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Cirurgia bariátrica e redução do risco de câncer: qual a verdade sobre esse assunto?

No início deste mês, um estudo publicado em uma das maiores revistas científicas do mundo levou bastante repercussão na mídia sobre a redução da ocorrência de câncer após a cirurgia bariátrica. Aqui, vamos mostrar como é sempre importante ter cuidado na análise superficial dos dados e entender qual a relação real entre obesidade, cirurgia bariátrica e câncer.

Definir se alguma coisa é causa de outra é uma vontade de todos os cientistas (e de todos os humanos). Porém, estudos que façam isso de forma clara e indubitável são difíceis de serem conduzidos, porque requerem muitos pacientes acompanhados por um tempo muito longo, tarefa essa complexa e restrita a locais com alta organização de dados e logística.

Sabe-se que a obesidade é uma doença que aumenta o risco de diversos tipos de câncer, como mama, útero, intestino, esôfago, dentre outros. Ela acomete mais de 25% da população brasileira e o seu impacto tende a ser maior que o do cigarro nos próximos anos. A maioria das pessoas sabe (ou deveria saber) que o controle da obesidade não é simples e envolve vários aspectos não só biológicos e genéticos, mas também psicológicos e sociais.

O principal tratamento para esta doença é a mudança de estilo de vida com reeducação alimentar e atividade física regular. Todavia, esse método é poucas vezes efetivo, em função das diversas barreiras culturais, comportamentais e biológicas que se apresentam no caminho. Sendo assim, a cirurgia bariátrica é, hoje, o tratamento mais eficaz, à frente de medicações específicas, tendo, entretanto, possíveis consequências deletérias. E não custa lembrar que culpar o paciente NUNCA é o melhor caminho.

Outros estudos prévios já mostram que existe uma relação entre incidência de câncer e cirurgia bariátrica, porém poucos analisaram detalhadamente essa questão, inclusive a associação com mortalidade. E foi isso que o estudo que saiu no dia de 3 de junho do Journal of the American Medical Association (JAMA) demonstrou.

Os pesquisadores avaliaram 30.000 pacientes obesos, sendo 5.000 submetidos à cirurgia bariátrica “moderna” (ou seja, mais comumente realizada na última década) e 25.000 incluídos como “controles”. A análise – muito criteriosa da parte científica e estatística – mostrou que os pacientes que fizeram cirurgia bariátrica tiveram uma chance 32% menor de desenvolver câncer relacionado à obesidade e 48% menor de morrer por câncer. Essa redução foi tão maior quanto maior foi a perda de peso, ou seja, pessoas que perderam mais peso tiveram chances progressivamente menores de ter ou morrer por câncer.

Apesar de muito bem feito, o estudo tem várias limitações que podem influenciar nos resultados e, portanto, devem ser levadas em consideração. A principal delas é o fato de que a perda de peso do grupo da cirurgia bariátrica foi 20% maior que o grupo controle (27,5 x 2,7kg). Isso coloca em dúvida se a redução do risco de câncer e de morte por ele tiveram como causa direta a perda de peso ou a cirurgia bariátrica em si.

O que outros estudos mostram é que provavelmente a primeira opção, ou seja, perder peso, seja por mudança de estilo de vida ou com a intervenção cirúrgica, reduz as chances de neoplasia e morte por neoplasia. Isso não pôde ser avaliado neste estudo. Não só isso, a conclusão muito superficial pode deixar a entender que é diretamente a cirurgia, não a perda de peso em si, que leva aos benefícios. Perder peso sem cirurgia é, sem dúvida, um caminho mais difícil para alguns, mas pode ser a melhor opção para outros e ter efeitos semelhantes (ou até melhores) que a cirurgia, levando em conta os riscos desta.

Em conclusão: este importante estudo reforça a necessidade de combatermos a obesidade, que se apresenta como um dos maiores fatores de risco para desenvolvimento de câncer e de mortalidade. O combate deve ser feito com um auxílio de especialistas no assunto, no caso médicos(as) endocrinologistas, cirurgiões bariátricos, nutricionistas, psicólogos(as) e toda a equipe multiprofissional, a fim de chegarmos – com ou sem cirurgia – ao objetivo final, que é a perda de peso e consequente melhoria da saúde como um todo.

 

Referências:

Aminian A, Wilson R, Al-Kurd A, et al. Association of bariatric surgery with cancer risk and mortality in adults with obesity. JAMA. Published online June 3, 2022.

doi:10.1001/jama.2022.9009

https://www.cartacapital.com.br/opiniao/a-obesidade-e-o-cancer/

https://www.cartacapital.com.br/opiniao/a-obesidade-e-o-cancer/

https://www.correiobraziliense.com.br/ciencia-e-saude/2022/06/5013322-cirurgia-bariatrica-pode-diminuir-risco-de-cancer-em-pessoas-obesas.html

https://www.em.com.br/app/colunistas/andre-murad/2022/06/19/noticia-andre-murad,1373758/obesidade-cancer-e-cirurgia-bariatrica.shtml

https://oglobo.globo.com/saude/medicina/noticia/2022/06/reducao-de-peso-pela-cirurgia-bariatrica-corta-o-risco-de-morte-por-cancer-em-48percent-para-pessoas-obesas.ghtml

https://portugues.medscape.com/verartigo/6508095

https://www1.folha.uol.com.br/equilibrio/2022/06/perder-peso-diminui-risco-de-desenvolver-cancer-diz-estudo.shtml

 

9 de junho: Dia Nacional da Imunização. Vacinas estão salvando vidas

Vacinas estão salvando vidas. Há muitas décadas. E a imunização tem sido primordial para conseguirmos, aos poucos, vencer a batalha contra a COVID-19 e várias outras doenças. Entretanto, a absurda campanha antivacina de partes da sociedade tem trazido de volta fantasmas como o sarampo, a gripe e, possivelmente, a COVID-19 novamente.

No dia 9 de junho é celebrado o Dia Mundial da Imunização. O foco da campanha é conscientizar a população da necessidade de manter a carteira vacinal atualizada. Na atualidade, apesar da vacinação contra a COVID-19 ainda ser a prioridade, devemos lembrar que várias outras doenças têm vacinas direcionadas, mesmo em adultos vacinados na infância.

As vacinas protegem contra a ocorrência de diversas doenças infecciosas, desde a poliomielite, que pode deixar pessoas sem movimentos, até a pneumonia, que pode levar pessoas, principalmente idosos, à morte. Não só isso, temos também as vacinas que podem prevenir o câncer, no caso, a do HPV evita tumor de colo do útero. Muitas patologias foram erradicadas, como a varíola e a poliomielite, enquanto outras – como a gripe, o tétano e a coqueluche – tiveram seu impacto na saúde da população consideravelmente reduzido (>90%) e são doenças controladas atualmente.

O ato de vacinar é importante não só para a pessoa vacinada, mas também para a população em geral de um país. O freio da contaminação por doenças infecciosas reduz a mortalidade da população em geral, principalmente daqueles considerados como grupos de risco. Inclusive, existem pessoas que não podem ser vacinadas por alguma doença que contraindica, ou que ainda não têm idade (recém-nascidos); essas pessoas talvez sejam as mais beneficiadas pela vacinação em massa de quem pode. Não só isso, a vacinação permite que mantenhamos uma vida normal, sem lockdowns, já que reduz a mortalidade e a gravidade das doenças.

Infelizmente, alguns dados recentes mostram que a cobertura vacinal para várias doenças tem caído, chegando a níveis que não se via há muitas décadas. Isso tem levado a um recrudescimento de casos e também a mortes. Um dos motivos é a própria pandemia, mas também há um número crescente de pessoas contrárias às vacinas, ou seja, que não acreditam na ciência. Essa situação é muito perigosa.

Sobre a COVID-19, a vacinação modificou o panorama da doença no mundo, levando a um melhor controle dos sistemas de saúde e do número de mortes, apesar de picos de casos. Isso foi corroborado com a experiência em diversos países, com todas as vacinas aprovadas pela OMS. Hoje, temos quase 80% da população com duas doses, mas ainda um número baixo, menos de 60%, com doses de reforço. Isso é preocupante, já que temos observado um aumento de casos nas últimas semanas e os mais afetados com gravidade são aqueles não vacinados ou pessoas com mais de seis meses da última dose de reforço.

Uma atenção especial deve ser dada à vacina contra o sarampo. A cobertura vacinal está baixíssima, de 30%, sendo que o alvo é de 95%. Em 2016, o Brasil tinha recebido o selo da Organização Pan-americana de Saúde de território livre de sarampo. É preciso lembrar que esta vacina é dada há muitas décadas, com altíssimas eficácia e segurança. A falta da vacinação tem ocasionado ressurgimento de casos de sarampo (40.000 de 2018 a 2021), uma doença potencialmente grave e até fatal para as crianças (40 mortes de crianças, no mesmo período).

Além dela, a vacina da gripe (influenza) é de grande importância nesse período de inverno, já que o quadro pode ser confundido com COVID-19 e causar transtornos ao paciente e à sociedade. A cobertura vacinal também não atingiu seu objetivo, atualmente rondando os 30-40%.

Criado há 47 anos, o Programa Nacional de Imunização do Brasil é uma das referências mundiais da área, já que atinge uma população de mais de 200 milhões de habitantes de forma gratuita e eficiente.

Atualmente, são 18 as vacinas disponibilizadas para crianças e adolescentes. No caso de adultos, as principais são a de febre amarela, a dupla adulto (difteria e tétano, renovada a cada 10 anos), a de hepatite B e a de sarampo-caxumba-rubéola (as duas últimas caso não tenha sido vacinado na infância).

Devemos reforçar que qualquer uma das disponíveis no país são eficazes e seguras. Todas já foram testadas e aprovadas cientificamente.

As contraindicações são poucas e, caso tenha dúvida, pergunte ao seu médico. Porém, geralmente apenas pessoas com deficiências muito específicas ou alergias a componentes das vacinas não podem tomá-las.

No site https://portalarquivos.saude.gov.br/campanhas/pni/ todos podem consultar o calendário nacional de vacinação e checar quais vacinas devem ser atualizadas. Leia, converse com seu médico e VACINE-SE E VACINE SEUS FILHOS! Proteger um é proteger todos! V

 

https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2022-06/sarampo-cobertura-vacinal-nao-chegou-nem-30-das-criancas

https://www.oncnet.com/meeting/14/meeting-materials?field_abstract_value=&field_material_type_target_id=All

Aprovações no novo modelo da ANS: um grande passo na Oncologia brasileira

No dia 06 de maio de 2022, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a incorporação de duas medicações contra o câncer no seu rol de medicações de cobertura obrigatória pelos planos de saúde: Brigatinibe (Evobrig®) e Trifluridina/cloridrato de tipiracila (Lonsurf®).

O Brigatinibe é indicado para pacientes com câncer de pulmão metastático com rearranjo do gene ALK. É uma droga do tipo terapia-alvo com altos índices de eficácia e menor toxicidade em relação à quimioterapia comum. O Brigatinibe foi testado no estudo ALTA 1L, que comparou ao Crizotinibe (padrão anterior) e mostrou um aumento de sobrevida livre de progressão de 13 meses com redução do riscos de progressão ou morte de 51%.

Já o Trifluridina/cloridrato de tipiracila (Lonsurf®) é um tipo de quimioterapia oral indicada para pacientes com câncer de cólon metastático. Ele foi testado em pacientes que haviam progredido após os tratamentos com os tratamentos-padrão (irinotecano/oxaliplatina com fluorouracil e anticorpos monoclonais) por meio do estudo RECOURSE. Os resultados mostraram uma redução do risco de morte da ordem de 30%.

Ambas as drogas já estavam aprovadas pela Anvisa e constavam a indicação em bula. Porém, com a existência do rol da ANS, os planos de saúde ainda não eram obrigados a cobrir o tratamento – de alto custo – com essas medicações. No último dia 10 de fevereiro, porém, o Congresso aprovou a MP 1067/2021, finalmente modificando para melhor o modelo de incorporação de medicações orais no sistema privado.

Antes, o tempo entre uma medicação mostrar-se eficaz e ser efetivamente acessível aos pacientes chegava a quatro anos, o que restringia o benefício a poucos que podiam pagar altos valores. Agora, a atualização é mais rápida e não segue burocracias tão grandes, o que faz as aprovações serem mais céleres, beneficiando os pacientes.

Esse modelo foi um meio-termo, já que o projeto de eliminação do rol e aprovação automática das medicações foi vetado pelo presidente e pelo Congresso no ano passado.

Sem dúvida é uma notícia importantíssima para os pacientes com câncer de pulmão e cólon, porém devemos manter a atenção para que as incorporações continuem mais rápidas e, mais importante, que cheguem também ao SUS, hoje colocado de lado e completamente defasado na área de Oncologia.

 

Referências:

https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-normativa-ans-n-536-de-2-de-maio-de-2022-398111061

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1414325

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32780660/

 

 

6 de abril – Dia Nacional da Mobilização pela Promoção da Saúde e Qualidade de Vida e Dia Mundial da Atividade Física

Rafael Luís
CRM 156.336

Pergunta e respostas em Qualidade de Vida e Promoção de Saúde

Hoje – 6 de abril – é o Dia Nacional da Mobilização pela Promoção da Saúde e Qualidade de Vida e também o Dia Mundial da Atividade Física. Por isso, queremos trazer aqui algumas perguntas que ouvimos frequentemente de pacientes sobre como podemos melhorar nosso bem-estar e nossa saúde.
Não é mais segredo para ninguém que os dois principais pilares são dieta saudável e atividade física, mas vamos esclarecer alguns pontos específicos deles.

Qual é a quantidade mínima recomendada de atividade física?

Segundo a OMS – e com base em estudos científicos – o mínimo de atividade física por semana é de 150 minutos de exercícios leves a moderados (caminhada, hidroginástica, pilates, corrida leve, etc.) ou 75 minutos de exercício intenso (treino funcional, corrida intensa, natação, triathlon, etc). Aliado a isso, fortalecimento muscular é importante duas vezes na semana, o que pode ser atingido nas próprias atividades citadas.

Como me motivar a praticar atividade física regularmente?

O ideal é tentar praticar alguma atividade que lhe traga prazer, não necessariamente alguma “da moda” ou que algum amigo tenha indicado. A motivação vem principalmente da vontade de fazer, já que todos sabemos que, quando somos obrigados a algo, geralmente não focamos muito na tarefa.

Não tenho tempo, como incluir a atividade física no dia-a-dia?
Claro que o ideal é reservar horários da semana direcionados para a atividade, mas existem meios de inserir o exercício no dia-a-dia.

Algumas sugestões são:

– Caminhar até locais próximos de casa (padaria, supermercado, farmácia);
– Estacionar o carro a 2-3 quarteirões de onde você trabalha;
– Usar a escada para subir até andares baixos de prédios (por exemplo, 2º ou 3º andar) ou mesmo usar o elevador até a metade e subir o resto de escada;
– Brincar com crianças de jogos como pega-pega, pique-esconde;
– Tarefas de casa, como faxina ou mesmo jardinagem.

O que seria uma dieta saudável?

Uma dieta saudável é baseada em um consumo de calorias adequado à sua composição corporal a partir de um balanceamento dos alimentos. Uma quantidade maior de frutas, vegetais, legumes e cereais é importante para garantir não só vitaminas essências, mas também fibras alimentares. Por outro lado, reduzir o consumo de gordura animal (dar preferências a carnes magras, como peixe e frango), evitar alimentos com adição de açúcar (refrigerantes, sucos industrializados, doces) e diminuir também o consumo de produtos ultraprocesssados (como pratos prontos com conservantes, embutidos e enlatados) são estratégias cruciais para melhorar a qualidade da dieta. Tudo isso sem esquecer de manter-se hidratado, bebendo 2-2,5 litros de água ou líquidos por dia, uma garrafinha na bolsa ajuda muito. Um auxílio de um(a) nutricionista pode ser de grande valia.

“Ah, eu vou pedir então uma marmita, estou certo/a?”

Claro que sabemos que muitas vezes não temos tempo para fazer nossa comida e, neste caso, “marmitas” saudáveis podem ser uma mão na roda. Entretanto, o ato de cozinhar sua comida é visto cada vez mais como importante pelos especialistas em nutrição. Além de fazer sua própria comida (geralmente) garantir que os ingredientes sejam mais naturais, de melhor qualidade nutritiva e com menos conservantes, também estimula uma relação mais racional com a comida, podendo reduzir a quantidade de calorias ingeridas. E, claro, é mais econômico.

Quais são os benefícios de ter uma dieta saudável e praticar atividade física?

Ambos são comprovadamente promotores de saúde. Existem vários estudos que mostram redução de problemas cardiovasculares (pressão alta, infarto, derrame, cardiopatia), diabetes, osteoporose, obesidade, aumento da expectativa de vida, redução do risco de câncer, dentre outras doenças. Não só isso, melhora a qualidade do sono, saúde mental, a sensação de bem-estar e a interação social.

Como a yoga pode ajudar a promover saúde e qualidade de vida?

A Yoga é um exercício com comprovação científica de benefício em vários aspectos. Além de ser uma atividade física, também promove flexibilidade, importante para quando ficamos mais idosos e temos mais restrições de movimento, e relaxamento, com benefícios em controle de ansiedade e depressão. Incluir a Yoga na rotina de atividade física pode ajudar no bem-estar e é fácil de encontrar um local para praticar.

Além da dieta e atividade física, tem mais algo para melhorar minha qualidade de vida?

Não tem uma resposta única, mas os “3 S” são importantes: sono, saúde mental e socialização.

– No caso do sono, uma boa noite de sono de pelo menos 7h (mas idealmente menos que 9h) é comprovadamente benéfico para passar o dia melhor, além de também reduzir riscos cardiovasculares, diabetes e obesidade.
– Em relação à saúde mental, objetivar uma vida mais tranquila, com menos estresses, menos preocupações é de extrema importância. E como fazer isso? Começar pelo que já falamos acima já ajuda, mas quando o problema é mais grave, procurar ajuda profissional é imprescindível, seja um psiquiatra ou psicólogo.
– Por fim, as relações sociais também são uma maneira de nos ajudar a viver melhor. A socialização melhora a sensação de bem-estar e ajuda a prevenir problemas de saúde mental. Além disso, uma atividade física ou uma dieta saudável com alguém acompanhando é sempre mais interessante, não é mesmo?

E aí? O que você pode tentar começar a fazer hoje para viver melhor amanhã?

 

Referências:

Smith KB, et al. An evidence-based review of yoga as a complementary intervention for patients with cancer. Psychooncology. 2009 May;18(5):465-75.

https://saudebrasil.saude.gov.br/ter-peso-saudavel/7-dicas-de-alimentacao-para-prevenir-a-obesidade

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity

 

31 de março: Dia da Saúde e da Nutrição

Atividade física, alimentação equilibrada e hidratação são aliadas da saúde

 

Dr. Rafael Luís – oncologista

CRM 156.336

Dra. Thaize Polizelli – nutricionista

CRN 344.807

 

No Dia da Saúde e da Nutrição, gostaríamos de relembrar a cartilha que o Instituto Nacional de Câncer (INCA) fez, baseada em uma tradução para o português de um Relatório de Especialistas criado pelo Fundo Mundial de Pesquisa em Câncer (WCRF, em inglês) e pelo Instituto Americano para Pesquisa em Câncer (AICR, em inglês).

A obesidade e o sedentarismo continuam em crescimento no mundo e são um grande problema de saúde pública, contribuindo para mais de quatro milhões de mortes, anualmente, no mundo. O estilo de vida e a falta de estímulo à atividade física são os principais fatores associados a este cenário. No Brasil, mais da metade da população está acima do peso e essa epidemia vem aumentando também entre as crianças.

No documento traduzido pelo INCA, os autores dissertam de forma bem clara sobre os vários aspectos da alimentação e suas consequências para o nosso organismo e sobre o risco de câncer, sempre embasado em evidências científicas. Há um quadro mostrando visualmente os alimentos que têm relação estabelecida com o desenvolvimento de neoplasias, além da força desta relação. Como exemplo, alimentos em conserva e processados aumentam – com alta probabilidade – a incidência de câncer de estômago e cólon, respectivamente. Além disso, evidencia-se que a obesidade e o álcool são os fatores mais fortemente relacionados à ocorrência de diversos tipos de tumores.

A partir dos dados, o documento faz recomendações práticas para a prevenção do câncer e melhor saúde geral:

– Manter um peso saudável;

– Ser fisicamente ativo (pelo menos 150 minutos por semana);

– Consumir uma dieta rica em vegetais, cereais integrais, frutas e leguminosas;

– Limitar o consumo de comida processada (fast food), carne vermelha, bebidas com adição de açúcar e alcóolicas;

– NÃO usar suplementos para a prevenção do câncer;

– Amamentar, se a mulher puder.

Na análise brasileira, a nossa população não cumpre esses requisitos, com altos níveis não só de obesidade, mas também de sedentarismo e de consumo de alimentos pouco saudáveis. O INCA sugere que a abordagem na nossa população seja comportamental, incentivando a alimentação saudável por políticas públicas bem instituídas e, como exemplo, não estimulando padrões estéticos para a prática da atividade física, mas sim o prazer em praticá-las.

Por fim, há também uma abordagem de como implantar essas medidas em nível populacional, com ênfase nas ferramentas sociais, como marketing, limitando propagandas de produtos pouco saudáveis, estimulando a compra de alimentos saudáveis ou realizando aconselhamentos em equipamentos públicos à toda a população. Isso envolve toda a sociedade e traz a responsabilidade compartilhada para melhorar o cenário atual.

Esse documento é de livre acesso e é de grande interesse de todos. A prevenção do câncer passa não só por exames e consultas, mas também pela adoção de um estilo de vida saudável.

 

Cuidados e dicas de hidratação

 

Toda população precisa ficar atenta à ingestão de líquidos. No caso dos pacientes oncológicos, a atenção na hidratação deve ser ainda maior, já que a dieta precisa ser equilibrada para suas necessidades durante o tratamento, sendo rica em frutas, verduras e legumes diversificados, alimentos integrais, gorduras boas e fontes proteicas. Sem esquecermos da HIDRATAÇÃO.

Devemos sempre nos atentar à quantidade de água ingerida no dia a dia para mantermos toda a funcionalidade do nosso organismo. A Organização Mundial da Saúde recomenda a ingestão de 2 a 2,5 litros de água ao longo do dia e, para atingirmos a recomendação, o verão pode ser nosso aliado por meio de:

 

Sucos de frutas: as frutas cítricas são bem toleradas durante o período de tratamento; então, faça suco com as frutas da estação que, além de mais doces, possuem mais nutrientes por sua sazonalidade adequada. Abacaxi, caju, melancia, melão, limão, manga, maracujá, tangerina, kiwi, uva, maçã, entre outras.

Utilize água filtrada ou água de coco para o preparo; chá preparado em casa com gengibre e batido com fruta é uma ótima opção para os pacientes nauseados.

A dica também está em preparar o suco utilizando a casca dos alimentos, que deve estar higienizada corretamente. O suco não deve ser coado antes do consumo, assim as fibras ficam garantidas.

Combinar frutas com verduras (e até legumes!) é uma opção interessante, pois além de hidratar, diversifica e aumenta a quantidade de frutas, verduras e legumes ingeridos no dia. Maçã, limão e couve pode ser uma das combinações, assim como maracujá e um pouco de manjericão. Use a criatividade!

Carregue sempre com você uma garrafinha com água, pois o consumo de água é um hábito. Temos o péssimo costume de beber água apenas quando temos sede, mas esquecemos que sede é o primeiro sinal de desidratação.

 

Sacolé, picolé e gelo de fruta: uma outra forma de consumir as frutas no verão é na forma de sacolé, picolé e até gelo.

 

Para o sorvete, podemos apenas picar as frutas da nossa preferência, dispô-las em fôrmas próprias para picolé ou copos descartáveis com um palito de sorvete, completar com água de coco, chás naturais de ervas claras preparados em casa como: hortelã, camomila, erva-doce e gengibre e ou suco de fruta e levar para o congelador. Temos outra opção de picolé: faça uma massa, batendo a fruta da sua preferência com um pouco de líquido, incluindo o leite.

Já para o sacolé e o gelo, deve-se bater a fruta com pouca água (ou outro líquido) até obter uma consistência mais pastosa e dispor tudo em suas respectivas embalagens.

 

Lanches naturais: se preparado adequadamente, pode substituir uma refeição completa. Utilize patês feitos em casa como os de frango, de sardinha, de grão de bico, entre outros. Recheie o pão, tapioca ou outra fonte de carboidrato com o patê escolhido, folhas e legumes.

Lembre-se de procurar sempre um nutricionista especialista na área para melhor adequação da sua dieta ao seu tratamento.  E mantenha-se hidratado!

 

 

Você sabe o que é modulação epigenética?

Dr. Rafael Luís

CRM 156.336

 

Você acredita que, hoje, podemos facilmente modificar os nossos genes e os dos nossos filhos?

No dia 5 deste mês de março, a TV Record veiculou uma entrevista do apresentador Rodrigo Faro com a influenciadora Maíra Cardi que, dentre outros assuntos, tratava do padrão de dieta dela e de uma “técnica” chamada “modulação epigenética”. O Alerta Oncologia vem para informar – como vários veículos já o fizeram – que as informações transmitidas neste vídeo são FALSAS, são fake news.

No vídeo, Maíra conta que fez a “modulação Epigenética” por meio da mudança na sua alimentação, afirmando que tal processo “limpa” o organismo e “zera a genética” e impede que os filhos nasçam com qualquer doença genética como câncer ou diabetes. Ademais, ela afirma que o seu filho, de 3 anos, é “uma criança muito esperta”, que “o cérebro funciona muito mais rápido”.

Vamos lá. Primeiramente, esclarecer o que é a epigenética. Segundo a própria Sociedade Brasileira de Genética (SBG), em comunicado oficial, “a epigenética é uma área da genética que envolve o entendimento dos mecanismos e estímulos na modulação da expressão dos genes.” Explicando melhor: nós devemos lembrar que TODAS as células do nosso corpo carregam um código genético (DNA) igual, porém, em cada órgão, alguns genes estão ativos e outros, não. Como exemplo, nas células dos nossos olhos, os genes responsáveis pela formação do cabelo não estão ativos, enquanto que, no nosso couro cabeludo, eles estão, ao passo que genes que fazem a cor dos olhos não estão.

A “Modulação Epigenética” é um assunto que é alvo de milhares de estudos atualmente, porém ainda não há quaisquer evidências de que esta técnica tenha influência nos genes dos filhos. Não só isso, a modificação de genes no nosso corpo não é algo viável atualmente de forma rotineira, nem segura.

Tal absurdo deve servir como oportunidade para informarmos de maneira adequada a todos. Exercício físico e reeducação alimentar são, sim, de grande importância para a manutenção da boa saúde. Isso nós sempre reforçamos por aqui. Fazer atividades físicas regulares e comer de forma balanceada (mais frutas, legumes e verduras, menos gorduras) reduz a chance de diversas doenças, dentre elas o câncer e o diabetes. Essa orientação, entretanto, não passa pela “Modulação Epigenética” e depende de uma avaliação médica e de um nutricionista. Lembrando que, mesmo assim, as chances de defeitos genéticos nos filhos não são influenciadas diretamente por tais hábitos.

E esse é o último ponto que é necessário esclarecer: os pais NÃO SÃO CULPADOS pelos problemas genéticos/hereditários dos seus filhos. O papel dos pais é de buscar uma saúde adequada para que a gravidez e o parto ocorram com menos riscos e, após o nascimento, estimular hábitos saudáveis nos filhos, independente de eles terem nascido com algum problema genético.

A matéria veiculada pela TV Record é um desserviço à população, não só porque traz dados falsos de uma influenciadora de grande alcance, mas principalmente por ser reforçada por um apresentador de grande apelo popular, que deveria ter a responsabilidade de se informar corretamente antes de respaldar tal informação.

O comunicado da Sociedade Brasileira de Genética (SBG), pode ser encontrado no link :

https://www.instagram.com/sbgoficial/?utm_source=ig_embed&ig_rid=106a3b55-d12a-4680-8823-a01175c307c9.

 

Referências:

https://www.instagram.com/reel/CaiYKfQJQoG/?utm_medium=share_sheet

https://www.uol.com.br/vivabem/colunas/lucia-helena/2022/03/03/maira-cardi-no-paredao-desde-quando-uma-dieta-zera-os-genes-de-doencas.htm

https://noticias.r7.com/saude/conheca-a-dieta-feita-por-maira-cardi-e-artur-aguiar-para-que-a-filha-deles-nascesse-mais-saudavel-05032022

https://rd1.com.br/programa-de-rodrigo-faro-irrita-especialistas-por-declaracao-polemica-desservico/

 

 

Mudança no rol da ANS é avanço com sensação de derrota

Uma nova Medida Provisória (MP 1067/2021) foi aprovada pelo Congresso em 10 de fevereiro e visa garantir acesso mais ágil às drogas orais contra o câncer pelos usuários de planos de saúde. Sem dúvida, é um avanço, porém foi uma solução “intermediária” para o que era esperado.

Em diversas oportunidades, já discutimos sobre o processo de incorporação de medicamentos orais para pacientes de planos de saúde (links abaixo).

Também no ano passado, falamos do projeto que tentava garantir a obrigatoriedade de cobertura pelos planos de saúde de medicações orais para tratamento do câncer, assim que houvesse aprovação na Anvisa. A chamada Lei da Droga Oral (PL6330/2019) foi aprovada no Congresso em julho de 2021, mas, infelizmente, foi vetada pelo presidente Bolsonaro e, agora, em fevereiro, o veto foi (estranhamente) mantido pelo Congresso.

Sendo assim, o acesso a essas drogas continua restrito e atrasado em até 3-4 anos em relação a sua comprovação de benefício. As medicações injetáveis não passam por essa barreira; elas são cobertas pelos planos tão logo são aprovadas pela Anvisa em bula.

Agora, a nova MP aprovada estabelece que a atualização da lista de medicamentos com cobertura obrigatória pelos planos deve ser feita de forma mais frequente: ao invés de ser atualizada a cada dois anos, deverá ser feita “continuamente”, ou seja, as empresas solicitantes da aprovação podem enviar a requisição a qualquer momento e a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) terá até 180 dias para analisar, recomendando a aprovação ou rejeição daquele produto. Após aprovada, a medicação em questão deverá ser fornecida ao paciente em até dez dias após a prescrição médica.

Além disso, a MP cria uma Comissão de Atualização do Rol, com membros de conselhos e entidades relacionadas ao assunto, com poder de deliberação e análise dos dados científicos e econômicos.

Não há como negar que é uma evolução no processo, que pode reduzir em mais de 75% o tempo para aprovação de uma medicação contra o câncer. Entretanto, ainda é uma regulação morosa e redundante, e cujo ônus do atraso é única e exclusivamente dos pacientes, que deveriam ser o foco de toda a discussão. Não faz sentido haver distinção entre remédios orais e injetáveis, pois cada doença tem um tipo de tratamento.

A solução talvez seja uma regulação única, mais racional e ágil, que leve em conta não só a realidade econômica brasileira, mas também o interesse da população. Seguimos na expectativa de que isso seja o primeiro passo de uma revolução maior na Oncologia: ofertar o mais eficaz para nossos pacientes viverem mais e melhor.

A MP ainda vai à sanção presidencial.

 

Referências:

https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=9069137&ts=1645034714274&disposition=inline

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9656.htm

https://noticias.r7.com/brasilia/congresso-mantem-veto-a-inclusao-de-remedios-para-cancer-em-planos-08022022

https://noticias.r7.com/brasilia/mp-dos-planos-de-saude-e-aprovada-com-duas-emendas-e-vai-a-sancao-10022022

https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/140096

https://sonhe.med.br//2021/07/01/a-um-passo-de-uma-revolucao-da-oncologia-no-brasil/

https://sonhe.med.br//2021/02/26/novo-rol-da-ans-2021/

https://sonhe.med.br//2020/06/04/projeto-de-acesso-a-quimioterapia-oral-e-aprovado-pelo-senado/

https://sonhe.med.br//2019/09/03/simparaquimiooral/

Inibidores de ciclina no SUS: expectativa ou realidade

No dia 6 de dezembro, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias do SUS (Conitec) recomendou a incorporação dos inibidores de ciclina para o tratamento de pacientes com câncer de mama no SUS. Este é um avanço histórico, entretanto, a burocracia pode evitar que se torne realidade.

Os inibidores de ciclina são mediações que bloqueiam um processo na célula que pode levar à resistência aos tratamentos anti-hormonais padronizados há muitas décadas. O uso desses medicamentos mostrou um benefício incontestável em termos de sobrevida pacientes com câncer de mama com expressão de receptores hormonais avançado/metastático.

Estas drogas estão aprovadas no mundo e no Brasil há vários anos, porém, apenas recentemente tornaram-se de cobertura obrigatória pelos convênios do nosso país. Elas são caras e há muitos pacientes com indicação de utilização, portanto, tem grande impacto no sistema de saúde.

Agora, a Comissão do SUS que define o que será incorporado (ou não) recomendou a introdução destas medicações no sistema público. A partir de 6 de dezembro de 2021, o Governo tem 180 dias para oferecer à população. A aprovação veio após uma recomendação inicial de NÃO incorporação, a qual foi alterada pela participação da sociedade civil (profissionais, cientistas, associações e pacientes/familiares) em uma consulta pública recente.

É uma grande conquista para todos os brasileiros e mostra que a ação em conjunto da sociedade é de extrema importância para melhorar a saúde de todos. Porém, devemos ficar atentos, pois, como vimos em posts anteriores, o tempo entre essa incorporação burocrática e a real chegada da medicação para os pacientes pode demorar muito tempo (até anos) ou nem se tronar realidade. Para tanto, é importante continuarmos alertas e cobrando das autoridades o cumprimento dessa inclusão.

 

Referências:

http://conitec.gov.br/images/Relatorios/2021/20211207_Relatorio_678_Abemaciclibe_Palbociclibe_Ribociclibe_Carcinoma_Mama_Final.pdf

http://conitec.gov.br/images/Relatorios/Portaria/2021/20211207_Portaria_73.pdf

 

 

Novidade ROSA: nova droga para pacientes com câncer de mama

A Anvisa aprovou, nesta segunda-feira (04/10), uma nova medicação para pacientes com câncer de mama avançado/metastático. E não poderia ser em melhor hora, já que estamos no Outubro Rosa, o mês de conscientização sobre esse tipo de tumor.

O Trastuzumabe-Deruxtecan (Enhertu®, sigla T-DXd) é um anticorpo conjugado a uma quimioterapia e que atua como uma terapia-alvo em tumores com alterações na proteína HER2, comum em mais de 20% das pacientes com tumores mamários. A proteína HER2, quando tem sua expressão aumentada nas células, promove o desenvolvimento de tumores, como o de mama.

Os dados que embasaram a aprovação foram do estudo DESTINY-Breast-01, que testou a droga em 184 pacientes com múltiplos tratamentos anteriores. A taxa de resposta foi de 60%, um número muito alto para esse cenário.

Agora, o estudo DESTINY-Breast-03, mais robusto, randomizado e de fase III, comparou o T-DXd com o padrão atual, o T-DM1, em 524 pacientes com tumor de mama metastático HER2 positivo em linhas subsequentes de tratamento, ou seja, após a progressão a uma quimioterapia com Trastuzumabe.

Os resultados – recentemente apresentados na principal sessão do Congresso Europeu de Oncologia (ESMO), em setembro de 2021 – mostraram uma redução de 72% do risco de progressão ou morte, aumentando em quase 4 vezes a sobrevida livre de progressão. Ademais, a taxa de resposta foi de 80%. Essa eficácia é extremamente significativa e muda o cenário do tratamento dessas mulheres, com uma droga mais eficaz do que a atual, que já trazia muitos benefícios.

Em relação aos efeitos colaterais, os mesmos foram bem parecidos entre os grupos em ambos os estudos. Porém, vale ressaltar uma maior incidência de doença pulmonar intersticial (10,5 x 1,9%), porém a esmagadora maioria dessas ocorrências foi de graus leves (1 ou 2).

Os dados vêm para colocar o T-DXd como novo padrão para essas pacientes neste cenário linhas subsequentes (3ª ou posterior). Infelizmente, por enquanto, a indicação ainda não inclui a 2ª linha, ou seja, as pacientes receberão a droga caso falhem ao T-DM1, não antes. A droga também já mostrou que pode beneficiar também pacientes com câncer de pulmão e estômago.

O T-DXd já é aprovado nos EUA desde dezembro de 2019, porém em pacientes com múltiplos tratamentos prévios. Agora, felizmente vem aprovado no Brasil e é um grande reforço no tratamento dessas pacientes. Burocraticamente, como é a primeira aprovação desta medicação, ainda é necessária a etapa da precificação que deve levar mais alguns meses. Após, sendo uma medicação endovenosa, os planos de saúde deverão cobrir o tratamento, quando indicado. Esperamos que seja realidade o quanto antes para os pacientes.

 

Referências:

https://oncologypro.esmo.org/meeting-resources/esmo-congress-2021/trastuzumab-deruxtecan-t-dxd-vs-trastuzumab-emtansine-t-dm1-in-patients-pts-with-her2-metastatic-breast-cancer-mbc-results-of-the-randomi

https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/nejmoa1914510

 

FDA approves new treatment option for patients with HER2-positive breast cancer who have progressed on available therapies. News release. FDA. December 20, 2019. Accessed August 9, 2021.

 

Falta de insumos nucleares afeta pacientes no Brasil

O Instituto Nacional de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN) suspendeu sua produção a partir do dia 20 de setembro. E por que isso importa para os pacientes com câncer? Porque alguns tratamentos e exames necessitam de insumos fornecidos pelo IPEN.

Esse problema está acontecendo, segundo o IPEN, por falta de verbas por parte do Governo Federal via Ministério de Ciência, Tecnologia e Telecomunicações (MCTIC). O órgão importa diversos insumos e radioisótopos de outros países e, sem verba, não é capaz de manter sua atividade. Desde julho deste ano, já prevendo o ocorrido, o IPEN vem tentando, sem sucesso, meios para evitar a interrupção junto ao Governo.

Exames de grande importância, como o PET/CT e a cintilografia, e tratamentos, como Lutécio e Radium-223, devem ser interrompidos em virtude dessa paralisação. Infelizmente, os maiores impactados serão os pacientes. Tanto os exames quanto os tratamentos são métodos de alta eficácia e auxiliam em grande monta o cuidado ao paciente com câncer.

Tanto pacientes quanto clínicas parceiras do SOnHe têm relatado a real falta desses insumos e o consequente adiamento dos procedimentos previstos.

A ideia é, no curto prazo, conseguir verba extra para retomar a produção e, a médio prazo, um aumento do orçamento de 2022, via Congresso Nacional. Até lá, esperamos que esse imbróglio seja resolvido para que os pacientes tenham o menor impacto possível.