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9 de junho: Dia Nacional da Imunização. Vacinas estão salvando vidas

Vacinas estão salvando vidas. Há muitas décadas. E a imunização tem sido primordial para conseguirmos, aos poucos, vencer a batalha contra a COVID-19 e várias outras doenças. Entretanto, a absurda campanha antivacina de partes da sociedade tem trazido de volta fantasmas como o sarampo, a gripe e, possivelmente, a COVID-19 novamente.

No dia 9 de junho é celebrado o Dia Mundial da Imunização. O foco da campanha é conscientizar a população da necessidade de manter a carteira vacinal atualizada. Na atualidade, apesar da vacinação contra a COVID-19 ainda ser a prioridade, devemos lembrar que várias outras doenças têm vacinas direcionadas, mesmo em adultos vacinados na infância.

As vacinas protegem contra a ocorrência de diversas doenças infecciosas, desde a poliomielite, que pode deixar pessoas sem movimentos, até a pneumonia, que pode levar pessoas, principalmente idosos, à morte. Não só isso, temos também as vacinas que podem prevenir o câncer, no caso, a do HPV evita tumor de colo do útero. Muitas patologias foram erradicadas, como a varíola e a poliomielite, enquanto outras – como a gripe, o tétano e a coqueluche – tiveram seu impacto na saúde da população consideravelmente reduzido (>90%) e são doenças controladas atualmente.

O ato de vacinar é importante não só para a pessoa vacinada, mas também para a população em geral de um país. O freio da contaminação por doenças infecciosas reduz a mortalidade da população em geral, principalmente daqueles considerados como grupos de risco. Inclusive, existem pessoas que não podem ser vacinadas por alguma doença que contraindica, ou que ainda não têm idade (recém-nascidos); essas pessoas talvez sejam as mais beneficiadas pela vacinação em massa de quem pode. Não só isso, a vacinação permite que mantenhamos uma vida normal, sem lockdowns, já que reduz a mortalidade e a gravidade das doenças.

Infelizmente, alguns dados recentes mostram que a cobertura vacinal para várias doenças tem caído, chegando a níveis que não se via há muitas décadas. Isso tem levado a um recrudescimento de casos e também a mortes. Um dos motivos é a própria pandemia, mas também há um número crescente de pessoas contrárias às vacinas, ou seja, que não acreditam na ciência. Essa situação é muito perigosa.

Sobre a COVID-19, a vacinação modificou o panorama da doença no mundo, levando a um melhor controle dos sistemas de saúde e do número de mortes, apesar de picos de casos. Isso foi corroborado com a experiência em diversos países, com todas as vacinas aprovadas pela OMS. Hoje, temos quase 80% da população com duas doses, mas ainda um número baixo, menos de 60%, com doses de reforço. Isso é preocupante, já que temos observado um aumento de casos nas últimas semanas e os mais afetados com gravidade são aqueles não vacinados ou pessoas com mais de seis meses da última dose de reforço.

Uma atenção especial deve ser dada à vacina contra o sarampo. A cobertura vacinal está baixíssima, de 30%, sendo que o alvo é de 95%. Em 2016, o Brasil tinha recebido o selo da Organização Pan-americana de Saúde de território livre de sarampo. É preciso lembrar que esta vacina é dada há muitas décadas, com altíssimas eficácia e segurança. A falta da vacinação tem ocasionado ressurgimento de casos de sarampo (40.000 de 2018 a 2021), uma doença potencialmente grave e até fatal para as crianças (40 mortes de crianças, no mesmo período).

Além dela, a vacina da gripe (influenza) é de grande importância nesse período de inverno, já que o quadro pode ser confundido com COVID-19 e causar transtornos ao paciente e à sociedade. A cobertura vacinal também não atingiu seu objetivo, atualmente rondando os 30-40%.

Criado há 47 anos, o Programa Nacional de Imunização do Brasil é uma das referências mundiais da área, já que atinge uma população de mais de 200 milhões de habitantes de forma gratuita e eficiente.

Atualmente, são 18 as vacinas disponibilizadas para crianças e adolescentes. No caso de adultos, as principais são a de febre amarela, a dupla adulto (difteria e tétano, renovada a cada 10 anos), a de hepatite B e a de sarampo-caxumba-rubéola (as duas últimas caso não tenha sido vacinado na infância).

Devemos reforçar que qualquer uma das disponíveis no país são eficazes e seguras. Todas já foram testadas e aprovadas cientificamente.

As contraindicações são poucas e, caso tenha dúvida, pergunte ao seu médico. Porém, geralmente apenas pessoas com deficiências muito específicas ou alergias a componentes das vacinas não podem tomá-las.

No site https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/pni/ todos podem consultar o calendário nacional de vacinação e checar quais vacinas devem ser atualizadas. Leia, converse com seu médico e VACINE-SE E VACINE SEUS FILHOS! Proteger um é proteger todos! V

 

https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2022-06/sarampo-cobertura-vacinal-nao-chegou-nem-30-das-criancas

https://www.oncnet.com/meeting/14/meeting-materials?field_abstract_value=&field_material_type_target_id=All

Aprovações no novo modelo da ANS: um grande passo na Oncologia brasileira

No dia 06 de maio de 2022, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a incorporação de duas medicações contra o câncer no seu rol de medicações de cobertura obrigatória pelos planos de saúde: Brigatinibe (Evobrig®) e Trifluridina/cloridrato de tipiracila (Lonsurf®).

O Brigatinibe é indicado para pacientes com câncer de pulmão metastático com rearranjo do gene ALK. É uma droga do tipo terapia-alvo com altos índices de eficácia e menor toxicidade em relação à quimioterapia comum. O Brigatinibe foi testado no estudo ALTA 1L, que comparou ao Crizotinibe (padrão anterior) e mostrou um aumento de sobrevida livre de progressão de 13 meses com redução do riscos de progressão ou morte de 51%.

Já o Trifluridina/cloridrato de tipiracila (Lonsurf®) é um tipo de quimioterapia oral indicada para pacientes com câncer de cólon metastático. Ele foi testado em pacientes que haviam progredido após os tratamentos com os tratamentos-padrão (irinotecano/oxaliplatina com fluorouracil e anticorpos monoclonais) por meio do estudo RECOURSE. Os resultados mostraram uma redução do risco de morte da ordem de 30%.

Ambas as drogas já estavam aprovadas pela Anvisa e constavam a indicação em bula. Porém, com a existência do rol da ANS, os planos de saúde ainda não eram obrigados a cobrir o tratamento – de alto custo – com essas medicações. No último dia 10 de fevereiro, porém, o Congresso aprovou a MP 1067/2021, finalmente modificando para melhor o modelo de incorporação de medicações orais no sistema privado.

Antes, o tempo entre uma medicação mostrar-se eficaz e ser efetivamente acessível aos pacientes chegava a quatro anos, o que restringia o benefício a poucos que podiam pagar altos valores. Agora, a atualização é mais rápida e não segue burocracias tão grandes, o que faz as aprovações serem mais céleres, beneficiando os pacientes.

Esse modelo foi um meio-termo, já que o projeto de eliminação do rol e aprovação automática das medicações foi vetado pelo presidente e pelo Congresso no ano passado.

Sem dúvida é uma notícia importantíssima para os pacientes com câncer de pulmão e cólon, porém devemos manter a atenção para que as incorporações continuem mais rápidas e, mais importante, que cheguem também ao SUS, hoje colocado de lado e completamente defasado na área de Oncologia.

 

Referências:

https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-normativa-ans-n-536-de-2-de-maio-de-2022-398111061

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1414325

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32780660/

 

 

8 de abril – Dia Mundial de Combate ao Câncer

André Sasse

CRM 91.384

 

Todos sabemos que o número de casos novos de câncer tem subido consideravelmente, a cada ano. No mundo, e no Brasil. Isso se deve ao envelhecimento da população, à diminuição da mortalidade por outras causas, e à manutenção de maus hábitos de vida associados ao tabagismo, etilismo, sedentarismo e obesidade.

Por outro lado, sobe ainda mais rápido o número de pessoas vivendo com câncer no mundo. Isso porque a medicina baseada na ciência evoluiu muito, e novas estratégias de tratamento surgiram para controlar por mais tempo os diferentes tipos de câncer quando não são mais curáveis com cirurgia ou outros tratamentos focais.

Esse número crescente da prevalência de pessoas vivendo com câncer coloca uma pressão grande nas fontes de financiamento de tratamentos em geral. No Brasil vivemos uma situação que beira a insustentabilidade. Seja no Ministério da Saúde, que não tem organizado um programa nacional de saúde voltado ao câncer, seja na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), que tem atuado somente como barreira de incorporação de novas tecnologias à lista de cobertura obrigatória pelos planos de saúde.

Novos medicamentos, então, têm sido efetivos em proporcionar melhores chances de cura, de uma vida mais longa e, principalmente, de uma vida melhor. No entanto, o custo, o preço a ser pago, têm sido altos. E o acesso a essas novas tecnologias é, hoje, um desafio de todos. Especialmente neste Dia Mundial de Combate ao Câncer é fundamental que falemos de acesso aos avanços que a ciência nos proporciona.

A Anvisa tem feito um trabalho sensacional, ao revisar as evidências científicas, avaliar as condições de fabricação, além de todo processo de produção e entrega dos novos medicamentos. Mas essa excelência termina no registro do produto no Brasil.  Após aprovação e registro nacional, o sistema de precificação é ultrapassado e não leva em conta o real valor dos novos produtos. E as agências regulatórias, que envolve além da ANS também a CONITEC (que avalia tecnologias no SUS) são erguidas apenas como um bloqueio, não usando inteligência ou negociação para facilitar o acesso à população.

Temos que trabalhar em várias frentes, porque o número de pacientes com câncer não vai diminuir. Temos que curar mais, fazendo mais diagnósticos precoces. Mas principalmente temos que rediscutir os preços dos novos medicamentos a serem registrados no Brasil. Temos que definir como sociedade qual o preço justo, que reflita os valores entregues, e que justifique um investimento estruturado e inteligente. Um programa nacional de “combate” ao câncer envolveria toda a jornada de vida de uma pessoa com câncer. Pensando nos momentos de escolha, de decisões e de manutenção da qualidade de vida.

Mas, infelizmente, inteligência e bom senso têm sido qualidades cada vez mais raras nas nossas lideranças públicas atualmente.

 

6 de abril – Dia Nacional da Mobilização pela Promoção da Saúde e Qualidade de Vida e Dia Mundial da Atividade Física

Rafael Luís
CRM 156.336

Pergunta e respostas em Qualidade de Vida e Promoção de Saúde

Hoje – 6 de abril – é o Dia Nacional da Mobilização pela Promoção da Saúde e Qualidade de Vida e também o Dia Mundial da Atividade Física. Por isso, queremos trazer aqui algumas perguntas que ouvimos frequentemente de pacientes sobre como podemos melhorar nosso bem-estar e nossa saúde.
Não é mais segredo para ninguém que os dois principais pilares são dieta saudável e atividade física, mas vamos esclarecer alguns pontos específicos deles.

Qual é a quantidade mínima recomendada de atividade física?

Segundo a OMS – e com base em estudos científicos – o mínimo de atividade física por semana é de 150 minutos de exercícios leves a moderados (caminhada, hidroginástica, pilates, corrida leve, etc.) ou 75 minutos de exercício intenso (treino funcional, corrida intensa, natação, triathlon, etc). Aliado a isso, fortalecimento muscular é importante duas vezes na semana, o que pode ser atingido nas próprias atividades citadas.

Como me motivar a praticar atividade física regularmente?

O ideal é tentar praticar alguma atividade que lhe traga prazer, não necessariamente alguma “da moda” ou que algum amigo tenha indicado. A motivação vem principalmente da vontade de fazer, já que todos sabemos que, quando somos obrigados a algo, geralmente não focamos muito na tarefa.

Não tenho tempo, como incluir a atividade física no dia-a-dia?
Claro que o ideal é reservar horários da semana direcionados para a atividade, mas existem meios de inserir o exercício no dia-a-dia.

Algumas sugestões são:

– Caminhar até locais próximos de casa (padaria, supermercado, farmácia);
– Estacionar o carro a 2-3 quarteirões de onde você trabalha;
– Usar a escada para subir até andares baixos de prédios (por exemplo, 2º ou 3º andar) ou mesmo usar o elevador até a metade e subir o resto de escada;
– Brincar com crianças de jogos como pega-pega, pique-esconde;
– Tarefas de casa, como faxina ou mesmo jardinagem.

O que seria uma dieta saudável?

Uma dieta saudável é baseada em um consumo de calorias adequado à sua composição corporal a partir de um balanceamento dos alimentos. Uma quantidade maior de frutas, vegetais, legumes e cereais é importante para garantir não só vitaminas essências, mas também fibras alimentares. Por outro lado, reduzir o consumo de gordura animal (dar preferências a carnes magras, como peixe e frango), evitar alimentos com adição de açúcar (refrigerantes, sucos industrializados, doces) e diminuir também o consumo de produtos ultraprocesssados (como pratos prontos com conservantes, embutidos e enlatados) são estratégias cruciais para melhorar a qualidade da dieta. Tudo isso sem esquecer de manter-se hidratado, bebendo 2-2,5 litros de água ou líquidos por dia, uma garrafinha na bolsa ajuda muito. Um auxílio de um(a) nutricionista pode ser de grande valia.

“Ah, eu vou pedir então uma marmita, estou certo/a?”

Claro que sabemos que muitas vezes não temos tempo para fazer nossa comida e, neste caso, “marmitas” saudáveis podem ser uma mão na roda. Entretanto, o ato de cozinhar sua comida é visto cada vez mais como importante pelos especialistas em nutrição. Além de fazer sua própria comida (geralmente) garantir que os ingredientes sejam mais naturais, de melhor qualidade nutritiva e com menos conservantes, também estimula uma relação mais racional com a comida, podendo reduzir a quantidade de calorias ingeridas. E, claro, é mais econômico.

Quais são os benefícios de ter uma dieta saudável e praticar atividade física?

Ambos são comprovadamente promotores de saúde. Existem vários estudos que mostram redução de problemas cardiovasculares (pressão alta, infarto, derrame, cardiopatia), diabetes, osteoporose, obesidade, aumento da expectativa de vida, redução do risco de câncer, dentre outras doenças. Não só isso, melhora a qualidade do sono, saúde mental, a sensação de bem-estar e a interação social.

Como a yoga pode ajudar a promover saúde e qualidade de vida?

A Yoga é um exercício com comprovação científica de benefício em vários aspectos. Além de ser uma atividade física, também promove flexibilidade, importante para quando ficamos mais idosos e temos mais restrições de movimento, e relaxamento, com benefícios em controle de ansiedade e depressão. Incluir a Yoga na rotina de atividade física pode ajudar no bem-estar e é fácil de encontrar um local para praticar.

Além da dieta e atividade física, tem mais algo para melhorar minha qualidade de vida?

Não tem uma resposta única, mas os “3 S” são importantes: sono, saúde mental e socialização.

– No caso do sono, uma boa noite de sono de pelo menos 7h (mas idealmente menos que 9h) é comprovadamente benéfico para passar o dia melhor, além de também reduzir riscos cardiovasculares, diabetes e obesidade.
– Em relação à saúde mental, objetivar uma vida mais tranquila, com menos estresses, menos preocupações é de extrema importância. E como fazer isso? Começar pelo que já falamos acima já ajuda, mas quando o problema é mais grave, procurar ajuda profissional é imprescindível, seja um psiquiatra ou psicólogo.
– Por fim, as relações sociais também são uma maneira de nos ajudar a viver melhor. A socialização melhora a sensação de bem-estar e ajuda a prevenir problemas de saúde mental. Além disso, uma atividade física ou uma dieta saudável com alguém acompanhando é sempre mais interessante, não é mesmo?

E aí? O que você pode tentar começar a fazer hoje para viver melhor amanhã?

 

Referências:

Smith KB, et al. An evidence-based review of yoga as a complementary intervention for patients with cancer. Psychooncology. 2009 May;18(5):465-75.

https://saudebrasil.saude.gov.br/ter-peso-saudavel/7-dicas-de-alimentacao-para-prevenir-a-obesidade

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity

 

Abril é o mês de conscientização sobre o câncer de esôfago

David Pinheiro Cunha

CRM 146.260

 

O esôfago é um tubo muscular que leva o alimento desde a garganta até o estômago. No Brasil, o câncer de esôfago é o 6º mais frequente entre os homens e o 15º entre as mulheres. Aproveitando o mês de abril, vamos ressaltar alguns sinais de alerta:

Os três principais fatores de risco são:

  • Tabagismo (responsável por 25% dos casos);
  • Consumo excessivo de bebida alcoólica;
  • Obesidade.

 

Sintomas mais frequentes:

  • Sensação de obstrução a passagem de alimentos;
  • Dor para engolir;
  • Dor no tórax;
  • Náuseas, vômitos e perda de peso.

 

Curiosidades:

  • É duas vezes mais frequente nos homens comparado às mulheres;
  • O consumo de chimarrão e a relação sexual desprotegida são fatores risco;
  • O exame de rastreamento não é recomendado de rotina na população em geral.

 

Como é feito o diagnóstico:

  • Geralmente após início dos sintomas;
  • Exame mais indicado é a endoscopia digestiva alta;
  • A biópsia confirma o diagnóstico.

 

Como prevenir:

  • Não fumar;
  • Evitar o consumo de bebida alcoólica;
  • Manter o peso adequado;
  • Tratar a doença do refluxo gastroesofágico quando presente;
  • Não consumir bebidas quentes em excesso (acima de 60%);
  • Utilizar preservativo durante a relação sexual.

 

Tratamento:

  • Combinação de radioterapia, quimioterapia e cirurgia;
  • A imunoterapia é uma forma de tratamento aprovada no Brasil;
  • As chances de cura estão relacionadas ao diagnóstico precoce.

 

A prevenção continua sendo a melhor maneira de evitar este tipo de câncer. Mas, caso tenha algum dos sintomas, não deixe de procurar um médico para o diagnóstico precoce e aumentar as chances de cura.

 

31 de março: Dia da Saúde e da Nutrição

Atividade física, alimentação equilibrada e hidratação são aliadas da saúde

 

Dr. Rafael Luís – oncologista

CRM 156.336

Dra. Thaize Polizelli – nutricionista

CRN 344.807

 

No Dia da Saúde e da Nutrição, gostaríamos de relembrar a cartilha que o Instituto Nacional de Câncer (INCA) fez, baseada em uma tradução para o português de um Relatório de Especialistas criado pelo Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer (WCRF, em inglês) e pelo Instituto Americano para Pesquisa em Câncer (AICR, em inglês).

A obesidade e o sedentarismo continuam em crescimento no mundo e são um grande problema de saúde pública, contribuindo para mais de quatro milhões de mortes, anualmente, no mundo. O estilo de vida e a falta de estímulo à atividade física são os principais fatores associados a este cenário. No Brasil, mais da metade da população está acima do peso e essa epidemia vem aumentando também entre as crianças.

No documento traduzido pelo INCA, os autores dissertam de forma bem clara sobre os vários aspectos da alimentação e suas consequências para o nosso organismo e sobre o risco de câncer, sempre embasado em evidências científicas. Há um quadro mostrando visualmente os alimentos que têm relação estabelecida com o desenvolvimento de neoplasias, além da força desta relação. Como exemplo, alimentos em conserva e processados aumentam – com alta probabilidade – a incidência de câncer de estômago e cólon, respectivamente. Além disso, evidencia-se que a obesidade e o álcool são os fatores mais fortemente relacionados à ocorrência de diversos tipos de tumores.

A partir dos dados, o documento faz recomendações práticas para a prevenção do câncer e melhor saúde geral:

– Manter um peso saudável;

– Ser fisicamente ativo (pelo menos 150 minutos por semana);

– Consumir uma dieta rica em vegetais, cereais integrais, frutas e leguminosas;

– Limitar o consumo de comida processada (fast food), carne vermelha, bebidas com adição de açúcar e alcóolicas;

– NÃO usar suplementos para a prevenção do câncer;

– Amamentar, se a mulher puder.

Na análise brasileira, a nossa população não cumpre esses requisitos, com altos níveis não só de obesidade, mas também de sedentarismo e de consumo de alimentos pouco saudáveis. O INCA sugere que a abordagem na nossa população seja comportamental, incentivando a alimentação saudável por políticas públicas bem instituídas e, como exemplo, não estimulando padrões estéticos para a prática da atividade física, mas sim o prazer em praticá-las.

Por fim, há também uma abordagem de como implantar essas medidas em nível populacional, com ênfase nas ferramentas sociais, como marketing, limitando propagandas de produtos pouco saudáveis, estimulando a compra de alimentos saudáveis ou realizando aconselhamentos em equipamentos públicos à toda a população. Isso envolve toda a sociedade e traz a responsabilidade compartilhada para melhorar o cenário atual.

Esse documento é de livre acesso e é de grande interesse de todos. A prevenção do câncer passa não só por exames e consultas, mas também pela adoção de um estilo de vida saudável.

 

Cuidados e dicas de hidratação

 

Toda população precisa ficar atenta à ingestão de líquidos. No caso dos pacientes oncológicos, a atenção na hidratação deve ser ainda maior, já que a dieta precisa ser equilibrada para suas necessidades durante o tratamento, sendo rica em frutas, verduras e legumes diversificados, alimentos integrais, gorduras boas e fontes proteicas. Sem esquecermos da HIDRATAÇÃO.

Devemos sempre nos atentar à quantidade de água ingerida no dia a dia para mantermos toda a funcionalidade do nosso organismo. A Organização Mundial da Saúde recomenda a ingestão de 2 a 2,5 litros de água ao longo do dia e, para atingirmos a recomendação, o verão pode ser nosso aliado por meio de:

 

Sucos de frutas: as frutas cítricas são bem toleradas durante o período de tratamento; então, faça suco com as frutas da estação que, além de mais doces, possuem mais nutrientes por sua sazonalidade adequada. Abacaxi, caju, melancia, melão, limão, manga, maracujá, tangerina, kiwi, uva, maçã, entre outras.

Utilize água filtrada ou água de coco para o preparo; chá preparado em casa com gengibre e batido com fruta é uma ótima opção para os pacientes nauseados.

A dica também está em preparar o suco utilizando a casca dos alimentos, que deve estar higienizada corretamente. O suco não deve ser coado antes do consumo, assim as fibras ficam garantidas.

Combinar frutas com verduras (e até legumes!) é uma opção interessante, pois além de hidratar, diversifica e aumenta a quantidade de frutas, verduras e legumes ingeridos no dia. Maçã, limão e couve pode ser uma das combinações, assim como maracujá e um pouco de manjericão. Use a criatividade!

Carregue sempre com você uma garrafinha com água, pois o consumo de água é um hábito. Temos o péssimo costume de beber água apenas quando temos sede, mas esquecemos que sede é o primeiro sinal de desidratação.

 

Sacolé, picolé e gelo de fruta: uma outra forma de consumir as frutas no verão é na forma de sacolé, picolé e até gelo.

 

Para o sorvete, podemos apenas picar as frutas da nossa preferência, dispô-las em fôrmas próprias para picolé ou copos descartáveis com um palito de sorvete, completar com água de coco, chás naturais de ervas claras preparados em casa como: hortelã, camomila, erva-doce e gengibre e ou suco de fruta e levar para o congelador. Temos outra opção de picolé: faça uma massa, batendo a fruta da sua preferência com um pouco de líquido, incluindo o leite.

Já para o sacolé e o gelo, deve-se bater a fruta com pouca água (ou outro líquido) até obter uma consistência mais pastosa e dispor tudo em suas respectivas embalagens.

 

Lanches naturais: se preparado adequadamente, pode substituir uma refeição completa. Utilize patês feitos em casa como os de frango, de sardinha, de grão de bico, entre outros. Recheie o pão, tapioca ou outra fonte de carboidrato com o patê escolhido, folhas e legumes.

Lembre-se de procurar sempre um nutricionista especialista na área para melhor adequação da sua dieta ao seu tratamento.  E mantenha-se hidratado!

 

 

Março Azul Marinho: Mês de conscientização e prevenção do câncer colorretal

David Pinheiro Cunha

CRM 146.260

 

O câncer colorretal compreende todos os tumores que acometem o intestino grosso e o reto. Atualmente, ocupa a segunda posição entre os tumores mais frequentes nos homens e também nas mulheres no Brasil. Diante da sua importância, aproveitando mês de março, vamos trazer alguns fatos importantes sobre esse tipo de câncer.

 

– É possível reduzir o risco de desenvolver o câncer colorretal.

 

A predisposição genética individual para se desenvolver um câncer ainda não pode ser modificada, porém a minoria dos canceres tem origem hereditária. Sabemos que evitar a exposição aos fatores risco pode reduzir de forma significativa as chances de ter um câncer de intestino. Por isso, é importante um estilo de vida saudável, com atividade física regulares, manter o peso adequado, realizar dieta rica em fibras, evitar o tabagismo, etilismo, o excesso de carne vermelha e embutidos.

 

– A idade avançada é o principal fator de risco para o câncer colorretal.

 

A maioria dos tumores de intestino ocorrem após os 50 anos. Outros fatores de risco importantes são a história familiar de câncer colorretal, obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo excessivo de carne vermelha (acima de 500 gramas por semana) ou alimentos processados, dieta pobre em frutas ou fibras.

Outras condições como a polipose adenomatosa familiar, câncer hereditário sem polipose, doença de Crohn e retocolite ulcerativa, também aumentam de forma expressiva o risco.

 

– Na fase inicial o câncer colorretal é uma doença silenciosa, não causa sintomas.

 

Na fase inicial o câncer de intestino pode ser assintomático. Com o aumento do tamanho da lesão os sintomas podem se desenvolver. As principais queixas são: alteração do hábito intestinal (diarreia e prisão de ventre alternados), dor ou desconforto abdominal, fraqueza ou anemia, perda de peso sem causa aparente, alteração na forma das fezes, massa abdominal ou sangue nas fezes. É importante salientar que muitas vezes esses sintomas também estão relacionados a doenças benignas, por isso a importância de sempre passar por uma avaliação médica.

 

– A colonoscopia pode prevenir o câncer colorretal.

 

O câncer de cólon na maioria das vezes tem origem a partir de um pólipo no intestino. Essas lesões são inicialmente benignas, mas podem sofrer atipias durantes os anos e desenvolver o câncer. Durante o exame de colonoscopia pode ser realizada a retirada dos pólipos ainda nos estágios iniciais, evitando a formação do câncer. No Brasil, esse exame é recomendado para homens e mulheres entre 50 a 74 anos. Em casos de história familiar para câncer de intestino, o exame deve ser realizado 10 anos antes da idade que o familiar apresentou o diagnóstico.

 

– A maioria dos casos são curados com o tratamento.

 

Quando o diagnóstico é realizado em fases iniciais a chance de cura é acima de 80%. Por isso a importância de realizar o exame de rastreamento como a colonoscopia e sempre investigar precocemente os sintomas relacionados à alteração do hábito intestinal ou sangramento. O tratamento depende de diversos fatores como localização tumor, tamanho e se ocorreu a disseminação para outros órgãos (metástase). Na doença localizada, a cirurgia é o tratamento, podendo ser associada a quimioterapia no pós-operatório. Já na presença de metástase, o tratamento geralmente se inicia com quimioterapia associada a anticorpos.

 

– O fígado é o local mais frequente de metástase.

 

Metástase é quando o câncer dissemina do local de origem para outros órgãos. Quando isso ocorre as chances de cura reduzem de forma significativa. O principal local de metástase do câncer de intestino é o fígado, seguido pelo pulmão. Nestes casos, os tratamentos mais empregados são as quimioterapias, associadas ou não aos anticorpos monoclonais. Recentemente foi aprovado no Brasil o uso da imunoterapia para pacientes com metástase com deficiência em genes relacionados ao reparo do DNA, com excelentes resultados!

 

10 de março é o Dia Mundial do Rim

Higor Mantovani

CRM 155.725

 

A campanha tem enfoque na prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica; importante destacar também a atenção ao câncer renal

 

No dia 10 de março de 2022 é celebrado o Dia Mundial do Rim. Uma em cada dez pessoas terá algum tipo de problema relacionado a saúde dos rins, seja ele cálculos renais, mal funcionamento dos rins (também chamado de doença renal crônica) ou até mesmo o câncer do rim. O Dia Mundial do Rim foi criado para que profissionais de saúde e a população como um todo pudessem trocar informações sobre as doenças que acometem este órgão.

A campanha tem enfoque principal na prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica (ou insuficiência renal), condição frequente em pacientes que acumulam comorbidades como hipertensão e diabetes mellitus, e que pode resultar na necessidade de terapias renais substitutivas como a hemodiálise. Mas é importante lembrar sobre o câncer do rim e suas peculiaridades.

O câncer renal é relativamente raro e corresponde a aproximadamente 5% de todos os tumores do indivíduo adulto. Em geral, acomete mais os homens, em idade entre 50 e 70 anos, e quase sempre não dá sintomas. Por isso, é frequentemente diagnosticado ao acaso, após a realização de exames de imagem do abdome (ultrassom ou tomografia). Apenas 10% dos pacientes vão apresentar sintomas, sugerindo um quadro mais avançado. Podem surgir sangramento urinário, dor abdominal, perda de peso, ou até mesmo o aumento do volume renal configurando uma massa (tumoração) que pode ser palpada no abdome.

O tipo mais comum de câncer renal é o carcinoma de células claras. Ele tem esse nome pelas características das células do câncer quando vistas ao microscópio. Para os tumores localizados (restritos ao rim), o tratamento de escolha e que leva a cura é cirurgia de retirada rim, que pode ser parcial ou total. O tratamento com remédios está reservado para o cenário avançado do câncer de rim, quando já existem metástases. Felizmente, os avanços na oncologia trouxeram o advento da imunoterapia e de terapias-alvos orais que revolucionaram a história do câncer de rim avançado.

Para evitar o câncer do rim (e os demais problemas da saúde dele) é importante estar sempre cultivando um estilo de vida saudável; hidratar-se bem, combater o sedentarismo e a obesidade, e controlar doenças crônicas como hipertensão e diabetes fazem parte de um roteiro básico de uma boa saúde. Manter uma rotina de avaliações médicas também é importante. O monitoramento de exames de sangue (como ureia e creatinina), o exame clínico do abdome e a complementação com exames de imagem nos permite acompanhar a saúde dos rins. Eventualmente, esses exames podem evidenciar achados suspeitos em um dos rins e deflagrar o processo de investigação de um possível câncer de rim.

 

Mudança no rol da ANS é avanço com sensação de derrota

Uma nova Medida Provisória (MP 1067/2021) foi aprovada pelo Congresso em 10 de fevereiro e visa garantir acesso mais ágil às drogas orais contra o câncer pelos usuários de planos de saúde. Sem dúvida, é um avanço, porém foi uma solução “intermediária” para o que era esperado.

Em diversas oportunidades, já discutimos sobre o processo de incorporação de medicamentos orais para pacientes de planos de saúde (links abaixo).

Também no ano passado, falamos do projeto que tentava garantir a obrigatoriedade de cobertura pelos planos de saúde de medicações orais para tratamento do câncer, assim que houvesse aprovação na Anvisa. A chamada Lei da Droga Oral (PL6330/2019) foi aprovada no Congresso em julho de 2021, mas, infelizmente, foi vetada pelo presidente Bolsonaro e, agora, em fevereiro, o veto foi (estranhamente) mantido pelo Congresso.

Sendo assim, o acesso a essas drogas continua restrito e atrasado em até 3-4 anos em relação a sua comprovação de benefício. As medicações injetáveis não passam por essa barreira; elas são cobertas pelos planos tão logo são aprovadas pela Anvisa em bula.

Agora, a nova MP aprovada estabelece que a atualização da lista de medicamentos com cobertura obrigatória pelos planos deve ser feita de forma mais frequente: ao invés de ser atualizada a cada dois anos, deverá ser feita “continuamente”, ou seja, as empresas solicitantes da aprovação podem enviar a requisição a qualquer momento e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) terá até 180 dias para analisar, recomendando a aprovação ou rejeição daquele produto. Após aprovada, a medicação em questão deverá ser fornecida ao paciente em até dez dias após a prescrição médica.

Além disso, a MP cria uma Comissão de Atualização do Rol, com membros de conselhos e entidades relacionadas ao assunto, com poder de deliberação e análise dos dados científicos e econômicos.

Não há como negar que é uma evolução no processo, que pode reduzir em mais de 75% o tempo para aprovação de uma medicação contra o câncer. Entretanto, ainda é uma regulação morosa e redundante, e cujo ônus do atraso é única e exclusivamente dos pacientes, que deveriam ser o foco de toda a discussão. Não faz sentido haver distinção entre remédios orais e injetáveis, pois cada doença tem um tipo de tratamento.

A solução talvez seja uma regulação única, mais racional e ágil, que leve em conta não só a realidade econômica brasileira, mas também o interesse da população. Seguimos na expectativa de que isso seja o primeiro passo de uma revolução maior na Oncologia: ofertar o mais eficaz para nossos pacientes viverem mais e melhor.

A MP ainda vai à sanção presidencial.

 

Referências:

https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=9069137&ts=1645034714274&disposition=inline

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9656.htm

https://noticias.r7.com/brasilia/congresso-mantem-veto-a-inclusao-de-remedios-para-cancer-em-planos-08022022

https://noticias.r7.com/brasilia/mp-dos-planos-de-saude-e-aprovada-com-duas-emendas-e-vai-a-sancao-10022022

https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/140096

https://sonhe.med.br//2021/07/01/a-um-passo-de-uma-revolucao-da-oncologia-no-brasil/

https://sonhe.med.br//2021/02/26/novo-rol-da-ans-2021/

https://sonhe.med.br//2020/06/04/projeto-de-acesso-a-quimioterapia-oral-e-aprovado-pelo-senado/

https://sonhe.med.br//2019/09/03/simparaquimiooral/

Existe relação entre álcool e câncer? Quais os tipos de câncer?

Sim, as bebidas alcoólicas podem causar câncer. É confirmado pela ciência. Um novo estudo acaba de atualizar essa relação direta depois de analisar dados da última década: em todo o mundo, o álcool foi responsável por cerca de 740.000 tumores apenas em 2020. Isso significa que mais de 4% dos cânceres globais se devem à ingestão de bebidas alcoólicas, sendo, portanto, totalmente evitáveis e passíveis de prevenção.

O estudo, publicado pela revista The Lancet Oncology, aponta diferenças importantes por região e sexo: três em cada quatro cânceres provocados pelo álcool atingiram homens e as regiões do planeta mais afetadas são o Extremo Oriente e a Europa Central e de Leste.

O estudo destaca a contribuição de, inclusive, níveis relativamente baixos de consumo de álcool para as taxas de câncer, o que é preocupante, mas também sugere que pequenas mudanças no comportamento público em relação à bebida poderiam ter um impacto positivo nas futuras taxas de câncer.

Lamenta-se que a população não saiba o suficiente sobre essa associação direta entre as bebidas alcoólicas e o câncer de mama, de boca, de garganta, de laringe, de esôfago, de fígado, de cólon e de reto.

Há pouca consciência da relação entre o álcool e o risco de câncer no público em geral, mas acrescentar advertências sobre o câncer nos rótulos das bebidas, semelhantes às usadas nos cigarros, poderia dissuadir as pessoas de comprar produtos alcoólicos e aumentar a consciência sobre a relação causal com o câncer. Além disso, a indústria do álcool se empenha em confundir a população sobre esse risco.

Diante dos fatos apresentados é imprescindível medidas de combate ao uso abusivo de álcool; regulamentação de venda e de propagandas do produto e, ainda, a estruturação de medidas preventivas e rastreamento para priorizar diagnóstico precoce da população exposta ao fator de risco mencionado. Priorizar hábitos saudáveis é eficaz no combate ao câncer.

 

Referências Bibliográficas:

  1. https://www.thelancet.com/journals/lanonc/article/PIIS1470-2045(21)00279-5/fulltext
  2. https://www.inca.gov.br/causas-e-prevencao/prevencao-e-fatores-de-risco/bebidas-alcoolicas#:~:text=Estudos%20mostram%20que%20consumir%20bebidas,para%20todas%20as%20bebidas%20alco%C3%B3licas.
  3. https://pebmed.com.br/pesquisadores-associam-consumo-de-alcool-a-risco-de-cancer/