Mamografia: mitos e verdades Para evitar as fake news
Mito: Mamografia é um exame sem eficácia comprovada.
Verdade: A mamografia é o único exame que, quando realizado rotineiramente pela mulher a partir dos 40 anos, na ausência de quaisquer sintomas nas mamas, diminui o risco de morrer por um câncer de mama. Isso foi comprovado em grandes estudos realizados em mais de 500 mil mulheres, com redução da mortalidade entre 10% e 35% no grupo de mulheres que faziam mamografias regularmente comparado com as mulheres que não faziam. No Brasil, as sociedades médicas recomendam o rastreamento mamográfico anual para as mulheres entre 40 a 75 anos.
Mito: O autoexame é suficiente para detectar um câncer de mama.
Verdade: O autoexame só detecta um câncer de mama quando a doença está em uma fase adiantada, geralmente maior que 1-2 cm, enquanto exames de rastreamento detectam tumores em mulheres assintomáticas, nas quais a chance de cura é significativamente maior. Não há nenhum estudo que comprove que o autoexame pode substituir a mamografia, não devendo ser adotado como método de rastreamento.
Mito: É necessário rastreamento para câncer de mama em mulheres antes dos 40 anos.
Verdade: Exames de rastreamento rotineiros não são recomendados para mulheres com menos de 40 anos, já que o risco é considerado baixo. Além disso a mamografia é menos efetiva em mulheres jovens pelo fato do tecido mamário ser mais denso, o que diminui a capacidade do exame detectar anormalidades
Mito: Todos os cânceres de mama podem ser detectados na mamografia.
Verdade: Nenhum teste de rastreamento é perfeito e a mamografia não é exceção. Fatores como a densidade mamária e a idade influenciam a efetividade da mamografia, dificultando a detecção dos tumores. O rastreamento mamográfico tende a ser menos efetivo em mulheres mais jovens por possuírem mamas mais densas. Em torno de 25% dos cânceres de mama em mulheres entre 40 a 49 anos não são detectados pela mamografia e em torno de 10% não são detectados pela mamografia na faixa etária após 50 anos.
Mito: A radiação durante a mamografia pode causar câncer.
Verdade: A mamografia necessita de pouca radiação para ser executada O risco da exposição à esta radiação é baixo e o benefício em muito se superpõe ao risco. Além disso, nunca houve um caso de câncer de mama comprovadamente induzido por radiação da mamografia.
Mito: Não se pode realizar mamografia se tem implante mamário.
Verdade: Mulheres com próteses mamárias podem e devem fazer mamografias rotineiramente, sem risco de diminuição na sensibilidade do exame ou risco de rompimento ou deslocamento da prótese mamária.
Ervas: são seguras e eficazes para pacientes com câncer?
Nos últimos anos, o interesse público em ervas como uma abordagem médica alternativa cresceu e se tornou mais atraente. Embora haja evidências científicas limitadas sobre a eficácia de algumas ervas. Preocupações com a segurança e o perfil pouco claro dos efeitos colaterais os tornam substituídos pelas terapias médicas padrão. Além disso, deve-se ter cautela consumindo-as, especialmente quando são promovidas como uma maneira de limpar toxinas e promover a saúde.
O termo “erva” tem sido usado de maneira vaga para se referir não apenas a plantas herbáceas, mas também a cascas, caules, flores, raízes e sementes. Sob a lei atual, as ervas são consideradas suplementos alimentares. Portanto, eles são comercializados sem demonstrar segurança e eficácia, conforme é necessário para os medicamentos. Desde os tempos pré-históricos, a humanidade usa ervas para fins medicinais e de cura. Embora algumas ervas sejam seguras em quantidades modestas, elas podem ser tóxicas em concentrações mais altas.
Comprado pronto em supermercados ou consumido também na versão caseira, o chá conhecido pelo poder detox atrai cada vez mais adeptos de uma rotina saudável. Folhas, raízes, ervas e outros ingredientes citados na composição da bebida são conhecidos pelas ações antioxidantes, anti-inflamatória e antibacteriana, o que auxilia o processo metabólico.
As terapias antioxidantes podem aliviar os efeitos adversos da quimioterapia e / ou radioterapia, mas podem antagonizar os efeitos antitumorais, reduzindo os danos oxidativos. Eles impedem o dano celular de órgãos e tecidos normais, reagindo com os radicais livres oxidantes. No entanto, os antioxidantes podem antagonizar os efeitos antitumorais da radioterapia e alguns tipos de quimioterapia e deve ser desencorajado devido à possibilidade de proteção do tumor e redução da sobrevida.
Complementando que tudo o que ingerimos, necessariamente precisa ser metabolizado e eliminado pelo fígado e rins, se o chá for consumido em excesso, o fígado pode não ter condições de eliminá-lo totalmente, o que acaba levando à sobrecarga e intoxicação do órgão. Vários casos de hepatotoxicidade, distúrbios neurodegenerativos e outros efeitos adversos após o consumo de grandes quantidades ou preparações concentradas de C. sinensis foram relatados.
Lembrando que o paciente oncológico, é um paciente exposto a efeitos colaterais de tratamentos quimioterápicos e radioterápicos que podem causar náusea, vômito, diarreia e ainda outros distúrbios relacionados à cavidade oral, paladar a falta de fome e/ou sede que também influenciam no equilíbrio hidroeletrolítico do organismo. E, ainda, que dependendo do sítio de metástase que o paciente possui, a metabolização de determinados eletrólitos e o funcionamento do fígado e/ou rim já está ameaçada e sensível a qualquer mínima injúria e sobrecarga externa.
Pesquisas futuras precisam descrever a extensão real dos benefícios para a saúde, verificar a gama segura de consumo de chá associado a esses benefícios e esclarecer os mecanismos prováveis de ação. Novos sistemas experimentais devem ser desenvolvidos para avaliar melhor os efeitos do chá nos seres humanos. O desenvolvimento de métodos mais específicos e sensíveis, com mais modelos de representação, juntamente com o desenvolvimento de bons biomarcadores preditivos, permitirá uma melhor compreensão da interação do chá com sistemas endógenos e outros fatores exógenos, principalmente na população oncológica.
Diante do exposto, nossa missão é aumentar a conscientização do público sobre os desarranjos metabólicos e eletrolíticos potencialmente graves que podem estar associados ao consumo indevido de regimes de ervas.
FONTE BIBLIOGRÁFICA:
- Soliman M, Fuller W, Usmani N, Akanbi O. Acute Severe Hyponatremia as a Serious Health Implication of Herbal Detox Regimens. Cureus. 2018 Dec 6;10(12):e3697.
- Kesavarapu K, Kang M, Shin JJ, Rothstein K. Yogi Detox Tea: A Potential Cause of Acute Liver Failure. Case Rep Gastrointest Med. 2017;2017:3540756.
- Lawenda BD, et al. Should supplemental antioxidant administration be avoided during chemotherapy and radiation therapy? J Natl Cancer Inst. 2008;100(11):773-83.
- Harvie M et al. Nutritional supplements and cancer: potential benefits and proven harms. Am Soc Clin Oncol Educ Book. (2014)
A situação do câncer no Brasil e em Campinas
O câncer é a segunda causa de morte na população adulta no Brasil. E vem se tornando cada vez mais importante. O número de óbitos por conta do câncer aumentou mais de 30% em 15 anos, sendo os diversos tipos de câncer os responsáveis pela morte de uma em cada seis pessoas.
Segundo dados do Ministério da Saúde de 2019, o tipo de câncer mais comum é o de pele, responsável por 33% de todos os casos. Excluindo-os, os mais frequentes são o câncer de próstata, em homens, e o de mama, em mulheres. Mas também são muito comuns os cânceres de pulmão, intestino, estômago, faringe e colo do útero. Já os tipos de câncer que mais matam são o de mama, em mulheres, e o de pulmão, em homens.
Chama a atenção a importância de tumores que podem ser detectados precocemente, por meio de rastreamento populacional, e mesmo preveníveis, com tratamento de lesões pré-tumorais. No Brasil ainda são feitos diagnósticos tardios, em estádios mais avançados. E também causa preocupação a frequência de tumores associados às causas evitáveis, como o câncer de pulmão, associado ao tabagismo, e o câncer de colo uterino, causado pelo vírus HPV, sexualmente transmitido.
Muitos avanços foram conquistados no desenvolvimento de novas drogas, especialmente para o tratamento da doença metastática, que já se espalhou para outros órgãos. Nesses casos, apesar de ainda ser incurável na maioria das vezes, novos tratamentos têm proporcionado ganho de expectativa de vida, com menos sintomas, menos efeitos colaterais e melhor qualidade de vida também. Nos últimos anos, o Brasil ganhou alguma eficiência, e tem sido rápido na aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de novos medicamentos, quase simultaneamente à aprovação de agências regulatórias europeias e o FDA, nos Estados Unidos. Nosso grande problema tem sido proporcionar o real acesso dessas novas tecnologias à população doente.
Os preços desses medicamentos, chamados antineoplásicos, está subindo vertiginosamente. É inviável adquirir esses medicamentos na farmácia comum. E a população depende do fornecimento pelos planos de saúde (alguns) e do Sistema Único de Saúde (a maioria). No entanto, os custos elevados tornam difícil o fornecimento de todas as tecnologias disponíveis. Por exemplo, estima-se que os gastos de um plano de saúde com tratamentos contra o câncer consumam entre R$10 e R$50 de cada mensalidade paga por cada usuário, criança, jovem ou adulto.
No SUS, a situação fica ainda mais preocupante. As tabelas fixadas pelo Ministério da Saúde para ressarcir os hospitais públicos, filantrópicos ou credenciados estão sem reajuste há mais de 10 anos. Foram criadas regras para incorporação de novas tecnologias no SUS. Atualmente, depois que um novo medicamento é aprovado pela Anvisa, é necessária uma avaliação formal para sua incorporação no SUS. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) é a responsável por essa avaliação. Mas, nos últimos anos, tivemos incorporações pontuais e estamos muito longe de oferecermos o mínimo aceitável à população.
Em Campinas, a restrição orçamentária na área de saúde é evidente. E hospitais públicos que dependem da Secretaria de Saúde de Campinas trabalham no limite. O próprio Hospital de Clínicas da Unicamp também tem dificuldades orçamentárias, apesar de depender de verbas estaduais. Assim, nossa população tem uma estatística que acompanha o mundo, com aumento da incidência de câncer, porém sem verbas para tratar. O desafio é grande!
Um dos caminhos propostos seria o de investir mais em diagnósticos precoces, e mais ainda na prevenção. Exames de rastreamento, vacinação da população contra vírus associados ao câncer, campanhas de educação de vida saudável, com estímulo às atividades físicas e combate ao tabagismo são estratégias que funcionam, mas em longo prazo.
Infelizmente, os pacientes com doença avançada, diagnosticados hoje, não podem mais se prevenir. Não podem mais esperar. Por exemplo, se um paciente com câncer de rim metastático é tratado com todas as tecnologias disponíveis no mercado privado, ele pode até se curar, e a expectativa de vida média pode passar dos cinco anos. No entanto, se ele tiver acesso apenas aos hospitais públicos vinculados ao município de Campinas, nenhum tratamento eficaz está disponível na rede. Ninguém tem a chance de se curar e a expectativa de vida média baixa para cerca de seis meses.
Uma reorganização do sistema de saúde é estritamente necessária. E, mais ainda, uma participação da sociedade na precificação dos novos medicamentos. Hoje, a saída sugerida tem sido aproximar médicos, hospitais, clínicas e fontes pagadoras, para tentar encontrar o melhor tratamento que se encaixe nos recursos disponíveis e, assim, manter o sistema de saúde sustentável, pagável.
Celebramos toda a tecnologia, a imunoterapia, as terapias-alvo, a cirurgia robótica e as novas técnicas de radioterapia. O câncer tem sido cada vem mais controlável. Resta encontrarmos uma solução para pagar por tudo isso. Em Campinas, no Brasil e no mundo.
Imunoterapia para câncer de bexiga não-invasivo aprovada nos EUA
A agência de regulação americana, o FDA, aprovou neste mês o uso de imunoterapia com Pembrolizumabe para pacientes com câncer de bexiga localizado recorrente resistente à BCG. É uma indicação inédita e importante, pois trata-se de um tratamento para uma doença não-invasiva.
O câncer de bexiga, na maioria das vezes, se apresenta como uma doença superficial, ou seja, que não invade as camadas mais profundas e, portanto, tem baixo risco de metástases. Nesses casos, a ressecção transuretral – a popular raspagem – é realizada para retirada do tumor e, não infrequentemente, o tratamento com BCG injetado dentro da bexiga é indicado para evitar recidiva. O problema é que esse tipo de tumor pode voltar a aparecer no mesmo ou em outros pontos da bexiga em 30% dos pacientes, sendo considerado resistente à BCG. Quando isso ocorre, a indicação de retirada da bexiga (cistectomia radical) é comumente defendida pelos médicos. Entretanto, esta é uma cirurgia grande, com risco de morte e comorbidades importantes, as quais são muito incômodas aos pacientes, tendo em vista que muitos ficam com bolsas de cistostomia para coleta externa de urina e/ou podem ter infecções de repetição, impactando na qualidade de vida.
Foi nesse cenário que o Pembrolizumabe, uma droga imunoterápica já aprovada e utilizada em câncer de bexiga avançado, foi testado no estudo KEYNOTE-057 (fase II), que motivou a aprovação pelo FDA. Nele, 148 pacientes com câncer de bexiga não-músculo invasivo de alto risco, resistentes à BCG e que tivessem contraindicação à cirurgia de cistectomia (ou se recusassem a realizar o procedimento) receberam Pembrolizumabe intravenoso por até dois anos. Os resultados mostraram uma taxa de resposta completa em 41% nos pacientes que tinham carcinoma in situ (n = 96), com duração mediana de 16 meses. Os efeitos adversos ocorreram em 65% dos pacientes, sendo 12,7% sérios e a qualidade de vida de 75% melhorou o se manteve estável.
Com esses dados, a medicação foi aprovada pelo FDA, visto que sua eficácia, apesar de não ter sido comparada diretamente com algum controle, é importante para um tipo de tumor que não tinha novos tratamentos há mais de 20 anos. Entretanto, os dados ainda precisam de confirmação em estudos maiores, como o KEYNOTE-676, fase III em andamento, a fim de sabermos o real benefício da droga. Tal questão se impõe não só pelo fato de não ser uma medicação livre de efeitos colaterais, mas também por ser uma droga de alto custo.
A aprovação nos EUA não é acompanhada necessariamente com uma aprovação pela Anvisa no Brasil, portanto, por enquanto, nossos pacientes ainda não têm acesso à essa indicação. É uma alternativa interessante, pois pode trazer melhor qualidade de vida aos nossos pacientes, principalmente aqueles mais idosos e com comorbidades, que compõem parte importante do cenário. Seguimos acompanhando os avanços na área.
Referências:
Balar AV, et al. Keynote 057: Phase II trial of Pembrolizumab (pembro) for patients (pts) with high-risk (HR) nonmuscle invasive bladder cancer (NMIBC) unresponsive to bacillus calmette-guérin (BCG). J Clin Oncol 2019;37(suppl_7):350
de Wit R, et al. Health-Related Quality of Life (HRQoL) and Updated Follow-Up From KEYNOTE-057: Phase 2 Study of Pembrolizumab (pembro) for Patients (pts) With High-Risk Non-Muscle Invasive Bladder Cancer (NMIBC). Ann Oncol. 2019;30 (suppl_5): v356-v402
30 de janeiro: Dia da Saudade
Saudade é o amor que fica. Linda definição que fala sobre o que permanece, quando se perde. É estranho pensar que algo possa continuar quando aparentemente as perdas são irreparáveis. Causa ainda mais estranhamento, crer que é possível se preparar para isso. No entanto, é possível, sim, de alguma maneira nos organizarmos antecipadamente.
Conviver diariamente com a possibilidade de perda de um ente querido traz no mínimo ansiedade e medo do desconhecido e, quando um familiar nosso adoece, é como se adoecêssemos junto. Assim como o doente, necessitamos do mesmo tempo para absorver, gradualmente, a realidade e se adaptar a nova rotina, que na grande maioria das vezes, demanda esforço físico e disponibilidade emocional. Por outro lado, a proximidade ao doente e seu cuidado podem potencializar a experiência do tempo e favorecer a conexão e assimilação lenta da realidade.
A doença em boa parte das vezes nos pega no atropelo da nossa própria vida. Sem pedir licença, não escolhe apenas as famílias com a melhor dinâmica, sem conflitos de relacionamento, para estimular o cuidado. Acomete-nos no susto e, ao mesmo tempo, nos conecta quase como necessidade básica as nossas prioridades mais essenciais. Isto acaba gerando uma oportunidade única de revisão, de retrospectiva e de planejamentos futuros, baseados no que passou a ser ou continuou a ser importante como propósito de vida.
Diante disso, preparar-se para as perdas é também aparar as arestas da vida. É experimentar ter conversas difíceis sobre conflitos nunca antes mencionados. É ser impulsionado a expressar os sentimentos mais profundos e resolver pendências de qualquer origem. É sobre a chance de poder perdoar e ser perdoado. É passar a limpo e construir uma relação de paz com o que foi vivido dentro dos vínculos.
Não é incomum entrarmos em confronto com nossa própria identidade. São inúmeras as situações que podem impactar na história que nos contamos sobre nós mesmos. Pelas condições que a vida nos impõe e a depender da maneira como cultivamos nossos vínculos, construímos relações com diferentes formas de apego com nossos entes. Nos mais inseguros, nas relações mais simbióticas, não se sabe onde um começa e o outro termina e, dentro disso, quando um se vai, é como se outro fosse junto ou não encontrasse mais sentido para existir. Para se preparar, faz-se necessário muitas vezes iniciar mudanças de concepções sobre nossa própria identidade.
Todos temos nossas próprias rotinas para administrar e planos futuros para nossa própria vida. No entanto, diante da notícia de uma perda anunciada de um ente querido, preocupar-se consigo mesmo pode parecer uma traição. Tirar o cuidado da óptica da culpa alivia tensões e abre caminhos para que cada um dê o que é possível em cada momento, sem se colocar em lugar de débito constante. Exige disponibilidade, mas a entrega ao cuidado pode ser consciente, atenta aos limites pessoais de cada um e num ambiente de comunicação honesta que favoreça a aproximação, não limitada pelas as barreiras do silêncio.
Outros facilitadores que nos ajudam a organizarmos diante de perdas potenciais ainda são: ter flexibilidade dentro da estrutura familiar que permita redefinição de papéis. A adaptação vem da reinvenção a partir das adversidades. O filho que antes era cuidado passa a ser cuidador. A esposa dependente assume todas as responsabilidades da casa. O marido distante se torna o elo mais forte de união da família.
A boa comunicação com a equipe de saúde assistente e entre familiares ajuda a desenvolver segurança no caminho traçado e maior independência. Conhecer o prognóstico e a proposta de tratamento, o objetivo e valores do paciente, o ciclo evolutivo da doença e sintomas esperados, nos empoderam de mais ferramentas e potencial ajuda. É preciso participar de todas as diferentes fases do adoecimento. Isto nos dá intimidade e algum senso de controle, quando tudo parece muito aterrorizador e incontrolável. Sistemas de apoio, formal ou informal, são cruciais.
Nada substituirá a presença, o valor e a importância que uma pessoa querida assume em nossas vidas. A dor da perda e da antecipação da mesma são reais e devem ser reconhecidas. Exigem um olhar compassivo e também de cuidado, para que se possa aceitar e estabelecer uma nova forma de vinculação simbólica com o ente que partiu, de maneira a integrá-lo à nova realidade e, a partir daí, seguir em frente e acreditar em recomeços.
Você conhece o papel do farmacêutico oncológico?
Natália Aimee Camargo D’Angelo, farmacêutica e
responsável técnica do Instituto do Radium
O farmacêutico é geralmente aquele indivíduo que fica escondido dentro de sua sala; o guardião anônimo dos medicamentos. Somos incógnitos, mas somos importantes!
Junto aos outros profissionais, como enfermeiros, psicólogos, dentistas, nutricionistas e outros, formamos uma equipe que se complementa e tem como único objetivo o cuidado. O farmacêutico oncologista é uma peça fundamental nesse cuidado. Temos a incrível missão de guardar, manipular e entregar o que pode ser a cura do paciente. É de grande importância que o profissional tenha um amplo conhecimento sobre os diversos protocolos de tratamento antineoplásico e as particularidades de cada medicamento que os compõe. Assim, ele deve estar sempre se atualizando e em constante aprendizado.
Como profissionais do medicamento, somos responsáveis por identificar as interações que podem existir entre todos aqueles que o paciente faz uso contínuo e prévio (como medicamentos para diabetes ou pressão alta) e aqueles do tratamento oncológico. Por isso tente sempre ter em mente o nome de todos os medicamentos que você utiliza e nunca esconda nenhuma informação, mesmo que seja sobre fitoterápicos ou suplementos. Sempre siga as instruções do farmacêutico sobre como tomar ou como armazenar o medicamento e sobre como manejar efeitos adversos. Tome comprimidos e cápsulas sempre com bastante água e nunca com outros líquidos como café, refrigerante ou sucos (a não ser em casos de orientação específica).
Muitos medicamentos por via oral para tratamento de câncer devem ser tomados no mesmo horário todos os dias. Portanto, use de artifícios para se lembrar do horário. Existem diversos aplicativos que podem ajudar, assim como o uso de alarmes. Caso o paciente faça uso de medicamentos em comprimidos ou cápsulas e seja necessário descarte, sempre devolva para a instituição ou descarte em local próprio. Muitas drogarias possuem um serviço de coleta de medicamentos vencidos.
Em caso de dúvida, seja sobre eventos adversos do tratamento ou a respeito do uso de qualquer medicamento, seja fitoterápico, vitaminas ou outros tratamentos, consulte o farmacêutico e nunca tome decisões baseadas em opinião de pessoas leigas, pode ser prejudicial para sua saúde! Somos capazes de tirar muitas dúvidas, por isso não tenha vergonha de nos procurar.
Hoje em dia, o farmacêutico é um rosto muito mais conhecido nas clínicas e hospitais. Existe um grande movimento para a implantação da farmácia clínica, na qual o paciente tem uma consulta com o farmacêutico e são abordados todos os medicamentos em uso, suas possíveis interações, eventos adversos ou qualquer outro problema que possa ser relacionado ao tratamento. Essa aproximação do paciente com o farmacêutico é muito interessante e traz grandes benefícios para o cuidado já que o paciente, ao confiar no farmacêutico, levanta diversos problemas que são identificados e manejados logo no início, não se tornando problemas mais graves.
Podemos ser fonte de informação, mas também podemos ser uma fonte de carinho. Conte sempre conosco!
Sol: mocinho ou vilão? “Preciso de vitamina D, mas tenho medo de ter câncer de pele”
O sol é o grande responsável por toda vida que existe neste planeta. Sem ele não existiríamos. Seus benefícios são amplamente conhecidos, permitindo às plantas a realização da fotossíntese, e garantindo a luz e energia essenciais para nossa vida.
O astro é fundamental em vários processos metabólicos do nosso organismo, como na ativação e produção do calcitriol (forma ativa da vitamina D), que além de regular a saúde óssea também influencia em algumas reações enzimáticas relacionadas a chamada homeostase ou equilíbrio do nosso corpo.
No entanto os mesmos raios solares que são fundamentais para manutenção desse equilíbrio indispensável para nossa saúde, também estão associados a uma série de danos na pele, como: envelhecimento precoce, aparecimento de manchas e rugas e o tão temido câncer de pele. Devemos lembrar que o câncer de pele é o mais comum no Brasil e no mundo e representa cerca de 33% de todos os tipos de câncer.
Então, como lidar com algo tão necessário e importante e que ao mesmo tempo pode ser tão devastador?
Como tudo na vida, a palavra chave é “equilíbrio”. Devemos estar em contato com o sol e os raios UVA e UVB para manutenção de nossa saúde, mas esse contado deve se dar de forma regrada, respeitando alguns cuidados, para que possamos tirar o melhor proveito daquilo que a natureza nos fornece gratuitamente, mas evitando os excessos ou modismos que podem causar danos extremamente prejudiciais.
Hoje, sabemos que a vitamina D é importante não apenas no metabolismo do cálcio e fosforo e fortalecimento dos ossos, mas também na síntese de antibióticos naturais pelas células de defesa do nosso corpo, na modulação da autoimunidade e síntese de proteínas inflamatórias, no controle da pressão arterial e, como participa da regulação dos processos de multiplicação e diferenciação celular, é atribuído também a ela, papel protetor contra o câncer embora isso não seja completamente comprovado.
Fato é que precisamos de vitamina D ativa para regular várias funções fundamentais da nossa saúde. Diferente de várias outras vitaminas, a vitamina D não esta presente em grande quantidade nos alimentos. Apenas alguns alimentos específicos são ricos em vitamina D, tais com gema do ovo e alguns peixes mais gordurosos de águas frias e profundas como salmão e atum. Apenas 10 a 15% de nossa vitamina D provém da dieta, sendo os outros 90% produzidos pelo nosso próprio corpo. Segue abaixo uma tabela com alguns alimentos ricos em vitamina D:
O ponto inicial dessa produção e ativação, ocorre nas camadas profundas da pele, na qual fica armazenada a substância precursora da vitamina D que se chama 7-deidrocolesterol. Para que ocorra esse processo inicial de ativação da vitamina D é fundamental que o individuo receba luz solar direta, principalmente os raios UVB. Portanto a exposição solar é necessária para a produção dessa vitamina tão importante. Geralmente pessoas que moram em regiões mais frias do planeta e aqueles de pele negra produzem menos vitamina D. Nas pessoas negras isso acontece porque a melanina compete pelos fótons da radiação UVB, diminuindo a disponibilidade de fótons para a ativação da vitamina.
O problema está na exposição excessiva ao sol ao longo da vida que vai causando danos na pele com lesões no DNA da célula, o que aumenta a chance do aparecimento do câncer. E engana-se quem acha que a exposição ao sol durante os fins de semana, na piscina ou praia seja o único inimigo. O sol do dia a dia, quando saímos de casa para o trabalho, supermercado, shopping, também causa danos.
Mas como equilibrar a necessidade de se expor ao sol evitando os danos nocivos que os raios UVA e UVB podem causar?
As principais recomendações são:
Exposição ao sol por 10 a 15 minutos ao dia para as pessoas de pele clara e de 30 a 40 minutos para as pessoas de pele negra (lembrando que as pessoas de pele negra têm mais dificuldade em produzir vitamina D). Essa exposição deve ser antes das 9 horas da manhã ou após as 16 horas. O ideal é que seja sem o uso de protetor solar em alguma parte do corpo, idealmente nos braços ou pernas (recomenda-se que o rosto esteja sempre protegido por protetor solar e que a cada dia uma região diferente do corpo como pernas ou braços fique sem o protetor, nos 10 a 15 minutos).
Existe um estudo brasileiro que mostrou que o uso do protetor solar não interferiu na ativação da vitamina D, mas alguns especialistas acreditam que isso aconteceu porque as pessoas do estudo provavelmente não passavam o protetor solar de forma correta, deixando várias áreas do corpo sem o produto.
Outra recomendação é que a exposição seja direta, sem interposição de vidros ou janelas. O vidro das portas ou janelas bloqueia em parte a passagem dos raios UVB, necessários à vitamina D. Mas, como vivemos em um país tropical com grande incidência de raios solares na maior parte do ano, as chances de deficiência de vitamina D são menores e, portanto, os cuidados com a pele para prevenção do câncer e do envelhecimento precoce devem ser lembrados.
Como falado anteriormente, a dieta é capaz de proporcionar apenas cerca de 10 a 15% das necessidades dessa vitamina. E por isso muito tem se discutido sobre a suplementação de vitamina D, o que vem causando uma corrida muitas vezes desenfreada por níveis cada vez mais elevados no sangue nem sempre de forma adequada.
Os níveis ideais de vitamina D no organismo ainda é objeto de muito debate. De toda forma, hoje, considera-se níveis normais acima de 20ng/ml. A suplementação somente deve ser realizada sob orientação médica.
As pessoas sob maior risco de deficiência são:
- Pessoas acima dos 60 anos ou que sofrem quedas e fraturas recorrentes.
- Gestantes e lactantes.
- Indivíduos com osteoporose e doenças osteometabólicas, tais como raquitismo e osteomalácia.
- Portadores de doença renal crônica.
- Situações de má absorção de nutrientes, como quem tem doença inflamatória intestinal ou fez cirurgia bariátrica.
- Pessoas que fazem uso de medicações que podem interferir com a vitamina D: antirretrovirais, glicocorticoides, anticonvulsivantes, como exemplos.
- Pacientes com câncer.
- Presença de sarcopenia (perda de massa e força muscular).
- Diabéticos.
- Indivíduos com obesidade.
- Pessoas com pele escura, que não se expõem ao sol ou possuem contraindicação a essa exposição.
- Pacientes com insuficiência cardíaca.
Esses indivíduos devem estar mais atentos e dosarem a vitamina D, no sangue, com maior frequência. Deve-se ter muito cuidado com os excessos, pois níveis muito altos de vitamina D podem causar sérios problemas, como maior calcificação de determinados órgãos como os rins, podendo levar, inclusive, a uma parada de seu funcionamento.
Portanto, quando falamos de sol, vitamina D e câncer de pele, devemos ter em mente que o equilíbrio e bom senso são necessários e fundamentais para tirarmos o melhor proveito dessa fonte inigualável de energia sem comprometer nossa saúde.
Devemos evitar a falta e os excessos, como tudo na vida!
É possível tirar férias do seu tratamento oncológico baseado em evidências?
Posso tirar “férias da quimioterapia”? Esta é uma pergunta recorrente de muitos pacientes e que, além de legítima, também leva os próprios médicos refletirem sobre o que é o melhor para o indivíduo que está sendo tratado.
Nas últimas décadas, temos testemunhado grandes avanços na área da Oncologia, com um aumento notável do tempo de vida dos pacientes com câncer metastático. Junto a isso, passamos a ter de lidar com situações com as quais não eram eminentes antes e, uma delas, é se devemos continuar os tratamentos, como a quimioterapia, ininterruptamente.
A maioria dos estudos de drogas oncológicas para câncer avançado (metastático) pressupõe que a sua administração deve ser mantida até a progressão da doença, sem interrupções, a não ser para controle de efeitos colaterais. Pouco se estudou até hoje sobre a possibilidade de dar um “tempo” no tratamento e, quando a doença voltar a crescer, reintroduzi-lo. Mas o constante aumento de pacientes “largos-sobreviventes” tem levado a dúvidas sobre o assunto. Essas pessoas passam a ter efeitos colaterais cumulativos das medicações e, não infrequentemente, se cansam de manter um tratamento por períodos longos, mesmo que o seu efeito seja benéfico. E muitos pacientes querem tirar “férias” de verdade, viajar, visitar um amigo, família ou mesmo reservar um tempo para si mesmo. Interromper o tratamento, em alguns desses casos, é uma questão de trazer mais qualidade de vida.
Não só isso, a intermitência do tratamento pode ter uma lógica científica de diminuir a pressão seletiva das células do câncer, podendo a reduzir a chance de resistência ao tratamento. Isso acontece porque os tumores são compostos por diferentes tipos celulares e, quando o predominante é progressivamente reduzido pela quimioterapia, um ou mais “clones” resistentes podem crescer. Quando se interrompe o “ataque” a essas células, aquele conjunto das sensíveis ao medicamento pode voltar a crescer e, em outra oportunidade, ser novamente atacado com o retorno do uso da droga. Mas será que fazer isso não pode comprometer os efeitos em sobrevida?
Como já dito, não são muitos os estudos que abordaram essa questão e, dentro aqueles que o fizeram, a grande maioria foi testada em tumores colorretais. Três revisões sistemáticas com metanálises analisaram o conjunto dos estudos realizados até recentemente, incluindo entre 6 e 8 estudos na análise. Dentre eles, como exemplo, está o OPTIMOX2, que avaliou a continuidade ou interrupção do tratamento com o esquema FOLFOX para pacientes com câncer colorretal metastático que tivessem tido resposta tumoral. Todas as metanálises chegaram à mesma conclusão: em pacientes selecionados, é possível realizar paradas no tratamento (ou “férias”, como preferirem), sem comprometer de forma significativa a sobrevida global dos pacientes, e ainda com a vantagem de poder promover uma melhor qualidade de vida, em função principalmente da redução das toxicidades.
Os estudos em outros tumores, como rim, pâncreas, ovário e mama, são bem mais escassos. Alguns sugerem uso de radioterapia em casos de pacientes que têm resposta e poucos e pequenos focos de doença, os quais são irradiados e, assim, pode ser viável um período sem tratamento sistêmico. Em um estudo de tumores de próstata, o uso da quimioterapia contínua não se mostrou superior a um número definido de ciclos, e inclusive adicionou toxicidades. Não à toa, o tratamento com o Docetaxel na maioria das vezes é feito por um número limitado de ciclos. O mesmo ocorre em alguns tipos de tratamento para câncer de pulmão. Nesses casos, não são necessariamente “férias”, mas os estudos que foram feitos basearam em não manter continuamente a droga. Os resultados desses estudos são conflitantes, alguns dizendo contra e outros, a favor.
Mais recentemente, com uso de terapias-alvo, geralmente menos tóxicas, isoladas ou junto com a quimioterapia, alguns esquemas de tratamento pressupõem um número limitado de ciclos de quimioterapia e uma manutenção contínua com esses novos agentes. Porém, apesar de menos tóxicos, eles têm, sim, potencial de causar efeitos colaterais, que também podem ser incômodos e cumulativos. Além de exigirem o comparecimento à clínica para exames e consultas.
Ainda mais atual, vem a discussão sobre a imunoterapia. Essa nova maneira de combater o câncer tem trazido grandes discussões na área da Oncologia. Uma delas é em relação ao fato de que, quando há resposta do tumor, muitas vezes a mesma é muito mais duradoura do que estávamos acostumados e, para os pacientes respondedores, o uso ininterrupto pode significar vários anos de visitas quinzenais e picadas de agulha para exames. Ainda não sabemos quando podemos parar os tratamentos sem comprometer os desfechos. Alguns estudos estabelecem 2 anos, mas há algumas evidências de que alguns pacientes podem necessitar de bem menos tempo antes de poderem tirar suas “férias”.
Ademais, com o prolongamento do tempo de uso de drogas oncológicas, o custo dos tratamentos também é algo que deve ser levado em consideração, uma discussão complexa, difícil, mas necessária, pois envolve a sustentabilidade do sistema de saúde.
Enfim, o que se sabe é que o tema é fonte de muita discussão, mas um consenso é que a seleção dos pacientes aptos para as “férias” deve ser bem-feita, minimizando riscos de piora da efetividade do tratamento em questão. Geralmente, tumores com comportamento menos agressivo, com maior resposta ao tratamento e assintomáticos das metástases podem ser os melhores candidatos, não esquecendo, claro, de pacientes com toxicidades cumulativas, mais idosos ou mesmo com vontade de parar.
Alguns estudos têm tentado usar a tecnologia e criar modelos matemáticos para prever quem se beneficiaria mais de umas “férias”, mas o fato é que a melhor maneira é uma conversa médico-paciente clara, aberta, baseada em evidências científicas e que priorize o que é importante para cada indivíduo. Por isso, no final, as “férias” são, com certeza, uma possibilidade e, para tanto, um papo sincero com seu oncologista é de extrema importância para uniformizar expectativas e promover mais qualidade de vida.
Referências:
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Lançamento para câncer de próstata
No dia 23 de dezembro, a Anvisa aprovou o medicamento Darolutamida (Nubeqa®) para tratamento de pacientes com câncer de próstata não-metastático resistente à castração. A droga se junta às outras já disponíveis nesse cenário: Apalutamida e Enzalutamida.
No caso da Darolutamida, sua eficácia foi testada no estudo ARAMIS, de fase III, com 1.509 pacientes que tinham progredido à doença bioquimicamente, sem evidência de metástases, e comparou a Darolutamida com placebo – ambos associados à terapia de deprivação androgênica (ou castração) – em relação ao atraso no aparecimento de metástases e à qualidade de vida.
Os resultados mostraram um aumento de 22 meses no tempo para aparecimento de metástases (40,4 x 18,4 meses), o que representou uma redução de 59% do risco desse evento ocorrer. Houve também benefício para redução do tempo para piora da dor, uso de quimioterapia e eventos ósseos. A sobrevida global, apesar de numericamente positiva para a Darolutamida, ainda apresenta dados imaturos e não pode ser interpretada de forma definitiva. Em relação aos efeitos adversos, não houve diferença significativa, com taxa de eventos graves de 15% no grupo da Darolutamida e 12% no grupo placebo. Além disso, alguns efeitos colaterais (convulsões e quedas) das drogas semelhantes (Enzalutamida e Apalutamida) não foram identificados com o uso da Darolutamida.
Vimos então que essa aprovação significa uma opção a mais para os pacientes, que saem beneficiados. Entretanto, ainda é necessária a precificação para iniciar a comercialização e, como falamos em publicação anterior, os tratamentos orais para câncer não são automaticamente reembolsados pelos convênios e podem demorar até dois anos para estarem disponíveis pelo plano de saúde. Por isso, continuamos lembrando da campanha #simparaquimiooral, descrita recentemente no blog e que você pode saber mais no seguinte link: https://sonhe.med.br//2019/09/03/simparaquimiooral/
Referências:
Fizazi K, et al. Darolutamide in Nonmetastatic, Castration-Resistant Prostate Cancer. N Engl J Med. 2019;380:!235-46.
https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/25351317240201918/?nomeProduto=NUBEQA
