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Câncer de rim : Incidência, fatores de risco e diagnóstico

O câncer de rim é o terceiro mais freqüente do aparelho geniturinário, ficando atrás em termos de incidência dos cânceres de próstata e bexiga. Representa aproximadamente 3% das neoplasias malignas do adulto. Estatísticas americanas estimam uma incidência anual em torno de 51 mil novos casos, sendo responsável por aproximadamente 13 mil mortes/ano. Infelizmente não temos dados oficiais de incidência e mortalidade no Brasil. Há ligeiro predomínio de incidência no sexo masculino na razão de 3:2.

O tipo histológico mais comum é o câncer renal de células claras, responsável por 85% dos tumores diagnosticados. A maioria dos pacientes são acometidos pela forma esporádica da doença, com pico de incidência entre a 6ª e 7ª década de vida. Contudo, 2% dos pacientes desenvolvem a doença em idades mais precoces, geralmente relacionada às síndromes genéticas como von Hippel-Lindau e Li-Fraumeni.

Os fatores etiológicos relacionados à predisposição da neoplasia renal podem ser divididos em fatores evitáveis, relacionados aos hábitos de vida da população, como o tabagismo e a obesidade e fatores não evitáveis, relacionados a doenças associadas como a hipertensão arterial crônica e doença renal cística adquirida associada à insuficiência renal crônica. O tabagismo isolado é responsável por 19% casos.

Aproximadamente 54% dos tumores renais diagnosticados hoje estão confinados ao rim, 20% são localmente avançados (acometendo gânglios regionais próximos ao rim) e 25% já apresentam metástases à distância da doença, principalmente para os pulmões, fígado e ossos.

A principal forma de apresentação clínica é o sangramento na urina (hematúria) que pode ser visível (macroscópica) ou microscópica, quando avaliada apenas no exame de urina. Aproximadamente 50% dos pacientes têm este sinal. Cerca de 10% dos pacientes abrem o quando com dor no flanco (região lateral das costas abaixo das costelas), sangue na urina e massa abdominal palpável – tríade clássica de Grawitz, porém nos dias atuais, a forma mais freqüente de diagnostico são os achados incidentais em exames de rotina feitos por outra causa como a ultrassonografia do abdome. Caso o ultrassom  mostre alguma massa suspeita no rim, o próximo passo seria a realização de uma tomografia computadorizada do abdome. A tomografia, além de auxiliar no diagnóstico da doença, é bastante útil no seu estadiamento (verificação da extensão para outros órgãos) e no planejamento do tratamento mais adequado. A ressonância nuclear magnética é raramente utilizada na avaliação destes tumores, e só é realizada em situações muito específicas.

Ao contrário do que é o padrão para a maioria dos tumores, a biópsia pré-operatória não é realizada de rotina na suspeita de câncer de rim e só deve ser realizada em situações excepcionais quando os exames de imagem (como o ultrassom e a tomografia) não conseguem diferenciar entre uma tumoração de aspecto benigno de uma de aspecto maligno.

Por fim vale ressaltar que, por ser um tumor pouco prevalente, não há nenhuma recomendação médica formal de algum tipo de rastreamento na população geral para o diagnostico precoce do câncer de rim como acontece nos tumores de mama e colo de útero por exemplo. Porém devemos ficar atentos a alguns sinais e sintomas que quando presentes, em especial nas pessoas acima dos 50 anos, devem ser considerados: presença de sangue na urina, dor em flancos ou o achado de alguma tumoração nos rins vista em uma ultrasonografia de abdome de rotina por exemplo. Nestes casos, um médico deverá ser consultado para que se prossiga a investigação. Quanto mais inicial for o diagnóstico do tumor, maior a chance de cura.

Anticoncepcionais hormonais e câncer de mama: o que devemos saber.

Anticoncepcionais hormonais e câncer de mama: o que devemos saber.

Em maio de 1960, a agência reguladora americana para medicações e alimentos (FDA) aprovou nos EUA o uso da 1ª pílula anticoncepcional baseando-se nos estudos do cientista americano Gregory Pincus, conhecido como o “pai da pílula”. Uma grande novidade chegava às farmácias e à vida dos casais, interferindo de forma significativa na vida das mulheres e no planejamento familiar. Em pouco tempo, os anticoncepcionais hormonais ganhariam o mundo, impulsionando a chamada revolução feminina. No Brasil, sua comercialização se iniciou em 1963. Para termos uma idéia da importância do tema, na década de 70 a taxa de fecundidade no país era de 5,8 filhos por casal e o percentual da população feminina economicamente ativa era de aproximadamente 28%. Em 2007, a taxa de fecundidade reduziu drasticamente para 2,0 filhos por casal ao passo que a população feminina economicamente ativa saltou para 43%.

As primeiras pílulas anticoncepcionais contavam com uma concentração muito alta de hormônios femininos (estrogênio sintético e derivados da progesterona) e por isso, eram responsáveis por vários efeitos colaterais como retenção de líquidos (edema), maior predisposição a trombose nas pernas e até mesmo embolia pulmonar. Com o passar dos anos, a concentração hormonal nos contraceptivos foi diminuindo gradativamente, sendo hoje aproximadamente dez vezes menor que nas primeiras pílulas. Novas combinações hormonais foram estudadas, assim como novas vias de administração que não a convencional pílula oral como, por exemplo, o implante subcutâneo em forma de bastão e o dispositivo intra-uterino (DIU) de progesterona.

A associação entre uso de anticoncepcionais hormonais e câncer de mama vem sendo estudada há algum tempo porém até o momento, nenhuma forte evidência científica tinha sido capaz de provar que o uso prolongado dos contraceptivos hormonais aumentasse a incidência de câncer de mama, fazendo com que esse assunto fosse considerado um dos mitos sobre o que causa o câncer. Porém, um recente estudo publicado no dia 07 de dezembro de 2017 em uma das mais respeitadas revistas científicas do mundo, o New England Journal of Medicine, trouxe novos dados sobre a associação dos anticoncepcionais e câncer de mama. O estudo analisou a população da Dinamarca usuária de anticoncepcionais hormonais com relação ao risco de desenvolver câncer de mama em comparação a mulheres que não faziam uso dessa classe de medicação. Os pesquisadores analisaram bancos de dados nacionais da Dinamarca de prescrições e de doenças. Foram obtidas informações individualizadas a respeito do uso de anticoncepcionais e diagnóstico de câncer de mama. Ao todo, foram avaliadas 1,8 milhão de mulheres dinamarquesas com idade entre 15 e 49 anos, sem história prévia de câncer, tratamento para infertilidade ou passado de trombose. Após um seguimento de 10 anos, foram diagnosticados 11517 casos de câncer de mama. O uso de qualquer tipo de anticoncepcional hormonal (incluindo o DIU de progesterona) se associou a 1,3 novos casos de câncer de mama para cada 10.000 mulheres ao ano. Este aumento de risco se mostrou tanto maior quanto maior o tempo de uso dos anticoncepcionais hormonais. Não houve aumento de risco entre as mulheres que utilizaram contraceptivos hormonais por um tempo inferior a 5 anos assim como não houve evidência de grandes diferenças no risco de câncer de mama entre mulheres que usaram vários contraceptivos orais combinados. Vale ressaltar que o acréscimo de risco para tumor de mama entre as usuárias de pílulas anticoncepcionais desapareceu após a interrupção do anticoncepcional o que nos permite inferir que o uso desse medicamento não está associado na gênese propriamente dita do câncer de mama, ou seja, no agravo genético que dá origem ao câncer. Outro dado interessante foi que para o grupo de mulheres abaixo de 35 anos, que representam a grande maioria das usuárias de anticoncepcionais hormonais, o estudo mostrou acréscimo de 0,2 casos de câncer de mama em cada 10.000 mulheres ao ano. O aumento de risco no grupo de mulheres acima de 35 ou 40 anos foi maior.

Após a publicação do estudo e devido à grande repercussão na população a partir das informações que foram veiculadas pela imprensa, a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e a Sociedade Brasileira de Mastologia lançaram notas de esclarecimento sobre os resultados desse estudo visando uma informação mais técnica para as usuárias de anticoncepcionais hormonais. A orientação dessas entidades é que as mulheres que usam esses medicamentos não interrompam seu uso e que tirem suas duvidas sobre o assunto com seu ginecologista. Apesar de ser o primeiro estudo que mostrou relação direta entre o uso de anticoncepcionais hormonais e risco para desenvolvimento de câncer de mama, os resultados devem ser interpretados com cautela visto que foi um estudo retrospectivo, com as informações retiradas de bancos de dados e em apenas uma população de mulheres (dinamarquesas). Os próprios autores na conclusão do estudo não recomendam que as mulheres deixem de fazer uso dos anticoncepcionais e que cada caso deve ser discutido com seu médico.

Enquanto oncologistas, cabe a nós orientar nossas pacientes usuárias de contraceptivos hormonais e, talvez naquelas com fator de risco elevado para desenvolver câncer de mama como as que já tiveram esse câncer ou as que têm parente de primeiro grau (como mãe, irmã) acometidas pelo tumor de mama, um outro método de contracepção possa ser discutido com seu ginecologista. Nas demais pacientes, a interrupção do uso dos anticoncepcionais não deve ser estimulada a menos que discutido antes com o ginecologista. Esperamos que outros estudos com metodologias científicas mais apropriadas sejam realizados na tentativa de esclarecer este tema que permanece controverso

Mitos e Verdades sobre Câncer – Parte 2.

Mitos e Verdades sobre Câncer: Perguntas do dia-a-dia no consultório – Parte 2.

Recebemos todos os dias vários pacientes e familiares com dúvidas do que causa câncer. E resolvemos de maneira simples falar sobre algumas delas:

6 – Não fumo mas convivo com fumante. Tenho risco de ter câncer induzido pelo cigarro?

Verdade.

O tabagismo passivo é uma real causa de desenvolvimento de câncer. Em estudos realizados observou-se que companheiros de tabagistas tinham um risco 30% maior de desenvolver câncer do que de não tabagistas.

Além disso também observa-se que 25% dos tumores de pulmão ocorrem em não fumantes.

Um estudo robusto realizado mostrou que o risco de desenvolver câncer se você casar com um fumante é 20% maior do que se casar com um não fumante.

7 – A destruição da camada de ozônio aumenta as chances de se desenvolver algum tipo de câncer?

Verdade.

Com a destruição da camada de ozônio, os raios UV-B e UV-C aumentam sobre a Terra. Os raios UV-B estão diretamente relacionados ao surgimento do câncer de pele e os raios UV-C são potencialmente mais carcinogênicos do que os UV-B.

8 – Pessoas afro-descendentes não correm risco de ter câncer de pele?

Mito.

Qualquer pessoa pode ter câncer de pele, no entanto aquelas com maior concentração de melanina na pele, como as pessoas  afro-descendentes, apresentam menor incidência de tumores de pele. Embora seja raro, podem ter câncer de pele, principalmente na palma das mãos ou na planta dos pés. Por isso, todos devem proteger-se do sol usando chapéus e filtros solares adequados.

9 – Desodorante antiperspirante pode causar câncer de mama?

Mito.

De forma alguma. Esse é um boato que circula na Internet, mas nada tem de verdadeiro. Na axila nem existem células mamárias. Não existem pesquisas ou estudos que demonstrem haver qualquer ligação entre as duas coisas. O que pode acontecer é o entupimento de algumas glândulas sudoríparas, mas isso não afeta a mama.

10 – A terapia de reposição hormonal provoca câncer?

Verdade.

O risco de Ca de mama aumenta depois de 4-5 anos de uso de terapia de reposição hormonal– até 4 casos novos / 1000 mulheres (50-79 anos).Este risco é maior quando existem outros fatores de risco como história familiar positiva para câncer de mama.

O risco não se altera com outros tipos de preparados, via de administração, exemplo se administrado em forma de comprimido ou adesivo transdermico ou regime (sequencial ou contínuo).

O risco é diminuído com a interrupção da terapia de reposição hormonal.

11 – O câncer tem cura?

Verdade.

Embora a medicina indique, sempre, o tratamento individualizado e cada paciente responde de uma maneira particular às terapias, o câncer é curável, desde que diagnosticado precocemente e acompanhado corretamente.

 

Sabemos que mais dúvidas aparecerão, por isso manteremos sempre que possível, esses dados publicados.

Mitos e Verdades sobre Câncer

Mitos e Verdades sobre Câncer: Perguntas do dia-a-dia no consultório – Parte 1.

Dr. Adolfo Scherr

Recebemos todos os dias vários pacientes e familiares com dúvidas do que causa câncer. E resolvemos de maneira simples falar sobre algumas delas:

1 – Câncer é uma doença contagiosa?

Mito.

O câncer não passa de uma pessoa para a outra por contágio como ocorre com resfriados, por exemplo. No entanto, alguns vírus oncogênicos, isto é, capazes de produzir câncer, podem ser transmitidos através do contato sexual, de transfusões de sangue ou de seringas contaminadas utilizadas para injetar drogas. Um vírus que tem sido muito falado e que pode ser transmitido por contato sexual é o HPV que pode provocar câncer. Por isso vacinem seus filhos.

2 – Câncer é uma doença hereditária?

Mito na maioria dos casos.

Em geral, o câncer não é hereditário. Há apenas alguns raros casos que são herdados. Entretanto, existem alguns fatores genéticos que tornam determinadas pessoas mais sensíveis à ação de carcinógenos, isto é, agentes que provocam o desenvolvimento de um câncer ou tumor maligno no organismo, o que explica por que algumas delas desenvolvem câncer e outras não, quando expostas a um mesmo carcinógeno ambiental.

  • 90-95% tumores malignos são esporádicos
  • 5-10% são hereditários

3 – Charutos e cachimbos provocam menos câncer que cigarros comuns?

Mito.

Tanto os cigarros como os charutos e fumo para cachimbos consistem em folhas de tabaco secas, além de outras substâncias. Dentre aquelas já identificadas no tabaco e na sua fumaça, 43 são comprovadamente cancerígenas. Como há mais fumantes de cigarros do que de charutos e cachimbos, a ocorrência de câncer por cigarro é maior, no entanto charutos e cachimbos são igualmente perigosos.

Tipos de Câncer

Mortes atribuídas ao Tabagismo

Pulmão

85%
Laringe

80%

Faringe, Boca e Lábios

80%

Esôfago

75%

Bexiga

45%

Rim

35%
Colo de Útero

30%

Pâncreas

30%

Estômago

20%

 

4 – Alimentos cozidos em forno de microondas podem provocar câncer?

Mito.

As microondas não tornam o alimento radioativo, nem apresentam risco de exposição à radiação desde que usadas de acordo com as instruções. A exposição a altas doses de radiação por microondas pode ocasionar queimaduras ou cataratas nos olhos, mas a pequena quantidade que pode vazar de um forno caseiro não causa problemas.

5 – A pílula anticoncepcional provoca câncer?

Mito.

Desde que a pílula anticoncepcional entrou no mercado, há cerca de 40 anos, incontáveis pesquisas foram feitas sobre sua possível relação com o câncer, e nada foi encontrado.

Aguarde o próximo texto com mais mitos e verdades.

HPV: O vilão nos casos de câncer de colo de útero

HPV: O vilão nos casos de câncer de colo de útero 

Dr. Adolfo Scherr

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que o tumor de colo de útero atinge 16 mil novas mulheres no Brasil por ano, o que já faz dele o terceiro tipo de câncer mais prevalente entre a população feminina. E se avaliarmos determinadas áreas do país, a incidência aumenta, chegando a ser o segundo mais comum no Nordeste e o primeiro em algumas regiões do Norte, como na região amazônica. A doença é silenciosa e, por isso, em cerca de 35% dos casos acaba levando à morte. Estima-se cinco mil mortes de brasileiras anualmente em decorrência do câncer de colo de útero. Esses números são alarmantes e nossa preocupação aumenta quando sabemos que muitos responsáveis não levam seus filhos para vacinação contra o principal causador da doença: o chamado papilomavírus humano – conhecido como HPV.

O HPV é o tipo mais comum de infecção sexualmente transmissível em todo o mundo e atinge as mulheres de forma massiva. Segundo o Ministério da Saúde, 75% das brasileiras sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus se dá na faixa dos 25 anos. Após o contágio, ao menos 5% dessas brasileiras irá desenvolver câncer de colo do útero em um prazo de dois a dez anos, uma taxa que preocupa os especialistas.

É a quarta maior causa de morte entre as mulheres. 90% das mulheres com câncer de colo de útero têm HPV. Desta forma, o Ministério da Saúde disponibiliza gratuitamente a vacina contra o vírus. Mas ainda observamos que muitas famílias não dão a devida importância. Por isso nosso alerta da relação do HPV com o câncer de colo de útero.

A vacina foi incorporada ao calendário do Ministério da Saúde em 2014 e é recomendada geralmente para mulheres que ainda não iniciaram a vida sexual. Então, meninas entre 9 e 14 anos (e meninos entre 11 e 14 anos – homens podem ser portadores assintomáticos do vírus) são alvo da campanha de vacinação. De qualquer forma, MULHERES E HOMENS DEPOIS DESSA IDADE PODEM TOMAR A VACINA PORÉM SUA EFICÁCIA PODE SER MENOR UMA VEZ QUE A PESSOA JÁ PODE TER SIDO EXPOSTA AO VÍRUS. A VACINAÇÃO FORA DA FAIXA ETÁRIA RECOMENDA PELO MINISTÉRIO DA SAÚDE SÓ PODERÁ SER REALIZADA NO SISTEMA PRIVADO.

Acompanhamos muitos casos deste tipo de câncer (a maioria jovem, com menos de 35 anos, e que descobriu o câncer em estágio avançado) a prevenção é um dos principais aliados no combate ao câncer de colo do útero. E isso está relacionado à diminuição do risco de contrair o HPV. Assim, é importante se vacinar contra o vírus e usar camisinha durante a relação sexual. Também é preciso fazer os exames periódicos no ginecologista, como o Papanicolau, por exemplo. Casos diagnosticados no início dão uma chance de cura perto de 80% às pacientes. Mas não se pode esperar sintomas, pois é uma doença silenciosa e muitas mulheres perdem a chance de descobrir a condição ainda no começo por não sentirem nada.

Sinais de alerta

O câncer de colo de útero chega de forma silenciosa. E os primeiros sinais aparecem por meio de sangramento vaginal, seguido de corrimento e dor no baixo ventre.

O tratamento é cirúrgico para os casos mais iniciais e nos casos mais localmente avançados, a associação de quimioterapia e radioterapia é o mais indicado.

Nos casos não passiveis mais de cura, a quimioterapia isolada pode ser utilizada na tentativa de diminuir sintomas, principalmente a dor.

 

 

Terapia Alternativa: Dobra a chance de morte nos pacientes com câncer.

23 de agosto de 2017.

Há poucos dias foi noticiado pela imprensa que o jornalista Marcelo Rezende, que luta contra um câncer de pâncreas, decidiu abandonar o tratamento convencional com quimioterapia e aderir a tratamentos alternativos contra a doença. Segundo Rezende, os efeitos colaterais das medicações eram muito fortes e ele se sentia enfraquecido após as sessões de tratamento.

Recentemente, um estudo científico conduzido pelo Dr. Skyler Johnson, médico da Escola de Medicina de Yale nos EUA e publicado no periódico do Instituto Nacional do Câncer daquele país mostrou que pacientes que abandonam o tratamento convencional contra o câncer como quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia ou cirurgia e optam por alternativas com menos efeitos colaterais e sem comprovação científica de eficácia tem o dobro de chance de morrer. Nesse estudo, os pesquisadores avaliaram dados de 281 pacientes com câncer de mama, próstata, pulmão e intestino grosso e que optaram por algum tratamento alternativo e compararam com as informações de outros 560 pacientes acometidos pelos mesmos tipos de câncer mas que se submeteram ao tratamento convencional proposto pelo médico. O resultado mostrou que quem optou pelo tratamento alternativo teve 2,5 vezes mais chance de morrer em um período de seguimento de cinco anos do que o grupo que aceitou o tratamento oncológico convencional no mesmo período de tempo.

Se formos separar os pacientes do estudo por tipo de tumor, os que tinham câncer de mama e não aceitaram o tratamento convencional tiveram 5 vezes mais chance de morrer. Os pacientes que decidiram trocar o tratamento oncológico pelo alternativo tinham em geral nível sócio-econômico mais elevado, mais escolaridade e eram mais saudáveis no momento do diagnóstico. Os motivos que levaram as pessoas a não aderirem ao tratamento oncológico foram vários, incluindo descrença nos tratamentos atuais, medo dos efeitos colaterais, medo de que por exemplo a quimioterapia pudesse atacar além do câncer, órgãos sadios do organismo e torná-los doentes entre outros.

Em pouco mais de uma década, muitos tratamentos alternativos contra o câncer surgiram e logo se tornaram febre. Podemos citar aqui o Cogumelo do Sol, suco de Noni, Cartilagem de Tubarão e mais recentemente, a fosfoetanolamina, a chamada “pílula do câncer” que levou a uma enxurrada de processos judiciais de pacientes que, desesperados, queriam ter acesso ao produto.

A realidade é que um estudo cientifico conduzido pelo Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP) mostrou que a fosfoetanolamina não é eficaz no combate ao câncer.

Com o advento das mídias sociais e a facilidade com que a informação, de qualidade ou não, chega até as pessoas, todos os dias nos deparamos com notícias de “tratamentos milagrosos” que prometem a cura do câncer e de outras doenças crônicas como diabetes e pressão alta mas que não tem nenhuma comprovação científica de que realmente funcionam. Muitas pessoas acabam aderindo a essas modas e abandonam o tratamento tradicional. Como mostrado pelo estudo do Dr Johnson, isso não é o mais adequado a ser feito.

A melhor estratégia diante de um diagnóstico de câncer ainda é uma franca conversa com o oncologista e com a equipe de profissionais envolvidos no tratamento. Retirar todas as dúvidas e expor seus medos e angústias sobre a doença e sobre as intervenções propostas como quimioterapia, cirurgia, etc ajudam o paciente a entender seu diagnóstico e a tomar a decisão certa quanto ao tipo de tratamento acatar na luta contra o câncer.

Tríplice Aliança: Família, amigos e equipe médica podem trabalhar juntos!

Poucos momentos na vida de uma pessoa, trazem tantas angústias, incertezas e reflexões quanto a descoberta de uma doença. Se essa doença atender pelo nome “câncer”, então parece que a partir desse momento, o destino reserva apenas um caminho de desespero.

 

A associação com sentimentos de medo, tristeza e impotência é inevitável. Mas também pode ser um momento de reconciliação com suas crenças, fé e essência , além do surgimento e fortalecimento de vínculos.

 

É nesse momento, que mostramos nossas fragilidades e também necessitamos de amparo, atenção e carinho. O melhor remédio que existe é certamente o amor.

 

Mas com quem podemos contar nesse momento?

 

É fundamental que a família, amigos e a equipe médica estejam preparados par doar não apenas o seu tempo e conhecimento, mas principalmente,  atenção e solidariedade.

 

É preciso compreender como cada paciente pensa e dar o tempo necessário para que ele tome suas decisões sobre o tratamento.

Surgem muitos dilemas que precisam ser entendidos e resolvidos. Muitas vezes, o paciente não quer que a família ou amigos saibam o que esta acontecendo. Outras vezes,  a família quer  “poupar” o paciente e por isso solicita que o médico não fale sobre a doença. É um turbilhão de informações e nem sempre os desejos de todos (paciente, família ,amigos e equipe médica) convergem na mesma direção.

 

É necessário entender, que o ponta pé inicial para um tratamento adequado, humanizado e eticamente correto depende de uma relação de sinceridade e confiança entre as partes.Também é fundamental que todos saibam o que esperar do tratamento e da doença para poder de forma consciente fazer um planejamento no âmbito familiar e social.

 

O paciente precisa de todo apoio possível; precisa se sentir acolhido, e principalmente precisa se sentir útil. Tentar manter algumas atividades de sua rotina é necessário e bem-vindo.

 

Aquela ideia de que o paciente oncológico, principalmente em quimioterapia, precisa ficar recluso, trancado em casa, sem receber visitas, longe da família e amigos é ultrapassada e não recomendada. Como tudo na vida, os excessos devem ser evitados, mas o paciente se fortalece quando percebe que é estimulado ,tem os seu desejos respeitados e as pessoas que amam do seu lado.

 

O amor envolvido em qualquer relação humana se faz mais necessário do que nunca. Também é preciso quebrar alguns preconceitos e paradigmas. Em uma sociedade paternalista como a nossa , é difícil principalmente  para os homens, demonstrarem  suas fragilidades, inseguranças e medos. Isso dificulta desde a realização de certos exames, até o diagnóstico e posterior tratamento adequado. Os homens precisam do mesmo amparo e atenção para um tratamento completo.

 

Atender o paciente em todos seus aspectos: físico, psicológico e social, e ter todas as pessoas que convivem com o mesmo voltadas para um objetivo comum,  com foco na cura ou melhora da qualidade de vida , são fundamentais para a pronta recuperação.

 

O destino só é alcançado se o caminho correto for percorrido. E quando temos a ajuda e compreensão de todos, esse percurso tende a ser mais curto e menos sofrido. Por isso médicos, paciente , família e amigos devem trabalhar em conjunto para garantir o melhor tratamento.

 

Sempre recomenda-se, que todos os envolvidos que desejam o bem daquele paciente, elejam um responsável para fazer a ponte entre familiares e equipe médica. Dessa maneira, a pessoa consegue acompanhar de perto as evoluções, entender claramente o tratamento e consegue repassar informações de forma muito mais completa e consistente para que todos consigam ajudar e dar

14 de junho, dia mundial do doador de sangue. Saiba onde doar!

Você pode doar sangue nos pontos fixos do Hemocentro ou clique aqui para coletas de equipes móveis: 

 

Posto Unicamp – Hemocentro

Rua Carlos Chagas, 480

Cidade Universitária

Barão Geraldo – Campinas – SP

Telefones: 0800-722-8432 / 19 25218705

Segunda a Sábado (inclusive feriados)

Das 7:30h às 15:00h

 

Posto PUCC II – Hospital Celso Pierro

Av. John Boyd Dunlop, s/n

Jd. Ipaussurama – Campinas – SP

Telefones:  19 3343-8423 / 19 3343-8382

Segunda a sexta-feira

Das 8:00h às 14:00h

 

Posto Mário Gatti – Hospital Municipal Dr. Mario Gatti

Av. Prefeito Faria Lima, 340

Pq. Itália – Campinas – SP

Telefones: 19 3272-5501 / 19 3772-5758

Segunda a sexta-feira das 7:30h às 15:00h

Sábado das 8:00h as 14:00h

 

Posto Sumaré – Hospital Estadual de Sumaré

Av. da Amizade, 2400

Jd. Bela Vista- Sumaré – SP

Telefones: 19 3383-8909 / 19 3383-8900

Segunda a sexta-feira

Das 7:30h as 12:00h

 

Posto Piracicaba – Hemonúcleo

Av. Independência, 953

Alto (na Santa Casa) – Piracicaba – SP

Telefone: 19 3422-2019

Segunda a sexta-feira

Das 7:30h às 13:00h

 

 

Convidamos você para discutir os principais temas do ASCO 2017

Convidamos os profissionais da área médica para o evento que discutirá os principais trabalhos apresentados no Congresso Americano de Oncologia.
Faremos uma breve apresentação geral, com avaliação sobre aplicabilidade dos resultados no Brasil, além de comentar os principais estudos.
Depois seremos divididos em 4 mesas para discussão simultânea dos principais temas do ASCO por especialidades (uro-onco, melanoma/pulmão, mama e gastrointestinal).
Interessados deverão encaminhar nome completo, especialidade e número do conselho no email:
sonhe @sonhe.med.br

Um balanço do ASCO 2017 pela visão do Dr. André Sasse e da Dra. Vivian Antunes

A sequência do congresso nos trouxe algumas apresentações marcantes.
Algumas delas tentaram provar que, em algumas situações, “menos é mais”. Ou seja, menos tratamento poderia proporcionar igual eficácia com menos efeitos colaterais.
Em pacientes submetidos à cirurgia curativa para câncer de colón e reto estádio III, foi estudada a possibilidade de diminuir o tempo de tratamento quimioterápico pós-operatório, dos atuais seis meses (o padrão) para três meses. Infelizmente, apesar de consideravelmente menos tóxico, o tratamento por três meses não pode ser considerado equivalente ao de seis meses, em relação à eficácia. Pelo menos não para todos os pacientes.
Resultados diferentes foram encontrados em pacientes com câncer de próstata, tratados com radioterapia. Para pacientes com alto risco de recidiva, o tempo de tratamento hormonal usado como padrão era de 36 meses. Já um novo estudo apresentado, demonstrou que fazer hormonioterapia por 18 meses deve ser suficiente. Melhor para os homens que sofrem muito com os efeitos da supressão de  testosterona. Nesse caso, menos tempo de tratamento trará melhora da qualidade de vida.
Na opinião do Dr. André Sasse, os resultados mais impressionantes foram os apresentados na sessão plenária do congresso, avaliando a importância da monitorização ativa. Nesse caso, são monitorados os sintomas e efeitos colaterais do tratamento em pacientes em tratamento quimioterápico.

A avaliação convencional foi utilizada como comparativo. Consiste em consultas periódicas antes das aplicações de quimioterapia, onde os médicos avaliam os efeitos colaterais do tratamento e ajustam os medicamentos e doses de acordo com a avaliação, caso seja necessário.

 

O monitoramento ativo se deu através de formato eletrônico. Com lembretes semanais aos pacientes, eles questionavam sintomas específicos. Um profissional de enfermagem era alertado automaticamente em caso de problemas, e esse mesmo profissional encaminhava o problema ao médico responsável ou resolvia por si em casos de baixa complexidade.
Esse sistema de monitoramento ativo diminuiu as complicações, a utilização de recursos hospitalares e o uso de pronto-socorros, como esperado. Também causou um impacto em sobrevida bastante significativo, muitas vezes não observado com a introdução de novas e caras tecnologias.

Assim, uma intervenção simples, barata e que aproxima médicos e enfermeiros dos pacientes, foi capaz de melhorar o seu prognóstico.
“É interessante observar que grandes avanços nos cuidados dos pacientes com câncer, vêm deixando a terapia mais simples e mais humana. E que a proximidade e o tratamento humanizado fazem muita diferença”, conclui André.

Já a Dra. Vivian Castro Antunes de Vasconcelos, trouxe suas análises sobre as novas perspectivas apresentadas no tratamento do o câncer de mama.

Segundo ela, as conquistas no tratamento do câncer de mama foram muitas nas últimas décadas, mas após essa ultima edição do Congresso Americano de Oncologia Clínica (ASCO 2017), ficou claro que a busca por novos tratamentos efetivos segue cada vez mais viva.

Os esforços dos oncologistas e pesquisadores do mundo todo se traduziram em brilhantes apresentações e ricas discussões.
Por ter tido a oportunidade de participar desse importante momento, Dra. Vivian escolheu alguns novos dados para compartilhar por aqui:

Com relação ao câncer de mama metastático, para as pacientes que têm receptores hormonais positivos,  foram apresentados três estudos interessantes demonstrando o papel da inibição da via do CDK4 e CDK6, o que é um conhecimento relativamente recente, e capaz de melhorar significativamente o tempo de vida das pacientes que vivem no cenário da doença ainda incurável.

O estudo Monarch 2 mostrou que para  pacientes que já tiveram progressão de doença com uma linha de tratamento hormonal, a associação de duas drogas, sendo uma já conhecida, chamada Fulvestranto e outra nova droga chamada abemaciclibe, traz um grande benefício clínico, mostrando 16 meses de boa resposta ao tratamento e sem aumentos na doença, enquanto o tratamento padrão até então proporciona 9 meses.

Para as pacientes que apresentam o subtipo de doença triplo-negativo também tivemos boas novidades, trazendo grande ânimo para esse tipo específico de doença, que apesar de ser o mais agressivo, ainda é o que conta com alternativas mais restritas de tratamento. Nos alegrou muito perceber que o conhecimento de novas vias moleculares são muito promissoras para que se possa encontrar melhores opções de tratamentos.

Dra. Vivian também considera importante, apresentar os dados em relação a inibidores da PARP e inibidores do PD1 (Imunoterapia).

O uso de um inibidor da PARP chamado talazoparibe para pacientes com mutação nos genes BRCA1/ BRCA2 mostrou grandes taxas de resposta, com redução expressiva da doença, mostrando a importância da inibição da PARP nessas pacientes.

Com relação à imunoterapia, que vem cada vez mais se revelando como uma verdadeira revolução no tratamento do câncer, o estudo Keynote 086 mostrou que o uso de Pembrolizumabe, inibidor de PD1, apesar de trazer taxa de resposta não expressiva, chamou muito a atenção foi peloprolongamento do tempo de vida surpreendente das poucas pacientes que responderam ao tratamento, conquistando um aumento no tempo de vida nunca antes visto, sendo importante ressaltar que as pacientes mantiveram excelente qualidade de vida durante o tratamento.

Para as pacientes com doença do subtipo HER2 superexpresso, onde os avanços conquistados na última década já se mostraram transformadores completos da história da doença, o estudo que trouxe certa inovação foi com o uso de uma droga já bem conhecida, mas em um contexto diferente.

Estamos falando do estudo Aphinity, no qual o uso do Pertuzumabe no tratamento adjuvante, ou seja, para pacientes que não tem doença metastática, e onde nosso foco está na cura ou no aumento do tempo livre de recorrência. O uso de dois agentes anti-Her 2, Pertuzumabe e Trastuzumabe foi capaz de melhorar ainda mais o que já conhecíamos com um agente único, passamos a ter 94,1% de pacientes completamente livres da doença em 3 anos. A magnitude do ganho com esse tratamento foi maior para pacientes com linfonodos comprometidos e com receptores hormonais positivos.

Apesar do estudo ser criteriosamente positivo para o que se propôs avaliar, considero que seja prudente fazer a ressalva de que os custos do tratamento são elevados mesmo para a realidade de países desenvolvidos, diante de um incremento dessa vez discreto, justificado pelo ganho extraordinário que já havíamos conquistado com o uso isolado de Hereceptin (93,2% em 3 anos), fazendo com que sua implementação seja cautelosamente pensada.

Dentre esses pontos importantes sobre os quais Dr. André e Dra. Vivan escolheram falar, fica a grande sensação de que muito trabalho tem sido feito e que estamos melhorando de forma mais acelerada do que em tempos anteriores, o que traz grande injeção de ânimo e esperança.