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26 de abril – Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial – Quais são os medicamentos oncológicos que precisam de atenção!

Filippo Diotto

Cardiologista

Cremesp 169.593

 

Hipertensão arterial sistêmica (HAS) é uma doença comum e frequente na população adulta. Possui aumento da incidência com incremento da idade, com mais frequência em pacientes sobreviventes ao câncer quando comparado com a população geral.

A doença deverá ser diagnosticada prontamente e tratada uma vez que a HAS e as neoplasias possuem fatores de riscos em comum, como obesidade, sedentarismo e diabetes.

Alguns medicamentos oncológicos que podem afetar a pressão arterial incluem os inibidores de tirosina quinase, como o imatinibe e o sunitinibe, além de alguns quimioterápicos, como a cisplatina e a doxorrubicina. É importante monitorar de perto a pressão arterial durante o tratamento com esses medicamentos e informar ao médico sobre quaisquer alterações.

Pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, a meta de pressão arterial em pacientes com câncer é a mesma da do paciente sem câncer, ou seja, menor que 130×80 mmHg. A busca ativa de sintomas e rastreio de HAS deverá ser feita em toda consulta com o objetivo de realizar um diagnóstico precoce e imediato tratamento. A prevenção deverá ser instituída para todos os pacientes, principalmente oncológicos, estimulando atividade física regular, sono adequado, dieta equilibrada e manejo do estresse.

Referência: Diretriz Brasileira de Cardio-oncologia 2020.

Faço tratamento oncológico: posso comer chocolate?

Os povos antigos, como os maias e os astecas, cultivavam o cacau e preparavam uma bebida chamada “xocolātl”, feita de grãos de cacau torrados e moídos misturados com água, especiarias e, às vezes, mel. Ao longo dos séculos, foram sendo introduzidos outros ingredientes, como açúcar e mel, até chegar ao chocolate que conhecemos hoje. A produção em larga escala só começou no século XIX, com o desenvolvimento de processos industriais para a fabricação.

Ele pode oferecer diversos benefícios quando consumido com moderação. Os antioxidantes podem ajudar a reduzir o risco de doenças cardíacas, melhorar o humor devido à liberação de endorfinas e até mesmo fornecer nutrientes como ferro, magnésio e potássio.

Pacientes com câncer devem consultar seus médicos ou nutricionistas para orientações específicas sobre seus casos. Em geral, o consumo moderado de chocolate escuro é o ideal. Seu alto teor de cacau pode ter mais benefícios devido aos antioxidantes e outros compostos presentes. É importante sempre considerar caso a caso, o estado de saúde individual de cada um, suas restrições dietéticas e possíveis interações com tratamentos médicos. Algumas vezes, o açúcar e a gordura adicionados em chocolates comerciais podem não ser ideais para certos pacientes com câncer.

Referências:

  1. PORRO, Antonio. Cacau e chocolate: dos hieroglifos à cozinha ocidentel. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, v. 5, p. 279-284, 1997.
  2. MARTIN, Maria Angeles; GOYA, Luis; RAMOS, Sonia. Potential for preventive effects of cocoa and cocoa polyphenols in cancer. Food and chemical toxicology, v. 56, p. 336-351, 2013.

5 de Fevereiro – Dia do Dermatologista – A importância do dermatologista na prevenção e no diagnóstico do câncer de pele

Gabriel Peres
Dermatologista

CRM 150.185 | RQE 71.440

O dermatologista é o médico especialista no cuidado da pele, cabelos e unhas. Eles diagnosticam e tratam uma variedade de condições, como acne, eczemas, câncer de pele, lúpus, psoríase, entre outras. “No dia do dermatologista, homenageamos o especialista em cuidar do maior órgão do corpo, prevenindo, diagnosticando e tratando o câncer de pele e demais condições”, comenta o Dr Gabriel Peres, dermatologista especialista em câncer de pele.

Os cânceres de pele (não melanoma) são os tipos mais comuns de câncer e há dois tipos mais prevalentes: o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular, geralmente associados à exposição crônica ao sol.

Um outro tipo mais agressivo é o melanoma, também relacionado à exposição solar, mas que pode ocorrer em áreas não expostas. Fatores de risco incluem pele clara, histórico familiar e exposição prolongada ao sol, no padrão daquelas queimaduras solares agudas.

O diagnóstico precoce é crucial para um prognóstico favorável!

Dr. Gabriel compartilha um pouco sobre sua rotina: “Na prática, há pacientes que já me procuram por terem notado uma lesão específica ou acabo identificando lesões suspeitas no momento em que realizo o exame dermatológico e biopsiando lesões suspeitas”.

Consultar um dermatologista regularmente é fundamental para monitorar a saúde da pele. Realizando exames regulares, identificando lesões suspeitas e fornecendo orientações sobre proteção solar, o especialista contribui significativamente para a saúde cutânea e para detecção precoce de possíveis problemas.

 

 

Vacina de mRNA reduz pela metade risco de morte por melanoma avançado

O estudo da farmacêutica Moderna envolveu 157 pacientes que tinham melanoma estágio III/IV e que, antes de iniciar tratamento, fizeram a ressecção cirúrgica da lesão.

A vacina conhecida atualmente como mRNA-4157 tem a mesma tecnologia que algumas vacinas contra a COVID-19 e estima-se que possa estar disponível em 2025, em aprovação acelerada. Os pesquisadores planejam, também, ampliar a pesquisa para outros cânceres e já tem estudo em andamento para câncer de pulmão.

Ao contrário das vacinas convencionais, as chamadas vacinas terapêuticas tratam uma doença ao invés de a prevenir. Mas também atuam treinando o sistema imunológico contra o agente invasor.

O desenvolvimento da vacina começa com o sequenciamento do genoma do tumor de cada paciente e a identificação de mutações específicas a serem codificadas.

O anti-PD1, por sua vez, inibe a proteína PD1, levando a um maior acionamento das células T em reconhecer e eliminar células cancerígenas.

Após três anos de acompanhamento dos pacientes, foi visto que quem recebeu a vacina de mRNA + antiPD1 (pembrolizumabe) teve o risco de morte ou recidiva por melanoma (estágio III/IV) reduzido em 49% dos casos, quando comparado com antiPD1 isolado.

 

 

Senado aprova criação da Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no SUS

Foi aprovado ontem (08/11), no Senado, o Projeto de Lei n° 2952, de 2022, que institui a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) e o Programa Nacional de Navegação da Pessoa com Diagnóstico de Câncer. O PL altera a Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990 (Lei Orgânica da Saúde).

O projeto foi construído com a participação da sociedade, médicos, instituições, entidades sociais e parlamentares e visa a criação de uma política com medidas nas áreas de informação, prevenção, promoção da saúde, rastreamento, diagnóstico, tratamento, atenção multidisciplinar, incorporação de medicamentos, reabilitação e cuidado paliativo.

Essa aprovação cria um novo marco para o tratamento do câncer pelo sistema público de saúde do país. O PL ainda precisa ser votado no plenário, o que deve ocorrer ainda neste mês de novembro e em seguida ser encaminhado para sanção presidencial.

O substitutivo aprovado contou as seguintes modificações:

* No parágrafo único do Art. 2º, estabeleceu que além de ter acesso ao cuidado integral a prevenção, o rastreamento, a detecção precoce, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e os cuidados paliativos, os pacientes e seus familiares tenham apoio psicológico;

* Outra alteração foi no inciso I do Art.3º, definindo que é preciso entender que o câncer é uma doença prevenível em alguns casos, mas ainda carecem de dados para afirmar isso para todos os casos de câncer. Por isso, a fim de que o texto não traga uma informação imprecisa, o relator alterou a frase para se alinhar com o que vem sendo usado por organizações de todo o mundo em um movimento global pelo reconhecimento do ’câncer como doença que pode ser prevenível, curável, tratável e controlável, sempre havendo esperança para os pacientes’;

* Ainda no Art. 3º, foi alterado o inciso VIII, para incluir que a utilização, de forma integrada, dos dados e das informações epidemiológicas e assistenciais, para o planejamento, monitoramento e avaliação das ações e serviços para a prevenção e o controle do câncer sejam coletadas por meio dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC) e por outras fontes disponíveis. No inciso XV do mesmo artigo, foi incluída a atenção primária na qualificação da assistência por meio da educação permanente dos profissionais envolvidos com o controle do câncer nas redes de atenção à saúde nos diferentes níveis de atenção. Já o inciso XVIII do Art.3º, foi alterado para garantir também o apoio psicológico aos familiares e melhor tratamento aos cuidadores e equipes de saúde;

* No parágrafo único do Artigo 4º foi inserida a possibilidade de consulta de posição em fila de espera para a realização transplante. O texto inicial contemplava apenas consultas, procedimentos de diagnóstico ou tratamento;

* Foi alterado, ainda, o Art. 7º, para evitar dar total liberdade ao médico para prescrever tratamentos que não necessariamente são os melhores, inclusive medicamentos que não estejam nos protocolos do Ministério da Saúde, que possam inclusive acarretar no aumento da judicialização. Assim, ele estabeleceu que também serão princípios e diretrizes para o rastreamento e o diagnóstico da doença, a elaboração e implementação de estratégias para garantir o diagnóstico e o acesso ao tratamento mais adequado para os pacientes, em tempo oportuno, conforme definido na Lei nº 12.732, de 22 de novembro de 2012, que trata sobre o primeiro tratamento de paciente com neoplasia maligna comprovada e estabelece prazo para seu início;

* Também foi alterado o artigo 10º, para dar alternativas para incorporação de medicamentos e tratamentos, priorizando a compra centralizada pelo Ministério em determinadas situações como nos tratamentos de alta complexidade ou alto custo, e nas neoplasias de maior incidência, de forma a garantir maior equidade e economicidade e admitindo a Autorização de Procedimento Ambulatorial de Alta Complexidade (APAC) em outros;

* Inseriu-se, ainda, novo inciso no Art. 12º, que define cuidados paliativos dos pacientes com câncer para incluir o acesso à terapia antiálgica, que é um ramo da anestesiologia que tem como objetivo reduzir e proporcionar o melhor controle da dor possível para que o indivíduo tenha melhor qualidade de vida.

Referências:

1. Projeto de Lei aprovado:

https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2308487&filename=Tramitacao-PL%202952/2022

 

Inteligência artificial e mamografia: o que podemos saber até o momento?

Estudo publicado esta semana na revista The Lancet Oncology demonstrou que a triagem de mamografia por inteligência artificial (IA) resultou em uma taxa de detecção de câncer semelhante em comparação com a leitura dupla padrão, com uma carga de trabalho de leitura menor. O desfecho primário foi taxa de câncer de intervalo, que é a taxa de câncer de mama diagnosticado no período entre mamografias.

Trata-se de estudo randomizado, controlado, que inclui mulheres com idade entre 40 e 80 anos elegíveis para rastreamento por mamografia (incluindo rastreamento geral com intervalos de 1,5 a 2 anos e rastreamento anual para aquelas com risco hereditário moderado de câncer de mama ou histórico de câncer de mama) em quatro locais de triagem na Suécia.

Até o momento temos os resultados da análise de segurança clínica, realizada após 80.000 mulheres terem sido inscritas. O acompanhamento está em andamento para avaliar o desfecho primário do estudo, a taxa de câncer de intervalo.

O alerta que fica é de uma evidência inicial, porém com grande número de pacientes avaliadas, o que aumenta a relevância de certa forma. Vale aguardarmos novos resultados para observar possíveis benefícios às pacientes e ao sistema de saúde em si.

 

CAR-T Cell: o início de um novo tratamento oncológico

M 158.05Há alguns dias, esteve em evidência na mídia o caso de um paciente com câncer há 13 anos que apresentou resposta ao tratamento com CAR-T Cell. Células CAR-T (linfócitos T com receptores antigênicos quiméricos), uma opção inovadora no tratamento de alguns tipos de cânceres, já está disponível no Brasil.

Os linfócitos são um dos tipos de glóbulos brancos do nosso sistema imune que reconhecem antígenos na superfície celular de agentes externos, infecciosos e tumorais, produzindo anticorpos para combater estes invasores e defender o nosso organismo. As células CAR-T são linfócitos retirados do próprio paciente, através da coleta por uma máquina de leucoaférese, que passam por um processo em laboratório de modificação genética que lhes confere a capacidade de, ao serem reintroduzidos no corpo do paciente, reconhecer e eliminar as células tumorais. É um tratamento que traz benefícios para os pacientes com respostas potencialmente duradouras e até mesmo curativas para doenças até então sem opções terapêuticas.

Há duas formas de CAR-T Cell no Brasil; o CAR-T farmacêutico comerciais e o CAR-T acadêmico.

Os CAR-T farmacêuticos foram aprovados pela Anvisa e são produzidos por empresas farmacêuticas que os comercializam. Atualmente são feitos para pacientes com linfoma não Hodgkin difuso de grandes células B e leucemia linfoblástica aguda B (LLA-B) recidivados ou refratários. Espera-se ainda a aprovação em breve de CAR-T para pacientes com outros tipos de linfoma não Hodgkin e com mieloma múltiplo. O custo da CAR-T comercial é alto, podendo chegar a R$ 2 milhões por paciente.

Os CAR-T acadêmicos estão sendo desenvolvidos em parceria do Butantã com a Universidade de São Paulo (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e de São Paulo) e o Hemocentro de Ribeirão Preto. São feitos para pacientes com linfomas não Hogkin B e LLA-B. Atualmente, são realizados em forma de uso compassivo, porém estão desenvolvendo um estudo clinico fase 1/2 a ser iniciado em breve. Este estudo estaria disponível para toda a população brasileira pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Essas novas terapias transformam a oncohematologia, conferindo um melhor prognóstico, expectativa e qualidade de vida aos pacientes. Com o tempo e o andamento das pesquisas saberemos melhor como trabalhar com essa estratégia promissora.

Estudo para vacina terapêutica contra câncer de pâncreas tem resultado promissor

As vacinas têm sido estudadas como uma forma de prevenir certos tipos de câncer, mas não são consideradas uma forma de tratamento para a maioria dos tipos de câncer. Ou seja, não há vacina disponível atualmente para o tratamento do câncer, mas existem várias vacinas terapêuticas em desenvolvimento que visam ajudar o sistema imunológico a combater o câncer. Essas vacinas são diferentes das vacinas que ajudam a prevenir doenças infecciosas, como o sarampo ou a gripe.

As vacinas terapêuticas para o câncer funcionam estimulando o sistema imunológico a atacar as células cancerosas. Elas podem ser feitas a partir das próprias células cancerosas do paciente, ou a partir de antígenos específicos encontrados em células cancerosas. As vacinas terapêuticas também podem ser combinadas com outros tratamentos contra o câncer, como quimioterapia e radioterapia.

No entanto, vale ressaltar que essas vacinas terapêuticas ainda estão em fase de pesquisa e desenvolvimento, e sua eficácia e segurança ainda precisam ser comprovadas por meio de estudos clínicos rigorosos.

Um recente estudo, publicado na Nature trouxe uma descoberta promissora. Há cerca de cinco anos um grupo de cientistas vem estudando uma vacina contra o câncer de pâncreas, um câncer notório por recidivas precoces em pacientes cujos tumores foram removidos. A rápida velocidade com que a doença frequentemente reaparece, poderia ser uma vantagem para os cientistas: eles rapidamente descobririam se a vacina funciona.

Pesquisadores do Memorial Sloan Kettering Cancer Center em Nova York, extraíram tumores de pacientes e enviaram amostras deles para a Alemanha. Lá, cientistas da BioNTech, empresa que produziu uma vacina contra a COVID-19 em conjunto com a Pfizer, analisaram a composição genética de proteínas na superfície das células cancerígenas.

A vacina provocou uma resposta imune em metade dos pacientes tratados no estudo. Usando esses dados genéticos, os cientistas da BioNTech produziram vacinas personalizadas projetadas para ensinar o sistema imunológico de cada paciente a atacar os tumores. Como as vacinas da COVID-19 da BioNTech, as vacinas contra o câncer dependiam do RNA mensageiro. Nesse caso, as vacinas instruíram as células dos pacientes a produzir algumas das mesmas proteínas encontradas em seus tumores ressecados, provocando uma resposta imune que seria útil contra células cancerígenas.

O estudo foi pequeno: apenas 16 pacientes receberam a vacina, parte de um regime de tratamento que também incluía quimioterapia e um medicamento destinado a impedir que os tumores escapassem das respostas imunes.

Ainda é um estudo preliminar e o custo pode ser uma grande barreira para que esses tipos de vacinas sejam mais amplamente utilizados. Mas o simples fato de os cientistas poderem criar, verificar a qualidade e distribuir vacinas personalizadas contra o câncer tão rapidamente – os pacientes começaram a receber as vacinas por via intravenosa cerca de nove semanas após a remoção dos tumores – é um sinal promissor.

 

 

Quais medicamentos oncológicos pedem uma atenção especial aos olhos?

O aumento dos casos de câncer e o rápido desenvolvimento de novos tratamentos oncológicos ressaltam a necessidade dos oncologistas e oftalmologistas trabalharem de forma multidisciplinar, identificando e manejando possíveis toxicidades oculares.

O amplo espectro de complicações oftálmicas induzidas por medicamentos oncológicos inclui distúrbios agudos e crônicos, reversíveis e irreversíveis. Complicações oftálmicas leves a moderadas são muito comuns e reversíveis após a interrupção do tratamento. Algumas toxicidades oculares importantes podem exigir uma redução da dose ou a descontinuação da medicação para prevenir a perda visual e preservar a qualidade de vida.

Abaixo alguns medicamentos oncológicos que podem causar efeitos colaterais nos olhos e requerem atenção especial durante o tratamento:

  1. Tamoxifeno: comumente usado para tratar o câncer de mama. Pode causar problemas oculares, incluindo catarata e retinopatia.
  2. 5-fluorouracil: pode causar efeitos colaterais oculares como olhos secos, irritação, vermelhidão, lacrimejamento, sensibilidade à luz e visão turva. Em casos raros, o 5-FU pode causar danos à córnea ou à retina, resultando em alterações na visão.
  3. Imatinibe: este medicamento é usado para tratar alguns tipos de neoplasias sólidas e hematológicas. Pode causar visão turva, diplopia (visão dupla) e edema palpebral.
  4. Paclitaxel: muito comumente utilizado no tratamento do câncer de mama, entre outros. Pode causar visão turva, mudanças na cor da visão e sensibilidade à luz.
  5. Cisplatina: medicamento usado para tratar diversos tipos de neoplasias, como pulmão, bexiga e colo de útero. Pode causar problemas oculares, incluindo catarata e diplopia.
  6. Enfortumabe vedotina: é um medicamento utilizado no tratamento de certos tipos de câncer, como bexiga. Os efeitos colaterais oculares mais comuns incluem visão turva, olhos secos, sensibilidade à luz, dor nos olhos e inflamação da conjuntiva.

Comunique-se com seu médico oncologista, é importante mantê-lo informado sobre quaisquer sintomas oculares que você possa estar enfrentando!

 

Abaixo algumas medidas simples e eficazes para otimizar os cuidados com os olhos durante o tratamento oncológico, evitando complicações mais graves:

1. Proteção contra a luz solar: Pacientes submetidos a quimioterapia e radioterapia podem ter a pele e os olhos mais sensíveis à luz solar. É importante usar óculos escuros e/ou chapéus para proteger seus olhos da exposição solar direta.

  1. Hidratação dos olhos: Alguns tratamentos oncológicos podem levar à secura ocular, o que pode causar desconforto e aumentar o risco de infecções oculares. Usar colírios lubrificantes pode ajudar.
  2. Atenção à higiene: a quimioterapia pode reduzir a imunidade do paciente, o que pode aumentar o risco de infecções oculares. Lavar as mãos regularmente e evitar tocar os olhos podem ajudar a prevenir a propagação de infecções.
  3. Exames oftalmológicos regulares: é importante realizar exames oftalmológicos regulares durante o tratamento oncológico para monitorar a saúde ocular e detectar precocemente quaisquer problemas que possam surgir.

    É essencial lembrar que cada paciente é único e que o tratamento oncológico pode afetar os olhos de maneiras diferentes em cada um. Por isso, é fundamental conversar com seus médicos oncologista e oftalmologista para desenvolver um plano de cuidados específico para suas necessidades.

    Referências:

1. Ali A, Shah AA, Jeang LJ, Fallgatter KS, George TJ, DeRemer DL. Emergence of ocular toxicities associated with novel anticancer therapeutics: What the oncologist needs to know. Cancer Treat Rev. 2022 Apr;105:102376. doi:               10.1016/j.ctrv.2022.102376. Epub 2022 Mar 12. PMID: 35303547.

2. Kunkler AL, Binkley EM, Mantopoulos D, Hendershot AJ, Ohr MP, Kendra KL, Davidorf FH, Cebulla CM. Known and novel ocular toxicities of biologics, targeted agents, and traditional chemotherapeutics. Graefes Arch Clin Exp Ophthalmol. 2019 Aug;257(8):1771-1781. doi: 10.1007/s00417-019-04337-8. Epub 2019 May 16. PMID: 31098752.

 

 

 

CHOCOLATE X CÂNCER – Vilão ou mocinho?

O chocolate é apreciado por pessoas de todo o mundo. É feito a partir dos grãos do cacaueiro e está disponível em várias formas, incluindo chocolate ao leite, chocolate amargo e chocolate branco. Embora não haja evidências definitivas de que o chocolate possa prevenir ou contribuir com o tratamento do câncer, alguns estudos sugerem que ele contenha certos componentes que podem trazer benefícios à saúde.

Um dos componentes mais promissores do chocolate são os flavonóides. Estes compostos naturais encontrados nos grãos demonstraram ter propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Os antioxidantes podem ajudar a proteger as células dos danos causados ​​pelos radicais livres, que, por sua vez, podem contribuir para o desenvolvimento do câncer. Já as propriedades anti-inflamatórias podem ajudar a reduzir a inflamação no corpo, o que também pode ser um fator no desenvolvimento do câncer.

Vários estudos sugeriram que os flavonóides do cacau podem ter um efeito protetor contra o câncer. Um estudo de 2015 publicado no Journal of Nutrition descobriu que os flavonóides do cacau podem inibir o crescimento de células cancerígenas e reduzir o risco de câncer. Outro estudo publicado na revista Cancer Prevention Research descobriu que consumir flavonóides de cacau pode reduzir o risco de câncer colorretal, reduzindo a inflamação no cólon. Uma meta-análise de 2022 observou relação inversamente proporcional entre consumo de chocolate e mortalidade por doença cardiovascular e câncer.

No entanto, é importante observar que esses estudos ainda são preliminares e são necessárias mais pesquisas para confirmar os benefícios potenciais. Além disso, a maioria dos produtos de chocolate contém outros ingredientes, como açúcar e leite, que podem ter efeitos adversos à saúde quando consumidos em excesso, levando à obesidade, inflamação e, assim, aumentando o risco de câncer e piorando desfechos em pacientes já em tratamento. Saliento aqui que nenhum alimento é capaz de causar câncer por si só, mas sim, a obesidade decorrente do abuso de açúcar, farinhas e consumo excessivo de calorias.

Dessa forma, é importante consumir chocolate com moderação como parte de uma dieta balanceada. Escolher o chocolate amargo com alto teor de cacau é uma opção melhor do que o chocolate ao leite ou o chocolate branco, pois contém mais flavonóides de cacau e menos açúcar. É importante lembrar que os pacientes com câncer devem consultar seu médico e nutricionista para desenvolver um plano nutricional personalizado que leve em consideração suas necessidades e preferências individuais.