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Terapia Ocupacional: do conceito à prática oncológica Uma profissão jovem, que neste ano faz 53 anos no Brasil

Histórico no Mundo

O termo Terapia Ocupacional surgiu no início do século XX, e deve-se a um arquiteto americano, George Barton, que foi o impulsionador de uma instituição, localizada em Clifton Springs (New York), onde as pessoas eram reeducadas por meio da ocupação, de modo a readquirirem um sentido para a vida. Foi aí que a Terapia Ocupacional se desenvolveu formalmente como profissão.

 

Início nos EUA

A primeira pessoa a criar um curso de treinamento que poderia ser identificado como precursor da profissão de Terapia Ocupacional foi Susan Tracey, enfermeira-chefe do Adams Nervine Hospital de Boston (EUA), em 1906.  Paralelamente, em 1908, na Chicago School of Civics and Philanthropy, iniciou-se um curso de treino ocupacional para preparar enfermeiras destinadas a trabalharem em instituições de saúde mental. E foi também nesta altura que se começaram a estruturar os fundamentos do que seriam utilizados pelo arquiteto George Barton como conceito de Terapia Ocupacional. É na altura da Primeira Grande Guerra (1914-1918) que a fisioterapia e a Terapia Ocupacional começam a existir como profissão.

Em 1915, foi criada a primeira escola para lecionar Terapia Ocupacional em Chicago, nos Estados Unidos da América.

 

Início na Europa

É como consequência do pós-guerra que se verifica o desenvolvimento da Terapia Ocupacional na Inglaterra, no cuidado de pessoas com das disfunções físicas, com a criação de departamentos de Terapia Ocupacional nos hospitais militares, pois era necessário reabilitar os jovens militares incapacitados durante a guerra.  O objetivo era não só físico, mas também social, de uma “nova” profissão para estes jovens com sequelas.

Em 1930, a Dra. Elisabeth Casson, após ter tido contato com as escolas americanas de New York e Boston, implementou na Dorset House Psyquiatric Nursing Home, em Bristol, a primeira escola de treino em Terapia Ocupacional na Europa.

 

Início no Brasil

No Brasil, somente em 1940, decorrente do Movimento Internacional de Reabilitação, começou o movimento para criação da especialidade. Órgãos como a Organização das Nações Unidas (ONU), Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura (UNESCO), difundiram leis protecionistas aos deficientes físicos e propuseram a implantação de programas específicos para a essa população.

Enquanto o movimento na Europa e EUA era baseado nos resultados das guerras, no Brasil havia a preocupação com os doentes crônicos como portadores de tuberculose, deficiência congênita, acidentes de trabalho e acidentes no trânsito. Assim, foi nesse contexto diferente que surgiu a Terapia Ocupacional no Brasil.

Assim, 46 anos após o início do movimento nos EUA, a ONU enviou para a América Latina emissários responsáveis para achar um local para ser implementado um centro de reabilitação, sendo escolhido o hospital de Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, em 1951.

Com recursos internacionais recebidos entre os anos de 1956 e 1965 para preparar um responsável técnico local para assumir o serviço, após todo treinamento, foi escolhida Maria Auxiliadora Cursino Ferrari, formada inicialmente em Pedagogia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (em 1955), e posteriormente graduada em Terapia Ocupacional pela Universidade de São Paulo – USP (em 1965).

Em 1959, iniciou-se a formação “técnico de alto padrão” em fisioterapia e terapia ocupacional com a duração de dois anos. Em 1963, deu-se a aprovação do currículo mínimo de 3 anos.

A história da profissão se confunde com a da terapia física, pois inicialmente fazia-se vestibular para terapia e só no 2º ano de curso optava-se por física ou ocupacional. Ambas as profissões foram criadas num único decreto no dia 13 de outubro de 1969.

 

A prática da Terapia Ocupacional em oncologia cuida não somente do corpo, mas também da alma e equilíbrio dos pacientes

Atualmente, o papel do Terapeuta Ocupacional é ligado à intervenção em saúde, em educação e na esfera social. Seu objetivo é focado em proporcionar melhor bem-estar e qualidade de vida a pacientes que apresentam limitações funcionais e/ou dificuldades na inserção e participação da vida social.

As intervenções em terapia ocupacional têm como foco principal as atividades cotidianas e ocupações, elemento centralizador e orientador, na construção complexa e contextualizada do processo terapêutico, facilitando e garantindo o desempenho do sujeito nas suas atividades e ocupações e na manutenção de sua participação ativa na vida.

A terapia ocupacional está inserida nos diversos serviços ofertados, participando da atividade de acolhimento multiprofissional, atendimento ambulatorial, acompanhamento de pacientes internados e, quando necessário, visitas domiciliares.

Especificamente na oncologia, como exemplo, a Terapia Ocupacional pode orientar a realização de atividades que ajudam a controlar dores e incômodos, sejam elas monitoradas ou não. Também aprender a ter um bom posicionamento na cama ao dormir ou a postura certa ao se sentar ajuda no alívio do estresse. E, quando o paciente apresenta falta de ar, podem fazer exercícios que trabalhem a respiração, no sentido de normalizá-la. Com a orientação adequada, algumas atividades podem ser facilmente realizadas pelo paciente em sua casa ou nos horários de lazer. E aí qualquer coisa vale, porque tem que ser aquela que agrade a cada um. Uns vão preferir fazer natação, outros pintura, outros pilates. O importante é ter o acompanhamento do oncologista ou onco-hematologista responsável, para saber se não há restrições.

Outro ponto importante é buscar dar ao paciente o máximo de independência possível, mantendo suas atividades do dia a dia. Mesmo em fases de maior debilidade, isso deve ser incentivado, ainda que em pequenas atitudes, como tomar banho e escovar os dentes.

De acordo com o rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (RN 465/2021), os planos de saúde são obrigados a cobrirem assistência com o terapeuta ocupacional, mas não especificamente em oncologia. A cobertura mínima obrigatória é de 12 sessões, por ano de contrato, quando preenchido pelo menos um dos seguintes critérios:

 

  1. pacientes com diagnóstico primário ou secundário de demência (CID F00 à F03);
  2. pacientes com diagnóstico primário ou secundário de retardo (CID F70 à F79);
  3. pacientes com diagnóstico primário ou secundário de transtornos específicos do desenvolvimento (CID F82, F83);
  4. pacientes com disfunções de origem neurológica (CID G00 a G99);
  5. pacientes com disfunções de origem traumato/ortopédica e reumatológica (CID M00 A M99).

 

Para saber mais:

https://crefito12.org.br/100-anos-da-terapia-ocupacional/

https://www.gov.br/ans/pt-br/arquivos/assuntos/consumidor/o-que-seu-plano-deve-cobrir/Anexo_II_DUT_2021_RN_465.2021_TEA.AL.pdf

 

Inibidores de ciclina no SUS: expectativa ou realidade

No dia 6 de dezembro, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS (Conitec) recomendou a incorporação dos inibidores de ciclina para o tratamento de pacientes com câncer de mama no SUS. Este é um avanço histórico, entretanto, a burocracia pode evitar que se torne realidade.

Os inibidores de ciclina são mediações que bloqueiam um processo na célula que pode levar à resistência aos tratamentos anti-hormonais padronizados há muitas décadas. O uso desses medicamentos mostrou um benefício incontestável em termos de sobrevida pacientes com câncer de mama com expressão de receptores hormonais avançado/metastático.

Estas drogas estão aprovadas no mundo e no Brasil há vários anos, porém, apenas recentemente tornaram-se de cobertura obrigatória pelos convênios do nosso país. Elas são caras e há muitos pacientes com indicação de utilização, portanto, tem grande impacto no sistema de saúde.

Agora, a Comissão do SUS que define o que será incorporado (ou não) recomendou a introdução destas medicações no sistema público. A partir de 6 de dezembro de 2021, o Governo tem 180 dias para oferecer à população. A aprovação veio após uma recomendação inicial de NÃO incorporação, a qual foi alterada pela participação da sociedade civil (profissionais, cientistas, associações e pacientes/familiares) em uma consulta pública recente.

É uma grande conquista para todos os brasileiros e mostra que a ação em conjunto da sociedade é de extrema importância para melhorar a saúde de todos. Porém, devemos ficar atentos, pois, como vimos em posts anteriores, o tempo entre essa incorporação burocrática e a real chegada da medicação para os pacientes pode demorar muito tempo (até anos) ou nem se tronar realidade. Para tanto, é importante continuarmos alertas e cobrando das autoridades o cumprimento dessa inclusão.

 

Referências:

http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2021/20211207_Relatorio_678_Abemaciclibe_Palbociclibe_Ribociclibe_Carcinoma_Mama_Final.pdf

http://conitec.gov.br/images/Relatorios/Portaria/2021/20211207_Portaria_73.pdf

 

 

Obesidade: o que devemos saber

Higor Mantovani

CRM 155.725

Sabemos, hoje, que a obesidade tomou proporções epidêmicas, tornando-se responsável pelo desenvolvimento e agravamento de doenças crônicas, tal como hipertensão, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, problemas respiratórios e até mesmo câncer. Tecnicamente, a obesidade em adultos é definida pelo parâmetro do Índice de Massa Corpórea (IMC) superior a 30. Já aqueles indivíduos com IMC entre 25 e 29,9 são considerados portadores de sobrepeso.

O tema em pauta se torna ainda mais preocupante quando nos damos conta de que as doenças citadas anteriormente respondem pelos maiores percentuais de morbimortalidade a nível de Brasil e mundo. Na atual pandemia que vivemos, vimos ainda a obesidade se apresentar como um importante fator de risco para o desenvolvimento da forma grave da COVID-19. Tais fatos reforçam ainda mais a importância da conscientização e do combate a obesidade e ao sobrepeso. A adoção de um estilo de vida mais saudável interfere diretamente no controle e desenvolvimento de tais doenças. Exercícios físicos regulares, associados ao menor consumo de produtos embutidos/industrializados e ao combate ao alcoolismo e tabagismo são medidas que contribuem para a prevenção de doenças crônicas.

Quando falamos especificamente do câncer, é sabido que aproximadamente 15 a 20% dos casos tem relação com obesidade. Ressalto aqui a correlação mais intima com o câncer colorretal, de útero (endométrio) e de mama. A obesidade responde ainda por 7 a 10% dos óbitos em pacientes oncológicos, além de proporcionar um maior risco de complicações decorrentes do tratamento, como infecções. E não para por aí; diversos estudos demonstraram que manter-se obeso ou com sobrepeso após o tratamento do câncer da mama pode aumentar o risco de recidiva de doença.

Nunca é tarde para a mudança do estilo de vida e o início de hábitos mais saudáveis. Essa postura, entretanto, requer dedicação e regularidade. Para isso, existem diversos profissionais engajados com esse objetivo e dispostos a auxiliar neste desafio; é o caso do educador físico, do nutricionista, do fisioterapeuta, e de muitos outros que podem contribuir no processo de combate ao sedentarismo e ao excesso de peso. Procure ajuda, se movimente e estimule as pessoas ao seu redor a adotar uma vida mais saudável e ativa.

 

A saúde da mulher e os implantes hormonais

Christine Alem

Mastologista

Especialista em Mastologia pela Unicamp – CAISM

 

Atualmente sabemos que as mulheres são extremamente demandadas em muitas áreas de suas vidas. Temos que estar com a beleza e o corpo perfeitos e a pele linda. Temos que ter disposição para o trabalho, os afazeres de casa e ainda estarmos com a libido em dia.

Nesse sentido, muitas procuram seus médicos em busca de soluções para todas essas cobranças. Surgem promessas milagrosas, dentre elas o tão falado “chip da beleza”, um nome extremamente atraente para o que se resume em um implante contento hormônios, tais como a gestrinona, estradiol, testosterona dentre outros.

Essa promessa é extremamente sedutora e tentadora, uma vez que vem repleta de benefícios como alívio nos sintomas da TPM, aumento da libido, ajuda no ganho de massa magra e melhora dos níveis de estresse.

Mas então qual o problema?

O problema é que nenhum desses implantes tem evidências científicas robustas de que são seguros e que não possam trazer prejuízos à saúde da mulher a longo prazo. As poucas publicações existentes são estudos com pequeno número de pacientes e condução duvidosa dos resultados.

Além disso, por não terem sua utilização liberada e não serem comercializados pela indústria farmacêutica, esses hormônios são manipulados o que dificulta ainda mais a comprovação de sua segurança e eficácia nos estudos disponíveis.

Não há estudos de seguimento de longo prazo dessas pacientes para avaliação de complicações ou efeitos colaterais.

Ainda nenhum desses implantes é liberado por órgãos de saúde competentes, como a Anvisa no Brasil ou FDA nos Estados Unidos.

Exemplificando: quando falamos da gestrinona, por exemplo, é um medicamento que foi estudado para uso oral em pacientes com endometriose e miomas. E mesmo nestes casos não fazemos mais uso atualmente, pois sabemos que temos medicações melhores para o controle dessas patologias e com menos efeitos colaterais. Atualmente há profissionais que prescrevem o implante de gestrinona para tratamento da endometriose, contracepção ou mesmo para alivio dos sintomas de TPM e melhora do desempenho físico, porém não existem estudos bem delineados que sustentem esse uso. Não há indicação formal para uso do implante de gestrinona para nenhuma doença, terapêutica de reposição hormonal na menopausa ou contracepção. E essas informações se estendem para os demais implantes com outras substâncias e diferentes hormônios.

Há alguns dias, a Febrasgo – por meio da Comissão Nacional Especializada de Climatério e Anticoncepção – se posicionou no sentido de não recomendar o uso de implantes hormonais. Nesse sentido, cabe ressaltar que o único implante hormonal liberado e aprovado pela Anvisa é o Etonogestrel, conhecido como Implanon e utilizado como método contraceptivo.

Pessoalmente, acho que estudos em andamento (e outros que ainda virão) irão trazer respostas para que possamos oferecer melhores tratamentos para nossas pacientes. Elas merecem. Mas, por enquanto, falar sobre a nossa experiência individual ou de um pequeno número de pacientes com benefícios para justificar o uso dos implantes é desonesto e não é cientifico.

O que temos de ciência até o momento para melhora da qualidade de vida das mulheres é a prática de exercícios físicos diária de cerca de 150 minutos por semana. Boa alimentação, com consumo de mais alimentos in natura e menos ultra processados. Prática de boas relações familiares, espiritualidade, momentos de lazer e controle de fatores estressores. Não são tarefas fáceis, mas com certeza trarão um benefício inestimável e, o mais importante, sem nenhum prejuízo a saúde a médio e longo prazo

Em tempos de negação da ciência, devemos estar atentos sempre!

 

17 de outubro: Dia Nacional da Vacinação

Vacina é tecnologia antiga. Os primeiros imunizantes surgiram na China, há mais de mil anos. No Ocidente, são mais recentes, pouco mais de 200 anos; e no Brasil, as vacinas começaram a ser adotadas na primeira metade do século XIX, mas só depois de muita resistência viraram política pública de saúde.

Da revolta das vacinas, em 1904, à erradicação de doenças como a poliomielite, em 1994, ou o sarampo, em 2016, o Brasil acumulou experiência e virou referência internacional pelo seu Programa Nacional de Imunização, o PNI, que coloca o Brasil no primeiro lugar do mundo na oferta de vacinas gratuitas para toda a população. São 45 imunizantes diferentes para diferentes faixas etárias.

As vacinas são um marco na história da saúde humana e, segundo dados da Organização Mundial de Saúde, salvam a vida de 3 milhões de pessoas a cada ano. Para reforçar a importância das vacinas, o Brasil comemora, em 17 de outubro, o Dia Nacional da Vacinação, uma data para promover a importância da imunização no controle de epidemias.

Menciono a importância histórica das vacinas, não só agora, com o surgimento da Covid19, mas para erradicação ou diminuição da incidência de várias doenças graves, como varíola, caxumba, gripe, poliomielite, rubéola, sarampo e tétano.

Atualmente, mesmo com a inegável contribuição das vacinas para a vida humana, a comunidade científica ainda esbarra em um problema que pode ser tão perigoso quanto uma doença: a desinformação. Mesmo rodeada de mitos, a vacinação é o método mais seguro e eficaz para combater a disseminação de vírus e a ocorrência de epidemias infectocontagiosas.

Vacina. Vacina. Vacina. Acredito que ouvimos e discutimos tanto sobre isso nos últimos meses que podemos encontrar entre nós aqueles que defendem, os que são neutros e os que têm dúvidas. É completamente normal estar nessas três situações supracitadas e é a informação de qualidade que permite que haja entendimento do processo, segurança e aplicação de uma vacina.

Então, mais do que nunca, que o Dia Nacional da Vacinação seja lembrado e comemorado conforme se deve: com acesso e utilização desse recurso de promoção de saúde. E, assim, cada um pode fazer sua parte por si e pelo próximo: vacinando-se. Ajudando a diminuir as variantes, as mortes, as sequelas, o medo e a pandemia (a atual e as anteriores).

Fontes:

– Agência Senado

– https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2021-06/dia-nacional-da-imunizacao-lembra-importancia-de-se-vacinar

 

Novidade ROSA: nova droga para pacientes com câncer de mama

A Anvisa aprovou, nesta segunda-feira (04/10), uma nova medicação para pacientes com câncer de mama avançado/metastático. E não poderia ser em melhor hora, já que estamos no Outubro Rosa, o mês de conscientização sobre esse tipo de tumor.

O Trastuzumabe-Deruxtecan (Enhertu®, sigla T-DXd) é um anticorpo conjugado a uma quimioterapia e que atua como uma terapia-alvo em tumores com alterações na proteína HER2, comum em mais de 20% das pacientes com tumores mamários. A proteína HER2, quando tem sua expressão aumentada nas células, promove o desenvolvimento de tumores, como o de mama.

Os dados que embasaram a aprovação foram do estudo DESTINY-Breast-01, que testou a droga em 184 pacientes com múltiplos tratamentos anteriores. A taxa de resposta foi de 60%, um número muito alto para esse cenário.

Agora, o estudo DESTINY-Breast-03, mais robusto, randomizado e de fase III, comparou o T-DXd com o padrão atual, o T-DM1, em 524 pacientes com tumor de mama metastático HER2 positivo em linhas subsequentes de tratamento, ou seja, após a progressão a uma quimioterapia com Trastuzumabe.

Os resultados – recentemente apresentados na principal sessão do Congresso Europeu de Oncologia (ESMO), em setembro de 2021 – mostraram uma redução de 72% do risco de progressão ou morte, aumentando em quase 4 vezes a sobrevida livre de progressão. Ademais, a taxa de resposta foi de 80%. Essa eficácia é extremamente significativa e muda o cenário do tratamento dessas mulheres, com uma droga mais eficaz do que a atual, que já trazia muitos benefícios.

Em relação aos efeitos colaterais, os mesmos foram bem parecidos entre os grupos em ambos os estudos. Porém, vale ressaltar uma maior incidência de doença pulmonar intersticial (10,5 x 1,9%), porém a esmagadora maioria dessas ocorrências foi de graus leves (1 ou 2).

Os dados vêm para colocar o T-DXd como novo padrão para essas pacientes neste cenário linhas subsequentes (3ª ou posterior). Infelizmente, por enquanto, a indicação ainda não inclui a 2ª linha, ou seja, as pacientes receberão a droga caso falhem ao T-DM1, não antes. A droga também já mostrou que pode beneficiar também pacientes com câncer de pulmão e estômago.

O T-DXd já é aprovado nos EUA desde dezembro de 2019, porém em pacientes com múltiplos tratamentos prévios. Agora, felizmente vem aprovado no Brasil e é um grande reforço no tratamento dessas pacientes. Burocraticamente, como é a primeira aprovação desta medicação, ainda é necessária a etapa da precificação que deve levar mais alguns meses. Após, sendo uma medicação endovenosa, os planos de saúde deverão cobrir o tratamento, quando indicado. Esperamos que seja realidade o quanto antes para os pacientes.

 

Referências:

https://oncologypro.esmo.org/meeting-resources/esmo-congress-2021/trastuzumab-deruxtecan-t-dxd-vs-trastuzumab-emtansine-t-dm1-in-patients-pts-with-her2-metastatic-breast-cancer-mbc-results-of-the-randomi

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/nejmoa1914510

 

FDA approves new treatment option for patients with HER2-positive breast cancer who have progressed on available therapies. News release. FDA. December 20, 2019. Accessed August 9, 2021.

 

Dia Internacional do Idoso

No dia 1˚ de outubro é celebrado o Dia Internacional da Pessoa Idosa. A data foi estabelecida em 1991 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de tornar evidente questões relacionadas aos direitos e a saúde do idoso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que idosos são indivíduos com 60 anos ou mais. Desde a transição do milênio temos visto uma inversão nas pirâmides populacionais a nível mundial. A causa deste fenômeno certamente está relacionada ao maior zelo e investimento na saúde e nos direitos dos idosos.

É esperado que o avançar da idade cronológica caminhe em paralelo ao surgimento de doenças crônicas. Como representantes deste grupo de moléstias podemos citar a hipertensão, o diabetes, as doenças cardiovasculares e até mesmo o câncer. É também fato que a medicina moderna evoluiu e aprendeu a lidar com essas morbidades, tornando-as passiveis de controle (ainda que parcialmente). Hoje, um paciente portador de câncer aos seus 70-80 anos tem tratamentos de segurança e eficácia muito superiores aos existentes nos anos 80-90.  Com isso, em alguns casos, é possível preservar e prolongar a vida de pessoas que outrora foram desenganados ao diagnóstico.

Mas o Dia do Idoso chega para algo que vai além da celebração de novos medicamentos e da evolução da medicina; ele vem para nos convocar a uma reflexão sobre como envelhecer de maneira saudável. Afinal, melhor do que tratar doenças é poder preveni-las. Para isso, faz-se necessária a propagação de estratégias preventivas para as doenças citadas anteriormente e para tantas outras, com foco em evitá-las ou diagnosticá-las precocemente.

Precisamos intensificar políticas que venham combater os vilões de uma boa saúde e da longevidade, tais como o tabagismo, o alcoolismo, a obesidade e o sedentarismo. É preciso garantir acesso e agilidade na atenção primária, além de revisitar as políticas de rastreamento de câncer, garantindo os exames e procedimentos necessários. É preciso rever o fluxo para aqueles idosos com doenças recém diagnosticadas, com tratamento em tempo hábil e adequado. É preciso zelar pela saúde mental do idoso; para alguns, o envelhecimento é sinônimo de regressão, solidão e de perda de autonomia. Em conjunto, é de importância ímpar buscar o adequado posicionamento social do idoso (até no mercado de trabalho se desejo for), com a devida garantia e respeito aos seus direitos.

Que no dia 1˚ de outubro possamos resgatar nos idosos o sentimento de respeito das palavras “senhor” e “senhora”, e fazê-los sentir orgulho disso. Afinal, todos chegaremos lá um dia e esperamos encontrar uma sociedade justa, que se preocupe com o bem-estar dos seus idosos. Fica aqui os parabéns e o sentimento de gratidão do Grupo SOnHe para com nossos amigos, familiares e pacientes que já se encaixam na definição de idoso.

 

Falta de insumos nucleares afeta pacientes no Brasil

O Instituto Nacional de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) suspendeu sua produção a partir do dia 20 de setembro. E por que isso importa para os pacientes com câncer? Porque alguns tratamentos e exames necessitam de insumos fornecidos pelo IPEN.

Esse problema está acontecendo, segundo o IPEN, por falta de verbas por parte do Governo Federal via Ministério de Ciência, Tecnologia e Telecomunicações (MCTIC). O órgão importa diversos insumos e radioisótopos de outros países e, sem verba, não é capaz de manter sua atividade. Desde julho deste ano, já prevendo o ocorrido, o IPEN vem tentando, sem sucesso, meios para evitar a interrupção junto ao Governo.

Exames de grande importância, como o PET/CT e a cintilografia, e tratamentos, como Lutécio e Radium-223, devem ser interrompidos em virtude dessa paralisação. Infelizmente, os maiores impactados serão os pacientes. Tanto os exames quanto os tratamentos são métodos de alta eficácia e auxiliam em grande monta o cuidado ao paciente com câncer.

Tanto pacientes quanto clínicas parceiras do SOnHe têm relatado a real falta desses insumos e o consequente adiamento dos procedimentos previstos.

A ideia é, no curto prazo, conseguir verba extra para retomar a produção e, a médio prazo, um aumento do orçamento de 2022, via Congresso Nacional. Até lá, esperamos que esse imbróglio seja resolvido para que os pacientes tenham o menor impacto possível.

 

15 de Setembro: Dia Mundial de Conscientização Sobre Linfomas

Lorena Bedotti Ribeiro

 

O dia 15 de setembro é considerado o Dia Mundial de Conscientização Sobre Linfomas, uma iniciativa que tem como objetivo atrair a atenção de pessoas em todo o mundo e reunir esforços na luta contra esse tipo de câncer, visando um diagnóstico precoce para uma melhor resposta ao tratamento.

Os linfomas são um tipo de câncer que se originam no sistema linfático, composto por linfonodos e tecidos que produzem as células (linfócitos) responsáveis pela defesa do nosso organismo por meio da produção de anticorpos e vasos que conduzem essas células pelo corpo.

Manifestam-se com ínguas (linfonodomegalias) endurecidas e indolores, podendo apresentar associado febre, suores noturnos, emagrecimento, cansaço e coceira no corpo. Conforme os locais acometidos podem ainda apresentar tosse, falta de ar, dor no peito, distensão e aumento do volume abdominal.

O diagnóstico definitivo de linfoma requer a realização de biópsia, com a retirada do tecido acometido (linfonodo inteiro ou tecido de outro órgão acometido) para análise microscópica das características. O estadiamento da doença pode ser feito através de tomografia por Emissão de Pósitrons (PET-CT), tomografia computadorizada, ressonância magnética, biópsia de medula óssea e punção de liquor (realizados conforme quadro clínico).

São divididos em linfomas Hodgkin (LH) e linfomas não Hodgkin (LNH). O LH se diferencia por apresentar células grandes e características no linfonodo acometido conhecidas como células de Reed-Sternberg, sendo classificado em dois subgrupos de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS): linfoma de Hodgkin clássico, que se subdivide em quatro subtipos (esclerose nodular, celularidade mista, depleção linfocitária e rico em linfócitos), e linfoma de Hodgkin predomínio linfocitário nodular. Os LNH não têm um tipo celular característico podendo representar mais de 40 tipos diferentes de linfoma.

O LH pode acometer qualquer faixa etária, sendo mais comum entre adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos), adultos (30 a 39 anos) e idosos (75 anos ou mais). De acordo com o site do INCA foram diagnosticados 2.640 novos casos em 2020, sendo mais comuns em homens (1.590). O LNH pode ocorrer em crianças, adolescentes e adultos, tornando-se mais comum à medida que as pessoas envelhecem. De acordo com o site do INCA foram diagnosticados 12.030 novos casos em 2020, sendo mais comuns em homens (6.580).

Com relação ao tratamento, o linfoma Hodgkin na maioria dos casos, é uma doença curável apresentando uma taxa de cura de mais de 85%. O tratamento clássico é a poliquimioterapia (múltiplas drogas) com ou sem radioterapia associada. Para os pacientes que sofrem recaídas ou que não respondem ao tratamento inicial as opções utilizadas são a poliquimioterapia, imunoterapia e transplante de medula óssea. A imunoterapia refere-se ao uso de medicamentos (anticorpos monoclonais produzidos em laboratório) que têm um alvo específico para um componente que há nas células do linfoma (exemplo: anticorpo anti CD30), induzindo o sistema imune a reagir contra ele; ou com medicamentos inibidores do ponto de controle imunológico que aumentam a resposta imunológica do corpo contra as células cancerígenas (exemplo: anti-PD-1), representando um enorme avanço para pacientes que não podiam ser curados com a quimioterapia convencional.

O tratamento dos linfomas não-Hodgkin é feito com quimioterapia, associação de quimioterapia com imunoterapia (anticorpos monoclonais) ou radioterapia. No caso dos LNH indolentes (crescimento relativamente lento), cerca de 40% dos casos, as opções de tratamento variam desde apenas observação clínica, até tratamentos bastante intensivos. Para os pacientes que sofrem recaídas ou que não respondem ao tratamento inicial as opções utilizadas são a poliquimioterapia, imunoterapia e transplante de medula óssea. A imunoterapia pode ser feita com anticorpos monoclonais (anti-CD20, Anti-CD19, anti-CD79B, anti-CD52 e anti-CD30) ou, mais recentemente, com a incorporação pioneira das CAR T-cells (linfócitos T com receptores antigênicos quiméricos), linfócitos retirados do paciente que são processados em laboratório adquirindo a capacidade de perseguir e eliminar as células do linfoma ao serem reintroduzidos no paciente.

Todos esses avanços recentes em diagnóstico e tratamento transformaram a onco-hematologia, conferindo um melhor prognóstico, expectativa e qualidade de vida aos pacientes.

Caso você tenha algum sintoma suspeito, procure um hematologista para avaliação!

 

Prevenção ao suicídio

Deixar de viver é uma saída considerada por muitos em momentos de crise. Embora a temática ainda seja tabu, a ideia de abandonar a vida aparece em pessoas de todas as idades.        A ligação do comportamento suicida com doenças mentais; principalmente depressão e uso excessivo de bebidas alcoólicas; é algo bastante estabelecido. Outros fatores relacionados incluem a exposição a situações de abuso, violência, isolamento emocional e dor crônica, assim como momentos de crise, incluindo término de relacionamento, morte de pessoas próximas e até problemas financeiros; todos relacionados com a sensação de falta de esperança.

Em resumo, o suicídio tem determinantes complexos e não é incomum que características impulsivas façam parte da equação, particularmente em homens, principalmente quando conjugadas ao consumo de álcool e outras drogas.

A pergunta que não quer calar é: deve-se falar sobre o assunto? Isso não pode funcionar como estímulo à própria prática do suicídio? A literatura recente tem mostrado que, ao contrário, conversar sobre o tema, de modo sério, com base científica, pode ser uma das melhores maneiras de prevenção do ato. Não estamos falando de divulgar episódios pela imprensa e pelas mídias sociais, falando de detalhes pessoais mórbidos, ou o método utilizado por determinado indivíduo. Isso, sim, poderia estimular o chamado suicídio por contágio.

Estamos falando aqui de buscar compreender e lidar de modo responsável com o desespero e a dor, de tentar acompanhar o percurso de sentimentos que, às vezes, nascem e se desenvolvem nas pessoas. Por seu lado (e isto é muito importante), sentimentos suicidas são temporários. O que aparece como a única solução em um momento frequentemente muda de figura minutos, horas ou dias depois. E é justamente aí que técnicas de prevenção têm sido propostas nos últimos anos.

O Plano de Segurança para Prevenção do Suicídio, criado por pesquisadores da Universidade de Columbia, é um dos métodos que podem ser utilizados individualmente ou como parte de um programa de tratamento. Trata-se de intervenção breve e construída de maneira colaborativa entre profissional e paciente, com ênfase em uma lista de estratégias de enfrentamento para serem utilizadas durante o início de uma crise suicida.

Seu objetivo é auxiliar o indivíduo a recobrar o sentimento de controle ao ter em mão uma lista de recursos objetivos e individualizados que o ajudarão a enfrentar a angústia em momentos em que a capacidade de resolver problemas se encontra muito reduzida. Comportamentos suicidas não são raros, principalmente em épocas de crise. A saúde mental precisa e pode colaborar com os que precisam de ajuda nessas horas.

 

Referencias

– Machado, Daiane Borges e Santos, Darci Neves dos Suicídio no Brasil, de 2000 a 2012. Jornal Brasileiro de Psiquiatria [online]. 2015, v. 64, n. 1 [Acessado 2 Agosto 2021] , pp. 45-54.

– Gonçalves LRC, Gonçalves LRC, Gonçalves E, Oliveira Junior LB. Determinantes espaciais e socioeconômicos do suicídio no Brasil: uma abordagem regional. Nova Economia 2011; 21(2):281-316

– Bertolote, J. M. (2012). O suicídio e sua prevenção. São Paulo, SP: Ed. Unesp.