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14 de março – Dia Mundial do Rim – O que devo saber sobre câncer de rim?

Qual a data comemorativa para o “Dia do Rim” em 2024?

– 14/03/2024.

– Esta data foi idealizada pela Sociedade Internacional de Nefrologia.

 

Quais os profissionais que cuidam da saúde do rim?

– Os nefrologistas e urologistas são os profissionais responsáveis por cuidar das diversas doenças que podem afetar os rins.

 

Existe câncer de rim?

– Sim.

– O câncer de rim é um tumor relativamente raro; responde por aproximadamente 5% dos canceres em indivíduos adultos.

– No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) não dispõe de dados estatísticos sobre incidência do câncer renal.

 

O câncer de rim aparece mais em homens ou mulheres?

– O câncer de rim é duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres.

 

Quais são os sintomas do câncer do rim?

– Na maioria das vezes, o câncer de rim não apresenta sintomas.

– É frequentemente diagnosticado ao acaso, após a realização de exames de imagem do abdome (ultrassom ou tomografia).

– A presença de sintomas sugere um quadro mais avançado. Dentre os sintomas, estão sangramento urinário, dor abdominal, perda de peso e até mesmo o aumento do volume renal, configurando uma massa (tumoração) que pode ser palpada no abdome.

 

Qual é o câncer de rim mais comum?

– O tipo de câncer renal mais comum é o carcinoma renal de células claras.

– Ele tem este nome pelas características das células cancerígenas quando vistas ao microscópio.

 

O câncer de rim é genético?

– Na maioria das vezes não.

– Existem síndrome genéticas (a maioria delas raras) que cursam com tumores no rim, às vezes de maneira recorrente. A mais conhecida é a síndrome de Von Hippel Lindau.

 

O câncer de rim pode gerar metástases?

– Sim. Todo câncer pode, teoricamente.

– Os locais mais frequentes de metástases são os ossos e os pulmões

 

Como é o tratamento do câncer do rim?

– É importante procurar profissionais especialistas.

– O tratamento do câncer de rim deve ser conduzido por urologistas, oncologistas e nefrologistas.

– A cirurgia tem um papel importante, uma vez que retira a doença. Existem urologistas especialistas em uro-oncologia.

– Às vezes, é necessário retirar todo o rim e, portanto, o monitoramento da saúde do rim que fica é muito importante. Aí entra o nefrologista.

– Após a cirurgia, alguns pacientes vão precisar de tratamento complementar com medicamentos. O oncologista é quem orienta essa parte do tratamento.

 

E para o câncer de rim com metástases? Existe tratamento?

– Felizmente, a oncologia evoluiu muito e, hoje, conta com medicamentos que conseguem controlar a doença por um longo tempo.

– A imunoterapia tem grande papel no tratamento do câncer do rim. Existem tratamentos com associação de imunoterápicos.

– Existem também medicamentos orais (como os inibidores de tirosina quinase) que podem ser utilizados para controle do câncer de rim; eles também podem ser combinados a imunoterapia.

 

 

5 de Fevereiro – Dia Nacional da Mamografia – Mamografia: 40 x 50 anos

O câncer de mama é o mais incidente nas mulheres. Para o triênio de 2023-2025, são esperados aproximadamente 74 mil novos casos de câncer de mama no Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).

A chance de cura e de sobreviver ao câncer mama está diretamente relacionada ao momento do diagnóstico da doença; quanto mais avançado o câncer está quando é descoberto, maior a complexidade dos tratamentos e menor a chance de cura. Tal diferença de sobrevida também pode se relacionar com outros fatores, como a falta de acesso aos serviços de saúde, o atraso na investigação de lesões mamárias suspeitas e na realização do tratamento.

Há um grande esforço dos profissionais envolvidos no cuidado do câncer em conscientizar a população da importância de hábitos que buscam prevenir o câncer; atividade física e alimentação saudável são os principais exemplos para isso.

Além da prevenção, existem estratégias que buscam o diagnóstico precoce do câncer de mama. O rastreamento com a mamografia é a principal arma que pode auxiliar na detecção precoce das doenças da mama, quando realizado em mulheres assintomáticas, numa faixa etária em que haja um balanço favorável entre benefícios e riscos dessa prática. Dentre as vantagens da mamografia estão: a redução da mortalidade pelo câncer, menores sequelas relacionadas aos tratamentos oncológicos, maior sobrevida, e o menores custos para sociedade relacionados aos investimentos em saúde de alta complexidade e perda de um indivíduo produtivo.

Os primeiros estudos científicos que demonstraram haver diminuição da mortalidade por câncer de mama entre as mulheres submetidas ao rastreamento com mamografia foram relatados há cerca de 60 anos. Alguns estudos mostraram um percentual de até 30% de redução na mortalidade no grupo de mulheres submetidas ao rastreamento; outras evidências científicas apontaram percentual de 15-20% de redução das mortes por câncer de mama.

Por outro lado, pesquisas observacionais demonstraram resultados inconsistentes, questionando os reais benefícios do rastreamento com mamografia e destacando também certos riscos que precisam ser conhecidos e ponderados: realização de biópsias excessivas, diagnóstico de patologias que não mudariam o curso de vida da mulher, a realização de tratamentos dispensáveis e a exposição à radiação (que raramente causa câncer, mas há um discreto aumento do risco quanto mais frequente é a exposição).

 

Recomendações de rastreamento

Diante de um cenário científico que dá margem a dúvida, existem divergências entre as recomendações de rastreamento, especialmente quanto a idade de início (40 ou 50 anos) e quanto a periodicidade (anual ou a cada 2 anos). No Brasil, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) recomendam a mamografia anual para as mulheres a partir dos 40 anos de idade. Tal medida difere das recomendações do Ministério da Saúde, que preconiza o rastreamento bianual, a partir dos 50 anos, excluindo dos programas de rastreamento uma faixa importante da população (mulheres entre 40-49 anos), responsável por cerca de 15-20% dos casos de câncer de mama.

Não há um consenso absoluto sobre quando iniciar a mamografia: se aos 40 ou aos 50 anos. Alguns protocolos de rastreamento defendem que essa decisão seja compartilhada com a paciente, explicando potenciais riscos e benefícios. O fato é que a oncologia mamária vem avançando diariamente, construindo um cenário muito diferente daquele em que se desenvolveu as evidências (favoráveis ou não) sobre rastreamento no passado. Um grande e importante estudo foi publicado há poucos dias em um jornal científico internacional, mostrando que rastreamento contribuiu em 25% na redução da mortalidade de câncer de mama nos Estados Unidos. Este dado atual sustenta a prática do rastreamento, e reforça a importância do diagnóstico precoce.

O câncer de mama permanece como uma doença desafiadora, exigindo avanços científicos e terapêuticos para melhoria das taxas de cura e mantendo-se como uma condição que exige diagnóstico precoce. O exame clínico das mamas, associado à mamografia periódica anualmente a partir dos 40 anos parece ser a melhor estratégia a ser adotada. A detecção em um estágio inicial permite um tratamento menos agressivo, determinando melhor qualidade de vida, com menores sequelas e efeitos colaterais, e aumentando as taxas de cura pela doença.

 

 

 

Em quem não se deve fazer um exame genético?

Debora Curi

CRM 173.184

Higor Mantovani

CRM 155.725

 

A ciência que permeia o entendimento do câncer está em constante evolução, em especial, no âmbito da oncogenética. Muito se fala sobre predisposição familiar (ou hereditária) aos diversos canceres que podem acometer os pacientes. Idade jovem, ocorrência de múltiplos tumores num mesmo indivíduo e diagnósticos de canceres raros são características que devem despertar a inquietude do profissional que assiste este paciente, e motivar uma avaliação de um oncogeneticista para se discutir testes de sequenciamento genético.

A solicitação de testes genéticos deve ser feita por um profissional capacitado e com habilidade no tema, e que, após uma consulta de aconselhamento genético, tenha um objetivo bem definido a ser elucidado pelo exame. É necessário especificar as metodologias do teste e flertar com os possíveis resultados, a fim de garantir um adequado manejo da informação acessada com o mesmo.

Pouco se fala sobre situações em que não é necessário ou apropriado fazer uma avaliação ou teste genético. A informação sobre eventuais mutações e/ou aspectos genéticos de um individuo é confidencial, de poder único e exclusivo daquela pessoa. Existem situações que podem ferir esses princípios e, de maneira ainda mais agravante, resultar num manejo inadequado das informações genéticas acessadas pelo exame.

Como exemplo de tais situações temos os testes genéticos em crianças ou indivíduos que ainda não atingiram a maioridade. Não é infrequente que pais e mães, motivados pelo medo do diagnóstico de câncer, busquem informações que os acalmem sobre o risco de seus filhos desenvolverem câncer no futuro. Neste caso, a motivação passional para um teste genético não deve gerir a indicação do exame. Sequenciamento genético em crianças são indicados em casos específicos e com grande cuidado no manejo da informação genética acessada, uma vez que se trata de um paciente ainda incapaz de gerir seus direitos de acesso a informação.

Uma outra situação frequente em que o teste genético merece cautela é em indivíduos que nunca tiveram histórico pessoal e/ou familiar de neoplasias. É comum a procura de exames que buscam evitar problemas de saúde no futuro. Entretanto, sabemos que o exame genético não previne o surgimento de canceres; ele nos auxilia na identificação de indivíduos com alto risco de câncer ao longo da vida. Um aspecto importante é a realização de exames genéticos de confiança, cuja técnica e confiabilidade são conhecidas. Existem relatos de condutas tomadas a partir de informações adquiridas a partir de testes de baixa confiabilidade; quando a informação fora revisitada com metodologias e testes validades, percebeu-se um falso diagnóstico genético.

As características genéticas (e todas as consequências delas em nossas vidas) não são passíveis de escolha; somos o que recebemos dos nossos genitores e progenitores. Pessoas que não estão adequadamente motivadas e orientadas sobre como lidar com o resultado de um exame genético devem ser aconselhadas a repensar sobre a realização do mesmo. Neste mesmo sentido, é necessário que se tenha acesso a profissionais que possam orientar e tomar condutas frente ao diagnóstico genético. Não se deve buscar ou acessar a informação sem que se tenha estruturado um cuidado com mesma a posteriori.

Por fim, é importante citar situações em que o indivíduo em que se quer investigar a informação genética pode não desejar fazer o exame sugerido. Nestes casos, a autonomia deve sempre ser respeitada, a despeito da forte suspeita de um quadro de predisposição hereditária ao câncer naquele indivíduo.

 

O que há de novo no tratamento do câncer de bexiga?

Durante muito tempo o tratamento padrão do câncer de bexiga foi embasado em abordagens cirúrgicas e quimioterapia com base em compostos derivados de platina. Essas estratégias ainda compõem o arsenal de combate ao câncer urotelial; entretanto, a Oncologia moderna passou a contar com novas tecnologias que, gradativamente, vem ganhando espaço no tratamento desta neoplasia.

A primeira (e não tão recente) incorporação foi a imunoterapia. Inicialmente, ela foi estudada e incorporada a prática clínica no cenário avançado (isto é, com metástases). Alguns estudos comprovaram a eficácia dos imunoterápicos após a falha de quimioterapia com platina. Mais recentemente, ela passou a integrar uma estratégia de manutenção após a algumas doses de tratamento com quimioterapia com platina; este tratamento é, hoje, o padrão de escolha para os pacientes que se apresentam com câncer de bexiga com metástases, ou que recidivam após algum tempo do tratamento definitivo deste câncer.

A imunoterapia também ganhou espaço no cenário inicial do câncer urotelial. É sabido que a maioria dos casos de câncer de bexiga se apresenta inicialmente como uma doença restrita as camadas superficiais da bexiga. Neste contexto, a ressecção transuretral é parte majoritária do tratamento e alguns pacientes terão indicação de terapias intravesicais com a Onco-BCG. Em casos não cirúrgicos e refratários a terapia intravesical com Onco-BCG, o uso de Pembrolizumabe (um imunoterápico muito conhecido por aplicabilidade em diversos tipos de tumores) mostrou resultados interessantes e vem sendo incorporado a prática clínica.

A terapia-alvo também trouxe avanços no tratamento do câncer de bexiga. É sabido que 15 a 20% dos pacientes com câncer urotelial tem alterações em genes do FGFR (receptor de fator de crescimento de fibroblastos). Neste sentido, foram desenvolvidos medicamentos que tem como alvo as células com tais alterações genéticas; é o caso do Erdafitinibe. A última edição do Congresso Americano de Oncologia Clínica (ASCO 2023) trouxe resultados consistentes deste medicamento em segunda linha de tratamento do câncer urotelial avançado com alterações genéticas em FGFR. Este medicamento já está disponível no Brasil, mas ainda com cobertura restrita pelos planos de saúde e sem perspectivas de chegada ao SUS.

Mais recentemente, o arsenal terapêutico para combate ao câncer de bexiga ganhou mais um combatente; os chamados ADC’s (anticorpos conjugados a droga). Essa tecnologia foi recentemente incorporada no tratamento de câncer de mama no Brasil. Esse tipo de tratamento tem um mecanismo de ação diferente, no qual um composto antineoplásico é “entregue” dentro do microambiente celular, através de um anticorpo específico que tem afinidade pela célula tumoral.  Para este mecanismo de ação, faz-se uma analogia à história do Cavalo de Troia, em que os gregos enviaram um “presente” para os troianos, supostamente reconhecendo a perda na Guerra de Troia. Dentro do cavalo estavam soldados espartanos que, à noite, saíram de dentro dele e atacaram a cidade de Troia, vencendo a guerra. Dois fármacos com este mecanismo de “Cavalo de Troia” vêm sendo amplamente estudados no tratamento do câncer de bexiga.

O Enfortumabe Vedotin foi o primeiro ADC aprovado e comercializado no Brasil para tratamento do câncer de bexiga. Hoje, é indicado em segunda linha terapêutica, após a falha de quimioterapia com platina e manutenção de imunoterapia. O Sacituzumabe Govitecan (já aprovado para tratamento do câncer de mama) deve chegar em breve como uma outra opção de ADC para o câncer urotelial avançado que falhou ao tratamento com quimioterapia e imunoterapia. Combinações de ADC’s com imunoterapias estão sendo estudadas em cenários diversos, inclusive como substitutos da quimioterapia em pacientes que não podem recebê-la.

Felizmente, a Oncologia caminha a passos largos no desenvolvimento de novos fármacos e alvos terapêuticos para o câncer de bexiga. Resta saber como será a incorporação destas tecnologias na prática do dia a dia. Ainda existe um grande desafio de tornar universal e igualitário o acesso a estes tratamentos no Brasil.

 

 

 

20 de maio – Dia Nacional do Medicamento Genérico – Mas, afinal, o que é o genérico e como ele surgiu no Brasil?

Medicamentos são itens de primeira necessidade, principalmente para portadores de doenças crônicas que demandam tratamentos contínuos. Para facilitar o acesso dos brasileiros aos medicamentos, criou-se o medicamento genérico, uma opção que pode chegar a preço 70% mais barato que o medicamento original com o mesmo princípio ativo e eficácia.

No dia 20 de maio de 2023, o Brasil celebra 24 anos de comercialização de medicamentos genéricos. Mas, afinal, o que é o genérico e como ele surgiu no Brasil?

O medicamento genérico é aquele que contém o mesmo princípio ativo, na mesma dose e forma farmacêutica, e é administrado pela mesma via, com mesma posologia e indicação terapêutica do medicamento de referência. O genérico apresenta eficácia e segurança equivalente à do medicamento de referência. Para assegurar a equivalência terapêutica dos genéricos, testes de comparação in vitro e in vivo são apresentados à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em 1999, houve a instituição do medicamento genérico por meio da Lei 9.787 de 10 de fevereiro deste ano. Essa lei garante a comercialização, por qualquer laboratório, de medicamentos cujas patentes estejam expiradas. Essas patentes são concedidas aos respectivos laboratórios que pesquisam um determinado princípio ativo e documentam cientificamente e clinicamente suas propriedades, estabelecendo parâmetros de utilização do mesmo. Em geral, as patentes são concedidas por até 20 anos. Uma vez vencida, a tecnologia passa a ser de domínio público, quando podem ser registrados medicamentos genéricos. O preço do medicamento genérico passa a ser menor pois os fabricantes não precisam realizar todas as pesquisas envolvidas no desenvolvimento de um medicamento inovador, visto que suas características são as mesmas do medicamento de referência.

Atualmente, cerca de 50% de todos os medicamentos de referência já estão disponíveis na sua forma genérica. A lista desses medicamentos está disponível no acervo digital da Anvisa e as farmácias e drogarias são obrigadas por lei a manter uma lista atualizada em local de fácil leitura para os consumidores. Para identificar os medicamentos genéricos, basta certificar-se de que na embalagem tenha escrito: “Medicamento Genérico – Lei 9.787/99” e uma tarja amarela com a letra G.

Quando falamos de medicamentos genéricos em Oncologia, ainda temos uma longa caminhada a percorrer, visto que muitas das medicações antineoplásicas (em especial as mais custosas) foram recentemente desenvolvidas e, portanto, ainda tem a patente vigente. Alguns medicamentos já estão disponíveis na sua forma genérica; é o caso do Anastrozol e do Tamoxifeno, medicamentos amplamente utilizados no tratamento do câncer de mama. Alguns quimioterápicos também já estão disponíveis como genéricos; a Doxorrubicina (conhecida por ser sua cor vermelha) é um dos exemplos.

Os genéricos representam pouco mais de 35% do total de medicamentos comercializados no país e já geraram uma economia de R$ 241 bilhões desde sua implantação, em 1999. Os dados são da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos). Em 2022, mais de 1,8 bilhão de caixas de genéricos foram comercializadas no Brasil. O número mostra um aumento de mais de 7% quando comparado ao ano anterior, o que denota confiança nessa modalidade de medicamentos por parte dos laboratório, comerciantes e da população que o consome.

 

 

 

 

10 de março é o Dia Mundial do Rim

Higor Mantovani

CRM 155.725

 

A campanha tem enfoque na prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica; importante destacar também a atenção ao câncer renal

 

No dia 10 de março de 2022 é celebrado o Dia Mundial do Rim. Uma em cada dez pessoas terá algum tipo de problema relacionado a saúde dos rins, seja ele cálculos renais, mal funcionamento dos rins (também chamado de doença renal crônica) ou até mesmo o câncer do rim. O Dia Mundial do Rim foi criado para que profissionais de saúde e a população como um todo pudessem trocar informações sobre as doenças que acometem este órgão.

A campanha tem enfoque principal na prevenção e diagnóstico precoce da doença renal crônica (ou insuficiência renal), condição frequente em pacientes que acumulam comorbidades como hipertensão e diabetes mellitus, e que pode resultar na necessidade de terapias renais substitutivas como a hemodiálise. Mas é importante lembrar sobre o câncer do rim e suas peculiaridades.

O câncer renal é relativamente raro e corresponde a aproximadamente 5% de todos os tumores do indivíduo adulto. Em geral, acomete mais os homens, em idade entre 50 e 70 anos, e quase sempre não dá sintomas. Por isso, é frequentemente diagnosticado ao acaso, após a realização de exames de imagem do abdome (ultrassom ou tomografia). Apenas 10% dos pacientes vão apresentar sintomas, sugerindo um quadro mais avançado. Podem surgir sangramento urinário, dor abdominal, perda de peso, ou até mesmo o aumento do volume renal configurando uma massa (tumoração) que pode ser palpada no abdome.

O tipo mais comum de câncer renal é o carcinoma de células claras. Ele tem esse nome pelas características das células do câncer quando vistas ao microscópio. Para os tumores localizados (restritos ao rim), o tratamento de escolha e que leva a cura é cirurgia de retirada rim, que pode ser parcial ou total. O tratamento com remédios está reservado para o cenário avançado do câncer de rim, quando já existem metástases. Felizmente, os avanços na oncologia trouxeram o advento da imunoterapia e de terapias-alvos orais que revolucionaram a história do câncer de rim avançado.

Para evitar o câncer do rim (e os demais problemas da saúde dele) é importante estar sempre cultivando um estilo de vida saudável; hidratar-se bem, combater o sedentarismo e a obesidade, e controlar doenças crônicas como hipertensão e diabetes fazem parte de um roteiro básico de uma boa saúde. Manter uma rotina de avaliações médicas também é importante. O monitoramento de exames de sangue (como ureia e creatinina), o exame clínico do abdome e a complementação com exames de imagem nos permite acompanhar a saúde dos rins. Eventualmente, esses exames podem evidenciar achados suspeitos em um dos rins e deflagrar o processo de investigação de um possível câncer de rim.

 

Obesidade: o que devemos saber

Higor Mantovani

CRM 155.725

Sabemos, hoje, que a obesidade tomou proporções epidêmicas, tornando-se responsável pelo desenvolvimento e agravamento de doenças crônicas, tal como hipertensão, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, problemas respiratórios e até mesmo câncer. Tecnicamente, a obesidade em adultos é definida pelo parâmetro do Índice de Massa Corpórea (IMC) superior a 30. Já aqueles indivíduos com IMC entre 25 e 29,9 são considerados portadores de sobrepeso.

O tema em pauta se torna ainda mais preocupante quando nos damos conta de que as doenças citadas anteriormente respondem pelos maiores percentuais de morbimortalidade a nível de Brasil e mundo. Na atual pandemia que vivemos, vimos ainda a obesidade se apresentar como um importante fator de risco para o desenvolvimento da forma grave da COVID-19. Tais fatos reforçam ainda mais a importância da conscientização e do combate a obesidade e ao sobrepeso. A adoção de um estilo de vida mais saudável interfere diretamente no controle e desenvolvimento de tais doenças. Exercícios físicos regulares, associados ao menor consumo de produtos embutidos/industrializados e ao combate ao alcoolismo e tabagismo são medidas que contribuem para a prevenção de doenças crônicas.

Quando falamos especificamente do câncer, é sabido que aproximadamente 15 a 20% dos casos tem relação com obesidade. Ressalto aqui a correlação mais intima com o câncer colorretal, de útero (endométrio) e de mama. A obesidade responde ainda por 7 a 10% dos óbitos em pacientes oncológicos, além de proporcionar um maior risco de complicações decorrentes do tratamento, como infecções. E não para por aí; diversos estudos demonstraram que manter-se obeso ou com sobrepeso após o tratamento do câncer da mama pode aumentar o risco de recidiva de doença.

Nunca é tarde para a mudança do estilo de vida e o início de hábitos mais saudáveis. Essa postura, entretanto, requer dedicação e regularidade. Para isso, existem diversos profissionais engajados com esse objetivo e dispostos a auxiliar neste desafio; é o caso do educador físico, do nutricionista, do fisioterapeuta, e de muitos outros que podem contribuir no processo de combate ao sedentarismo e ao excesso de peso. Procure ajuda, se movimente e estimule as pessoas ao seu redor a adotar uma vida mais saudável e ativa.

 

Dia Internacional do Idoso

No dia 1˚ de outubro é celebrado o Dia Internacional da Pessoa Idosa. A data foi estabelecida em 1991 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de tornar evidente questões relacionadas aos direitos e a saúde do idoso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) define que idosos são indivíduos com 60 anos ou mais. Desde a transição do milênio temos visto uma inversão nas pirâmides populacionais a nível mundial. A causa deste fenômeno certamente está relacionada ao maior zelo e investimento na saúde e nos direitos dos idosos.

É esperado que o avançar da idade cronológica caminhe em paralelo ao surgimento de doenças crônicas. Como representantes deste grupo de moléstias podemos citar a hipertensão, o diabetes, as doenças cardiovasculares e até mesmo o câncer. É também fato que a medicina moderna evoluiu e aprendeu a lidar com essas morbidades, tornando-as passiveis de controle (ainda que parcialmente). Hoje, um paciente portador de câncer aos seus 70-80 anos tem tratamentos de segurança e eficácia muito superiores aos existentes nos anos 80-90.  Com isso, em alguns casos, é possível preservar e prolongar a vida de pessoas que outrora foram desenganados ao diagnóstico.

Mas o Dia do Idoso chega para algo que vai além da celebração de novos medicamentos e da evolução da medicina; ele vem para nos convocar a uma reflexão sobre como envelhecer de maneira saudável. Afinal, melhor do que tratar doenças é poder preveni-las. Para isso, faz-se necessária a propagação de estratégias preventivas para as doenças citadas anteriormente e para tantas outras, com foco em evitá-las ou diagnosticá-las precocemente.

Precisamos intensificar políticas que venham combater os vilões de uma boa saúde e da longevidade, tais como o tabagismo, o alcoolismo, a obesidade e o sedentarismo. É preciso garantir acesso e agilidade na atenção primária, além de revisitar as políticas de rastreamento de câncer, garantindo os exames e procedimentos necessários. É preciso rever o fluxo para aqueles idosos com doenças recém diagnosticadas, com tratamento em tempo hábil e adequado. É preciso zelar pela saúde mental do idoso; para alguns, o envelhecimento é sinônimo de regressão, solidão e de perda de autonomia. Em conjunto, é de importância ímpar buscar o adequado posicionamento social do idoso (até no mercado de trabalho se desejo for), com a devida garantia e respeito aos seus direitos.

Que no dia 1˚ de outubro possamos resgatar nos idosos o sentimento de respeito das palavras “senhor” e “senhora”, e fazê-los sentir orgulho disso. Afinal, todos chegaremos lá um dia e esperamos encontrar uma sociedade justa, que se preocupe com o bem-estar dos seus idosos. Fica aqui os parabéns e o sentimento de gratidão do Grupo SOnHe para com nossos amigos, familiares e pacientes que já se encaixam na definição de idoso.

 

8 de julho: Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador

Hoje, dia 8 de julho, celebramos o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico. Não é novidade que a ciência tem sido assunto recorrente em nossas rotinas. Aliás, estamos vivendo (ou melhor, sobrevivendo) a uma pandemia que certamente tem sido o maior desafio para a ciência moderna. Em muito pouco tempo, vimos um vírus novo surgir e, com ele, perdemos nossa liberdade, nossa tranquilidade e, infelizmente, muitas vidas. Mas é também neste mesmo tempo que vimos a ciência brilhar com o desenvolvimento das vacinas contra o coronavirus; vacinas estas que estão trazendo de volta a esperança de um mundo “normal”.

Apesar de toda a gratidão que devemos aos pesquisadores e cientistas que trabalharam pelas vacinas, é frequente nos depararmos com uma desconfiança de parte da população quanto à eficácia, segurança e até procedência dos imunizantes. E foi aí que presenciamos o surgimento do termo não científico de “sommelier de vacinas”. O termo “sommelier” é frequentemente utilizado no mundo dos vinhos e, geralmente, denomina profissionais especializados em degustação e apreciação desta bebida. Vale ressaltar que para adquirir essa titulação é necessário um vasto conhecimento sobre a produção dos vinhos, o cultivo das uvas, as técnicas de fermentação, e as formas de harmonização dos diversos vinhos. Em contrapartida, para ser “sommelier de vacinas” pouco se faz necessário; basta uma pequena dose de ignorância e muita confiança num “desconhecimento científico” sobre os imunizantes.

O retorno a vida “normal” depende diretamente do avanço da imunização em massa da população. O indivíduo que se acha no direito de escolher a vacina que vai tomar baseando-se na marca, fabricante ou alguma característica do imunizante está justamente remando contra essa onda de vacinação que tanto estamos precisando. E evidentemente, está contra a ciência.

Todos os imunizantes disponíveis e em aplicação no mercado foram devidamente testados em ensaios clínicos randomizados e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), comprovando sua eficácia contra formas graves da doença que há mais de um ano vem superlotando os hospitais do Brasil. Estamos vendo o efeito das vacinas nos países cuja vacinação está avançada, com o retorno da socialização, dos eventos, dos jogos de futebol e demais esportes. Hoje, no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador, tudo que queremos é que a vacina (qualquer que seja ela) seja devidamente disponibilizada e aplicada. E, claro, queremos que ela funcione, assim com está funcionando em outros lugares do mundo. Só assim, apoiados em boa ciência, venceremos a pandemia.

Fica aqui os parabéns do Grupo SOnHe aos cientistas e pesquisadores que, de forma direta ou indireta, estiveram envolvidos no desenvolvimento e aprimoramento das vacinas. Que saibamos valorizar e respeitar ciência!

 

Abril: mês de conscientização sobre câncer de testículo

Abril é o mês de conscientização sobre câncer de testículo. É sabido que se trata de um tipo de câncer raro, que responde por aproximadamente 2 a 3% de todos os canceres em homens. Entretanto, é um tumor que frequentemente acomete pacientes jovens (entre 20-40 anos), que pode ser agressivo e que, por isso, deve ser diagnosticado o mais precocemente possível.

Na maioria das vezes, o câncer de testículo se manifesta por um caroço no órgão (que pode ou não doer) e que altera as suas características (tamanho, consistência e cor). O exame clínico do testículo pode facilmente detectar tais alterações e deflagrar o processo de investigação e diagnóstico. Entretanto, a palpação do órgão genital masculino é vista por muitos homens como um motivo de vergonha; por isso, existe uma tendência em hesitar a procura do médico logo no início dos sintomas, o que pode atrasar a detecção precoce de um possível câncer. Não incomumente, a parceira do paciente é a responsável por notar as alterações descritas anteriormente e incentivar que ele procure um médico.

O principal fator de risco para o desenvolvimento de câncer de testículo é a criptorquidia, popularmente conhecida como o “testículo que não desceu” ou “mal posicionado”. A criptorquidia é quando se tem a ausência ou a não localização do testículo na bolsa escrotal. Esta condição pode aumentar de 3 a 5% a chance de desenvolver o câncer do testículo e geralmente é reconhecida desde o nascimento, podendo ser acompanhada por um médico urologista.

O câncer de testículo já foi pauta da mídia quando atletas internacionalmente conhecidos do mundo do basquete, futebol e ciclismo tiveram o diagnóstico. A fama foi temporária e ele ainda é lembrado por ser um câncer raro, o que pode gerar a falsa impressão de que ele não existe. É importante ressaltar que o câncer de testículo, quando diagnosticado em estágios iniciais, é potencialmente curável com a cirurgia de retirada do órgão acometido. A quimioterapia pode ser necessária para complementar o tratamento e aumentar o percentual de cura, reduzindo as chances de recidiva da doença. Até mesmo quando o câncer se apresenta com metástases em outros órgãos, o tratamento com quimioterapia tem grande eficácia e pode controlar a doença por um longo período.

Em resumo: é de extrema importância conscientizar a população masculina sobre a existência e as características do câncer de testículo. O diagnóstico precoce possibilita a cura na maioria dos casos e, por isso, os homens devem ser incentivados a procurar um médico ao primeiro sinal que gere a suspeita deste câncer.