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Cartilha: Orientações sobre o manejo e consumo de alimentos para pacientes em quimioterapia

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Você conhece o papel do farmacêutico oncológico?

Natália Aimee Camargo D’Angelo, farmacêutica e
responsável técnica do Instituto do Radium

 

O farmacêutico é geralmente aquele indivíduo que fica escondido dentro de sua sala; o guardião anônimo dos medicamentos. Somos incógnitos, mas somos importantes!

Junto aos outros profissionais, como enfermeiros, psicólogos, dentistas, nutricionistas e outros, formamos uma equipe que se complementa e tem como único objetivo o cuidado. O farmacêutico oncologista é uma peça fundamental nesse cuidado. Temos a incrível missão de guardar, manipular e entregar o que pode ser a cura do paciente. É de grande importância que o profissional tenha um amplo conhecimento sobre os diversos protocolos de tratamento antineoplásico e as particularidades de cada medicamento que os compõe. Assim, ele deve estar sempre se atualizando e em constante aprendizado.

Como profissionais do medicamento, somos responsáveis por identificar as interações que podem existir entre todos aqueles que o paciente faz uso contínuo e prévio (como medicamentos para diabetes ou pressão alta) e aqueles do tratamento oncológico. Por isso tente sempre ter em mente o nome de todos os medicamentos que você utiliza e nunca esconda nenhuma informação, mesmo que seja sobre fitoterápicos ou suplementos. Sempre siga as instruções do farmacêutico sobre como tomar ou como armazenar o medicamento e sobre como manejar efeitos adversos. Tome comprimidos e cápsulas sempre com bastante água e nunca com outros líquidos como café, refrigerante ou sucos (a não ser em casos de orientação específica).

Muitos medicamentos por via oral para tratamento de câncer devem ser tomados no mesmo horário todos os dias. Portanto, use de artifícios para se lembrar do horário. Existem diversos aplicativos que podem ajudar, assim como o uso de alarmes. Caso o paciente faça uso de medicamentos em comprimidos ou cápsulas e seja necessário descarte, sempre devolva para a instituição ou descarte em local próprio. Muitas drogarias possuem um serviço de coleta de medicamentos vencidos.

Em caso de dúvida, seja sobre eventos adversos do tratamento ou a respeito do uso de qualquer medicamento, seja fitoterápico, vitaminas ou outros tratamentos, consulte o farmacêutico e nunca tome decisões baseadas em opinião de pessoas leigas, pode ser prejudicial para sua saúde! Somos capazes de tirar muitas dúvidas, por isso não tenha vergonha de nos procurar.

Hoje em dia, o farmacêutico é um rosto muito mais conhecido nas clínicas e hospitais. Existe um grande movimento para a implantação da farmácia clínica, na qual o paciente tem uma consulta com o farmacêutico e são abordados todos os medicamentos em uso, suas possíveis interações, eventos adversos ou qualquer outro problema que possa ser relacionado ao tratamento. Essa aproximação do paciente com o farmacêutico é muito interessante e traz grandes benefícios para o cuidado já que o paciente, ao confiar no farmacêutico, levanta diversos problemas que são identificados e manejados logo no início, não se tornando problemas mais graves.

Podemos ser fonte de informação, mas também podemos ser uma fonte de carinho. Conte sempre conosco!

Sobre o câncer de pele de Vanderlei Luxemburgo e o Dezembro Laranja

Desde a última semana circula uma notícia sobre o diagnóstico de um câncer de pele do técnico do Vasco, Vanderlei Luxemburgo. Dentre várias informações desencontradas, alguns esclarecimentos são necessários.

Primeiramente, pelos dados disponíveis, não se sabe ao certo qual o tipo de câncer de pele identificado em Luxemburgo. O que foi divulgado é que foi realizada uma biópsia de uma lesão nasal e que o resultado revelou um câncer de pele. Além disso, há descrição de que será feito um procedimento de extração da lesão de forma completa.

O câncer de pele compreende alguns tipos de tumores com comportamentos bastante distintos. O mais comum, de longe, é o carcinoma basocelular (CBC), que corresponde a aproximadamente 30% de todos os cânceres no Brasil. Muitas vezes, inclusive, o CBC não é computado nas estatísticas, em função do seu comportamento pouco agressivo e sua alta taxa de cura. O tratamento do CBC, na enorme maioria das vezes, é cirúrgico, sendo a radioterapia e os tratamentos medicamentosos reservados para casos muito específicos e raros.

O outro tipo de tumor maligno de pele, menos comum, é o melanoma. Este pode, sim, ter um comportamento mais agressivo, porém, quando diagnosticado precocemente e operado, também apresenta taxas de cura próximas dos 90%. Quando o tumor se espalha, porém, o prognóstico torna-se pior e tratamentos medicamentosos são necessários.

O fato é que esses dois tipos de tumor de pele têm como principal fator de risco a exposição solar crônica, ainda mais quando não há proteção adequada. E esse assunto é o motivo do Dezembro Laranja, campanha que começa junto com o mês do início do verão, e serve para conscientizar a população dos riscos de abusar do sol.

Medidas simples fazem toda a diferença na prevenção (e também ajudam contra o envelhecimento). Devemos sempre lembrar de passar protetor solar diariamente, mesmo que você não fique diretamente exposto ao sol, usar chapéus/bonés e óculos escuros com proteção ultravioleta e evitar exposição solar das 10 às 16 horas, quando os raios ultravioleta se concentram e podem causar mais dano à pele. Não só isso, para identificar precocemente possíveis tumores, devemos ficar atentos às lesões de pele. Manchas ou pintas novas ou que mudam de aspecto (cor ou forma), crescem, sangram ou coçam são situações que devem ligar o alerta.

De qualquer maneira, na suspeita ou na dúvida, procure um dermatologista e aproveite a estação mais divertida do ano com segurança. E, em caso de diagnóstico como o de Vanderlei Luxemburgo, lembre-se que são tumores tratáveis e, muitas vezes, pouco agressivos.

 

Referências:

https://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/luxemburgo-confirma-conversas-para-renovacao-com-o-vasco-e-fala-do-cancer-nao-e-nada-de-grave.ghtml

https://www.terra.com.br/esportes/vasco/vanderlei-luxemburgo-fala-sobre-cancer-de-pele-pela-primeira-vez,92bf38fa66eee3515d96b8b4e8ee0aecr62jgfmw.html

https://www.bonde.com.br/saude/corpo-e-mente/especialista-explica-cancer-de-pele-do-tecnico-vanderlei-luxemburgo-508381.html

https://globoesporte.globo.com/futebol/times/vasco/noticia/vanderlei-luxemburgo-tecnico-do-vasco-tem-cancer-de-pele-diagnosticado.ghtml

https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/cancer-da-pele/64/

https://gco.iarc.fr/today/data/factsheets/cancers/17-Non-melanoma-skin-cancer-fact-sheet.pdf

https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-pele-nao-melanoma

Uma nova tecnologia brasileira para auxílio no diagnóstico do câncer

No dia 13 de agosto, foram publicados os resultados de uma pesquisa inédita no mundo e desenvolvida no Brasil: o uso da cera de ouvido para auxílio no diagnóstico do câncer. Os dados apresentados são bastante interessantes e merecem uma investigação mais a fundo. Mas devemos tomar cuidado, pois ainda está longe de ser padronizado como teste de rotina.

A publicação dos pesquisadores da Universidade Federal de Goiás (UFG) está em uma importante revista científica, a Scientific Reports, que pertence à mesma editora da revista Nature. A pesquisa consistiu em selecionar 102 pacientes, sendo 52 com câncer e 50 sem, e realizar uma análise da composição química de amostras de cerúmen (cera de ouvido), a fim de tentar diferenciar quem tinha câncer de quem não tinha. Esta análise da cera incluía a identificação de substâncias específicas relacionadas às atividades das células cancerosas no organismo, já que é sabido que diversas secreções do corpo, incluindo a cera, são compostas de substâncias produzidas por diferentes células do organismo. Uma das principais vantagens deste exame é a sua facilidade de realização e rapidez do resultado (três horas), sendo pouco invasivo e possivelmente de custo reduzido (cerca de R$ 200).

Os resultados mostraram que a análise do cerúmen foi capaz de discriminar 100% dos pacientes com câncer daqueles sem câncer.  Ou seja, a combinação das substâncias encontrada nos pacientes portadores de neoplasia foi diferente da combinação presente nos pacientes saudáveis.

Os dados são um importante avanço na área de diagnóstico de câncer e ensejam o desenvolvimento de novas pesquisas que possam confirmar sua utilidade prática. Entretanto, é necessário ressaltar que este método ainda não foi validado para uso rotineiro, visto que, para tal, são necessários estudos do tipo prospectivo e que comparem com os meios diagnósticos atualmente em uso.

Não só isso: é preciso também a investigação do impacto clínico real da adição deste exame para identificação precoce do câncer. Isto se dá devido ao fato de que um resultado positivo não obrigatoriamente significa que o paciente terá o diagnóstico definitivo mais precoce e, na busca pelo mesmo, outros exames podem ser realizados sem necessidade, trazendo ansiedade e possíveis complicações para os indivíduos, sem que isso leve a um aumento de sobrevida ou maior chance de cura. Ademais, a análise do cerúmen não foi capaz de determinar a origem do tumor.

Ressaltados estes pontos. E o que se conclui é que temos um grande avanço, admiravelmente desenvolvido no nosso país e com grande potencial para trazer benefícios à população, principalmente se estudos mais aprofundados mostrarem que o diagnóstico do câncer possa ser feito mais cedo e com um menor custo e que isso possa refletir em maiores chances de cura e/ou tempo de vida.

 

Referências

Barbosa JMG, et al. Cerumenogram: a new frontier in cancer diagnosis in humans. Scientific Reports. 2019;9:11722 (https://www.nature.com/articles/s41598-019-48121-4.pdf)

https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2019/08/31/pesquisa-da-ufg-aponta-que-cera-do-ouvido-ajuda-no-diagnostico-precoce-do-cancer.ghtml

Pacientes adultos neutropênicos: Devemos restringir a alimentação?

Thaize Polizelli
Nutricionista clínica
Mestre em Ciência na área de Oncologia
CRN3 44807

A neutropenia nos pacientes oncológicos é causada pelo uso dos quimioterápicos. Neutropenia é caracterizada pelo nível reduzido dos neutrófilos, um tipo de leucócito, que ajuda no combate das infecções bacterianas e fúngicas. Assim, um paciente neutropênico apresenta maior vulnerabilidade para desenvolver infecções oportunistas graves.

Com o intuito de diminuir as taxas de infeção surge, em 1960, a ideia de uma dieta estéril na qual era permitido apenas alimentos estéreis por autoclavagem. Durante as décadas seguintes essas dietas sofreram alterações e, nos anos 2000, a definiram como dieta neutropenica, em que o paciente não pode comer principalmente frutas, verduras e legumes crus.

Mas será que essa abordagem nutricional realmente diminui a taxa de infecção em pacientes adultos em quimioterapia? A resposta ainda é inconclusiva. Muitas revisões sistemáticas encontradas na literatura mostram que adotar uma dieta neutropenica não diminui as taxas de infecção; poucas mostram um resultado significativo.

Os principais gluidelines como ASPEN e ESPEN reafirmam a necessidade de mais pesquisas. Mas, até que elas surjam, parece prudente fazer restrições aos alimentos de alto risco de contaminação enquanto se presta atenção na palatabilidade do paciente e se enfatiza a adesão estrita às diretrizes de segurança alimentar, que recomendam a lavagem das mãos e medidas de segurança alimentar na compra, armazenamento, preparação, descongelamento, cozimento, servir, recongelar e armazenamento refrigerado.

O consenso do Instituto Nacional de Câncer (INCA) recomenda higienizar frutas e verduras cruas com sanitizantes (uma colher de sopa de água sanitária diluída em um litro de água; deixar em imersão por 20 minutos), de acordo com a RDC nº 216/2004 da Anvisa, além do uso de água potável e consumo de alimentos como grãos, oleaginosas, frutas, verduras, legumes, carnes, ovos bem cozidos e leite e derivados somente pasteurizados e esterilizados.

A National Comprehensive Cancer Network, Oncology Nursing Society, The United States Department of Agriculture e a Food and Drug Administration estabelecem que as mesmas instruções de higiene dos alimentos feitas para a população em geral devem ser seguidas pelos pacientes imunodeprimidos e que mais estudos devem ser feitos.

Acreditamos que a conduta deve ser individual levando em conta a palatabilidade do paciente, já que sabemos que o tratamento altera o paladar. E antes mesmo de pensarmos em restrição alimentar, principalmente as ressalvas sobre frutas, verduras e legumes, o entendimento dele sobre o seu quadro de neutropenia é essencial para que tenha os cuidados com a alimentação e com a prioridade na higienização correta dos alimentos, manuseio, utensílios utilizados para o preparo e modo de armazenamento pós-cocção.

A restrição de frutas cruas e legumes e suas cascas pela dieta neutropênica poderia resultar em estados de deficiência de fibra e de vitaminas e minerais. Tais deficiências, particularmente de vitaminas A, C, B6, folato e zinco, que podem causar danos na mediação celular e ou respostas imunes humorais.

Além das potenciais desvantagens nutricionais da dieta neutropênica, existem considerações práticas que afetam a adesão da dieta como o alto custo financeiro, o sofrimento psicológico e a diminuição na qualidade de vida.

Então, nós, nutricionistas, devemos ponderar a saúde e a segurança alimentar dos nossos pacientes, juntamente com a sua qualidade de vida, embasando nossas condutas em medicina baseada em evidências e adequando o tratamento antineoplásico que se segue ao tratar ou prevenir desnutrição e sarcopenia.

Assista Vida Pulsante: notícias reais de pessoas que enfrentam o câncer

Receber um diagnóstico de câncer requer esforços de enfrentamento da situação. E cada pessoa encara esse difícil momento da vida de uma forma diferente.

Dia 4 de agosto é o Dia da Campanha Educativa de Enfrentamento do Câncer.

No vídeo Vida Pulsante, que teve a direção científica da Dra. Fernanda Proa, Oncologista do Grupo SOnHe, conhecemos histórias de desafios, confrontos e coragem.

Você tem uma história para dividir com a gente?
Queremos conhecer o seu relato para que possamos compartilhar entre pacientes que precisam de incentivos e otimismo.

Aguardamos você!

Envie para sonhe@sonhe.med.br

Agradecemos todos os envolvidos no vídeo por tanto doação e amor dedicados, em especial ao Matheus.

 

 

Avanços expoentes no tratamento de tumores urológicos

André Deeke Sasse

Oncologista

 

Quando falamos de tumores urológicos, o primeiro tipo de câncer que vem à mente é o de próstata. É o mais importante porque é o mais frequente, um problema de saúde pública. O carcinoma de próstata é raro antes dos 50 anos, mas a sua ocorrência aumenta constantemente com a idade. Estima-se que acometa quase 50% dos indivíduos com 80 anos, e, de forma impressionante, quase 100% dos com 100 anos. No total, é o tipo de câncer mais comum nos homens, em todo o mundo.

Frequentemente o câncer de próstata é indolente, de crescimento muito lento e com baixa agressividade. E se ocorre em quase todos os homens muito idosos, vários estudos têm sido feitos para se demonstrar que nem todos os homens de fato precisariam de tratamento. Resultados interessantes foram publicados, avaliando a mortalidade de homens com câncer de próstata de baixo risco, em 5 e 10 anos após o diagnóstico, e comparando grupo que recebeu cirurgia imediata (prostatectomia) com grupo que fez seguimento, inicialmente, e tratamento somente se surgissem sintomas. Na média, a mortalidade foi semelhante nos dois grupos, com qualidade de vida melhor em quem fez inicialmente o acompanhamento, sem cirurgia. Na prática, concluímos que câncer de próstata de baixo risco pode trazer problemas a homens após 15 ou 20 anos. E, por isso, o tratamento agressivo, inicialmente, nem sempre faz sentido. Especialmente em homens com idade muito avançada.

Grandes avanços estão acontecendo também para o câncer de próstata agressivo. Em pacientes com doença disseminada, não responsiva ao tratamento inicial, novos medicamentos estão disponíveis para controle prolongado da doença, com baixos efeitos colaterais. Estudos recentes, apresentados nos últimos congressos, sugerem que o uso desses novos agentes hormonais (Enzalutamida, Abiraterona, Apalutamida ou Daralutamida) pode trazer mais benefícios quando feito de maneira mais precoce. Logo ao diagnóstico da recidiva, e não só na falha das terapias habituais.

O desafio, hoje, é o acesso a esses medicamentos, todos por via oral. Com altíssimo custo, é praticamente impossível a sua utilização sem que haja cobertura por algum plano de saúde. No SUS, discussões devem ser feitas. Recentemente houve uma consulta pública a respeito da incorporação de uma das opções, a Abiraterona, no SUS, mas apenas para pacientes com doença avançada e que até já falharam a tratamento com quimioterapia.

Saindo do câncer de próstata, outro assunto importante é a imunoterapia, que trouxe benefícios impressionantes para pacientes com câncer de rim e de bexiga. Pacientes com doença metastática, já com comprometimento de outros órgãos, até recentemente não tinham muita perspectiva de controle de doença, e baixa expectativa de vida. Mas a imunoterapia mudou consideravelmente todo o cenário. Com baixa toxicidade, trouxe inclusive a possibilidade de cura, ou controle a longo prazo da doença. Preservando muito a qualidade de vida dos pacientes. Atualmente, o tratamento de primeira linha para pacientes com câncer renal avançado inclui imunoterápicos.

Mas infelizmente a imunoterapia não é a solução definitiva, para todos. Ainda grande parcela dos pacientes não responde bem ao tratamento. E a frustração pode ser maior ainda, em pessoas com grandes expectativas. Muitos estudos têm sido desenvolvidos, tentando identificar quem são os pacientes (ou os subtipos de tumores) que se beneficiariam mais da imunoterapia, e quais precisariam receber mesmo os tratamentos mais convencionais. Ainda sem nada prático, infelizmente.

Uma das soluções atuais tem sido a combinação da imunoterapia com as terapias-alvo. Duas evoluções modernas que, juntas, podem beneficiar mais pacientes. Um dos estudos mais importantes, recentemente apresentados, demonstrou que o uso combinado de Pembrolizumabe (uma imunoterapia) com Axitinibe (uma terapia-alvo) quase dobrou a expectativa de vida dos pacientes com câncer renal avançado, em comparação ao uso de Sunitinibe (a terapia-alvo padrão, até o momento).

Conhecimentos científicos têm nos ajudado muito. A leitura atenta e a visão crítica dos dados podem nos dizer quando é o melhor momento de se utilizar essas novidades. Saber que nem todos podem se beneficiar dos avanços é também importante. Até porque tudo isso vem associado a um custo muito alto.

Mídia social e Medicina

Renata Ploetterle D. Sasse

Diretora-Executiva do Grupo SOnHe

 

Estudo realizado e produzido pela agência We Are Social em parceria com a plataforma de mídia Hootsuite, publicado este ano, mostrou a realidade do uso das mídias sociais no Brasil. O conteúdo da pesquisa revelou que 140 milhões de brasileiros estão nas redes sociais, o que representa 66% da população nacional.  A maioria das pessoas (61%) navegam pelo celular.

O brasileiro gasta, em média, três horas e 34 minutos por dia com as redes sociais. A maioria das pessoas tem entre 25 a 34 anos e, em último lugar, se encontram os idosos a partir de 65 anos.

Ranking das redes sociais mais usadas no Brasil:

  1. YouTube
  2. Facebook
  3. WhatsApp
  4. Instagram
  5. Facebook Messenger
  6. Twitter
  7. LinkedIn

 

Comparando com a realidade do mundo é muito expressiva a diferença do número de usuários brasileiros:

Brasil Mundo

Usuários (% população)

66% 45%
Uso pelo celular 61% 42%
Envolvidos ativamente

81%

83%
Tempo de uso/dia 3h34 2h16

 

Pesquisa realizada por uma plataforma que conecta pacientes e profissionais de saúde durante o ano de 2018 mostrou que 92% da população brasileira já utilizou a internet para informações sobre saúde. Porém, 41% da população é preocupada com a qualidade da informação e o medo de não ter sido revisada por um especialista.

A cada dia percebemos uma enxurrada de informações na internet sobre saúde, que nem sempre possui fontes confiáveis. Uma das missões do Grupo SOnHe é levar informações relevantes e de qualidade à população em Oncologia.

De acordo com a apresentação realizada no congresso americano de oncologia este mês, em Chicago, algumas regras precisam ser seguidas e feliz estamos por sabermos que já nos comportamos assim.

O sigilo sobre dados dos pacientes e sua doença é algo crucial. Se o paciente autorizar (de preferência por escrito), podemos utilizar imagens, ao contrário, nem em grupo privados entre médicos está permitido. Falar da doença de maneira geral é permitido, mas expor dados dos pacientes é completamente contra as regras.

A internet e suas redes sociais é uma poderosa arma de informação, mas é necessário saber ser usada, precisa de regras básicas de respeito a quem está sendo tratado e também a que está seguindo as redes sociais.

O objetivo do Grupo SOnHe é levar informações do diagnóstico ao tratamento dos pacientes nos diferentes tipos de tumores existentes. Queremos também alertar a população em geral do que realmente é verdadeiro ou o que é fake news, desmistificar os tabus em Oncologia e conscientizar a população de que o câncer não precisa ser uma palavra proibida, ao contrário, devemos, sim, abordar o tema de maneira clara, transparente e com bases científicas, pois uma população bem orientada é muito mais de consciente da importância de cuidar do seu bem-estar.

Se você tem curiosidade sobre algo, procure seu médico, pois a relação médico-paciente ainda continua a mais confiável forma de informação.

Alimentos e hidratação para o verão: algo diferente das outras estações?

Thaize Polizelli

Nutricionista clínica

 

Com os termômetros registrando altas temperaturas, é preciso redobrar os cuidados com a alimentação e, principalmente, com a hidratação. No caso dos pacientes oncológicos, a atenção deve ser ainda maior, já que a dieta precisa ser equilibrada para suas necessidades durante o tratamento, sendo rica em frutas, verduras e legumes diversificados, alimentos integrais, gorduras boas e fontes proteicas. Sem esquecermos da HIDRATAÇÃO.

O calor promove uma perda significativa de água e eletrólitos, como potássio, magnésio e sódio. Estas substâncias são essenciais para o funcionamento adequado do nosso corpo. Devemos sempre nos atentar à quantidade de água ingerida no dia a dia para mantermos toda a funcionalidade do nosso organismo. A Organização Mundial da Saúde recomenda a ingestão de 2 a 2,5 litros de água ao longo do dia e, para atingirmos a recomendação, o verão pode ser nosso aliado por meio de:

 Sucos de frutas: as frutas cítricas são bem toleradas durante o período de tratamento; então, faça suco com as frutas da estação que, além de mais doces, possuem mais nutrientes por sua sazonalidade adequada. Abacaxi, caju, melancia, melão, limão, manga, maracujá, tangerina, kiwi, uva, maçã, entre outras.

Utilize água filtrada ou água de coco para o preparo; chá preparado em casa com gengibre e batido com fruta é uma ótima opção para os pacientes nauseados.

A dica também está em preparar o suco utilizando a casca dos alimentos, que deve estar higienizada corretamente. O suco não deve ser coado antes do consumo, assim as fibras ficam garantidas.

Combinar frutas com verduras (e até legumes!) é uma opção interessante, pois além de hidratar, diversifica e aumenta a quantidade de frutas, verduras e legumes ingeridos no dia. Maçã, limão e couve pode ser uma das combinações, assim como maracujá e um pouco de manjericão. Use a criatividade!

Carregue sempre com você uma garrafinha com água, pois o consumo de água é um hábito. Temos o péssimo costume de beber água apenas quando temos sede, mas esquecemos que sede é o primeiro sinal de desidratação.

Sacolé, picolé e gelo de fruta: uma outra forma de consumir as frutas no verão é na forma de sacolé, picolé e até gelo.

Para o sorvete podemos apenas picar as frutas da nossa preferência, dispô-las em fôrmas próprias para picolé ou copos descartáveis com um palito de sorvete, completar com água de coco, chás naturais de ervas claras preparados em casa como: hortelã, camomila, erva doce e gengibre e ou suco de fruta e levar para o congelador. Temos outra opção de picolé: faça uma massa batendo a fruta da sua preferência com um pouco de liquido, incluído o leite.

Já para o sacolé e o gelo, deve-se bater a fruta com pouca água (ou outro líquido) até obter uma consistência mais pastosa e dispor tudo em suas respectivas embalagens.

Lanches naturais: se preparado adequadamente, pode substituir uma refeição completa. Utilize patês feitos em casa como os de frango, de sardinha, de grão de bico, entre outros. Recheie o pão, tapioca ou outra fonte de carboidrato com o patê escolhido, folhas e legumes.

Lembre-se de procurar sempre um nutricionista especialista na área para melhor adequação da sua dieta ao seu tratamento.  E mantenha-se hidratado!

Proteção solar do couro cabeludo

Felipe Borba Calixto

Dermatologista

 

O câncer de pele não melanoma (carcinomas basocelular e espinocelular) é considerado o mais comum no mundo, com crescente incidência e importante morbimortalidade, representando um significativo problema de saúde publica. A maioria está associada à radiação ultravioleta, porém há outros fatores, incluindo predisposição genética, bronzeamento artificial, exposição à radiação ionizante, agentes químicos orgânicos, imunossupressão, feridas crônicas e infecção por papilomavirus humano (HPV). Indivíduos de fototipo baixo (pele, olhos e cabelos claros), que possuem múltiplas sardas, têm maior risco para o desenvolvimento de câncer de pele. Sendo assim, esforços preventivos destinam-se a reduzir a incidência e o prejuízo estético-funcional, além de melhorar a qualidade de vida e a saúde da população.

Desde os primórdios da humanidade existe a preocupação com os cabelos. Sua ausência e/ou perda da qualidade afetam diretamente o bem-estar dos indivíduos, com prejuízo de sua qualidade de vida e relação inter-pessoal. Além de exercer importante função estética e sexual, os cabelos servem como proteção do couro cabeludo contra radiação solar, traumas e exposição às baixas temperaturas. Com a idade, há diminuição da densidade dos cabelos e afinamento da haste e perda na qualidade e quantidade dos fios, levando a um maior risco para o desenvolvimento de manchas solares, lesões pré-cancerígenas e tumores cutâneos em razão da menor proteção do couro cabeludo. Sendo assim, o exame dermatológico sempre deve ser completo, avaliando toda a extensão da pele, desde as plantas dos pés até o couro cabeludo, áreas cobertas e expostas ao sol.

Tumores do couro cabeludo constituem cerca de 2% de todos os tumores cutâneos, sendo que os cânceres de pele não melanoma (CPNM) apresentam alta incidência, potencial de invasão local, tendência à recidiva, significativa morbimortalidade e alto custo à saúde pública. Os fatores de risco mais importantes dos CPNM do couro cabeludo são sexo masculino, idade superior a 60 anos, alopecia androgenética (calvície), cabelos claros e finos, antecedente pessoal de câncer de pele e exposição solar precoce e crônica. Sendo assim, medidas preventivas e terapêuticas devem ser adotadas na rotina de qualquer individuo sob risco.

A fotoproteção pode ser compreendida como um conjunto de medidas direcionadas a reduzir a exposição ao sol e a prevenir o desenvolvimento do dano solar agudo e crônico. São consideradas medidas fotoprotetoras: fotoproteção tópica (protetor solar), oral (polifenóis, vitaminas, carotenóides, ômega 3, polypodium leucotomas, entre outros) e mecânica (roupas, chapéus, óculos de sol, vidros e coberturas naturais ou artificiais), além da educação da população em relação às consequências da exposição solar (fotoeducação).

 A fotoproteção dos cabelos é feita com os mesmos princípios ativos utilizados na pele, adicionados às formulações de uso capilar, como condicionadores, géis e sprays. A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda a combinação do maior número possível de medidas na prevenção do dano solar e evitar a exposição ao sol sem a adequada proteção, principalmente entre 10h e 15h. O exame dermatológico rotineiro é fundamental na prevenção, detecção precoce e tratamento adequado de tumores de pele e suas lesões precursoras.

Previna-se!