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4 de fevereiro: Dia Mundial de Combate ao Câncer. “Juntas, todas as nossas ações importam”

Hoje, 4 de fevereiro de 2021, é o Dia Mundial de Combate ao Câncer. Para nós, oncologistas e hematologistas do Grupo SOnHe, este dia parece “ser todo dia”. Mas é especificamente hoje, a data escolhida pela União Internacional Contra o Câncer (UICC) para celebrar todo o esforço no combate, prevenção e conscientização do câncer. Essa campanha se renova anualmente desde o ano 2000, assumindo diversos temas desde então. Para os anos de 2019 a 2021 o tema da campanha (que durou excepcionalmente três anos) foi “eu sou e eu vou” (“I am and I will”). O objetivo é nos questionar sobre “quem somos” e “o que vamos fazer” na luta contra o câncer.

Para o triênio de 2020 a 2022, são esperados 600 mil novos casos de câncer no Brasil. Diante deste crescente número, é, sim, importante que saibamos responder estes questionamentos feitos na campanha hoje celebrada. Felizmente, o tratamento do câncer evoluiu de maneira substancial nos últimos dez anos. O refinamento das técnicas de cirurgia e radioterapia, assim como o advento e a definitiva implementação de novos fármacos como a terapia alvo e a imunoterapia, trouxeram ganhos inimagináveis aos pacientes. Entretanto, é sabido que o acesso a todos esses recursos ainda não é uniforme. O financiamento de tais tecnologias é tema perene de discussão e ainda é insuficiente para garantir o tratamento ideal e no tempo adequado para todos os pacientes.

Ainda que a ciência tenha evoluído no tratamento do câncer, sabemos que o correto é investir e incentivar políticas de rastreamento e prevenção primária, visando a intervenção em lesões precursoras de câncer e o diagnóstico no estágio mais precoce possível. Neste quesito, ainda estamos muito aquém do que desejamos para o Brasil. Infelizmente, nossos programas de rastreamento são escassos e têm cobertura, abrangência e eficiência muito heterogêneas a depender da região de nosso país. Por tal motivo, ainda temos taxas elevadas de câncer colo de útero por exemplo, mesmo que este seja um câncer totalmente prevenível.

Mas afinal, quem somos nós e o que estamos fazendo contra o câncer?

Neste dia Mundial de Combate ao Câncer é necessário que façamos parte desta batalha que começa muito antes do diagnóstico e que agora enfrenta um desafio ainda maior com a pandemia da COVID-19. É necessário estimular uma rotina de hábitos mais saudáveis, além do combate ao tabagismo, ao alcoolismo e ao sedentarismo e obesidade (fatores de risco que muitas vezes passam despercebidos). É preciso difundir informações confiáveis e de qualidade sobre o câncer em geral, buscando desmitificá-lo e estimular sua prevenção. É também importante a cobrança pelo acesso uniforme às tecnologias envolvidas no tratamento do câncer. Por fim, é de suma importância que os pacientes sejam estimulados a manter a investigação, acompanhamento e tratamento oncológico. Finalizo parafraseando um dos slogans da campanha que hoje celebramos: “juntas, todas as nossas ações importam”. Que mesmo na pandemia, façamos diariamente o esforço para a prevenção e combate ao câncer.

Dia do Farmacêutico

“Farmacêuticos, em todos os tempos e lugares, trazem mesmo lições de amor às pessoas. Aliás para o farmacêutico, amar não é apenas o verbo transitivo direto que se aprende a conjugar, nas escolas.

Amar é ação, a ação de servir, a qualquer hora de qualquer dia e em qualquer lugar.

É cuidar, é promover a saúde, é salvar vidas!”

Carlos Drummond de Andrade

Poeta e Farmacêutico

Danielle Costa Ribeiro

Farmacêutica Responsável do Radium Instituto de Oncologia

 

Neste Dia do Farmacêutico é sempre bom recordar aquilo que nos dá razão de existir. Uma carreira milenar, cujo talento “é cuidar, é promover a saúde, é salvar vidas”. Ao longo dos séculos, sempre tivemos o dever de provar que a ciência é capaz de salvar vidas. E essa missão segue muito viva nesses tempos de pandemia. Além disso, fomos nos tornando cada vez mais necessários na composição de equipes de saúde em todas as áreas de atendimento. Inclusive na oncológica.

Desde a década de 90 o papel do farmacêutico na equipe multidisciplinar de terapia antineoplásica vem se fortalecendo e ocupando um importante espaço no tratamento do câncer e na atenção ao paciente oncológico. Resoluções do CFF e da Anvisa tornaram privativa ao farmacêutico a manipulação de medicamentos citotóxicos e, desde então, novas diretrizes foram desenvolvidas.

O farmacêutico garante toda a cadeia medicamentosa para o tratamento do câncer, atua na manipulação visando preservar as características do produto e garantir a esterilidade da operação, gerencia os medicamentos utilizados nas diferentes etapas e ainda garante que os procedimentos sejam realizados de maneira adequada, conforme os protocolos e doses prescritas. Além disso, o farmacêutico se tornou responsável por toda gestão da farmácia clínica, pois é um profundo conhecedor dos fármacos, que o possibilita acompanhar o resultado do tratamento. Neste contexto, nossa responsabilidade é evitar danos por erros de medicação e, assim, garantir a segurança do paciente.

Selecionar e padronizar medicamentos que atendam aos protocolos clínicos da instituição é a primeira etapa, que exige responsabilidade para garantir que os produtos atenderão às exigências legais. Garantir a divulgação das informações sobre medicamentos, como sua farmacodinâmica e farmacocinética, interações medicamentosas, meia vida dos fármacos, reações adversas e compatibilidades físico-químicas, auxilia a equipe multidisciplinar nas tomadas de decisões sobre a terapia antineoplásica. O preparo e a manipulação são fundamentais para diminuir os riscos associados ao manejo desses medicamentos, além de prevenir erros como seleção errônea do diluente.

O paciente oncológico é um potencial candidato a desenvolver importantes reações adversas devido a poliquimioterapia a que está submetido, ao baixo índice terapêutico dos fármacos, ao tratamento prolongado, entre outros. Torna-se imprescindível, portanto, o acompanhamento da farmacovigilância nestes casos, contribuindo, desta forma, para reduzir as taxas de morbidade e mortalidade relacionadas ao uso de medicamentos associada à detecção precoce de problemas relacionados à segurança.

O monitoramento e acompanhamento farmacoterapêutico estão no âmbito da atenção farmacêutica. De acordo com Linda Strand e Charles Hapler (EUA, 1990), a “atenção farmacêutica é a provisão responsável do tratamento farmacológico com o propósito de alcançar resultados terapêuticos concretos que melhorem a qualidade de vida dos pacientes”. Temos, então, o compromisso de assumir o cuidado ao paciente oncológico, por meio do aconselhamento e monitoramento da terapia, acompanhando todas as etapas do tratamento até o seu desfecho e, principalmente, traçando com o paciente uma relação de confiança e cumplicidade para o êxito à adesão do tratamento e a garantia da qualidade de vida do paciente.

Se analisarmos a linha do tempo na Oncologia, o profissional farmacêutico ainda é um jovem componente dentro da equipe multidisciplinar. Mas dentro de todas as responsabilidades que nos foi atribuída, fomos inseridos na equipe com muita ética e profissionalismo, por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e, juntos, buscamos um trabalho consistente e de qualidade ao nosso paciente.

 

Referências:

RDC 220/2004

Resolução CFF 288/96

www.sobrafo.com.br

www.inca.gov.br

Câncer de colo uterino

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que, em todo o mundo, em 2020, aproximadamente 604.000 mulheres receberam diagnóstico de câncer de colo uterino e 341.831 mulheres morreram devido à doença. Segundo as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para os anos de 2020-2022, serão diagnosticados mais de 16.000 novos casos de câncer de colo uterino a cada ano, representando, no Brasil, o terceiro câncer mais comumente diagnosticado entre as mulheres.

O impacto do câncer de colo uterino guarda íntima relação com indicadores sociais e econômicos. De fato, 80% dos casos de câncer de colo uterino são detectados em países de baixa e média renda, nos quais a mortalidade pela doença também é maior quando comparados aos países ricos. No caso do Brasil, ao longo dos últimos 20 anos observou-se uma redução da incidência da doença, passando de 21,15 casos a cada 100.000 mulheres, no ano 2000, para 11,44 casos a cada 100.000 mulheres em 2015. No entanto, existem importantes diferenças regionais tanto em termos de incidência quanto em mortalidade por câncer de colo uterino. No período de 2000 a 2015, a taxa de incidência de câncer de colo uterino foi de 33,16/100.000 mulheres na região Norte do país, em comparação a 10,80/100.000 mulheres na região Sudeste. Além disso, a região Norte também apresenta a maior taxa de mortalidade por câncer de colo uterino, com 12,17 mortes/100.000 mulheres, em comparação a 3,71 mortes/100.000 mulheres na região Sudeste. Tal heterogeneidade reflete desigualdades socioeconômicas que são fatores determinantes da capacidade de cada região oferecer o cuidado de saúde adequado às mulheres.

O câncer de colo uterino é uma doença potencialmente evitável, o que é de extrema importância em termos de saúde pública. Programas de controle da doença foram implementados na grande maioria dos países, baseados inicialmente na realização de exames de rastreamento e, posteriormente, na introdução da vacinação contra o vírus HPV. Porém, o sucesso desses programas depende de uma complexa organização que garanta o amplo acesso à população, bem como campanhas educativas que tenham como foco melhorar o entendimento das mulheres quanto à importância do diagnóstico precoce e da vacinação, bem como a abordagem de outros fatores de risco (como hábitos de vida sexual e tabagismo).

O rastreamento do câncer de colo uterino pode ser feito de duas formas: pelo exame de Papanicolaou e pelo teste de HPV. O mais amplamente usado no Brasil, e incluído nas recomendações do Ministério da Saúde, é o exame de Papanicolaou. Trata-se de um exame indolor, de baixo custo, seguro e de fácil execução, que pode ser realizado em unidades básicas de saúde durante um exame ginecológico. No Brasil, recomenda-se a sua realização a partir dos 25 anos de idade para todas as mulheres que já tiveram ou têm atividade sexual. Deve ser feito anualmente nos dois primeiros anos e, caso os dois primeiros exames sejam normais, pode ser repetido a cada 3 anos até os 64 anos. O exame de Papanicolaou permite a detecção de lesões chamadas “precursoras” ou “pré-cancerosas”, e o adequado tratamento das mesmas evita o desenvolvimento de câncer de colo uterino no futuro. Além disso, é possível detectar o câncer de colo uterino em estágios muito iniciais, o que garante uma elevada chance de cura.

Infelizmente, a cobertura de rastreamento do câncer de colo uterino no Brasil ainda é inferior ao recomendado pela OMS (meta de 85%). Além disso, algumas regiões do país enfrentam problemas relacionados à baixa qualidade do teste, principalmente em cidades com menos recursos e populações socialmente e economicamente vulneráveis. Com base nos dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) conduzida no Brasil em 2013, 79,4% das mulheres relataram terem sido submetidas ao exame de Papanicolaou. Mulheres mais velhas (55-64 anos; 71%) e com menor nível de escolaridade (fundamental incompleto; 71%) apresentaram menores taxas de rastreamento. Diferenças regionais na cobertura do rastreamento enfatizam a necessidade de se levar em consideração questões culturais, sociais e econômicas na elaboração de medidas adequadas a cada população, de acordo com os recursos disponíveis.

A infecção pelo vírus HPV (papilomavírus humano) é responsável por cerca de 90% dos casos de câncer de colo uterino. Assim, a prevenção da infecção por esse vírus é uma estratégia potencial para a prevenção de lesões precursoras e do câncer de colo uterino. O HPV é um vírus de DNA altamente prevalente na população, de forma que se estima que, aos 50 anos de idade, 80% das mulheres já tenham tido contato com esse vírus em algum momento da vida. A despeito da recomendação da OMS de que a vacina contra o HPV seja incluída nos programas de imunização nacionais para crianças e adultos jovens, a cobertura mundial com a vacina é baixa (cerca de 1,4% das meninas na faixa etária recomendada). Desigualdades no acesso são evidentes entre os países, com uma cobertura de 33% em países ricos em comparação a apenas 2,7% em países de baixa renda.

No Brasil, a vacina quadrivalente contra o HPV foi introduzida no calendário vacinal do Programa Nacional de Imunização em 2014. Tal vacina protege contra quatro tipos de HPV com potencial de causar câncer de colo uterino (6, 11, 16 e 18). É recomendada para as meninas com 9-13 anos de idade, com duas doses aplicadas com intervalo de seis meses. Os meninos foram incluídos a partir de 2017, devendo ser aplicada entre os 11-13 anos. Entre os anos de 2014 e 2017, a cobertura entre as meninas foi de 72,4% para uma dose e de 45,1% para as duas doses. Para os meninos, a cobertura foi bastante inferior, da ordem de 20%. Assim como observado em outros países, a baixa cobertura vacinal poderia ser atribuída à recusa pelos pais, principalmente por preocupação quanto à ocorrência de efeitos colaterais. No entanto, um estudo realizado em sete capitais brasileiras, representando todas as regiões do país, mostrou que os principais fatores associados à baixa cobertura foram as dificuldades específicas de se vacinar adolescentes e questões relacionadas ao próprio sistema de saúde. No geral, a recusa pelos pais foi baixa.

Importante ressaltar que a vacina quadrivalente contra o HPV, empregada no Brasil, é segura e eficaz na prevenção da infecção por esse vírus. Inicialmente, foram reportados casos de reações neurológicas em algumas meninas. No entanto, diversas análises clínicas e laboratoriais foram realizadas, bem como pesquisados os resultados em outros países, concluindo-se que tais ocorrências não representavam efeitos colaterais aos componentes da vacina.

Os efeitos benéficos da vacinação contra o HPV na prevenção do câncer de colo uterino serão obtidos 15-20 anos após a vacinação, considerando o longo período observado entre a infecção e o desenvolvimento do câncer. Assim, a OMS reforça a necessidade de se melhorar a cobertura e a qualidade dos programas de rastreamento, com o exame de Papanicolaou e/ou o teste de HPV. A combinação das duas estratégias tem o potencial de reduzir significativamente o impacto do câncer de colo uterino no mundo.

Em 2020, a OMS lançou uma ambiciosa iniciativa mundial para acelerar a erradicação do câncer de colo uterino como um problema de saúde pública. O objetivo é que cada país atinja e mantenha uma incidência de 4 casos/100.000 mulheres. Para isso, três estratégias iniciais são recomendadas:

  1. Cobertura de vacinação de 90% das meninas até os 15 anos
  2. Cobertura de rastreamento do câncer de colo uterino de 70%, aos 35 anos e aos 45 anos, com testes adequados e de qualidade
  3. Garantia de que 90% das mulheres com doença de colo uterino (lesões precursoras ou câncer) recebam tratamento adequado e em tempo hábil

Estima-se que, caso essas metas sejam atingidas no ano de 2030, consiga-se reduzir a incidência do câncer de colo uterino em 10% já em 2030 e que, até 2120, tenham sido evitados 70 milhões de casos da doença (e 62 milhões de mortes).

A prevenção do câncer de colo uterino é um objetivo possível de ser atingido por todos os países, por meio de programas de controle desenvolvidos com base em especificidades locais e recursos disponíveis. Ação firme e conjunta dos governos, serviços de saúde e sociedade civil é essencial para que se atinja tal objetivo.

 

Referências

  1. International Agency for Research on Cancer. GLOBOCAN. Cancer today n.d. http://gco.iarc.fr/today. Acessado em 15 de janeiro de 2021.
  2. . Instituto Nacional de Câncer (INCA). Estatísticas de câncer. Disponível em: https://www.inca.gov.br/numeros-de-cancer. Acessado em 15 de janeiro de 2021.
  1. Bray F, Jemal A, Grey N, et al. Global cancer transitions according to the Human Development Index (2008-2030): a population-based study. Lancet Oncol. 2012 Aug;13(8):790-801. doi: 10.1016/S1470-2045(12)70211-5.
  2. Paulino E, de Melo AC, Silva-Filho AL, et al. Panorama of Gynecologic Cancer in Brazil. JCO Glob Oncol. 2020 Oct;6:1617-1630. doi: 10.1200/GO.20.00099.
  3. Barcelos MRB, Lima RCD, Tomasi E, et al. Quality of cervical cancer screening in Brazil: external assessment of the PMAQ. Rev Saude Publica. 2017 Jul 20;51:67. doi: 10.1590/S1518-8787.2017051006802.
  4. Oliveira MM, Andrade SSCA, Oliveira PPV, et al. Pap-test coverage in women aged 25 to 64 years old, according to the National Health Survey and the Surveillance System for Risk and Protective Factors for Chronic Diseases by Telephone Survey, 2013. Rev Bras Epidemiol. 2018 Aug 27;21:e180014. doi: 10.1590/1980-549720180014. PMID: 30156661.
  5. Bruni L, Diaz M, Barrionuevo-Rosas L, et al. Global estimates of human papillomavirus vaccination coverage by region and income level: a pooled analysis. Lancet Glob Health. 2016 Jul;4(7):e453-63. doi: 10.1016/S2214-109X(16)30099-7.
  6. Mendes Lobão W, Duarte FG, Burns JD, et al. Low coverage of HPV vaccination in the national immunization programme in Brazil: Parental vaccine refusal or barriers in health-service based vaccine delivery? PLoS One. 2018 Nov 12;13(11):e0206726. doi: 10.1371/journal.pone.0206726.

O início do fim? Vacinação salva vidas!

86 milhões de casos e mais de 1.800.000 mortes no mundo. 8 milhões de casos e mais de 200.000 mortes no Brasil. Avanço sem precedentes da ciência. Enquanto a pandemia de COVID-19 se alastra como nunca antes, o mundo urge por uma solução. E essa solução tem nome: vacinação. Para todos, de forma rápida e com prioridades para os que estão em maior risco. E os nossos pacientes com câncer – em maior risco de desenvolver a COVID-19 – também precisam desta proteção. Mas o que podemos falar sobre as vacinas para COVID-19? E sobre a vacinação em pacientes com câncer.

 

As vacinas

Até o momento, há por volta de 150 vacinas em teste, sendo que 40 estão nas fases avançadas em humanos e apenas três têm publicações em revistas científicas. Isso é um histórico (extremamente importante) passo da ciência mundial: em menos de seis meses, foram desenvolvidas vacinas, as quais começaram a ser aplicadas em pessoas em menos de um ano da declaração da pandemia pela OMS, algo nunca antes visto (ou imaginado).

Existem diversos tipos de vacinas, sendo as principais: as de vírus inativos, as de proteínas recombinantes virais, as de vetores virais, as de RNA mensageiro, dentre outras menos utilizadas. Com a exceção do último tipo, todas as outras têm utilização prévia para outras doenças, sendo seus mecanismos bastante conhecidos e a sua segurança bem estabelecida. A OMS – e a maioria das agências reguladoras mundiais – preconiza uma eficácia mínima de 50% em estudos fase III – a mais avançada – para uma vacina ser considerada eficaz.

As três vacinas com resultados publicados e já aprovadas em países do ocidente são: Pfizer/BioNTech, Moderna e Oxford/AstraZeneca. Todas as três mostraram eficácias altas com uso de duas doses. As duas primeiras usam a tecnologia do RNA mensageiro, algo novo, mas muito eficaz e seguro, ao menos a curto prazo. Além disso, seus estudos incluíram mais de 30.000 pessoas. A última, de Oxford, é baseada em um vetor viral e, apesar de ter um estudo mostrando sua eficácia, entre 60 e 90%, o mesmo teve algumas questões ainda questionadas pelos cientistas, o que, porém, não a tira da lista de opções para uso emergencial.

Nos dias 7 e 12 de janeiro de 2021, foram apresentados os dados de fase III da Coronavac, vacina feita pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac. O estudo foi conduzido no Brasil com mais de 12.000 profissionais de saúde. As taxas de eficácia foram muito satisfatórias (50,4% na população geral, 78% para casos leves e 100% para os graves) e correspondem ao limiar mínimo da OMS. Um ponto importante, foi que não houve casos graves nem mortes no grupo que tomou a vacina. Porém, para uma análise mais acurada, os dados ainda têm de ser revelados em publicação em revista científica, visto que os resultados estatísticos ainda não foram detalhados. Apesar disso, é uma vacina eficaz e segura e, portanto, deve ser aprovada para uso emergencial.

Em geral, as vacinas foram bem toleradas, com poucos (e esperados) efeitos colaterais. As contraindicações são apenas para pessoas com alergias a algum componente da fórmula ou, em algumas situações, a outras vacinas. E vale ressaltar que a análise das vacinas deve (e vai) continuar acontecendo após a aprovação das mesmas, pois ainda não se sabe a duração da proteção, se precisamos de um reforço, quais subpopulações podem ou não podem tomar, os efeitos colaterais a longo prazo e qual é o limiar para atingirmos uma imunidade de rebanho.

Sobre outras vacinas muito comentadas, aquela desenvolvida pela Janssen ainda não informou os dados de eficácia e segurança do estudo fase III e a russa Sputnik, além de ainda não ter publicado seus dados, também apresentou uma análise com um número muito pequeno de eventos, o que pode levar a resultados enviesados.

Aqui valem alguns esclarecimentos de fake news que circulam por aí: vacinas não causam câncer, não modificam o DNA de quem as recebe e não, não têm chips embutidos para controlar a todos. Fato é que vacinas salvam vidas e, portanto, o movimento antivacina é criminoso.

É salutar o entendimento de que as vacinas só funcionam quando dadas em uma porção grande da população (vacinação), ou seja, não servem como um mecanismo de defesa individual. Por isso, para o sucesso da vacina, os governos devem usar de uma estratégia que foque na vacinação do maior número de pessoas, no menor tempo possível, priorizando aqueles que estejam em maior risco de óbito ou de infecção. Acima de tudo devemos entender que o pensamento coletivo deve imperar em detrimento do individual, com foco em uma imunidade de rebanho, a fim de que todos possamos ficar livres dessa situação desastrosa.

 

Pacientes com câncer

Em geral, as sociedades internacionais (americana e europeia) de oncologia e a maioria dos especialistas defendem a vacinação dos pacientes com câncer tratado ou mesmo ativo em tratamento. Importante ressaltar que vacinas de vírus atenuados não devem ser dadas a estes últimos. Nesse caso, como não temos vacinas deste tipo para COVID-19 em fases avançadas, não nos preocupemos com isso nesse momento.

A decisão de tomar a vacina deve ser compartilhada com o médico que acompanha o paciente, com as ressalvas que, em geral, pacientes imunocomprometidos têm menos resposta imune às vacinas, que podem ter, então, uma menor eficácia nessa população. Não só isso, nenhum dos estudos já publicados incluiu pacientes com câncer, portanto, a segurança não é comprovada. Entretanto, como temos experiência com outras vacinas mais antigas, a segurança daquelas desenvolvidas para COVID-19 não deve diferir muito para os pacientes oncológicos.

 

Vacinação no Brasil

Já se passou um mês desde que a primeira pessoa foi vacinada no Reino Unido com uma das vacinas que demonstraram eficácia. Enquanto isso, o Brasil, infelizmente, patina e o vírus assola a população que, por sua vez, tem frequentemente desrespeitado as orientações para prevenção da disseminação do vírus.

No dia 8 de janeiro, dia em que escrevo, tanto a Coronavac quanto a vacina de Oxford foram submetidas para aprovação emergencial pela Anvisa, que tem  dez dias para dar um parecer. Esperemos que consigamos começar a vacinar o quanto antes e utilizar a nossa expertise com o Programa Nacional de Imunização, que é (ou era) referência no mundo.

Apesar de toda essa novela, devemos estar confiantes e certos de que estamos vivendo uma revolução científica que poderá ajudar a acabar com esse grande terror que é uma pandemia. Vamos em frente e torçamos para a aprovação das vacinas no Brasil, sem ideologia, sem preconceito e com base única e exclusivamente na ciência. Até lá, devemos manter as medidas de distanciamento, máscara e lavagem de mãos. Vacinação, não vacina, salva vidas (inclusive a sua)!

 

https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019

https://www.who.int/publications/m/item/draft-landscape-of-covid-19-candidate-vaccines

https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/medico-espalha-informacoes-falsas-sobre-seguranca-das-vacinas-mrna-contra-covid-19/

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2035389

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2034577

https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)32623-4/fulltext

http://vacinacovid.butantan.gov.br/

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0140673620326611?via%3Dihub

https://www.asco.org/asco-coronavirus-resources/covid-19-patient-care-information/covid-19-vaccine-patients-cancer

https://www.esmo.org/covid-19-and-cancer/covid-19-vaccination

https://static.poder360.com.br/2021/01/Apresentacao_Coletiva_07-01-2021.pdf

Ano novo: nova opção de tratamento para câncer de bexiga no Brasil

Um ano novo começando e temos novidade para pacientes com câncer de bexiga! O Avelumabe (Bavencio®), uma imunoterapia, foi aprovada para uso pela Anvisa em 28/12/2020 e vem para trazer benefícios para pacientes em estágio avançado da doença.

O Avelumabe é um medicamento que inibe uma proteína (PD-L1), que está presente em diversos tipos de tumores, levando a uma maior ativação do sistema imune contra o câncer e, consequentemente, a um maior controle da doença.

Esta droga – assim como outros imunoterápicos – já são utilizados em tumores de bexiga avançados em linhas posteriores e pacientes que não têm condições de receber quimioterapia. Agora, o estudo JAVELIN BLADDER 100 mostrou que o seu uso também traz benefício quando feito logo na primeira linha, em sequência da quimioterapia.

No estudo, os pacientes com câncer urotelial de bexiga (o mais comum) avançado foram submetidos a quimioterapia padrão por 4 a 6 ciclos e, caso houvesse resposta ao tratamento, eram sorteados para receberem o Avelumabe ou não. Ao final, 700 pacientes foram incluídos e a sobrevida global mediana passou de 14,3 para 21,4 meses, o que representou uma redução do risco de morte de 31%. Depois de 1 ano, 71,3% pacientes que receberam Avelumabe – contra 58,4% do grupo controle – estavam vivos. Como esperado, a taxa de efeitos colaterais foi maior com Avelumabe, já que a comparação foi com suporte clínico sem medicação, porém o padrão de toxicidades não foi diferente do previsto.

Essa nova indicação já autoriza o uso em qualquer paciente do Brasil que cumpra os critérios de seleção do estudo, entretanto o acesso fica limitado aos pacientes com planos de saúde, tendo em vista que essa aprovação não se estende ao SUS. A notícia é, sim, boa, mas nos lembra da desigualdade entre setores privado e público e do nosso dever de tentar incorporar essas novas medicações também no SUS. Continuaremos com novidades nesse ano! Um Feliz Ano Novo!

Referências:

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/bavencio-avelumabe-nova-indicacao

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2002788

Câncer de endométrio e mulheres na menopausa

Há alguns dias, os jornais noticiaram que a apresentadora Fátima Bernardes, da Globo, havia recebido o diagnóstico de câncer de útero. Muito foi especulado sobre o caso dela, porém, após esse tempo, as informações foram filtradas e podemos falar melhor sobre o esse câncer, que atinge mais de 6.000 mulheres todo ano no país e leva à morte 25% delas.

Primeiramente, temos que lembrar que, quando se fala de câncer de “útero”, muitas vezes as pessoas se referem ao câncer do colo do útero. No caso da apresentadora, o câncer era no útero, mas não no colo e, sim, no endométrio, que é a camada interna que recobre o órgão.

Esse tipo de tumor é relativamente comum em mulheres, principalmente naquelas que entraram na menopausa. Nos países desenvolvidos, é o câncer ginecológico mais comum, enquanto que nos subdesenvolvidos, o do colo é o mais frequente por conta da falta de Papanicolau para todas.

O principal sintoma é o sangramento anormal vaginal (proveniente do útero) e, geralmente, não é algo difícil de suspeitar, tendo em vista que essas mulheres já pararam de menstruar.

Um ponto importante que deve ser lembrado é que o principal fator de risco é a obesidade, que vem crescendo no mundo (e no Brasil), aumentando consequentemente a incidência desse tipo de câncer. Outros fatores de risco são a ausência de gestações ao longo da vida, o uso de pílulas de estrógeno isolado, uso de tamoxifeno e não ter amamentado na vida. Tudo isso tem relação com a ação dos hormônios femininos nas células do endométrio.

Felizmente, o câncer de endométrio costuma ser curável quando em estágios localizados, sendo o tratamento principal a cirurgia de retirada do útero, seguida (ou não) de radioterapia e/ou quimioterapia. Quando está avançado, também há tratamentos efetivos que conseguem controlar a doença, incluindo terapias hormonais, terapias-alvo, quimioterapia e até mesmo a imunoterapia em alguns casos específicos.

E para prevenir? Não tem muito segredo! Já que a idade e a menopausa são fatores incontroláveis, a melhor atitude é praticar atividade física e manter um peso saudável com uma dieta balanceada.

A Fátima Bernardes, pelos dados que temos da imprensa, teve um tumor localizado e que foi operado, portanto, as chances de cura dela devem ser altas. Por isso, é importante sempre atentarmos a modificações no “normal” do nosso corpo e procurar um médico o quanto antes em caso de alguma anormalidade, principalmente o sangramento vaginal fora do esperado.

 

Referências:

https://www.inca.gov.br/

Uptodate.com

https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2020/12/sangramento-e-o-principal-alerta-em-caso-de-cancer-de-endometrio.shtml

Resumo Simpósio de Câncer de Mama 2020 (SABCS)

Projeto T-Cell Brasil

O Projeto T-Cell Brasil é um registro em que participam mais de 40 centros de tratamento de doenças onco-hematológicas do Brasil. O objetivo principal do estudo é identificar as características clínicas e laboratoriais dos pacientes brasileiros portadores de Linfomas T.  Trata-se de uma doença rara e que apresenta aspectos clínicos próprios. Os estudos desta doença em nossa população são poucos e sendo o Brasil um país muito diverso, dado ao seu tamanho e muitas diferenças regionais, espera-se que este registro demonstre de maneira mais fidedigna a nossa realidade. Neste trabalho, foram analisados um subtipo muito específico dos linfomas T, chamado Leucemia/ Linfoma de Células T do Adulto e que está relacionado ao vírus HTLV-1.  É uma doença bastante agressiva, com altas taxas de mortalidade e os tratamentos ainda são restritos. Este trabalho foi aceito no 62º Congresso Anual da Sociedade Americana de Hematologia – ASH 2020, que começa no dia 2 de dezembro de 2020.

 

Link do estudo:

https://ashpublications.org/blood/article/136/Supplement%201/35/473512/Adult-T-Cell-Leukemia-Lymphoma-A-Cohort-of-41

Nutrição e atividade física: aliados contra o câncer

Neste ano atípico e atribulado por uma pandemia, muitas vezes outros problemas relacionados à saúde são deixados de lado, a exemplo da obesidade e do sedentarismo. Para abordar essa questão e visando a uma maior acessibilidade da população brasileira às informações mais atualizadas, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) fez uma tradução para o português de um Relatório de Especialistas criado pelo Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer (WCRF, em inglês) e pelo Instituto Americano para Pesquisa em Câncer (AICR, em inglês).

A obesidade e o sedentarismo continuam em crescimento no mundo e são um grande problema de saúde pública, contribuindo para mais de quatro milhões de mortes, anualmente, no mundo. O estilo de vida e a falta de estímulo à atividade física são os principais fatores associados a esse cenário. No Brasil, mais da metade da população está acima do peso, e essa epidemia vem aumentando também entre as crianças.

No documento traduzido pelo INCA, os autores dissertam de forma bem clara sobre os vários aspectos da alimentação e suas consequências para nosso organismo e sobre o risco de câncer, sempre embasado em evidências científicas. Há um quadro mostrando visualmente os alimentos que têm relação estabelecida com o desenvolvimento de neoplasias, além da força dessa relação. Como exemplo, alimentos em conserva e processados aumentam – com alta probabilidade – a incidência de câncer de estômago e cólon, respectivamente. Além disso, evidencia-se que a obesidade e o álcool são os fatores mais fortemente relacionados à ocorrência de diversos tipos de tumores.

A partir dos dados, o documento faz recomendações práticas para a prevenção do câncer e melhor saúde geral:

– Manter um peso saudável;

– Ser fisicamente ativo (pelo menos 150 minutos por semana);

– Consumir uma dieta rica em vegetais, cereais integrais, frutas e leguminosas;

– Limitar o consumo de comida processada (fast food), carne vermelha, bebidas com adição de açúcar e alcóolicas;

– NÃO usar suplementos para a prevenção do câncer;

– Amamentar, se a mulher puder.

Na análise brasileira, a nossa população não cumpre esses requisitos, com altos níveis não só de obesidade, mas também de sedentarismo e de consumo de alimentos pouco saudáveis. O INCA sugere que a abordagem na nossa população seja comportamental, incentivando a alimentação saudável por políticas públicas bem instituídas e, como exemplo, não estimulando padrões estéticos para a prática da atividade física, mas sim o prazer em praticá-las.

Por fim, há também uma abordagem de como implantar essas medidas em nível populacional, com ênfase nas ferramentas sociais, como marketing, limitando propagandas de produtos pouco saudáveis, estimulando a compra de alimentos saudáveis ou realizando aconselhamentos em equipamentos públicos à toda a população. Isso envolve toda a sociedade e traz a responsabilidade compartilhada para melhorar o cenário atual.

Esse documento é de livre acesso e é de grande interesse de todos. A prevenção do câncer passa não só por exames e consultas, mas também pela adoção de um estilo de vida saudável. Vamos tentar, então, segui-lo!

 

Referências:

https://www.inca.gov.br/publicacoes/relatorios/dieta-nutricao-atividade-fisica-e-cancer-uma-perspectiva-global-um-resumo-do

Câncer de próstata na população negra: mais uma face da desigualdade

Dados de estudo populacionais mostram que homens negros têm 50% mais chance de desenvolverem câncer de próstata do que homens brancos. Além disso, e pior, a chance de um paciente negro morrer por câncer de próstata é duas vezes e meia maior do que um branco.

Várias pesquisas clínicas foram conduzidas para tentar entender essa diferença. E até hoje não se conseguiu comprovar que há alguma diferença biológica, como por exemplo a existência de algum gene que predisporia um subtipo mais agressivo da doença. Indo mais a fundo, em estudos clínicos controlados, nas quais todos os pacientes seguem rigorosamente os mesmos processos de tratamento e seguimento, para avaliação de novas medicações, não se vê diferença na agressividade e mortalidade pela doença, de acordo com questões raciais.

Dados mais recentes sugerem que homens negros aparentemente não são portadores de doenças biologicamente e intrinsecamente mais agressivas. No entanto, fazem menos exames de rastreamento como PSA, e mais frequentemente fazem diagnósticos mais tardios, em estádios mais avançados. Homens negros também têm mais dificuldade de conseguir manter hábitos saudáveis de vida, como alimentação balanceada e atividades físicas regulares. E, por isso, também são mais portadores de doenças crônicas como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Também têm menos acesso a especialistas após o diagnóstico, são mais dependentes do Sistema Único de Saúde e estão mais distantes de novas tecnologias. Ou seja, a disparidade devido às questões socioeconômicas e educacionais pode explicar os números vistos na população.

É importante lembrar que dados como esses são difíceis de serem levantados de forma confiável, tanto pela complexidade das iniquidades socioculturais relacionadas à heterogeneidade da população quanto até à dificuldade de definição de quem é branco e quem é negro, em populações em que a miscigenação ocorreu de forma tão intensa quanto no Brasil.

Considerando que ainda no ano de 2020, um quarto dos homens não fazem exames de rastreamento do câncer de próstata porque acreditam que os procedimentos afetariam sua masculinidade, o caminho a se percorrer é longo. Começa com educação da população a respeito da importância do diagnóstico precoce. E passa pela melhora nos processos de diagnóstico e tratamento no sistema de saúde público brasileiro.

Um dos exemplos mais evidentes está relacionado com a distribuição dos aparelhos de radioterapia, terapia importante e muito utilizada para cura de doenças localmente mais agressivas. Seis em cada dez pacientes vão ter, em algum momento, indicação de tratamento com radioterapia. Mas o número de aparelhos no país é insuficiente para atender a demanda. E são mal distribuídos: dos equipamentos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), 55% estão na região Sudeste, 19% na região Sul, 13% no Nordeste, 7% no Centro-Oeste e apenas 6% na região Norte.

Há muito o que se fazer, em busca da diminuição das desigualdades. A reflexão sobre como chegamos nesse ponto é importante, mas fundamentais são as iniciativas para ampliar as opções terapêuticas no SUS, para melhor distribuir as tecnologias no território do país, e principalmente para eliminar as barreiras de acessos a profissionais especializados para toda a população.

André Deeke Sasse é formado em oncologia clínica pela Unicamp, oncologista, professor de pós-graduação na FCM-Unicamp, membro titular da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e da Sociedade Europeia de Oncologia (ESMO). Fundador do Grupo SOnHe – Sasse Oncologia e Hematologia, e atua na oncologia do Radium Instituto de Oncologia, do Hospital Santa Tereza e do Hospital Madre Theodora.