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Um ato simples mais que pode salvar vidas

Enfermeira Vania Mansur

Hospital Madre Theodora

 

Você sabia que a higienização das mãos como uma ação simples de prevenção pode salvar vidas ou evitar a transmissão de vírus e bactérias? Quando falamos em prevenção esse é um tema importante, principalmente, nos dias de hoje.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda-se que a lavagem das mãos seja feita de modo frequente e ao longo do dia. Pesquisas mostram que essa prática pode reduzir doenças relacionadas às diarreias entre 30% e 40% e às infecções respiratórias em até 20%.

Anualmente, no dia 05 de maio comemora-se o Dia Mundial da Higienização de Mãos. Esta é uma campanha liderada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), visando a prevenção da transmissão de infecções, relacionadas a assistência à saúde.

A campanha tem como objetivo alertar toda à comunidade de como higienizar as mãos de forma adequada e de acordo com os 5 momentos preconizados pela OMS.

O grupo SOnHe, preocupado com a saúde da população, apoia essa campanha como modo de enfatizar a importância da prática da higiene das mãos, usando técnica adequada e nos momentos corretos.

Se você faz parte do grupo de risco ou esteja passando por algum tratamento, você também deverá adotar essas medidas de prevenção como parte da sua rotina diária.

Você poderá realizar de duas maneiras: utilizando água e sabão ou também com álcool 70% gel ou solução.

Vale lembrar de seguir essas regrinhas básicas: ao realizar as lavagens das mãos com água e sabão, o processo deve durar pelo menos um minuto. Se optar pelo uso do álcool em gel ou solução, deve realizar pelo menos durante 20 segundos.

Lembre-se trata-se de um ato simples, mas que pode salvar vidas!

 

Referências:

https://www.anvisa.gov.br/hotsite/higienizesuasmaos/index.htm

http://www.blog.saude.gov.br/index.php/promocao-da-saude/53342-dia-mundial-da-higiene-das-maos-5-de-maio

COVID-19: a relação entre a obesidade e o câncer

Larissa Arial Oliveira Santos

Nutricionista

Radium – Instituto de Oncologia

 

A obesidade é um problema de saúde pública que vem crescendo consideravelmente nos últimos anos. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o percentual de pessoas obesas na população adulta passou de 12,2% para 26,8%, entre o período de 2003 a 2019.

O ganho de peso excessivo aumenta o tecido adiposo (formado por gordura), promovendo a alteração da função e estrutura das células presentes nele. Essas células, chamadas adipócitos, atraem células do sistema imunológico e, quando isso ocorre de forma exacerbada e crônica, pode levar a um estado inflamatório aumentado.

A obesidade é fator de risco para alguns tipos de cânceres, como por exemplo, o câncer de mama e o câncer de reto. Isso porque a inflamação pode aumentar a proliferação celular e contribuir para o desenvolvimento de alguns tumores.

O estado de inflamação presente em indivíduos obesos também tem sido associado a outros diversos problemas de saúde, como aumento da pressão arterial, diabetes, dislipidemias (aumento dos níveis de gordura no sangue). Essas condições clínicas que frequentemente estão associadas à obesidade são os principais fatores de risco para a gravidade da doença e mortalidade associadas à COVID-19.

Em um estudo realizado em 2020, em 88 hospitais com 7.606 pacientes internados por COVID-19, foi observado que mais de 50% da amostra tinha sobrepeso ou obesidade; e a obesidade foi o fator de maior associação com maior risco de mortalidade intra-hospitalar e ventilação mecânica quando comparados a pessoas com peso dentro do considerado normal de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC).

Se pensarmos num cenário de uma pessoa obesa com câncer, seria este risco aumentado? Alguns artigos científicos mostraram que pacientes com tumores hematológicos, por exemplo, podem ter um nível aumentado de inflamação, o que contribuiria para uma resposta exagerada à infecção causada pela COVID-19. Outro estudo realizado em 2020 com pacientes oncológicos observou que a taxa de admissão na Unidade de Terapia Intensiva foi maior em pacientes obesos e com tumores hematológicos, entretanto, quando avaliado o prognóstico, a obesidade não foi associada à mortalidade nestes pacientes. Todavia, a falta de dados na literatura nos leva a entender que a relação entre obesidade e câncer no contexto da COVID-19 ainda não está bem elucidada e faltam dados científicos para esclarecer melhor essa associação.

É importante ressaltar que, para pacientes oncológicos é necessário investigar além da obesidade, a composição corporal (associação entre alteração da massa muscular e adiposa) e a condição do sistema imunológico (geralmente prejudicada em pacientes em tratamento sistêmico, como a quimioterapia e, também pelo tipo de tumor, como os hematológicos) o que aumenta o risco por infecções virais oportunistas.

Enquanto há uma escassez de estudo neste assunto, deve-se enfatizar a importância de hábitos saudáveis a fim de prevenir a obesidade. Em caso de pacientes oncológicos, uma alimentação bem equilibrada e variada pode auxiliar a preservar a imunidade e prevenir possíveis infecções associadas à queda do sistema imune.

Mamografia: aos 40 ou 50 anos?

Leonardo Roberto da Silva e

Vivian Castro Antunes de Vasconcelos

 

Os avanços no tratamento do câncer de mama obtidos ao longo das últimas décadas levaram a um aumento significativo na chance de cura e a uma redução no risco de morte pela doença. No entanto, ainda hoje, uma em cada oito mulheres receberá o diagnóstico de câncer de mama em algum momento da vida, até os 65 anos de idade. Esse dado alarmante é, porém, acompanhado de uma informação tranquilizadora: a disponibilidade de uma excelente ferramenta para o diagnóstico precoce da doença, a mamografia.

A mamografia é o exame mais importante na detecção precoce do câncer de mama, ou seja, o rastreamento. Sabemos que, quando diagnosticado em sua fase inicial, o câncer de mama tem mais de 90% de chance de cura. Isso pode ser conseguido com a realização do exame em mulheres assintomáticas e que se encontram em uma faixa etária na qual existe uma relação favorável entre benefícios e riscos do exame.

Grandes estudos clínicos que incluíram mais de 500 mil mulheres comprovaram esse benefício da mamografia. Os resultados mostraram que as mulheres que faziam mamografia regularmente apresentavam uma redução no risco de morte por câncer de mama entre 10% e 35%, quando comparadas às mulheres que não faziam a mamografia.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda que a mamografia seja realizada a cada dois anos entre os 50 e 69 anos de idade. No entanto, estudos recentes realizados na população brasileira, evidenciaram que 40% dos casos de câncer de mama são diagnosticados em mulheres com menos de 50 anos. Além disso, muitos desses casos são identificados em estados mais avançados da doença, o que reduz significativamente as chances de cura. Assim, as recomendações atuais do Ministério da Saúde excluem uma faixa importante da população do programa de rastreamento (mulheres com idade entre 40 e 49 anos), o que pode resultar em maior mortalidade por câncer de mama, uma doença que ainda não é facilmente evitável.

Nesse sentido, diversas sociedades médicas vêm recomendando a realização da mamografia a partir dos 40 anos. De acordo com estudos mais recentes, tal estratégia está associada a benefício em termos de diagnóstico precoce e redução do risco de morte por câncer de mama nessa faixa etária. Na prática, existe um Projeto de Decreto Legislativo (número 679/2019) que propõe assegurar a realização da mamografia de rastreamento para as mulheres a partir dos 40 anos, no Sistema Único de Saúde (SUS). O Projeto já foi aprovado no Senado Federal e, atualmente, se encontra em tramitação na Câmara dos Deputados.

Dia do Farmacêutico

“Farmacêuticos, em todos os tempos e lugares, trazem mesmo lições de amor às pessoas. Aliás para o farmacêutico, amar não é apenas o verbo transitivo direto que se aprende a conjugar, nas escolas.

Amar é ação, a ação de servir, a qualquer hora de qualquer dia e em qualquer lugar.

É cuidar, é promover a saúde, é salvar vidas!”

Carlos Drummond de Andrade

Poeta e Farmacêutico

Danielle Costa Ribeiro

Farmacêutica Responsável do Radium Instituto de Oncologia

 

Neste Dia do Farmacêutico é sempre bom recordar aquilo que nos dá razão de existir. Uma carreira milenar, cujo talento “é cuidar, é promover a saúde, é salvar vidas”. Ao longo dos séculos, sempre tivemos o dever de provar que a ciência é capaz de salvar vidas. E essa missão segue muito viva nesses tempos de pandemia. Além disso, fomos nos tornando cada vez mais necessários na composição de equipes de saúde em todas as áreas de atendimento. Inclusive na oncológica.

Desde a década de 90 o papel do farmacêutico na equipe multidisciplinar de terapia antineoplásica vem se fortalecendo e ocupando um importante espaço no tratamento do câncer e na atenção ao paciente oncológico. Resoluções do CFF e da Anvisa tornaram privativa ao farmacêutico a manipulação de medicamentos citotóxicos e, desde então, novas diretrizes foram desenvolvidas.

O farmacêutico garante toda a cadeia medicamentosa para o tratamento do câncer, atua na manipulação visando preservar as características do produto e garantir a esterilidade da operação, gerencia os medicamentos utilizados nas diferentes etapas e ainda garante que os procedimentos sejam realizados de maneira adequada, conforme os protocolos e doses prescritas. Além disso, o farmacêutico se tornou responsável por toda gestão da farmácia clínica, pois é um profundo conhecedor dos fármacos, que o possibilita acompanhar o resultado do tratamento. Neste contexto, nossa responsabilidade é evitar danos por erros de medicação e, assim, garantir a segurança do paciente.

Selecionar e padronizar medicamentos que atendam aos protocolos clínicos da instituição é a primeira etapa, que exige responsabilidade para garantir que os produtos atenderão às exigências legais. Garantir a divulgação das informações sobre medicamentos, como sua farmacodinâmica e farmacocinética, interações medicamentosas, meia vida dos fármacos, reações adversas e compatibilidades físico-químicas, auxilia a equipe multidisciplinar nas tomadas de decisões sobre a terapia antineoplásica. O preparo e a manipulação são fundamentais para diminuir os riscos associados ao manejo desses medicamentos, além de prevenir erros como seleção errônea do diluente.

O paciente oncológico é um potencial candidato a desenvolver importantes reações adversas devido a poliquimioterapia a que está submetido, ao baixo índice terapêutico dos fármacos, ao tratamento prolongado, entre outros. Torna-se imprescindível, portanto, o acompanhamento da farmacovigilância nestes casos, contribuindo, desta forma, para reduzir as taxas de morbidade e mortalidade relacionadas ao uso de medicamentos associada à detecção precoce de problemas relacionados à segurança.

O monitoramento e acompanhamento farmacoterapêutico estão no âmbito da atenção farmacêutica. De acordo com Linda Strand e Charles Hapler (EUA, 1990), a “atenção farmacêutica é a provisão responsável do tratamento farmacológico com o propósito de alcançar resultados terapêuticos concretos que melhorem a qualidade de vida dos pacientes”. Temos, então, o compromisso de assumir o cuidado ao paciente oncológico, por meio do aconselhamento e monitoramento da terapia, acompanhando todas as etapas do tratamento até o seu desfecho e, principalmente, traçando com o paciente uma relação de confiança e cumplicidade para o êxito à adesão do tratamento e a garantia da qualidade de vida do paciente.

Se analisarmos a linha do tempo na Oncologia, o profissional farmacêutico ainda é um jovem componente dentro da equipe multidisciplinar. Mas dentro de todas as responsabilidades que nos foi atribuída, fomos inseridos na equipe com muita ética e profissionalismo, por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas e, juntos, buscamos um trabalho consistente e de qualidade ao nosso paciente.

 

Referências:

RDC 220/2004

Resolução CFF 288/96

www.sobrafo.com.br

www.inca.gov.br

Resumo Simpósio de Câncer de Mama 2020 (SABCS)

Dezembro Laranja – Mês da conscientização sobre o câncer de pele

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Frente

 

Verso

A importância da Fisioterapia para os pacientes com câncer

Alaís Camargo Corcioli, fisioterapeuta

Crefito 3 / 173506-F

 

Estamos em outubro, mês que fortalece a campanha internacional contra o câncer de mama simbolizada pela fita cor de rosa, lançada na década de 90 pela Fundação Susan G. Komen durante uma corrida de rua em Nova York, a afamada Race for the Cure . Mas, falando em movimento, você sabia que nesse mês também celebramos o Dia Nacional do Fisioterapeuta?

Foi no dia 13 de outubro de 1969, há 51 anos (!), que o Decreto-Lei 938 foi expedido regulamentando a profissão no Brasil. Somos a ciência do movimento e da funcionalidade, que previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais, adquiridos, por exemplo, em razão do câncer! Ao todo, temos quinze especialidades reconhecidas pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, dentre elas, a Fisioterapia Oncológica.

A assistência profissional aos pacientes oncológicos é bastante ampla no que diz respeito a: nível de atenção à saúde (complexidade), objetivos e recursos terapêuticos, variando conforme localização do câncer, estadiamento e possíveis disfunções associadas à doença e ao tratamento (clínicos e/ou cirúrgico). Grosso modo, busca-se a manutenção ou a recuperação da capacidade funcional e da qualidade de vida, seja nos serviços ambulatoriais, domiciliares ou hospitalares (enfermarias clínicas ou cirúrgicas e unidades de terapia intensiva).

Algumas das disfunções passíveis de serem tratadas (com resolução completa ou parcial), por meio da Fisioterapia, são: dor, redução da força muscular e da amplitude de movimento articular, fadiga oncológica, náusea/vômito, linfedema, fibroses (como o cordão axilar), incontinência urinária, paresia facial periférica, redução das trocas gasosas, colapso alveolar, redução da força diafragmática e inabilidade de tosse.

Controlar ou reverter tais sintomas implica em ganho de autonomia, conforto e habilidade física, redução no risco de queda e de infecções e retorno ao trabalho, além de contribuir com a continuidade do tratamento médico. Vale ressaltar que a relevância da Fisioterapia vai além da reabilitação, destacando-se o trabalho preventivo na pré-habilitação, por exemplo, cria-se uma reserva funcional, especialmente naqueles pacientes com risco aumentado de complicações no pós-operatório (sarcopenia, pneumonia, atelectasia, trombose venosa profunda, embolia pulmonar, insuficiência respiratória, etc.), reduzindo a incidência ou a gravidade de sequelas, tempo de internação e readmissões hospitalares.

Ao nosso alcance estão, entre outros recursos, os exercícios terapêuticos (assistidos, resistidos e aeróbicos), a terapia manual, a eletroestimulação, o treinamento muscular respiratório, a oxigenoterapia, o suporte ventilatório não invasivo, a drenagem linfática, o enfaixamento compressivo e a mobilização e educação em saúde. As condutas são escolhidas após avaliação e elaboração do projeto terapêutico, que é individualizado, e as sessões de acordo com a condição clínica do paciente, respeitando seus limites, porém incentivando novas conquistas.

Integrando à equipe multidisciplinar, somos mãos e ciência, que acolhem e cuidam, para oferecer um suporte humanizado e de excelência.

Terapia por feixe de prótons: a evolução tecnológica da radioterapia

Dr. Rodrigo Marotta
Radio-oncologista
Radium Instituto e Oncologia

 

A radioterapia é uma modalidade de tratamento essencial no combate ao câncer. Ao longo das décadas, houve uma grande evolução na forma de entregar a radiação aos tumores. Atualmente, a radiação por feixe de fótons é a forma mais utilizada. Apesar da radioterapia tridimensional conformada ser a técnica padrão, novas tecnologias para reduzir a exposição de órgãos normais à radiação têm sido implementadas. Dentre elas, a radioterapia por intensidade modulada (IMRT), disponível em diversas instituições no Brasil, reduz a dose nos tecidos normais e, consequentemente, pode reduzir a morbidade cardiopulmonar relacionada ao tratamento.

Outra forma de entregar radiação aos tecidos é a terapia por feixe de prótons, uma partícula pesada descoberta em 1919 por Rutherford. Os primeiros experimentos na área médica datam de 1946 e, desde então, o domínio desta radiação e seu uso na prática clínica nos pacientes oncológicos tem evoluído constantemente. Do ponto de vista físico, os feixes de prótons se caracterizam por menor energia de entrada, com menor dispersão por se tratar de partículas pesadas, e maior pico de energia de saída no final dos feixes, com uma maximização da energia nos milímetros finais. Este efeito é chamado de Bragg Peak. Na prática, este tipo de radiação entrega a dose alta no volume alvo com maior precisão e reduz drasticamente a dose espalhada nos órgãos adjacentes, o que, em teoria, reduz os efeitos colaterais relacionados ao tratamento.

Então, se este tratamento é dosimetricamente superior aos feixes de fótons, por que não utilizamos na prática clínica? A resposta é simples: custo-efetividade. O acelerador de partículas de prótons é diferente dos aceleradores lineares que geram fótons. Tais aparelhos têm um custo de instalação exorbitante (dez vezes maior que o acelerador linear de fótons), custos operacionais e de manutenção fora da nossa realidade, além de necessitar de pessoal altamente especializado e capacitado.

Isto justifica o número reduzido de centros que fornecem este tratamento ao redor do mundo. Atualmente são quase 100, sendo que a maior parte deles foram inaugurados na última década e um terço encontra-se nos EUA. Outros 41 estão em construção, com previsão de inauguração nos próximos três anos. Destes, somente um está localizado da América do Sul, na Argentina.

Soma-se ao custo elevado a escassez de evidência científica que comprove a sua equivalência, superioridade ou menor toxicidade quando comparado aos fótons, além da dificuldade de condução de ensaios clínicos randomizados e recrutamento de pacientes muito abaixo do esperado. Além disso, o aumento do uso dos prótons em tumores prevalentes, como mama, pulmão e próstata, aumentou drasticamente os custos das operadoras de saúde, porém, devido à falta de comprovação científica, muitos têm questionado e exigido justificativa plausível para investir neste tratamento. Há inclusive alguns artigos que comentam sobre o risco de causar uma “bolha de prótons” com uma possível diminuição da sua indicação.

No entanto, existem nichos com benefício já comprovados com o uso de prótons. O maior benefício tem sido observado em tumores pediátricos, principalmente na radiação do neuro-eixo, na qual há diferença em toxicidade aguda e tardia, bem como um menor risco de neoplasia secundárias. Nos adultos, tumores do sistema nervoso central, da base de crânio (cordomas e sarcoma), para-espinhais e melanoma uveal também têm benefício comprovado. Evidências mais recentes demonstram menor toxicidade em tumores do esôfago, conforme publicação recente de um estudo fase IIB comparando próton versus IMRT.

Por esta e outras razões, o Brasil – onde habitam mais de 200 milhões de habitantes – merece, sim, um centro de protonterapia. Mas não com apelo comercial e, sim, com objetivo de tratar aqueles pacientes que possuem o benefício comprovado. Porém, pelo seu alto custo de implementação, esta tarefa não é fácil. Em 2017, foi registrado e liberado pela ANVISA o primeiro sistema de protonterapia no Brasil. Talvez, a melhor maneira de investimento e gestão é uma parceria entre diversas entidades, sejam elas filantrópicas/privadas e até mesmo público-privada. Desta forma, a seleção dos pacientes ideais fica facilitada, assim como a diluição de todos os custos inerentes a este tratamento.

Ref.: https://ascopubs.org/doi/abs/10.1200/JCO.19.02503

31 de agosto: Dia do Nutricionista Qual a importância desse profissional no tratamento oncológico?

Juliana Nabarrete, nutricionista

 

Que a alimentação tem um papel importante na prevenção de inúmeras doenças, entre elas vários tipos de câncer, já é fato conhecido por todos. Aliás, já dizia Hiócrates há 2.500 anos: “Que o teu alimento seja o teu remédio e que o teu remédio seja o teu alimento”. Mas, e após o diagnóstico, será que realmente a avaliação de um nutricionista é necessária?

Óbvio que para um nutricionista falar que sim é natural, mas será que os pacientes e equipe médica conseguem e também entendem a importância? A nutrição é a ciência que estuda as relações entre os alimentos, os nutrientes ingeridos e o ser humano, e, ainda, os possíveis impactos na saúde. Uma nutricionista pode atuar em consultórios, hospitais, restaurantes, hotéis, supermercados e na indústria de alimentos, com foco geral de difundir informações sobre alimento e comportamento alimentar na prevenção de doenças. Vai muito além do peso ou da imposição de hábitos alimentares.

No paciente em tratamento oncológico, a importância vai além do controle de peso ou controle de sintomas. A assistência nutricional consiste desde um aconselhamento nutricional, indicando ao paciente escolhas e estratégias alimentares que fortaleçam o organismo durante o tratamento, até a junção do aconselhamento com uma avaliação corporal detalhada, com mensuração de peso, composição corporal (músculo e gordura) e força muscular e avaliação da rotina alimentar.

A desnutrição, comum em até 50% dos pacientes, nem sempre apresenta a forma clássica com grandes perdas de peso visíveis. Muitas vezes o paciente acima do peso ou dentro do peso ideal apresenta sutis perdas peso, que consistem mais em massa magra do que em gordura, fato esse conhecido como sarcopenia.

Mucosite, diarreia, vômitos e perda de apetite impactam negativamente a ingestão alimentar, levando a perda ou ganho insuficiente de peso e, assim, faz-se necessário implementação de condutas complementares na alimentação.

Nestes dois momentos, o nutricionista tem papel essencial, não só no manejo, mas principalmente na identificação precoce de pacientes que possam se beneficiar da assistência nutricional. Para isso é necessário que todos os pacientes com câncer sejam avaliados regularmente para risco nutricional, a fim de identificar aqueles que precisam de avaliação completa.

Dados recentes demonstram que o encaminhamento para nutricionista ocorre de maneira tardia, quando já há perda de peso superior a 5% ou presença de sintomas como anorexia, náusea e saciedade precoce, porém mais de ¼ dos pacientes deveriam ter sido referenciados mais cedo. Esses dados podem ser avaliados por meio de triagem nutricional, realizada por nutricionista ou em parceria com a equipe de enfermagem.

Mas isso não caracteriza o controle de peso ou controle de sintomas? Não. A importância da nutrição na Oncologia se caracteriza em monitorar os pacientes em tratamento e identificar como eles estão com relação à alimentação, os sintomas, a rotina em casa e peso, com o objetivo de minimizar os agravos no estado nutricional, ou seja, alterações de peso e acometimento de sintomas em graus avançados.

Imunoterapia e terapia-alvo para câncer de fígado: agora no Brasil

No final do ano passado, anunciamos um estudo que mostrava o benefício da combinação de uma imunoterapia com uma terapia-alvo para pacientes com câncer hepatocelular (CHC), o principal tipo de câncer de fígado. Os resultados estavam “fresquinhos” e a aprovação para uso nos EUA só veio no final de maio deste ano. Agora, a excelente notícia é que a Anvisa acaba de aprovar para os pacientes brasileiros.

Como dissemos na publicação do ano passado, fazia aproximadamente 11 anos que uma medicação, no caso o Sorafenibe, demonstrou benefício significativo em sobrevida global na primeira linha de tratamento de pacientes com CHC. No Congresso da Sociedade Europeia de Oncologia Clínica (ESMO-ASIA), os dados do estudo IMBrave150 mostraram o que não se via há muito tempo.

O estudo comparou o uso da dupla Atezolizumabe e Bevacizumabe – uma imunoterapia e um terapia-alvo antiangiogênica, respectivamente – com o Sorafenibe em 501 pacientes. Os resultados revelaram um benefício em sobrevida global com redução de 42% no risco de morte de forma estatisticamente significativa, sendo que a mediana do grupo Sorafenibe foi de 13,2 meses, compatível com a prática rotineira, enquanto a mediana ainda não foi atingida no grupo intervenção. Além disso, houve benefício também da sobrevida livre de progressão, na taxa de resposta e aumento no tempo para piora da qualidade de vida. Por outro lado, deve-se ter em conta que os efeitos adversos são ainda importantes, com algumas variações em relação ao Sorafenibe, com um pouco menos efeitos gerais, mas não estatisticamente significativo e definitivamente com um padrão diferente, em função da associação da imunoterapia.

A aprovação da Anvisa surpreendeu pelo tempo curto entre o que aconteceu nos EUA e se deve ao fato de que a análise foi enquadrada no critério da Resolução RDC 204/2017 de nova indicação ou ampliação de indicação para doenças raras, como é considerado o CHC.

É, sem dúvida, uma notícia revolucionária para os pacientes com câncer de fígado no nosso país. Com a aprovação, a combinação já estará em bula e poderá ser prescrita para qualquer paciente com indicação, devendo ser coberta pelos planos de saúde.

Entretanto, como sempre lembramos, esta é uma terapia de altíssimo custo e depende de avaliação muito precisa para sua utilização, não só pelos efeitos colaterais, mas também pela chamada “toxicidade financeira” envolvida.

Mais ainda, vale – sempre – relembrar que os pacientes do SUS no Brasil não tem acesso a qualquer tratamento com benefício comprovado para o câncer de fígado, incluindo esta combinação, mas nem mesmo o Sorafenibe. Desse modo, a disponibilidade desta nova estratégia ainda não se estenderá a todos os brasileiros e nós, do grupo SOnHe, continuaremos tentando mudar esse cenário.

Referências:

http://portal.anvisa.gov.br/informacoes-tecnicas13?p_p_id=101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2&p_p_col_id=column-2&p_p_col_pos=1&p_p_col_count=2&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_groupId=219201&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_urlTitle=tecentriq-atezolimumabe-nova-indicac-1&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_struts_action=%2Fasset_publisher%2Fview_content&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_assetEntryId=5977342&_101_INSTANCE_WvKKx2fhdjM2_type=content

Hsu C, et al. Randomised efficacy and safety results for atezolizumab (Atezo) + bevacizumab (Bev) in patients (pts) with previously untreated, unresectable hepatocellular carcinoma. Ann Oncol. 2019;30(suppl_9):ix183-ix202.

Finn RS, et al. Atezolizumab plus Bevacizumab in Unresectable Hepatocellular Carcinoma. N Engl J Med. 2020;382:1894-905 (https://www.nejm.org/doi/10.1056/NEJMoa1915745)

LLovet JM et al. Sorafenib in Advanced Hepatocellular Carcinoma. N Engl J Med. 2008;359:378-90

Carmo RL, Sasse AD. P-239 Sorafenib for advanced hepatocellular carcinoma (HCC) in the public health setting in Brazil: a cost-effectiveness analysis. Ann Oncol. 2019;30(suppl_4):mdz155.238