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Março: Mês das Mulheres – Quais são os cânceres mais incidentes em mulheres?

Alguns dos cânceres que mais frequentemente afetam as mulheres são os de mama, colorretal, pulmão, colo do útero, corpo do útero (endometrial), câncer de ovário e de pele. Conhecer esses cânceres e o que você pode fazer para ajudar a preveni-los ou descobri-los precocemente (quando são pequenos, não se espalharam e podem ser mais fácies de tratar) pode ajudar a salvar sua vida.

 

A estimativa Globocan/IARC1 é que ocorreram 19,3 milhões de casos novos de câncer no mundo (18,1 milhões, se forem excluídos os casos de câncer de pele não melanoma). Um em cada cinco indivíduos terão câncer durante sua vida.2,3 O câncer de mama feminina é o mais incidente no mundo, com 2,3 milhões (11,7%) de casos novos, seguido pelo câncer de pulmão1, com 2,2 milhões (11,4%); cólon e reto, com 1,9 milhão (10,0%); próstata, com 1,4 milhão (7,3%); e pele não melanoma, com 1,2 milhão (6,2%) de casos novos. Nos EUA, o câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres e também a segunda principal causa de morte por câncer (depois do câncer de pulmão). Cerca de 1 em cada 8 mulheres terá câncer de mama invasivo durante sua vida4.

 

No Brasil foram estimados, para o ano de 2023, 704 mil casos novos de câncer. O câncer de mama é o mais incidente, acomete 30,1% das mulheres. O câncer de cólon e reto é o segundo mais frequente (9,7%). Na sequência, observam-se os cânceres do colo do útero (7,0%), traqueia, brônquio e pulmão (6,0%) e tireoide(5,8%)(Figura1). Observa-se no Brasil uma predominância do câncer de mama feminina em todas as regiões geográficas. Porém, na região Norte, o câncer do colo do útero figura como o mais incidente no Amazonas e no Amapá, enquanto nos demais estados, encontra-se na segunda posição. Nas regiões Sudeste e Sul, o câncer do cólon e reto é o segundo mais incidente, em todas as UF. Destaca-se o câncer de pulmão figurando na terceira posição no Paraná e no Rio Grande do Sul (Figura 2) 5,6.

 

Os tumores femininos podem ocorrer em qualquer idade, mas o risco aumenta à medida que a idade avança. Algumas mulheres podem ter uma chance maior de ter câncer de mama, colo de útero, cólon e reto ou pulmão, do que outras. Mas todas as mulheres devem conhecer os riscos desses cânceres e o que podem fazer para ajudar a reduzir o risco.

 

Referências:

  1. Globocan/IARC1
  2. FERLAY et al.2021
  3. SUNG et al., 2021
  4. https://www.cancer.org/cancer/risk-prevention/understanding-cancer-risk/cancer-facts/cancer-facts-for-women.html
  5. https://rbc.inca.gov.br/index.php/revista/article/view/3700/2644
  6. https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2023.pdf).

 

Figura 1 – Distribuição proporcional dos dez tipos de câncer mais incidentes nas mulheres estimados para 2023, exceto pele não melanoma5,6

Figura 2 – Distribuição dos três tipos de câncer mais incidentes nas mulheres (taxa ajustada) por UF, 2023-2025,5,6

29 de agosto -Dia Nacional de Combate ao Fumo – O mundo está ficando sem ar! Ajude-o a respirar

Desde 1986, o dia 29 de agosto foi escolhido como o Dia Nacional de Combate ao Fumo para conscientizar as pessoas dos malefícios que o cigarro traz para a saúde. O que nas décadas de 50 a 80 era considerado chique e glamoroso – pois o cigarro sempre estava nos filmes de Hollywood e nas propagandas de esportes – já logo no início da década de 1980 começou a mostrar que as consequências eram terríveis. Vários estudos já demonstravam as tragédias relacionadas ao hábito de fumar e as várias doenças relacionadas, como o enfisema pulmonar, fibrose pulmonar, câncer de pulmão, câncer de cabeça e pescoço e vários outros tipos de câncer. Mas, infelizmente, o cigarro já era usado por um enorme número de pessoas no mundo e com a altíssima dependência que a nicotina causava, o planeta já começava a ficar com dificuldade de respirar, asfixiado. Eram necessárias ações rápidas e eficazes para alertar as pessoas.

 O cigarro é a maior causa de morte, de doença e de empobrecimento no mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima para 2023 mais de 8 milhões de mortes por doenças causadas pelo hábito de fumar. Desses, cerca de 1,2 milhões são tabagistas passivos. Só no Brasil, são cerca de 430 mortes por dia relacionadas ao tabagismo. Mais de 170 mil mortes ao ano.

No mundo, são 1,1 bilhão de tabagistas e 80% deles estão em países de baixa ou média renda, onde os impactos do cigarro são ainda maiores. As pessoas que morrem prematuramente pelo cigarro, diminuem a renda de suas famílias, aumentam os gastos públicos com saúde e atrasam o desenvolvimento econômico, sem falar na parte social e emocional da perda de um familiar. O cigarro mata metade de seus usuários.

 São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. É a maior causa evitável de morte e disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer. Está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente, em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda, cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 2 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,7 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. É ainda o principal fator relacionado a doenças respiratórias como asma, bronquite, enfisema pulmonar. Está associado a impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades.

Os pacientes que fumam têm em média 14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, está cada vez mais claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também tem mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. E as crianças são as mais atingidas pelo tabagismo passivo. Cerca de metade das crianças no mundo estão expostas e respiram o ar contaminado pela fumaça do cigarro. E são elas que mais sofrem com problemas pulmonares, especialmente as mais novas. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são de fumantes passivos. O impacto na economia é de mais de US$ 56 bilhões ao ano, com tratamentos de doenças tabaco correlacionadas e com a perda precoce de vidas.

 

Por que é tão viciante?

A nicotina contida no cigarro atinge rapidamente o cérebro e, em menos de 10 segundos, libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, o cigarro é tão viciante e um hábito difícil de abandonar.  Daquelas pessoas que desejam abandonar o vicio menos de 5% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

Por outro lado, alguns benefícios de parar de fumar são imediatos: em 20 minutos o ritmo cardíaco e a pressão arterial baixam; em 12 horas, o nível de monóxido de carbono no sangue cai para o normal; de duas a 12 semanas, a circulação sanguínea melhora e a função pulmonar aumenta; entre um a nove meses, a tosse e a falta de ar diminuem; em um ano, o risco de desenvolver uma doença coronariana cai pela metade (em relação a um fumante); entre cinco  e quinze anos, o risco de ter um acidente vascular cerebral é reduzido ao de um não fumante; em 10 anos, o risco de câncer de pulmão cai para cerca de metade em relação a um fumante e o risco de câncer de boca, garganta, esôfago, bexiga, colo do útero e pâncreas também diminui.

Na tentativa de diminuir o tabagismo e com isso as doenças a ele relacionadas, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Nesse contexto, o Brasil ganhou lugar de destaque ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as 6 medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram   treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita.

Outras medidas importantes foram o aumento de impostos sobre os cigarros, que chegaram a 83%, em 2018, a proibição de  propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população, em 1989, e 10%, atualmente), o que ainda corresponde a mais de 20 milhões de tabagistas.

Além do cigarro, existem os charutos, cachimbos, cigarros de palha, narguilés e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos. Algumas pessoas defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais. No entanto, isso não é verdade. Alguns deles, como narguilé, são ainda mais nocivos.

 

Cigarro eletrônico

O cigarro eletrônico tem servido de porta de entrada para os mais jovens no vício. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida, o que não impede o acesso fácil) e no mundo.  De acordo com relatório divulgado em maio de 2022 pelo sistema Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), do Ministério da Saúde, pelo menos um a cada cinco jovens de 18 a 24 anos usa cigarros eletrônicos no Brasil. Do mesmo modo, a última pesquisa Covitel, desenvolvida pela organização global de saúde pública Vital Strategies e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), mostra que os adultos jovens apresentaram as maiores prevalências de experimentação de cigarro eletrônico (19,7%) e de narguilé (17%), no país, no ano passado. O consumo desses produtos é considerado modismo no Brasil e segue o comportamento observado em outros países, como Estados Unidos e Reino Unido, onde é permitida a comercialização.

Estudo recente, divulgado no fim de junho pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), informa que as vendas mensais de cigarros eletrônicos aumentaram 46,6%, passando de 15,5 milhões de unidades, vendidas em janeiro de 2020, para 22,7 milhões, em dezembro de 2022 naquele país. Esse incremento considera somente as vendas de varejo, excluindo o comércio online. Seus efeitos deletérios ainda não são completamente conhecidos, mas o Centro de Controle de Doenças dos EUA já divulgou várias mortes associadas diretamente ao uso do cigarro eletrônico.

Por isso, o dia 29 de agosto foi escolhido como Dia Nacional de Combate ao Cigarro, para orientar e reforçar junto à população as consequências sociais, políticas e econômicas do habito de fumar e chamar a atenção para os malefícios e danos causados a saúde de quem fuma ou convive com quem fuma. Vamos alertar a todos sobre a importância de abandonar o cigarro e para aqueles que realmente desejam parar, fica a orientação de procurar um profissional da área da saúde, seja no SUS, ou no ambiente privado, para obter auxílio contra esse que é, sem dúvida, o maior vilão da humanidade.

 

 

29 de agosto: Dia Nacional de Combate ao Fumo

O tabagismo como vício vem acometendo a humanidade há mais de 200 anos

O tabagismo como vício vem acometendo a humanidade há mais de 200 anos. Já passou por diferentes fases, desde seu uso pelos povos pré-colombianos, na América Central, ou em rituais indígenas, na América do Sul, até sua exploração comercial na Europa durante a Revolução Industrial e sua banalização pela indústria cinematográfica de Hollywood, nas décadas de 80 e 90. Fato é que o cigarro se tornou popular e também o maior inimigo do ser humano, sendo o grande responsável por mortes evitáveis em todo mundo.

A partir do final da década de 90, com o entendimento dos mecanismos deletérios do cigarro no corpo humano e sua clara associação com dezenas de doenças cardiovasculares, respiratórias e neoplásicas, iniciou-se no mundo inteiro um movimento na tentativa de inibir e dificultar o seu uso. São mais de 4.000 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 50 são sabidamente cancerígenos. É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância em cânceres de pulmão, cabeça e pescoço e bexiga. Além disso é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial). Além de diversas outras doenças respiratórias.

As pessoas que fumam têm em média 14 anos menos de expectativa de vida em relação as que não fumam. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para 7 milhões de mortes ao ano por doenças causadas pelo cigarro, sendo 12% dessas mortes em fumantes passivos. Só no Brasil são 400 mortes por dia pelo tabaco, o que causa um impacto gigantesco na saúde e na economia, visto que muitas pessoas atingidas são jovens e economicamente ativas, além de um grande custo para o sistema de saúde pública, com gastos bilionários em tratamentos de doenças relacionadas ao tabaco.

Na tentativa de diminuir o tabagismo e com isso as doenças a ele relacionadas, vários países passaram a adotar medidas que estimulassem o abandono do cigarro e outras que evitassem o início do tabagismo. Nesse contexto, o Brasil ganhou lugar de destaque ao conseguir reduzir de forma consistente o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem pacientes tabagistas no SUS e o tratamento começou a ser oferecido de forma gratuita, por exemplo, com a disponibilização de medicações como a bupropiona.

Além disso, foi disponibilizada uma linha telefônica para as pessoas tirarem dúvidas sobre o tabagismo, houve aumento dos impostos que chegaram a 83%, em 2018; as propagandas foram proibidas em televisão e revistas, tornou-se obrigatório estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do cigarro e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% em 2017).

O Brasil, ao lado de Turquia, tornou-se referência ao mundo no combate ao cigarro, sendo o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) que são: monitorar o uso do tabaco e as políticas de prevenção, proteger as pessoas contra o tabagismo, oferecer ajuda para parar de fumar, avisar sobre os perigos do tabaco, aplicar proibições à publicidade, promoção e patrocínio do tabaco e aumentar os impostos sobre o tabaco.

A redução do tabagismo vem acontecendo, no Brasil em todas as faixas etárias, com redução de 50% entre os jovens com menos de 30 anos e também redução de 44% entre as mulheres. Segundo o INCA, mais de 1,5 milhão de pessoas fizeram tratamento na rede pública para parar de fumar nos últimos 10 anos.

Mas ainda não foi possível acabar completamente com esse vício. Dados mostram que as capitais onde mais se fuma são Porto Alegre, São Paulo e Curitiba, enquanto Salvador, São Luiz e Belém são as que tem menos fumantes. O Brasil ocupa hoje o 34º lugar entre os países que mais fumam em um ranking que engloba 149 nações.

Em paralelo à diminuição do tabaco, vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo o uso dos cigarros eletrônicos, cujos os efeitos deletérios ainda são desconhecidos. Em 2018, mais de 3,5 milhões de estudantes do ensino médio nos EUA disseram já ter experimentado o cigarro eletrônico. O Centro de Controle de Doenças dos EUA acabou de divulgar a morte de um morador e Illinois como potencial primeiro caso – do mundo – de morte associada diretamente ao uso do cigarro eletrônico. Por isso, o combate ao cigarro ganha novos inimigos que não podem ser esquecidos.

O Brasil tem o audacioso objetivo de se tornar o primeiro país do mundo livre do tabaco. E, por isso, o dia 29 de agosto ganha importância como o Dia Nacional de Combate ao Fumo para lembrar que essa guerra ainda terá vários capítulos e a atenção nunca deverá ser diminuída no intuito de manter o Brasil na rota do combate ao cigarro.

 

 

Dia do Homem: o que você tem feito pela sua saúde?

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os homens vivem 7,1 anos a menos do que as mulheres, sendo a taxa de mortalidade maior em praticamente todas as faixas etárias. Mas qual seria a justificativa? A resposta é a associação de vários motivos, mas entre os principais estão a maior exposição a alguns fatores de risco e a menor aderência aos exames preventivos. Dentre os fatores de risco destacamos o tabagismo, etilismo, falta de prática de atividade física e obesidade.  Outro dado preocupante revelado pelo Ministério da Saúde é que 31% dos homens não têm o hábito de ir ao médico e 55% destes afirmam que não precisam. Esta conjunção está diretamente relacionada ao risco de desenvolver diversas doenças nos homens, com maior destaque para o câncer.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam como os cânceres mais frequentes nos homens os de pele, próstata, intestino, pulmão e de cabeça e pescoço. E o que todos eles têm em comum? A maioria dos casos pode ser prevenido.

Vamos começar falando do câncer de pele, que é o tumor mais frequente. Felizmente, este tipo de tumor apresenta uma baixa taxa de mortalidade, mas pode deixar sequelas secundárias: a cirurgia para sua retirada. Os dois tumores de pele mais frequentes são o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermóide, ambos diretamente relacionados à exposição não protegida ao sol. O cuidado com a exposição solar e o uso de protetor solar seriam o suficiente para reduzir o desenvolvimento destes tumores.

O segundo tumor mais frequente é o câncer de próstata. Dados do INCA estimam 65.840 novos casos em 2022 no Brasil, sendo o responsável pela segunda maior causa de morte por câncer. O seu principal fator de risco é o envelhecimento, algo que não podemos evitar, mas por um outro lado é um câncer altamente curável quando diagnosticado precocemente. Identificar este tumor na fase inicial é possível pela realização dos exames preventivos de toque retal e PSA. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Urologia, recomenda que homens a partir de 50 anos devem procurar um profissional especializado para avaliação individualizada. Aqueles da raça negra ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos, por já possuírem um risco aumentado.

Na terceira posição está o câncer de intestino. Este câncer está relacionado à idade mais avançada, histórico familiar e aos hábitos de vida como excesso de alimentos industrializados, sedentarismo e obesidade. Sabemos que evitar a exposição a estes fatores risco pode reduzir de forma significativa as chances de ter um câncer de intestino. Por isso, é importante manter um estilo de vida saudável com atividade física no mínimo três vezes por semana, manter peso adequado, realizar dieta rica em fibras, evitar o tabagismo, etilismo e excesso de carne vermelha e embutidos, além de realizar o exame preventivo de colonoscopia.  No Brasil, esse exame é recomendado para homens e mulheres entre 50 a 74 anos. Em casos de história familiar para câncer de intestino, o exame deve ser realizado dez anos antes da idade que o familiar apresentou o diagnóstico.

O câncer de pulmão é o quarto câncer mais frequente nos homens, com 17.760 casos novos ao ano de acordo com o INCA. É o câncer que mais mata homens. Infelizmente, sua incidência vem aumentando no mundo o que o torna um problema de saúde pública em razão do impacto dos altos custos do seu tratamento. A maioria dos casos deste tipo de câncer seriam evitados se as pessoas não fumassem. Aproximadamente 80% dos casos estão diretamente ligados ao tabagismo, hábito considerado como a maior causa evitável de mortes no mundo todo. Os pacientes que fumam têm em média 14 anos a menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, está cada vez mais claro que os tabagistas passivos (quem não fuma, mas convive de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares.

Em quinto lugar está o câncer de cabeça e pescoço, que compreende todos os tumores que têm origem na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe) e nas glândulas salivares. Os fatores de risco para o desenvolvimento desta neoplasia já são bem estabelecidos. O principal é o tabagismo. O risco é dependente do número de cigarros fumados por dia e do tempo de uso. Os tabagistas têm o risco de desenvolver câncer de 5 a 25 vezes a mais do que os que não fumam. O segundo fator de risco de destaque é o etilismo. Um estudo revelou o aumento de 5 a 6 vezes no risco de desenvolver o câncer de cabeça e pescoço com consumo de álcool superior a 50 g/dia versus menos de 10 g/dia (aproximadamente uma lata de cerveja). Suspender o consumo de álcool reduz em 4% ao ano o risco de doença maligna da laringe ou a faringe.

Como vimos, uma grande parte dos cânceres que afetam o homem poderiam ser evitados com medidas de prevenção e um diagnóstico precoce. O Dia do Homem tem como objetivo conscientizar a população masculina sobre os cuidados que deve tomar com a sua saúde. Vamos aproveitar esse dia para iniciar hábitos de vida mais saudáveis e lembrar de colocar os exames preventivos em dia!

 

Onde há fumaça, há fogo!

O dia 29 de agosto é marcado como Dia Nacional de Combate ao Fumo, desde 1986, quando foi criado pela Lei 7.480, com o objetivo de alertar e chamar a atenção da sociedade para as implicações sanitárias, sociais e econômicas que esse terrível hábito pode trazer para nossas vidas. O tabagismo é a maior causa evitável de adoecimento e morte em todo mundo, sendo responsável por mais de 7,5 milhões de mortes ao ano em todo planeta e mais de 200 mil mortes ao ano somente no Brasil. São mais de 400 mortes ao dia no país relacionadas às doenças provocadas pelo cigarro. Portanto, estamos falando de uma pandemia global, silenciosa e sorrateira, que existe há várias décadas e somente nos últimos anos começou realmente a ser enfrentada.

Além do cigarro, grave problema de saúde pública, desde final de 2019, o mundo vive um dos momentos mais dramáticos da sua história com o surgimento e explosão do SARS-CoV-2. Nada ocupou mais o noticiário e nossas vidas nos últimos meses do que essa crise sanitária que vem mudando nossa forma de nos relacionar. Já foram mais de 560 mil mortes no Brasil por COVID-19 desde o início da pandemia e mais de 4 milhões de mortes no mundo. Ainda assim, como já dito, o cigarro mata por ano quase o dobro do que o número de vítimas causadas pela COVID-19 em quase 2 anos.

O tabaco, que já era usado pelas tribos indígenas na América do Sul em tempos remotos e depois como planta medicinal quando chegou à Europa, Ásia e África levada pelos colonizadores, ganhou proporções comerciais com a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo. A partir das duas grandes Guerras Mundiais, o uso de tabaco na forma de cigarro começou a se popularizar. Hoje, o consumo de cigarros e outros dispositivos como charutos, narguilés e, mais recentemente, os cigarros eletrônicos faz parte do cotidiano de milhões de pessoas, de todas as idades, todas as culturas e classes sociais.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) projeta para 2021, um aumento no número de mortes, direta ou indiretamente relacionadas ao tabagismo. São mais de 4.800 compostos químicos em um único cigarro, dentre os quais mais de 70 são sabidamente cancerígenos. O cigarro é tão prejudicial e viciante, que a nicotina nele contida atinge rapidamente o cérebro e, em menos de 10 segundos, libera vários neurotransmissores relacionados à sensação de bem-estar e prazer, como a dopamina. Por isso, é um habito difícil de abandonar. Daquelas pessoas que desejam largar o vício, menos de 10% tem sucesso sem ajuda de um profissional.

É disparado o maior fator de risco para o desenvolvimento de câncer e está relacionado a quase todos os tumores, com particular importância para as neoplasias de pulmão, cabeça e pescoço, bexiga e trato gastrointestinal. Especialmente, em relação ao câncer de pulmão, 15% de quem fuma deverá desenvolver esse tipo de câncer em algum momento da vida, além disso, 80 a 90% de quem tem o diagnóstico de neoplasia pulmonar é tabagista. Ainda: cerca de 80% dos tumores de pulmão são descobertos em fases avançadas, com metástases, quando o câncer já se espalhou pelo corpo e a chance de cura é muito baixa. São 1,8 milhões de casos novos de câncer de pulmão diagnosticados todos os anos no mundo, com 1,6 milhões de mortes.

Cerca de 80% dos tumores de cabeça e pescoço, que é o terceiro tipo de câncer mais comum no Brasil, e por volta de 70% das neoplasias de bexiga também estão relacionados ao tabagismo. O cigarro, portanto, tem um poder destrutivo imenso capaz de comprometer a qualidade de vida e ceifar vidas de pessoas, muitas vezes, ainda jovens e produtivas.

Além disso, o tabagismo é o segundo fator de risco mais importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (perdendo apenas para hipertensão arterial), lembrando que essas doenças são as que mais matam no Brasil e no mundo. Cerca de 2 milhões de pessoas morrem ao ano por doenças cardíacas provocas pelo cigarro. O cigarro aumenta o risco de infarto agudo do miocárdio, arritmias cardíacas, miocardites e de mortes súbitas.

O cigarro e a COVID-19

O cigarro é, ainda, o principal fator relacionado às doenças respiratórias como asma, bronquite e enfisema pulmonar.  E, nesse caso, não tem como não associar o cigarro à COVID-19. É inegável que a “pandemia” do cigarro agrava a doença causada pelo coronavírus. Logo no início da pandemia, em 2020, pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan, na China, haviam constatado que as chances de progressão da doença e de óbitos entre fumantes eram 14 vezes maiores do que em não fumantes.

O cigarro provoca uma inflamação crônica nos pulmões, causando distúrbios pulmonares graves, além de – sabidamente – reduzir a imunidade de quem fuma.  Se o coronavírus provoca pneumonia e afeta os pulmões, é claro que o dano é maior naqueles pacientes que já tem comprometimento do tecido pulmonar causado pelo tabaco. Portanto uma parcela das pessoas que morreram pela COVID-19, indiretamente, são vítimas do cigarro.  .

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Stanfort, na primeira fase da pandemia, mostrou que jovens que usam cigarros eletrônicos tinhas de 5 a 7 vezes mais risco de terem COVID-19, provavelmente por conta dos danos pregressos das vias aéreas.

Os mesmos malefícios causados pelo cigarro no indivíduo, que demoram anos para aparecer, são uma avalanche com o vírus, que desencadeia essas mesmas alterações, mas em questão de dias. É uma doença inflamatória pulmonar grave com insuficiência respiratória alterando todo o sistema de coagulação, fazendo com que os indivíduos tenham trombose, tendo complicações isquêmicas e hemorrágicas, assim como acontece com quem fuma ao longo de anos, com um fator de agressão extremamente elevado”.

Muitas outras complicações

O uso do tabaco está associado, ainda, à impotência sexual, infertilidade, menopausa precoce nas mulheres e uma série de outras enfermidades. Os pacientes que fumam têm, em média ,14 anos menos de expectativa de vida em relação a quem não fuma. Além disso, é muito claro que os tabagistas passivos (aqueles que não fumam, mas convivem de perto com quem fuma) também têm mais chances de desenvolver câncer, doenças cardíacas e pulmonares. De todas as mortes causadas pelo cigarro, 12% são em fumantes passivos.

Não podemos esquecer dos impactos econômicos, com perdas de mais de R$ 60 bilhões ao ano, considerando o que as pessoas doentes ou que morreram, deixaram de produzir, e os custos diretos e indiretos com tratamentos das doenças causadas pelo habito de fumar. O que se arrecada com impostos relativos à venda de cigarros não ultrapassa os R$ 13 bilhões ao ano, mostrando haver um grande desbalanço financeiro.

Por todos esses problemas Brasil vem implementando há muitos anos uma série de medidas para diminuir o número de dependentes ao cigarro no país.  O Brasil ganhou lugar de destaque no combate ao fumo ao ser o segundo país a conseguir implementar de forma eficaz todas as seis medidas sugeridas pela OMS, chamadas de Mpower (plano para reverter a epidemia do tabaco) e conseguir reduzir, de forma consistente, o número de pessoas que fumam. Os esforços para essa redução começaram em 1990, quando profissionais de estados e municípios foram treinados pelo Instituto Nacional do Câncer (INCA) para tratarem gratuitamente pacientes tabagistas no SUS.

Outras medidas importantes foram: o aumento de  impostos sobre os cigarros que chegaram a 83% em 2018, a proibição de  propagandas em televisão e revistas, a obrigatoriedade de se estampar as embalagens de cigarro com fotos e frases que mostrassem os efeitos devastadores do vício e, por fim, a proibição do fumo em locais fechados de uso coletivo. Todas essas medidas levaram o Brasil a reduzir em mais de 50% o número de pessoas que fumam nos últimos 25 anos (34% da população em 1989 e 10% atualmente), e em todas as faixas etárias. Contudo, ainda temos mais de 20 milhões de tabagistas.

Ameaças aos progressos

Grande problema é que, no ano passado, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que 34% dos fumantes no Brasil declararam ter aumentado o número de cigarros fumados durante a pandemia. Trata-se de um crescimento associado à deterioração da saúde mental dos tabagistas em meio ao isolamento social. Além disso a forma de compra e obtenção de cigarro durante a pandemia de COVID-19, foi facilitada através de aplicativos de entrega que muitas vezes nem conferem a idade do comprador.

Narguilés e, mais recentemente os cigarros eletrônicos, também estão se tornando cada vez mais populares entre os jovens que defendem esses tipos de fumo, alegando serem menos prejudiciais.  No entanto, isso não é verdade.

Alguns deles, como o narguilé, são ainda mais nocivos e o cigarro eletrônico, embora em geral não contenham nicotina, vem se mostrando um grande perigo. O uso de cigarro eletrônico vem crescendo no Brasil (onde a comercialização é proibida) e no mundo.  O cigarro eletrônico está associado a danos irreparáveis ao pulmão e a um pior prognóstico nos pacientes que contraem COVID-19.

Por isso, apesar de várias conquistas nos últimos anos – em especial no Brasil – na direção da diminuição no número de tabagistas, existem indícios e perigos recentes que estão ameaçando este progresso. Temos que nos atentar a estes sinais para interromper essa cadeia de prejuízos físicos, psicológicos, sociais e econômicos para nossa sociedade. Como tido na “boca popular”, onde há fumaça, há fogo, e esse fogo pode queimar e destruir uma vasta riqueza física, psicológica, social e econômica. Nós, do Grupo SOnHe, trabalhamos para trazer informações de qualidade e relevantes para nossos pacientes e população em geral, sempre com foco na melhora da qualidade de vida de todos.

 

Barcelona 2019: Conferência Mundial de Câncer de Pulmão

Terminou em 10 de setembro a 20ª Conferência Mundial de Câncer de Pulmão, reunindo mais de 7.500 especialistas no assunto, na cidade de Barcelona, na Espanha. Foram quatro dias de muita discussão e troca de experiências com resultados promissores de vários estudos. Alguns, irão mudar nossa prática clínica em curto espaço de tempo e, outros, trazem esperança de importantes mudanças no futuro. Comentarei a seguir os resultados mais importantes desse congresso.

O primeiro estudo é o LIBRETTO TRIAL, estudo de fase 1/2, que testou uma droga chamada Selpercatinib (LOX-292) para aqueles pacientes com adenocarcinoma de pulmão metastático com fusão do gene RET (cerca de 2% de todos adenocarcinomas). Essa nova droga mostrou impressionantes taxas de respostas de 68% em pacientes já tratados com outras terapias e 85% naqueles virgens de tratamento, com duração média de resposta de 20 meses, e taxas de resposta de 91% nas metástases cerebrais (50 % dos pacientes com fusão de RET evoluem com meta cerebral). Como os pacientes demoram a progredir, a mediana de sobrevida livre de progressão não foi atingida. A fusão de RET até então não tinha um tratamento personalizado e as medicações usadas como quimioterapia convencional, inibidores de multi-kinases e imunoterapia não tinham bons resultados.

Outro estudo apresentado na plenária do congresso foi o CASPIAN TRIAL. Estudo que comparou a associação de Durvalumab (imunoterapia) com quimioterapia baseada em platina + Etoposideo versus quimioterapia isolada para pacientes com câncer de pulmão pequenas células doença extensa. Houve aumento de sobrevida global de 10,3 para 13 meses de mediana em favor da combinação, com 54% dos pacientes do braço combinação vivos em 12 meses. O perfil de eventos adversos é parecido com os já conhecidos pela imunoterapia, sendo menos intensos se comparados à quimio. Esse estudo ainda tem outro braço, que compara a associação de dois imunoterápicos – durvalumab+tremelimumab – com a quimioterapia. A comparação desse braço com quimio isolada ainda não foi apresentada.

Outros estudos interessantes foram os relacionados à prevenção secundária, ou seja, screening para câncer de pulmão. Já sabemos que o screening com tomografia de baixa dose na população de alto risco reduz a mortalidade por câncer de pulmão em cerca de 20%. O que esses estudos mais recentes avaliaram foram protocolos mais detalhados e mais amplos para definir quem são os pacientes de alto risco e com isso fazer o screening na população correta. Outro estudo avaliou análise de RNAm na população de alto risco para definir subgrupos nos quais o intervalo de tomografia de baixa dose poderia ser maior, o que permitiria melhor alocação dos recursos destinados nessas estratégias.

Um trabalho interessante do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) analisou a incidência das principais mutações genéticas em adenocarcinoma de pulmão na população brasileira. Encontrou porcentagens de mutação do EGFR de 23%, KRAS 20%, ALK 5%. Essas avaliações permitem um melhor entendimento do perfil genético da nossa população e o desenvolvimento de políticas específicas e direcionadas para os brasileiros com câncer de pulmão.

Foi apresentado, ainda, o desenho do estudo FLAURA 2 que vai tentar responder se a associação de Osimertinib + quimioterapia em 10 linha para adenocarcinoma de pulmão metastático com mutação de EGFR é superior a Osimertinib isolado. Muito foi discutido também sobre a personalização do tratamento. A importância cada vez maior do sequenciamento genético por New Generation Sequencing (NGS) para definir possíveis alvos de tratamento e na progressão da doença para análise dos mecanismos de resistência tem levado a discussão de como tornar essas avaliações disponíveis para todos, visto o elevado custo do exame.

Outro assunto bastante discutido foi sobre a importância e quais os melhores biomarcadores para definir os pacientes que responderão ou não à imunoterapia. Foi mostrado novamente dados semelhantes aos resultados já mostrados na ASCO deste ano. Uma análise do estudo de fase III Mystic mostrou que mutações no gene STK11 e KEAP1 estão associados ao pior prognóstico e a pior resposta ao tratamento, tanto com quimioterapia quanto com imunoterapia. E, para esses pacientes, a associação de imunoterapia a quimioterapia não parece adicionar benefício à quimio isolada. Em contrapartida, pacientes com mutação no gene ARID1A tiveram maior taxa de resposta e maior sobrevida à imunoterapia, que sugere que esse gene possa ser preditor de resposta à imunoterapia. Outro biomarcador muito discutido foi o Tumor Mutation Burden (TMB), que na avaliação de resposta ao Pembrolizumab não teve associação direta, ou seja, as repostas ao Pembrolizumab não dependiam da taxa de TMB.

Houve, também, a atualização de estudos importantes como o Keynote 024, que mostrou ganho de sobrevida global com Pembrolizumab em pacientes com carcinoma de não pequenas células de pulmão metastático (tanto adeno quanto CEC), comparado com quimioterapia em primeira linha para pacientes com PDL-1> 50%. A taxa de sobrevida em três anos é de 44% para Pembrolizumab contra 25% para quimioterapia. Deve-se considerar que até 60% dos pacientes fizeram crossover, ou seja, receberam Pembrolizumab em linhas subsequentes. Foram mostrados os dados finais do estudo IMpower 131, que comparou outra imunoterapia, Atezolizumab + quimio (carboplatina + nab-paclitaxel) vs quimioterapia isolada em pacientes com carcinoma escamoso de pulmão metastático. O estudo foi negativo para sobrevida global na população ITT, mostrando apenas ganho de sobrevida livre de progressão.

Esse foi um apanhado dos principais resultados da Conferência Mundial de Câncer de Pulmão 2019, realizado na cidade de Barcelona, na Espanha, com várias novidades e importantes discussões. Medicamentos novos em fases iniciais de pesquisa e outros mais próximos de serem usados no dia a dia. Este congresso vem ganhando importância a cada ano com a reunião de especialistas em câncer de pulmão de todo o mundo. A próxima conferência está marcada para agosto de 2020, em Singapura. Espera- se alguns resultados também importantes no Congresso Europeu de Oncologia (ESMO), que tem início na próxima semana também em Barcelona, como a apresentação dos dados de sobrevida global do estudo FLAURA e as atualizações do estudo Checkmate 227. A boa notícia é que nossos pacientes com câncer de pulmão metastático estão vivendo mais e melhor e a cada congresso isso se torna mais claro é palpável.

Duas novas indicações de medicações oncológicas aprovadas no Brasil

Nas últimas semanas, tivemos duas novidades no tratamento oncológico no Brasil: as aprovações das medicações Ramucirumabe (Cyramza®), uma terapia-alvo para câncer de fígado, e Atezolizumabe (Tecentriq®), uma imunoterapia para câncer de pulmão.

Em junho, a Anvisa aprovou a indicação do Ramucirumabe para tratamento de pacientes com câncer de fígado (hepatocarcinoma) avançado ou irressecável, com função hepática preservada (CHILD A), que tenham falhado à primeira linha terapêutica com Sorafenibe – o atual padrão – e apresentem alfa-feto proteína com valores iguais ou acima de 400ng/mL. O embasamento para tal aprovação foi o estudo REACH-2, que randomizou 292 indivíduos com as características descritas para receberem Ramucirumabe ou placebo. Apesar do pequeno aumento da sobrevida mediana (7,29 para 8,51 meses), a redução do risco de morte foi de 29% e estatisticamente significativa (IC 95% 0,531-0,949; p 0,019). Outro dado mostrou que, em 24 meses, 10,2% dos pacientes do grupo intervenção estavam vivos, contra nenhum do grupo placebo.  Entretanto, a taxa de resposta e o tempo para piora da qualidade de vida não mudaram com o tratamento e as toxicidades foram maiores, apesar de, em geral, a medicação ter sido bem tolerada. Com esses dados, o Ramucirumabe se tornou uma das opções para esse cenário.

Em relação à outra droga, o Atezolizumabe, a Anvisa aprovou em julho a indicação do seu uso no tratamento de pacientes com câncer de pulmão não-pequenas células (tipo não-escamoso) avançado como terapia de primeira linha em combinação com quimioterapia (Carboplatina, Paclitaxel e Bevacizumabe). O estudo que suscitou a indicação foi o IMPower150, que aleatorizou 1.202 pacientes conforme descrito acima para três grupos: quimioterapia padrão + Bevacizumabe + Atezolizumabe (grupo 1), quimioterapia padrão + Atezolizumabe (grupo 2) ou quimioterapia padrão + Bevacizumabe (grupo 3 ou controle). Neste estudo, vale ressaltar, pacientes com mutações EGFR ou ALK puderam ser incluídos, caso progredissem à primeira linha com inibidores de tirosina quinase, o atual tratamento padrão para eles. Os resultados mostraram uma redução significativa do risco de morte de 22% em relação ao controle (10% a mais de pacientes vivos em 2 anos), além de uma maior taxa de resposta (63,5 x 48%), às custas de uma maior, apesar de aceitável, toxicidade (eventos graves: 25 x 19%).

Estas duas novas aprovações vêm para somar à evolução constante dos tratamentos oncológicos, cada vez mais baseados em terapias-alvo e imunoterapias, que promovem maiores benefícios com toxicidades aceitáveis. Também lembramos que o trabalho para a melhoria da sobrevida focando na qualidade de vida é sempre bem-vindo e esperamos por mais novidades no futuro.

Referências:

Zhu AX, Kang Y-K, Yen C-J, et al. For the REACH-2 study investigators. Ramucirumab after sorafenib in patients with advanced hepatocellular carcinoma and increased α-fetoprotein concentrations (REACH-2): a randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 trial [published online January 18, 2019]. Lancet Oncol. doi:10.1016/S1470-2045(18)30937-9.

Socinski MA, et al. Atezolizumab for First-Line Treatment of Metastatic Nonsquamous NSCLC. N Engl J Med 2018;378:2288-2301.

Novidades ASCO 2019: câncer de pulmão e melanoma

Nas últimas semanas, aconteceu em Chicago, nos EUA, o maior congresso de Oncologia do mundo, reunindo quase 40 mil profissionais dedicados ao tratamento do câncer. Nesse evento, que ocorre anualmente, são mostrados os resultados dos estudos mais recentes e das drogas mais inovadoras para o tratamento oncológico.  E o tratamento do câncer de pulmão e dos tumores de pele, como não poderia deixar de ser, foram tópicos em destaque com vários trabalhos apresentados que mostraram resultados promissores. As drogas mais comentadas, novamente foram as terapias-alvo e as imunoterapias, como aconteceu em outros congressos recentes.

Começando pelas novidades em câncer de pulmão, o primeiro trabalho importante foi o “RELAY”, que comparou paciente com adenocarcinoma de pulmão metastático com mutação do EGFR, Erlotinibe isolado ou associado à um anti-angiogênico chamado Ramucirumabe, em primeira linha. Os resultados mostram um aumento de sobrevida livre de progressão em favor da combinação, passando de 12,4 meses para 19,4 meses, mas os dados de sobrevida global ainda são imaturos, com um perfil de toxicidade manejável.

Nesse mesmo cenário, pacientes com mutação do EGFR, em outro estudo, foi comparado Gefitinibe isolado com a associação de Gefitinibe+quimioterapia (Carboplatina+Pemetrexede), mostrando aumento de sobrevida global (17 meses versus mediana não atingida com a combinação). As toxicidades foram maiores no braço da combinação, principalmente náuseas, vômitos, nefrotoxicidade e hipocalemia.

Dois outros estudos mostrados vieram confirmar que o tratamento de manutenção após primeira linha com quimioterapia nos adenocarcinomas de pulmão metastáticos deve ser feito com apenas uma droga, que pode ser o Bevacizumabe ou Pemetrexede, não havendo grande benefício na associação dos dois, por aumentar ligeiramente a sobrevida livre de progressão, mas com maiores toxicidades.

Outros estudos em destaque, embora ainda iniciais, mostraram dados preliminares interessantes em pacientes com adenocarcinoma de pulmão metastático com rearranjos e fusões do MET, com as medicações Tepotinib e Capmatinib e pacientes com fusões do RET com a droga BLU-667. Tivemos ainda a atualização de alguns estudos, como um pôster que mostrou os dados de sobrevida global, sobrevida livre de progressão 2 do estudo Keynote-189 com Pembrolizumabe + quimioterapia em primeira linha de adenocarcinoma de pulmão metastático sem mutações drivers, mostrando manutenção do benefício em sobrevida global após dois anos, além de mostrar que esse benefício é maior quando usamos imunoterapia em primeira linha, visto a maior sobrevida livre de progressão 2.

Por fim, com relação aos dados de câncer de pulmão apresentados, um estudo chamou a atenção ao mostrar a associação da alteração gênica STK11/LKB1 com baixa resposta a Pembrolizumabe em associação com quimioterapia em adenocarcinomas de pulmão metastático. Para aqueles pacientes com essa mutação, o Pembrolizumabe não aumentou a sobrevida global, nem a sobrevida livre de progressão. Talvez esse seja um importante marcador de resposta à imunoterapia, que possa ser usado no futuro para determinar aquelas pacientes melhores candidatos a receber inibidores de PD-1.

Com relação ao melanoma, um interessante estudo mostrou ação da combinação Nivolumabe+Ipilimumabe em pacientes com metastáses cerebrais, m taxas de resposta da ordem de 57% e sobrevida livre de progressão mediana e sobrevida global mediana não atingidas. Além disso, tivemos as atualizações dos estudos ComBi-V e ComBi-D, com uso de Dabrafenibe + Trametinibe em melanoma metastático com mutação do BRAF. Com atualização de 5 anos, mostrou sobrevida livre de progressão de 20% em 5 anos, chegando a 30% nos pacientes do DHL normal e menos de três sítios de metástases. A sobrevida global em 5 anos foi de 30%. Entre aqueles que atingiram resposta completa, 70% estão vivos em 5 anos.

Outro estudo, mais inicial, com a combinação de Dabrafenibe + Trametinibe + Spartalizumabe mostrou taxas de resposta perto de 80% nos melanomas com mutação de BRAF, com quase 40% de taxas de resposta completa. Outro estudo tentou mostrar um possível benefício para radioterapia de crânio total após radiocirurgia em até três lesões cerebrais metastática de melanoma. Não houve ganho adicional na radiação de todo crânio.

Chega ao fim mais um congresso internacional, sem grandes mudanças, dessa vez, na nossa prática clínica diária, com relação aos tumores de pulmão e melanoma; porém, com resultados promissores em novos medicamentos e novos alvos moleculares que certamente mudarão nossas práticas em breve, o que estimula novos estudos e novas pesquisas sempre no intuito de melhorar ainda mais os ganhos para nossos pacientes.

Novidades do Congresso Europeu em câncer de pulmão

Nos últimos dias, aconteceu em Munique, na Alemanha, um dos mais importantes congressos de oncologia, o ESMO, Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia e mais de 24.000 especialistas de todo o mundo se reuniram para discutir os mais recentes avanços nessa área. E o tratamento do câncer de pulmão, como não poderia deixar de ser, foi tópico em destaque com vários trabalhos apresentados, mostrando resultados promissores. As drogas mais comentadas foram as terapias-alvo e as imunoterapias, como aconteceu em outros congressos recentes.

O primeiro trabalho importante foi o ALESIA, que comparou paciente com adenocarcinoma de pulmão metastático com rearranjo do ALK, alectinib versus crizotinib, em primeira linha, mas, nesse caso, em população asiática, o que difere esse trabalho do estudo “ALEX”, com desenho parecido, porém com população de todo o mundo. E os resultados confirmam os achados no estudo ALEX, com ganho de sobrevida livre de progressão para o grupo que fez uso do alectinib, um impressionante HR de 0,22, com taxas de resposta também superiores e maior ação em sistema nervoso central, com menor progressão cerebral. Os dados de sobrevida global são imaturos, mas há uma tendência a ser favorável ao alectinib com um HR de 0,28 nessa primeira análise.

Outro dado mostrado no congresso foi uma análise de pacientes com adenocarcinoma de pulmão metastático para cérebro, feita no estudo ALTA-1,cque comparava um outro inibidor de TKI de 3ª geração (assim como o alectinib), chamado brigatinib versus crizotinib,  em primeira linha. E essa análise comprova que os inibidores de TKI de 3ª geração são muito superiores aos de 1ª geração em relação à ação em sistema nervoso central. Brigatinib teve sobrevida livre de progressão cerebral e tempo para progressão cerebral muito superiores ao crizotinib, com redução de mais de 70% na chance de progressão em SNC, em 1 ano.

Mais um importante dado: uma análise dos estudos FLAURA e AURA, que comparavam o uso de osimertinib em pacientes com adenocarcinoma de pulmão metastático com mutação do gene EGFR com um inibidor de EGFR de 1ª geração, em primeira e segunda linha, respectivamente. Foram feitas análises de biópsias líquidas para mostrar quais seriam as mutações potencialmente envolvidas como mecanismo de resistência ao osimertinib. Várias mutações diferentes parecem participar desta resistência, mas a amplificação do MET se destaca entre elas. E alguns estudos ainda em fases iniciais mostraram alguns resultados animadores com  inibidores do MET nesse contexto .

Duas drogas promissoras e com mecanismo de ação novo são o Entrectinib e Larotrectinib, drogas inibidoras de um gene chamado NTRK. Os estudos apresentados não foram específicos para câncer de pulmão, mas mostraram que em tumores sólidos diversos – tanto em adultos quanto em crianças – quando esses tumores apresentavam mutações/fusões do NTRK o uso destas drogas apresentou taxas de respostas que variaram de 54-80%, o que realmente impressiona positivamente.

Com relação à imunoterapia, foram apresentadas algumas atualizações de estudos já mostrados anteriormente, como uma análise de subgrupo do estudo PACIFIC, que usou Durvalumab após quimioterapia + radioterapia em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células estádio IIIA e IIIB. Essa análise de pacientes com PDL-1 negativo mostra que aparentemente a magnitude do ganho nestes pacientes foi menor do que para os pacientes com PDL-1 positivos, mas trata-se de uma análise de subgrupo não planejada e, portanto, não muda nossa prática clínica no dia a dia.

Foram interessantes alguns estudos de imunoterapia no contexto neoadjuvante, com destaque para o estudo NEOSTAR, estudo de fase II, que comparou nivolumab (3 ciclos na dose de 3mg/kg a cada 14 dias) com nivolumab+ipilimumab (1 mg/kg de cada droga, 1 ciclo) em pacientes com câncer de pulmão não pequenas células estádios I- IIIA operáveis na neoadjuvância. O end point era taxa de resposta patológica maior (< 10% de tumor viável). As taxas de resposta patológica maior foram de 27% para a combinação e 25% para nivolumab isolado. Estudo anterior publicado no N. Engl J Med havia mostrado taxa de resposta maior com nivolumab em neoadjuvância da ordem de 45%. O uso da imunoterapia na neoadjuvãncia também parece mudar o perfil de resposta imunológica do organismo, o que poderia influenciar na evolução da doença após a ressecção do tumor, ou seja, nas chances de recidiva tumoral. Os dados de inibidores de CTLA-4 e PDl/PDL-1 em neoadjuvância ainda são inicias e ainda temos um longo caminho pela frente para entendermos estes mecanismos.

Chega ao fim mais um congresso com excelentes resultados; mas, como sempre, com novas perguntas e é isso que estimula novos estudos e novas pesquisas, sempre no intuito de melhorar ainda mais os ganhos para nossos pacientes.

Tabagismo e câncer

Dr. Rafael Luis Moura Lima do Carmo

Se alguém lhe oferecesse algo que contivesse mais de 4.000 substâncias tóxicas, sendo 70 cancerígenas, você usaria? Imagino que não. Pois essa é a descrição da composição química do cigarro.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o tabagismo é a maior causa de morte evitável no mundo, acarretando anualmente mais de 5 milhões de fatalidades. Mais de 50 doenças têm relação com o uso do cigarro, entre elas estão o infarto, o derrame cerebral (AVC) e o câncer.

Cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão e aproximadamente 25% das mortes por AVC ou infarto são atribuídas ao ato de fumar. E não é só no pulmão. Outros tipos de câncer também têm relação com o fumo, como o de bexiga, o da cavidade oral, de esôfago, de laringe, de mama, entre outros, sendo que o uso do tabaco é considerado a maior causa e é responsável por 30% das mortes por todos os tipos de câncer.

Para se ter uma ideia, no Brasil, segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o número de mortes anuais pelo tabagismo é de aproximadamente 200 mil por ano, ou seja, é como se o dobro de toda a população de Paulínia-SP, por exemplo, morresse todo ano em decorrência do câncer. Uma pesquisa do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo mostrou que 65% dos casos de neoplasias de bexiga estão relacionados ao tabagismo. Quanto aos gastos financeiros com o diagnóstico e tratamento do câncer relacionado ao cigarro, a estimativa é de uma despesa de mais de R$ 50 bilhões, o que corresponde a um pouco mais do que o PIB da cidade de Campinas.

E como é que o cigarro leva ao câncer? A ciência mostra que as alterações genéticas provocadas pelo tabagismo são as causadoras das neoplasias malignas e os agentes carcinógenos presentes no cigarro entram nos tratos digestivos e respiratório e no sangue, de onde chegam às diversas células do organismo. Ao atingi-las, causam lesões ao DNA e podem levar a mutações nos genes, o que tem como consequência o aumento da chance desta célula se tornar maligna.

Como o câncer de pulmão é o mais relacionado ao fumo, vamos falar um pouco mais sobre ele. Quem fuma tem um risco 10 a 30 vezes maior de desenvolver câncer de pulmão, o que aumenta a chance durante a vida do mesmo ocorrer de 1 para 30%. Um valor muito alto! Quanto mais tempo de uso e maior número de cigarros fumados por dia, maior essa chance. Não podemos esquecer, porém, que não há limite seguro para o uso do cigarro, ou seja, não usar é sempre melhor do que usar, mesmo que o uso seja pequeno.  E as consequências são estrondosas: mais de 1,6 milhão de mortes por câncer de pulmão todo ano no mundo!

Vale lembrar que existem também fumantes passivos, que são as pessoas que, recorrentemente, inalam a fumaça produzida pelos fumantes ativos. Apesar dos ativos apresentarem maior risco, os passivos também sofrem com o hábito e chegam a ter um aumento de 30% do risco de câncer de pulmão, além de 24% de infarto. A OMS estima 890 mil mortes de fumantes passivos no mundo anualmente. Então, não basta só não fumar, mas também estimular as pessoas, principalmente parentes e amigos com quem convivemos, a não fumar.

Certo! O tabagismo faz mal. Mas os fumantes dizem que interromper o vício é muito difícil. E é mesmo! Entretanto, com força de vontade, informação e ajuda de profissionais da saúde é perfeitamente possível.

Primeiramente, é importante saber que os riscos de câncer de pulmão reduzem de 20% a partir de 5 anos do dia em que se para de fumar, chegando a quase 90% de redução após 15 anos. Assim, também é com as outras neoplasias, como no caso da mama, em que a cessação do tabagismo reduz em 50% o risco de morte e a chance de retorno da doença.

Além disso, os efeitos benéficos de parar de fumar também são sentidos na função respiratória, risco cardiovascular e até mesmo nas relações sociais.

A dificuldade em parar vem da alta dependência química e também física e psicológica do cigarro. O fumante tem o organismo “acostumado” à nicotina e retirá-la de uma hora para outra causa algumas consequências, as quais compreendem a síndrome de abstinência, caracterizada por insônia, ansiedade, inquietação, entre outros sintomas. Psicológica e fisicamente, o cigarro é visto como uma “bengala” para o paciente em alguns eventos do dia (como acordar, ou tomar um café) ou mesmo para momentos de estresse. Por conta disso, a parada gradual pode ser uma opção à interrupção súbita, tendo em mente que o modo mais efetivo é aquele em que se estabelece uma data a partir da qual não se fumará mais.

Quanto à ajuda especializada, pode ser encontrada em médicos ou mesmo em grupos de apoio ao combate ao fumo, com ricas trocas de experiências, compartilhamento de caminhos de sucesso e possíveis percalços com os quais o indivíduo pode se deparar durante a abstinência. Em algumas situações, o uso de medicações pode se fazer necessário, nesse caso o médico psiquiatra é muitas vezes o mais indicado para a orientação.

Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas fumam, sendo que 80% estão em países subdesenvolvidos. No Brasil, a prevalência reduziu de 34 para 11% desde 1989. Tal queda se deve não só à conscientização sobre os malefícios, mas também às campanhas antitabaco pelo mundo.

Em 1950, a primeira lei antitabaco foi promulgada no Brasil, proibindo o seu uso em alguns locais públicos. Uma curiosidade assustadora é que a proibição de fumo em hospitais só veio na década de 1980. E foi só a partir da década de 1990 – com a imprensa divulgando informações sobre os malefícios do cigarro – que o cerco passou a se fechar, com a proibição em quase todos os locais públicos. Nessa mesma época, houve estabelecimento de regras para a venda e propaganda dos derivados do tabaco, além de aumento de impostos. Tais medidas foram bastante eficazes, mas os recintos privados ainda eram locais de uso permitido. Em 2009, seguindo tendências recentes de outras importantes cidades do mundo, uma lei do estado de São Paulo passa a proibir o fumo também em estabelecimentos privados fechados, o que foi um grande avanço para a saúde de todos. Por fim, em 2014, a Lei Federal 12.546 estendeu essa proibição para todo o país, contemporizando um problema já conhecido há muitos anos pela ciência.

Em suma, as consequências do uso do cigarro são alarmantes e têm relação direta com a ocorrência do câncer. Para virarmos o jogo, o caminho é, sem dúvida, a cessação do hábito, seja por decisão própria, seja por proibições legislativas, já que os impactos não se restringem ao próprio indivíduo, mas se estendem a toda a sociedade.

Para mais informações, pode-se acessar o site do Programa Nacional do Controle do Tabagismo do INCA (vide referências) ou entrar em contato com o Disque Saúde (136) ou mesmo procurar a unidade de saúde mais próxima. Fato é que parar é sempre o melhor remédio!

 

Referências:

http://www.icesp.org.br/sala-de-imprensa/noticias/291-cigarro-e-responsavel-por-65-dos-casos-de-cancer-de-bexiga-em-homens

http://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tobacco

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo

http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2011/lei-12546-14-dezembro-2011-612002-normaatualizada-pl.pdf