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Tratar o câncer sem esquecer do coração

Isabela de Lima Pinheiro

Com a melhora na sobrevida de pacientes com câncer, alguns efeitos adversos das terapias contra os tumores se tornaram mais evidentes. E esse é o principal foco da cardio-oncologia: o estudo da cardiotoxicidade dos tratamentos oncológicos. A radioterapia e alguns tipos de quimioterapia são destinados a atingir o tecido tumoral, mas podem afetar os tecidos saudáveis, causando efeitos colaterais indesejáveis.

A cardiotoxicidade pode se apresentar de forma aguda, subaguda ou crônica. Nos casos crônicos, a manifestação mais típica é a disfunção ventricular, que pode levar à insuficiência cardíaca. De acordo com informações da Sociedade Internacional de Cardio-oncologia, somente nos EUA há sete milhões de pessoas tratadas com sucesso para o câncer com drogas com potencial cardiotóxico. A identificação dos primeiros sinais de células cardíacas intoxicadas pela quimioterapia é feita por meio de testes relativamente simples: exame de sangue para dosar algumas proteínas e/ou hormônios e ecocardiograma. Além disso, algumas manifestações clínicas como insuficiência cardíaca, arritmias e hipertensão arterial precisam ser monitoradas.

Em relação às escolhas terapêuticas, algumas drogas reconhecidamente apresentam maior cardiotoxicidade. Destacam-se os quimioterápicos da família das antraciclinas, mais usados no tratamento de linfomas e tumores da mama.

Os grupos mais suscetíveis para apresentarem algum problema cardíaco durante o tratamento do câncer são as crianças, os idosos e os indivíduos que já tenham feito algum tratamento cardíaco, como ponte de safena, colocação de marca-passo e, ainda, pessoas que já apresentam previamente insuficiência cardíaca ou aqueles indivíduos com algum tipo de miocardiopatia, que são doenças do músculo cardíaco.

Nesse sentido, a atuação precoce e conjunta do cardio-oncologista é fundamental para evitar sequelas no sistema cardiovascular, permitindo que o tratamento do câncer continue de forma segura e sem prejuízo ao coração. A atuação ocorre com medidas de cuidado integral: controle da ingestão de sódio, exercícios físicos e a perda de peso prudente. Em alguns casos é indicado o uso de medicamentos específicos como os diuréticos e betabloqueadores. Além da manutenção da prevenção dos fatores de risco cardiovasculares típicos como em qualquer outro momento de vida.

A cardio-oncologia vem ganhando espaço entre as especialidades médicas visto que a integração entre cardiologistas e oncologistas oferece ao paciente o melhor cuidado integral possível durante e após o tratamento oncológico.

 

  1. Kalil Filho, R et al. I Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2011, v. 96, n. 2 suppl 1 [Acessado 16 junho 2021], pp. 01-52. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0066-782X2011000700001
  2. Hajjar LA, Costa IBSS, Lopes MACQ, Hoff PMG, Diz MDPE, Fonseca SMR, Bittar CS, et al. Diretriz Brasileira de Cardio-oncologia – 2020. Arq. Bras. Cardiol. 2020;115(5):1006-43.
  1. Lenihan D.J.; Cardinale D.; Cipolla C.M.; The compelling need for a cardiology and oncology partnership and the birth of the International Cardioncology Society. Prog Cardiovasc Dis. 2010; 53: 88-93

21 de Junho: Dia Mundial da Yoga

Rafael Luís

Vivian Antunes

A yoga é uma forma milenar de exercício para o corpo e a mente. Seu principal objetivo é criar conexão e harmonia entre corpo, mente e espírito. É uma filosofia tão antiga que historiadores têm dificuldade em datar com precisão seu início. Alguns arqueólogos encontraram os traços mais antigos da yoga há 5.500 anos. É surpreendente perceber que essa prática atravessou tantos anos e se mantém tão viva nos tempos de hoje, o que nos refletir sobre sua força.

Algumas formas de yoga são bastante árduas, enquanto outras são mais leves e se concentram mais no trabalho de meditação e respiração. A prática da yoga pode não apenas tornar nossos músculos e articulações mais flexíveis, mas também promover relaxamento intenso e maior controle das emoções. É nesse ponto que as coisas passam a se conectar: o câncer e yoga.

Pacientes com câncer frequentemente experimentam sensações desagradáveis e aversivas, sejam físicas pela própria doença ou pelos efeitos do tratamento, ou emocionais, com aumento de ansiedade, angústia e sintomas depressivos. Nesse sentido, buscar maneiras de bem-estar físico e emocional dentro das condições que o adoecimento traz, são medidas importantes para melhorar a qualidade de vida durante e após o tratamento. A yoga pode ser, portanto, uma importante terapia complementar e forte aliada do paciente com câncer.

Em 2010 foi publicada uma revisão sistemática que avaliou justamente a relação entre os potenciais benefícios da yoga para pacientes com câncer. Como resultado, os pesquisadores concluíram que a yoga pode ajudar a reduzir a ansiedade, a depressão, o cansaço (fadiga) e estresse. Foi também capaz de melhorar a qualidade do sono, humor e bem-estar espiritual.

Adicionalmente, um estudo específico sobre o uso de yoga em pacientes tratando câncer de mama comprovou que, além da redução do cansaço, as pacientes passaram a ter um melhor enfrentamento do processo de adoecimento, com significativa redução da percepção de sofrimento. Nesse estudo, 191 mulheres com câncer de mama foram distribuídas aleatoriamente em três grupos: 1) yoga; 2) alongamento simples; ou 3) nenhuma instrução sobre yoga ou alongamento.

Como resultado, as mulheres que praticaram yoga durante o período de tratamento relataram maiores benefícios ao seu funcionamento físico e em sua saúde geral, como redução de fadiga. Também foram mais propensas a encontrar significado de vida a partir de sua experiência com o câncer do que os outros grupos. Umas das possíveis explicações para esses dados positivos seria a redução do hormônio cortisol (hormônio do stress), que foi comprovado por meio de amostras de saliva no mesmo estudo.

Também já sabemos que a insônia é um problema que aflige muitas pessoas pelo mundo, incluindo pacientes com câncer. E a yoga mostrou benefício neste cenário.

Foi feita uma metanálise (análise estatística da combinação de dados dos estudos disponíveis) que tentou responder se yoga era mais ou menos eficaz que caminhada para melhorar problemas de sono de pacientes com neoplasias malignas. Os autores encontraram 25 estudos – o que representou quase 2.000 pacientes. A maioria dos pacientes tinham câncer de mama (72%) e, portanto, quase 86% eram mulheres. A análise demonstrou que a ambos os exercícios são eficazes em promover uma boa noite de sono, mas a caminhada – de intensidade moderada – parece levar uma vantagem na comparação.

Apesar das limitações, o que podemos tirar desse estudo é que atividade física regular é importante em razão de inúmeros aspectos, inclusive para ajudar a melhorar a insônia. Não só isso: os resultados reforçam que a caminhada é um exercício fácil de fazer, não precisa de estrutura específica e tem eficácia até maior que outras atividades mais complexas. Lembrando sempre que pacientes com problemas graves pulmonares e/ou cardíacos devem ter orientação do médico para liberação para realização de exercícios.

Pratique yoga (ou qualquer atividade física): faz bem para a saúde e ajuda a dormir melhor!

 

Referências:
Smith KB, et al. An evidence-based review of yoga as a complementary intervention for patients with cancer. Psychooncology. 2009 May;18(5):465-75.

Tang MF, et al. Walking is more effective than yoga at reducing sleep disturbance in cancer patients: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Sleep Med Rev. 2019;47:1-8

Doar sangue: um ato de solidariedade

Todos os anos, em junho, ocorre a campanha Junho Vermelho, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a importância da doação de sangue. Este ano não poderia ser diferente! A situação das reservas de sangue do Hemocentro da Unicamp é caótica, conforme site deles no dia 9 de junho:

Nesse contexto, muitas pessoas procuram centros de doação com intuito de ajudar e acabam se frustrando com a lista de requisitos para ser doador. Para entendermos o porquê de tanto cuidado com a seleção de doadores, precisamos ter em mente dois pontos: primeiro, a doação de sangue é um procedimento extremamente seguro, que costuma acarretar pouco ou nenhum risco para a população em geral. Porém, em grupos específicos, como pacientes com doenças cardíacas, a retirada do volume de sangue necessário pode acarretar efeitos colaterais. Para nós, médicos, a segurança do doador é prioridade, tornando esse risco inaceitável. O segundo ponto é entendermos que os receptores desse sangue costumam estar em estado de saúde ruim; muitos, inclusive, com estado imunológico reduzido (como por exemplo, pacientes com câncer pós-quimioterapia), e, assim, devemos minimizar ao máximo o risco de complicações associadas à transfusão.

Um dos primeiros pontos que devem ser observados é a idade do candidato à doação: no Brasil, a lei permite doação a partir dos 16 anos de idade, sendo que para aqueles que ainda não completaram 18 anos é necessária aprovação por escrito de um responsável legal. É preciso também ter peso mínimo de 50kg. Isso porque, por motivos técnicos, a quantidade de sangue doada é padronizada (ou seja, independente de pesar 50kg ou 100kg, o volume de sangue retirado é o mesmo, que pode não ser tolerado caso o doador tenha baixo peso). A doação de sangue também não é permitida durante a gestação e nos 12 primeiros meses após o parto, caso a candidata esteja amamentando. Não é necessário jejum para doar sangue, apenas é recomendado que se evite refeições gordurosas antes da doação.

Com relação aos hábitos de vida, é necessário que o candidato tenha parceiro (a) sexual fixo, sem relações ocasionais com terceiros, há pelo menos seis meses. O candidato deve ter boas condições de saúde. Porém, algumas doenças não impedem a doação, desde que controladas, tais como hipertensão, dislipidemia (o famoso “colesterol alto”), hipotiroidismo, entre outras. Já antecedente de neoplasia maligna, mesmo que curada, diabetes insulino-dependente, infecção prévia por HIV, hepatite C ou B e doença de chagas, doença cardíaca importante e outras doenças graves excluem definitivamente o candidato à doação.

“Mas doutor, mesmo se meu câncer estiver curado, não posso doar sangue?”: Infelizmente, pela legislação brasileira atual, não. Os únicos tipos de tumores que não contraindicam a doação são o carcinoma basocelular (um tipo de tumor de pele) e carcinoma de colo uterino in situ. Tal proibição deve-se ao risco teórico de que células cancerígenas do doador possam ser transmitidas pelo sangue e se implantem no receptor. Tal proibição é alvo de debates frequentes, pois, até o momento, não há comprovações científicas contundentes de que pacientes curados de suas neoplasias sejam capazes de transmiti-las pela doação de sangue. Inclusive, alguns países como EUA e Austrália permitem a doação de pacientes com história prévia de câncer, desde que este estejam curados e o tratamento tenha acabado há mais de um ano. Esperamos que a demanda crescente do uso de sangue, e, com isso, a necessidade cada vez maior de doadores, leve à revisão dos critérios atuais, permitindo que pacientes com neoplasias curadas e tantas outras restrições sem embasamento científico claro sejam incluídas no pool de doador.

Ah! E vacina para imunizar da COVID-19 não é contraindicação para doar, não! Basta aguardar o intervalo de 48 horas da vacina se você tiver recebido Coronavac/Pfizer e 7 dias se você tiver recebido da Astrazeneca/Fiocruz.

Se você tiver chegado ao final desse texto e ter descoberto que não pode ser um doador de sangue, não fique triste ou frustrado. Existem outros meios extremamente válidos de ajudar nesta causa, como conversar com amigos e familiares sobra a importância de ser doador, divulgar e apoiar campanhas de doação, compartilhar informações de qualidade, entre várias outras formas. Todo auxílio é válido para continuar a permitir que este ato de solidariedade continue a salvar vidas por todo o mundo.

 

Referências

Imunoterapia para câncer de estômago

No último dia 10 de maio, a Anvisa aprovou em bula a indicação de uso de Nivolumabe combinado à quimioterapia para pacientes com câncer gástrico ou da junção gastroesofágica avançados. Esse tipo de tumor é agressivo e com altos índices de mortalidade quando metastático. É semelhante ao que, infelizmente, levou ao ex-prefeito de São Paulo, Bruno Covas, a falecer recentemente de forma tão precoce.

O estudo que embasa a indicação é o Checkmate-649, que comparou o uso combinado de quimioterapia e imunoterapia com a quimioterapia isolada em 1.581 pacientes, mostrando uma redução de 29% do risco de morte para os pacientes com marcador PD-L1 > 5%. Além disso, a taxa de resposta foi consideravelmente maior (60 x 45%) nesses indivíduos. Os dados também confirmaram o benefício para a população geral, independente do PD-L1. Quanto à segurança, os efeitos colaterais foram toleráveis, apesar de frequentes em ambos os grupos.

A imunoterapia já tinha indicação em linhas posteriores de tratamento, mas, na primeira linha, é a primeira vez que é aprovada no Brasil.

Esses dados são importantes pois adicionam uma opção para esses pacientes e promovem um aumento significativo, apesar de pequeno, em sobrevida global, que é curta nesse cenário.

Vale lembrar que essa aprovação em bula promove acesso aos pacientes com plano de saúde, mas não aos dependentes do SUS. A medicação, muito cara, ainda será pouco disponível para a nossa população, um cenário contra o qual devemos sempre nos esforçar para mudar.

Referências:

https://oncologypro.esmo.org/meeting-resources/esmo-virtual-congress-2020/nivolumab-nivo-plus-chemotherapy-chemo-versus-chemo-as-first-line-1l-treatment-for-advanced-gastric-cancer-gastroesophageal-junction-cancer

Dia Nacional da Imunização: vacinas salvam vidas

Vacinas salvam vidas. E é muito importante repetir essa frase para nos lembrarmos desse ato tão valioso para humanidade, principalmente agora durante a pandemia de COVID-19.

No dia 9 de junho, é celebrado o Dia Nacional da Imunização. O foco da campanha é conscientizar a população da necessidade de manter a carteira vacinal atualizada. Atualmente, obviamente, a principal é a contra a COVID-19, que está, a passos lentos, em andamento. Porém, devemos lembrar que várias outras doenças têm vacinas direcionadas, mesmo em adultos vacinados na infância.

As vacinas protegem contra a ocorrência de diversas doenças infecciosas, desde a poliomielite, que pode deixar pessoas sem movimentos, até a pneumonia, que pode levar pessoas, principalmente idosos, à morte. Não só isso, temos também as vacinas que podem prevenir o câncer, no caso, a do HPV evita tumor de colo do útero. Muitas patologias foram erradicadas, como a varíola e a poliomielite, enquanto outras – como a gripe, o tétano e a coqueluche – tiveram seu impacto na saúde da população consideravelmente reduzido (>90%) e são doenças controladas atualmente.

O ato de vacinar é importante não só para a pessoa vacinada, mas também para a população em geral de um país. O freio da contaminação por doenças infecciosas reduz a mortalidade da população em geral, principalmente daqueles considerados como grupos de risco. Inclusive, existem pessoas que não podem ser vacinadas por alguma doença que contraindica, ou que ainda não têm idade (recém-nascidos); essas pessoas talvez sejam as mais beneficiadas pela vacinação em massa de quem pode.

Infelizmente, alguns dados recentes mostram que a cobertura vacinal para essas doenças tem caído, chegando a níveis preocupantes abaixo de 80%. Isso pode levar a um recrudescimento de casos e também a mortes. Um dos motivos é a própria pandemia, mas também há um número crescente de pessoas contrárias às vacinas, ou seja, que não acreditam na ciência. Essa situação é muito perigosa.

Criado há 47 anos, o Programa Nacional de Imunização do Brasil é uma das referências mundiais da área, já que atinge uma população de mais de 200 milhões de habitantes de forma gratuita e eficiente.

Atualmente, são 18 as vacinas disponibilizadas para crianças e adolescentes. No caso de adultos, as principais são a de febre amarela, a dupla adulto (difteria e tétano, renovada a cada 10 anos), a de hepatite B e a de sarampo-caxumba-rubéola (as duas últimas, caso não tenha sido vacinado na infância).

Agora, com a vacina para COVID-19 disponível, devemos reforçar que qualquer uma das disponíveis no país são eficazes e seguras. Todas já foram testadas e aprovadas cientificamente. Em relação ao medo de efeitos colaterais, como trombose, a vacina Oxford/Astrazeneca não promove um risco considerável de complicações quando comparada, por exemplo, aos anticoncepcionais.

As contraindicações são poucas e, caso tenha dúvida, pergunte ao seu médico. Porém, geralmente apenas pessoas com deficiências muito específicas ou alergias a componentes das vacinas não podem tomá-las. Importante lembrar que as duas doses são necessárias para que a vacina realmente funcione, portanto, não perca seu dia de retorno! Além disso, deve-se observar um espaço de 15 dias entre a da COVID-19 e a da gripe.

No site https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/pni/ todos podem consultar o calendário nacional de vacinação e checar quais vacinas devem ser atualizadas. Leia, converse com seu médico e VACINE-SE! Proteger um é proteger todos!

Novo tratamento para câncer de ovário aprovado no Brasil

No dia 8 de março, foi aprovada no Brasil, pela Anvisa, a medicação Niraparibe (Zejula®) para uso em pacientes com câncer de ovário avançado. Com isso, surge mais um opção para essas pacientes e a indicação deve se ampliar para um número maior de pacientes.

Os estudos que embasaram a aprovação foram dois: PRIMA e NOVA. No PRIMA, o Niraparibe foi testado contra placebo como 1ª linha em 733 mulheres com câncer de ovário que tiveram resposta ao tratamento com quimioterapia. Os resultados mostraram um redução de quase 40% do risco de morte ou progressão. Nesse estudo, o benefício foi independente da mutação do BRCA ou outras alterações genéticas e tal dado é importante por amplia a população que pode utilizar a droga.

No estudo NOVA, o Niraparibe foi testado como 2ª linha, em pacientes com recidiva após tratamento com quimioterapia com platina. Nesse caso, a redução do risco de morte ou progressão foi de 55 a 78%

Os resultados são animadores e trazem mais probabilidade de sobrevida para as pacientes com câncer de ovário.

Deve-se lembrar que é uma medicação oral e, portanto, apesar da aprovação na Anvisa, ainda não é obrigatória a cobertura pelos planos de saúde. Abordamos esse assunto em post anterior (acesse aqui https://sonhe.med.br//2019/09/03/simparaquimiooral/).

Não só isso, ainda não está (e tardará a estar) disponível no SUS, ou seja, o acesso a esse tratamento é limitado, uma situação que temos que batalhar para mudar.

 

Referências:

González-Martin, et al. Niraparib in Patients with Newly Diagnosed Advanced Ovarian Cancer. N Engl J Med. 2019;381:2391-402

Mirza MR, et al. Niraparib Maintenance Therapy in Platinum-Sensitive, Recurrent Ovarian Cancer. N Engl J Med. 2016;375:2154-64

https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/25351232639202055/

O mundo asfixiado

Desde final de 2019, o mundo vive um dos momentos mais dramáticos da sua história com o surgimento e explosão do Sars CoV-2. Nada ocupou mais o noticiário e nossas vidas nos últimos meses do que essa crise sanitária que vem mudando nossa forma de se relacionar, interagir e viver. Já foram mais de 400 mil mortes no Brasil por COVID-19 desde o início da pandemia e mais de 3 milhões de mortes no mundo. Mas, ainda assim, temos que lembrar de outra pandemia, que atravessa séculos, e que mata sozinha mais de 7,5 milhões de pessoas ao ano. É mais do que o dobro de mortes causadas pela COVID-19, e isso vem acontecendo ano após ano, causando um impacto monstruoso na nossa sociedade. Estamos falando do tabagismo.

O tabaco já era usado pelas tribos indígenas na América do Sul, quando os colonizadores europeus aqui chegaram. Os indígenas acreditavam que a fumaça tinha poderes mágicos e terapêuticos. Depois com as colonizações portuguesas na África e Ásia, o tabaco chegou a todos os continentes. Durante os séculos XVI e XVII, o tabaco era usado basicamente para fins médicos. Achava-se que combatia a ansiedade e melhorava a atenção, mas com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, o habito de fumar tornou-se constante. A partir das duas grandes Guerras Mundiais, o uso de tabaco na forma de cigarro começou a se popularizar.

A partir do século XX, o uso do cigarro atingiu níveis epidêmicos. Mas foi apenas no final dos anos 80, que os efeitos negativos do cigarro se tornaram mais conhecidos e evidentes. E, então, pudemos entender os estragos e cicatrizes que esse problema trouxe à humanidade. O cigarro é a maior causa evitável de morte no mundo todo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) espera para 2021, algo próximo de 8 milhões de mortes em todo mundo por doenças causadas pelo hábito de fumar. Só no Brasil são cerca de 430 mortes ao dia relacionadas ao tabagismo, cerca de 160 mil mortes ao ano.

São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,6 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas, muitas vezes, ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. Em 29 de setembro (Dia Mundial do Coração) de 2020, a OMS divulgou que 2 milhões de pessoas morrem ao ano por doenças cardíacas provocas pelo cigarro. O cigarro aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, de arritmias cardíacas, miocardites e de mortes súbitas.

O cigarro é, ainda, o principal fator relacionado a doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema pulmonar. E nesse caso, não tem como não associar o cigarro com a COVID-19. É inegável que a “pandemia” do cigarro agrava a COVID-19. Logo no início da pandemia, em 2020, a Convenção Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT/OMS) informou que pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, haviam constatado que as chances de progressão da doença e de óbitos entre fumantes eram 14 vezes maiores do que em não fumante.

O cigarro provoca uma inflamação crônica nos pulmões, causando distúrbios pulmonares graves, além de sabidamente reduzir a imunidade de quem fuma. Se o coronavírus provoca pneumonia e afeta os pulmões, é claro que o dano é maior naqueles pacientes que já tem comprometimento do tecido pulmonar causado pelo tabaco. Portanto, uma parcela das pessoas que morreram em decorrência da COVID-19, indiretamente são vítimas do cigarro.

De acordo com boletim informativo do Ministério da Saúde, desde a primeira contaminação notificada no Brasil até a 53ª semana epidemiológica, período que compreendeu de 27 de dezembro de 2020 a 02 de janeiro de 2021, 191.552 óbitos em decorrência da COVID-19 haviam sido registrados, sendo que 42% das vítimas eram cardiopatas (lembrando que o cigarro é a segunda maior causa de doenças cardiovasculares) e 6% tinham problemas crônicos pulmonares. Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Stanfort, na primeira fase da pandemia mostrou que jovens que usam cigarros eletrônicos tinhas de 5 a 7 vezes mais risco de terem COVID-19, provavelmente em razão dos danos pregressos das vias aéreas.

Uma analogia feita por Jaqueline Scholz, cardiologista e diretora do Programa de Tratamento do Tabagismo do Incor, do Hospital das Clínicas da USP exemplifica bem essa relação do cigarro com a COVID-10. “A COVID-19 é um cigarro mais apressado. Os mesmos malefícios que o cigarro causa no indivíduo, que demoram anos para aparecer, são uma avalanche com o vírus, que desencadeia essas mesmas alterações, mas em questão de dias. É uma doença inflamatória pulmonar grave com insuficiência respiratória, alterando todo o sistema de coagulação, fazendo com que os indivíduos tenham trombose, tendo complicações isquêmicas e hemorrágicas, assim como acontece com quem fuma ao longo de anos, com um fator de agressão extremamente elevado”.

O uso do tabaco esta associado, ainda, a impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades. Os pacientes que fumam têm, em média,14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, é muito claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são em fumantes passivos.

Tudo isso traz um grande impacto não apenas nas vidas daquelas pessoas que perderam entes queridos por conta do cigarro, mas também impacto na economia com perdas de mais de R$ 60 bi ao ano (considerando o que as pessoas doentes ou que morreram, deixaram de produzir e os custos diretos e indiretos com tratamentos das doenças causadas pelo habito de fumar. O que se arrecada com impostos com a venda de cigarros não ultrapassa os R$ 13 bi ao ano, mostrando haver um grande desbalanço nessa equação.

O cigarro é tão prejudicial e viciante, que a nicotina nele contida atinge rapidamente o cérebro e em menos de 10 segundos libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, é um hábito difícil de abandonar. Daquelas pessoas que desejam abandonar o vício menos de 10% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

Na tentativa de diminuir, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Neste contexto, o Brasil ao lado da Turquia, ganhou lugar de destaque ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratar pacientes tabagistas no SUS, de forma gratuita.

Outras medidas importantes foram o aumento de impostos sobre os cigarros que chegaram a 83%, em 2018, a proibição de propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população, em 1989, e 10%, atualmente) em todas as faixas etárias; mas ainda temos mais de 20 milhões de tabagistas.

O grande problema é que, em agosto de 2020, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que 34% dos fumantes no Brasil declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia, um crescimento associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas em meio ao isolamento social. Além disso, a forma de comprar e obter o cigarro foi ainda mais facilitada na pandemia de COVID-19. As pessoas podem comprar e solicitar o cigarro por meio de aplicativos como iFood, Rappi e James, ter o produto entregue em casa e, na maioria das vezes, sem a verificação da idade do comprador.

Estima-se que um terço da população adulta mundial seja tabagista, principalmente em países como China, Rússia e em países europeus. Destes, acredita-se que 60% desejam parar de fumar, mas não conseguem e não tem assistência para isso. Além disso, o hábito de fumar começa cedo, geralmente antes dos 20 anos, o que mostra a importância de orientar e alertar os jovens para os danos causados pelo tabaco

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e mais recentemente os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais. No entanto, isso não é verdade. Algumas delas, como o narguilé por exemplo, são ainda mais nocivos, e o cigarro eletrônico, embora em geral não contenham nicotina, vem se mostrando um grande perigo. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo. O cigarro eletrônico está associado a danos irreparáveis ao pulmão e a um pior prognóstico nos pacientes que contraem COVID-19.

Por isso, o dia 31 de maio foi escolhido, em 1987 pela OMS como Dia Mundial Sem Tabaco, para orientar e reforçar junto à população as consequências sociais, políticas e econômicas do hábito de fumar e chamar a atenção de todos para os malefícios e danos causados a saúde de quem fuma ou convive com quem fuma. O mundo esta asfixiado e sem oxigênio, mas isso não vem apenas da pandemia de COVID-19. A pandemia de tabaco é maior, mais duradoura e mata muito mais do que qualquer outra e está na hora de começarmos a respirar e viver melhor!

28 de maio: Luta pela saúde da mulher

Dra. Vivian Antunes

Dra. Susana Ramalho

 

Quem é a mulher que adoece no Brasil?

A mulher que adoece no Brasil é a mesma que sonha, que ama, que gesta, que trabalha e que é cuidadora principal de tantas famílias.

Essa mulher é a que está ao seu lado. A que te ama, a que te cuida ou a que está dentro de você. Ela é cada uma de nós ou cada uma que está ao seu lado apoiando sua vida.

No Brasil, uma em cada oito mulheres nascidas hoje terão câncer de mama durante a vida, se viverem até os 60 anos. Dessas, 82% não tem nenhum antecedente familiar de câncer de mama.

O câncer de mama é o tumor mais comum entre as mulheres e também o responsável pelo maior número de óbitos no Brasil e no mundo. Mas, e no nosso Brasil, quem é a mulher que adoece de câncer de mama? Alguns pesquisadores iniciaram, em 2008, uma pesquisa com o objetivo principal de descrever quem são, como são e como é a doença nas mamas dessas brasileiras.

Numa série de estudos intitulada “AMAZONA I-III”, pesquisadores do Brasil todo nos deram a oportunidade única de conhecer melhor esse cenário. Uma das informações mais importantes foi que no Brasil temos 41% de pacientes com diagnóstico de câncer de mama em idade inferior a 50 anos, o que é uma proporção maior de diagnósticos em pacientes jovens do que em outros países, como Alemanha e Estados Unidos.

Outro dado que chama muito a atenção e traz preocupação é que o diagnóstico das nossas mulheres é feito em fase mais tardia da doença. Em torno de 71% das pacientes são diagnosticadas nos estádios II (46,8%) e III (24,6%), quando a doença já é localmente avançada geralmente atingindo os gâglios linfáticos da axila, o que certamente impacta direta e negativamente na mortalidade das brasileiras. Esse número é consideravelmente mais alto do que em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, com dados que mostram apenas 31% de pacientes com diagnóstico na fase localmente avançada da doença.

No Brasil, apenas 18% das pacientes são diagnosticadas no estádio I, o mais precoce, o estádio que geralmente se consegue diagnosticar quando se faz exames de mamografia de rotina(o chamado rastreamento). Quando olhamos comparativamente e retrospectivamente, os dados de 2001 são muito semelhantes aos de 2018, ou seja, infelizmente sem melhoras nesse cenário.

Isso mostra que apesar da estratégia de rastreamento para diagnóstico precoce estar disponível no Brasil, não está atingindo a nossa população de mulheres de forma eficaz, seja por que as mulheres não aderem ao exame oferecido, ou por dificuldade de acesso a esse recurso.

Outro tipo de câncer importante entre as mulheres e que também marca um a imensa desigualdade no nosso país é o câncer de colo uterino. Em estados da região Norte do Brasil esse é o câncer mais incidente entre as mulheres, ultrapassando o câncer de mama, que é o primeiro em incidência em todas as outras regiões. Assim observamos que este é um triste marco das diferenças socioeconômicas desse nosso país continental.

Esse dado vem carregado de um “pesar” que já nos acompanha há décadas. Apesar do câncer de colo de útero ser bastante prevenível, através da vacinação contra o vírus HPV e através do exame de rastreamento de citologia oncótica (o conhecido preventivo – exame papanicolau), temos uma altíssima incidência e mortalidade no Brasil. A incidência de câncer de colo de útero no Brasil é muito maior que vários países desenvolvidos onde a incidência é bastante baixa. Para 2018, a estimativa esperada no Brasil foi de 16.370 casos novos, com um risco de 17,11 casos a cada 100 mil mulheres.

Outro tumor que também atinge as mulheres é o de ovário, com menor incidência (estima-se 6.150 casos novos no Brasil) porém alto risco por escasso métodos de prevenção e necessidade de tratamento adequado e precoce. Também o tumor de endométrio vem crescendo sua incidência principalmente associado a obesidade, sedentarismo e síndromes metabólicas cada vez mais frequentes em nossa população feminina.

Voltando a falar da nossa mulher que sonha, que ama, que gesta, que trabalha, e que “cuida”, paro minha reflexão no verbo “cuidar”. O mesmo cuidado que nossas mulheres têm com seus filhos, netos, maridos e trabalho, deve ser destinado a ela, seja por parte da ciência, que tem o dever de melhorar o cenário da doença com novas descobertas (cada vez mais frequentes, é verdade!), seja por parte do governo, com melhor gestão assistencial, ou por ela mesma, voltando seu olhar para o seu próprio cuidado como forma de amor à vida.

 

Quais as perspectivas para as mulheres brasileiras?

 É importante ressaltar que os casos de câncer irão dobrar até 2035 no mundo todo. E o maior aumento será nos países em desenvolvimento com população relativamente jovem. Assim, os sistemas de saúde devem estar preparados, já que se estima que 60% dos casos de câncer ocorrerão nesses países, precisarão planejar e alocar recursos.

O impacto que o adoecimento de uma mulher em uma família – em que muitas vezes ela é a fonte principal de sustento – é enorme e pouco se tem feito para melhorar os programas de rastreamento e o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, o que reflete a grande disparidade das taxas de mortalidade observadas entre os dados Brasil e EUA.

No Dia da Luta pela Saúde da Mulher, precisamos mostrar esta disparidade e cobrar do governo mais atitudes de prevenção em saúde feminina para que possamos, em um futuro breve, chegar perto das estatísticas de países desenvolvidos como os Estados Unidos, diminuindo a mortalidade por câncer em todo o país.

O diferencial de um cuidado humanizado em Oncologia

Keila Eunice Pereira,

enfermeira do Hospital e Maternidade Santa Tereza

Descobrir um câncer é sempre um susto. Pode trazer muitas dúvidas, medos e tristeza nos pacientes, familiares e amigos, pois é um momento que se deparam com sua saúde bem frágil.

Por isso, desde os tempos da Florence Nightingale, humanizar a assistência de enfermagem é de extrema importância.  O paciente oncológico não deve ser considerado como mais um caso a ser tratado em mais um dia de trabalho e, sim, devemos ter empatia no cuidado desses pacientes, proporcionando um atendimento digno e capaz de contribuir com sua saúde e qualidade de vida. Ao dar um atendimento diferenciado, muitas vezes revertemos a situação delicada que estão passando nesse momento.

Sentimos em nosso dia a dia que ao estarmos atentos, conseguindo ouvir, tendo bom humor, proporcionando um ambiente acolhedor e levando alegria e otimismo vamos, aos poucos, criando uma relação mais próxima de confiança e respeito, conseguindo reduzir o medo e a ansiedade não só dos pacientes, mas também dos familiares.

A missão de todo profissional de saúde é cuidar, acolher, confortar e oferecer um tratamento humanizado para cada paciente, dando atenção individual no momento que estão tão vulneráveis. Quando entendemos melhor a profundidade da experiência de receber um diagnóstico e tratar o câncer, conseguimos nos colocar ao menos um pouco no lugar desses pacientes para, então, podermos prestar uma assistência integral, segura e humanizada.

Assim enfatizamos que, a jornada com ânimo e esperança faz parte dessa caminhada em busca de uma importante meta, a vitória que é a cura.

Parabéns a todos os enfermeiros que no cuidado dos pacientes oncológicos, conseguem unir ciência, excelência e humanização!

 

Oncologia oftalmológica: o que eu preciso saber?

Guilherme Armbrust Araújo

 

O câncer de olho pode se referir a qualquer câncer que começa no olho. O tipo mais comum é o melanoma. Mas existem outros tipos de câncer que afetam diferentes tipos de células do olho. O olho tem três partes principais:

  • O globo ocular, que é principalmente preenchido com um material gelatinoso chamado humor vítreo e tem três camadas principais (a esclera, a úvea e a retina).
  • A órbita (os tecidos ao redor do globo ocular).
  • As estruturas acessórias, como as pálpebras e as glândulas lacrimais.

Diferentes tipos de câncer começam em cada uma dessas áreas. Os cânceres que afetam o próprio olho são chamados de cânceres intraoculares (dentro do olho). Aqueles que começam no olho são chamados de cânceres intraoculares primários. São cânceres intraoculares secundários aqueles que começam em outro lugar e se espalham para o olho.

Em adultos, os cânceres intraoculares primários mais comuns são:

  • Melanoma;
  • Linfoma não Hodgkin.

Em crianças, os cânceres intraoculares primários mais comuns são:

  • Retinoblastoma, um câncer que começa nas células da retina (as células sensíveis à luz na parte posterior do olho);
  • Meduloepitelioma (este é o segundo mais comum, mas ainda é extremamente raro).

Cânceres intraoculares secundários (cânceres que começam em algum outro lugar do corpo e depois se espalham para o olho):

 à mais comuns são os cânceres de mama e de pulmão . Na maioria das vezes, esses cânceres se espalham para a parte do globo ocular chamada úvea: 2% a 7% irão evoluir com metástase ocular.

O tumor metastático para o olho e anexos representa de 4% a 12% de todos os tipos de cânceres que cursam com doença avançada (carcinomas).

O melanoma intraocular é o tipo mais comum de câncer que se desenvolve no globo ocular em adultos, mas ainda é bastante raro. Os melanomas que começam na pele são muito mais comuns do que os melanomas que começam no olho.

A maioria dos outros melanomas intraoculares começa na íris. Esses são os mais fáceis para uma pessoa (ou seu médico) ver, porque geralmente começam em uma mancha escura na íris, que está presente há muitos anos e, em seguida, têm crescimento.

Cânceres da órbita e anexos se desenvolvem a partir de tecidos como músculos, nervos e pele ao redor do globo ocular e são como cânceres em outras partes do corpo. Por exemplo:

O diagnóstico é feito por meio de uma avaliação oftalmológica completo e o tipo de tratamento adequado varia de acordo com cada caso. O aparecimento de tumores no olho é relativamente raro, mas pode acometer desde crianças nos primeiros meses de vida até adultos e idosos. Muitos casos não são diagnosticados em razão da apresentação assintomática das lesões. Um diagnóstico precoce pode resultar numa maior chance de tratamento bem-sucedido.

Importante salientar que o necessário tratamento oncológico pode trazer sintomas que devem ser acompanhados, por isso é importante visitar o oftalmologista periodicamente.