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Nova indicação de tratamento em câncer de mama HER2 positivo

A agência de regulação de medicamentos dos Estados Unidos, o FDA (Food and Drug Administration) – que corresponde à ANVISA brasileira – aprovou, em 03 de maio passado, a indicação do medicamento Kadcyla® (trastuzumabe-entansina, conhecida como TDM-1) para tratamento adjuvante de mulheres com câncer de mama localizado. A aprovação de baseou nos dados recentemente apresentados do estudo KATHERINE, recém-publicado, que selecionou mulheres com tumor de mama do tipo HER2 positivo, que tivessem recebido quimioterapia pré-cirurgia baseada em 2 drogas específicas (taxanos e trastuzumabe) e, na avaliação da peça cirúrgica, apresentassem tumor residual. As pacientes selecionadas eram aleatorizadas a receberem o TDM-1 ou o padrão de tratamento atual (trastuzumabe) por 14 ciclos de 21 dias. Os resultados mostraram um aumento de 50% da sobrevida livre de recorrência de doença invasiva, ou seja, aumentou o tempo que as pacientes demoravam para apresentar recidiva da doença ou para morrer. Os efeitos adversos mais comuns foram fadiga, alterações hematológicas, náuseas e neuropatia.

Este é um avanço importante para as mulheres com câncer de mama e seguimos atentos para termos a aprovação também no Brasil.

Referências:

Von Mickwitz G, et al. Trastuzumab Emtansine for Residual Invasive HER2-Positive Breast Cancer. N ENgl J Med 2019;380:617-28.

Bula FDA: https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2019/125427s105lbl.pdf

Aprovada primeira imunoterapia para o câncer de mama no Brasil

No dia 13 de maio último, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a indicação do primeiro tratamento baseado em medicação imunoterápica para pacientes com câncer de mama no nosso país.

Os indivíduos beneficiados serão aquelas pacientes com tumores do tipo triplo negativo, que têm um comportamento mais agressivo e, consequentemente, uma mortalidade maior, além de opções de tratamento com menos eficácia quando comparado aos outros tipos de tumores.

O medicamento aprovado foi o Atezolizumabe (Tecentriq®) em combinação com quimioterapia-padrão e a eficácia foi comprovada pelo estudo IMPassion130, recentemente apresentado e publicado. Os resultados mostram uma redução significativa de 20% do risco de morte ou progressão de doença. Este benefício foi ainda maior nas pacientes que tinham PDL-1 (um marcador das células do tumor que pode sugerir sensibilidade aumentada à imunoterapia) maior que 1%; nestas pacientes, a redução de morte ou progressão foi de 38%.

Esses dados são bastante importantes para este grupo de pacientes e reforçam a necessidade de pesquisas. Reiteram também, que a imunoterapia pode ajudar muito no tratamento do câncer.

Em 15 de março, a Dra. Vivian havia anunciado a aprovação nos EUA e, hoje, felizmente, anunciamos aqui no Brasil. Uma notícia boa, melhor ainda pela celeridade em que a ANVISA o fez, permitindo acesso às brasileiras aos tratamentos mais eficazes de forma mais rápida.


Referências:

Schmid P, et al. Atezolizumab and Nab-Paclitaxel in Advanced Triple-Negative Breast Cancer. N Engl J Med 2018;379:2108-21;

http://www.in.gov.br/web/dou/-/resolu%C3%87%C3%83o-re-n%C2%BA-1.222-de-9-de-maio-de-2019-92473593

Câncer de ovário na ESMO 2018: nova opção na primeira linha

O congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Clínica (ESMO) acontece uma vez por ano, em alguma cidade da Europa. Neste ano, a escolhida foi Munique, que abrigou o encontro entre os dias 19 e 23 de outubro. Neste evento – o segundo mais importante do ano da Oncologia mundial – novas pesquisas têm seus resultados divulgados e os médicos têm a oportunidade de debater e trocar experiências sobre as novidades dos diversos tipos de câncer. Dentre eles, neste ano, a neoplasia de ovário teve uma importância notável.

Alguns estudos se destacam mais e são apresentados em uma sessão presidencial para todos os participantes e, na ESMO 2018, um estudo em pacientes com câncer de ovário metastático chamou a atenção. Nele, 391 mulheres com neoplasia de ovário em estágios avançados, com diagnóstico recente da doença ou da recorrência, que tiveram boa resposta ao tratamento-padrão com quimioterapia e mutação do gene BRCA, foram selecionadas para receber uma medicação chamada Olaparib ou placebo como manutenção, ou seja, após o término da quimioterapia. Os resultados foram excelentes e mostraram que o uso desta medicação reduz o risco de progressão ou morte em 70%. Após três anos, 60% das pacientes que receberam a droga estavam vivas e sem progressão, enquanto no grupo placebo, apenas 27%. Vale ressaltar que os efeitos colaterais do tratamento aumentam de 12 para 21%, porém as alterações principais foram hematológicas (e não náuseas, vômitos, diarreia ou fadiga), sem nenhuma consequência fatal e com bom manejo apenas com suspensão ou adiamento da droga. Uma observação importante é que as pacientes do grupo placebo usaram a medicação em outros momentos mais tardios e, mesmo assim, aquelas que usaram no começo tiveram benefício. Portanto, sugere-se que a mutação do gene BRCA seja testada em todas as pacientes com câncer de ovário avançado, desde o diagnóstico, a fim de selecionar as que possam se beneficiar deste tratamento.

Além deste destaque, a imunoterapia também veio à tona. Esta terapia tem tido um papel crucial na evolução da Oncologia nos últimos anos em diversos tipos de tumores e, agora, começam a aparecer nas neoplasias de ovário. Alguns estudos foram apresentados com tentativas de uso da imunoterapia para pacientes refratárias à quimioterapia inicial. Um deles foi o Keynote-0100, que avaliou o uso de Pembrolizumabe no tratamento destas pacientes, identificando possíveis marcadores que sugiram em benefício do seu uso. Outro trabalho testou a associação de Nivolumabe e Bevacizumabe, com taxas de resposta animadoras, mas com número pequeno de pacientes e ainda sem dados de sobrevida concretos. Estas linhas de pesquisa são importantes para direcionamento de estudos maiores destas drogas, visando alcançar benefícios mais notáveis.

A ciência continua avançando e esperamos cada vez mais novidades em prol dos nossos pacientes, que são o foco desses estudos e do compartilhamento de experiências entre os médicos.

Cigarro, narguilé e maconha: existe relação com o câncer?

Recentemente no nosso blog, falamos sobre os perigos do tabagismo e do uso de narguilé. Porém, essas não são as únicas práticas recreativas nocivas à saúde. A maconha é uma droga cujo uso tem crescido, sendo a substância ilícita mais consumida no mundo e que pode ter consequências maléficas para os seus usuários, dentre elas o câncer.

Em maio, falamos um pouco sobre o tabagismo e sobre como esse hábito – que envolve inalar mais de 4.000 substâncias tóxicas, sendo 70 cancerígenas – pode afetar a nossa saúde. O tabaco causa perto de 90% dos cânceres de pulmão e tem relação com 30% das mortes por todas as neoplasias malignas. Além disso, aumenta muito o risco de doenças cardiovasculares e causa danos consideráveis aos órgãos do corpo, envelhecendo a pele e prejudicando a capacidade de respirar. Vimos também que a melhor opção é sempre deixar de fumar, não só para a pessoa, mas também para os familiares e amigos que convivem com a mesma, visto que o fumo passivo também é um risco. Para parar, não adianta, o indivíduo tem que conhecer os riscos a que ele está exposto e saber que está usando uma droga que vicia e mata.

Em outro post, o Dr. David Cunha mostrou que o narguilé é uma nova moda entre os jovens e adultos. O seu uso se baseia na aspiração de fumaça de diversas substâncias através de um cachimbo acoplado a um recipiente com água. Muitas vezes os usuários referem, erroneamente, que a prática não traz malefícios. Mas estudos mostram que uma rodada de narguilé (aproximadamente 45 minutos) equivale a fumar 100 cigarros. Desse modo, as consequências vêm junto com a utilização: câncer de pulmão, de cavidade oral e garganta, doenças cardiovasculares e enfisema pulmonar. Além disso, a dependência química também pode ocorrer, já que altos níveis de nicotina também são inalados, e há o risco inclusive de infecções por compartilhamento do cachimbo entre as pessoas.

Em relação à maconha, estima-se que aproximadamente 180 milhões de pessoas façam uso no planeta. Apesar de algumas pessoas a considerarem inofensiva, diversos problemas advêm do seu uso.

Dependência química, problemas vasculares, doenças psiquiátricas, alterações pulmonares agudas, infertilidade são alguns exemplos. Alguns estudos mostram que pode haver um aumento pequeno no risco de infarto do coração e acidente vascular cerebral (AVC), mais conhecido como derrame. Outros trabalhos associam o uso regular da maconha com redução da cognição, ou seja, piora da capacidade de raciocinar. Dentre os problemas psiquiátricos, os usuários apresentam maior risco de desenvolver esquizofrenia, com um aumento de aproximadamente 24%. Ademais, ansiedade, depressão, transtorno bipolar, parecem ter alguma relação com o uso da substância. E não podemos esquecer que o uso de drogas como a maconha pode levar também ao desenvolvimento de dependência a outras drogas, como o próprio cigarro e o álcool, além de ser uma porta de entrada para outras mais pesadas.

Sobre a relação com o câncer, os estudos, apesar de serem de evidência científica reduzida, mostram que há aumento de ocorrência de alguns tipos de câncer. O de testículo é um deles. Pesquisadores notaram um aumento de 150% na incidência deste tipo de tumor entre pessoas que usavam maconha. Em relação ao câncer de pulmão, a maconha leva a alterações diretas no tecido pulmonar, que predispõem ao desenvolvimento de tumores malignos, já que irrita e lesa as células do parênquima dos pulmões.

Apesar dos efeitos deletérios do seu uso regular, a maconha tem se mostrado útil para a medicina, já que tem sido usada em algumas situações específicas, como controle de dor, falta de apetite e de náuseas e vômitos em pacientes com câncer. Os estudos são controversos, porém alguns mostram alguma melhora do enjoo pós-quimioterapia em pacientes que não tiveram sucesso usando as medicações comuns. O mesmo aconteceu com o nível de dor quando doentes com câncer avançado foram tratados, sem sucesso, com medicações analgésicas normalmente utilizadas pelos médicos. Outro uso foi o de estimulador de apetite em pessoas com falta dele. Entretanto, devemos nos lembrar dos efeitos adversos do uso da droga e que não se sabe quais podem ser as consequências do uso à longo prazo. De qualquer maneira, os compostos derivados da maconha ou a própria planta para consumo não são liberados no nosso país.

É isso aí! Fora os estudos com algum papel da maconha na medicina, o tabagismo, o narguilé e a maconha são hábitos com muitos efeitos colaterais e devem ser combatidos e evitados, a fim de promover melhor saúde para nosso corpo e nossa mente. Praticar esportes, encontrar amigos, trabalhar, explorar a natureza, todos esses bons hábitos podem ser o caminho para uma vida sem drogas e com saúde!

 

Referências:

www.uptodate.com

Tabagismo e câncer

Dr. Rafael Luis Moura Lima do Carmo

Se alguém lhe oferecesse algo que contivesse mais de 4.000 substâncias tóxicas, sendo 70 cancerígenas, você usaria? Imagino que não. Pois essa é a descrição da composição química do cigarro.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o tabagismo é a maior causa de morte evitável no mundo, acarretando anualmente mais de 5 milhões de fatalidades. Mais de 50 doenças têm relação com o uso do cigarro, entre elas estão o infarto, o derrame cerebral (AVC) e o câncer.

Cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão e aproximadamente 25% das mortes por AVC ou infarto são atribuídas ao ato de fumar. E não é só no pulmão. Outros tipos de câncer também têm relação com o fumo, como o de bexiga, o da cavidade oral, de esôfago, de laringe, de mama, entre outros, sendo que o uso do tabaco é considerado a maior causa e é responsável por 30% das mortes por todos os tipos de câncer.

Para se ter uma ideia, no Brasil, segundo informações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o número de mortes anuais pelo tabagismo é de aproximadamente 200 mil por ano, ou seja, é como se o dobro de toda a população de Paulínia-SP, por exemplo, morresse todo ano em decorrência do câncer. Uma pesquisa do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo mostrou que 65% dos casos de neoplasias de bexiga estão relacionados ao tabagismo. Quanto aos gastos financeiros com o diagnóstico e tratamento do câncer relacionado ao cigarro, a estimativa é de uma despesa de mais de R$ 50 bilhões, o que corresponde a um pouco mais do que o PIB da cidade de Campinas.

E como é que o cigarro leva ao câncer? A ciência mostra que as alterações genéticas provocadas pelo tabagismo são as causadoras das neoplasias malignas e os agentes carcinógenos presentes no cigarro entram nos tratos digestivos e respiratório e no sangue, de onde chegam às diversas células do organismo. Ao atingi-las, causam lesões ao DNA e podem levar a mutações nos genes, o que tem como consequência o aumento da chance desta célula se tornar maligna.

Como o câncer de pulmão é o mais relacionado ao fumo, vamos falar um pouco mais sobre ele. Quem fuma tem um risco 10 a 30 vezes maior de desenvolver câncer de pulmão, o que aumenta a chance durante a vida do mesmo ocorrer de 1 para 30%. Um valor muito alto! Quanto mais tempo de uso e maior número de cigarros fumados por dia, maior essa chance. Não podemos esquecer, porém, que não há limite seguro para o uso do cigarro, ou seja, não usar é sempre melhor do que usar, mesmo que o uso seja pequeno.  E as consequências são estrondosas: mais de 1,6 milhão de mortes por câncer de pulmão todo ano no mundo!

Vale lembrar que existem também fumantes passivos, que são as pessoas que, recorrentemente, inalam a fumaça produzida pelos fumantes ativos. Apesar dos ativos apresentarem maior risco, os passivos também sofrem com o hábito e chegam a ter um aumento de 30% do risco de câncer de pulmão, além de 24% de infarto. A OMS estima 890 mil mortes de fumantes passivos no mundo anualmente. Então, não basta só não fumar, mas também estimular as pessoas, principalmente parentes e amigos com quem convivemos, a não fumar.

Certo! O tabagismo faz mal. Mas os fumantes dizem que interromper o vício é muito difícil. E é mesmo! Entretanto, com força de vontade, informação e ajuda de profissionais da saúde é perfeitamente possível.

Primeiramente, é importante saber que os riscos de câncer de pulmão reduzem de 20% a partir de 5 anos do dia em que se para de fumar, chegando a quase 90% de redução após 15 anos. Assim, também é com as outras neoplasias, como no caso da mama, em que a cessação do tabagismo reduz em 50% o risco de morte e a chance de retorno da doença.

Além disso, os efeitos benéficos de parar de fumar também são sentidos na função respiratória, risco cardiovascular e até mesmo nas relações sociais.

A dificuldade em parar vem da alta dependência química e também física e psicológica do cigarro. O fumante tem o organismo “acostumado” à nicotina e retirá-la de uma hora para outra causa algumas consequências, as quais compreendem a síndrome de abstinência, caracterizada por insônia, ansiedade, inquietação, entre outros sintomas. Psicológica e fisicamente, o cigarro é visto como uma “bengala” para o paciente em alguns eventos do dia (como acordar, ou tomar um café) ou mesmo para momentos de estresse. Por conta disso, a parada gradual pode ser uma opção à interrupção súbita, tendo em mente que o modo mais efetivo é aquele em que se estabelece uma data a partir da qual não se fumará mais.

Quanto à ajuda especializada, pode ser encontrada em médicos ou mesmo em grupos de apoio ao combate ao fumo, com ricas trocas de experiências, compartilhamento de caminhos de sucesso e possíveis percalços com os quais o indivíduo pode se deparar durante a abstinência. Em algumas situações, o uso de medicações pode se fazer necessário, nesse caso o médico psiquiatra é muitas vezes o mais indicado para a orientação.

Hoje, mais de 1 bilhão de pessoas fumam, sendo que 80% estão em países subdesenvolvidos. No Brasil, a prevalência reduziu de 34 para 11% desde 1989. Tal queda se deve não só à conscientização sobre os malefícios, mas também às campanhas antitabaco pelo mundo.

Em 1950, a primeira lei antitabaco foi promulgada no Brasil, proibindo o seu uso em alguns locais públicos. Uma curiosidade assustadora é que a proibição de fumo em hospitais só veio na década de 1980. E foi só a partir da década de 1990 – com a imprensa divulgando informações sobre os malefícios do cigarro – que o cerco passou a se fechar, com a proibição em quase todos os locais públicos. Nessa mesma época, houve estabelecimento de regras para a venda e propaganda dos derivados do tabaco, além de aumento de impostos. Tais medidas foram bastante eficazes, mas os recintos privados ainda eram locais de uso permitido. Em 2009, seguindo tendências recentes de outras importantes cidades do mundo, uma lei do estado de São Paulo passa a proibir o fumo também em estabelecimentos privados fechados, o que foi um grande avanço para a saúde de todos. Por fim, em 2014, a Lei Federal 12.546 estendeu essa proibição para todo o país, contemporizando um problema já conhecido há muitos anos pela ciência.

Em suma, as consequências do uso do cigarro são alarmantes e têm relação direta com a ocorrência do câncer. Para virarmos o jogo, o caminho é, sem dúvida, a cessação do hábito, seja por decisão própria, seja por proibições legislativas, já que os impactos não se restringem ao próprio indivíduo, mas se estendem a toda a sociedade.

Para mais informações, pode-se acessar o site do Programa Nacional do Controle do Tabagismo do INCA (vide referências) ou entrar em contato com o Disque Saúde (136) ou mesmo procurar a unidade de saúde mais próxima. Fato é que parar é sempre o melhor remédio!

 

Referências:

http://www.icesp.org.br/sala-de-imprensa/noticias/291-cigarro-e-responsavel-por-65-dos-casos-de-cancer-de-bexiga-em-homens

http://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/tobacco

http://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/acoes_programas/site/home/nobrasil/programa-nacional-controle-tabagismo

http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/2011/lei-12546-14-dezembro-2011-612002-normaatualizada-pl.pdf

Câncer de mama: descobrir cedo para tratar melhor e viver mais!

Câncer de mama: descobrir cedo para tratar melhor e viver mais!

O câncer de mama é, depois do câncer de pele, o de maior incidência. E mais importante, é o que mais mata as mulheres no mundo. Já se sabe que quanto mais cedo o diagnóstico é feito, melhor. Para isso, existem alguns tipos de exames de imagem, como a mamografia, o ultrassom e a ressonância. Cada um deles ajuda de uma maneira diferente.

É chamado de rastreamento o exame feito para detectar o câncer quando ele ainda está na sua fase inicial, sem nenhum sinal o sintoma aparente. Na maioria dos tipos de câncer ainda não existe como fazer isso, mas, no caso da mama, a mamografia já é conhecida por reduzir em mais de 30% a mortalidade pelo câncer, principalmente em mulheres entre 50 e 69 anos. E por que é importante descobrir mais cedo? Porque quanto mais inicial, mais fácil de tratar e, também de curar.

De forma geral, para a maioria das mulheres, a mamografia é indicada a partir dos 50 anos até os 75 e deve ser feita anualmente ou a cada 2 anos. Entre 40 e 50 e após 75 anos, a questão ainda é duvidosa e muitas vezes depende de uma conversa bem feita com o médico, já que os estudos mostram um benefício pequeno e menos significativo. Vale lembrar também que, quando se faz o exame, há uma boa chance de ele estar alterado sem que a mulher realmente tenha câncer, o chamado falso-positivo. Isso muitas vezes traz ansiedade e até procedimentos desconfortáveis, como punções ou biópsias.

Para algumas mulheres, porém, os exames podem ser ainda mais importantes, mesmo nas mais jovens, pois elas têm maior risco de desenvolver câncer de mama. Para saber desse risco maior, os médicos usam alguns critérios que dependem, principalmente da história de tumores na família. O principal motivo para o risco de uma mulher ser aumentado é a mutação em um gene chamado BRCA (o mesmo da Angelina Jolie, lembra?), que ocorre em algumas famílias e, geralmente, com várias parentes afetadas. Quando esse gene está alterado, a pessoa tem indicação de começar mais cedo a fazer exames para rastrear o câncer (geralmente antes dos 35 anos) e também a utilizar outros métodos.

O resultado da mamografia geralmente vem descrito em uma escala chamada BIRADS, que vai de 0 a 6. Essa nota depende da chance da alteração detectada ser realmente câncer, e guia o médico para definir o que se fazer em seguida. Quanto mais alto (exceto o 0), maior a chance de se precisar de uma biopsia, de repetir a mamografia mais cedo ou de pedir outros exames para melhor caracterização.

E esses outros exames, como o ultrassom e a ressonância, para que eles servem?

Antes de tudo, deve-se lembrar que a mamografia é o exame que mais mostrou redução da mortalidade e o primeiro a ser feito. Mesmo assim, ela pode não detectar até 20% dos tumores (com resultado falso-negativo). Principalmente em mulheres com alto risco de câncer ou com mamas mais densas é que os outros métodos mais ajudam.

O ultrassom é um exame mais demorado e depende muito do médico que está fazendo. Ele é utilizado, geralmente, para mamas mais densas, ou seja, com menos gordura e mais glândulas, pois a mamografia é menos eficaz nesses casos. Vale lembrar que a densidade da mama é melhor descrita pela própria mamografia, não pelo exame físico (toque das mamas). Entretanto, na maioria das vezes as mulheres mais jovens são as que tem maior densidade mamária. O ultrassom também é muito utilizado quando se acha uma alteração na mamografia ou detecta-se um nódulo palpável e, portanto, se quer ver melhor a mama ou mesmo fazer uma biopsia. Nesse caso, o ultrassom ajuda a ver o tamanho e a extensão do tumor, além de avaliar os gânglios na axila, auxiliando na definição do tratamento a ser feito.

Já a ressonância é um outro exame caro, mais difícil e demorado, com mais contraindicações (objetos metálicos no corpo, por exemplo) e que, portanto, é reservado para rastrear mulheres de risco mais alto. Em casos especiais, o exame pode ser feito em alternância com uma mamografia. Adicionalmente, a ressonância também ajuda a detectar tumores ocultos e caracterizar melhor a mama de uma mulher com um câncer já diagnosticado, a fim de programar a cirurgia e avaliar se há outros focos do tumor.

Então é isso! Vimos hoje que o rastreamento do câncer de mama é importante para as mulheres depois dos 40 ou 50 anos e que ele geralmente é feito por mamografia. Mas sabemos também que, em algumas situações especiais, o médico pode precisar lançar mão de outros exames, como ultrassom e ressonância, para ajudar na investigação. O mais importante de tudo é ter um acompanhamento rotineiro com seu ginecologista, conversar com ele sobre o seu perfil e como o rastreamento deve ser feito para VOCÊ! Assim, é possível descobrir mais cedo, tratar melhor e viver mais!