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Mês de Conscientização do Câncer de Ovário: bate papo com Sandra Navarro e o Dr. Leonardo Silva.

Onde há fumaça, há fogo!

O dia 29 de agosto é marcado como Dia Nacional de Combate ao Fumo, desde 1986, quando foi criado pela Lei 7.480, com o objetivo de alertar e chamar a atenção da sociedade para as implicações sanitárias, sociais e econômicas que esse terrível hábito pode trazer para nossas vidas. O tabagismo é a maior causa evitável de adoecimento e morte em todo mundo, sendo responsável por mais de 7,5 milhões de mortes ao ano em todo planeta e mais de 200 mil mortes ao ano somente no Brasil. São mais de 400 mortes ao dia no país relacionadas às doenças provocadas pelo cigarro. Portanto, estamos falando de uma pandemia global, silenciosa e sorrateira, que existe há várias décadas e somente nos últimos anos começou realmente a ser enfrentada.

Além do cigarro, grave problema de saúde pública, desde final de 2019, o mundo vive um dos momentos mais dramáticos da sua história com o surgimento e explosão do SARS-CoV-2. Nada ocupou mais o noticiário e nossas vidas nos últimos meses do que essa crise sanitária que vem mudando nossa forma de nos relacionar. Já foram mais de 560 mil mortes no Brasil por COVID-19 desde o início da pandemia e mais de 4 milhões de mortes no mundo. Ainda assim, como já dito, o cigarro mata por ano quase o dobro do que o número de vítimas causadas pela COVID-19 em quase 2 anos.

O tabaco, que já era usado pelas tribos indígenas na América do Sul em tempos remotos e depois como planta medicinal quando chegou à Europa, Ásia e África levada pelos colonizadores, ganhou proporções comerciais com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo. A partir das duas grandes Guerras Mundiais, o uso de tabaco na forma de cigarro começou a se popularizar. Hoje, o consumo de cigarros e outros dispositivos como charutos, narguilés e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos faz parte do cotidiano de milhões de pessoas, de todas as idades, todas as culturas e classes sociais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta para 2021, um aumento no número de mortes, direta ou indiretamente relacionadas ao tabagismo. São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. O cigarro é tão prejudicial e viciante, que a nicotina nele contida atinge rapidamente o cérebro e, em menos de 10 segundos, libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, é um habito difícil de abandonar. Daquelas pessoas que desejam largar o vício, menos de 10% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente, em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda: cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,6 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas, muitas vezes, ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. Cerca de 2 milhões de pessoas morrem ao ano por doenças cardíacas provocas pelo cigarro. O cigarro aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas, miocardites e de mortes súbitas.

O cigarro e a COVID-19

O cigarro é, ainda, o principal fator relacionado às doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema pulmonar.  E, nesse caso, não tem como não associar o cigarro à COVID-19. É inegável que a “pandemia” do cigarro agrava a doença causada pelo coronavírus. Logo no início da pandemia, em 2020, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, haviam constatado que as chances de progressão da doença e de óbitos entre fumantes eram 14 vezes maiores do que em não fumantes.

O cigarro provoca uma inflamação crônica nos pulmões, causando distúrbios pulmonares graves, além de – sabidamente – reduzir a imunidade de quem fuma.  Se o coronavírus provoca pneumonia e afeta os pulmões, é claro que o dano é maior naqueles pacientes que já tem comprometimento do tecido pulmonar causado pelo tabaco. Portanto uma parcela das pessoas que morreram pela COVID-19, indiretamente, são vítimas do cigarro.  .

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Stanfort, na primeira fase da pandemia, mostrou que jovens que usam cigarros eletrônicos tinhas de 5 a 7 vezes mais risco de terem COVID-19, provavelmente por conta dos danos pregressos das vias aéreas.

Os mesmos malefícios causados pelo cigarro no indivíduo, que demoram anos para aparecer, são uma avalanche com o vírus, que desencadeia essas mesmas alterações, mas em questão de dias. É uma doença inflamatória pulmonar grave com insuficiência respiratória alterando todo o sistema de coagulação, fazendo com que os indivíduos tenham trombose, tendo complicações isquêmicas e hemorrágicas, assim como acontece com quem fuma ao longo de anos, com um fator de agressão extremamente elevado”.

Muitas outras complicações

O uso do tabaco está associado, ainda, à impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades. Os pacientes que fumam têm, em média ,14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, é muito claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são em fumantes passivos.

Não podemos esquecer dos impactos econômicos, com perdas de mais de R$ 60 bilhões ao ano, considerando o que as pessoas doentes ou que morreram, deixaram de produzir, e os custos diretos e indiretos com tratamentos das doenças causadas pelo habito de fumar. O que se arrecada com impostos relativos à venda de cigarros não ultrapassa os R$ 13 bilhões ao ano, mostrando haver um grande desbalanço financeiro.

Por todos esses problemas Brasil vem implementando há muitos anos uma série de medidas para diminuir o número de dependentes ao cigarro no país.  O Brasil ganhou lugar de destaque no combate ao fumo ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS, chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir, de forma consistente, o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem gratuitamente pacientes tabagistas no SUS.

Outras medidas importantes foram: o aumento de  impostos sobre os cigarros que chegaram a 83% em 2018, a proibição de  propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% atualmente), e em todas as faixas etárias. Contudo, ainda temos mais de 20 milhões de tabagistas.

Ameaças aos progressos

Grande problema é que, no ano passado, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que 34% dos fumantes no Brasil declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia. Trata-se de um crescimento associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas em meio ao isolamento social. Além disso a forma de compra e obtenção de cigarro durante a pandemia de COVID-19, foi facilitada através de aplicativos de entrega que muitas vezes nem conferem a idade do comprador.

Narguilés e, mais recentemente os cigarros eletrônicos, também estão se tornando cada vez mais populares entre os jovens que defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais.  No entanto, isso não é verdade.

Alguns deles, como o narguilé, são ainda mais nocivos e o cigarro eletrônico, embora em geral não contenham nicotina, vem se mostrando um grande perigo. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo.  O cigarro eletrônico está associado a danos irreparáveis ao pulmão e a um pior prognóstico nos pacientes que contraem COVID-19.

Por isso, apesar de várias conquistas nos últimos anos – em especial no Brasil – na direção da diminuição no número de tabagistas, existem indícios e perigos recentes que estão ameaçando este progresso. Temos que nos atentar a estes sinais para interromper essa cadeia de prejuízos físicos, psicológicos, sociais e econômicos para nossa sociedade. Como tido na “boca popular”, onde há fumaça, há fogo, e esse fogo pode queimar e destruir uma vasta riqueza física, psicológica, social e econômica. Nós, do Grupo SOnHe, trabalhamos para trazer informações de qualidade e relevantes para nossos pacientes e população em geral, sempre com foco na melhora da qualidade de vida de todos.

 

Agosto: mês de conscientização sobre linfomas

Agosto foi escolhido pela organização mundial de saúde como o mês de conscientização sobre o linfoma. Mas o que você sabe sobre essa doença? Os linfomas são um tipo de câncer que acomete o tecido linfoide, no qual as células de defesa do nosso organismo – responsáveis pela produção de anticorpos, os linfócitos – se desenvolvem, multiplicam e amadurecem.

O tecido linfoide está presente em todos os órgãos do nosso organismo, desde o pulmão até o intestino, mas o local em que ele mais se concentra é nos linfonodos. Estas estruturas, popularmente conhecidas como ínguas, estão distribuídas por todo nosso organismo e junto com os vasos linfáticos, formam o sistema linfático, responsável por fazer circular a linfa pelo nosso corpo.

Por esse motivo, a forma mais comum com que um linfoma se manifesta é pelo surgimento de uma íngua em algum lugar do corpo. É importante observar, contudo, que o surgimento de ínguas faz parte do mecanismo normal pelo qual ele se defende de agressões externas, como a invasão por vírus e bactérias. Por isso, é importante estarmos atentos aos principais sinais que ajudam um médico a diferenciar o surgimento/aumento de uma íngua com uma causa infecciosa (portanto não relacionado a um câncer) de uma causada por um linfoma. De maneira geral, as ínguas relacionadas aos linfomas têm crescimento progressivo ao longo de semanas e meses e são acompanhados de outros sintomas, como emagrecimento de vários quilos e suores noturnos. Nessa situação, as ínguas podem crescer até o tamanho de bolas de tênis, ou maior, e gerar sintomas relacionados à compressão de órgãos vizinhos às ínguas, como o esôfago, a laringe, o estômago e outros. Além disso, à palpação, essas ínguas são endurecidas e não doem.

Já quando as ínguas são relacionadas à resposta normal do organismo à invasão por vírus e bactérias, chamadas de reacionais, elas costumam crescer pouco, ao longo de alguns dias ou 1-2 semanas, alcançando um tamanho não maior do que uma bola de gude. Elas geralmente ocorrem em mais de um lugar do corpo ao mesmo tempo, podendo ser acompanhadas de febre e outros sintomas relacionados à infecção (dor de garganta, tosse, entre outros) e costumam ser dolorosas à palpação. Frequentemente elas diminuem ou até mesmo somem após o desaparecimento dos sintomas relacionados à infecção que as provocou. O diagnóstico definitivo de um linfoma, porém, exige a realização de uma biópsia, preferencialmente com a retirada de um linfonodo inteiro, para análise microscópica das características do tecido linfoide do linfonodo suspeito.

Geralmente, os linfomas se dividem em linfomas Hodgkin e linfomas não Hodgkin, em homenagem à Thomas Hodgkin, o patologista que primeiro descreveu essa doença, em 1832. Os linfomas Hodgkin se diferenciam dos linfomas não Hodgkin por ocorrerem principalmente em pessoas mais jovens, acometendo linfonodos principalmente na região do pescoço, axila e tórax, onde frequentemente leva a presença de grandes tumores numa região chamada mediastino, localizada entre os dois pulmões. Já os linfomas não Hodgkin acometem pessoas de todas as faixas etárias, atacando o tecido linfoide em órgãos como o estômago, a pele, os pulmões, os ossos, entre outros, com maior frequência. Na verdade, os linfomas não Hodgkin representam mais de 40 tipos diferentes de linfoma!

Com relação ao tratamento, o linfoma Hodgkin tem uma história de pioneirismo e sucesso na oncologia. Com uma taxa de cura de mais de 85%, este linfoma foi o primeiro a ser tratado com sucesso com radioterapia e o primeiro a ser tratado com a poliquimioterapia, no molde em que muitos cânceres são tratados hoje, isso na década de 1960! Mesmo na era moderna do tratamento das neoplasias, o linfoma Hodgkin esteve entre os primeiros tipos de câncer a ser tratado com sucesso com uma classe de drogas que estimulam o próprio sistema imunológico do paciente, geralmente “enganado” pelo câncer a não o enfrentar, a combater o linfoma. Essa nova estratégia para o tratamento de cânceres, chamada de imunoterapia, representou um enorme avanço para pacientes que não podiam ser curados com a quimioterapia convencional.

O tratamento dos linfomas não-Hodgkin também é marcado pela incorporação pioneira de algumas tecnologias que revolucionaram e ainda revolucionam o campo da oncologia, como os anticorpos monoclonais e mais recentemente os linfócitos T com receptores antigênicos quiméricos (também chamados CAR T-cells). Os primeiros são medicamentos que se ligam a proteínas específicas do tumor e induzem o sistema imune a reagir contra ele, enquanto os CAR T-cells são linfócitos retirados do próprio paciente que passam por um processo em laboratório que lhes confere a capacidade de, ao serem reintroduzidos no corpo do paciente, perseguir e eliminar as células do linfoma.

Todos esses avanços têm mudado a maneira como a medicina enxerga e trata esses linfomas, que foram de cânceres de difícil tratamento e prognóstico ruim, a doenças controláveis com medicamentos que transformaram e ainda transformam toda a oncologia.

Por isso, neste mês, procure se informar mais sobre o linfoma e caso você tenha algum sintoma suspeito, procure um hematologista para avaliação!

 

Envelhecimento do Brasil e o número de casos de câncer: qual a relação?

O envelhecimento da população é produto do sucesso do desenvolvimento socioeconômico de um país. Envelhecer é possível quando há condições estruturais e sociais para atingir a famosa melhor idade. E, mais, o envelhecimento cobra que haja políticas sociais e de saúde revisadas e readequadas às novas demandas.

Hoje, no Dia dos Avós, uma forma de demonstrar amor por essas figuras tão especiais e que permeiam as memórias da nossa infância, é discutir o que desejamos e planejamos para a saúde dos nossos idosos.

Nos próximos dez anos, o Brasil pode ter um aumento de 42% nos casos de câncer. Os dados agravam um contexto que já incluía a falta de acesso a diagnóstico precoce e a tratamento adequado, que diminuem as chances de sobrevida de pacientes e aumentam os custos em saúde.

O câncer é a segunda maior causa de morte por doença de brasileiros, depois das cardiovasculares. A estimativa de novos casos e os desafios fazem parte de um estudo inédito da Varian Medical Systems, empresa de softwares e equipamentos para tratamentos oncológicos, em parceria com a The Economist Intelligence Unit (EIU).

O envelhecimento da população vai naturalmente levar ao aumento da incidência de câncer. É uma questão estatística e não há como reduzir esse impacto. O que pode ser feito é diminuir a taxa de mortalidade do câncer, que tem prevalência maior na população com mais de 60 anos. A pesquisa traz esse senso de urgência para um problema que já é grave e vai ficar ainda mais.

A pesquisa revela o desafio do sistema público de saúde brasileiro e da América Latina no geral em atender a uma demanda crescente, mesmo antes da Covid-19. O impacto da pandemia, com interrupção de exames e consultas, foi mais um entrave no combate a uma doença que responde por cerca de 650 mil novos casos no Brasil por ano.

Segundo o levantamento da Varian, o Brasil tem a maior capacidade para otimizar recursos de atendimento e pesquisa entre os países da região, mas tropeça em transformar esse ambiente em uma assistência oncológica eficiente. Os gastos com saúde são extensos e a população encara disparidades no acesso a diagnóstico e tratamentos, principalmente aos mais recentes ou de alto custo.

Conhecendo que o câncer é uma das doenças relacionadas ao envelhecimento, a adoção de um estilo de vida mais equilibrado torna-se essencial para aprimorar estratégias de redução de mortalidade. Também é importante adquirir informações para identificar precocemente os sintomas e, se necessário, iniciar o tratamento o quanto antes.

Assim como em todas as doenças, a dinâmica do câncer em idosos também pode ser freada com medidas de educação preventiva. Logo, o poder transformador da educação torna-se um componente estratégico ideal para efetivar ações de prevenção e de fomento ao controle do câncer no país.

 

Julho Verde: por que ele é ainda mais importante na pandemia?

Estamos em julho, mês de conscientização e prevenção do câncer de cabeça e pescoço. Trata-se de um tumor que merece atenção devido ao número expressivo de casos anualmente, com estimativa de 36.620 novos casos em 2021 só no Brasil. Este tipo de câncer compreende todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe), nas glândulas salivares e tireoide.  Nos homens é o terceiro câncer mais frequente (quando somados o câncer de boca, garganta e glândula tireoide), ficando atrás apenas do câncer de próstata e de intestino.

Os homens são mais acometidos com uma razão de 2 a 4 homens para cada mulher. Esta diferença está relacionada à exposição aos fatores de risco para desenvolver este câncer, sendo o tabagismo o principal deles. Pessoas que fumam muitos cigarros ao dia ou por um período prolongado, têm o risco de desenvolver o câncer 5 a 25 vezes maior do que os não tabagistas. Vale ressaltar que o uso de cachimbo, o hábito de mascar fumo e mesmo o uso de narguilé também estão associados ao aumento do risco.

Outros fatores importantes são o consumo excessivo de bebida alcoólica e a infecção pelo vírus HPV. O HPV é o mesmo vírus relacionado ao câncer de colo de útero, vagina, vulva, ânus, pênis, e está relacionado, principalmente, ao desenvolvimento do câncer de orofaringe (garganta). A infecção é transmitida durante a relação sexual oral desprotegida.

Um dado muito preocupante surgiu durante a pandemia de COVID-19. Uma pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas revelou uma mudança alarmante de alguns hábitos na população brasileira durante o período de pandemia. O estudo revelou que do total da população avaliada, 12% fumavam e, entre os fumantes, 23% aumentaram 10 cigarros no consumo diário e 5% aumentaram 5 cigarros. No que se refere ao consumo de bebida alcoólica, 18% relataram aumento no consumo, chegando a um aumento de 25% em adultos entre 30-39 anos. Esses dados servem de alerta para o aumento deste tipo de câncer no futuro.

Outra grande preocupação causada pela pandemia foi a redução de aproximadamente 50% no diagnóstico de novos casos de câncer em 2020. Ressaltando que o câncer não parou de acontecer, mas sim seu diagnóstico. No que se refere especificamente ao câncer de cabeça e pescoço, no Brasil, mesmo antes da pandemia já havia uma grande dificuldade em se fazer o diagnóstico precoce, aproximadamente 70% dos casos eram descobertos com a doença localmente avançada ou com metástase, sendo esperado uma piora pós-pandemia.

O diagnóstico tardio deste câncer traz muitas Implicações negativas, desde a diminuição das chances de cura até a necessidade de tratamentos agressivos causando sequelas e piora da qualidade de vida.  Por isso, feridas na boca que não cicatrizam, dor ou irritação persistente da boca ou garganta, placas avermelhadas ou esbranquiçadas que duram mais de três semanas, alteração da voz ou dificuldade de deglutir sempre devem ser investigadas.

Nos últimos anos, tivemos grandes avanços no tratamento deste câncer. No que tange à cirurgia, os procedimentos realizados com auxílio do robô permitem melhores acessos para a ressecção dos tumores localizados na boca. O advento de novas técnicas de radioterapia permitiu maior precisão do local a ser tratado, melhorando o controle do tumor, associando menos efeitos colaterais. Já na doença mais avançada com metástase a imunoterapia aumentou o tempo de sobrevida dos pacientes, associado menores toxicidades do que a quimioterapia.

Apesar dos avanços no tratamento, a melhor arma contra o câncer continua sendo a não exposição aos fatores de risco, evitando o cigarro, o excesso de bebida alcoólica, relações sexuais desprotegidas; reiterando que é necessário fazer acompanhamento médico para o diagnóstico precoce. Vamos aproveitar o mês de julho para reforçar a importância de um estilo de vida saudável e cuidar da nossa saúde mesmo durante este período de pandemia.

Câncer de bexiga: uma avalanche de novidades, um emaranhado de complexidades

O câncer de bexiga é um tipo de tumor geralmente agressivo e que, até há poucos anos, tinha poucos tratamentos eficazes quando a doença estava avançada. Hoje, a história está mudando, apesar de alguns entraves da pandemia de COVID-19 e de questões regulatórias do Brasil.

Anualmente, 437.000 casos são descobertos no mundo, levando a 186.000 mortes. Esses números fazem da neoplasia a nona mais comum no planeta. Mais de 70% dos casos ocorrem em pessoas com mais de 65 anos.

O principal fator de risco é o tabagismo. O cigarro é composto de mais de 60 substâncias carcinogênicas e aumenta em quase 5 vezes a chance de uma pessoa desenvolver o tumor. Além disso, o tumor de quem fuma geralmente é mais agressivo quando comparado com de quem não fuma.

O principal sintoma do tumor de bexiga é a hematúria, que significa sangue na urina. 20% dos pacientes com hematúria macroscópica (visível a olho nu) são diagnosticados com câncer de bexiga. Além desse, sintomas de obstrução urinária e dor também podem ocorrer.

Geralmente o diagnóstico deste tumor começa com exames de imagem para investigar hematúria, como ultrassom ou tomografia. Após, para confirmação, é necessária biópsia por raspagem da bexiga com cistoscopia, que é a inserção de uma câmera dentro da bexiga. Na maioria das vezes, o tumor é pequeno, localizado e superficial (75%).

Durante a pandemia de COVID-19 tem ocorrido uma grande preocupação com o atraso no diagnóstico de diversos tipos de câncer, incluindo o de bexiga. É muito importante lembrar que no início da pandemia, em 2020, havia uma tendência mundial de postergar alguns exames e procedimentos, o que incluía intervenções para tumor de bexiga iniciais. Porém, com a duração da pandemia tendo se estendido mais do que a população imaginava, hoje não se orienta esse adiamento.

Um estudo na Turquia mostrou que o atraso de 2,5 meses na realização de exames de seguimento mais que dobrou as chances de recidiva e chegou a aumentar em mais de 6 vezes a chance de progressão do tumor.

Um outro estudo, austríaco, evidenciou um aumento significativo de tumores mais avançados e agressivos. Nele, houve também a identificação de uma redução do número de procedimentos de cistoscopia, que serve tanto para diagnosticar quanto para fazer o seguimento.

Desse modo, hoje, os sintomas devem ser imediatamente investigados e o tumor tratado como deve ser num cenário normal. Isso visa evitar que os pacientes cheguem ao oncologista com a doença mais avançada. O cenário tornou-se mais comum para este tipo de tumor pelo fato da população ser mais idosa.

Um outro problema enfrentado, além do atraso no diagnóstico, é o da falta de leitos para procedimentos em virtude da saturação por internações COVID-19. Portanto, é importante sempre lembrar que as medidas de prevenção da disseminação do vírus e a vacinação são medidas imprescindíveis, já que achatam a curva de contágio e mortes, liberando leitos para pacientes que precisem.

Em relação ao tratamento, quando o tumor está bem pequeno e superficial, o padrão é fazer a raspagem dentro da bexiga e imunoterapia com BCG (sim, a mesma da vacina infantil), a fim de evitar que o tumor volte. Quando o tumor está maior, mas ainda localizado, o ideal é realizar cirurgia com quimioterapia (antes ou depois). Essas duas terapias são consagradas e antigas, e continuam sendo utilizadas nos dias atuais. Nesse cenário, poucas mudanças significativas ocorreram.

No caso da doença com metástases, porém, houve uma revolução. Geralmente, o quadro é incurável e os tratamentos envolvem medicações endovenosas que retardam o crescimento do tumor, aumento assim o tempo de vida do paciente. Nos últimos 5 anos, surgiram várias novas opções. A imunoterapia chegou inicialmente para pacientes que tivessem falhado com a quimioterapia. O benefício mostrado foi de 30% de redução de risco de morte, com pacientes vivendo quase o dobro do que anteriormente, após 2 anos. Mais recentemente, também passou a ser indicada em cenários mais precoces, para aqueles que tivessem contraindicação à quimioterapia e mesmo para aqueles que tivessem respondido ao tratamento inicial com a mesma. Nesta última situação, por exemplo, o Avelumabe reduziu em 31% a chance de morte dos pacientes.

Essas novas indicações mostraram que o tumor de bexiga é mais um para o qual a imunoterapia pode trazer mais tempo de vida, preservando a qualidade de vida.

Mas não só a imunoterapia trouxe benefícios para os pacientes com câncer de bexiga. As terapias-alvo também se mostraram eficazes. Notadamente, duas drogas foram testadas e aprovadas no cenário de segunda linha: o Enfortumabe e o Erdafitinibe. O primeiro, para qualquer paciente após quimioterapia com platina. O segundo, para pacientes com uma alteração específica no gene FGFR. Essas medicações entram para aumentar o arsenal desses pacientes E trazem um alento aos pacientes com esse tipo de tumor.

Entretanto, ambas as drogas têm acesso restrito no Brasil: o Enfortumabe ainda não foi aprovado pela Anvisa para comercialização e o Erdafitinibe, que é oral, não está na lista da ANS de coberturas obrigatórias. Ademais, no SUS, o acesso a qualquer uma dessas terapias ou mesmo à imunoterapia é apenas uma ilusão. Os pacientes do sistema público ainda não podem contar com nenhuma dessas terapias, infelizmente.

Todo esse cenário, apesar de animador em função das novidades, traz à tona diversas discussões: o alto custo das medicações vem pressionando a sustentabilidade dos planos de saúde e, assim, a saúde vai ficando cada vez mais desigual, mesmo dentro da própria realidade privada. Fato é que a ciência avançou a passos largos nos últimos anos para o câncer de bexiga, trazendo esperança aos pacientes de uma vida mais longa e com mais qualidade. Porém, o cenário da saúde no Brasil ainda alimenta desafios cada vez mais complexos que só serão resolvidos com muita seriedade na condução política.

 

Referências:

https://www.scielo.br/j/ibju/a/c35YybdnjhdGscdJdrL7qkw/?lang=en

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34117682/

 

8 de julho: Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador

Hoje, dia 8 de julho, celebramos o Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico. Não é novidade que a ciência tem sido assunto recorrente em nossas rotinas. Aliás, estamos vivendo (ou melhor, sobrevivendo) a uma pandemia que certamente tem sido o maior desafio para a ciência moderna. Em muito pouco tempo, vimos um vírus novo surgir e, com ele, perdemos nossa liberdade, nossa tranquilidade e, infelizmente, muitas vidas. Mas é também neste mesmo tempo que vimos a ciência brilhar com o desenvolvimento das vacinas contra o coronavirus; vacinas estas que estão trazendo de volta a esperança de um mundo “normal”.

Apesar de toda a gratidão que devemos aos pesquisadores e cientistas que trabalharam pelas vacinas, é frequente nos depararmos com uma desconfiança de parte da população quanto à eficácia, segurança e até procedência dos imunizantes. E foi aí que presenciamos o surgimento do termo não científico de “sommelier de vacinas”. O termo “sommelier” é frequentemente utilizado no mundo dos vinhos e, geralmente, denomina profissionais especializados em degustação e apreciação desta bebida. Vale ressaltar que para adquirir essa titulação é necessário um vasto conhecimento sobre a produção dos vinhos, o cultivo das uvas, as técnicas de fermentação, e as formas de harmonização dos diversos vinhos. Em contrapartida, para ser “sommelier de vacinas” pouco se faz necessário; basta uma pequena dose de ignorância e muita confiança num “desconhecimento científico” sobre os imunizantes.

O retorno a vida “normal” depende diretamente do avanço da imunização em massa da população. O indivíduo que se acha no direito de escolher a vacina que vai tomar baseando-se na marca, fabricante ou alguma característica do imunizante está justamente remando contra essa onda de vacinação que tanto estamos precisando. E evidentemente, está contra a ciência.

Todos os imunizantes disponíveis e em aplicação no mercado foram devidamente testados em ensaios clínicos randomizados e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), comprovando sua eficácia contra formas graves da doença que há mais de um ano vem superlotando os hospitais do Brasil. Estamos vendo o efeito das vacinas nos países cuja vacinação está avançada, com o retorno da socialização, dos eventos, dos jogos de futebol e demais esportes. Hoje, no Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador, tudo que queremos é que a vacina (qualquer que seja ela) seja devidamente disponibilizada e aplicada. E, claro, queremos que ela funcione, assim com está funcionando em outros lugares do mundo. Só assim, apoiados em boa ciência, venceremos a pandemia.

Fica aqui os parabéns do Grupo SOnHe aos cientistas e pesquisadores que, de forma direta ou indireta, estiveram envolvidos no desenvolvimento e aprimoramento das vacinas. Que saibamos valorizar e respeitar ciência!

 

A um passo de uma revolução da oncologia no Brasil

Falta pouco! Em um dia histórico, a Câmara dos Deputados aprovou hoje (01/07/2021) um dos projetos mais esperados pelos pacientes com câncer: o PL 6.330/2019. Agora, vai para a sanção presidencial para entrar em vigor.

Já havíamos falado antes sobre ele, quando havia sido aprovado pelo Senado. Para quem não se lembra, este projeto consiste na mudança no processo de cobertura de medicações orais contra o câncer pelos planos de saúde.

As medicações orais têm se tornado cada vez mais comuns no tratamento do câncer, com muitas demonstrando benefício nos mais diversos tipos de neoplasias. Restringir o seu uso é, portanto, um prejuízo enorme aos paciente.

Como explicado em posts anteriores, (https://sonhe.med.br//2019/09/03/simparaquimiooral/), hoje, quando uma medicação oral mostra benefício para o tratamento de um tipo de tumor, ela tem que passar por duas aprovações para ser coberta pelos planos de saúde:

– Primeiro, a Anvisa tem que autorizar a comercialização daquela droga – caso ela ainda não seja comercializada no país – e incluir a indicação específica na bula;

– Em seguida, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), deve incluir a medicação em uma lista, chamada “Rol da ANS”.

Contrariamente, lembramos também que a aprovação de medicações injetáveis é diferente e muito mais rápida: a partir do momento em que a ANVISA faz a inclusão em bula, os planos tornam-se obrigados a cobri-las.

Caso a ANS não faça a inclusão no seu Rol, os planos não estão obrigados a pagar aquela medicação, que geralmente tem preços muito elevados e, frequentemente, não tem similares injetáveis. E o maior problema vem do fato de que esta lista é atualizada a cada dois anos; sendo assim, com as questões burocráticas de submissão e aprovação, uma droga que funciona para um tipo de câncer pode demorar mais de dois anos para estar disponível na prática para os pacientes. Ademais, com a evolução rápida da Medicina – notadamente da Oncologia – as novidades não param de surgir, portanto, a necessidade de maior rapidez na aprovação é urgente.

E é essa situação que o PL 6.330/2019 vai mudar. Segundo o projeto, a Lei obrigaria as operadoras de saúde a cobrirem o uso de qualquer medicação oral a partir da sua inclusão na bula, retirando a etapa de aprovação pela ANS e, assim, antecipando – e muito – o acesso a terapias benéficas. Não só isso, a nova Lei estabelece um prazo de 48 horas para os planos liberarem a medicação.

Hoje, após muita batalha, é uma data crucial e que, esperamos, mudará em muito o acesso aos tratamentos oncológicos no Brasil. Esperamos a aprovação agora do Presidente da República.

Lembramos, aqui, que essa Lei não valerá para os pacientes do SUS e, portanto, infelizmente aumentará o abismo que existe em relação ao acesso aos tratamentos entre o SUS e os planos de saúde. A Câmara rejeitou inclusive um adendo que expandiria esse projeto ao SUS.

 

Referências:

www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2255608

http://ladoaladopelavida.org.br/detalhe-noticia-ser-informacao/manifesto-pacientes-oncologicos-acesso-aos-tratamentos-antineoplasicos-orais

https://www.simparaquimiooral.org.br/

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9656.htm

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12880.htm#art2

http://www.ans.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&task=TextoLei&format=raw&id=MzUwMg==

http://www.ans.gov.br/images/stories/parecer_tecnico/uploads/parecer_tecnico/_PARECER_27-2018_MEDICAMENTOS%20ANTINEOPLSICOS%20ORAIS_VERSO%20FINAL_27122017.pdf

 

 

Terapia personalizada para câncer de pulmão no Brasil

Os pacientes com câncer de pulmão têm agora uma nova opção de tratamento. No dia 29 de junho, a Anvisa aprovou a comercialização da medicação Tepotinibe no Brasil. Esta droga é mais uma terapia-alvo, tipo de terapia que vem cada vez mais trazendo benefícios para os pacientes.

A indicação da droga é para paciente com câncer de pulmão de não-pequenas células avançado com mutação skipping no éxon 14 gene MET. O estudo que embasou essa indicação foi o VISION, que tinha um único grupo de 152 pacientes. A resposta objetiva foi de 46% e a sobrevida mediana foi de 17,1 meses, ambos os dados independentes de tratamentos prévios. Os efeitos colaterais foram bem tolerados.

Apesar de não ser um estudo grande, esse tipo de análise é feita com menos pacientes em razão da raridade da alteração genética.

A novidade traz mais uma possibilidade de tratamento para os pacientes com câncer de pulmão, que, na última década, ganharam uma gama enorme de novos caminhos, levando a um aumento de sobrevida, sempre tentando manter a qualidade de vida. Lembrando que, sendo uma medicação oral, ela não está disponível de forma rotineira, já que não está inclusa no rol da ANS. Além disso, também não está disponível no SUS.

 

Referências:

Paik PK, Felip E, Veillon R, Sakai H, Cortot AB, Garassino MC, Mazieres J, Viteri S, Senellart H, Van Meerbeeck J, Raskin J. Tepotinib in Non–Small-Cell LungCancer with MET Exon 14 Skipping Mutations. New England Journal of Medicine. 2020 May 29.

 

26 de junho: Dia Internacional de Combate às Drogas

O dia 26 de junho marca a data escolhida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para o Dia Internacional de Combate às Drogas. O uso de drogas é um mal social em todo o mundo. O Relatório Mundial sobre Drogas da ONU aponta a existência de uma média de 27 milhões de usuários de drogas – aqueles que consomem drogas regularmente ou que apresentam distúrbios ou dependência.

O número corresponde a 0,6% da população adulta mundial, ou seja, cerca de uma a cada 200 pessoas. No Brasil, estima-se 5,7% da população, isto é, mais de 8 milhões de pessoas podem ser consideradas usuárias de drogas.

O vício não se origina na falta de princípios morais ou falta de vontade. Na verdade, trata-se de uma doença complexa e crônica, visto o alto índice de recorrências e recaídas. As drogas modificam a química do cérebro, tornando um desafio o autocontrole para resistir aos impulsos de uso da substância.

No Brasil, temos políticas nacionais de atendimento aos usuários de drogas inseridas no Sistema Único de Saúde (SUS). Este é oferecido nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas III (CAPS AD 24 horas); e conta com equipes multiprofissionais compostas por médico psiquiatra, clínico geral, psicólogos, dentre outros.

O CAPS AD, por exemplo, é um serviço específico para o cuidado, atenção integral e continuada às pessoas com necessidades em decorrência do uso de álcool, crack e outras drogas. Os centros oferecem diversos atendimentos à população, com acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários.

Os CAPS também atendem aos usuários em seus momentos de crise, podendo oferecer acolhimento noturno por um período curto de dias. Além de apoiar os usuários, as famílias também recebem atendimento na busca de independência e responsabilidade para com o tratamento. Este apoio muitas vezes ultrapassa a estrutura física do local. Busca-se uma rede de suporte social que possa garantir o sucesso do tratamento, pensando na pessoa, em sua história, cultura e vida cotidiana.

Este dia é importante para nos lembrar dos desafios envolvidos no combate às drogas e no cuidado de seus usuários. As políticas de combate a elas devem refletir sobre a complexidade que o tema necessita, considerando os aspectos da sociedade atual, fatores sociais e suas peculiaridades.

 

Referências:

UNIAD – Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas.

UNODC – Agência das Nações Unidas contra drogas e o crime.

Blog da Saúde – Ministério da Saúde.

KARAM, Maria Lucia. Drogas: Legalizar para respeitar os direitos humanos. Conferência do Seminário Redução de Danos: Saúde, Justiça e Direitos Humanos. Salvador-BA. 2015).