaz de ativar o sistema imunológico do paciente, fazendo com que o organismo combata o câncer de forma mais eficaz e também com menor toxicidade. São as chamadas imunoterapias.
Alguns indivíduos têm mais chances de sucesso no tratamento com essa medicação. Aqueles que apresentam uma alteração nas células, chamada de “instabilidade microssatélite” terão provavelmente maior beneficio.

No dia a dia, durante o processo natural de divisão de nossas células, o nosso DNA pode sofrer danos que geralmente são prontamente reparados. Quando há essa “instabilidade microssatélite”, esse processo de reparação é prejudicado, aumentando as chances do câncer aparecer. Por sua vez, essas neoplasias têm maiores chances de responder a essa nova medicação.

O benefício parece acontecer independente do órgão onde o tumor começou. Por  isso, em 23 de maio desse ano, essa droga foi liberada nos EUA para uso em qualquer tumor sólido com instabilidade microssatélite que tenha falhado a outros tratamentos.

Essa alteração molecular está presente em aproximadamente, 5% dos tumores metastáticos.

É a primeira vez que a aprovação de um tratamento leva em consideração apenas alterações moleculares especificas e não o órgão onde o tumor começou. Isso pode significar um grande avanço, principalmente para neoplasias cujos tratamentos convencionais são menos eficientes ou que as opções de tratamentos são restritas.

Além disso, sinaliza a possibilidade de aprovações mais rápidas de medicamentos em contextos, onde os estudos nos modelos atuais são mais difíceis, longos e caros.

A aprovação pelo FDA levou em consideração pesquisas preliminares que mostraram taxas de resposta da ordem de 40% nos tumores estudados com instabilidade microssatélite. Esses resultados ainda deverão ser confirmados por estudos maiores, mas já foi o suficiente para garantir a autorização para seu uso pelo órgão americano.
No Brasil , o Keytruda  já foi registrado pela ANVISA, mas esta aprovado no momento para o tratamento de melanoma (um tipo de câncer de pele) metastático.

Espera-se agora, a avaliação e aprovação dessa medicação para outros tipos de tumores no nosso país, para que mais pacientes possam ser beneficiados.
Nesse momento inclusive, acontece na cidade de Chicago nos EUA, o maior congresso de Oncologia do mundo, onde são aguardados diversos resultados de estudos com Keytruda e outras drogas de ação semelhante.

Vinícius Correa da Conceição
CRM: 120034

O que devemos esperar do #ASCO17

Chegamos em Chicago para participar do Asco Meeting 2017, encontro que reune mais de 30.000 profissionais de oncologia para discussões sobre o tema. O evento começa amanhã, mas posso dizer que grande parte da discussão, vai ser política.

Recentemente o presidente norte-americano Donald Trump propôs um corte de quase 6 bilhões de dólares no orçamento do NIH para 2018. Essa proposta coloca em risco planos em curso como a “Precision Medicine Initiative”, e o “Cancer Moonshot 2020”, dos quais podemos falar posteriormente.

No entanto, as expectativas são para a apresentação de dados que podem mudar a forma como tratamos alguns pacientes, de forma imediata.

Um dos estudos mais aguardados é a apresentação de uma análise prospectiva de dados individuais a respeito da duração do tratamento quimioterápico pós-operatório, em pacientes com câncer colorretal. Atualmente, os pacientes recebem, depois da cirurgia para retirada do tumor, seis meses de quimioterapia baseada em oxaliplatina. No entanto, a metanálise de seis grandes estudos (alguns estavam em andamento) promete avaliar se três meses não seriam suficientes.

Na prática, seria um grande benefício aos pacientes, que poderiam receber menos terapia com a mesma eficácia, e também para os gestores, que gastariam a metade do que gastam hoje com esse tipo de tratamento.

Os dados serão apresentados neste domingo, vamos aguardar.

Um breve histórico do SOnHe

A origem do SOnHe tem relação com os motivos que nos levaram a escolher a oncologia como especialidade, já no início da carreira. Ajudar pessoas quando elas mais precisam.

A vontade de ajudar mais, de estar mais presente e envolvido com os pacientes em momentos tão delicados nos fez pensar diferente.

Primeiramente, buscamos por treinamento técnico, para saber quando e como utilizar as mais avançadas tecnologias, sem desperdiçar recursos e sem oferecer procedimentos supérfluos. Sem ser obstinados pelos tratamentos mais agressivos, mas por oferecer o tratamento mais individualizado, mais adequado para as necessidades de cada pessoa. Para isso foi necessário treinamento em Medicina Baseada em Valores, além de conhecimentos de economia em saúde.

Crescimento.

Gradualmente a equipe foi crescendo, com a adição de profissionais com expectativas semelhantes, e que sonhassem juntos com uma oncologia mais humana.

A oncologia evoluiu com equipamentos, quimioterápicos e outros medicamentos, em um crescente de tecnologia impressionante. Mas toda essa evolução precisa ser usada com inteligência. E a compreensão dos desejos de cada paciente foi sempre o foco de cada um dos membros do SOnHe.

Com o crescimento do grupo, podemos oferecer os cuidados oncológicos em diferentes instituições, com diferentes perfis. Buscando também a sustentabilidade dos sistemas de saúde, nos envolvemos com a avaliação de novas tecnologias em saúde, e criamos novas evidências para aplicação na prática clínica. De maneira organizada e profissional, foi possível assim expandir o conceito de personalização do tratamento em diferentes hospitais e clínicas.

Nossas Missão e Visão.

Nossa missão traduz especialmente esse sentimento: “Oferecer excelência no cuidado oncológico e na produção de conhecimento, de forma ética, científica e humanitária, através de uma equipe motivada, inovadora e comprometida com o ser humano.”

A adição de membros à equipe tem sido feita com a visão de “Ser reconhecido nacionalmente e internacionalmente pela classe médica, científica e pela sociedade como grupo de referência no cuidado oncológico e na produção do conhecimento.”

Enfim, as tecnologias mais avançadas podem ajudar muitos pacientes. E o melhor momento para se utilizar cada opção, a compreensão dos riscos, dos benefícios, dos custos, dos efeitos colaterais… do impacto na qualidade de vida… tudo isso é preocupação de cada um de nós.

Nossos valores.

  • Ética e Respeito
  • Honestidade
  • Excelência técnico-científica
  • Humanização
  • Comprometimento
  • Afetividade
  • Referência no trabalho em equipe

Como equipes integradas podem melhorar os resultados?

Resultados com verdadeiro impacto são melhor alcançados em equipes compostas por profissionais diferentes, mas que compartilham um perfil semelhante. O cuidado integral do paciente pode envolver apenas o médico numa minoria das vezes. Em oncologia, frequentemente é necessária uma abordagem global, envolvendo oncologista, cirurgião, clínico, enfermagem, fisioterapia, psicologia, nutrição, odontologia, entre outros.

A compreensão dos desejos de cada paciente e o que é necessário para melhorar sua saúde é um objetivo de uma equipe inteira, não de profissionais isolados.

Há várias publicações científicas demonstrando que a utilização de mais recursos, provenientes de equipes multiprofissionais proporciona melhores resultados, com melhor qualidade de vida, mas também com aumento da expectativa de vida dos pacientes.

Medicina Baseada em Valores.

O conceito de Medicina Baseada em Valores é interessante. Como valores, entendemos tudo o que é importante para cada paciente. Contato familiar, prazer nas refeições, carinho, alívio de sintomas, ausência de efeitos colaterais… também contam para muitos pacientes, além do tempo de vida aumentado por causa do tratamento.

Se a cura é possível, deve ser perseguida com afinco. Mas se não, uma conversa tranquila e orientadora é fundamental para uma decisão sobre as alternativas de tratamento, com benefícios e riscos envolvidos. Envolvendo a equipe multidisciplinar nessa decisão, e também nos cuidados globais necessários. Nesse caso, nem sempre o tratamento mais novo e mais caro é melhor para todos. Nem sempre a cirurgia mais moderna, ou a radioterapia com mais recursos são fundamentais. A racionalidade no uso de tecnologias proporciona ao fim melhores resultados, se o paciente é compreendido pela equipe. Assim, uma sustentabilidade do sistema de saúde pode ser encontrada, com financiamento assegurado às melhores tecnologias, mantendo altíssima qualidade de tratamento, e melhor saúde aos pacientes.

A evolução no tratamento do câncer de mama

O câncer de mama.

O câncer de mama é o tipo mais comum entre as mulheres no Mundo todo, tornando-se um importante problema de saúde e atraindo assim a atenção de pesquisadores que, ao longo das últimas décadas, vem transformando positivamente a história dessa doença.

Para o Brasil, em 2016, foram 57.960 novos casos, sendo que 15 mil mulheres brasileiras morrem em consequência do câncer de mama a cada ano, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer.

Uma notícia que nos trouxe grande ânimo e merece ser divulgada é que, nos últimos anos, nós atingimos o recorde Mundial de pessoas que já tiveram um diagnóstico de câncer em sua história e hoje estão vivendo sem a doença. São aproximadamente 14 milhões de americanos, número quatro vezes maior desde 1971, sendo que dentre esses, o número mais significativo é a de pacientes com diagnóstico de câncer de mama em seu passado. Infelizmente ainda não temos os números do Brasil, mas já é uma boa notícia.

Avanços do tratamento.

Os avanços no tratamento do câncer de mama se devem em grande parte à compreensão dos oncologistas dos diferentes subtipos dessa doença.

Hoje sabemos que as pacientes tem tipos de câncer de mama muito diferentes umas das outras, o comportamento da doença e seu tratamento adequado dependem diretamente desse entendimento. Sendo assim, os tratamentos hoje são bastante personalizados, dessa maneira conseguimos atingir resultados  melhores para nossas pacientes.

Para as mulheres portadoras de câncer de mama metastático do subtipo HER2 positivo, que representam aproximadamente 20% de todas as pacientes com câncer de mama no Brasil e no Mundo.

Tivemos importantíssimos avanços nos últimos anos, capazes de mudar por completo os paradigmas desse subtipo de doença, que guardava em sua história desfechos muito ruins, cursando com tempo de vida bastante curto, diante da pobre resposta que eram observadas com os tratamentos anteriormente conhecidos.

Alguns medicamentos mudaram a história natural do câncer de mama metastático Her 2 positivo: trastuzumabe e pertuzumabe, conforme os dados do importante e histórico estudo chamado Cléopatra, com publicação no NEJM.

Trata-se de um ensaio clínico bem desenhado que incluiu 808 mulheres com câncer de mama metastático HER-2 positivo, as pacientes que receberam o novo tratamento com pertuzumabe + trastuzumabe + docetaxel apresentaram um ganho no tempo de vida mediano nunca antes visto na história, de 56.5 meses, enquanto que as paciente que recebem quimioterapia isolada apresentavam tempo de vida mediano em torno de apenas 20 meses, como visto em estudos anteriores com o uso de quimioterapia isolada, sem o uso desses novos medicamentos.

Qualidade de Vida.

É muito importante observar que as pacientes apresentaram boa qualidade de vida durante todo o tratamento, o que nos permite hoje ver nossas pacientes vivendo não só por um tempo consideravelmente mais longo, mas também um tempo cheio de momentos bem vividos.

Consideramos esse um dos últimos grandes e significativos avanços no tratamento do câncer de mama metastático, e ficamos alegres de compartilhá-lo aqui.