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Imunoterapia para câncer de estômago

No último dia 10 de maio, a Anvisa aprovou em bula a indicação de uso de Nivolumabe combinado à quimioterapia para pacientes com câncer gástrico ou da junção gastroesofágica avançados. Esse tipo de tumor é agressivo e com altos índices de mortalidade quando metastático. É semelhante ao que, infelizmente, levou ao ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, a falecer recentemente de forma tão precoce.

O estudo que embasa a indicação é o Checkmate-649, que comparou o uso combinado de quimioterapia e imunoterapia com a quimioterapia isolada em 1.581 pacientes, mostrando uma redução de 29% do risco de morte para os pacientes com marcador PD-L1 > 5%. Além disso, a taxa de resposta foi consideravelmente maior (60 x 45%) nesses indivíduos. Os dados também confirmaram o benefício para a população geral, independente do PD-L1. Quanto à segurança, os efeitos colaterais foram toleráveis, apesar de frequentes em ambos os grupos.

A imunoterapia já tinha indicação em linhas posteriores de tratamento, mas, na primeira linha, é a primeira vez que é aprovada no Brasil.

Esses dados são importantes pois adicionam uma opção para esses pacientes e promovem um aumento significativo, apesar de pequeno, em sobrevida global, que é curta nesse cenário.

Vale lembrar que essa aprovação em bula promove acesso aos pacientes com plano de saúde, mas não aos dependentes do SUS. A medicação, muito cara, ainda será pouco disponível para a nossa população, um cenário contra o qual devemos sempre nos esforçar para mudar.

Referências:

https://oncologypro.esmo.org/meeting-resources/esmo-virtual-congress-2020/nivolumab-nivo-plus-chemotherapy-chemo-versus-chemo-as-first-line-1l-treatment-for-advanced-gastric-cancer-gastroesophageal-junction-cancer

Dia Nacional da Imunização: vacinas salvam vidas

Vacinas salvam vidas. E é muito importante repetir essa frase para nos lembrarmos desse ato tão valioso para humanidade, principalmente agora durante a pandemia de COVID-19.

No dia 9 de junho, é celebrado o Dia Nacional da Imunização. O foco da campanha é conscientizar a população da necessidade de manter a carteira vacinal atualizada. Atualmente, obviamente, a principal é a contra a COVID-19, que está, a passos lentos, em andamento. Porém, devemos lembrar que várias outras doenças têm vacinas direcionadas, mesmo em adultos vacinados na infância.

As vacinas protegem contra a ocorrência de diversas doenças infecciosas, desde a poliomielite, que pode deixar pessoas sem movimentos, até a pneumonia, que pode levar pessoas, principalmente idosos, à morte. Não só isso, temos também as vacinas que podem prevenir o câncer, no caso, a do HPV evita tumor de colo do útero. Muitas patologias foram erradicadas, como a varíola e a poliomielite, enquanto outras – como a gripe, o tétano e a coqueluche – tiveram seu impacto na saúde da população consideravelmente reduzido (>90%) e são doenças controladas atualmente.

O ato de vacinar é importante não só para a pessoa vacinada, mas também para a população em geral de um país. O freio da contaminação por doenças infecciosas reduz a mortalidade da população em geral, principalmente daqueles considerados como grupos de risco. Inclusive, existem pessoas que não podem ser vacinadas por alguma doença que contraindica, ou que ainda não têm idade (recém-nascidos); essas pessoas talvez sejam as mais beneficiadas pela vacinação em massa de quem pode.

Infelizmente, alguns dados recentes mostram que a cobertura vacinal para essas doenças tem caído, chegando a níveis preocupantes abaixo de 80%. Isso pode levar a um recrudescimento de casos e também a mortes. Um dos motivos é a própria pandemia, mas também há um número crescente de pessoas contrárias às vacinas, ou seja, que não acreditam na ciência. Essa situação é muito perigosa.

Criado há 47 anos, o Programa Nacional de Imunização do Brasil é uma das referências mundiais da área, já que atinge uma população de mais de 200 milhões de habitantes de forma gratuita e eficiente.

Atualmente, são 18 as vacinas disponibilizadas para crianças e adolescentes. No caso de adultos, as principais são a de febre amarela, a dupla adulto (difteria e tétano, renovada a cada 10 anos), a de hepatite B e a de sarampo-caxumba-rubéola (as duas últimas, caso não tenha sido vacinado na infância).

Agora, com a vacina para COVID-19 disponível, devemos reforçar que qualquer uma das disponíveis no país são eficazes e seguras. Todas já foram testadas e aprovadas cientificamente. Em relação ao medo de efeitos colaterais, como trombose, a vacina Oxford/Astrazeneca não promove um risco considerável de complicações quando comparada, por exemplo, aos anticoncepcionais.

As contraindicações são poucas e, caso tenha dúvida, pergunte ao seu médico. Porém, geralmente apenas pessoas com deficiências muito específicas ou alergias a componentes das vacinas não podem tomá-las. Importante lembrar que as duas doses são necessárias para que a vacina realmente funcione, portanto, não perca seu dia de retorno! Além disso, deve-se observar um espaço de 15 dias entre a da COVID-19 e a da gripe.

No site https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/pni/ todos podem consultar o calendário nacional de vacinação e checar quais vacinas devem ser atualizadas. Leia, converse com seu médico e VACINE-SE! Proteger um é proteger todos!

Novo tratamento para câncer de ovário aprovado no Brasil

No dia 8 de março, foi aprovada no Brasil, pela Anvisa, a medicação Niraparibe (Zejula®) para uso em pacientes com câncer de ovário avançado. Com isso, surge mais um opção para essas pacientes e a indicação deve se ampliar para um número maior de pacientes.

Os estudos que embasaram a aprovação foram dois: PRIMA e NOVA. No PRIMA, o Niraparibe foi testado contra placebo como 1ª linha em 733 mulheres com câncer de ovário que tiveram resposta ao tratamento com quimioterapia. Os resultados mostraram um redução de quase 40% do risco de morte ou progressão. Nesse estudo, o benefício foi independente da mutação do BRCA ou outras alterações genéticas e tal dado é importante por amplia a população que pode utilizar a droga.

No estudo NOVA, o Niraparibe foi testado como 2ª linha, em pacientes com recidiva após tratamento com quimioterapia com platina. Nesse caso, a redução do risco de morte ou progressão foi de 55 a 78%

Os resultados são animadores e trazem mais probabilidade de sobrevida para as pacientes com câncer de ovário.

Deve-se lembrar que é uma medicação oral e, portanto, apesar da aprovação na Anvisa, ainda não é obrigatória a cobertura pelos planos de saúde. Abordamos esse assunto em post anterior (acesse aqui https://sonhe.med.br//2019/09/03/simparaquimiooral/).

Não só isso, ainda não está (e tardará a estar) disponível no SUS, ou seja, o acesso a esse tratamento é limitado, uma situação que temos que batalhar para mudar.

 

Referências:

González-Martin, et al. Niraparib in Patients with Newly Diagnosed Advanced Ovarian Cancer. N Engl J Med. 2019;381:2391-402

Mirza MR, et al. Niraparib Maintenance Therapy in Platinum-Sensitive, Recurrent Ovarian Cancer. N Engl J Med. 2016;375:2154-64

https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/25351232639202055/

Câncer de estômago: como prevenir?

Você já pensou que o consumo de conservas e defumados pode aumentar o risco de um câncer que, até a década de 1980, era o que mais matava no mundo? Sim, e hoje vamos falar sobre esse tumor: o câncer de estômago, já que na semana do dia 5 de abril, acontece a Semana de Prevenção e Combate ao Câncer de Estômago.

Conhecido pelos humanos como uma doença desde 3.000 a.C., o câncer gástrico afeta 21.000 pessoas por ano no Brasil e leva à morte mais de 50% delas. Essa estatística já foi maior: antes do câncer de pulmão – em decorrência do cigarro – se tomar a primeira posição em mortalidade, o de estômago era o mais mortal. E um dos principais fatores que têm feito a incidência mundial reduzir (apesar de não ser baixa) foi a invenção e popularização de um aparelho que, hoje, parece tão essencial, mas que não era tão comum antigamente: a geladeira.

Evidências científicas mostram que o consumo de produtos processados, em conserva, defumados e/ou com alto teor de sal tem relação com aumento expressivo da incidência de câncer gástrico. O mecanismo por trás disso parece ter a ver com a presença de compostos chamados nitritos, que estão presentes nesses produtos e podem induzir alterações nas células da parede do estômago e promover o surgimento de neoplasias. Alguns estudos mostram incremento de mais de 40% no risco de câncer de estômago, sendo maior quanto maior a quantidade ingerida.

Com o uso da geladeira para preservação de alimentos, as técnicas de conservar em “salmouras”, salgar a carne e a defumação foram sendo menos utilizadas, contribuindo para uma redução da ocorrência de câncer gástrico na população. Em relação à comida rica em sal, um dos exemplos mais importantes é a associação entre a culinária asiática e a alta incidência desse tipo de tumor, visto que a gastronomia da região é rica em alimentos com alto teor de sal.

Mas não são apenas os alimentos processados e salgados que aparecem como fatores de risco. A infecção pela bactéria H. pylori no trato intestinal humano também guarda relação com uma maior chance de neoplasia gástrica. Essa bactéria é comum, principalmente em países menos desenvolvidos e com saneamento mais precário (incluindo o Brasil), e a sua presença no estômago leva a aumento de seis vezes no risco de lesões na parede do órgão e, consequentemente, ao surgimento de tumores.

Ainda como fatores de risco, a obesidade e o tabagismo, assim como em vários outros tumores, devem ser lembrados. Cirurgia prévia do estômago, anemia perniciosa e trabalho em indústrias de carvão e borracha mostram alguma relação.

Em relação à herança genética, síndromes como a de Lynch e a do câncer gástrico difuso aumentam de forma expressiva a ocorrência, mas são menos comuns e atingem famílias específicas.

Certo. Depois de todos esses fatores de risco, como fazer para prevenir o câncer de estômago? Aí voltamos para o que sempre falamos: alimentação saudável. Não é “chatice” dos médicos, é provado que uma dieta balanceada reduz o risco de tumores. Especificamente no caso em questão, evitar consumir alimentos processados, em conserva, defumados e/ou com alto teor de sal é um grande avanço. Claro que, em uma festa ou outra, ninguém está proibido de comer um salame, mas ter consciência da composição do que nós comemos é muito importante.

Muitas comidas que nem imaginamos têm alto teor de sal e usam métodos de conservação que produzem nitritos. Não só isso, já é claro para os cientistas que comer vegetais e frutas frescos e em abundância reduz o risco de diversos tipos de câncer, inclusive o gástrico. A alimentação saudável ajuda também no combate à obesidade e, junto com a atividade física, parar de fumar e reduzir o consumo de álcool, formam o “quadrado mágico” da prevenção do câncer.

Quanto ao H. pylori, a melhor maneira de evitar a contaminação é a higiene e o saneamento adequados, lavando alimentos e as mãos antes de comer. Em caso de sintomas de dor de estômago, o médico pode indicar um exame de endoscopia, que, caso identifique a bactéria, leva à necessidade de tratamento com alguns tipos de antibióticos, prevenindo assim a lesão da parede gástrica.

Por fim, como em várias áreas da ciência, o combate a outro mal do mundo atual é muito importante: as fake news. O chá verde e as vitaminas ainda não se provaram eficazes na prevenção do câncer para a população geral. Lembrando, algumas vitaminas têm indicações específicas, como pacientes desnutridos, ou aqueles com gastrite perniciosa ou mesmo para aqueles que fizeram cirurgia bariátrica.

Depois disso tudo, caso o câncer de estômago seja diagnosticado, o ideal é procurar o médico o quanto antes, pois existe tratamento, seja para o tumor localizado ou metastático. Mas lembre-se: prevenir é, sem dúvida, o melhor remédio!

11 de março: Dia Mundial do Rim

Ponto importante a ser destacado é que a incidência do câncer de rim aumentou três vezes mais do que a mortalidade, pois o diagnóstico tem sido cada vez mais precoce

No dia 11 de março de 2021, será celebrado o Dia Mundial do Rim, com uma campanha que visa à conscientização sobre a doença renal crônica (DRC), com orientações de como lidar com os principais sintomas e ter uma melhor qualidade de vida, promovendo a inclusão mais afirmativa desses indivíduos na sociedade. O tema deste ano é “Vivendo bem com a doença renal” e o evento é promovido mundialmente pela Sociedade Internacional de Nefrologia e, no Brasil, pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN).

A agenda de eventos relacionados ao Dia Mundial do Rim abrange mais de 700 atividades, incluindo a iluminação do Cristo Redentor (Rio de Janeiro-RJ) e do Elevador Lacerda (Salvador-BA) e uma audiência pública no Senado Federal, sempre respeitando os protocolos para prevenção da transmissão da COVID-19. A divulgação se dará através de rádios, influenciadores digitais e programas de televisão. Como novidade, haverá a disponibilização de episódios de podcasts e videoaulas da Semana da Nefrologia pelas das redes sociais da SBN.

A DRC é a falha do funcionamento dos rins por três meses ou mais, sendo muitas vezes irreversível, mas, geralmente, controlável. O rim é um órgão multifuncional, sendo o responsável por controlar a pressão arterial, filtrar impurezas do sangue, regular o equilíbrio de sal e água do corpo, promover a proliferação de células do sangue, evitando a anemia, dentre outras funções. Hoje, 10% da população tem alguma disfunção renal e os números seguem aumentando.

Um grande problema é que a DRC é uma doença silenciosa e, portanto, o diagnóstico geralmente é tardio, em estágio avançado, o que leva à necessidade de diálise e/ou transplante renal. Com isso em vista, o diagnóstico precoce é crucial para que a doença seja controlada em seu início e não evolua para consequências tão graves. Os maiores fatores de risco são a hipertensão arterial, a diabetes, a obesidade, o tabagismo e história familiar de doença renal ou cardiovascular.

A prevenção da DRC inclui não só o controle das comorbidades citadas acima, mas também evitar tomar medicações sem prescrição médica, beber água ao longo do dia e fazer acompanhamento médico regular. Em algumas situações, pode ser indicada a coleta de exames de creatinina e/ ou de urina, que podem detectar alterações renais de forma incipiente.

Nesse contexto, apesar de não ser o foco da campanha, vamos falar também sobre o câncer de rim, que acomete 403.000 e mata 175.000 pessoas por ano no mundo. Infelizmente, o Brasil não tem dados oficiais, nem divulga a estimativa de câncer renal no país. A maioria são homens por volta dos 64 anos. Dos pacientes diagnosticados, 16% apresentam-se com metástases desde o início e 25% morrem em 5 anos – um número alto, mas que apresentou redução de quase 70% nas últimas 5 décadas.

Um ponto importante a ser destacado é que a incidência aumentou três vezes mais do que a mortalidade, pois o diagnóstico tem sido cada vez mais precoce, em consequência do uso mais corriqueiro de exames de imagem como tomografia ou ressonância. Entretanto, apesar destes exames muitas vezes detectarem o tumor renal, não há indicação de rastreamento populacional para câncer de rim, ou seja, pacientes sem sintomas suspeitos não devem fazer exames de imagem para detectar a neoplasia mais cedo, como acontece, por exemplo, com o a mamografia no câncer de mama.

E o que aumenta a chance de alguém ter câncer de rim? A esmagadora maioria das neoplasias renais ocorrem ao acaso, ou seja, sem um fator causal definido. Os fatores de risco não são tão relevantes como em outros tumores, mas o que se sabe é que o tabagismo aumenta o risco em 30% de desenvolver a doença e, ademais, leva a diagnósticos em estágios mais avançado. O uso de anti-inflamatórios também é outro fator importante, porém muitas vezes relevado pela população. Alguns estudos sugerem um aumento de até 51% no risco de câncer de rim em consequência do uso rotineiro e crônico dessa classe de medicação. Obesidade, doença policística renal, hipertensão e exposição a asbesto e gasolina são outros contribuintes que devem ser evitados.  Sendo assim, a prevenção do câncer renal é baseada em evitar os fatores de risco já conhecidos para outros tumores e para a própria DRC.

Bom saber, mas e quais são os principais sintomas do câncer renal? Em geral, a doença é assintomática até se tornar avançada, o que, como já dito, dificulta o diagnóstico precoce. O quadro clínico geralmente inclui um ou mais dos seguintes: hematúria (sangue na urina), dor/massa abdominal e perda de peso. Entretanto, apenas 9% dos pacientes têm os 3 sintomas conjuntamente. Além disso, o indivíduo pode apresentar sinais como anemia e hipercalcemia, o que denota um quadro mais avançado.

Depois de receber o diagnóstico, há tratamento? Sim, sem dúvida! O câncer de rim, quando descoberto precocemente e limitado ao órgão, tem altas taxas de cura com a cirurgia, que é o tratamento indicado – quando factível – em virtualmente todos os casos. Já quando a doença é avançada, seja por não ser ressecável ou por ter metástases, o tratamento torna-se sistêmico, com uso de medicações diversas, principalmente terapias-alvo e imunoterapia. Notadamente, o tratamento desse tipo de neoplasia não costuma incluir quimioterapia convencional, visto que esta é pouco efetiva para o controle tumoral.

Vimos então que o Dia Mundial do Rim promove a conscientização sobre as doenças renais, melhorando assim a qualidade de vida das pessoas. Não só isso, enseja o alerta também para o câncer de rim e suas peculiaridades. O que devemos tirar disso tudo é que o controle de comorbidades (como obesidade e tabagismo), o uso correto de medicações e o acompanhamento médico regular são atitudes que podem ajudar a prevenir problemas renais e ajudar a vivermos mais e melhor!

 

Referências:

https://www.sbn.org.br/dia-mundial-do-rim/dia-mundial-do-rim-2021/sobre/

https://www.pro-renal.org.br/2021/02/01/dia-mundial-do-rim-2/

https://www.inca.gov.br/estimativa

uptodate.com

Novo rol da ANS 2021

Boa notícia para pacientes oncológicos

No dia 24 de fevereiro, a atualização do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi aprovado pela Diretoria Colegiada. E por que isso é importante para os pacientes com câncer? Porque várias medicações foram incorporadas à lista de obrigatoriedades de cobertura pelos planos de saúde. Mais opções de tratamento com eficácia, agora, estarão mais facilmente disponíveis.

Foram 20 novas drogas oncológicas. Um destaque vai para a inclusão dos inibidores de CDK4/6 (Palbociclibe, Ribociclibe e Abemaciclibe) para tratamento do câncer de mama metastático. Eram drogas já comprovadamente eficazes e que já são utilizadas como padrão em diversos países, mas que aqui, no Brasil, ainda não eram padronizadas nos planos de saúde. Outra importante incorporação foi a de medicações para o câncer de pulmão metastático com alterações genéticas específicas (Alectinibe e Osimertinibe), um tratamento que faz grande diferença e ainda não estava disponível para todos os beneficiários de planos de saúde. Na tabela abaixo, há uma lista das medicações e suas respectivas indicações. No site da ANS é possível ver a lista completa, incluindo as medicações não-oncológicas e procedimentos.

Medicamento Indicação
Palbociclibe, Ribociclibe e Abemaciclibe Câncer de mama
Alectinibe, Osimertinibe e Nindetanibe Câncer de pulmão
Apalutamida e Enzalutamida Câncer de próstata
Cabozantinibe Câncer de rim
Regorafenibe e Lenvatinibe Câncer de fígado
Dabrafenibe em combinação com Trametinibe e Cobimetinibe Câncer de pele (melanoma)
Ixazomibe e Lenalidomida Mieloma múltiplo
Lenalidomia Síndrome mielodisplásica
Ibrutinibe Linfoma do manto
Ibrutinibe e Venetoclax LLC
Venetoclax e Midostaurina LMA
Nilotinibe LMC

 

Já falamos por aqui, em Alerta Oncologia, que a ANS regula as medicações ORAIS que terão cobertura obrigatória pelos planos de saúde no país e que essa lista – mais conhecida como rol – é atualizada a cada dois anos. As medicações injetáveis têm outra regulamentação e, geralmente, estão disponíveis mais rapidamente para os pacientes após aprovação em bula.

Esta atualização ocorre devido às novas evidências científicas que vão surgindo e mostrando que alguns medicamentos funcionam (ou não) para certas doenças. Porém, essa periodicidade é muito longa para os pacientes com doenças graves, como o câncer, já que muitas dessas drogas visam ao aumento de sobrevida e/ou qualidade de vida, algo que “não se pode esperar”.

 

Um ponto muito interessante foi que as aprovações deste ano vieram após uma consulta pública histórica, com um aumento de 500% na participação em relação às anteriores, atingindo cerca de 30.000 contribuições. A maioria foi realizada por profissionais de saúde, mas sociedades médicas, pacientes, familiares e amigos de pacientes também tiveram papel importante nesse processo. Isso mostra que a força da cooperação da sociedade transpassa barreiras e pode trazer benefício a toda a população.

Importante pontuar que, nesta atualização, a ANS levou também em conta as informações econômicas, tendo em vista o grande crescimento do custo dos tratamentos médicos. E também notamos uma tentativa de encurtar o período de novas incorporações, reduzindo assim o descompasso entre ciência e acesso pelos usuários de planos de saúde.

A vigência do novo rol ocorrerá a partir de 1º de abril e é sempre um marco para os pacientes com câncer. Continuaremos lutando não só para que mais drogas eficazes sejam incorporadas, mas também para que a atualização seja mais ágil e mais pessoas tenham acesso mais rapidamente às melhores terapias. É sempre bom ressaltar que a outra luta – talvez a mais difícil – continuará sendo a de também levar essas oportunidades para pacientes do SUS, que, cada vez mais têm seu cuidado oncológico mais longe do ideal.

 

Referências:

Link para a reunião da Diretoria Colegiada (24/02/2021):

https://www.youtube.com/watch?v=HoJL9HALyGE&t=7634s

http://www.ans.gov.br/aans/noticias-ans/consumidor/6207-ans-define-novas-coberturas-dos-planos-de-saudee

http://www.ans.gov.br/participacao-da-sociedade/consultas-e-participacoes-publicas/consultas-publicas-encerradas/consulta-publica-n-81-atualizacao-do-rol-de-procedimentos-e-eventos-em-saude-ciclo-2019-2020

Vacinação para COVID-19. Resumo das recomendações da SBOC

Na semana passada, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) lançou um guia sobre a vacinação de pacientes oncológicos. Esse documento é de grande importância, tendo em vista a situação atual da pandemia no mundo e o maior risco dos pacientes com câncer ao serem infectados por COVID-19.

Importante ressaltar que o documento é continuamente atualizado e foi lançado com base nas evidências científicas que temos até o momento.

Vamos aos principais pontos:

  1. Os pacientes com câncer devem ser vacinados?
    1. Apesar de não terem sido testadas nestes pacientes, o benefício esperado de redução de mortalidade pelas vacinas é maior que os malefícios de possíveis das reações adversas. Além disso, esses pacientes estão sob maior risco de complicações pela COVID-19.
  1. As vacinas disponíveis no Brasil atualmente são seguras para pacientes com câncer?
    1. As vacinas contra a COVID-19 utilizam mecanismos semelhantes a outras vacinas já comprovadamente seguras e eficazes. No momento, os dois tipos de vacinas contraindicados para pacientes com câncer – a de vírus atenuado e a de vetor viral replicante – não estão entre aquelas disponíveis no mundo.
  1. E são eficazes para pacientes com câncer?
    1. Provavelmente sim. Apesar da evidência limitada, os dados de outras vacinas já utilizadas de rotina sugerem que aquelas contra COVID-19 são eficazes. Alguns tratamentos podem alterar a capacidade do sistema imune dos pacientes, levando a modificações na eficácia, mas nada que contraindique o uso ou torne a vacina ineficaz.
  1. Existe alguma vacina preferencial?
    1. Não. Ambas são indicadas, já que não contém vírus vivos e/ou replicantes.
  1. Qual o momento ideal para a vacinação dos pacientes com câncer?
    1. Idealmente, antes do início do tratamento. Porém, caso este já esteja em andamento, a indicação é de vacinar a qualquer momento, sempre com decisão compartilhada com o médico oncologista.
  1. Pacientes que já tiveram COVID-19 e/ou aqueles que têm anticorpos contra o vírus devem ser vacinados?
    1. A duração da proteção após infecção natural pelo COVID-19 ainda não é conhecida e a vacinação funciona também para esses pacientes.
  1. Os vacinados devem ser acompanhados com sorologia?
    1. Não. Os testes sorológicos não têm indicação para isso no presente momento.

 

Resumo: Em geral, há indicação de vacinação para todos os pacientes oncológicos, com exceção daquelas vacinas com vírus atenuados ou replicantes – inexistentes até o momento – e daqueles pacientes com contraindicação a algum componente da fórmula das vacinas.

Fale com seu oncologista e mantenha-se informado e imunizado!

 

Referências:

https://www.sboc.org.br/guias-e-infograficos/item/2150-covid-19-vacinacao-de-pacientes-oncologicos

O início do fim? Vacinação salva vidas!

86 milhões de casos e mais de 1.800.000 mortes no mundo. 8 milhões de casos e mais de 200.000 mortes no Brasil. Avanço sem precedentes da ciência. Enquanto a pandemia de COVID-19 se alastra como nunca antes, o mundo urge por uma solução. E essa solução tem nome: vacinação. Para todos, de forma rápida e com prioridades para os que estão em maior risco. E os nossos pacientes com câncer – em maior risco de desenvolver a COVID-19 – também precisam desta proteção. Mas o que podemos falar sobre as vacinas para COVID-19? E sobre a vacinação em pacientes com câncer.

 

As vacinas

Até o momento, há por volta de 150 vacinas em teste, sendo que 40 estão nas fases avançadas em humanos e apenas três têm publicações em revistas científicas. Isso é um histórico (extremamente importante) passo da ciência mundial: em menos de seis meses, foram desenvolvidas vacinas, as quais começaram a ser aplicadas em pessoas em menos de um ano da declaração da pandemia pela OMS, algo nunca antes visto (ou imaginado).

Existem diversos tipos de vacinas, sendo as principais: as de vírus inativos, as de proteínas recombinantes virais, as de vetores virais, as de RNA mensageiro, dentre outras menos utilizadas. Com a exceção do último tipo, todas as outras têm utilização prévia para outras doenças, sendo seus mecanismos bastante conhecidos e a sua segurança bem estabelecida. A OMS – e a maioria das agências reguladoras mundiais – preconiza uma eficácia mínima de 50% em estudos fase III – a mais avançada – para uma vacina ser considerada eficaz.

As três vacinas com resultados publicados e já aprovadas em países do ocidente são: Pfizer/BioNTech, Moderna e Oxford/AstraZeneca. Todas as três mostraram eficácias altas com uso de duas doses. As duas primeiras usam a tecnologia do RNA mensageiro, algo novo, mas muito eficaz e seguro, ao menos a curto prazo. Além disso, seus estudos incluíram mais de 30.000 pessoas. A última, de Oxford, é baseada em um vetor viral e, apesar de ter um estudo mostrando sua eficácia, entre 60 e 90%, o mesmo teve algumas questões ainda questionadas pelos cientistas, o que, porém, não a tira da lista de opções para uso emergencial.

Nos dias 7 e 12 de janeiro de 2021, foram apresentados os dados de fase III da Coronavac, vacina feita pelo Instituto Butantan em parceria com a Sinovac. O estudo foi conduzido no Brasil com mais de 12.000 profissionais de saúde. As taxas de eficácia foram muito satisfatórias (50,4% na população geral, 78% para casos leves e 100% para os graves) e correspondem ao limiar mínimo da OMS. Um ponto importante, foi que não houve casos graves nem mortes no grupo que tomou a vacina. Porém, para uma análise mais acurada, os dados ainda têm de ser revelados em publicação em revista científica, visto que os resultados estatísticos ainda não foram detalhados. Apesar disso, é uma vacina eficaz e segura e, portanto, deve ser aprovada para uso emergencial.

Em geral, as vacinas foram bem toleradas, com poucos (e esperados) efeitos colaterais. As contraindicações são apenas para pessoas com alergias a algum componente da fórmula ou, em algumas situações, a outras vacinas. E vale ressaltar que a análise das vacinas deve (e vai) continuar acontecendo após a aprovação das mesmas, pois ainda não se sabe a duração da proteção, se precisamos de um reforço, quais subpopulações podem ou não podem tomar, os efeitos colaterais a longo prazo e qual é o limiar para atingirmos uma imunidade de rebanho.

Sobre outras vacinas muito comentadas, aquela desenvolvida pela Janssen ainda não informou os dados de eficácia e segurança do estudo fase III e a russa Sputnik, além de ainda não ter publicado seus dados, também apresentou uma análise com um número muito pequeno de eventos, o que pode levar a resultados enviesados.

Aqui valem alguns esclarecimentos de fake news que circulam por aí: vacinas não causam câncer, não modificam o DNA de quem as recebe e não, não têm chips embutidos para controlar a todos. Fato é que vacinas salvam vidas e, portanto, o movimento antivacina é criminoso.

É salutar o entendimento de que as vacinas só funcionam quando dadas em uma porção grande da população (vacinação), ou seja, não servem como um mecanismo de defesa individual. Por isso, para o sucesso da vacina, os governos devem usar de uma estratégia que foque na vacinação do maior número de pessoas, no menor tempo possível, priorizando aqueles que estejam em maior risco de óbito ou de infecção. Acima de tudo devemos entender que o pensamento coletivo deve imperar em detrimento do individual, com foco em uma imunidade de rebanho, a fim de que todos possamos ficar livres dessa situação desastrosa.

 

Pacientes com câncer

Em geral, as sociedades internacionais (americana e europeia) de oncologia e a maioria dos especialistas defendem a vacinação dos pacientes com câncer tratado ou mesmo ativo em tratamento. Importante ressaltar que vacinas de vírus atenuados não devem ser dadas a estes últimos. Nesse caso, como não temos vacinas deste tipo para COVID-19 em fases avançadas, não nos preocupemos com isso nesse momento.

A decisão de tomar a vacina deve ser compartilhada com o médico que acompanha o paciente, com as ressalvas que, em geral, pacientes imunocomprometidos têm menos resposta imune às vacinas, que podem ter, então, uma menor eficácia nessa população. Não só isso, nenhum dos estudos já publicados incluiu pacientes com câncer, portanto, a segurança não é comprovada. Entretanto, como temos experiência com outras vacinas mais antigas, a segurança daquelas desenvolvidas para COVID-19 não deve diferir muito para os pacientes oncológicos.

 

Vacinação no Brasil

Já se passou um mês desde que a primeira pessoa foi vacinada no Reino Unido com uma das vacinas que demonstraram eficácia. Enquanto isso, o Brasil, infelizmente, patina e o vírus assola a população que, por sua vez, tem frequentemente desrespeitado as orientações para prevenção da disseminação do vírus.

No dia 8 de janeiro, dia em que escrevo, tanto a Coronavac quanto a vacina de Oxford foram submetidas para aprovação emergencial pela Anvisa, que tem  dez dias para dar um parecer. Esperemos que consigamos começar a vacinar o quanto antes e utilizar a nossa expertise com o Programa Nacional de Imunização, que é (ou era) referência no mundo.

Apesar de toda essa novela, devemos estar confiantes e certos de que estamos vivendo uma revolução científica que poderá ajudar a acabar com esse grande terror que é uma pandemia. Vamos em frente e torçamos para a aprovação das vacinas no Brasil, sem ideologia, sem preconceito e com base única e exclusivamente na ciência. Até lá, devemos manter as medidas de distanciamento, máscara e lavagem de mãos. Vacinação, não vacina, salva vidas (inclusive a sua)!

 

https://www.who.int/emergencies/diseases/novel-coronavirus-2019

https://www.who.int/publications/m/item/draft-landscape-of-covid-19-candidate-vaccines

https://politica.estadao.com.br/blogs/estadao-verifica/medico-espalha-informacoes-falsas-sobre-seguranca-das-vacinas-mrna-contra-covid-19/

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2035389

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2034577

https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(20)32623-4/fulltext

http://vacinacovid.butantan.gov.br/

https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0140673620326611?via%3Dihub

https://www.asco.org/asco-coronavirus-resources/covid-19-patient-care-information/covid-19-vaccine-patients-cancer

https://www.esmo.org/covid-19-and-cancer/covid-19-vaccination

https://static.poder360.com.br/2021/01/Apresentacao_Coletiva_07-01-2021.pdf

Ano novo: nova opção de tratamento para câncer de bexiga no Brasil

Um ano novo começando e temos novidade para pacientes com câncer de bexiga! O Avelumabe (Bavencio®), uma imunoterapia, foi aprovada para uso pela Anvisa em 28/12/2020 e vem para trazer benefícios para pacientes em estágio avançado da doença.

O Avelumabe é um medicamento que inibe uma proteína (PD-L1), que está presente em diversos tipos de tumores, levando a uma maior ativação do sistema imune contra o câncer e, consequentemente, a um maior controle da doença.

Esta droga – assim como outros imunoterápicos – já são utilizados em tumores de bexiga avançados em linhas posteriores e pacientes que não têm condições de receber quimioterapia. Agora, o estudo JAVELIN BLADDER 100 mostrou que o seu uso também traz benefício quando feito logo na primeira linha, em sequência da quimioterapia.

No estudo, os pacientes com câncer urotelial de bexiga (o mais comum) avançado foram submetidos a quimioterapia padrão por 4 a 6 ciclos e, caso houvesse resposta ao tratamento, eram sorteados para receberem o Avelumabe ou não. Ao final, 700 pacientes foram incluídos e a sobrevida global mediana passou de 14,3 para 21,4 meses, o que representou uma redução do risco de morte de 31%. Depois de 1 ano, 71,3% pacientes que receberam Avelumabe – contra 58,4% do grupo controle – estavam vivos. Como esperado, a taxa de efeitos colaterais foi maior com Avelumabe, já que a comparação foi com suporte clínico sem medicação, porém o padrão de toxicidades não foi diferente do previsto.

Essa nova indicação já autoriza o uso em qualquer paciente do Brasil que cumpra os critérios de seleção do estudo, entretanto o acesso fica limitado aos pacientes com planos de saúde, tendo em vista que essa aprovação não se estende ao SUS. A notícia é, sim, boa, mas nos lembra da desigualdade entre setores privado e público e do nosso dever de tentar incorporar essas novas medicações também no SUS. Continuaremos com novidades nesse ano! Um Feliz Ano Novo!

Referências:

https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/bavencio-avelumabe-nova-indicacao

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2002788

Nutrição e atividade física: aliados contra o câncer

Neste ano atípico e atribulado por uma pandemia, muitas vezes outros problemas relacionados à saúde são deixados de lado, a exemplo da obesidade e do sedentarismo. Para abordar essa questão e visando a uma maior acessibilidade da população brasileira às informações mais atualizadas, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) fez uma tradução para o português de um Relatório de Especialistas criado pelo Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer (WCRF, em inglês) e pelo Instituto Americano para Pesquisa em Câncer (AICR, em inglês).

A obesidade e o sedentarismo continuam em crescimento no mundo e são um grande problema de saúde pública, contribuindo para mais de quatro milhões de mortes, anualmente, no mundo. O estilo de vida e a falta de estímulo à atividade física são os principais fatores associados a esse cenário. No Brasil, mais da metade da população está acima do peso, e essa epidemia vem aumentando também entre as crianças.

No documento traduzido pelo INCA, os autores dissertam de forma bem clara sobre os vários aspectos da alimentação e suas consequências para nosso organismo e sobre o risco de câncer, sempre embasado em evidências científicas. Há um quadro mostrando visualmente os alimentos que têm relação estabelecida com o desenvolvimento de neoplasias, além da força dessa relação. Como exemplo, alimentos em conserva e processados aumentam – com alta probabilidade – a incidência de câncer de estômago e cólon, respectivamente. Além disso, evidencia-se que a obesidade e o álcool são os fatores mais fortemente relacionados à ocorrência de diversos tipos de tumores.

A partir dos dados, o documento faz recomendações práticas para a prevenção do câncer e melhor saúde geral:

– Manter um peso saudável;

– Ser fisicamente ativo (pelo menos 150 minutos por semana);

– Consumir uma dieta rica em vegetais, cereais integrais, frutas e leguminosas;

– Limitar o consumo de comida processada (fast food), carne vermelha, bebidas com adição de açúcar e alcóolicas;

– NÃO usar suplementos para a prevenção do câncer;

– Amamentar, se a mulher puder.

Na análise brasileira, a nossa população não cumpre esses requisitos, com altos níveis não só de obesidade, mas também de sedentarismo e de consumo de alimentos pouco saudáveis. O INCA sugere que a abordagem na nossa população seja comportamental, incentivando a alimentação saudável por políticas públicas bem instituídas e, como exemplo, não estimulando padrões estéticos para a prática da atividade física, mas sim o prazer em praticá-las.

Por fim, há também uma abordagem de como implantar essas medidas em nível populacional, com ênfase nas ferramentas sociais, como marketing, limitando propagandas de produtos pouco saudáveis, estimulando a compra de alimentos saudáveis ou realizando aconselhamentos em equipamentos públicos à toda a população. Isso envolve toda a sociedade e traz a responsabilidade compartilhada para melhorar o cenário atual.

Esse documento é de livre acesso e é de grande interesse de todos. A prevenção do câncer passa não só por exames e consultas, mas também pela adoção de um estilo de vida saudável. Vamos tentar, então, segui-lo!

 

Referências:

https://www.inca.gov.br/publicacoes/relatorios/dieta-nutricao-atividade-fisica-e-cancer-uma-perspectiva-global-um-resumo-do