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Assista aos vídeos da Dra. Susana sobre Câncer de Ovário

8 de maio: Dia Mundial do Câncer de Ovário

Vídeo 1: Os sintomas do Câncer de Ovário

Vídeo 2: Estatísticas sobre o Câncer de Ovário

Vídeo 3: Câncer de Mama e Câncer de Ovário

Vídeo 4: Os exames preventivos para o Câncer de Ovário

Vídeo 5: Sintomas persistentes do Câncer de Ovário

Vídeo 6: O que fazer na suspeita de Câncer de Ovário

Vídeo 7: Tratamentos para o Câncer de Ovário

Vídeo 8: O diagnóstico precoce é essencial

5 de maio: Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos

Discussão: endovenoso ou via oral?

Qualquer prescrição ou receita médica contendo medicamentos tem o objetivo de tratar doenças agudas, aliviar sintomas de doenças crônicas, controlar neoplasias, ou aliviar dor e sofrimento. No entanto, todos medicamentos apresentam riscos e efeitos colaterais, em maior ou menor grau.

Para alertar sobre os cuidados que devem ser observados no uso de medicamentos, instituiu-se o dia 5 de maio como o Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos. Logicamente, a automedicação é um dos principais focos da campanha para uso racional dos medicamentos, até porque o uso de um medicamento errado pode causar intoxicação, mascaramento ou agravamento dos sintomas de doenças graves. Ou, em situações extremas, até mesmo causar novas doenças.

A Organização Mundial de Saúde define que o uso racional de medicamento ocorre quando pacientes recebem medicamentos para suas condições clínicas em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. E o uso irracional ou inadequado de medicamentos é considerado problema em nível mundial. A OMS estima que mais da metade de todos os medicamentos são prescritos, dispensados ou vendidos de forma inadequada. Outro problema já visto em estudos publicados é que cerca de metade dos pacientes não seguem as orientações médicas adequadamente.

Contudo, mesmo quando se seguem orientações dos médicos, utilizando o tratamento nos horários corretos, na quantidade receitada e no período de tempo recomendado, os riscos existem. Em especial nos pacientes com câncer, em que as terapias visando cura ou controle da doença frequentemente são agressivas e com efeitos adversos limitantes.

A administração de medicamentos pode ser por via oral, mas também pode envolver uma diversidade de dispositivos, como seringas e agulhas. Além disso, para tratamento do câncer, quimioterápicos também podem ser administrados de forma intravenosa, diluídas em soro, ou por meio de bombas de infusão as quais permitem a liberação precisa e controlada dos medicamentos.

Atualmente, várias estratégias inovadoras de tratamentos têm surgido para tratamento de pacientes com diferentes tipos de neoplasias, com perspectivas de controle em longo prazo e, eventualmente, com objetivo de cura. E, algumas vezes, substituindo a quimioterapia convencional (endovenosa) por terapias por via oral. Grande parte das terapias-alvo modernas contra neoplasias tem sido desenvolvidas para administração via oral, por meio de cápsulas ou comprimidos, que são geralmente mais cômodas ao paciente.

Além da comodidade, para serem aprovadas pelas agências regulatórias internacionais (no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa) as novas terapias precisam se mostrar superiores em eficácia aos tratamentos habituais. Porém, após a regulamentação e registro no país de um medicamento, o acesso nem sempre é garantido. Especificamente no caso dos medicamentos orais contra o câncer, a cobertura pelos planos de saúde é extremamente demorada, levando entre dois a seis anos, dependendo do caso. Isso por causa da legislação brasileira e de sua interpretação, que considera aspectos econômicos e de custo-benefício apenas para medicamentos orais.

Medicamentos antineoplásico endovenosos têm sua cobertura obrigatória automática, após a aprovação pela Anvisa. Medicamentos antineoplásico orais, por sua vez, dependem de uma pouco transparente reavaliação da Agência Nacional de Saúde, que publica listas de cobertura obrigatória a cada dois a três anos.

Especialmente nesta época de pandemia por coronavírus, em que o isolamento social tem sido recomendado, seria razoável que fossem limitados os deslocamentos de pacientes frágeis às clínicas e aos hospitais para receberem tratamentos necessários para controle de suas doenças. Assim, as terapias administradas por via oral seriam ainda mais benéficas, tanto para o paciente quanto para a sociedade. Seria muito oportuna então uma rediscussão sobre as regras de cobertura da ANS, que diferenciam medicamentos apenas pela forma de administração.

Uso racional e correto de medicamentos envolveria, assim, a possibilidade de escolher a melhor forma de administração, inclusive oral. Assim, cumpririam a definição da OMS , especialmente considerando as necessidades individuais, o tempo adequado e o menor custo para si e para a sociedade.

Na prática, todos são responsáveis por promover o uso racional e correto de medicamentos: governo, indústria, profissionais da saúde e pacientes. E todos são agentes de mudanças de regras e podem, de maneira judiciosa e consciente, ajudar na prática médica baseada nas melhores evidências e valores.

5 de maio: Dia Mundial de Higienização das Mãos

Lavagem sistemática das mãos e uso de luvas: estamos nos protegendo corretamente?

Ao passo que a pandemia da COVID-19 e os seus crescentes números seguem aterrorizando o Brasil e o resto do mundo, surgem cada vez mais questionamentos sobre o que cada um de nós pode fazer para limitar e reverter esse cenário de saúde que estamos vivendo. O isolamento social parece, sim, ser o caminho mais seguro e correto neste momento em que muitas vidas (inclusive a minha e a de todos que aqui me leem) estão em jogo. O acesso e o devido embasamento de nossas ações em informação de qualidade é algo que tende a contribuir para que ele seja um pouco menos turbulento. É por isso que nós, do Grupo SOnHe – Grupo Sasse de Oncologia e Hematologia, seguimos com nossa missão de difundir o conhecimento científico em saúde, não apenas no que tange ao câncer e seu tratamento em si, mas também àquilo que diz respeito ao mundo a nossa volta; por enquanto, o tema em pauta vem sendo o coronavírus.

Parece básico e até “bobo” orientar as pessoas a nossa volta a higienizar as mãos ao ter contato entre si ou com objetos do uso diário. Dizer, ainda, que este simples gesto foi (e ainda está sendo) responsável pelos primeiros passos no controle da contaminação disseminada do coronavírus parece até engraçado. Isto é (de fato) verdade.

Diversos estudos mostraram controle efetivo da contaminação entre ambientes distintos com a higienização sistemática das mãos (com água e sabão e/ou álcool em gel). Um dos mais relevantes foi desenvolvido por pesquisadores de Taiwan, no qual foram criados os “handwash checkpoints” (do inglês: pontos de lavagem das mãos) na entrada dos hospitais e nos locais de transição entre os ambientes. Criou-se algo semelhante à um “pedágio”, uma parada obrigatória na qual se dedica tempo e técnica exclusivamente para higienização efetiva das mãos. O estudo mostrou importante controle da contaminação na interface hospital-comunidade e sacramentou essa prática (em associação ao controle de circulação/isolamento populacional) como indispensável para nossa sobrevivência neste “novo mundo”.

É frequente vermos mercados e estabelecimentos comerciais com funcionários fornecendo álcool em gel na chegada dos clientes, o que me faz pensar que essa informação já ganhou força e aplicação no dia a dia.

Vamos então, mudar um pouco o foco: na prática do cuidado à saúde, a luva de proteção sempre foi importante aliada do profissional, garantindo, em conjunto com outros equipamentos de proteção individual (EPI’s), manutenção da sua integridade física e, também, proteção para o próprio paciente. Conteúdos sobre o uso indiscriminado de luvas foram recentemente divulgados e, como era de se esperar, vem gerando muitas discussões. Mas afinal: devemos utilizar a luva como proteção obrigatória no dia a dia comum?

A luva comum (chamada de procedimento simples e/ou não estéril) deve ser utilizada somente por profissionais de saúde enquanto estes encontram-se no ambiente hospitalar e no ato do cuidado. Neste contexto, a luva é trocada sempre que se finaliza um procedimento em determinado indivíduo e irá iniciar o cuidado dos demais. Para alguns procedimentos, faz-se necessário o uso pontual de equipamentos e luvas estéreis. Dito isso, a resposta para a indagação anterior é não.

Ao utilizar a luva comum (ou até mesmo a estéril, caso alguém ouse questionar) para atividades corriqueiras como dirigir, arrumar um cômodo de sua residência ou pegar/manipular objetos, o indivíduo protege a sua própria mão, mas não deixa de seguir contaminando a si e às superfícies em que ele toca. É possível ainda que, por se tratar de uma prática inédita para os leigos, e acreditando na “falsa proteção” da luva, as pessoas deixem de hesitar em tocar a face, os objetos de uso pessoal (como óculos) e até mesmo a máscara que agora faz parte da rotina diária, levando assim a luva (tão contaminada quanto a própria mão sem a mesma) para regiões próximas das vias respiratórias, aumentando o risco de contaminação.

Para finalizar, o uso de luvas não substitui em absolutamente nada a prática de higienização das mãos. Este ato, sim, é o jeito mais eficiente de seguir se protegendo e contribuindo para o combate ao coronavírus.

Por hoje é isso! Gostou? Compartilhe e oriente as pessoas próximas a você. Aproveite para conferir nas mídias sociais as orientações do Grupo SOnHe sobre a COVID-19.

Câncer de cabeça e pescoço pode ser prevenido?

Abril é o mês de conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Apesar de pouco discutido na mídia, merece um lugar de destaque por representar o quarto câncer mais frequente nos homens brasileiros. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima 11.200 novos casos de câncer de cavidade oral e 6.470 de câncer laringe para o ano de 2020. Ainda mais impactante que esse dado é imaginar que a grande maioria desses casos poderiam ser evitados pela não exposição aos fatores de risco. A resposta parece simples, porém na prática é um desafio a ser alcançado.

Quando falamos do câncer de cabeça e pescoço nos referimos a todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe) e nas glândulas salivares. A agressão contínua desses tecidos pelos fatores de risco causa alterações celulares podendo precipitar o câncer.

Os fatores de risco para o desenvolvimento desta neoplasia já são bem estabelecidos. O principal é o tabagismo. O risco é dependente do número de cigarros fumados por dia e do tempo de uso. Os tabagistas têm o risco de desenvolver câncer de 5 a 25 vezes mais do que os não fumam. Nesse contexto o cigarro não é o único vilão, o cachimbo e o hábito de mascar fumo ou tabaco também estão comprovadamente associados a um risco aumentado de câncer de boca e faringe.

É importante destacar que o uso de narguilé, uma espécie de cachimbo de água no qual o tabaco aromatizado é queimado e aspirado por uma mangueira até a boca, também é potencialmente um risco. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), consumir uma rodada do Narguilé é equivalente a fumar 100 cigarros.

O etilismo é o segundo fator de risco mais importante. Também está relacionado com a quantidade ingerida durante a vida. Um estudo revelou o aumento de 5 a 6 vezes no risco de desenvolver o câncer de cabeça e pescoço com consumo de álcool superior a 50 g/dia versus menos de 10 g/dia (aproximadamente uma lata de cerveja).

O terceiro fator que ganha cada vez mais importância é a infecção pelo vírus HPV. Esse vírus é o mesmo relacionado ao câncer de colo de útero, vagina, vulva, anus e pênis. Dentre os 150 subtipos, o mais relacionado ao câncer de cabeça e pescoço é o subtipo 16, sendo a orofaringe (garganta) o local mais acometido. Dados norte-americanos revelam que 70 a 80% dos casos de câncer de orofaringe está relacionado ao HPV. Diferentemente dos outros fatores de risco, ele é responsável por câncer em pacientes mais jovens e sem hábito de tabagismo e etilismo.

Sabemos que esses tumores relacionados à infecção pelo vírus apresentam uma melhor resposta ao tratamento. Outra boa notícia é que a vacinação contra o HPV confere proteção contra esse tipo de câncer. No Brasil, as indicações para a vacinação de acordo com o Ministério da Saúde são o grupo de meninas dos 9 aos 14 anos e de meninos dos 11 aos 14 anos.

Concluindo, curar todos os casos de câncer de cabeça e pescoço ainda não é possível, porém evitar o cigarro, o etilismo e incentivar a vacinação contra HPV podem prevenir a maioria dos casos. Vamos aproveitar o mês de abril para iniciar um estilo de vida saudável e atingir nosso desafio de reduzir a nossa estatística contra o câncer de cabeça e pescoço.

COVID-19 e coagulação: cuidados com mensagens de redes sociais!

Mais uma vez fugimos do tema da Oncologia e vamos falar sobre a COVID-19, até porque a pandemia tem impactado na vida de todos, inclusive nossos pacientes. Algumas notícias e mensagens compartilhadas recentemente nas redes sociais têm sugerido que estudos defendem o uso de anticoagulantes para tratamento de pacientes com coronavírus. Isso não é verdade! Vamos aos fatos:

Nos últimos meses, notadamente nas últimas semanas, alguns estudos vêm mostrando que pacientes com COVID-19, principalmente os mais graves, apresentam uma maior incidência de eventos trombóticos, ou seja, distúrbios de coagulação. Muito está sendo pesquisado sobre a causa, porém sabe-se que há maior ocorrência de problemas de coagulação em pacientes com infecções graves, sejam virais, sejam bacterianas. Entretanto, nenhum estudo até hoje mostrou que a anticoagulação terapêutica é melhor do que não a fazer. Geralmente, pacientes internados em estado grave já recebem anticoagulação profilática, isso não é nenhuma novidade.

As mensagens que circulam nas redes dizem que os cientistas teriam descoberto que a COVID-19 não seria uma pneumonia, mas apenas um problema de coagulação, dizendo até que definir como quadro pneumônico seria um “grande erro diagnóstico”. Isso não é correto. Apesar do quadro de alterações de coagulação ser comum nos pacientes, há também o componente de pneumonia. Não só isso, até o momento, nenhum estudo mostrou benefício do uso de anticoagulantes em doses terapêuticas. Vale lembrar ainda que o uso de anticoagulação em doses altas pode levar também a um maior risco de sangramento, incluindo eventos potencialmente fatais.

Um dos estudos em que as mensagens se apoiam foi uma análise de bioinformática da ação do vírus sobre as células, sugerindo um possível mecanismo relacionado, porém nada definitivo, nada feito em laboratório, nada confirmado em pacientes in vivo.

As mensagens ainda vão adiante e recomendam o uso (absurdo!) de três comprimidos de 500mg de Aspirina® (ácido acetilsalicílico) com suco de limão fervido com mel. Não há NENHUMA razão para tal recomendação e é inclusive ARRISCADA, não só por trazer falsas esperanças de “cura” da COVID-19, mas por colocar as pessoas em risco, já que o uso de medicações como a Aspirina® não é de nenhuma maneira isenta de riscos, ainda mais nessa dose mais alta.
Enfim, o que se sabe até agora é que parece haver uma incidência maior de eventos trombóticos em pacientes com COVID-19, principalmente os mais graves, mas se isso impactará no tratamento oferecido deve ser testado em estudos bem desenhados e que tenham capacidade de responder a essa pergunta – e eles estão em andamento. A ciência está tentando descobrir o quanto antes maneiras de enfrentarmos essa pandemia de forma eficaz. Entretanto, ainda nenhuma “bala mágica” foi descoberta e o necessário é seguir as recomendações dos especialistas, ficando em casa quem puder, praticando bons costumes de higiene e não tomando medicações sem indicação médica. Vamos continuar fazendo ciência para trazermos sempre mais vida!

Referências:

https://www.medrxiv.org/content/10.1101/2020.04.19.20054262v1
https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMc2007575
https://chemrxiv.org/articles/COVID-19_Disease_ORF8_and_Surface_Glycoprotein_Inhibit_Heme_Metabolism_by_Binding_to_Porphyrin/11938173

Mês de conscientização do câncer de esôfago vem com aprovação de imunoterapia para a doença no Brasil

Estamos no mês de conscientização sobre o câncer de esôfago. E utilizaremos o tema para falar também de uma nova aprovação de tratamento para pacientes com a doença. Essa neoplasia é a sexta mais incidente na população masculina do nosso país e aproximadamente 11.500 casos novos são registrados anualmente, segundo o INCA.

Sabe-se também que os principais fatores de risco são o consumo excessivo de álcool e o tabagismo, além de, mais recentemente, a obesidade ter passado a compor a lista. Tais doenças predispõem a lesão repetida da mucosa esofágica, aumentado a frequência de mutações das células locais e, consequentemente, a incidência de neoplasias malignas.

Quando localizado, o tratamento envolve cirurgia com ou sem combinação de radioterapia e quimioterapia. No caso da doença avançada, a terapia é baseada em quimioterapia, muitas vezes em combinação ou isolada, havendo um número limitado de opções para uso. Além disso, essas drogas promovem uma eficácia limitada com toxicidades elevadas. Por isso foi muito importante a aprovação pela Anvisa, no fim do mês passado, do uso do Pembrolizumabe para esses pacientes.

O Pembrolizumabe, como já falamos em outros posts do “Alerta Oncologia”, é uma medicação imunoterápica, ou seja, que não atinge diretamente as células tumorais, mas estimula nosso sistema imune a combatê-las. Por conta dessa ação indireta, os efeitos colaterais desse tipo de terapia costumam ser menos frequentes e mais toleráveis para os pacientes. E sabemos que nos últimos anos a imunoterapia vem sendo aprovada para diversos tumores, revolucionando a Oncologia.

No caso do câncer de esôfago a aprovação da Anvisa foi para pacientes com tumores metastáticos, localmente avançados ou recorrentes, com doença em progressão após 1ª linha de tratamento e que tivessem expressão da proteína PD-L1 CPS ≥ 10%, um indicativo de maior resposta à imunoterapia.

O estudo que serviu de base para a decisão foi o KEYNOTE-181, que comparou quimioterapia-padrão de 2ª linha com Pembrolizumabe, e mostrou uma redução de 31% no risco de morte, com significância estatística, aumentando em quase três meses a sobrevida global mediana dos indivíduos com PD-L1 CPS ≥ 10%. Isso levou a mais que o dobro de pacientes permanecerem vivos após 18 meses (26 x 11%). Importante destacar que a qualidade de vida foi melhor e os eventos adversos, menos frequentes nos pacientes que utilizaram Pembrolizumabe (64 x 86%), incluindo os graves (18 x 41%).

Essa notícia é mais um avanço proporcionado pela imunoterapia, agora no tumor de esôfago, e que deve beneficiar muitos pacientes, trazendo não só mais tempo, mas também mais qualidade de vida. Aproveitamos para sempre reforçar que a vida saudável é, muitas vezes, consequência de hábitos saudáveis, portanto, evitar álcool em excesso, não fumar, manter uma dieta balanceada e um peso adequado são grandes passos para a prevenção do câncer de esôfago. Continuamos sempre alertas para novidades que possam mudar a trajetória da doença para o nosso eterno foco: nossos pacientes.

Referências:

http://portal.anvisa.gov.br/informacoes-tecnicas13?p_p_id=101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=2&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_groupId=219201&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_urlTitle=keytruda-pembrolizumabe-nova-indicac-2&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_assetEntryId=5821402&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_type=content

Metges J, et al. The phase 3 KEYNOTE-181 study: pembrolizumab versus chemotherapy as second-line therapy for advanced esophageal cancer. Ann Oncol. 2019;30(suppl_4):iv130

Kojima T, et al. Pembrolizumab versus chemotherapy as second-line therapy for advanced esophageal cancer: Phase III KEYNOTE-181 study. J Clin Oncol. 2019;37(suppl_4;abstr 2)

Câncer de testículo: como detectar precocemente?

Abril é o mês da conscientização sobre o câncer de testículo, doença que quando comparada aos “famosos” cânceres de mama e próstata, tem muito pouco prestigio na mídia. É verdade (sim!) que trata-se de uma doença rara e cercada de muitos tabus, já que acomete o órgão genital/sexual masculino. Responde por algo entre 1 a 3% de todos os cânceres do mundo; é, porém, o principal câncer sólido (com exceção das leucemias e linfomas) diagnosticado em homens entre 15 e 35 anos.

O câncer de testículo já teve seus “momentos de glória”, quando atletas famosos do mundo do basquete, ciclismo e futebol diagnosticaram a doença. O que pouca gente fala (e que é o mais importante) é que o câncer de testículo tem altíssimas taxas de cura com a cirurgia do testículo (orquiectomia) e a quimioterapia, mesmo quando a doença se apresenta com metástases em outros órgãos (os mais comuns: pulmão e linfonodos). Sendo assim, conversar, discutir, quebrar tabus e (o mais importante) estimular a busca pelo diagnóstico precoce são práticas que tendem a aumentar ainda mais a chance de cura desse tipo de câncer.

Mas como? Como podemos diagnosticar o câncer de testículo em sua fase inicial?

O mais importante é reconhecer os sinais e sintomas mais frequentes da doença, assim como identificar homens com fatores de risco para o seu desenvolvimento. Dessa forma, é possível procurar auxílio médico no momento correto.

O câncer de testículo geralmente se apresenta como um nódulo (caroço) no órgão, que pode ou não doer, alterar a consistência e a cor do mesmo, e que quase sempre é percebido pelos homens quando eles tocam a parte genital. Não incomumente, a parceira do paciente pode ser a responsável por notar tais alterações. Como já dito, muitos destes homens (jovens, como se espera para a faixa etária alvo desta doença) vem o exame do testículo como um tabu ou motivo de vergonha e, por isso, hesitam em procurar auxílio médico no início dos sintomas, o que acaba atrasando a detecção precoce de um possível tumor. Vale lembrar que outras doenças benignas também podem acometer o testículo (orquite, epididimite, hidrocele, torcao testicular, outras). Sendo assim, na presença dos sintomas citados, o exame do testículo por um profissional médico e a realização de exames complementares (ultrassom, exames de sangue específicos e até tomografias) certamente vão auxiliar no diagnóstico exato para cada individuo. Sintomas mais incomuns do câncer de testículo e que sugerem um quadro mais avançado são dores abdominais, tumorações no abdome, tosse, falta de ar e o surgimento de gânglios (linfonodos) na região cervical e/ou acima da clavícula.

Existem algumas condições de saúde que são sabidamente fatores de risco para o desenvolvimento de câncer de testículo. É o caso da criptorquidia (popularmente conhecida como “testículo que não desceu” ou “testículo mal posicionado”). A criptorquidia é definida pela ausência ou a não localização do testículo na bolsa escrotal. Nesta condição, o testículo (que durante o desenvolvimento fetal é gerado e se localiza dentro do abdome) pode se apresentar no trajeto de “descida” até o escroto (mais comumente na região inguinal) ou até mesmo na dentro da cavidade abdominal. Para alguns homens portadores desta condição, faz-se necessária a monitorização deste testículo mal posicionado e, eventualmente, a abordagem cirúrgica para correção ou retirada do mesmo. Estudos sugerem que homens com criptorquidia tem 3% mais chance de desenvolver câncer de testículo do que aqueles sem esta condição. Por fim, e não menos importante, a literatura sugere um risco maior de câncer testicular para pacientes com familiares com histórico da neoplasia em questão. Filhos e parentes próximos (irmãos, primos de primeiro grau) de indivíduos portadores de câncer de testículo parecem ter um risco maior (2 a 5 vezes maior) de desenvolver a doença.

É isso por hoje! A mensagem que fica é que devemos, sim, lembrar da existência do câncer de testículo, e que qualquer alteração na região genital deve ser avaliada o quanto antes por um profissional de saúde. O diagnostico precoce possibilita o adequado tratamento e aumenta ainda mais a chance de cura. Já para aqueles indivíduos que tem um histórico familiar de câncer testicular e/ou criptorquidia, é importante manter um seguimento regular de saúde com seu médico para monitorar possíveis alterações suspeitas. Caso necessário, um especialista na área de urologia pode e deve ser consultado.

Quando ser “mascarado” pode salvar vidas

O coronavírus (causador da COVID-19) – um vírus que acomete principalmente as vias respiratórias superiores e os pulmões podendo causar quadros graves de pneumonia e insuficiência respiratória, especialmente nos mais idosos e com doenças crônicas – acertou em cheio o mundo como um rolo compressor, fazendo com que várias certezas fossem colocadas em xeque! Qual a melhor forma de nos protegermos? Devemos ficar isolados ou tentarmos adquirir imunidade o quanto antes? Favorecer a saúde ou a economia? O que mata mais: a doença ou a pobreza? O que fazer para barrar a transmissão? Várias perguntas sem uma resposta definitiva, até porque a COVID-19 passou a se disseminar desde dezembro de 2019, na China, e em pouco tempo se espalhou pelo mundo inteiro causando o maior bloqueio que a economia já viu. Isso porque nem mesmo durante as grandes guerras, o impacto foi tão grande no mundo inteiro.

A medida que a doença avança e adquirimos mais conhecimento sobre a pandemia, algumas estratégias de combate ao vírus vão ganhando força e sendo implementadas. A primeira delas é o isolamento social. Esta claro que os países que conseguiram isolar as pessoas dentro de suas casas mais cedo, estão tendo resultados melhores, como uma velocidade de disseminação menor e menos colapso no sistema de saúde. Com isso menos pessoas morrerão pelo fato de não terem acesso ao tratamento e ao suporte necessário nos casos mais graves. Outra estratégia que vem ganhando força no mundo inteiro é o uso de máscaras por todas as pessoas que saem de casa. Inicialmente a recomendação do Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde era que apenas as pessoas sintomáticas e profissionais de saúde usassem máscaras.

Mas a observação de que países onde culturalmente o uso de máscaras pela população é mais difundido – como Japão, Coreia do Sul e a República Tcheca – estão tendo melhores resultados no combate ao vírus, tem levado as organizações de saúde recomendar o uso do acessório por todos que saírem às ruas. Isso porque as pessoas contaminadas pelo vírus que são assintomáticas (aquelas sem sintomas) têm papel importante no ciclo de contaminação e disseminação da doença. Isso levou o Ministério da Saúde a mudar, em 2 de abril de 2020, a recomendação para que todas as pessoas, mesmo aquelas sem sintomas, usem máscaras ao saírem às ruas, embora o ideal seja manter o isolamento e permanecer em casa.

Estudo recente chinês mostrou que muitas pessoas se infectaram a partir de outras que não tinham nenhum sintoma e saíam as ruas. Essas pessoas, ao falarem, dispersavam gotículas contaminadas pelo vírus e assim outros se infectavam. As máscaras funcionam como barreiras físicas para essas gotículas maiores. Outros estudos no Japão mostraram que o uso de máscaras por toda população foi decisivo para desacelerar o número de novos casos da doença.

Mas algumas dúvidas ainda pairam no ar. E as respostas nem sempre são dotadas de certeza aritmética. As máscaras protegem 100% contra a disseminação do vírus? Certamente, não. A proteção não é de 100% e, por isso, devemos continuar sempre com as demais medidas de proteção, como lavar as mãos com água e sabão e usar o álcool 70%, manter isolamento social e distância de dois metros de outras pessoas. De todo modo, as máscaras podem ajudar a minimizar a dispersão do vírus. Então, qual o tipo de máscara mais adequada, visto que existem diferentes tipos, com graus diferentes de proteção? Uma coisa é fato: se todas as pessoas usarem máscaras industrializadas (essas que são usadas em hospitais), faltarão equipamentos de proteção para médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, que estão mais expostos ao contágio e na linha de frente de combate ao vírus.

O ideal é que as pessoas usem máscaras caseiras, feitas de algum tecido mais grosso, que sirva como barreira física. Essas máscaras devem ser usadas ao sair de casa para ir ao mercado ou à farmácia e devem sempre ser lavadas ao retornar para casa. Sempre que for sair, deve-se colocar uma máscara limpa e lavada. Pode-se confeccionar máscaras com outros materiais, como lenços de pano Perflex, que são usados para limpeza de cozinhas e eletrodomésticos. Essas devem ser descartadas após cada saída de casa e nunca reutilizadas. Novamente ressaltamos que essas máscaras não protegem 100%, mas podem ser importantes na diminuição da transmissão do vírus. Mais do que proteger aqueles que não tem a doença, talvez a maior função seja evitar que aqueles doentes que não sabem que estão doentes (são justamente os que saem de casa), possam espalhar o vírus pelo ar, próximos de outros.

Além das máscaras caseiras, temos as industrializadas que basicamente são de dois tipos: as máscaras cirúrgicas convencionais, feitas de material não tecido. São encontradas em farmácias, mas o seu uso em grande escala tem feito elas desaparecerem com tamanha rapidez que virou objeto de desejo de muitos. Mesmo no ambiente hospitalar, seu uso tem seguido algumas normas, para evitar o desperdício e, com isso, garantir que não faltarão máscaras no momento de agravamento da pandemia. A outra máscara industrializada é a chamada N95 (conhecida popularmente como bico de pato, pelo seu formato) e é equivalente à máscara PFF2. Essa máscara protege contra partículas pequenas e aerossóis e é a mais indicada para profissionais de saúde que lidam diretamente com casos suspeitos ou confirmados da doença. São as que mais protegem porque têm capacidade de filtração de cerca de 95%, maior que a máscara cirúrgica convencional. Mas também precisam ser manipuladas de forma adequada porque a parte externa pode ficar contaminada pelo vírus e se for manuseada de forma errada pode não impedir a infecção.

Como as máscaras devem ser colocadas? Sempre deve-se lavar as mãos com água e sabão antes de colocá-las. A máscara deve cobrir a boca e o nariz e não se deve colocar a mão na parte da frente ou interna da máscara. Quando for retirar, a parte de traz, onde é amarrada, deve ser o único local tocado. Sempre que a máscara estiver úmida ou suja deve ser trocada ou a cada duas horas. Assim que chegar em casa, ela deve ser colocada para lavar se for de pano ou descartada se for de outro material, de preferência em um lixo separado dos demais. Deve-se evitar ao máximo colocar as mãos no rosto e ficar tentando ajustar a máscara toda hora e sempre deverá lavar as mãos após a retirada.

O uso de outros materiais, que não tecido, não estão indicados para confecção de máscaras caseiras. O uso de sacolas plásticas, por exemplo não é recomendado por poder causar sufocamento e piorar a qualidade do ar respirado, propiciando outras infecções. Os tecidos usados em casa, não têm a trama tão fechada e, por isso, sua proteção não será de 100%, principalmente contra partículas pequenas, mas pode proteger contra as partículas maiores.

Para finalizar, portanto, é importante entender que as máscaras de pano protegem pouco os indivíduos que as usam, no intuito de evitar que “peguem o vírus”, mas podem evitar que aquelas pessoas já infectadas e que não sabem se têm a doença (por não ter sintomas ou ter apenas sintomas leves), espalhem partículas com o vírus para o ambiente e para pessoas próximas. Por isso ser “mascarado”, nesse momento, pode ajudar a salvar vidas. Além disso as outras medidas como isolamento social, lavar bem as mãos e manter a distância de dois metros de outras pessoas continuam sendo as mais importantes. Nunca o lema “um por todos e todos por um” foi tão verdadeiro e importante como agora.

Vitamina D e COVID-19: existe relação?

Em meio à pandemia de COVID-19, não falaremos de câncer especificamente, mas sim, da onda de notícias que tem saído na mídia sobre a relação entre vitamina D e coronavírus.

Tudo aparentemente começou depois que pesquisadores da Universidade de Turim, na Itália, publicaram um documento (não artigo científico, como o próprio autor reforça) no qual descrevem que identificaram que muitos pacientes com COVID-19 tinham baixos níveis de vitamina D. A partir de uma compilação de evidências relacionadas ao assunto, eles sugerem que a vitamina D, atuando com efeito imunológico, poderia proteger contra o vírus. Sendo assim, deram a orientação de que pacientes com COVID-19 – e mesmo aqueles que ainda não tenham contraído a doença – tomem vitamina D em doses altas para se protegerem.

Porém, é preciso muito cuidado! O documento descreve que os cientistas deram vitamina D em altas doses para pacientes com COVID-19 e que isso teria reduzido o tempo de internação (mas não mortalidade). Mas essa é uma descrição totalmente informal, sem detalhamento do método científico utilizado. Ademais, o fato de haver muitos pacientes com COVID-19 e vitamina D baixa não denota relação de causa-efeito. Ora, idosos, na Itália, no inverno geralmente tem níveis de vitamina D mais baixos, principalmente pela baixa exposição solar.

Além disso, o documento formulado por esses cientistas junta evidências diversas de estudos variados sobre potenciais benefícios da vitamina D para a população geral. Alguns pré-clínicos, ou seja, feitos em laboratório, não em humanos, aventam a hipótese de que a substância aumentaria a capacidade imunológica das células; outros, também pré-clínicos, sugerindo que a vitamina D reduziria a inflamação no pulmão de ratos; ainda outros, de dados retrospectivos e com poucos pacientes, relatando pequenas reduções da chance de contrair doenças virais respiratórias.

Todos os estudos têm níveis de evidência muito limitados e que são apenas geradores de hipótese e devem, sim, suscitar maiores investigações em pesquisas mais robustas. O que se sabe atualmente é que a reposição de vitamina D é necessária, sim, para pacientes específicos, aqueles que têm falta de vitamina D. E que a coleta de vitamina D deve ser feita após avaliação médica de um paciente com risco para tal. Não só isso, a reposição, até o momento, só demonstrou apenas redução de fraturas ósseas nesses pacientes. Inclusive, num estudo bem desenhado de uma das maiores revistas científicas (New England Journal of Medicine), a vitamina D não preveniu câncer nem doenças cardiovasculares.

Tão importante quanto ter cautela com as informações de hoje em dia, é saber também que, como toda medicação, a reposição de vitamina D não é isenta de riscos: aumento do cálcio no sangue e cálculos renais são algumas das consequências da reposição sem critério, situações que podem prejudicar os pacientes, podendo ser, inclusive, fatais.

Enfim, as evidências ainda estão sendo construídas pelos cientistas de todo o mundo. Por enquanto, o que se sabe, com base na ciência, é que:

– Não há evidências científicas que suportem o uso da vitamina D para prevenção ou tratamento do COVID-19;

– A vitamina D é útil quando bem indicada para pacientes com deficiência e deve ter sua ingestão orientada por um médico capacitado;

– A melhor fórmula para ficarmos bem nessa situação é tomar sol diariamente por aproximadamente 30 minutos com em horários de pouca radiação UV (antes das 10 e depois das 16h), comer bem, incluindo alimentos com vitamina D (gema de ovo, peixes como salmão, atum, sardinha, queijos, cogumelos), praticar exercícios, dormir bem e beber bastantes líquidos. Nessa quarentena, com a exposição solar mais limitada, a dica é utilizar as áreas iluminadas da casa, como varandas e janelas.

Vamos enfrentar juntos essa fase, ficando em casa quem puder, cuidando da saúde e da mente e pensando no dia em que todos voltaremos a nossa convivência como nunca antes esperada.

 

Referências:

https://d.emtempo.com.br/saude/196651/vitamina-d-pode-ajudar-a-diminuir-os-riscos-da-covid-19-diz-estudo

https://www.semprefamilia.com.br/saude/vitamina-d-covid-19-suplementacao-teria-efeito-contra-doenca/

https://www.folhavitoria.com.br/saude/noticia/04/2020/vitamina-d-pode-reduzir-risco-de-contagio-sugere-estudo

https://jc.ne10.uol.com.br/colunas/vida-fit/2020/03/5604216-coronavirus–entenda-como-a-vitamina-d3-atua-na-prevencao-da-covid-19.html

https://g1.globo.com/fato-ou-fake/noticia/2020/04/01/e-fake-que-esta-comprovado-que-beber-vinho-combate-o-novo-coronavirus.ghtml

Beard JA, et al. Vitamin D and the anti-viral state. J Clin Virol. 2012;50(3):194-200.

Bischoff-Ferrari HA, et al. Vitamin D supplementation and musculoskeletal health. Lancet Diab Endrocrinol. 2019;7(2):85.

Bolland MJ, et al. Effects of vitamin D supplementation on musculoskeletal health: a systematic review, meta-analysis, and trial sequential analysis.

Weaver CM, et al. Calcium Plus Vitamin D Supplementation and Risk of Fractures: An Updated Meta-Analysis From the National Osteoporosis Foundation. Osteoporos Int. 2016;27(1):367-76.

Sanders, KM, et al. Annual High-Dose Oral Vitamin D and Falls and Fractures in Older Women: A Randomized Controlled Trial. JAMA. 2010;303(18):1815-22.

Manson JE, et al. Vitamin D Supplements and Prevention of Cancer and Cardiovascular Disease. N Engl J Med.2019;380:33-44.

Borella E, et al. Vitamin D: A New Anti-Infective Agent? Ann N Y Acad Sci. 2014;1317:76-83.

Kim HJ, et al. Relationship Between Serum Vitamin D Concentrations and Clinical Outcome of Community-Acquired Pneumonia. Int J Tuberc Lung Dis. 2015;19(6):729-34.

Sabetta JR, et al. Serum 25-hydroxyvitamin D and the Incidence of Acute Viral Respiratory Tract Infections in Healthy Adults. PLoS One. 2010;5(6):e11088.

Martineau AR, et al. Vitamin D Supplementation to Prevent Acute Respiratory Tract Infections: Systematic Review and Meta-Analysis of Individual Participant Data. BMJ. 2017;356:i6583.

Grant WB, et al. Evidence that Vitamin D Supplementation Could Reduce Risk of Influenza and COVID-19 Infections and Deaths. Nutrients. 2020;12(4):988

Mostre-me a evidência: Por quanto tempo o coronavírus sobrevive?

O ano de 2020 chegou e o que nenhum de nós imaginava é que logo no seu início o mundo pararia e se isolaria por algo que ninguém consegue de fato enxergar: um vírus de altíssimo poder de contágio e que pode cursar com graves sintomas respiratórios.

O já mundialmente famoso coronavírus (cientificamente denominado como SARS-CoV-2 ou 2019-nCoV) é o agente causador da COVID-19, doença que pode cursar com leves sintomas gripais em seu início, mas tende a evoluir para rápida e até fatal condição de insuficiência respiratória em alguns casos. Idosos e pessoas com doenças crônicas como o diabetes e câncer são o grupo de maior risco para evolução da forma grave da doença.

Muito se comenta sobre como prevenir o contágio da COVID-19; até o momento, o isolamento social rigoroso em combinação com adequada higiene das mãos (com água, sabão e/ou álcool em gel) vem sendo a receita para tentarmos evitar uma verdadeira catástrofe no sistema de saúde brasileiro.

Ao passo que vivemos esta pandemia, surgem muitos questionamentos sobre como evitar a contaminação das mãos diante de uma infinidade de objetos e superfícies que manipulamos e encostamos ao longo dos nossos afazeres diversos, ainda que nesse momento de “quarentena” nossas vidas possam ter se tornado monótona e menos atarefada. Na era da internet e da imediata e maçante circulação de informações (muitas delas não fidedignas) fica difícil saber em quem ou o que acreditar. É por isso que nós, do Grupo SOnHe, criamos o programa “Mostre-me a evidência”, momento em que nossos médicos oncologistas comentarão conteúdos científicos que embasam o conhecimento sobre temas do nosso dia a dia. E, para darmos as boas vindas ao programa, nada melhor do que estrearmos com evidências fresquinhas sobre a COVID-19:

O The New England Journal of Medicine, renomado jornal científico detentor de importantes publicações da medicina moderna, publicou há exatos 17 dias um artigo comentando sobre o tempo de sobrevivência do SARS-CoV-2 em algumas superficies muito presentes no nosso dia a dia. O estudo explicitou os resultados comparando-os com dados históricos obtidos durante os tempos de infecção pelo SARS-CoV-1, “primo mais velho” do atual causador da COVID-19, responsável por uma epidemia em menor escala de síndrome respiratória aguda severa (SARS) na China e outros países orientais entre os anos de 2002 e 2003. Felizmente, à época, esta condição foi contida.

O artigo nos trouxe dados da sobrevivência do vírus disperso pelo ar (aerossol) e em superficies como o cobre, aço inoxidável, papelão e plástico. Quando avaliado disperso no ar (aerossol), o vírus da COVID-19 permaneceu viável durante as três horas iniciais do experimento. Foi no plástico e no aço que o vírus encontrou sua maior estabilidade, sendo identificado por até 72 horas. No papelão, o vírus não mais foi identificado após 24 horas de experimento e no cobre a permanência do mesmo foi ainda menor, desaparecendo após a quarta hora. A figura adaptada que segue abaixo mostra didaticamente essas informações:

Fonte: modificado de V Doremalen, Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1, NEJM, 17 mar. 2020.

É isso por hoje, pessoal. Nada mais seguro do que o conhecimento bem produzido e de qualidade para nortear nossas atitudes do dia a dia. Esse estudo consolida ainda mais a importância da higienização das mãos para evitar a contaminação das superficies que nós entramos em contato. Essa e outras medidas como o isolamento social são indispensáveis nesse momento que estamos vivendo. Sendo assim, informe-se para fazer seu papel para o Brasil e para o mundo. Nós, do Grupo SOnHe, continuaremos mostrando as evidencias para que isso aconteça.

E aí? Gostou? O NEJM liberou diversos os artigos sobre a COVID-19 para acesso grátis. Então, para quem se interessar ainda mais e quiser ler o artigo na íntegra, aqui vai o link:

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMc2004973?query=featured_home

Aproveite para dar navegar em nossas mídias sociais e conferir as orientações do Grupo SOnHe sobre COVID-19 para pacientes oncológicos.

Fonte: VAN DOREMALEN, Neeltje; BUSHMAKER, Trenton; MORRIS, Dylan H.; HOLBROOK, Myndi G.; GAMBLE, Amandine; WILLIAMSON, Brandi N.; TAMIN, Azaibi; HARCOURT, Jennifer L.; THORNBURG, Natalie J.; GERBER, Susan I.. Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1. New England Journal Of Medicine, [s.l.], 17 mar. 2020.