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Orientações Práticas durante o Tratamento do Câncer.

Orientações Práticas durante o tratamento do câncer.

Alimentação

Não há necessidade de grandes modificações na alimentação. No entanto, o paciente deve incluir nas refeições diárias frutas, verduras, cereais, carnes, para que possa obter todos os nutrientes de que o organismo precisa. É importante que o paciente esteja sempre bem alimentado, para ter melhores condições de reagir aos efeitos colaterais, ficando também menos predisposto a infecções. Em geral não é necessária suplementação vitamínica, que deve ficar a critério do médico oncologista.

Bebidas alcoólicas

Devem ser evitadas, tendo em vista que o álcool pode interagir com os medicamentos utilizados no tratamento, podendo reduzir os efeitos esperados, e aumentando efeitos colaterais.

Atividades físicas

Durante o período de tratamento não há contra-indicação à prática de exercícios físicos ou modalidades esportivas. Porém, o indivíduo pode ficar menos disposto. Por esta razão, o paciente deve estar atento para não exagerar e forçar suas condições físicas.

Trabalho

A maioria dos pacientes pode e deve continuar trabalhando durante o tratamento. Não há indicação para que as atividades habituais sejam paralisadas, a menos que sejam bastante pesadas e exijam muita condição física. Na maioria das vezes o paciente precisa apenas ajustar o dias das sessões de tratamento e os dias em que os efeitos colaterais estejam mais fortes, para que possa entrar em acordo e ser dispensado do trabalho.

Relações sexuais

A quimioterapia, para muitos pacientes, provoca tensões físicas e emocionais que podem estar ligadas não só aos efeitos colaterais, como também às mudanças no ritmo de vida, alimentação e trabalho, além de ansiedades em relação ao futuro, à saúde e à família. Todos esses aspectos juntos podem contribuir para que haja uma diminuição no interesse sexual.

No entanto, é importante que o paciente saiba que a quimioterapia não o impede de manter relações sexuais normalmente.

Ciclo menstrual

As drogas utilizadas na quimioterapia podem reduzir temporariamente a produção de hormônios, provocando em algumas mulheres alteração do ciclo menstrual. A quantidade de sangramento pode ser alterada, e às vezes pode ocorrer interrupção completa da menstruação. Geralmente, após o término do tratamento, o ciclo menstrual vai voltando ao seu funcionamento normal.

Gravidez

Durante o período de quimioterapia a gravidez deve ser evitada, já que as drogas usadas podem causar riscos na formação do bebê. É importante pedir orientação ao médico sobre o melhor método de anticoncepção a ser usado durante o tratamento.

Uso de outros medicamentos

Alguns medicamentos, mesmo os homeopáticos. “alternativos” e “naturais”, podem interferir no tratamento quimioterápico. Por isso, o médico deve ser sempre consultado antes de o paciente fazer uso de qualquer medicamento.

Sintomas que merecem cuidados imediatos

Caso o paciente apresente algum sintoma novo que o incomode, ou ainda um dos sintomas relacionados abaixo, deve procurar orientação médica, o mais rápido possível.

  • febre (temperatura igual ou maior que 38 graus)
  • falta de ar ou dificuldade respiratória
  • dificuldade de controlar a urina
  • dificuldade na visão (dupla ou borrada)
  • dor de localização ou intensidade anormal
  • sangramento em qualquer região, que persista por tempo mais prolongado

 

 

Mitos e Verdades sobre Câncer

Mitos e Verdades sobre Câncer: Perguntas do dia-a-dia no consultório – Parte 1.

Dr. Adolfo Scherr

Recebemos todos os dias vários pacientes e familiares com dúvidas do que causa câncer. E resolvemos de maneira simples falar sobre algumas delas:

1 – Câncer é uma doença contagiosa?

Mito.

O câncer não passa de uma pessoa para a outra por contágio como ocorre com resfriados, por exemplo. No entanto, alguns vírus oncogênicos, isto é, capazes de produzir câncer, podem ser transmitidos através do contato sexual, de transfusões de sangue ou de seringas contaminadas utilizadas para injetar drogas. Um vírus que tem sido muito falado e que pode ser transmitido por contato sexual é o HPV que pode provocar câncer. Por isso vacinem seus filhos.

2 – Câncer é uma doença hereditária?

Mito na maioria dos casos.

Em geral, o câncer não é hereditário. Há apenas alguns raros casos que são herdados. Entretanto, existem alguns fatores genéticos que tornam determinadas pessoas mais sensíveis à ação de carcinógenos, isto é, agentes que provocam o desenvolvimento de um câncer ou tumor maligno no organismo, o que explica por que algumas delas desenvolvem câncer e outras não, quando expostas a um mesmo carcinógeno ambiental.

  • 90-95% tumores malignos são esporádicos
  • 5-10% são hereditários

3 – Charutos e cachimbos provocam menos câncer que cigarros comuns?

Mito.

Tanto os cigarros como os charutos e fumo para cachimbos consistem em folhas de tabaco secas, além de outras substâncias. Dentre aquelas já identificadas no tabaco e na sua fumaça, 43 são comprovadamente cancerígenas. Como há mais fumantes de cigarros do que de charutos e cachimbos, a ocorrência de câncer por cigarro é maior, no entanto charutos e cachimbos são igualmente perigosos.

Tipos de Câncer

Mortes atribuídas ao Tabagismo

Pulmão

85%
Laringe

80%

Faringe, Boca e Lábios

80%

Esôfago

75%

Bexiga

45%

Rim

35%
Colo de Útero

30%

Pâncreas

30%

Estômago

20%

 

4 – Alimentos cozidos em forno de microondas podem provocar câncer?

Mito.

As microondas não tornam o alimento radioativo, nem apresentam risco de exposição à radiação desde que usadas de acordo com as instruções. A exposição a altas doses de radiação por microondas pode ocasionar queimaduras ou cataratas nos olhos, mas a pequena quantidade que pode vazar de um forno caseiro não causa problemas.

5 – A pílula anticoncepcional provoca câncer?

Mito.

Desde que a pílula anticoncepcional entrou no mercado, há cerca de 40 anos, incontáveis pesquisas foram feitas sobre sua possível relação com o câncer, e nada foi encontrado.

Aguarde o próximo texto com mais mitos e verdades.

Câncer de ovário: Um inimigo silencioso!

Câncer de ovário: Um inimigo silencioso!

O câncer de ovário ocupa a sétima posição dentre os cânceres malignos mais frequentes em mulheres e a terceira posição entre os cânceres ginecológicas no Brasil. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou 6150 novos casos em 2016 e é a quinta maior causa de morte por câncer entre as mulheres. Essa elevada mortalidade está diretamente relacionada ao diagnóstico tardio. Trata-se de uma doença silenciosa com sintomas que aparecem em fases avançadas levando ao atraso do início do tratamento.

É possível evitar essa evolução desfavorável? A resposta é SIM. Entender o comportamento e os fatores desencadeantes desse tipo de câncer é o primeiro passo. Para começar, podemos dividir o câncer de ovário em 3 tipos principais:

–Tumores epiteliais, que se iniciam nas células que recobrem a superfície externa no ovário, responsáveis por 95% dos casos.

– Tumores de células germinativas, que originam os espermatozoides e os ovócitos, responsáveis por 2-3% dos casos.

– Tumores estromais, constituídos a partir do cordão sexual da gônada, responsáveis por 5% dos casos.

Como vimos, a grande maioria são tumores epiteliais e esse será o foco da nossa discussão. É importante saber que todas as mulheres podem ter câncer de ovário, mas as que apresentam maior risco são: as que tem história na família de câncer de ovário ou mama, idade avançada (acima dos 60 anos), nunca ter ficado grávida, menarca precoce, menopausa tardia, endometriose, reposição hormonal na pós menopausa e tabagismo. As síndromes hereditárias também aumentam significativamente esse risco, predispondo a doença em idades mais jovens. As mutações de maior importância são BRCA 1, BRCA 2 e a síndrome de Lynch (alteração genética em genes do DNA).

E por que é considerado um câncer silencioso? Na fase inicial, a grande maioria das pacientes são assintomáticas ou apresentam sintomas inespecíficos como dores abdominais, náuseas e alteração do hábito intestinal, não levando a paciente a procurar seu médico. Quando os sintomas tornam-se intensos, podendo cursar com aumento do volume do abdômen pela formação de liquido (ascite) ou obstrução do intestino causando dificuldade para evacuar, a doença já está avançada e a chance de cura é menor. Atualmente 80% dos tumores são diagnosticados em fase avançada, reduzindo a sobrevida da paciente.

Para o diagnóstico o médico necessita de uma avaliação clínica, exame físico e ginecológico, exames de sangue com marcador tumoral (Ca 125) e exames de imagem (ultrassom transvaginal, tomografia computadorizada e ressonância magnética). Quando o tumor está em fase inicial, os exames de imagem identificam uma lesão nodular ou uma massa restrita aos ovários. Na doença avançada pode ocorrer disseminação dos nódulos para o peritônio (camada que reveste o intestino), formação de liquido no abdômen e metástase para outros órgão como fígado e pulmão. Importante ressaltar que para o diagnóstico definitivo é necessário uma biópsia da tumoração apontada no exame de imagem.

O tratamento depende do estágio da doença. As opções principais são: cirurgia seguido de quimioterapia ou, quando o tumor apresenta-se mais avançado, iniciar quimioterapia e posterior avaliação cirúrgica.

Infelizmente os métodos de rastreamento para câncer de ovário não se mostraram efetivos para a população geral como é o caso do Papanicolau no câncer de colo de útero. A realização de exames de ultrassom transvaginal e marcador tumoral (Ca 125) apenas resultou em maior número de procedimentos e gastos para a saúde sem benefício significativo em reduzir a mortalidade, não sendo portanto indicado de rotina.

Diante desse inimigo silencioso que não possui um rastreamento definido, conhecer os fatores de risco e dar importância aos sintomas de forma precoce é fundamental para o diagnóstico na fase inicial. Quanto mais precoce for descoberto o tumor, menos agressivo será o tratamento e maiores serão as chances de cura. Concluindo, a melhor forma de se combater esse inimigo é através de um acompanhamento médico de rotina e hábitos de vida saudáveis!

 

Dr David Pinheiro Cunha

Oncologista Clinico do grupo SonHe

 

Você sabia que existem diferentes tipos de Câncer de Mama?

Um erro muito comum é achar que todos os cânceres de mama são iguais. Existem diferentes subtipos, que acometem diferentes células e tem desenvolvimento e tratamentos diferentes.

Esses subtipos são definidos baseados em características celulares e anatômicas e também dependendo de marcadores que as células podem expressar em sua superfície.

As mamas são órgãos compostos basicamente por três partes: tecido adiposo (a gordura), tecidos conectivos (que dão sustentação) e os lobos e glândulas mamarias (responsáveis pela produção e ejeção do leite). São nos lobos e glândulas que aparecem os tipos mais frequentes de tumores da mama.

  • Quanto a essa localização os principais tumores são classificados em:

-Carcinomas lobulares (quando iniciam nos lobos mamários).

-Carcinomas Ductais (quando iniciam nos ductos mamários).

Existem outros subtipos, mas são mais raros.

  • Quanto a extensão da doença são classificados em:

-Carcinomas in situ (quando a lesão é muito inicial e ainda se encontra dentro dos ductos ou lobos).

-Carcinoma Invasivo (quando a lesão já rompeu a parede dos ductos ou lobos e atinge a gordura e tecidos ao redor).

Os Carcinomas Ductais invasivos são os mais comuns correspondendo a 80% de todos os tumores invasivos.

Os Carcinomas Lobulares Invasivos são o segundo mais comum e podem ser bilaterais em até 30% dos casos.

Além da classificação baseada no local de acometimento dentro da mama e do tipo celular que deu origem a doença, ainda podemos classificar o tumor conforme suas características moleculares (proteínas que podem estar presentes na parede da célula cancerígena).

Algumas dessas proteínas são os receptores hormonais de estrógeno e progesterona (hormônios sexuais femininos produzidos por toda mulher). Quando um deles ou os 2 estão presentes isso significa que o tumor é influenciado/estimulado por esses hormônios.

  • Quanto a classificação hormonal os tumores podem ser:

-Receptor Hormonal Positivo ( RH+).

-Receptor Hormonal Negativos ( RH-).

Os tumores que recebem influência hormonal são geralmente menos agressivos, se desenvolvem mais lentamente e portanto tem maiores chances de cura. Seu tratamento inclui uso de medicação hormonal que, na verdade, vai inibir a produção ou ação do estrógeno e progesterona do organismo. Por isso, nem todas as mulher com câncer de mama precisam usar essa medicação , apenas aquelas com tumores que tem receptores hormonais positivos.

Outra proteína que pode estar presente é a chamada “Her 2”. Essa proteína esta relacionada a uma maior proliferação das células tumorais.

  • Quanto ao Her 2 os tumores podem ser:

-Her 2 positivos.

-Her 2 negativos.

Os tumores Her 2 positivos tendem a ser mais agressivos, mas atualmente existem medicamentos específicos para inibir esse tipo de tumor( trastuzumabe, pertuzumabe) que quando usados nesses casos, aumentam as chances de bons resultados.

Quando o tumor não tem nenhuma dessas proteínas na membrana de suas células (portanto são receptores hormonais negativos e Her 2 negativos) ele é chamado de uma tumor “Triplo Negativo” . Geralmente esses são os mais agressivos e por isso exigem tratamentos também mais agressivos.

Portanto, é importante saber que quando falamos em Câncer de Mama, temos vários subtipos, cujo diagnóstico depende de exames detalhados e bem feitos no material da biopsia e o tratamento deverá ser individualizado levando em consideração essas diferenças.

As pessoas são únicas e os tumores também, portanto os tratamentos devem ser individualizados. O melhor tratamento para uma paciente pode não ser o mais adequado para outra. Devemos lembrar sempre também que, embora mais raro, os homens também podem ter câncer de mama, e essas classificações também podem ser usadas nos casos deles.

 

 

 

HPV: O vilão nos casos de câncer de colo de útero

HPV: O vilão nos casos de câncer de colo de útero 

Dr. Adolfo Scherr

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que o tumor de colo de útero atinge 16 mil novas mulheres no Brasil por ano, o que já faz dele o terceiro tipo de câncer mais prevalente entre a população feminina. E se avaliarmos determinadas áreas do país, a incidência aumenta, chegando a ser o segundo mais comum no Nordeste e o primeiro em algumas regiões do Norte, como na região amazônica. A doença é silenciosa e, por isso, em cerca de 35% dos casos acaba levando à morte. Estima-se cinco mil mortes de brasileiras anualmente em decorrência do câncer de colo de útero. Esses números são alarmantes e nossa preocupação aumenta quando sabemos que muitos responsáveis não levam seus filhos para vacinação contra o principal causador da doença: o chamado papilomavírus humano – conhecido como HPV.

O HPV é o tipo mais comum de infecção sexualmente transmissível em todo o mundo e atinge as mulheres de forma massiva. Segundo o Ministério da Saúde, 75% das brasileiras sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus se dá na faixa dos 25 anos. Após o contágio, ao menos 5% dessas brasileiras irá desenvolver câncer de colo do útero em um prazo de dois a dez anos, uma taxa que preocupa os especialistas.

É a quarta maior causa de morte entre as mulheres. 90% das mulheres com câncer de colo de útero têm HPV. Desta forma, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente a vacina contra o vírus. Mas ainda observamos que muitas famílias não dão a devida importância. Por isso nosso alerta da relação do HPV com o câncer de colo de útero.

A vacina foi incorporada ao calendário do Ministério da Saúde em 2014 e é recomendada geralmente para mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual. Então, meninas entre 9 e 14 anos (e meninos entre 11 e 14 anos – homens podem ser portadores assintomáticos do vírus) são alvo da campanha de vacinação. De qualquer forma, MULHERES E HOMENS DEPOIS DESSA IDADE PODEM TOMAR A VACINA PORÉM SUA EFICÁCIA PODE SER MENOR UMA VEZ QUE A PESSOA JÁ PODE TER SIDO EXPOSTA AO VÍRUS. A VACINAÇÃO FORA DA FAIXA ETÁRIA RECOMENDA PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE SÓ PODERÁ SER REALIZADA NO SISTEMA PRIVADO.

Acompanhamos muitos casos deste tipo de câncer (a maioria jovem, com menos de 35 anos, e que descobriu o câncer em estágio avançado) a prevenção é um dos principais aliados no combate ao câncer de colo do útero. E isso está relacionado à diminuição do risco de contrair o HPV. Assim, é importante se vacinar contra o vírus e usar camisinha durante a relação sexual. Também é preciso fazer os exames periódicos no ginecologista, como o Papanicolau, por exemplo. Casos diagnosticados no início dão uma chance de cura perto de 80% às pacientes. Mas não se pode esperar sintomas, pois é uma doença silenciosa e muitas mulheres perdem a chance de descobrir a condição ainda no começo por não sentirem nada.

Sinais de alerta

O câncer de colo de útero chega de forma silenciosa. E os primeiros sinais aparecem por meio de sangramento vaginal, seguido de corrimento e dor no baixo ventre.

O tratamento é cirúrgico para os casos mais iniciais e nos casos mais localmente avançados, a associação de quimioterapia e radioterapia é o mais indicado.

Nos casos não passiveis mais de cura, a quimioterapia isolada pode ser utilizada na tentativa de diminuir sintomas, principalmente a dor.

 

 

Praticar atividade física diminui o risco de câncer?

5 Perguntas e Respostas sobre Atividade Física e Câncer

Dra. Vivian Antunes – Oncologista Clínica

Dra. Carla Ribeiro – Professora de Educação Física

 

     1 – A prática de atividade física pode diminuir o risco de desenvolvimento um câncer?

Essa não é exatamente uma dúvida nova, e felizmente a resposta é sim.

Nas últimas décadas estamos acumulando estudos que examinaram a associação entre atividade física e risco de desenvolvimento de câncer, sendo os resultados animadores.

Entre os vários estudos que se propuseram a analisar qual a ligação entre a atividade física e câncer, e já haviam demonstrado risco reduzido no desenvovimento de câncer de cólon, mama e endométrio, gostaria de destacar um recente e importante estudo publicado em uma renomada revista médica em 2016: “Increased physical activity associated with lower risk of 13 types of cancer”, conduzido por Steven C. Moore, Ph.D., e publicado na JAMA Internal Medicine.

Este novo estudo reuniu dados de aproximadamete 1,5 milhões de pessoas, de 19 a 98 anos, sendo os participantes seguidos por uma média de 11 anos, durante os quais 187 mil novos casos de câncer ocorreram.

Os resultados encontrados são surpreendentes. A prática de atividade física mostrou-se associada ao menor risco de desenvolver 13 tipos diferentes de câncer. O risco de desenvolver sete tipos de câncer foi de 20% (ou mais) menor entre os participantes mais ativos, em comparação aos participantes sedentários.

Essas descobertas confirmam e ampliam a evidência do benefício da atividade física como redutora no risco de câncer, e apoiam seu papel como componente chave na prevenção e controle de câncer na população mundial.

     2 –  Para quem já teve um câncer na vida, a prática de atividade física pode diminuir a chance do câncer voltar?

Após o tratamento de uma doença ameaçadora à vida, quase sempre nos deparamos com a dúvida sobre o que podemos fazer para que essa doença não volte. A verdade é que temos muito a fazer, principalmente com mudanças no estilo de vida, incluíndo alterações na dieta e mantendo a prática de atividade física regular.

Para os pacientes que já foram curados de um câncer e que hoje estão em acompanhamento, a prática de atividade física pode trazer benefícios em diversos aspectos, inclusive na redução da chance de recorrência da doença.

Com relação ao câncer de mama, existem evidências consistentes de estudos que ligam a atividade física após o diagnóstico com melhores resultados a longo prazo. Por exemplo, um grande estudo demonstrou que as mulheres tratadas por câncer de mama e que mantiveram atividade física moderada (o equivalente a andar de 3 a 5 horas por semana a um ritmo médio), tiveram aproximadamente 40% a 50% menos recorrência do câncer, e também menor risco de morte em comparação com mulheres sedentárias. O benefício da atividade física em relação à redução de morte por câncer de mama foi mais evidente em mulheres com tumores que expressam receptores hormonais positivos.

De forma semelhante, estudos sobre a prática de atividade física em pacientes que já foram tratados por câncer de cólon e câncer de próstata, também mostram taxas de mortalidade reduzidas quando em comparação com pacientes sedentários.

Assim sendo, pacientes já tratados por câncer devem ser fortemente encorajados a manter atividade física regular, já que essa atitude tem se mostrado como uma importante ferramenta na prevenção da recaída da doença.

 

     3 – Pacientes em quimioterapia podem fazer atividade física?

Um número crescente de estudos tem avaliado o valor terapêutico do exercício físico durante o tratamento do câncer.

Boas evidências sugerem que o exercício não é apenas seguro e viável, mas também pode melhorar o bem estar físico, funcional, emocional, além de melhorar a qualidade de vida de pacientes em quimioterapia.

O exercício aeróbio mostrou melhorar o desempenho físico em pacientes com câncer em tratamento, e dados mais recentes revelam uma valiosa redução na sensação de fadiga relatada por pacientes com câncer que participaram de um programa de treinamento desenvolvido para pacientes em quimioterapia.

A fadiga é uma das sensações mais referidas e temidas pelos pacientes que enfrentam um tratamento oncológico, e até então, a atividade física é a medida mais eficaz e mais bem estudada para combatê-la.

 

     4 – Como a atividade física está relacionada à redução do risco de câncer?

O exercício físico tem uma série de efeitos biológicos sobre o corpo, alguns dos quais foram estudados como explicações que o relacionam à redução da incidência e recorrência do câncer.

A prática de atividade física regular está relacionada com a prevenção e tratamento da obesidade, sendo esse o principal mecanismo pelo qual a atividade física reduz o desenvolvimento tumoral.

Estima-se que 20% de todos os cânceres que ocorrem hoje no Mundo estejam relacionados diretamente à obesidade, sendo portanto considerados tumores potencialmente preveníveis.

A obesidade leva ao aumento de níveis de insulina e fator de crescimento de insulina-1 (IGF-1), o que pode estimular o desenvolvimento e crescimento do câncer.

Além disso, o aumento na gordura corporal está diretamente relacionado ao aumento da quantidade de estrógeno produzido pelo tecido adiposo, ajudando no desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como câncer de mama e endométrio.

Outra importante ligação entre a obesidade e o câncer é a Inflamação crônica, que é mais comum nas pessoas obesas e está associada a um claro aumento do risco de câncer, como já documentado por diversos pesquisadores nas últimas décadas.

 

     5 – Quanto de atividade física é recomendado para que estejamos “fazendo a nossa parte” na prevenção de um câncer?

Diante de todos os estudos que comprovam a redução do risco de desenvolvimento e recorrência de diversos tipos de câncer através da atividade física, associado aos demais benefícios substanciais para a saúde, a “American Cancer Society” recomenda formalmente que os adultos pratiquem pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbia de intensidade moderada por semana, ou 75 minutos de atividade física aeróbia de intensidade vigorosa por semana. A atividade física aeróbia deve ser realizada em episódios de pelo menos 10 minutos, de preferência espalhados ao longo da semana.

Para crianças e adolescentes, as diretrizes recomendam pelo menos 60 minutos de atividade física diariamente. Como parte de seus 60 minutos ou mais de atividade física diária, crianças e adolescentes devem incluir atividade física de fortalecimento muscular em pelo menos 3 dias da semana.

 

 

 

Narguilé, um hábito perigoso e crescente no Brasil

30 de Agosto de 2017

De origem oriental, o narguilé é uma espécie de cachimbo de água no qual o tabaco aromatizado é queimado, atravessa um recipiente com água e a fumaça é aspirada por uma mangueira até a boca. Há diferenças regionais no formato e no funcionamento dos cachimbos d’água, mas o princípio comum é o fato de a fumaça passar pela água antes de chegar ao fumante. Tradicionalmente utilizados em muitos países, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia, têm-se espalhado para a Europa e Américas. Nas últimas décadas ganhou popularidade no ocidente tornando-se hábito frequente entre os jovens. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde revelam um espantoso aumento de 139% no consumo de narguilé no período de 2008 a 2013 entre homens de 18 a 24 anos no Brasil.

Frequentemente encontrado em bares, festas e eventos sociais, seu consumo esta relacionado com momentos de lazer e descontração, sendo erroneamente interpretado como inofensivo. O hábito pode ser considerado mais perigoso que o tabagismo. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), consumir uma rodada do cachimbo é equivalente a fumar 100 cigarros. Isso ocorre devido à grande quantidade de fumaça inalada que pode chegar de 31 a 86 litros nas sessões que duram em torno de 45 minutos.

Um estudo do Dr ReemWaziri e colaboradores da Universidade Americana de Beirute revelou associação do fumo de narguilé com os cânceres de pulmão e cavidade oral, doenças pulmonares como enfisema pulmonar e asma e doenças cardiovasculares como infarto do miocárdio. Essas diversas doenças estão relacionadas com inalação de monóxido de carbono, hidrocarbonetos aromáticos e aldeídos voláteis, que também são encontrados no cigarro.

A dependência química também pode ocorrer. Estudos apontam quantidade de nicotina duas vezes superior a encontrada nos cigarros. Para os usuários frequentes existe a maior probabilidade de dependência e sintomas relacionados à abstinência como alteração de humor, alteração do sono, tremores dentre outros.

Como geralmente seu uso ocorre em grupos, utilizando a mesma piteira para aspiração, existe a possibilidade de transmissão de infeções. O quadro pode variar desde gripe, herpes ou até mesmo tuberculose.

Diante de todos os riscos citados o narguilé deve ser considerado um hábito perigoso. Em semelhança ao tabagismo, doenças graves podem ocorrer, mas felizmente são potencialmente evitadas com a suspensão desse hábito. Sendo assim, para que não se torne um problema pessoal ou de saúde pública é nosso dever a conscientização dos seus malefícios e a mudança para um estilo de vida mais saudável.

Terapia Alternativa: Dobra a chance de morte nos pacientes com câncer.

23 de agosto de 2017.

Há poucos dias foi noticiado pela imprensa que o jornalista Marcelo Rezende, que luta contra um câncer de pâncreas, decidiu abandonar o tratamento convencional com quimioterapia e aderir a tratamentos alternativos contra a doença. Segundo Rezende, os efeitos colaterais das medicações eram muito fortes e ele se sentia enfraquecido após as sessões de tratamento.

Recentemente, um estudo científico conduzido pelo Dr. Skyler Johnson, médico da Escola de Medicina de Yale nos EUA e publicado no periódico do Instituto Nacional do Câncer daquele país mostrou que pacientes que abandonam o tratamento convencional contra o câncer como quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia ou cirurgia e optam por alternativas com menos efeitos colaterais e sem comprovação científica de eficácia tem o dobro de chance de morrer. Nesse estudo, os pesquisadores avaliaram dados de 281 pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão e intestino grosso e que optaram por algum tratamento alternativo e compararam com as informações de outros 560 pacientes acometidos pelos mesmos tipos de câncer mas que se submeteram ao tratamento convencional proposto pelo médico. O resultado mostrou que quem optou pelo tratamento alternativo teve 2,5 vezes mais chance de morrer em um período de seguimento de cinco anos do que o grupo que aceitou o tratamento oncológico convencional no mesmo período de tempo.

Se formos separar os pacientes do estudo por tipo de tumor, os que tinham câncer de mama e não aceitaram o tratamento convencional tiveram 5 vezes mais chance de morrer. Os pacientes que decidiram trocar o tratamento oncológico pelo alternativo tinham em geral nível sócio-econômico mais elevado, mais escolaridade e eram mais saudáveis no momento do diagnóstico. Os motivos que levaram as pessoas a não aderirem ao tratamento oncológico foram vários, incluindo descrença nos tratamentos atuais, medo dos efeitos colaterais, medo de que por exemplo a quimioterapia pudesse atacar além do câncer, órgãos sadios do organismo e torná-los doentes entre outros.

Em pouco mais de uma década, muitos tratamentos alternativos contra o câncer surgiram e logo se tornaram febre. Podemos citar aqui o Cogumelo do Sol, suco de Noni, Cartilagem de Tubarão e mais recentemente, a fosfoetanolamina, a chamada “pílula do câncer” que levou a uma enxurrada de processos judiciais de pacientes que, desesperados, queriam ter acesso ao produto.

A realidade é que um estudo cientifico conduzido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) mostrou que a fosfoetanolamina não é eficaz no combate ao câncer.

Com o advento das mídias sociais e a facilidade com que a informação, de qualidade ou não, chega até as pessoas, todos os dias nos deparamos com notícias de “tratamentos milagrosos” que prometem a cura do câncer e de outras doenças crônicas como diabetes e pressão alta mas que não tem nenhuma comprovação científica de que realmente funcionam. Muitas pessoas acabam aderindo a essas modas e abandonam o tratamento tradicional. Como mostrado pelo estudo do Dr Johnson, isso não é o mais adequado a ser feito.

A melhor estratégia diante de um diagnóstico de câncer ainda é uma franca conversa com o oncologista e com a equipe de profissionais envolvidos no tratamento. Retirar todas as dúvidas e expor seus medos e angústias sobre a doença e sobre as intervenções propostas como quimioterapia, cirurgia, etc ajudam o paciente a entender seu diagnóstico e a tomar a decisão certa quanto ao tipo de tratamento acatar na luta contra o câncer.

Entendendo o Câncer de Testículo

16 de agosto de 2017

O câncer de testículo é raro, e representa menos de 1% de todos os cânceres no mundo. No entanto, é o tipo de câncer mais comum em homens entre 20 e 35 anos. Por isso, temos alguns exemplos conhecidos, em atletas como Louis Armstrong (ex-ciclista) e Nenê Hilário (jogador de basquete da NBA), já curados, além do atual jogador de futebol Ederson.
Segundo informações publicadas, o atual camisa 10 do Flamengo foi submetido a uma cirurgia para retirada do testículo com o tumor, e iniciará tratamentos com quimioterapia. As chances de cura são muito grandes, e é esperado que Ederson volte a jogar futebol profissionalmente em breve, sem nenhuma sequela.

Quando está localizado apenas no testículo, às vezes apenas a cirurgia pode já curar. A quimioterapia pode ser indicada para aumentar as chances de cura em casos de risco mais elevado.
No entanto, é comum que a doença esteja mais espalhada pelo corpo, quando o diagnóstico é feito. Mas o câncer de testículo é um dos tipos de neoplasias com maior chance de cura, mesmo em estágios mais avançados. A quimioterapia é agressiva, mas proporciona chances de cura que ultrapassa os 90%. Assim, as pesquisas mais atuais além de tentar melhorar um pouco mais as chances de cura têm também avaliado formas menos tóxicas de tratamento, com intenção de melhorar a qualidade de vida dos homens durante e após o tratamento.

Não existe nenhum tipo de rastreamento populacional recomendado para os jovens. No entanto, exames anti-doping têm feito esse rastreamento de forma involuntária, em atletas profissionais. A dosagem do beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana) é feita de rotina na maioria das competições, pois têm-se utilizado a injeção desse hormônio para aumentar a produção de testosterona, ou para evitar a atrofia do testículo quando um esteróide anabolizante é inserido no corpo do homem. O beta-HCG é um hormônio naturalmente produzido durante a gravidez, sendo feito pelo embrião logo depois da concepção e depois por uma parte da placenta. Por isso, a dosagem do beta-HCG é usada na maioria das vezes como teste de gravidez. O betya-HCG pode também ser produzido pelo câncer de testículo. Assim, um exame anti-doping positivo para este hormônio pode ser indicativo de um tumor em estádio inicial.

Por que os diagnósticos de câncer colorretal são tardios?

O termo câncer colorretal representa os tumores do intestino grosso. É uma doença nas quais as células do revestimento do cólon ou do reto param de funcionar adequadamente e começam a se multiplicar sem controle.

 

O câncer colorretal é curável se diagnosticado precocemente. No entanto, vemos no Brasil um pouco mais de 30.000 casos novo por ano, e temos aproximadamente 15.000 mortes anuais por esta doença. Ou seja, cerca de metade dos pacientes diagnosticados com o câncer colorretal morrerão por causa dele.

 

A maioria desses tumores se originam em pólipos, que são pequenas lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Alguns tipos de pólipos eventualmente se tornam cancerosos, com o passar de alguns anos. A melhor maneira de se prevenir o aparecimento seria a detecção e a remoção dos pólipos antes deles se tornarem malignos.

 

Um exame chamado colonoscopia é usado para fazer o diagnóstico do câncer colorretal. Mas ele também pode ser usado para descobrir a presença de pólipos, e fazer a sua retirada. Neste caso, o exame é mesmo preventivo, pois pode tratar lesões benignas, ou pré-malignas, antes delas se transformarem em câncer propriamente dito.

 

A maioria dos diagnósticos hoje no Brasil ocorre tardiamente, pela falta da disseminação da colonoscopia como método de rastreamento e prevenção. Nesses casos, os pacientes se apresentam já com sintomas, ou relacionados à obstrução do intestino (constipação intestinal ou mesmo diarreia), ou a sangramento (presença de sangue nas fezes, ou apenas anemia sem causa aparente). Nesses casos a doença já pode estar disseminada para outros órgãos, o que dificulta o tratamento e diminui as chances de cura.

A colonoscopia é pouco utilizada na prática médica porque apesar de salvar vidas é um exame relativamente caro, além de desconfortável e invasivo.

 

Uma das maneiras para diminuir o impacto negativo do exame seria indica-lo apenas em pacientes com maior risco de problemas intestinais. Neste caso, uma pesquisa de sangue oculto nas fezes poderia ser feita para checar se existe sangue não visível, relacionado à presença de pólipos ou câncer.

 

Nem sempre pólipos apresentam sangramento, mas especialmente no contexto de saúde pública, a pesquisa de sangue oculto poderia selecionar as pessoas mais predispostas à doença.

 

Independentemente do exame a ser feito, pela alta incidência da doença, é fundamental a realização de algum tipo de rastreamento, especialmente em pessoas com mais de 50 anos. Ou em pessoas mais jovens, mas com história de familiares com câncer colorretal.

 

É possível fazer diagnóstico precoce e salvar muitas vidas. Consulte seu médico regularmente, solicite exames preventivos e ajude a mudar as estatísticas você também!