O Grupo SOnHe Equipe Médica Onde Atuamos Conteúdos Contato Eventos

29 de agosto -Dia Nacional de Combate ao Fumo – O mundo está ficando sem ar! Ajude-o a respirar

Desde 1986, o dia 29 de agosto foi escolhido como o Dia Nacional de Combate ao Fumo para conscientizar as pessoas dos malefícios que o cigarro traz para a saúde. O que nas décadas de 50 a 80 era considerado chique e glamoroso – pois o cigarro sempre estava nos filmes de Hollywood e nas propagandas de esportes – já logo no início da década de 1980 começou a mostrar que as consequências eram terríveis. Vários estudos já demonstravam as tragédias relacionadas ao hábito de fumar e as várias doenças relacionadas, como o enfisema pulmonar, fibrose pulmonar, câncer de pulmão, câncer de cabeça e pescoço e vários outros tipos de câncer. Mas, infelizmente, o cigarro já era usado por um enorme número de pessoas no mundo e com a altíssima dependência que a nicotina causava, o planeta já começava a ficar com dificuldade de respirar, asfixiado. Eram necessárias ações rápidas e eficazes para alertar as pessoas.

 O cigarro é a maior causa de morte, de doença e de empobrecimento no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima para 2023 mais de 8 milhões de mortes por doenças causadas pelo hábito de fumar. Desses, cerca de 1,2 milhões são tabagistas passivos. Só no Brasil, são cerca de 430 mortes por dia relacionadas ao tabagismo. Mais de 170 mil mortes ao ano.

No mundo, são 1,1 bilhão de tabagistas e 80% deles estão em países de baixa ou média renda, onde os impactos do cigarro são ainda maiores. As pessoas que morrem prematuramente pelo cigarro, diminuem a renda de suas famílias, aumentam os gastos públicos com saúde e atrasam o desenvolvimento econômico, sem falar na parte social e emocional da perda de um familiar. O cigarro mata metade de seus usuários.

 São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. É a maior causa evitável de morte e disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer. Está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente, em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 2 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,7 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. É ainda o principal fator relacionado a doenças respiratórias como asma, bronquite, enfisema pulmonar. Está associado a impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades.

Os pacientes que fumam têm em média 14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, está cada vez mais claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também tem mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. E as crianças são as mais atingidas pelo tabagismo passivo. Cerca de metade das crianças no mundo estão expostas e respiram o ar contaminado pela fumaça do cigarro. E são elas que mais sofrem com problemas pulmonares, especialmente as mais novas. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são de fumantes passivos. O impacto na economia é de mais de US$ 56 bilhões ao ano, com tratamentos de doenças tabaco correlacionadas e com a perda precoce de vidas.

 

Por que é tão viciante?

A nicotina contida no cigarro atinge rapidamente o cérebro e, em menos de 10 segundos, libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, o cigarro é tão viciante e um hábito difícil de abandonar.  Daquelas pessoas que desejam abandonar o vicio menos de 5% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

Por outro lado, alguns benefícios de parar de fumar são imediatos: em 20 minutos o ritmo cardíaco e a pressão arterial baixam; em 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue cai para o normal; de duas a 12 semanas, a circulação sanguínea melhora e a função pulmonar aumenta; entre um a nove meses, a tosse e a falta de ar diminuem; em um ano, o risco de desenvolver uma doença coronariana cai pela metade (em relação a um fumante); entre cinco  e quinze anos, o risco de ter um acidente vascular cerebral é reduzido ao de um não fumante; em 10 anos, o risco de câncer de pulmão cai para cerca de metade em relação a um fumante e o risco de câncer de boca, garganta, esôfago, bexiga, colo do útero e pâncreas também diminui.

Na tentativa de diminuir o tabagismo e com isso as doenças a ele relacionadas, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Nesse contexto, o Brasil ganhou lugar de destaque ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as 6 medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram   treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita.

Outras medidas importantes foram o aumento de impostos sobre os cigarros, que chegaram a 83%, em 2018, a proibição de  propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população, em 1989, e 10%, atualmente), o que ainda corresponde a mais de 20 milhões de tabagistas.

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais. No entanto, isso não é verdade. Alguns deles, como narguilé, são ainda mais nocivos.

 

Cigarro eletrônico

O cigarro eletrônico tem servido de porta de entrada para os mais jovens no vício. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida, o que não impede o acesso fácil) e no mundo.  De acordo com relatório divulgado em maio de 2022 pelo sistema Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, pelo menos um a cada cinco jovens de 18 a 24 anos usa cigarros eletrônicos no Brasil. Do mesmo modo, a última pesquisa Covitel, desenvolvida pela organização global de saúde pública Vital Strategies e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), mostra que os adultos jovens apresentaram as maiores prevalências de experimentação de cigarro eletrônico (19,7%) e de narguilé (17%), no país, no ano passado. O consumo desses produtos é considerado modismo no Brasil e segue o comportamento observado em outros países, como Estados Unidos e Reino Unido, onde é permitida a comercialização.

Estudo recente, divulgado no fim de junho pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), informa que as vendas mensais de cigarros eletrônicos aumentaram 46,6%, passando de 15,5 milhões de unidades, vendidas em janeiro de 2020, para 22,7 milhões, em dezembro de 2022 naquele país. Esse incremento considera somente as vendas de varejo, excluindo o comércio online. Seus efeitos deletérios ainda não são completamente conhecidos, mas o Centro de Controle de Doenças dos EUA já divulgou várias mortes associadas diretamente ao uso do cigarro eletrônico.

Por isso, o dia 29 de agosto foi escolhido como Dia Nacional de Combate ao Cigarro, para orientar e reforçar junto à população as consequências sociais, políticas e econômicas do habito de fumar e chamar a atenção para os malefícios e danos causados a saúde de quem fuma ou convive com quem fuma. Vamos alertar a todos sobre a importância de abandonar o cigarro e para aqueles que realmente desejam parar, fica a orientação de procurar um profissional da área da saúde, seja no SUS, ou no ambiente privado, para obter auxílio contra esse que é, sem dúvida, o maior vilão da humanidade.

 

 

Melanoma: O bicho-papão dos cânceres de pele

O câncer de pele é a neoplasia mais frequente no Brasil e corresponde a 30% de todos os tumores malignos. Como a pele é heterogênea, o câncer de pele pode apresentar tumores de diferentes linhagens. Os mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermoide.

O melanoma representa 4% de todos os tumores de pele, mas é o mais agressivo por ter alta possibilidade de metástases (se espalhar pelo corpo). O melanoma se origina nos melanócitos, células da pele que produzem melanina, substancia que determina a cor da pele. É mais comum em adultos de pele branca, após os 40 anos e pode acometer qualquer local da pele ou mucosas, além de raramente, ocorrer na coroide, estrutura que fica dentro dos olhos. Nos indivíduos de pele negra o melanoma é mais comum nas áreas mais claras como palmas das mãos e plantas dos pés.       

No Brasil, os dados do INCA, estimam cerca de 9.000 casos novos em 2023 com 2.000 mortes no ano. Sendo as maiores incidências nos estados das regiões Sudeste e Sul. 

Há pouco tempo, os tratamentos contra o melanoma eram pouco eficazes e muito tóxicos com a quimioterapia sendo quase a única opção. A mudança ocorreu em 2010, com a apresentação dos resultados do primeiro estudo com imunoterapia, com uma medicação chamada Ipilimumab. Resumindo: uma medicação que conseguia ativar o nosso sistema imunológico permitindo ao próprio organismo “enxergar” melhor as células tumorais e, assim, ativar os linfócitos (nossas células “soldados”) para atacar o câncer. Hoje, existem vários outros medicamentos com mecanismos de ação parecidos, além do ANTI-CTLA4, temos os ANTI- PD1, ANTI-PDL1, ANTI -LAG, e outros vem surgindo, além da possibilidade de combinação com esses agentes. Foi uma mudança de paradigma na Oncologia.           

O aparecimento do melanoma

O desenvolvimento do melanoma também pode estar relacionado à ativação de um gene chamado BRAF. Este gene deveria estar desativado (como um interruptor que deveria estar desligado), mas que em algum momento se ativa (se liga!), ocasionando a proliferação de células tumorais e crescimento do tumor. Cerca de30 % dos pacientes com melanoma tem mutação do BRAF. Para aqueles pacientes que tem essa mutação, existem medicamentos que são inibidores de BRAF, portanto, que tentam frear a ação desse gene.

Mas, investir em prevenção ainda é o caminho mais eficiente, visto que o melanoma é um câncer associado à exposição solar e, portanto, pode ser, na maioria das vezes, prevenido. O uso recorrente de protetor solar, que deve ser passado diariamente e repassado a cada 2-3 horas, mesmo em dias pouco ensolarados. Uso de roupas mais longas, chapéus e evitar o sol nos períodos de maior incidência de radiação UV, entre as 9h e 16h são medidas simples que podem evitar um dos piores tipos de câncer. 

Diagnóstico precoce

Outra coisa muito importante é o diagnóstico precoce. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor o tumor, maiores as chances de cura. Para isso, é importante a visita regular a um dermatologista, especialmente para aquelas pessoas de pele clara ou com manchas crônicas pelo corpo. Mas cada pessoa também pode examinar e observar sua pele e suas manchas. 

Pode-se usar a regra do ABCDE para alertar sobre as manchas que devem ser melhor observadas: A= assimetria | B =bordas irregulares | C= cores de vários tons e heterogêneas | D=diâmetro maior 6mm | E=evolução com crescimento ou mudanças de aspecto.  Manchas ou lesões de pele que tenham essas características devem ser avaliadas por um dermatologista.

O melanoma é um dos tumores mais agressivos! Deve-se investir em prevenção e diagnóstico precoce. O tratamento ganhou, nos últimos anos, importantes medicamentos de grande eficácia, mas também de alto custo, sendo muitos deles não disponíveis no SUS. Todas as pessoas devem sempre examinar o próprio corpo em busca de manchas que tenham características de alerta.  O melanoma continua sendo o bicho-papão dos tumores de pele e talvez de todos os tumores.

 

Para o combate ao câncer, é preciso caminhar junto!

André Deeke Sasse – CRM 91.384

 e Vinícius Conceição – CRM 120.034

O dia 8 de abril é lembrado no mundo todo como Dia Mundial de Combate ao Câncer. Como oncologistas clínicos, nunca nos sentimos à vontade em usar expressões como combate, luta, guerra ou batalha. Ao diagnosticar um paciente, buscamos alertá-lo sobre os caminhos que vamos percorrer juntos ao longo do tratamento da doença. Falamos da jornada, das dificuldades, dos acertos, dos dias bons e dos dias ruins que virão pela frente. Nunca é simples ou fácil, mas sempre é possível.

Os números relacionados ao câncer impressionam, seja pela abrangência e aumento de casos, seja pelos altos custos envolvidos na busca de melhores tratamentos. O Brasil deve diagnosticar entre 2023 e 2025 mais de 700 mil casos da doença por ano. As regiões Sul e Sudeste concentram 70% da incidência. O câncer de pele não melanoma ainda é o mais comum no país, representando 31,3% da incidência, seguido pelos cânceres de mama (10,5%), próstata (10,2%), cólon e reto (6,5%) e pulmão (4,2%).

O câncer é uma das principais causas de morte em todo o mundo, sendo responsável por 10 milhões em 2019. A incidência do câncer e a mortalidade estão aumentando em todo o mundo e esse crescimento reflete o envelhecimento da população global e a atuação de fatores de risco, como uso de tabaco, álcool, dieta pouco saudável, inatividade física e poluição do ar.

Um artigo publicado no Jama Oncology, em fevereiro de 2023, mostra as estimativas e projeções do custo econômico global de 29 cânceres em 204 países e territórios de 2020 a 2050. O custo econômico global estimado do câncer de 2020 a 2050 é de US$ 25,2 trilhões, equivalente a um imposto anual de 0,55% sobre o produto interno bruto global. Os 5 tipos de câncer com maior custo econômico são o câncer de traqueia, brônquios e pulmão (15,4%); câncer de cólon e reto (10,9%); câncer de mama (7,7%); câncer de fígado (6,5%); e leucemia (6,3%). A China e os EUA enfrentam os maiores custos econômicos do câncer em termos absolutos, respondendo por 24,1% e 20,8% da carga global total, respectivamente.

Embora 75,1% das mortes por câncer ocorram em países de baixa e média renda, sua participação no custo econômico do câncer é menor em 49,5%. O que significa que o custo econômico do câncer é distribuído de forma desigual entre os tipos da doença, países e regiões. No Brasil, os encargos macroeconômicos anuais de 2020 a 2050 representaram 0,26% do PIB. A perda de produtividade, relacionada ao capital humano, representa 0,24%, do PIB total de 2020 a 2050.

O Estudo apresentado no JAMA reforça que investir em intervenções eficazes de saúde pública para reduzir os gastos com câncer é essencial para proteger a saúde global e o bem-estar econômico. O que o estudo chama de intervenção, nós, do Grupo SOnHe, chamamos de filosofia. Como oncologistas clínicos, acreditamos que a relação médico-paciente seja fundamental tanto na prevenção quanto no tratamento do câncer.  Precisamos de investimento em pesquisa médica para reduzir a incidência, prevalência e mortalidade do câncer, bem como em pesquisa, para identificar intervenções de saúde pública com boa relação custo-benefício. Devemos fortalecer a atenção primária e facilitar a inclusão de programas de rastreamento de câncer com boa relação custo-benefício nos pacotes de benefícios do seguro e adotar formas inovadoras de prestação de cuidados de saúde. E essas devem ser as nossas lutas!

 

André Sasse é oncologista e CEO do Grupo SOnHe. Formado em Medicina e com residência em Oncologia Clínica pela Unicamp. É diretor médico do Radium e coordenador da oncologia dos Hospitais Madre Theodora, Santa Tereza e PUC-Campinas.

Vinícius Conceição é oncologista e sócio do Grupo SOnHe. Formado em Medicina e com residência em Oncologia Clínica pela Unicamp. Tem título de especialista em Cancerologia e Oncologia Clínica pela Sociedade brasileira de Oncologia.

 

 

 

29 de agosto: Dia Nacional de Combate ao Fumo

O tabagismo como vício vem acometendo a humanidade há mais de 200 anos

O tabagismo como vício vem acometendo a humanidade há mais de 200 anos. Já passou por diferentes fases, desde seu uso pelos povos pré-colombianos, na América Central, ou em rituais indígenas, na América do Sul, até sua exploração comercial na Europa durante a Revolução Industrial e sua banalização pela indústria cinematográfica de Hollywood, nas décadas de 80 e 90. Fato é que o cigarro se tornou popular e também o maior inimigo do ser humano, sendo o grande responsável por mortes evitáveis em todo mundo.

A partir do final da década de 90, com o entendimento dos mecanismos deletérios do cigarro no corpo humano e sua clara associação com dezenas de doenças cardiovasculares, respiratórias e neoplásicas, iniciou-se no mundo inteiro um movimento na tentativa de inibir e dificultar o seu uso. São mais de 4.000 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 50 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância em cânceres de pulmão, cabeça e pescoço e bexiga. Além disso é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial). Além de diversas outras doenças respiratórias.

As pessoas que fumam têm em média 14 anos menos de expectativa de vida em relação as que não fumam. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para 7 milhões de mortes ao ano por doenças causadas pelo cigarro, sendo 12% dessas mortes em fumantes passivos. Só no Brasil são 400 mortes por dia pelo tabaco, o que causa um impacto gigantesco na saúde e na economia, visto que muitas pessoas atingidas são jovens e economicamente ativas, além de um grande custo para o sistema de saúde pública, com gastos bilionários em tratamentos de doenças relacionadas ao tabaco.

Na tentativa de diminuir o tabagismo e com isso as doenças a ele relacionadas, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Nesse contexto, o Brasil ganhou lugar de destaque ao conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita, por exemplo, com a disponibilização de medicações como a bupropiona.

Além disso, foi disponibilizada uma linha telefônica para as pessoas tirarem dúvidas sobre o tabagismo, houve aumento dos impostos que chegaram a 83%, em 2018; as propagandas foram proibidas em televisão e revistas, tornou-se obrigatório estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do cigarro e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% em 2017).

O Brasil, ao lado de Turquia, tornou-se referência ao mundo no combate ao cigarro, sendo o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) que são: monitorar o uso do tabaco e as políticas de prevenção, proteger as pessoas contra o tabagismo, oferecer ajuda para parar de fumar, avisar sobre os perigos do tabaco, aplicar proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco e aumentar os impostos sobre o tabaco.

A redução do tabagismo vem acontecendo, no Brasil em todas as faixas etárias, com redução de 50% entre os jovens com menos de 30 anos e também redução de 44% entre as mulheres. Segundo o INCA, mais de 1,5 milhão de pessoas fizeram tratamento na rede pública para parar de fumar nos últimos 10 anos.

Mas ainda não foi possível acabar completamente com esse vício. Dados mostram que as capitais onde mais se fuma são Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, enquanto Salvador, São Luiz e Belém são as que tem menos fumantes. O Brasil ocupa hoje o 34º lugar entre os países que mais fumam em um ranking que engloba 149 nações.

Em paralelo à diminuição do tabaco, vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo o uso dos cigarros eletrônicos, cujos os efeitos deletérios ainda são desconhecidos. Em 2018, mais de 3,5 milhões de estudantes do ensino médio nos EUA disseram já ter experimentado o cigarro eletrônico. O Centro de Controle de Doenças dos EUA acabou de divulgar a morte de um morador e Illinois como potencial primeiro caso – do mundo – de morte associada diretamente ao uso do cigarro eletrônico. Por isso, o combate ao cigarro ganha novos inimigos que não podem ser esquecidos.

O Brasil tem o audacioso objetivo de se tornar o primeiro país do mundo livre do tabaco. E, por isso, o dia 29 de agosto ganha importância como o Dia Nacional de Combate ao Fumo para lembrar que essa guerra ainda terá vários capítulos e a atenção nunca deverá ser diminuída no intuito de manter o Brasil na rota do combate ao cigarro.

 

 

Melanoma: o câncer cujo tratamento revolucionou a Oncologia

O câncer de pele é a neoplasia mais frequente no Brasil e corresponde a 30% de todos os tumores malignos. Como a pele – maior órgão do corpo humano – é heterogênea, o câncer de pele pode apresentar tumores de diferentes linhagens. Os mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermoide.

O melanoma representa 3% de todos os tumores de pele, mas é o mais agressivo por ter alta possibilidade de dar metástases (se espalhar pelo corpo). O melanoma se origina nos melanócitos, células da pele que produzem melanina, substancia que determina a cor da pele. É mais comum em adultos após os 40 anos e brancos e pode acometer qualquer local da pele ou mucosas, além de raramente poder ocorrer na coroide, estrutura que fica dentro dos olhos. Nos indivíduos de pele negra o melanoma é mais comum nas áreas mais claras como palmas das mãos e plantas dos pés.

No Brasil, os dados do INCA, estimam mais de 8.000 casos novos ao ano, com quase 2.000 mortes por ano. São as estimativas mais recentes. No passado, o melanoma metastático já foi considerado um dos tumores mais difíceis de tratar por conta de sua baixa resposta à quimioterapia e à radioterapia. As chances de se curar e de ter uma vida com boa qualidade, usando a quimioterapia, eram muito baixas. E até pouco tempo não haviam outros tratamentos eficazes.

Essa história começou a mudar quando, em 2010, no maior congresso de Oncologia do mundo, realizado em Chicago – EUA, foi apresentando os resultados do primeiro estudo com uma medicação chamada Ipilimumab, uma imunoterapia, com mecanismo de ação conhecido como um inibidor de checkpoint imunológico, nesse caso um Anti-CTLA4. Resumindo: uma medicação que conseguia ativar o nosso sistema imunológico permitindo ao próprio organismo “enxergar” melhor as células tumorais e, assim, ativar os linfócitos (nossas células “soldados”) para atacar o câncer. Foi a primeira vez na história que uma medicação mostrou em estudos a capacidade de aumentar o tempo de vida das pessoas com diagnóstico de melanoma metastático.

Isso foi uma revolução no tratamento do melanoma, mas também no tratamento de praticamente todos os outros tumores. A imunoterapia, hoje, é usada em vários momentos e para vários tipos de câncer e trouxe uma expectativa que até então era quase inimaginável: curar pacientes com tumores que já se espalharam pelo corpo. Claro que nem todos pacientes se beneficiam deste tratamento. Mas a possibilidade de estacionar a doença e de curar doenças avançadas foi possível apenas com a imunoterapia.

Hoje, existem vários outros medicamentos com mecanismos de ação parecidos, além do ANTI-CTLA4, temos os ANTI- PD1, ANTI-PDL1, e outros vem surgindo, além da possibilidade de combinação com esses agentes. Foi uma mudança de paradigma na Oncologia e trouxe esperanças para as pessoas acometidas por tumores avançados como melanoma, pulmão, rim, bexiga, cabeça e pescoço, estômago e vários outros.

Mas as revoluções não pararam na Imunoterapia. Um outro grupo de medicamentos chamados de inibidores de tirosina kinase, medicamentos orais que são direcionados contra alguns grupos de genes, também transformaram o tratamento do melanoma.

O desenvolvimento do melanoma pode estar relacionado à ativação de um gene chamado BRAF. Este gene deveria estar desativado (como um interruptor que deveria estar desligado), mas que em algum momento se ativa (se liga!), ocasionando a proliferação de células tumorais e crescimento do tumor. Nem todos os melanomas tem a ativação desse gene.

Cerca de 50-60% dos pacientes com melanoma e que tem idade menor de 60 anos, tem mutação do BRAF, isso cai para cerca de 20% nos pacientes com mais de 70 anos. Mas para aqueles pacientes que tem melanoma e tem essa mutação, existem medicamentos que são inibidores de BRAF, portanto, que tentam frear a ação desse gene. E estes medicamentos mostraram imensa eficácia.

Essas duas classes de drogas mudaram o tratamento na Oncologia e em especial no melanoma. A terapia-alvo, funciona para aqueles pacientes que tem mutação do BRAF, enquanto a imunoterapia pode funcionar para quem tem ou não a mutação. Esses medicamentos já foram aprovados no Brasil, pela Anvisa, e já passaram por todos os testes e estudos necessários e confirmaram serem eficazes.

Infelizmente, em um país tão desigual e com acesso a saúde também tão desigual, aquelas pessoas que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS), não têm acesso a essas drogas. São medicamentos extremamente caros e que não foram incorporados no SUS. Portanto, essas medicações só estão ao alcance de pacientes que tenham planos de saúde (a maioria dessas medicações são de cobertura obrigatória pelos planos ou para quem possa pagar por eles, mas lembrando que estamos falando de tratamentos que podem chegar a mais de R$ 40 mil por mês).

Portanto, essas novas terapias trouxeram novas esperanças, como chance real de controle e até cura de um câncer muito avançado. Mas nos trouxeram também diversas reflexões e desafios: como equalizar o sistema e permitir que aquelas pessoas que dependem do SUS possam ter acesso a um tratamento tão caro?  Não existe ainda uma resposta e uma fórmula para resolver esse dilema. Não é uma questão apenas vivenciada no Brasil. Mesmo países ricos têm dificuldade em suportar o custo destes tratamentos na saúde pública e essa discussão depende efetivamente da participação de todos: pacientes, médicos, governo, indústria farmacêutica, para definir como gerir melhor os recursos e permitir que mais pacientes sejam beneficiados. Enquanto isso, infelizmente muitos pacientes ainda dependem da quimioterapia para seu tratamento do melanoma, o que já mostrou baixa eficácia e maior toxicidade.

O melanoma certamente é o câncer com maiores ganhos com a imunoterapia e terapia-alvo. Mas, ao mesmo tempo, também é o câncer com maior desigualdade de tratamento entre o serviço de saúde público e privado.

 

Onde há fumaça, há fogo!

O dia 29 de agosto é marcado como Dia Nacional de Combate ao Fumo, desde 1986, quando foi criado pela Lei 7.480, com o objetivo de alertar e chamar a atenção da sociedade para as implicações sanitárias, sociais e econômicas que esse terrível hábito pode trazer para nossas vidas. O tabagismo é a maior causa evitável de adoecimento e morte em todo mundo, sendo responsável por mais de 7,5 milhões de mortes ao ano em todo planeta e mais de 200 mil mortes ao ano somente no Brasil. São mais de 400 mortes ao dia no país relacionadas às doenças provocadas pelo cigarro. Portanto, estamos falando de uma pandemia global, silenciosa e sorrateira, que existe há várias décadas e somente nos últimos anos começou realmente a ser enfrentada.

Além do cigarro, grave problema de saúde pública, desde final de 2019, o mundo vive um dos momentos mais dramáticos da sua história com o surgimento e explosão do SARS-CoV-2. Nada ocupou mais o noticiário e nossas vidas nos últimos meses do que essa crise sanitária que vem mudando nossa forma de nos relacionar. Já foram mais de 560 mil mortes no Brasil por COVID-19 desde o início da pandemia e mais de 4 milhões de mortes no mundo. Ainda assim, como já dito, o cigarro mata por ano quase o dobro do que o número de vítimas causadas pela COVID-19 em quase 2 anos.

O tabaco, que já era usado pelas tribos indígenas na América do Sul em tempos remotos e depois como planta medicinal quando chegou à Europa, Ásia e África levada pelos colonizadores, ganhou proporções comerciais com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo. A partir das duas grandes Guerras Mundiais, o uso de tabaco na forma de cigarro começou a se popularizar. Hoje, o consumo de cigarros e outros dispositivos como charutos, narguilés e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos faz parte do cotidiano de milhões de pessoas, de todas as idades, todas as culturas e classes sociais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta para 2021, um aumento no número de mortes, direta ou indiretamente relacionadas ao tabagismo. São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. O cigarro é tão prejudicial e viciante, que a nicotina nele contida atinge rapidamente o cérebro e, em menos de 10 segundos, libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, é um habito difícil de abandonar. Daquelas pessoas que desejam largar o vício, menos de 10% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente, em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda: cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,6 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas, muitas vezes, ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. Cerca de 2 milhões de pessoas morrem ao ano por doenças cardíacas provocas pelo cigarro. O cigarro aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas, miocardites e de mortes súbitas.

O cigarro e a COVID-19

O cigarro é, ainda, o principal fator relacionado às doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema pulmonar.  E, nesse caso, não tem como não associar o cigarro à COVID-19. É inegável que a “pandemia” do cigarro agrava a doença causada pelo coronavírus. Logo no início da pandemia, em 2020, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, haviam constatado que as chances de progressão da doença e de óbitos entre fumantes eram 14 vezes maiores do que em não fumantes.

O cigarro provoca uma inflamação crônica nos pulmões, causando distúrbios pulmonares graves, além de – sabidamente – reduzir a imunidade de quem fuma.  Se o coronavírus provoca pneumonia e afeta os pulmões, é claro que o dano é maior naqueles pacientes que já tem comprometimento do tecido pulmonar causado pelo tabaco. Portanto uma parcela das pessoas que morreram pela COVID-19, indiretamente, são vítimas do cigarro.  .

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Stanfort, na primeira fase da pandemia, mostrou que jovens que usam cigarros eletrônicos tinhas de 5 a 7 vezes mais risco de terem COVID-19, provavelmente por conta dos danos pregressos das vias aéreas.

Os mesmos malefícios causados pelo cigarro no indivíduo, que demoram anos para aparecer, são uma avalanche com o vírus, que desencadeia essas mesmas alterações, mas em questão de dias. É uma doença inflamatória pulmonar grave com insuficiência respiratória alterando todo o sistema de coagulação, fazendo com que os indivíduos tenham trombose, tendo complicações isquêmicas e hemorrágicas, assim como acontece com quem fuma ao longo de anos, com um fator de agressão extremamente elevado”.

Muitas outras complicações

O uso do tabaco está associado, ainda, à impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades. Os pacientes que fumam têm, em média ,14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, é muito claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são em fumantes passivos.

Não podemos esquecer dos impactos econômicos, com perdas de mais de R$ 60 bilhões ao ano, considerando o que as pessoas doentes ou que morreram, deixaram de produzir, e os custos diretos e indiretos com tratamentos das doenças causadas pelo habito de fumar. O que se arrecada com impostos relativos à venda de cigarros não ultrapassa os R$ 13 bilhões ao ano, mostrando haver um grande desbalanço financeiro.

Por todos esses problemas Brasil vem implementando há muitos anos uma série de medidas para diminuir o número de dependentes ao cigarro no país.  O Brasil ganhou lugar de destaque no combate ao fumo ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS, chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir, de forma consistente, o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem gratuitamente pacientes tabagistas no SUS.

Outras medidas importantes foram: o aumento de  impostos sobre os cigarros que chegaram a 83% em 2018, a proibição de  propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% atualmente), e em todas as faixas etárias. Contudo, ainda temos mais de 20 milhões de tabagistas.

Ameaças aos progressos

Grande problema é que, no ano passado, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que 34% dos fumantes no Brasil declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia. Trata-se de um crescimento associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas em meio ao isolamento social. Além disso a forma de compra e obtenção de cigarro durante a pandemia de COVID-19, foi facilitada através de aplicativos de entrega que muitas vezes nem conferem a idade do comprador.

Narguilés e, mais recentemente os cigarros eletrônicos, também estão se tornando cada vez mais populares entre os jovens que defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais.  No entanto, isso não é verdade.

Alguns deles, como o narguilé, são ainda mais nocivos e o cigarro eletrônico, embora em geral não contenham nicotina, vem se mostrando um grande perigo. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo.  O cigarro eletrônico está associado a danos irreparáveis ao pulmão e a um pior prognóstico nos pacientes que contraem COVID-19.

Por isso, apesar de várias conquistas nos últimos anos – em especial no Brasil – na direção da diminuição no número de tabagistas, existem indícios e perigos recentes que estão ameaçando este progresso. Temos que nos atentar a estes sinais para interromper essa cadeia de prejuízos físicos, psicológicos, sociais e econômicos para nossa sociedade. Como tido na “boca popular”, onde há fumaça, há fogo, e esse fogo pode queimar e destruir uma vasta riqueza física, psicológica, social e econômica. Nós, do Grupo SOnHe, trabalhamos para trazer informações de qualidade e relevantes para nossos pacientes e população em geral, sempre com foco na melhora da qualidade de vida de todos.

 

O mundo asfixiado

Desde final de 2019, o mundo vive um dos momentos mais dramáticos da sua história com o surgimento e explosão do Sars CoV-2. Nada ocupou mais o noticiário e nossas vidas nos últimos meses do que essa crise sanitária que vem mudando nossa forma de se relacionar, interagir e viver. Já foram mais de 400 mil mortes no Brasil por COVID-19 desde o início da pandemia e mais de 3 milhões de mortes no mundo. Mas, ainda assim, temos que lembrar de outra pandemia, que atravessa séculos, e que mata sozinha mais de 7,5 milhões de pessoas ao ano. É mais do que o dobro de mortes causadas pela COVID-19, e isso vem acontecendo ano após ano, causando um impacto monstruoso na nossa sociedade. Estamos falando do tabagismo.

O tabaco já era usado pelas tribos indígenas na América do Sul, quando os colonizadores europeus aqui chegaram. Os indígenas acreditavam que a fumaça tinha poderes mágicos e terapêuticos. Depois com as colonizações portuguesas na África e Ásia, o tabaco chegou a todos os continentes. Durante os séculos XVI e XVII, o tabaco era usado basicamente para fins médicos. Achava-se que combatia a ansiedade e melhorava a atenção, mas com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, o habito de fumar tornou-se constante. A partir das duas grandes Guerras Mundiais, o uso de tabaco na forma de cigarro começou a se popularizar.

A partir do século XX, o uso do cigarro atingiu níveis epidêmicos. Mas foi apenas no final dos anos 80, que os efeitos negativos do cigarro se tornaram mais conhecidos e evidentes. E, então, pudemos entender os estragos e cicatrizes que esse problema trouxe à humanidade. O cigarro é a maior causa evitável de morte no mundo todo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera para 2021, algo próximo de 8 milhões de mortes em todo mundo por doenças causadas pelo hábito de fumar. Só no Brasil são cerca de 430 mortes ao dia relacionadas ao tabagismo, cerca de 160 mil mortes ao ano.

São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,6 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas, muitas vezes, ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. Em 29 de setembro (Dia Mundial do Coração) de 2020, a OMS divulgou que 2 milhões de pessoas morrem ao ano por doenças cardíacas provocas pelo cigarro. O cigarro aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, de arritmias cardíacas, miocardites e de mortes súbitas.

O cigarro é, ainda, o principal fator relacionado a doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema pulmonar. E nesse caso, não tem como não associar o cigarro com a COVID-19. É inegável que a “pandemia” do cigarro agrava a COVID-19. Logo no início da pandemia, em 2020, a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT/OMS) informou que pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, haviam constatado que as chances de progressão da doença e de óbitos entre fumantes eram 14 vezes maiores do que em não fumante.

O cigarro provoca uma inflamação crônica nos pulmões, causando distúrbios pulmonares graves, além de sabidamente reduzir a imunidade de quem fuma. Se o coronavírus provoca pneumonia e afeta os pulmões, é claro que o dano é maior naqueles pacientes que já tem comprometimento do tecido pulmonar causado pelo tabaco. Portanto, uma parcela das pessoas que morreram em decorrência da COVID-19, indiretamente são vítimas do cigarro.

De acordo com boletim informativo do Ministério da Saúde, desde a primeira contaminação notificada no Brasil até a 53ª semana epidemiológica, período que compreendeu de 27 de dezembro de 2020 a 02 de janeiro de 2021, 191.552 óbitos em decorrência da COVID-19 haviam sido registrados, sendo que 42% das vítimas eram cardiopatas (lembrando que o cigarro é a segunda maior causa de doenças cardiovasculares) e 6% tinham problemas crônicos pulmonares. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Stanfort, na primeira fase da pandemia mostrou que jovens que usam cigarros eletrônicos tinhas de 5 a 7 vezes mais risco de terem COVID-19, provavelmente em razão dos danos pregressos das vias aéreas.

Uma analogia feita por Jaqueline Scholz, cardiologista e diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor, do Hospital das Clínicas da USP exemplifica bem essa relação do cigarro com a COVID-10. “A COVID-19 é um cigarro mais apressado. Os mesmos malefícios que o cigarro causa no indivíduo, que demoram anos para aparecer, são uma avalanche com o vírus, que desencadeia essas mesmas alterações, mas em questão de dias. É uma doença inflamatória pulmonar grave com insuficiência respiratória, alterando todo o sistema de coagulação, fazendo com que os indivíduos tenham trombose, tendo complicações isquêmicas e hemorrágicas, assim como acontece com quem fuma ao longo de anos, com um fator de agressão extremamente elevado”.

O uso do tabaco esta associado, ainda, a impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades. Os pacientes que fumam têm, em média,14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, é muito claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são em fumantes passivos.

Tudo isso traz um grande impacto não apenas nas vidas daquelas pessoas que perderam entes queridos por conta do cigarro, mas também impacto na economia com perdas de mais de R$ 60 bi ao ano (considerando o que as pessoas doentes ou que morreram, deixaram de produzir e os custos diretos e indiretos com tratamentos das doenças causadas pelo habito de fumar. O que se arrecada com impostos com a venda de cigarros não ultrapassa os R$ 13 bi ao ano, mostrando haver um grande desbalanço nessa equação.

O cigarro é tão prejudicial e viciante, que a nicotina nele contida atinge rapidamente o cérebro e em menos de 10 segundos libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, é um hábito difícil de abandonar. Daquelas pessoas que desejam abandonar o vício menos de 10% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

Na tentativa de diminuir, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Neste contexto, o Brasil ao lado da Turquia, ganhou lugar de destaque ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratar pacientes tabagistas no SUS, de forma gratuita.

Outras medidas importantes foram o aumento de impostos sobre os cigarros que chegaram a 83%, em 2018, a proibição de propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população, em 1989, e 10%, atualmente) em todas as faixas etárias; mas ainda temos mais de 20 milhões de tabagistas.

O grande problema é que, em agosto de 2020, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que 34% dos fumantes no Brasil declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia, um crescimento associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas em meio ao isolamento social. Além disso, a forma de comprar e obter o cigarro foi ainda mais facilitada na pandemia de COVID-19. As pessoas podem comprar e solicitar o cigarro por meio de aplicativos como iFood, Rappi e James, ter o produto entregue em casa e, na maioria das vezes, sem a verificação da idade do comprador.

Estima-se que um terço da população adulta mundial seja tabagista, principalmente em países como China, Rússia e em países europeus. Destes, acredita-se que 60% desejam parar de fumar, mas não conseguem e não tem assistência para isso. Além disso, o hábito de fumar começa cedo, geralmente antes dos 20 anos, o que mostra a importância de orientar e alertar os jovens para os danos causados pelo tabaco

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e mais recentemente os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais. No entanto, isso não é verdade. Algumas delas, como o narguilé por exemplo, são ainda mais nocivos, e o cigarro eletrônico, embora em geral não contenham nicotina, vem se mostrando um grande perigo. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo. O cigarro eletrônico está associado a danos irreparáveis ao pulmão e a um pior prognóstico nos pacientes que contraem COVID-19.

Por isso, o dia 31 de maio foi escolhido, em 1987 pela OMS como Dia Mundial Sem Tabaco, para orientar e reforçar junto à população as consequências sociais, políticas e econômicas do hábito de fumar e chamar a atenção de todos para os malefícios e danos causados a saúde de quem fuma ou convive com quem fuma. O mundo esta asfixiado e sem oxigênio, mas isso não vem apenas da pandemia de COVID-19. A pandemia de tabaco é maior, mais duradoura e mata muito mais do que qualquer outra e está na hora de começarmos a respirar e viver melhor!

Respire essa ideia: pare de fumar!

O cigarro é a maior causa evitável de morte no mundo todo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera para 2020 mais de 7,5 milhões de mortes em todo mundo por doenças causadas pelo hábito de fumar. Só no Brasil são cerca de 428 mortes ao dia relacionadas ao tabagismo, cerca de 157 mil mortes ao ano.

São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente, em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo com 1,6 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas muitas vezes ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. É ainda o principal fator relacionado às doenças respiratórias como asma, bronquite, enfisema pulmonar. Está associado a impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades,

Os pacientes que fumam têm, em média, 14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, está cada vez mais claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são em fumantes passivos. O impacto na economia é de mais de 56 bilhões ao ano, com tratamentos de doenças tabaco correlacionadas e com a perda precoce de vidas.

A nicotina contida no cigarro atinge rapidamente o cérebro e em menos de 10 segundos libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, o cigarro é tão viciante e um hábito difícil de abandonar.  Daquelas pessoas que desejam abandonar o vício, menos de 5% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

Na tentativa de diminuir o tabagismo e com isso as doenças a ele relacionadas, vários países passaram a adotar medidas que estimulam o abandono do cigarro e outras que evitam o início do tabagismo. Nesse contexto, o Brasil – ao lado da Turquia – ganhou lugar de destaque ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratar pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita.

Outras medidas importantes foram o aumento de impostos sobre os cigarros (que chegaram a 83% em 2018), a proibição de propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostram os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% atualmente), o que ainda corresponde a mais de 20 milhões de tabagistas.

Estima-se que um terço da população adulta mundial seja tabagista, principalmente em países como China, Rússia e em países europeus. Destes acredita-se que 60% desejem parar de fumar, mas não conseguem e não têm assistência para isso. Além disso, o habito de fumar começa cedo, geralmente antes dos 20 anos, o que mostra a importância de orientar e alertar os jovens para os danos causados pelo tabaco.

Em 2020, o mundo foi invadido por uma nova pandemia causada pelo vírus Sars Covid 19, doença que já causou mais de 110 mil mortes no Brasil e mais de 800 mil mortes no mundo. Essa doença é capaz de inflamar e comprometer a função adequada dos pulmões levando milhares de pessoas à morte por insuficiência respiratória. Sabe-se que pessoas que fumam e já possuem algum grau de comprometimento pulmonar prévio têm maiores riscos de desenvolver quadros graves da doença.

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e mais recentemente os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais; no entanto, isso não é verdade. Algumas delas, como o narguilé, são ainda mais nocivos. E o cigarro eletrônico, embora em geral não contenha nicotina, vem se mostrando um grande perigo. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo.  Em 2018, mais de 3,5 milhões de estudantes do ensino médio, nos EUA, disseram já ter experimentado o cigarro eletrônico. Seus efeitos deletérios ainda não são completamente conhecidos, mas o Centro de Controle de Doenças dos EUA divulgou recentemente várias mortes associadas diretamente ao uso do cigarro eletrônico.

Por isso, o dia 29 de agosto foi escolhido como Dia Nacional de Combate ao Fumo.  O objetivo é orientar e reforçar junto à população as consequências sociais, políticas e econômicas do hábito de fumar e chamar a atenção de todos para os malefícios e danos causados à saúde de quem fuma ou convive com quem fuma. Vamos alertar a todos sobre a importância de abandonar o cigarro! E para àqueles que realmente desejam parar, fica a orientação de procurar um profissional da área da saúde, seja no SUS, ou no ambiente privado, para obter auxílio contra esse que é, sem dúvida, o maior vilão da humanidade.

Respire essa ideia!

Cada vez mais pessoas são acometidas pelo câncer de bexiga

O que é e por que aparece?

Embora seja um tumor mais raro se comparado ao câncer de mama nas mulheres ou ao câncer de próstata nos homens, cada vez mais pessoas estão sendo acometidas por essa doença, que já é o nono câncer mais comum no mundo e, no Brasil, é o sétimo câncer que mais acomete os homens. São esperados mais de 7.500 casos em homens e mais de 3.000 casos em mulheres para o ano de 2020 no país.

Estes números estão relacionados, principalmente, a dois importantes fatores: o envelhecimento da população. O câncer de bexiga é muito mais comum após os 60 anos, sendo a média de idade dos indivíduos acometidos de 73 anos. E, como a população esta vivendo por mais tempo, é natural que esse tipo doença apareça com maior frequência. Segundo, o tabagismo: sabemos que mais de 70% dos casos de tumores na bexiga estão diretamente relacionados ao uso de cigarro. Embora o número de fumantes venha caindo no país nos últimos 20 anos, ainda temos cerca de 10% da população tabagista, o que representa mais de 20 milhões de fumantes. Os homens são mais acometidos do que as mulheres na proporção de 3:1 e os negros tem um menor risco se comparado aos caucasianos.

A bexiga é o órgão das vias urinárias responsável por armazenar a urina até o momento de eliminá-la. Muitas substâncias tóxicas que podem estar presentes na urina ficam em contato com a parede de revestimento interno da bexiga e essas substâncias podem causar danos e alterações no DNA dessas células, possibilitando o aparecimento dos tumores. Algumas dessas substâncias estão presentes no cigarro, como já comentado, mas existem outras tais como os componentes químicos da indústria têxtil, tintas e outras fábricas que lidam com metal, couro, borracha, corantes e plásticos, além de adoçantes artificiais usados na dieta.

Sintomas e como fazer o diagnóstico?

Descobrir a doença nas fases iniciais não é tarefa fácil, porque nessa fase o tumor pode não causar qualquer sintoma ou os sintomas são confundidos com outras doenças menos graves, como infecção urinária ou cálculos renais ou de vias urinárias, já que as queixas de dor ao urinar, dor abdominal, vontade de urinar com muita frequência ou urina com mudança de coloração podem acontecer em todas essas enfermidades. Um sintoma que às vezes chama muita atenção é a presença de sangue na urina, mas nem sempre isso acontece. Todas as pessoas com mais de 55 anos que apresentem sangue na urina devem procurar um médico com urgência. A partir dessas alterações é importante a realização de exames de urina e de imagem, como ultrassom de abdome e pelve ou tomografias e, quando a suspeita for grande, a realização de uma cistoscopia (exame endoscópico das vias urinárias que permite ao médico olhar dentro da bexiga através de um conjunto óptico). Através da cistoscopia é possível fazer biópsias das áreas suspeitas.

Tratamento das fases iniciais

Cerca de 50% de todos os tumores de bexiga são diagnosticados em uma fase quando ainda não invadiu a musculatura da bexiga. Esse é o momento quando a chance de cura é maior com intervenções relativamente simples. É necessário fazer uma RTU (raspagem da área da bexiga acometida pelo tumor), podendo ou não ser necessário fazer algum tratamento local depois. Esses tratamentos locais podem ser com ONCO BCG (uma espécie de vacina, parecida com a BCG que é aplicada nos bebês para proteger contra a tuberculose). Especificamente sobre a ONCO BCG, o Brasil e o mundo vivem um problema de desabastecimento desse medicamento. No Brasil, o único laboratório que produz essa substância encontra-se fechado pela vigilância por não atender as normas adequadas de produção). Outra opção seria a realização de quimioterapia por infusão dentro da bexiga.

Medicamento desenvolvido na Unicamp traz esperança

Um medicamento desenvolvido na Unicamp e ainda em fase de testes, mostrou resultados animadores no tratamento de pacientes com doença inicial, sem invasão da musculatura da bexiga com mais de 80% dos pacientes tratados sem recidiva do tumor e, naqueles em que o tumor voltou, sua apresentação foi menos agressiva. O nome da medicação é Onco Therad e o seu desenvolvimento e estudo são conduzidos pelos professores Wagner Fávaro e Nelson Dúran. Embora os resultados iniciais sejam promissores, o medicamento ainda esta em fase de testes e não tem autorização da Anvisa ou FDA (órgão regulatório dos EUA) para ser comercializado.

Tratamento da doença localizada, mas que invade musculatura da bexiga

Nos casos em que o tumor já compromete a musculatura da bexiga, o tratamento padrão é a retirada cirúrgica da bexiga, podendo ser precedida de alguns ciclos de quimioterapia. Quando o paciente não pode ser submetido à cirurgia, uma outra opção é o tratamento combinado de quimioterapia com radioterapia.

Tratamento da doença metastática

Quando o tumor já provocou metástase, ou seja, já se espalhou para outros órgãos, o tratamento até há pouco tempo era a quimioterapia exclusiva, com resultados considerados ruins e com muita toxicidade. Novos tratamentos vinham ganhando espaço nesse cenário, principalmente a imunoterapia (medicamentos que ativam o sistema imunológico e o ajudam a combater melhor o câncer). Mas a imunoterapia sozinha também não tinha mostrado resultados tão expressivos como primeira opção de tratamento. Recentemente, em maio de 2020, no Congresso Americano de Oncologia (ASCO), o maior congresso do mundo neste assunto, realizado especialmente esse ano de forma virtual, mostrou os resultados de um estudo que combinou uma droga imunoterápica chamada Avelumabe com quimioterapia no começo do tratamento e, depois de alguns ciclos, mantém apenas a imunoterapia. Essa combinação alcançou resultados nunca vistos quando usado apenas quimio ou apenas imuno e, provavelmente, se tornará o padrão de tratamento quando este esquema estiver aprovado pela Anvisa para ser usado no Brasil.

Outro caminho que vem se mostrando promissor é a detecção de alterações moleculares no tumor e o desenvolvimento de medicamentos que agem diretamente nessas alterações, a chamada terapia-alvo. Já existe no Brasil um medicamento oral chamado Erdafetinib, que pode ser usado nos tumores avançados de bexiga que tenham alteração em um gene chamado FGFR.

Julho: mês de conscientização

O mês de julho é o mês de conscientização e combate ao câncer de bexiga. É importante alertar a população para a importância de se atentar para sinais de alerta e sintomas que muitas vezes são negligenciados, mas podem indicar algo mais grave como um câncer, especialmente em pessoas com mais de 60 anos e que são ou já foram fumantes. Esse é o compromisso do Grupo SOnHe, alertar e informar a população, para prevenção, que certamente é a melhor maneira de reduzir os números mostrados no início deste texto.

O inimigo por trás do sol

O câncer de pele é o mais comum no Brasil e no mundo, representando 25% de todos os tumores sólidos. Nos últimos dez anos o número de casos aumentou cerca de 50%. Dentre todos os tumores de pele, o melanoma, embora mais raro (representa por volta de 4% do total) é, sem sombra de dúvida, o mais agressivo. Por isso mesmo, apesar de dezembro ser considerado o mês mundial de conscientização para o câncer de pele, o melanoma reserva uma data à parte, no mês de junho, para chamar a atenção sobre seus riscos e desafios. Mesmo em um momento tão complicado, como este que estamos passando com a pandemia da COVID-19, é extremamente importante lembramos sobre os riscos de se desenvolver melanoma. Os inimigos novos não mudam a necessidade de se combater os inimigos antigos!

O melanoma é o câncer de pele mais agressivo e o que mais mata. Se não diagnosticado no início, pode dar metástases (quando um tumor se espalha para outros órgãos) rapidamente. Infelizmente muitas pessoas descobrem esse tumor já nessas fases mais avançadas. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que em 2020 teremos cerca de oito mil casos novos de melanoma, com 1.700 mortes ao longo do ano, só no Brasil. Os dados nos EUA são ainda mais impressionantes com mais de 100 mil casos novos esperados para 2020.

O melanoma é um tumor que surge a partir de danos causados nas células da pele produtoras de melanina (o pigmento que dá cor à pele) e pode aparecer não só na pele, mas também em mucosas e nas unhas. Esses danos são causados pela exposição direta ao sol, sem proteção. Os raios UVB são os grandes vilões, causando queimaduras na pele mais superficial e, quando essa exposição se dá de forma prolongada, as células da pele podem sofrer alterações em seu DNA levando ao desenvolvimento do câncer. Pessoas de pele e olhos mais claros têm um risco maior. Geralmente se apresentam como manchas enegrecidas e nem sempre é fácil diferenciar um melanoma de uma mancha ou uma “pinta” comum.

Um dado interessante é que a incidência de melanoma no mundo vem aumentando nos últimos anos, mas a mortalidade está diminuindo. Ou seja, mais pessoas têm diagnosticado a doença, mas também mais pessoas têm se curado ou controlado a doença. Isso tem ocorrido graças o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e menos tóxicos.

Até o início desta década, o único tratamento disponível para tratar a doença mais avançada era a quimioterapia citotóxica, que causava muitos efeitos colaterais e era pouco eficiente contra esse tipo de tumor. Com a descoberta e desenvolvimento das imunoterapias e das terapias-alvo, isso mudou radicalmente. A imunoterapia age no organismo fazendo com que o sistema imunológico do próprio paciente reconheça as células malignas e atue de forma mais eficaz em destruí-las. Já a terapia-alvo funciona em uma parcela dos pacientes que possuem uma mutação especifica em um gene chamado BRAF. As terapias-alvo são medicamentos em comprimidos que inibem a ação desse gene.

Estes tratamentos trouxeram resultados impressionantes no controle do melanoma, que deixou de ser um tumor altamente letal para ter resultados muito semelhantes aos de outros canceres considerados menos agressivos. Além de um maior tempo de vida na doença avançada, os tratamentos mais modernos melhoraram substancialmente a qualidade de vida dos pacientes. Reiterando que alguns desses tratamentos são feitos com medicações orais.

Mesmo com todos esses avanços é primordial alertar a população para buscar diagnósticos em fases mais precoces, quando a chance de cura é real. Portanto, alertamos às pessoas para que conheçam o seu corpo e façam uma autoavaliação sempre que possível, além de se protegerem do sol, evitando exposições prolongadas, principalmente sem o uso de protetores solares ou roupas adequadas. E, sempre que notarem alguma mancha estranha ou nova, que procurem o dermatologista para uma avaliação mais detalhada.

Para a autoavalição ou autoexame usamos a chamada regra do ABCDE. A letra “A” é assimetria. O paciente pode observar se a pinta, ao ser dividida em duas metades, tem estas metades simétricas. Caso tenha um formato irregular, é uma suspeita. A letra “B” se refere às bordas da lesão, pois toda pinta deve ter suas bordas lisas. Pintas com bordas recortadas, como um mapa, podem ser suspeitas. A letra “C” refere-se às cores da pinta. Existem diversos tons normais, do marrom claro ao escuro. Entretanto, quando mais cores diferentes (vermelho, branco, preto, tons cinza-azulados), mais suspeita é a pinta. O “D” é o diâmetro dos sinais, considerados com maior risco quando estão maiores de 0,6 cm. A última é a letra “E”, de evolução: uma pinta que progressivamente tem algum crescimento ou modificação deve ser investigada.

Algumas atitudes podem ajudar a prevenir esse tumor. O uso de roupas de mangas cumpridas e chapéus, uso de protetores solares que devem ser repassados a cada três horas e evitar o sol entre as 9 horas e as 16 horas. Existem dois principais tipos de raios solares, o UVA e o UVB (os raios UVB, como dito anteriormente, são os mais associados ao desenvolvimento do melanoma) e os protetores solares têm diferentes FPS (Fatores de Proteção Solar). Os protetores ideais são contra os raios UVA e UVB e pelo menos fator 30 pelo corpo e fator 50 no rosto, local em que a pele é mais sensível e frágil. Crianças devem usar protetores específicos, com produtos que geram uma barreira química e física.

O melanoma, quando descoberto precocemente tem chances de 95% de cura e seu tratamento é essencialmente cirúrgico no início. O problema é quando o tumor já se espalhou para os gânglios e para outros órgãos, o que dificulta a cura e exige tratamentos mais sistêmicos (que agem em todo o organismo). O mês de junho é o mês de alerta ao melanoma. E todas as pessoas, com medidas simples, podem evitar o aparecimento desse tumor. Não deixe essa doença marcar você. Procure marcas e pintas estranhas em seu corpo e, em caso de dúvidas ou alterações, procure um dermatologista.