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Câncer Gastrointestinal: Será que há algo novo?

Direto do Congresso Europeu em Barcelona

Terminou sábado, dia 23 de junho de 2018, o Congresso Mundial de Tumores Gastrointestinais, em Barcelona, na Espanha. Como resumo geral, foi um congresso muito mais voltado para a discussão de dados do que para apresentação de novos resultados.

Uma preocupação bastante evidente é com o contínuo aumento de custos em oncologia.  A ESMO fez grupos de trabalhos e tem tentado avaliar o real valor dos novos tratamentos, para emitir recomendações sobre a incorporação ou não na rotina. Isso ajuda a evitar a incorporação de tratamentos muito caros com benefícios práticos irrelevantes. No entanto, o que muito chama atenção é que nada tem sido discutido a respeito de precificação e mesmo da sustentabilidade do sistema; não se sabe o que fazer, por exemplo, com medicamentos muito caros e muito eficazes. Interessante avaliação foi apresentada, mostrando que os preços das novas drogas não se correlacionam com o valor e benefício que elas proporcionam.

Ressalto aqui a importância da formação de grupos como este no Brasil para avaliação de custo-efetividade dos medicamentos oncológicos e incorporação dos que realmente façam diferença na vida dos pacientes.

Seguem as principais mensagens deste Congresso por tipo de tumor:

Câncer de pâncreas: neste congresso se solidificaram alguns conhecimentos, como o uso de FOLFIRINOX (uma combinação de quimioterápicos) adjuvante, superando o uso de gemcitabina. A associação de quimioterapia com radioterapia neoadjuvantes demonstrou importante valor também. Mas nenhum novo medicamento surgiu.

Câncer colorretal: mais discussões foram feitas sobre a importância da lateralidade e da seleção de pacientes por meio da avaliação de mutações RAS e BRAF (testes feitos com amostras do tumor), mas ainda sem papel para avaliações mais amplas, como usando NGS (testes genéticos que avaliam múltiplas mutações genéticas simultâneas).

Uma nova droga com grande potencial foi apresentada, CEA-TBC. É um anticorpo monoclonal, com duas terminações. Uma anti-CEA e outra com ligação em linfócitos, misturando conceitos de terapia-alvo com imunoterapia. Cabe esperar resultados concretos.

Câncer de reto e de esôfago: tem aumentado a proporção de colegas que têm sugerido o acompanhamento vigiado, sem cirurgia, em pacientes com resposta clínica completa aos tratamentos neoadjuvantes (combinação de quimioterapia e radioterapia). E os resultados dos estudos parecem mostrar que realmente é seguro. Muito esforço tem sido colocado para transformar os tumores gastrointestinais em doenças mais responsivas à imunoterapia. Combinação com algumas terapias-alvo que tornariam os tumores mais imunogênicos estão sendo tentadas, mas ainda com resultados fracos.

Enfim, este é um dos bons congressos em tumores gastrointestinais, pois não foca somente em inovação, mas também na reflexão sobre como médicos estão tratando seus pacientes, apresentando dados do dia-a-dia, com visão crítica dos protocolos de tratamento usados.

Câncer Urotelial e Câncer de Ureter: o que há de novo?

Simpósio Americano de Câncer Geniturinário

Resumo do dia 9/2/2018

Hoje foi o segundo dia de evento.

Dia de discussões sobre câncer de bexiga, testiculo e pênis.

As principais apresentações foram a respeito de imunoterapia em câncer urotelial. Com resultados mostrando que nem todas as drogas anti-PDL1 e anti-PD1 são iguais, a eficácia do pembrolizumabe em pacientes que progrediram após uso de quimioterapia foi reafirmada, com seguimento de dois anos.

A chance dos pacientes estarem vivos após dois anos dobrou, em comparação ao uso de outros quimioterápicos convencionais.

o atezolizumabe mostrou pouca diferença dos tratamentos convencionais.

Há uma intensa busca de biomarcadores que possam identificar quem eventualmente pode se beneficiar dessa droga.

Outro ponto interessante foram a comprovação de que quimioterapia pós-operatória em câncer de ureter ou pelve renal aumenta as chances de cura. Pela primeira vez se mostraram bons resultados nesses casos.

Amanhã será dia de câncer renal. E de minha apresentação também.

Câncer de Próstata: novidades no tratamento.

Simpósio Americano de Câncer Geniturinário

Resumo do dia 8/2/2018

O dia de hoje foi todo voltado às atualizações em câncer de próstata.

Pela manhã houve discussões a respeito das maiores controvérsias a respeito do diagnóstico, tratamento da doença localizada e metastática. Muito se fala sobre a necessidade ou não do tratamento cirúrgico da próstata na doença metastática e incurável. Também da importância das avaliações genéticas e moleculares da doença para se definir a melhor estratégia de tratamento (com cirurgia, radioterapia, hormonioterapia).  Alguns trabalhos iniciais sobre imunoterapia foram discutidos, mas sem nenhum resultado prático na nossa realidade.

No período da tarde foram apresentados alguns resultados de novos estudos clínicos. Dois deles, muito importantes, demonstraram que o uso de novos medicamentos hormonais melhoram o prognóstico de pacientes com câncer de próstata não metastático mas que estão apresentando elevação de PSA após bloqueio hormonal simples.

Com o uso de enzalutamida ou de apalutamida, o tempo médio para aparecimento de metástases nesses pacientes foi de 1 ano para 3 anos. Isso mantendo boa qualidade de vida. Os efeitos colaterais desses medicamentos não são significativos, e o custo do tratamento é o principal problema, já que a terapia é por via oral, e contínua.

Ao fim do dia foram discutidos casos clínicos com controvérsias relevantes para o dia a dia dos urologistas e oncologistas.

Amanhã e sábado tem mais apresentações importantes, sobre câncer de bexiga, rim, testículo e pênis.

Orientações Práticas durante o Tratamento do Câncer.

Orientações Práticas durante o tratamento do câncer.

Alimentação

Não há necessidade de grandes modificações na alimentação. No entanto, o paciente deve incluir nas refeições diárias frutas, verduras, cereais, carnes, para que possa obter todos os nutrientes de que o organismo precisa. É importante que o paciente esteja sempre bem alimentado, para ter melhores condições de reagir aos efeitos colaterais, ficando também menos predisposto a infecções. Em geral não é necessária suplementação vitamínica, que deve ficar a critério do médico oncologista.

Bebidas alcoólicas

Devem ser evitadas, tendo em vista que o álcool pode interagir com os medicamentos utilizados no tratamento, podendo reduzir os efeitos esperados, e aumentando efeitos colaterais.

Atividades físicas

Durante o período de tratamento não há contra-indicação à prática de exercícios físicos ou modalidades esportivas. Porém, o indivíduo pode ficar menos disposto. Por esta razão, o paciente deve estar atento para não exagerar e forçar suas condições físicas.

Trabalho

A maioria dos pacientes pode e deve continuar trabalhando durante o tratamento. Não há indicação para que as atividades habituais sejam paralisadas, a menos que sejam bastante pesadas e exijam muita condição física. Na maioria das vezes o paciente precisa apenas ajustar o dias das sessões de tratamento e os dias em que os efeitos colaterais estejam mais fortes, para que possa entrar em acordo e ser dispensado do trabalho.

Relações sexuais

A quimioterapia, para muitos pacientes, provoca tensões físicas e emocionais que podem estar ligadas não só aos efeitos colaterais, como também às mudanças no ritmo de vida, alimentação e trabalho, além de ansiedades em relação ao futuro, à saúde e à família. Todos esses aspectos juntos podem contribuir para que haja uma diminuição no interesse sexual.

No entanto, é importante que o paciente saiba que a quimioterapia não o impede de manter relações sexuais normalmente.

Ciclo menstrual

As drogas utilizadas na quimioterapia podem reduzir temporariamente a produção de hormônios, provocando em algumas mulheres alteração do ciclo menstrual. A quantidade de sangramento pode ser alterada, e às vezes pode ocorrer interrupção completa da menstruação. Geralmente, após o término do tratamento, o ciclo menstrual vai voltando ao seu funcionamento normal.

Gravidez

Durante o período de quimioterapia a gravidez deve ser evitada, já que as drogas usadas podem causar riscos na formação do bebê. É importante pedir orientação ao médico sobre o melhor método de anticoncepção a ser usado durante o tratamento.

Uso de outros medicamentos

Alguns medicamentos, mesmo os homeopáticos. “alternativos” e “naturais”, podem interferir no tratamento quimioterápico. Por isso, o médico deve ser sempre consultado antes de o paciente fazer uso de qualquer medicamento.

Sintomas que merecem cuidados imediatos

Caso o paciente apresente algum sintoma novo que o incomode, ou ainda um dos sintomas relacionados abaixo, deve procurar orientação médica, o mais rápido possível.

  • febre (temperatura igual ou maior que 38 graus)
  • falta de ar ou dificuldade respiratória
  • dificuldade de controlar a urina
  • dificuldade na visão (dupla ou borrada)
  • dor de localização ou intensidade anormal
  • sangramento em qualquer região, que persista por tempo mais prolongado

 

 

Dúvidas sobre o uso de quimioterapia em pacientes com câncer

  1. O que é quimioterapia?

Em medicina, chama-se de “quimioterapia antineoplásica” o tratamento com a utilização de medicamentos cuja função é atuar nas células dos tumores, visando destruí-las, ou impedindo seu crescimento, ou aliviando os sintomas causados pelo desenvolvimento do tumor.
A quimioterapia pode ser indicada antes ou após uma cirurgia, ou ainda isoladamente, sem que haja indicação cirúrgica. Pode, ainda, ser feita em conjunto com outros tipos de tratamento, como a radioterapia e a imunoterapia. A indicação do tipo de tratamento a ser feito depende de vários fatores, como o tipo de tumor, localização e estágio da doença.
A quimioterapia interfere nas células anormais do câncer, impedindo o seu crescimento e multiplicação desordenados.

Como é feito o tratamento?

Existem várias maneiras de se administrar a quimioterapia: através da veia, por meio de soro; por via oral, através de comprimidos; ou através de injeções intramusculares ou de formas subcutâneas.

Durante a aplicação do soro na veia geralmente não são observados sintomas. Porém, é importante que quando receba o medicamento o paciente mantenha-se bem posicionado, para evitar vazamentos. Caso o paciente perceba alguma alteração no momento da aplicação, deve comunicar imediatamente a equipe de enfermagem ou o médico responsável.

Na maioria das vezes não é preciso que o paciente fique internado para fazer a quimioterapia. Geralmente, ela é feita numa sala especial, dentro do próprio ambulatório onde são feitas as consultas com o médico oncologista.

  1. Tempo de duração do tratamento

O tratamento quimioterápico é planejado, entre outros aspectos, de acordo com o tipo de tumor e o estágio da doença. A partir destes dados são definidos os tipos de medicamentos e as doses a serem utilizadas.
As aplicações podem ser diárias, semanais, mensais, obedecendo aos intervalos programados pelo médico. Durante o período de tratamento é feito um acompanhamento das condições do organismo através de exames de sangue. A maneira de o organismo reagir às drogas utilizadas é um dos fatores importantes na determinação do intervalo e da duração do tratamento.
A quimioterapia é feita sempre de acordo com uma programação, que deve ser discutida com o médico, quando o tratamento será iniciado. A duração desse tratamento pode depender, entre outras coisas, da resposta do tumor às drogas utilizadas.

  1. Reações desagradáveis da quimioterapia

As drogas quimioterápicas têm a vantagem de se distribuir por todos os locais do corpo, atingindo, desta forma, todas as células que estão com problemas. No entanto, células normais também são atingidas, podendo provocar alguns sintomas, que são chamados de efeitos colaterais.
Estes efeitos não são obrigatoriamente apresentados por todas as pessoas que fazem quimioterapia, uma vez que dependem tanto do tipo de drogas utilizadas quanto da forma que o organismo responde ao tratamento. Assim, alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais mais severos enquanto outros podem mesmo não apresentar sintoma algum. De uma forma ou de outra, o médico deve sempre ser informado sobre os sintomas apresentados e seu tempo de duração.
De um modo geral, a maioria desses sintomas desaparece à medida que o paciente vai se distanciando do final das últimas sessões. Dentre as alterações mais comumente apresentadas, destacamos:

Náuseas e Vômitos

São sintomas muito desagradáveis, descritos por muitos pacientes como “piores do que dor”. Pode ser a principal causa de queda de qualidade de vida relacionada ao tratamento. A náusea e/ou o vômito ocorrem em 40% a 70% dos pacientes com câncer.
Estes efeitos aparecem porque a quimioterapia pode causar irritação nas paredes do estômago e intestino provocando enjôos e vômitos. Ela pode também agir diretamente em áreas do cérebro sensíveis, responsáveis por detectar intoxicações em geral – chamados de “centros do vômito”.
Esses sintomas, quando associados apenas à quimioterapia, ocorrem principalmente no dia da infusão, podendo se prolongar por até 4 dias. A intensidade varia de acordo com o organismo do paciente e com o tipo de quimioterapia utilizada. Vários medicamentos foram lançados nos últimos anos para ajudar no controle da náusea e do vômito, após a quimioterapia. O médico responsável pelo tratamento deve prescrever os medicamentos mais apropriados para o tipo de quimioterapia que está sendo feita.

Algumas mudanças nos hábitos diários e na alimentação também auxiliam o paciente no combate desses sintomas, tais como:

  • preferir alimentos com rápida digestão
  • não encher o estômago de uma só vez, preferindo fazer várias alimentações ao dia, em pequenas quantidades
  • evitar alimentos gordurosos e frituras
  • comer devagar, mastigando bem os alimentos
  • preferir alimentos frios, gelados, ou em temperatura ambiente
  • evitar odores fortes
  • procurar não exercer atividades que exijam esforço físico
  • procurar vestir roupas leves
  • Feridas na boca
  • Alguns quimioterápicos podem provocar aparecimento de aftas, irritação nas gengivas, na garganta e até feridas na boca. Isso pode causar muita dor e ainda dificultar a alimentação. Algumas medidas podem ser seguidas, nestes casos:
  • manter a boca sempre limpa, escovando os dentes com maior freqüência
  • evitar ingerir alimentos duros, quentes, ácidos e condimentados
  • procurar usar cremes dentais mais suaves, fazendo bochechos quando necessário com produtos indicados pelo médico
  • ingerir maior quantidade de líquidos (água, chás e sucos)
  • Febre
  • Alguns dias após a quimioterapia, há uma diminuição temporária das defesas do organismo, que fica predisposto a contrair mais facilmente infecções por vírus, bactérias e fungos. A febre é um sinal de alerta para a existência de infecções no organismo.

Alguns dias após a quimioterapia, há uma diminuição temporária das defesas do organismo, que fica predisposto a contrair mais facilmente infecções por vírus, bactérias e fungos. A febre é um sinal de alerta para a existência de infecções no organismo.

Nesta situação, o médico deve ser imediatamente avisado, para que possa iniciar o tratamento adequado. O risco de infecções mais graves, pelo fato de o paciente estar com a imunidade comprometida é muito maior.

Diarréia

Algumas drogas quimioterápicas podem causar diarréia em maior ou menor intensidade, dependendo da reação do organismo. Se ela persistir por mais de 24 horas, o paciente deverá obter orientação médica. Nos casos menos intensos, algumas medidas podem ajudar:

  • procurar manter uma alimentação mais líquida (chás, água e sucos)
  • evitar tomar leite e derivados
  • procurar fazer pequenas refeições, evitando alimentos gordurosos e frituras

Queda de cabelo

Nem toda a quimioterapia está associada a este efeito. Mas alguns medicamentos atingem o crescimento e a multiplicação das células que dão origem ao cabelo, podendo provocar a queda de cabelos, de forma total ou parcial. Não se pode prever exatamente como e em que proporção os cabelos serão afetados, porém é importante lembrar que a queda é geralmente temporária; o processo de nascimento do cabelo se reinicia logo após o término da quimioterapia, e em alguns casos, ainda durante a quimioterapia. Nesta fase, alguns pacientes preferem cortar os cabelos antes, como uma forma para se preparar para o processo da queda. Outros esperam que os cabelos comecem a cair, para então tomar a decisão de cortar e/ou usar um artifício como boné, lenço ou peruca.
Alterações da pele e unhas

Dependendo do tipo de quimioterapia, o paciente pode apresentar alterações na pele, como vermelhidão, coceira, descamação, ressecamento e manchas. As unhas também podem apresentar escurecimento e rachaduras.
Alguns desses efeitos podem ser amenizados pelo próprio paciente, que deverá manter a pele limpa, fazer uso de hidratantes, evitando a exposição ao sol. O médico é ainda a pessoa mais apropriada para indicar os cuidados e medicamentos que podem ser utilizados. Geralmente as alterações desaparecem após algum tempo do tratamento.

Entendendo o Câncer de Testículo

16 de agosto de 2017

O câncer de testículo é raro, e representa menos de 1% de todos os cânceres no mundo. No entanto, é o tipo de câncer mais comum em homens entre 20 e 35 anos. Por isso, temos alguns exemplos conhecidos, em atletas como Louis Armstrong (ex-ciclista) e Nenê Hilário (jogador de basquete da NBA), já curados, além do atual jogador de futebol Ederson.
Segundo informações publicadas, o atual camisa 10 do Flamengo foi submetido a uma cirurgia para retirada do testículo com o tumor, e iniciará tratamentos com quimioterapia. As chances de cura são muito grandes, e é esperado que Ederson volte a jogar futebol profissionalmente em breve, sem nenhuma sequela.

Quando está localizado apenas no testículo, às vezes apenas a cirurgia pode já curar. A quimioterapia pode ser indicada para aumentar as chances de cura em casos de risco mais elevado.
No entanto, é comum que a doença esteja mais espalhada pelo corpo, quando o diagnóstico é feito. Mas o câncer de testículo é um dos tipos de neoplasias com maior chance de cura, mesmo em estágios mais avançados. A quimioterapia é agressiva, mas proporciona chances de cura que ultrapassa os 90%. Assim, as pesquisas mais atuais além de tentar melhorar um pouco mais as chances de cura têm também avaliado formas menos tóxicas de tratamento, com intenção de melhorar a qualidade de vida dos homens durante e após o tratamento.

Não existe nenhum tipo de rastreamento populacional recomendado para os jovens. No entanto, exames anti-doping têm feito esse rastreamento de forma involuntária, em atletas profissionais. A dosagem do beta-HCG (gonadotrofina coriônica humana) é feita de rotina na maioria das competições, pois têm-se utilizado a injeção desse hormônio para aumentar a produção de testosterona, ou para evitar a atrofia do testículo quando um esteróide anabolizante é inserido no corpo do homem. O beta-HCG é um hormônio naturalmente produzido durante a gravidez, sendo feito pelo embrião logo depois da concepção e depois por uma parte da placenta. Por isso, a dosagem do beta-HCG é usada na maioria das vezes como teste de gravidez. O betya-HCG pode também ser produzido pelo câncer de testículo. Assim, um exame anti-doping positivo para este hormônio pode ser indicativo de um tumor em estádio inicial.

Por que os diagnósticos de câncer colorretal são tardios?

O termo câncer colorretal representa os tumores do intestino grosso. É uma doença nas quais as células do revestimento do cólon ou do reto param de funcionar adequadamente e começam a se multiplicar sem controle.

 

O câncer colorretal é curável se diagnosticado precocemente. No entanto, vemos no Brasil um pouco mais de 30.000 casos novo por ano, e temos aproximadamente 15.000 mortes anuais por esta doença. Ou seja, cerca de metade dos pacientes diagnosticados com o câncer colorretal morrerão por causa dele.

 

A maioria desses tumores se originam em pólipos, que são pequenas lesões benignas que podem crescer na parede interna do intestino grosso. Alguns tipos de pólipos eventualmente se tornam cancerosos, com o passar de alguns anos. A melhor maneira de se prevenir o aparecimento seria a detecção e a remoção dos pólipos antes deles se tornarem malignos.

 

Um exame chamado colonoscopia é usado para fazer o diagnóstico do câncer colorretal. Mas ele também pode ser usado para descobrir a presença de pólipos, e fazer a sua retirada. Neste caso, o exame é mesmo preventivo, pois pode tratar lesões benignas, ou pré-malignas, antes delas se transformarem em câncer propriamente dito.

 

A maioria dos diagnósticos hoje no Brasil ocorre tardiamente, pela falta da disseminação da colonoscopia como método de rastreamento e prevenção. Nesses casos, os pacientes se apresentam já com sintomas, ou relacionados à obstrução do intestino (constipação intestinal ou mesmo diarreia), ou a sangramento (presença de sangue nas fezes, ou apenas anemia sem causa aparente). Nesses casos a doença já pode estar disseminada para outros órgãos, o que dificulta o tratamento e diminui as chances de cura.

A colonoscopia é pouco utilizada na prática médica porque apesar de salvar vidas é um exame relativamente caro, além de desconfortável e invasivo.

 

Uma das maneiras para diminuir o impacto negativo do exame seria indica-lo apenas em pacientes com maior risco de problemas intestinais. Neste caso, uma pesquisa de sangue oculto nas fezes poderia ser feita para checar se existe sangue não visível, relacionado à presença de pólipos ou câncer.

 

Nem sempre pólipos apresentam sangramento, mas especialmente no contexto de saúde pública, a pesquisa de sangue oculto poderia selecionar as pessoas mais predispostas à doença.

 

Independentemente do exame a ser feito, pela alta incidência da doença, é fundamental a realização de algum tipo de rastreamento, especialmente em pessoas com mais de 50 anos. Ou em pessoas mais jovens, mas com história de familiares com câncer colorretal.

 

É possível fazer diagnóstico precoce e salvar muitas vidas. Consulte seu médico regularmente, solicite exames preventivos e ajude a mudar as estatísticas você também!

O que vimos no ASCO 2017 até agora!

Trouxemos aqui um diário sobre o que estamos acompanhando no ASCO 2017 ao longo destes dias.  Tomei a iniciativa de fazer um breve resumo.

Antes mesmo de começar a expectativa era de que, com os recentes anúncios de Trump, o debate permearia temas políticos, além de dados e estudos que poderiam mudar de forma imediata o tratamento realizado com alguns pacientes, deixei tudo registrado neste post.

A abertura, como citei aqui, foi inspiradora! Daniel Hayes, presidente da sociedade americana, falou brevemente sobre o corte orçamentário proposto pelo presidente Trump. Mas, principalmente, a proposta foi chamar todos para participar da solução dos problemas. Todos podem fazer a diferença e esta foi sua principal mensagem

A Dra. Vivian ainda falou neste outro post sobre a palestra também inspiradora e comovente do Dr. Siddartha Mukherjee, autor do best seller “O imperador de todos os males, uma biografia do câncer”. Em sua palestra ele fala sobre o tratamento humanizado que todo paciente necessita e merece, em suas palavras, devemos nos importar de forma intensa e genuína com o problema que temos junto com cada um de nossos doentes.

Hoje, dois estudos foram apresentados demonstrando que o uso precoce de Abiraterona em pacientes com câncer de próstata metastático faz com que o risco de progressão da doença diminua em mais de 70% e a sua expectativa de vida alcançar níveis sem precedentes. Detalhei a apresentação neste post.

Vamos trazer mais informações ao longo dos dias para vocês, acompanhem aqui no site e no facebook.

Estudos do uso de Abiraterona foram apresentados no ASCO 2017

Uso mais  precoce de Abiraterona em pacientes com câncer de próstata metastático faz a sua expectativa de vida alcançar níveis sem precedentes.
Dois estudos foram apresentados  no ASCO 2017 Meeting, avaliando se o uso de Abiraterona poderia ser benéfico a pacientes que fizeram diagnóstico de câncer de próstata metastático.
Até hoje, a Abiraterona vinha sendo usada tardiamente, em pacientes nos quais sua doença não era mais controlada com terapia hormonal convencional (supressão de testosterona).
Mas os dois estudos apresentados, de nome LATITIDE e STANPEDE – um deles na sessão plenária principal do congresso – demonstraram que em pacientes que acabaram de diagnosticar doença metastática, o uso concomitante de abiraterona à supressão de testosterona prolongou o tempo médio de controle da doença em aproximadamente 18 meses. E o risco de progressão da doença diminuiu em mais de 70%.
A expectativa de vida também melhorou, com diminuição de risco de morte por câncer de 37% em um estudo e 38% no outro.
A qualidade de vida dos pacientes tratados foi preservada, com efeitos colaterais pouco relevantes.
Estes resultados mostram um avanço impressionante no tratamento do câncer de próstata metastático, nos quais a cura não é mais possível. O controle de doença a longo prazo era um desafio, ainda mais mantendo uma boa qualidade de vida, sem precisar usar quimioterapia ou tratamentos mais agressivos.
A Abiraterona é um medicamento oral, usado continuamente, e também atua na via hormonal para controlar o câncer de próstata.
Agora o desafio será dar acesso à população, pois o custo da Abiraterona é alto, mesmo para planos de saúde, e não disponível no SUS.

Todos podem ajudar! Essa foi a mensagem central da abertura do ASCO 2017

Inspiradora. Assim considerei a apresentação de abertura do 2017 ASCO Meeting, feita pelo presidente da sociedade americana, Daniel Hayes.
Com o tema do congresso “Making a Difference in Cancer Care *WITH YOU*” (fazendo a diferença no tratamento do câncer *COM VOCÊ*), a proposta foi chamar todos para participar da solução dos problemas.
Houve um breve momento de protesto contra o corte orçamentário proposto pelo presidente Trump. Mas Dr. Hayes lembrou a famosa frase de Kennedy, “Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer por seu país”. E convocou a todos a pressionarem congressistas para criar uma legislação mais favorável aos cuidados dos pacientes com câncer, mas também a participaram com mais responsabilidade com iniciativas da própria ASCO. A ideia é que cada voz pode fazer diferença, e também de que cada dólar doado pode ajudar a financiar pesquisas e inovações.
Dr. Hayes ainda ressaltou que apesar de estarmos longe de curar todos os tipos de câncer, já conseguimos curar uma razoável parcela de pacientes. E essa evolução se deu por dedicação de pesquisadores, por compreensão científica e pela participação de pacientes em pesquisas clínicas bem planejadas.
A mensagem que fica é que, cada pessoa pode dar sua contribuição. Seja com trabalho, com voluntariado, com doações em dinheiro para pesquisas, com divulgação científica, com pressão para políticos legislarem de maneira mais responsável… Todos podem ajudar. E fazer a diferença.
E apesar de ser um congresso nos EUA, o discurso é completamente apropriado para nossa realidade no Brasil.

Dr. André Sasse