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26 de abril – Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial – Quais são os medicamentos oncológicos que precisam de atenção!

Filippo Diotto

Cardiologista

Cremesp 169.593

 

Hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença comum e frequente na população adulta. Possui aumento da incidência com incremento da idade, com mais frequência em pacientes sobreviventes ao câncer quando comparado com a população geral.

A doença deverá ser diagnosticada prontamente e tratada uma vez que a HAS e as neoplasias possuem fatores de riscos em comum, como obesidade, sedentarismo e diabetes.

Alguns medicamentos oncológicos que podem afetar a pressão arterial incluem os inibidores de tirosina quinase, como o imatinibe e o sunitinibe, além de alguns quimioterápicos, como a cisplatina e a doxorrubicina. É importante monitorar de perto a pressão arterial durante o tratamento com esses medicamentos e informar ao médico sobre quaisquer alterações.

Pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, a meta de pressão arterial em pacientes com câncer é a mesma da do paciente sem câncer, ou seja, menor que 130×80 mmHg. A busca ativa de sintomas e rastreio de HAS deverá ser feita em toda consulta com o objetivo de realizar um diagnóstico precoce e imediato tratamento. A prevenção deverá ser instituída para todos os pacientes, principalmente oncológicos, estimulando atividade física regular, sono adequado, dieta equilibrada e manejo do estresse.

Referência: Diretriz Brasileira de Cardio-oncologia 2020.

Faço tratamento oncológico: posso comer chocolate?

Os povos antigos, como os maias e os astecas, cultivavam o cacau e preparavam uma bebida chamada “xocolātl”, feita de grãos de cacau torrados e moídos misturados com água, especiarias e, às vezes, mel. Ao longo dos séculos, foram sendo introduzidos outros ingredientes, como açúcar e mel, até chegar ao chocolate que conhecemos hoje. A produção em larga escala só começou no século XIX, com o desenvolvimento de processos industriais para a fabricação.

Ele pode oferecer diversos benefícios quando consumido com moderação. Os antioxidantes podem ajudar a reduzir o risco de doenças cardíacas, melhorar o humor devido à liberação de endorfinas e até mesmo fornecer nutrientes como ferro, magnésio e potássio.

Pacientes com câncer devem consultar seus médicos ou nutricionistas para orientações específicas sobre seus casos. Em geral, o consumo moderado de chocolate escuro é o ideal. Seu alto teor de cacau pode ter mais benefícios devido aos antioxidantes e outros compostos presentes. É importante sempre considerar caso a caso, o estado de saúde individual de cada um, suas restrições dietéticas e possíveis interações com tratamentos médicos. Algumas vezes, o açúcar e a gordura adicionados em chocolates comerciais podem não ser ideais para certos pacientes com câncer.

Referências:

  1. PORRO, Antonio. Cacau e chocolate: dos hieroglifos à cozinha ocidentel. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, v. 5, p. 279-284, 1997.
  2. MARTIN, Maria Angeles; GOYA, Luis; RAMOS, Sonia. Potential for preventive effects of cocoa and cocoa polyphenols in cancer. Food and chemical toxicology, v. 56, p. 336-351, 2013.

5 de Fevereiro – Dia do Dermatologista – A importância do dermatologista na prevenção e no diagnóstico do câncer de pele

Gabriel Peres
Dermatologista

CRM 150.185 | RQE 71.440

O dermatologista é o médico especialista no cuidado da pele, cabelos e unhas. Eles diagnosticam e tratam uma variedade de condições, como acne, eczemas, câncer de pele, lúpus, psoríase, entre outras. “No dia do dermatologista, homenageamos o especialista em cuidar do maior órgão do corpo, prevenindo, diagnosticando e tratando o câncer de pele e demais condições”, comenta o Dr Gabriel Peres, dermatologista especialista em câncer de pele.

Os cânceres de pele (não melanoma) são os tipos mais comuns de câncer e há dois tipos mais prevalentes: o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, geralmente associados à exposição crônica ao sol.

Um outro tipo mais agressivo é o melanoma, também relacionado à exposição solar, mas que pode ocorrer em áreas não expostas. Fatores de risco incluem pele clara, histórico familiar e exposição prolongada ao sol, no padrão daquelas queimaduras solares agudas.

O diagnóstico precoce é crucial para um prognóstico favorável!

Dr. Gabriel compartilha um pouco sobre sua rotina: “Na prática, há pacientes que já me procuram por terem notado uma lesão específica ou acabo identificando lesões suspeitas no momento em que realizo o exame dermatológico e biopsiando lesões suspeitas”.

Consultar um dermatologista regularmente é fundamental para monitorar a saúde da pele. Realizando exames regulares, identificando lesões suspeitas e fornecendo orientações sobre proteção solar, o especialista contribui significativamente para a saúde cutânea e para detecção precoce de possíveis problemas.

 

 

Vacina de mRNA reduz pela metade risco de morte por melanoma avançado

O estudo da farmacêutica Moderna envolveu 157 pacientes que tinham melanoma estágio III/IV e que, antes de iniciar tratamento, fizeram a ressecção cirúrgica da lesão.

A vacina conhecida atualmente como mRNA-4157 tem a mesma tecnologia que algumas vacinas contra a COVID-19 e estima-se que possa estar disponível em 2025, em aprovação acelerada. Os pesquisadores planejam, também, ampliar a pesquisa para outros cânceres e já tem estudo em andamento para câncer de pulmão.

Ao contrário das vacinas convencionais, as chamadas vacinas terapêuticas tratam uma doença ao invés de a prevenir. Mas também atuam treinando o sistema imunológico contra o agente invasor.

O desenvolvimento da vacina começa com o sequenciamento do genoma do tumor de cada paciente e a identificação de mutações específicas a serem codificadas.

O anti-PD1, por sua vez, inibe a proteína PD1, levando a um maior acionamento das células T em reconhecer e eliminar células cancerígenas.

Após três anos de acompanhamento dos pacientes, foi visto que quem recebeu a vacina de mRNA + antiPD1 (pembrolizumabe) teve o risco de morte ou recidiva por melanoma (estágio III/IV) reduzido em 49% dos casos, quando comparado com antiPD1 isolado.

 

 

Senado aprova criação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS

Foi aprovado ontem (08/11), no Senado, o Projeto de Lei n° 2952, de 2022, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer. O PL altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 (Lei Orgânica da Saúde).

O projeto foi construído com a participação da sociedade, médicos, instituições, entidades sociais e parlamentares e visa a criação de uma política com medidas nas áreas de informação, prevenção, promoção da saúde, rastreamento, diagnóstico, tratamento, atenção multidisciplinar, incorporação de medicamentos, reabilitação e cuidado paliativo.

Essa aprovação cria um novo marco para o tratamento do câncer pelo sistema público de saúde do país. O PL ainda precisa ser votado no plenário, o que deve ocorrer ainda neste mês de novembro e em seguida ser encaminhado para sanção presidencial.

O substitutivo aprovado contou as seguintes modificações:

* No parágrafo único do Art. 2º, estabeleceu que além de ter acesso ao cuidado integral a prevenção, o rastreamento, a detecção precoce, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e os cuidados paliativos, os pacientes e seus familiares tenham apoio psicológico;

* Outra alteração foi no inciso I do Art.3º, definindo que é preciso entender que o câncer é uma doença prevenível em alguns casos, mas ainda carecem de dados para afirmar isso para todos os casos de câncer. Por isso, a fim de que o texto não traga uma informação imprecisa, o relator alterou a frase para se alinhar com o que vem sendo usado por organizações de todo o mundo em um movimento global pelo reconhecimento do ’câncer como doença que pode ser prevenível, curável, tratável e controlável, sempre havendo esperança para os pacientes’;

* Ainda no Art. 3º, foi alterado o inciso VIII, para incluir que a utilização, de forma integrada, dos dados e das informações epidemiológicas e assistenciais, para o planejamento, monitoramento e avaliação das ações e serviços para a prevenção e o controle do câncer sejam coletadas por meio dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC) e por outras fontes disponíveis. No inciso XV do mesmo artigo, foi incluída a atenção primária na qualificação da assistência por meio da educação permanente dos profissionais envolvidos com o controle do câncer nas redes de atenção à saúde nos diferentes níveis de atenção. Já o inciso XVIII do Art.3º, foi alterado para garantir também o apoio psicológico aos familiares e melhor tratamento aos cuidadores e equipes de saúde;

* No parágrafo único do Artigo 4º foi inserida a possibilidade de consulta de posição em fila de espera para a realização transplante. O texto inicial contemplava apenas consultas, procedimentos de diagnóstico ou tratamento;

* Foi alterado, ainda, o Art. 7º, para evitar dar total liberdade ao médico para prescrever tratamentos que não necessariamente são os melhores, inclusive medicamentos que não estejam nos protocolos do Ministério da Saúde, que possam inclusive acarretar no aumento da judicialização. Assim, ele estabeleceu que também serão princípios e diretrizes para o rastreamento e o diagnóstico da doença, a elaboração e implementação de estratégias para garantir o diagnóstico e o acesso ao tratamento mais adequado para os pacientes, em tempo oportuno, conforme definido na Lei nº 12.732, de 22 de novembro de 2012, que trata sobre o primeiro tratamento de paciente com neoplasia maligna comprovada e estabelece prazo para seu início;

* Também foi alterado o artigo 10º, para dar alternativas para incorporação de medicamentos e tratamentos, priorizando a compra centralizada pelo Ministério em determinadas situações como nos tratamentos de alta complexidade ou alto custo, e nas neoplasias de maior incidência, de forma a garantir maior equidade e economicidade e admitindo a Autorização de Procedimento Ambulatorial de Alta Complexidade (APAC) em outros;

* Inseriu-se, ainda, novo inciso no Art. 12º, que define cuidados paliativos dos pacientes com câncer para incluir o acesso à terapia antiálgica, que é um ramo da anestesiologia que tem como objetivo reduzir e proporcionar o melhor controle da dor possível para que o indivíduo tenha melhor qualidade de vida.

Referências:

1. Projeto de Lei aprovado:

https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2308487&filename=Tramitacao-PL%202952/2022

 

Inteligência artificial e mamografia: o que podemos saber até o momento?

Estudo publicado esta semana na revista The Lancet Oncology demonstrou que a triagem de mamografia por inteligência artificial (IA) resultou em uma taxa de detecção de câncer semelhante em comparação com a leitura dupla padrão, com uma carga de trabalho de leitura menor. O desfecho primário foi taxa de câncer de intervalo, que é a taxa de câncer de mama diagnosticado no período entre mamografias.

Trata-se de estudo randomizado, controlado, que inclui mulheres com idade entre 40 e 80 anos elegíveis para rastreamento por mamografia (incluindo rastreamento geral com intervalos de 1,5 a 2 anos e rastreamento anual para aquelas com risco hereditário moderado de câncer de mama ou histórico de câncer de mama) em quatro locais de triagem na Suécia.

Até o momento temos os resultados da análise de segurança clínica, realizada após 80.000 mulheres terem sido inscritas. O acompanhamento está em andamento para avaliar o desfecho primário do estudo, a taxa de câncer de intervalo.

O alerta que fica é de uma evidência inicial, porém com grande número de pacientes avaliadas, o que aumenta a relevância de certa forma. Vale aguardarmos novos resultados para observar possíveis benefícios às pacientes e ao sistema de saúde em si.

 

Em quem não se deve fazer um exame genético?

Debora Curi

CRM 173.184

Higor Mantovani

CRM 155.725

 

A ciência que permeia o entendimento do câncer está em constante evolução, em especial, no âmbito da oncogenética. Muito se fala sobre predisposição familiar (ou hereditária) aos diversos canceres que podem acometer os pacientes. Idade jovem, ocorrência de múltiplos tumores num mesmo indivíduo e diagnósticos de canceres raros são características que devem despertar a inquietude do profissional que assiste este paciente, e motivar uma avaliação de um oncogeneticista para se discutir testes de sequenciamento genético.

A solicitação de testes genéticos deve ser feita por um profissional capacitado e com habilidade no tema, e que, após uma consulta de aconselhamento genético, tenha um objetivo bem definido a ser elucidado pelo exame. É necessário especificar as metodologias do teste e flertar com os possíveis resultados, a fim de garantir um adequado manejo da informação acessada com o mesmo.

Pouco se fala sobre situações em que não é necessário ou apropriado fazer uma avaliação ou teste genético. A informação sobre eventuais mutações e/ou aspectos genéticos de um individuo é confidencial, de poder único e exclusivo daquela pessoa. Existem situações que podem ferir esses princípios e, de maneira ainda mais agravante, resultar num manejo inadequado das informações genéticas acessadas pelo exame.

Como exemplo de tais situações temos os testes genéticos em crianças ou indivíduos que ainda não atingiram a maioridade. Não é infrequente que pais e mães, motivados pelo medo do diagnóstico de câncer, busquem informações que os acalmem sobre o risco de seus filhos desenvolverem câncer no futuro. Neste caso, a motivação passional para um teste genético não deve gerir a indicação do exame. Sequenciamento genético em crianças são indicados em casos específicos e com grande cuidado no manejo da informação genética acessada, uma vez que se trata de um paciente ainda incapaz de gerir seus direitos de acesso a informação.

Uma outra situação frequente em que o teste genético merece cautela é em indivíduos que nunca tiveram histórico pessoal e/ou familiar de neoplasias. É comum a procura de exames que buscam evitar problemas de saúde no futuro. Entretanto, sabemos que o exame genético não previne o surgimento de canceres; ele nos auxilia na identificação de indivíduos com alto risco de câncer ao longo da vida. Um aspecto importante é a realização de exames genéticos de confiança, cuja técnica e confiabilidade são conhecidas. Existem relatos de condutas tomadas a partir de informações adquiridas a partir de testes de baixa confiabilidade; quando a informação fora revisitada com metodologias e testes validades, percebeu-se um falso diagnóstico genético.

As características genéticas (e todas as consequências delas em nossas vidas) não são passíveis de escolha; somos o que recebemos dos nossos genitores e progenitores. Pessoas que não estão adequadamente motivadas e orientadas sobre como lidar com o resultado de um exame genético devem ser aconselhadas a repensar sobre a realização do mesmo. Neste mesmo sentido, é necessário que se tenha acesso a profissionais que possam orientar e tomar condutas frente ao diagnóstico genético. Não se deve buscar ou acessar a informação sem que se tenha estruturado um cuidado com mesma a posteriori.

Por fim, é importante citar situações em que o indivíduo em que se quer investigar a informação genética pode não desejar fazer o exame sugerido. Nestes casos, a autonomia deve sempre ser respeitada, a despeito da forte suspeita de um quadro de predisposição hereditária ao câncer naquele indivíduo.

 

Quais medicamentos oncológicos pedem uma atenção especial aos olhos?

O aumento dos casos de câncer e o rápido desenvolvimento de novos tratamentos oncológicos ressaltam a necessidade dos oncologistas e oftalmologistas trabalharem de forma multidisciplinar, identificando e manejando possíveis toxicidades oculares.

O amplo espectro de complicações oftálmicas induzidas por medicamentos oncológicos inclui distúrbios agudos e crônicos, reversíveis e irreversíveis. Complicações oftálmicas leves a moderadas são muito comuns e reversíveis após a interrupção do tratamento. Algumas toxicidades oculares importantes podem exigir uma redução da dose ou a descontinuação da medicação para prevenir a perda visual e preservar a qualidade de vida.

Abaixo alguns medicamentos oncológicos que podem causar efeitos colaterais nos olhos e requerem atenção especial durante o tratamento:

  1. Tamoxifeno: comumente usado para tratar o câncer de mama. Pode causar problemas oculares, incluindo catarata e retinopatia.
  2. 5-fluorouracil: pode causar efeitos colaterais oculares como olhos secos, irritação, vermelhidão, lacrimejamento, sensibilidade à luz e visão turva. Em casos raros, o 5-FU pode causar danos à córnea ou à retina, resultando em alterações na visão.
  3. Imatinibe: este medicamento é usado para tratar alguns tipos de neoplasias sólidas e hematológicas. Pode causar visão turva, diplopia (visão dupla) e edema palpebral.
  4. Paclitaxel: muito comumente utilizado no tratamento do câncer de mama, entre outros. Pode causar visão turva, mudanças na cor da visão e sensibilidade à luz.
  5. Cisplatina: medicamento usado para tratar diversos tipos de neoplasias, como pulmão, bexiga e colo de útero. Pode causar problemas oculares, incluindo catarata e diplopia.
  6. Enfortumabe vedotina: é um medicamento utilizado no tratamento de certos tipos de câncer, como bexiga. Os efeitos colaterais oculares mais comuns incluem visão turva, olhos secos, sensibilidade à luz, dor nos olhos e inflamação da conjuntiva.

Comunique-se com seu médico oncologista, é importante mantê-lo informado sobre quaisquer sintomas oculares que você possa estar enfrentando!

 

Abaixo algumas medidas simples e eficazes para otimizar os cuidados com os olhos durante o tratamento oncológico, evitando complicações mais graves:

1. Proteção contra a luz solar: Pacientes submetidos a quimioterapia e radioterapia podem ter a pele e os olhos mais sensíveis à luz solar. É importante usar óculos escuros e/ou chapéus para proteger seus olhos da exposição solar direta.

  1. Hidratação dos olhos: Alguns tratamentos oncológicos podem levar à secura ocular, o que pode causar desconforto e aumentar o risco de infecções oculares. Usar colírios lubrificantes pode ajudar.
  2. Atenção à higiene: a quimioterapia pode reduzir a imunidade do paciente, o que pode aumentar o risco de infecções oculares. Lavar as mãos regularmente e evitar tocar os olhos podem ajudar a prevenir a propagação de infecções.
  3. Exames oftalmológicos regulares: é importante realizar exames oftalmológicos regulares durante o tratamento oncológico para monitorar a saúde ocular e detectar precocemente quaisquer problemas que possam surgir.

    É essencial lembrar que cada paciente é único e que o tratamento oncológico pode afetar os olhos de maneiras diferentes em cada um. Por isso, é fundamental conversar com seus médicos oncologista e oftalmologista para desenvolver um plano de cuidados específico para suas necessidades.

    Referências:

1. Ali A, Shah AA, Jeang LJ, Fallgatter KS, George TJ, DeRemer DL. Emergence of ocular toxicities associated with novel anticancer therapeutics: What the oncologist needs to know. Cancer Treat Rev. 2022 Apr;105:102376. doi:               10.1016/j.ctrv.2022.102376. Epub 2022 Mar 12. PMID: 35303547.

2. Kunkler AL, Binkley EM, Mantopoulos D, Hendershot AJ, Ohr MP, Kendra KL, Davidorf FH, Cebulla CM. Known and novel ocular toxicities of biologics, targeted agents, and traditional chemotherapeutics. Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol. 2019 Aug;257(8):1771-1781. doi: 10.1007/s00417-019-04337-8. Epub 2019 May 16. PMID: 31098752.

 

 

 

CHOCOLATE X CÂNCER – Vilão ou mocinho?

O chocolate é apreciado por pessoas de todo o mundo. É feito a partir dos grãos do cacaueiro e está disponível em várias formas, incluindo chocolate ao leite, chocolate amargo e chocolate branco. Embora não haja evidências definitivas de que o chocolate possa prevenir ou contribuir com o tratamento do câncer, alguns estudos sugerem que ele contenha certos componentes que podem trazer benefícios à saúde.

Um dos componentes mais promissores do chocolate são os flavonóides. Estes compostos naturais encontrados nos grãos demonstraram ter propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Os antioxidantes podem ajudar a proteger as células dos danos causados ​​pelos radicais livres, que, por sua vez, podem contribuir para o desenvolvimento do câncer. Já as propriedades anti-inflamatórias podem ajudar a reduzir a inflamação no corpo, o que também pode ser um fator no desenvolvimento do câncer.

Vários estudos sugeriram que os flavonóides do cacau podem ter um efeito protetor contra o câncer. Um estudo de 2015 publicado no Journal of Nutrition descobriu que os flavonóides do cacau podem inibir o crescimento de células cancerígenas e reduzir o risco de câncer. Outro estudo publicado na revista Cancer Prevention Research descobriu que consumir flavonóides de cacau pode reduzir o risco de câncer colorretal, reduzindo a inflamação no cólon. Uma meta-análise de 2022 observou relação inversamente proporcional entre consumo de chocolate e mortalidade por doença cardiovascular e câncer.

No entanto, é importante observar que esses estudos ainda são preliminares e são necessárias mais pesquisas para confirmar os benefícios potenciais. Além disso, a maioria dos produtos de chocolate contém outros ingredientes, como açúcar e leite, que podem ter efeitos adversos à saúde quando consumidos em excesso, levando à obesidade, inflamação e, assim, aumentando o risco de câncer e piorando desfechos em pacientes já em tratamento. Saliento aqui que nenhum alimento é capaz de causar câncer por si só, mas sim, a obesidade decorrente do abuso de açúcar, farinhas e consumo excessivo de calorias.

Dessa forma, é importante consumir chocolate com moderação como parte de uma dieta balanceada. Escolher o chocolate amargo com alto teor de cacau é uma opção melhor do que o chocolate ao leite ou o chocolate branco, pois contém mais flavonóides de cacau e menos açúcar. É importante lembrar que os pacientes com câncer devem consultar seu médico e nutricionista para desenvolver um plano nutricional personalizado que leve em consideração suas necessidades e preferências individuais.

 

4 de março – Dia Mundial da Obesidade – Qual a relação da obesidade e o câncer?

Além do envelhecimento da população, o aumento na incidência de câncer provavelmente é impulsionado em parte pelo aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade. Um estudo de 2019 revelou que entre 82 fatores de risco ambientais e ocupacionais, comportamentais e metabólicos, o índice de massa corporal (IMC) alto (≥25 kg/m2) foi o terceiro principal fator de risco para morte por câncer em todo o mundo, após tabagismo e uso de álcool.

 Globalmente, a prevalência da obesidade quase triplicou desde 1975, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Afeta adultos e crianças e não apenas aqueles que vivem em países de alta renda; as taxas de obesidade aumentaram dramaticamente em países de renda média e baixa. Em crianças e adolescentes, a obesidade aumentou de 0,7 para 5,6% em meninos e de 0,9 para 7,8% em meninas em todo o mundo entre 1975 e 2016.

Recentemente, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) identificou 13 locais de câncer associados ao aumento do IMC: esôfago (adenocarcinoma); estômago (cárdia); cólon e reto; fígado; vesícula biliar; pâncreas; mama (pós-menopausa); corpo uterino; ovário; rim; meningioma; tireóide e mieloma múltiplo.

Existem vários mecanismos pelos quais a obesidade pode contribuir para o crescimento e progressão do câncer. A obesidade está associada à hiperinsulinemia sistêmica e a diferenças nos fatores de crescimento circulantes semelhantes à insulina, adipocinas, citocinas, biodisponibilidade hormonal e alterações no microbioma, todos os quais foram propostos como contribuintes para o câncer. O aumento do tecido adiposo no microambiente tumoral é uma fonte de lipídios que podem ser utilizados pelos tumores para o metabolismo e como moléculas estruturais e de sinalização. A obesidade também leva a alterações na matriz extracelular, nas células estromais adiposas e nas células imunes, criando um microambiente permissivo ao câncer. O tecido adiposo da medula óssea potencialmente contribui para cânceres hematológicos e metástases ósseas.

Apesar das fortes associações entre obesidade e câncer e da compreensão crescente dos mecanismos envolvidos, não se sabe se a perda de peso pode reduzir o risco e quais são as melhores estratégias para implementar a perda de peso sustentada. Várias intervenções de estilo de vida, que incluem componentes comportamentais, mostraram algum benefício na redução do risco de câncer. Intervenções dietéticas, como restrição calórica, jejum intermitente, jejum de curto prazo e dietas cetogênicas, estão sendo amplamente examinadas quanto aos seus efeitos sobre o câncer. Estudos pré-clínicos e clínicos de curto prazo mostram que algumas dessas estratégias são potencialmente benéficas, podem afetar os genes do ritmo circadiano e o sistema imunológico; no entanto, a sustentabilidade a longo prazo e os benefícios de tais intervenções no câncer ainda precisam ser determinados.

Intervenções farmacológicas para promover a perda de peso também são um tópico de interesse. Até o momento, o tratamento mais amplamente estudado é a metformina, embora tenha efeitos modestos na redução de peso. Em maio de 2022, foram publicados os resultados do estudo MA.32, um grande ensaio clínico prospectivo. O estudo examinou o efeito da metformina versus placebo nos resultados do câncer de mama. Apesar de uma riqueza de estudos pré-clínicos e observacionais sugerindo benefícios da metformina no câncer, o estudo foi amplamente negativo.

Novas terapias de perda de peso mais eficazes, como agonistas do receptor do peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1) e agonistas combinados do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP)/GLP-1, foram aprovadas para o tratamento da obesidade e do diabetes. No entanto, os indivíduos com histórico de câncer geralmente são excluídos dos ensaios clínicos com esses novos medicamentos para perda de peso; portanto, levará algum tempo para descobrir se essas terapias reduzem o risco de câncer e a mortalidade. É notável que um medicamento para perda de peso (locaserina) foi retirado do mercado dos EUA em 2020 devido ao aumento do risco de câncer, destacando a necessidade de avaliar cuidadosamente os medicamentos para perda de peso e seus efeitos no câncer.

Já a cirurgia bariátrica alcança uma perda de peso significativa e de longo prazo e parece ser eficaz na redução dos riscos de certos tipos de câncer. No estudo de coorte SPLENDID, publicado recentemente, a maior perda de peso decorrente da cirurgia bariátrica reduziu a incidência de câncer associada à obesidade. No entanto, de uma perspectiva global, o acesso à cirurgia bariátrica é limitado a uma pequena fração da população, portanto, pode não ser uma estratégia viável para reduzir significativamente os cânceres associados à obesidade em todo o mundo.

Ainda existem algumas lacunas de conhecimento e desafios no desenvolvimento de métodos para mitigar o câncer causado pela obesidade. Muitas questões epidemiológicas importantes precisam ser melhor compreendidas, incluindo se o risco genético de obesidade está associado ao risco de câncer, se a obesidade no início da vida contribui para o risco de câncer ou se o ganho de peso em fases específicas da vida aumenta o risco.

Dada a escalada da obesidade adulta e infantil em todo o mundo, espera-se que a proporção de câncer causada pelo excesso de gordura corporal aumente. Há, portanto, uma necessidade urgente de identificar maneiras eficientes no nível individual e social para abordar esse importante problema de saúde pública e melhorar os padrões de dieta e atividade física para reduzir o excesso de adiposidade e doenças associadas, incluindo o câncer.

 

Referências:

  1. Gallagher, E.J., LeRoith, D. Obesity and cancer. Cancer Metastasis Rev 41, 463–464. 2022.
  2. Larsson SC, Spyrou N, Mantzoros CS. Body fatness associations with cancer: evidence from recent epidemiological studies and future directions. 2022.