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Agosto é o mês de conscientização sobre linfomas

Dr. Paulo Vittor e

Dra. Márcia Torresan Delamain

Hematologistas

 

Agosto é o mês de conscientização sobre os linfomas. Apesar de pouco conhecidos pela população em geral, os linfomas não são infrequentes: segundo dados do INCA deste ano, os linfomas não-Hodgkin são oitavo câncer mais comum em homens e o nono em mulheres. Além disso, pode afetar pessoas de qualquer idade. Existem diversos subtipos de linfoma, que são divididos em dois grandes grupos: os linfomas de Hodgkin e os linfomas não-Hodgkin. Antes de falarmos sobre os sintomas do linfoma, precisamos entender um pouco mais sobre o que é essa doença.

Os linfócitos são um tipo de glóbulo branco. Eles circulam pelo sistema linfático e pelos linfonodos: pequenos órgãos distribuídos por todo o corpo com a função de filtrar a linfa e capturar eventuais invasores. Os linfomas ocorrem quando os linfócitos começam a se multiplicar de maneira descontrolada, podendo ainda se disseminar para outros órgãos como pele, sistema nervoso central, medula óssea, entre outros. Outro ponto que precisamos ter em mente é que os sintomas variam entre os subtipos de linfoma: alguns são extremamente agressivos, causando sintomas logo no início e progressão rápida (meses ou até mesmo semanas). Já outros subtipos e progressão mais lenta, os chamados “indolentes”, podem ficar assintomáticos por meses ou anos.

Os sintomas dos linfomas são variados e dependem do subtipo da doença. O mais comum é o aumento dos linfonodos – originando as famosas “ínguas” – principalmente no pescoço e na virilha. Vale ressaltar que qualquer processo infeccioso pode causar aumento do tamanho dos linfonodos, porém, nos linfomas, esse aumento é mantido (não regride sem tratamento específico) e, geralmente, é indolor. Outras manifestações frequentes são perda de peso sem motivo, febre persistente e sudorese excessiva, principalmente durante a noite. Além disso, os linfomas também podem causar manifestações específicas quando acometem algum órgão: nos linfomas cutâneos, a pele pode manifestar variados tipos de lesões; já nos linfomas que acometem sistema nervoso central, o paciente pode apresentar dores de cabeça, perda ou redução de movimentos/ sensibilidade, entre outros.

Como vimos, o quadro clínico dos linfomas é extremamente variável. Por isso a importância da avaliação precoce por um médico caso algum dos sintomas seja apresentando. Somente o médico saberá, com base nos sintomas e exames, se seu quadro é linfoma ou não. O tratamento dos linfomas consiste, geralmente, em quimioterapia, acompanhada ou não de radioterapia, sendo que, nos casos dos linfomas menos agressivos, a quimioterapia pode não ser necessária ao momento do diagnóstico. Ainda, em alguns casos, há a necessidade de transplante de medula.

Vale lembrar que, independente do tratamento escolhido, o diagnóstico nas fases iniciais da doença é posto-chave para o sucesso. Por isso, a necessidade de se informar sobre a doença e procurar o médico de sua confiança em caso de sintomas.

Referências:

Associação Brasileira de Leucemia e Linfoma (disponível em abrale.org.br);

UptoDate: Patient Education: Lymphoma (the basics).

 

Manejo da caquexia em pacientes com câncer avançado Recomendações da ASCO

Novas recomendações e evidências na área da nutrição também tiveram destaque na ASCO 2020, temas importantes como sarcopenia, microbiota intestinal e manejo da caquexia foram apresentados. Roeland et al, coletaram evidências sobre nutrição, farmacologia e exercícios em 20 revisões sistemáticas e 13 ensaios clínicos randomizados de 1966 a 17 de outubro 2019 para reformular as recomendações atuais no manejo da caquexia do câncer avançado.

A caquexia é uma síndrome multifatorial caracterizada por perda de apetite, peso e músculo esquelético, levando a fadiga, comprometimento funcional, aumento da toxicidade relacionada ao tratamento, baixa qualidade de vida e sobrevida reduzida. Pacientes em tratamento oncológico tem alta prevalência de caquexia, afetando aproximadamente metade dos pacientes com câncer avançado. A avaliação e o manejo da caquexia do câncer são grandes desafios.

As definições de caquexia do câncer mudaram ao longo do tempo. A mais recentemente, de 2011, publicada no consenso Delphi, define provisoriamente a caquexia do câncer como perda de peso maior que 5% nos 6 meses anteriores ou 2% a 5% de perda de peso com um índice de massa corporal (IMC) de 20 kg/m2 ou redução de massa muscular. Ainda segundo o consenso internacional, a caquexia do câncer pode ser categorizada em três fases: pré-caquexia, caquexia e caquexia refratária. O risco de progressão depende de fatores como tipo de câncer, estágio, ingestão de alimentos, presença de inflamação sistêmica, inatividade, falta de resposta ou complicações terapia anticâncer e/ou sequela de cirurgia

Vários fatores contribuem para a fisiopatologia complexa da caquexia do câncer. O objetivo de identificar e tratá-la é melhorar a tolerabilidade ao tratamento, a sobrevida e otimizar a qualidade de vida de pacientes com câncer avançado. Por meio de 20 revisões sistemáticas e 13 ensaios clínicos randomizados, o artigo pretende fornecer recomendações baseadas em evidências para o tratamento da caquexia do câncer. Estas se concentram em três campos centrais de melhora do peso, massa corporal magra, apetite, função ou qualidade de vida: intervenções nutricionais, intervenções farmacológicas e outras intervenções (por exemplo, exercício).

Intervenções Nutricionais

As intervenções nutricionais levantadas pelos autores na pesquisa bibliográfica são de avaliação aconselhamento dietético, uso rotineiro de terapia nutricional enteral (TNE) e parenteral (TNP), suplementação com ômega 3, vitaminas, minerais e outros suplementos. 48% dos pacientes em tratamento oncológicos buscam alternativas alimentares para auxiliar no tratamento, assim o acompanhamento com nutricionista faz-se necessário para orientar e proteger o paciente e seus familiares quanto ao uso de suplementos alimentares, dietas da moda ou dietas restritivas e ajudar na compreensão das necessidades do paciente neste momento. Da pesquisa duas recomendações são formalizadas:

  • Encaminhamento ao nutricionista para avaliação e aconselhamento, fornecendo aos pacientes e cuidadores orientações práticas e seguras sobre alimentação, oferta proteica, oferta calórica e recomendações de dietas não comprovadas ou restritivas. Tipo de recomendação: consenso informal. Qualidade evidência: baixa. Força recomendação: moderada.
  • TNE e TNP não devem ser utilizadas como rotina no manejo da caquexia do câncer em paciente com doença avançada, salvo em casos de obstrução reversível do intestino, síndrome do intestino curto ou má-absorção por curto período. É apropriada a interrupção de TNE e TNP antes do final de vida. Tipo de recomendação: consenso informal. Qualidade evidência: baixa. Força recomendação: moderada.

Intervenções farmacológicas

Foram associadas melhorias no apetite e/ou peso corporal as intervenções farmacológicas com análogos de progesterona e corticosteróides. Na ausência de evidências mais robustas, nenhuma intervenção farmacológica específica pode ser recomendada como padrão de atendimento, portanto, os médicos podem optar por não prescrever medicamentos especificamente para o tratamento da caquexia do câncer

Outras intervenções

Estudos relacionados à prática de exercícios físicos avaliados não tiveram benefício ou evidência insuficiente para conclusões sobre eficácia. As limitações da evidência incluem altas taxas de desistência devido ao estágio da doença, variabilidade entre estudos sobre resultados de interesse e métodos para avaliação. Sendo assim, fora do contexto de um ensaio clínico, nenhuma recomendação pode ser feita para outras intervenções, como exercícios físicos.

Estudo futuros com o objetivo de identificação precoce do risco de desnutrição (por vários meios, como composição corporal da tomografia computadorizada, histórico de perda de peso e/ou dados obtidos de um histórico detalhado da dieta) podem eleger grupos específicos de pacientes que se beneficiariam de intervenções precoces. Tais intervenções podem incluir ações nutricionais e/ou farmacológicas lideradas por nutricionistas. Os objetivos dessa pesquisa poderiam melhorar o estado nutricional em todas as fases do tratamento, para ajudar a garantir que indivíduos com câncer avançado não fiquem tão esgotados nutricionalmente quanto poderiam ter ficado sem intervenção, visando melhora da qualidade e quantidade de vida nessa população

 

Fonte: Roeland et al. Management of Cancer Cachexia: ASCO Guideline. Disponivel em ascopubs.org/journal/ jco on May 20, 2020: DOI https://doi.org/10. 1200/JCO.20.006.

Maio Cinza: vídeos informativos sobre câncer de cérebro

25 de maio: Dia Internacional da Tireoide

Higino Steck

Cirurgião de cabeça e pescoço

 

Desde 2007, a International Federation of Thyroid instituiu o dia 25 de maio como o Dia Internacional da Tireoide e a semana do dia 25 como a Semana de Concientização da Tireoide, endossados pela European Thyroid Association (ETA),  American Thyroid Association (ATA),  Latin-American Thyroid Society (LATS), Asia and Oceania Thyroid Association (AOTA), Chinese Society of Endocrinology (CSE) e Chinese Society of Nuclear Medicine (CSNM).

A tireoide é uma glândula em formato de borboleta localizada no pescoço e que tem a função de regular o metabolismo, atuando sobre órgãos como o coração, o fígado e os rins. Produtora dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), essa glândula também interfere no crescimento e desenvolvimento das crianças e adolescentes, na regulação dos ciclos menstruais, na fertilidade, no humor e no peso corporal. É é uma glândula essencial para a qualidade de vida das pessoas.

Quando a glândula não funciona corretamente, algum distúrbio deve se manifestar. Se libera hormônios em quantidade insuficiente, ocorre o hipotireoidismo, um problema que acomete 10% da população e é facilmente diagnosticado com um exame de sangue. A levotiroxina, utilizada para reposição hormonal nesses pacientes é um dos medicamentos mais vendidos no mundo.  Já quando há hormônios em excesso, ocorre o hipertiroidismo. Também são comuns os nódulos da tireoide, que nem sempre apresentam sintomas, e o bócio, caracterizado pelo aumento de volume na tireoide, que muitas vezes está associado ao hipotireoidismo ou ao hipertireoidismo.

Os nódulos na glândula tireoide são comuns e podem ocorrer em qualquer idade, porém mais frequentes em mulheres e com o passar dos anos. Estima-se que 50% das mulheres acima dos 50 anos possuem nódulos em tireoide, sendo que 90% desses nódulos são benignos e 10% são malignos. Os nódulos podem ser vistos ou palpados no pescoço quando maiores, enquanto que os menores são visualizados apenas pelo exame de ultrassonografia. A maioria dos nódulos não precisa de tratamento por serem benignos e pequenos. Nódulos maiores podem precisar de tratamento cirúrgico ou com uma nova tecnologia disponível em alguns centros no Brasil que é a ablação por radiofrequência, que evita a cirurgia e, portanto, a necessidade de reposição hormonal.

Cerca de 10% dos nódulos podem ser malignos e o diagńostico é feito por meio de punção guiada por ultrassom. A incidência do câncer de tireoide tem aumentado muito em todo o mundo. É o câncer mais comum da região da cabeça e pescoço e afeta três vezes mais as mulheres do que os homens.  Pela mais recente estimativa brasileira (2018), é o quinto tumor mais frequente em mulheres e pode ocorrer em qualquer idade, sendo um câncer frequente em mulheres jovens.

O tratamento do câncer de tireoide em geral é cirúrgico, com a retirada parcial ou total da glândula tireoide, e as taxas de cura são altas com o tratamento adequado. Após cirurgia de retirada total da tireoide, faz-se necessária reposição do hormônio tireoidiano diariamente por toda a vida. Mas a vida dos pacientes volta ao normal com essa reposição.

A tireoide é uma glândula essencial na vida das pessoas! E o Dia Internacional da Tireoide serve para concientizar sobre sua importância.

O papel do assistente social na saúde e no cuidado paliativo do paciente oncológico

Ana Beatriz Bortolansa Pacagnella

Assistente Social – Hospital e Maternidade Santa Tereza

 

O assistente social é formado para desenvolver uma leitura crítica da realidade vivenciada por aqueles que o procuram. Com isso o profissional de serviço social tem na equipe o papel de compreender e intervir nos múltiplos fatores sociais do adoecimento, necessitando conhecer a situação vivenciada pelo paciente e sua família.

Conhecer a história do paciente e identificar seu papel dentro da organização familiar e sua condição socioeconômica e sua rede de suporte social implicam em estratégias para o enfrentamento da doença. Cabe ao assistente social ser a ponte entre a equipe, a realidade vivida pelo paciente e sua família, a sua história, seus limites. Além disso, desempenha um papel fundamental ao trazer conhecimento sobre benefícios ligados a previdência social, benefício de prestação continuada, isenção no imposto de renda, quitação de financiamento imobiliário entre outros.

A descoberta de certas doenças como um câncer, não afeta somente o paciente, mas todos a sua volta e a traz consigo a possibilidade da finitude; com isso os cuidados paliativos são de extrema importância.

O cuidado paliativo é uma abordagem como denominada pela OMS em 2002 que prioriza qualidade de vida dos pacientes e seus familiares em doenças que ameaçam a continuidade da vida através da prevenção e do alívio do sofrimento.

O serviço social não atua sozinho: é necessário que todos os profissionais que integram a equipe estejam em sintonia para cuidar de todas as dimensões sociais, emocionais, físicas, espirituais trazendo assim o cuidado integral e único de cada paciente.

Nos cuidados paliativos a atuação do assistente social deve buscar colocar o teórico e a prática nas relações com o paciente visando reconhecê-lo como único e dono de sua história mantendo assim sua singularidade. É fundamental ter uma escuta e acolhimento auxiliando assim todos os envolvidos e compreendendo o processo que envolve a terminalidade e os desafios que envolvem, equipe, família e paciente, na tomada de decisões, reconhecendo as possibilidades do cuidado e atenção encaminhando para rede de apoio e auxiliando em burocracias que irão surgir durante o processo. Por fim, deve garantir ao paciente durante seu tratamento os recursos existentes, ao atendimento humanizado digno e amenizar sofrimento, respeitando e preservando os desejos do paciente.

 

Referências Bibliográficas

ANDRADE, L. O papel da assistente social na equipe de cuidados paliativos. In: CARVALHO,R.T.;PARSONS.A. Manual de cuidados paliativos ampliado e atualizado ANCP. Rio de Janeiro:Diagraphic,2012.p  341-344.

FERREIRA, G. D. Serviço social e cuidados paliativos: compromisso na defesa de direitos e respeito à escolha do indivíduo. In: ANDRADE,L.(Org). Cuidados paliativos e serviço social: um exercício de coragem. 1 ed. Holambra, SP:Editora Setembro, 2017.p. 281-295.

LOPES, F.S; ALVES,A.M.T; AFONSO,C.A. Especificidades da atenção ao paciente com câncer. In: ANDRADE,L.(Org). Cuidados paliativos e serviço social: um exercício de coragem. 1 ed. Holambra, SP:Editora Setembro, 2017.p. 207-218.

MATSUMOTO,D.Y. Cuidados Paliativos: conceito, fundamentos e princípios.In: CARVALHO,R.T.;PARSONS.A. Manual de cuidados paliativos ampliado e atualizado ANCP. Rio de Janeiro:Diagraphic,2012.p 23-30.

3 de maio. Dia Internacional do Sol

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Cartão postal frente

 

Cartão postal verso

Cartão postal frente – opção 2

A alimentação moderna e sua relação com o câncer

Juliana Nabarrete, nutricionista

Há muito tempo a relação entre a alimentação e o câncer é estudada por diversos pesquisadores ao redor do mundo. Além de toda relação de fatores e processos internos no nosso organismo – nem sempre modificáveis com ações – é importante compreender também o papel que alimentação exerce como fator ambiental e totalmente modificável.

Desde a época da pré-história a alimentação acompanha a evolução da espécie humana. A descoberta do fogo no período pré-histórico facilitou o consumo de alimentos e alterou as rotinas de caça, influenciando o desenvolvimento físico e intelectual da espécie humana.

O desenvolvimento econômico e social que ocorreu nos últimos 50 anos provocou uma mudança brusca nos hábitos de vida de toda população, principalmente no que diz respeito à alimentação.

O estilo de vida atual, quando tudo tem que ser resolvido muito rápido e o tempo demandado à alimentação diminuiu, a grande maioria da população opta por refeições rápidas e em inúmeros casos já prontas. Comem na frente dos computadores e não aproveitam o momento da refeição.

Por outro lado, a grande oferta de alimentos industrializados, uma boa propaganda e nem sempre condições sociais que garantem a acesso a uma quantidade suficiente de alimentos, condiciona a maioria a população a acreditar que um pacote de bolo pronto fortificado com o nutriente “X” é mais nutritivo, barato e rápido, que comprar 1kg de maçã para preparar um bolo, por exemplo.

As descobertas dos últimos cinco anos demonstram que muito mais que ação de um único alimento ou nutriente, a influência dos padrões alimentares exerce um papel importante na prevenção do câncer.

Padrão alimentar pode ser definido como um conjunto de alimentos frequentemente consumidos por indivíduos ou populações, incluindo as etapas de seleção, produção, formas de preparo e de consumo do alimento.  No Brasil, temos vários padrões alimentares influenciados pela diversidade cultural do país. O ponto em comum entre eles é que a base da alimentação não seja apoiada em alimentos processados e ultra processados, mas sim em alimentos in natura e minimamente processados.

O novo Guia Alimentar para a População Brasileira baseia as recomendações nesta classificação, conforme quadro abaixo:

Classificação Definição
Alimentos in natura

 

São obtidos diretamente de plantas ou animais e não sofrem qualquer modificação após deixarem a natureza.
Alimentos minimamente processados São alimentos in natura que passam por processos importantes, como remoção de partes não comestíveis ou indesejáveis, fermentação, pasteurização ou congelamento, para chegarem com qualidade ao consumidor. Esses alimentos não recebem sal, açúcar, óleos, gorduras, nem outros ingredientes. Exemplo: hortaliças refrigeradas, arroz, leite pasteurizado UHT, farinhas e etc
Alimentos processados

 

São alimentos in natura ou minimamente processados que recebem sal, açúcar, vinagre ou óleo para, principalmente, durar mais tempo. As técnicas de fabricação incluem cozimento, fermentação, salmoura, entre outros. Alimentos em conservas, geleias, atum em lata e etc.
Alimentos ultra processados São formulações industriais à base de ingredientes extraídos ou derivados de alimentos (óleos, gorduras, açúcar, amido modificado) ou, ainda, sintetizados em laboratório (corantes, aromatizantes, realçadores de sabor, etc.). Os rótulos podem conter listas enormes de ingredientes. Exemplos: guloseimas em geral, cerais matinais, margarina.

Padrões alimentares baseados em alimentos processados e ultra processados tendem a apresentar uma ingestão acima do adequado de sal, gordura e açúcar, que pode contribuir para um ganho de peso fora do habitual. E estes são fatores de risco para diversos tipo de câncer como câncer de mama e de colorretal.

Um padrão alimentar que prioriza a ingestão abundante de frutas e legumes, grãos integrais, em vez de refinados, e a baixa ingestão de carne vermelha e processada, bebidas açucaradas e sal, auxiliará no controle de peso e reduzirá o risco.

Recomendações do Instituto Nacional do Câncer (INCA), do Fundo Mundial para Pesquisa contra o Câncer (WCRF) e do Instituto Americano de Pesquisa em Câncer (AICR) advertem em consenso cuidar da alimentação, praticar atividade física e buscar manter o peso adequado como a base para prevenção. Assim, desde a infância e durante a vida adulta, a influência da alimentação é um fator modificável.

Seguem abaixo algumas dicas práticas para o dia a dia, baseadas nas recomendações:

Recomendação Dica prática
      Mantenha um peso saudável Você não precisa se pesar todo dia. Procure profissionais de confiança como nutricionistas e educadores físicos para auxiliar no controle de peso. Eles adequarão as recomendações à sua rotina, contribuindo com a alimentação equilibrada e exercícios físicos adequados.
       Consuma uma dieta rica em vegetais, cereais integrais, frutas e grãos Faça desses alimentos a base do seu padrão alimentar. Tenha sempre disponível em casa frutas para os lanches intermediários e vegetais, grãos e cereais para as refeições.
      Evitar o consumo de fast food e alimentos processados Deu vontade de hamburguer no final de semana? Prepare em casa. Dessa forma você controla a quantidade de sal e gordura que consome.
      Limitar o consumo de carne vermelha e processada A carne vermelha (bovina, vitela, porco, cordeiro, carneiro, cavalo, cabra), pode fazer parte da alimentação 1 ou 2x/semana. Já a processada (salsicha, salame, mortadela, nuggets) deve-se ser evitada ao máximo. Priorize no dia a dia frango, peixe e grãos como fonte proteica nas refeições e queijo branco, nos lanches intermediários.

 

      Limitar o consumo de bebidas com adição de açúcar Suco de caixa e refrigerantes possuem grande quantidade de açúcar nas embalagens. Priorize no dia a dia água e sucos naturais sem açúcar. Se necessário misture água com gás e suco natural para controlar a vontade do refrigerante.
      Não usar suplementos para prevenir o câncer Nunca tome suplementos alimentares sem orientação médica ou nutricional. Melhor maneira de conseguir os nutrientes necessários ao organismo é com alimentação. Priorize o consumo de frutas, verduras e legumes.

 

Fonte:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Guia alimentar para a população brasileira / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – 2. ed., 1. reimpr. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014.  156 p.: il.

World Cancer Report – Cancer research for cancer prevention. Edited by CHRISTOPHER P. WILD, ELISABETE WEIDERPASS, and BERNARD W. STEWART. International Agency for Research on Cancer – WHO

Coronavírus

Hoje vamos falar da emergência em saúde que vivemos: a pandemia de coronavírus (SARS-Cov-2/COVID-19). Esse post tem o intuito de orientar nossos pacientes, acompanhantes, familiares e seguidores de forma objetiva e clara.

Devemos ressaltar primeiramente que a situação é de exceção e devemos, sim, tomar precauções extraordinárias, mas pânico, nunca. A Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e Secretarias estão trabalhando constantemente para o controle da pandemia, porém, se não fizermos nossa parte, pouco adiantará.

Orientações gerais:

  1. Lavar as mãos várias vezes ao dia é primordial, seja com água e sabão ou álcool gel 70%. E lembre-se da técnica correta: veja no vídeo aqui https://www.youtube.com/watch?v=2h8vc-voPNQ.
  2. Evitar tocar as mãos no rosto, boca, nariz e olhos.
  3. Ficar em casa, caso seja possível, é o mais recomendado neste momento. Evitar contato com outras pessoas em espaços públicos é uma das maneiras mais eficazes de diminuir a disseminação.
  4. Caso tenha que sair para algo essencial (supermercado, farmácia, etc), ficar o menor tempo possível fora do domicílio e evitar contato próximo com as pessoas.
  5. Em casa, restringir visitas de pessoas que não moram com você.
  6. Não compartilhar objetos de uso pessoal, como copos, talheres, toalhas.
  7. Evitar viagens não essenciais. O vírus não respeita fronteiras.
  8. Evitar festas ou reuniões, mesmo em casa.
  9. Limpar mais frequentemente o celular, controle remoto, corrimãos, maçanetas e outros objetos de uso rotineiro pode ajudar.
  10. Ao tossir ou espirrar, cobrir com o cotovelo, não com as mãos, ou usar um lenço e o descartar imediatamente no lixo. Lembrando sempre de lavar as mãos após.
  11. Caso você tenha sintomas gripais LEVES (tosse e /ou febre, sem falta de ar), o ideal é ficar em casa e só comparecer ao serviço de saúde em caso de piora. Sempre que possível, contatar seu médico por telefone é uma boa dica.
  12. Caso você tenha sintomas gripais COM falta de ar, compareça imediatamente ao pronto socorro.
  13. Caso você tenha tido contato próximo com alguma pessoa que esteja investigando (aguardando resultado de exame) ou tenha confirmação de coronavírus, o ideal é que você fique em casa e converse com seu médico por telefone para orientações.
  14. Caso você tenha chegado no exterior ou tido contato próximo com alguma pessoa que chegou do exterior nos últimos 14 dias, o ideal é que você fique em casa e converse com seu médico por telefone para orientações.
  15. A máscara branca está indicada para pacientes com sintomas ou pessoas que mantém contato próximo com pessoas com suspeita ou confirmação de coronavírus. E tem também jeito certo de utilizar a máscara. Veja no link https://www.globoplay.globo.com/v/8394740/.
  16. Não são todos os pacientes que devem ser testados, os critérios podem mudar ao longo dos dias e é sempre decisão médica.
  17. Não existe vacina, nem tratamento específico comprovado cientificamente contra o coronavírus. Há várias pesquisas em andamento, principalmente nos Estados Unidos e China.
  18. É importante tomar cuidado com as fake news e sempre checar a veracidade das informações

Pacientes oncológicos

  1. A princípio, NÃO há indicação de interromper tratamentos contra o câncer. O seu médico vai avaliar continuamente seu caso e, havendo necessidade, lhe informará na consulta ou por telefone.
  2. Caso você ou seu acompanhante apresente sintomas gripais (principalmente febre, tosse ou falta de ar), é recomendado NÃO comparecer à consulta e entrar em contato com seu médico por telefone para maiores orientações.
  3. Os nossos funcionários estão orientados a fazer perguntas para identificar rapidamente casos suspeitos. É para o bem de todos, inclusive o seu.
  4. A necessidade de comparecimento às consultas agendadas está sendo avaliada pelos nossos médicos diariamente e, caso o seu médico considere seguro, a sua consulta poderá ser reagendada para uma data posterior.
  5. Caso venha para uma consulta, o ideal é que apenas UMA pessoa o acompanhe.
  6. Chegar no horário agendado e sair após o término dos procedimentos na clínica ajuda a proteger a todos.

O grupo SOnHe está com um plano de contingência em constante atualização para todos seus serviços, sempre prezando por quem mais importa: nossos pacientes. Dúvidas específicas podem ser enviadas por direct (instagram) ou e-mail (rafael.luis@sonhe.med.br) e tentaremos responder o quanto antes.

 

Oncologia e Odontologia

Acompanhamento e tratamento para pacientes submetidos a quimioterapia e/ou radioterapia de cabeça e pescoço

Mariane Couto Estácio Orsi é cirurgiã dentista.
Mestre em Laser Odontológico pelo IPEN/USP e pós-graduada em Odontologia Hospitalar pelo Hospital Albert Einstein

A aproximação da Odontologia à Oncologia tem beneficiado muitas pessoas que neste momento de suas vidas estão passando por este tipo de tratamento. A meta dessa combinação é dar condições de se manter a alimentação e hidratação para a manutenção e recuperação do corpo físico, durante este período.

Para minimizar intercorrências orais que possam vir a prejudicar a saúde do paciente durante o tratamento oncológico ao qual será submetido, é muito importante a avaliação odontológica executada pelo dentista para que o paciente seja orientado quanto às necessidades de tratamento dentário e/ou periodontal para sua proteção e preservar seu bem-estar.

Cáries, tártaro, doenças periodontais com envolvimento dos dentes, gengiva e osso, raízes residuais e dentes comprometidos que devem ser removidos, focos de inflamação e infecção devem ser tratados previamente às cirurgias e ao início de quimioterapias e/ou radioterapias. O não tratamento de problemas orais existentes previamente ao tratamento oncológico, podem levar à interrupção ou alteração do tratamento antineoplásico planejado.

Certas quimioterapias como tratamento dos mais variados tipos de neoplasias malígnas no corpo físico, podem causar mucosite oral, ou seja, inflamação da mucosa oral, podendo se apresentar com desconforto, irritação, ardor, vermelhidão, até como úlceras pequenas e grandes, doloridas, que dificultam a alimentação e hidratação do paciente.

Da mesma forma, o paciente submetido à radioterapia de cabeça e pescoço, pode apresentar mucosite oral, de leve a severa, quando esta irradiação também abrange a cavidade oral.

Cuidados de higiene orais diários orientados pelo dentista e sessões de laserterapia são tratamentos coadjuvantes para prevenir e tratar a mucosite oral, com o objetivo de dar melhor qualidade de vida ao paciente durante este período. O laser de baixa intensidade tem mostrado bons resultados na redução da severidade, da duração e da dor da mucosite oral, principalmente pelo seu efeito analgésico, antiinflamatório e de cicatrização.

É fundamental o acompanhamento dos pacientes por um dentista integrado à equipe multidisciplinar antes do início do tratamento oncológico, assim como durante, para a instrução dos mesmos, para evitar ou tratar mucosite oral e possíveis infecções orais.

Um tratamento multidisciplinar traz melhor qualidade de vida para o paciente e propicia resultados mais eficazes.

Entrevista Dr. Adolfo Scherr, concedida para a Rádio Catedral FM, sobre álcool e câncer

Ouça o áudio: