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Transplante de Medula Óssea: o que é e quem são os pacientes que se beneficiam?

Lorena Bedotti

CRM: 158.055

 

A medula óssea, também conhecida como tutano, fica localizada dentro dos nossos ossos e é responsável por fabricar todos os elementos do nosso sangue. Nela encontramos as células-tronco hematopoiéticas que são capazes de se diferenciar nos glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas. O transplante de células-tronco hematopoéticas (TCTH) consiste na substituição de uma medula óssea doente ou deficitária por células normais de medula óssea, com o objetivo de reconstituição de uma medula saudável.

O transplante pode ser:

  • Autogênico, quando as células-tronco hematopoéticas vem do próprio paciente.
  • Alogênico, quando células-tronco hematopoéticas vem de um doador.

As células hematopoiéticas podem ser obtidas pela coleta da medula óssea, pelo sangue por meio de um procedimento chamado aférese e do sangue de cordão umbilical.

O TCTH é um tratamento potencialmente curativo para:

  • Algumas neoplasias hematológicas: leucemias, linfomas, mieloma múltiplo, etc.
  • Distúrbios benignos da medula óssea: anemia falciforme, anemia aplásica, talassemia, etc.
  • Neoplasias oncológicas: tumor de células germinativas, neuroblastoma.
  • Imunodeficiências congênitas.
  • Doenças autoimunes: esclerose sistêmica, esclerose múltipla.
  • Erros inatos do metabolismo.

Para alguns casos, o transplante é indicado no início do tratamento. Em outros, será uma opção quando os primeiros tratamentos não apresentarem resultado.

No caso do transplante alogênico, para minimizar os riscos, uma vez que é um procedimento complexo, há necessidade de um preparo do paciente e uma seleção adequada do doador.

No transplante de medula, a rejeição é relativamente rara, mas pode acontecer. Os principais riscos se relacionam às infecções, às toxidades às drogas quimioterápicas utilizadas durante o tratamento e, no caso dos transplantes alogênicos, a doença do enxerto contra hospedeiro (DECH).

 

Mas o que é a DECH?

Com a recuperação da medula após o transplante, as novas células crescem e passam a agir na defesa do organismo, podendo reconhecer alguns órgãos do indivíduo como estranhos e começar a atacá-los gerando uma série de complicações. É uma complicação relativamente comum, de intensidade variável e pode ser tratada com medicamentos adequados.

Pacientes com indicação de transplante alogênico iniciam a busca do doador entre os membros da família. Irmãos têm a maior chance de serem 100% compatíveis. Caso não apresente doador aparentado compatível pode-se encontrar um doador não aparentado no REDOME (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea). Pessoas saudáveis, com 18-35 anos, sem doenças infecciosas, incapacitantes, neoplasias, doenças hematológicas ou autoimunes podem se cadastrar nos bancos de sangue/ Hemocentros para serem doadores não aparentados no REDOME e, assim, ajudar esses pacientes a aumentarem suas chances de cura. Nesta etapa de cadastro há somente a coleta de uma amostra de sangue.

Como ocorre a doação efetiva?

A doação de medula pode ocorrer de duas formas: na primeira o doador é anestesiado em centro cirúrgico e são realizadas punções no osso da bacia para retirada da medula; na segunda forma, o doador injeta um medicamento que estimula a produção de células da medula que serão então retiradas pelas veias dos braços pelo procedimento chamado aférese. Nos dois casos, a medula óssea do doador se recompõe em cerca de 15 dias.

Apesar de ser um tratamento complexo, de alta demanda e com riscos, o TCTH é ainda indicado por ser a melhor chance de cura para diversas doenças.

 Seja um doador de medula!

 Em Campinas o cadastro da medula pode ser feito no Hemocentro da Unicamp. O telefone para informações é 0800 722 8432.

 

A saúde da mulher e os implantes hormonais

Christine Alem

Mastologista

Especialista em Mastologia pela Unicamp – CAISM

 

Atualmente sabemos que as mulheres são extremamente demandadas em muitas áreas de suas vidas. Temos que estar com a beleza e o corpo perfeitos e a pele linda. Temos que ter disposição para o trabalho, os afazeres de casa e ainda estarmos com a libido em dia.

Nesse sentido, muitas procuram seus médicos em busca de soluções para todas essas cobranças. Surgem promessas milagrosas, dentre elas o tão falado “chip da beleza”, um nome extremamente atraente para o que se resume em um implante contento hormônios, tais como a gestrinona, estradiol, testosterona dentre outros.

Essa promessa é extremamente sedutora e tentadora, uma vez que vem repleta de benefícios como alívio nos sintomas da TPM, aumento da libido, ajuda no ganho de massa magra e melhora dos níveis de estresse.

Mas então qual o problema?

O problema é que nenhum desses implantes tem evidências científicas robustas de que são seguros e que não possam trazer prejuízos à saúde da mulher a longo prazo. As poucas publicações existentes são estudos com pequeno número de pacientes e condução duvidosa dos resultados.

Além disso, por não terem sua utilização liberada e não serem comercializados pela indústria farmacêutica, esses hormônios são manipulados o que dificulta ainda mais a comprovação de sua segurança e eficácia nos estudos disponíveis.

Não há estudos de seguimento de longo prazo dessas pacientes para avaliação de complicações ou efeitos colaterais.

Ainda nenhum desses implantes é liberado por órgãos de saúde competentes, como a Anvisa no Brasil ou FDA nos Estados Unidos.

Exemplificando: quando falamos da gestrinona, por exemplo, é um medicamento que foi estudado para uso oral em pacientes com endometriose e miomas. E mesmo nestes casos não fazemos mais uso atualmente, pois sabemos que temos medicações melhores para o controle dessas patologias e com menos efeitos colaterais. Atualmente há profissionais que prescrevem o implante de gestrinona para tratamento da endometriose, contracepção ou mesmo para alivio dos sintomas de TPM e melhora do desempenho físico, porém não existem estudos bem delineados que sustentem esse uso. Não há indicação formal para uso do implante de gestrinona para nenhuma doença, terapêutica de reposição hormonal na menopausa ou contracepção. E essas informações se estendem para os demais implantes com outras substâncias e diferentes hormônios.

Há alguns dias, a Febrasgo – por meio da Comissão Nacional Especializada de Climatério e Anticoncepção – se posicionou no sentido de não recomendar o uso de implantes hormonais. Nesse sentido, cabe ressaltar que o único implante hormonal liberado e aprovado pela Anvisa é o Etonogestrel, conhecido como Implanon e utilizado como método contraceptivo.

Pessoalmente, acho que estudos em andamento (e outros que ainda virão) irão trazer respostas para que possamos oferecer melhores tratamentos para nossas pacientes. Elas merecem. Mas, por enquanto, falar sobre a nossa experiência individual ou de um pequeno número de pacientes com benefícios para justificar o uso dos implantes é desonesto e não é cientifico.

O que temos de ciência até o momento para melhora da qualidade de vida das mulheres é a prática de exercícios físicos diária de cerca de 150 minutos por semana. Boa alimentação, com consumo de mais alimentos in natura e menos ultra processados. Prática de boas relações familiares, espiritualidade, momentos de lazer e controle de fatores estressores. Não são tarefas fáceis, mas com certeza trarão um benefício inestimável e, o mais importante, sem nenhum prejuízo a saúde a médio e longo prazo

Em tempos de negação da ciência, devemos estar atentos sempre!

 

Câncer de Mama: O Que você sabe sobre este tema?

15 de Setembro: Dia Mundial de Conscientização Sobre Linfomas

Lorena Bedotti Ribeiro

 

O dia 15 de setembro é considerado o Dia Mundial de Conscientização Sobre Linfomas, uma iniciativa que tem como objetivo atrair a atenção de pessoas em todo o mundo e reunir esforços na luta contra esse tipo de câncer, visando um diagnóstico precoce para uma melhor resposta ao tratamento.

Os linfomas são um tipo de câncer que se originam no sistema linfático, composto por linfonodos e tecidos que produzem as células (linfócitos) responsáveis pela defesa do nosso organismo por meio da produção de anticorpos e vasos que conduzem essas células pelo corpo.

Manifestam-se com ínguas (linfonodomegalias) endurecidas e indolores, podendo apresentar associado febre, suores noturnos, emagrecimento, cansaço e coceira no corpo. Conforme os locais acometidos podem ainda apresentar tosse, falta de ar, dor no peito, distensão e aumento do volume abdominal.

O diagnóstico definitivo de linfoma requer a realização de biópsia, com a retirada do tecido acometido (linfonodo inteiro ou tecido de outro órgão acometido) para análise microscópica das características. O estadiamento da doença pode ser feito através de tomografia por Emissão de Pósitrons (PET-CT), tomografia computadorizada, ressonância magnética, biópsia de medula óssea e punção de liquor (realizados conforme quadro clínico).

São divididos em linfomas Hodgkin (LH) e linfomas não Hodgkin (LNH). O LH se diferencia por apresentar células grandes e características no linfonodo acometido conhecidas como células de Reed-Sternberg, sendo classificado em dois subgrupos de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS): linfoma de Hodgkin clássico, que se subdivide em quatro subtipos (esclerose nodular, celularidade mista, depleção linfocitária e rico em linfócitos), e linfoma de Hodgkin predomínio linfocitário nodular. Os LNH não têm um tipo celular característico podendo representar mais de 40 tipos diferentes de linfoma.

O LH pode acometer qualquer faixa etária, sendo mais comum entre adolescentes e adultos jovens (15 a 29 anos), adultos (30 a 39 anos) e idosos (75 anos ou mais). De acordo com o site do INCA foram diagnosticados 2.640 novos casos em 2020, sendo mais comuns em homens (1.590). O LNH pode ocorrer em crianças, adolescentes e adultos, tornando-se mais comum à medida que as pessoas envelhecem. De acordo com o site do INCA foram diagnosticados 12.030 novos casos em 2020, sendo mais comuns em homens (6.580).

Com relação ao tratamento, o linfoma Hodgkin na maioria dos casos, é uma doença curável apresentando uma taxa de cura de mais de 85%. O tratamento clássico é a poliquimioterapia (múltiplas drogas) com ou sem radioterapia associada. Para os pacientes que sofrem recaídas ou que não respondem ao tratamento inicial as opções utilizadas são a poliquimioterapia, imunoterapia e transplante de medula óssea. A imunoterapia refere-se ao uso de medicamentos (anticorpos monoclonais produzidos em laboratório) que têm um alvo específico para um componente que há nas células do linfoma (exemplo: anticorpo anti CD30), induzindo o sistema imune a reagir contra ele; ou com medicamentos inibidores do ponto de controle imunológico que aumentam a resposta imunológica do corpo contra as células cancerígenas (exemplo: anti-PD-1), representando um enorme avanço para pacientes que não podiam ser curados com a quimioterapia convencional.

O tratamento dos linfomas não-Hodgkin é feito com quimioterapia, associação de quimioterapia com imunoterapia (anticorpos monoclonais) ou radioterapia. No caso dos LNH indolentes (crescimento relativamente lento), cerca de 40% dos casos, as opções de tratamento variam desde apenas observação clínica, até tratamentos bastante intensivos. Para os pacientes que sofrem recaídas ou que não respondem ao tratamento inicial as opções utilizadas são a poliquimioterapia, imunoterapia e transplante de medula óssea. A imunoterapia pode ser feita com anticorpos monoclonais (anti-CD20, Anti-CD19, anti-CD79B, anti-CD52 e anti-CD30) ou, mais recentemente, com a incorporação pioneira das CAR T-cells (linfócitos T com receptores antigênicos quiméricos), linfócitos retirados do paciente que são processados em laboratório adquirindo a capacidade de perseguir e eliminar as células do linfoma ao serem reintroduzidos no paciente.

Todos esses avanços recentes em diagnóstico e tratamento transformaram a onco-hematologia, conferindo um melhor prognóstico, expectativa e qualidade de vida aos pacientes.

Caso você tenha algum sintoma suspeito, procure um hematologista para avaliação!

 

Mês de Conscientização do Câncer de Ovário: bate papo com Sandra Navarro e o Dr. Leonardo Silva.

Tratar o câncer sem esquecer do coração

Isabela de Lima Pinheiro

Com a melhora na sobrevida de pacientes com câncer, alguns efeitos adversos das terapias contra os tumores se tornaram mais evidentes. E esse é o principal foco da cardio-oncologia: o estudo da cardiotoxicidade dos tratamentos oncológicos. A radioterapia e alguns tipos de quimioterapia são destinados a atingir o tecido tumoral, mas podem afetar os tecidos saudáveis, causando efeitos colaterais indesejáveis.

A cardiotoxicidade pode se apresentar de forma aguda, subaguda ou crônica. Nos casos crônicos, a manifestação mais típica é a disfunção ventricular, que pode levar à insuficiência cardíaca. De acordo com informações da Sociedade Internacional de Cardio-oncologia, somente nos EUA há sete milhões de pessoas tratadas com sucesso para o câncer com drogas com potencial cardiotóxico. A identificação dos primeiros sinais de células cardíacas intoxicadas pela quimioterapia é feita por meio de testes relativamente simples: exame de sangue para dosar algumas proteínas e/ou hormônios e ecocardiograma. Além disso, algumas manifestações clínicas como insuficiência cardíaca, arritmias e hipertensão arterial precisam ser monitoradas.

Em relação às escolhas terapêuticas, algumas drogas reconhecidamente apresentam maior cardiotoxicidade. Destacam-se os quimioterápicos da família das antraciclinas, mais usados no tratamento de linfomas e tumores da mama.

Os grupos mais suscetíveis para apresentarem algum problema cardíaco durante o tratamento do câncer são as crianças, os idosos e os indivíduos que já tenham feito algum tratamento cardíaco, como ponte de safena, colocação de marca-passo e, ainda, pessoas que já apresentam previamente insuficiência cardíaca ou aqueles indivíduos com algum tipo de miocardiopatia, que são doenças do músculo cardíaco.

Nesse sentido, a atuação precoce e conjunta do cardio-oncologista é fundamental para evitar sequelas no sistema cardiovascular, permitindo que o tratamento do câncer continue de forma segura e sem prejuízo ao coração. A atuação ocorre com medidas de cuidado integral: controle da ingestão de sódio, exercícios físicos e a perda de peso prudente. Em alguns casos é indicado o uso de medicamentos específicos como os diuréticos e betabloqueadores. Além da manutenção da prevenção dos fatores de risco cardiovasculares típicos como em qualquer outro momento de vida.

A cardio-oncologia vem ganhando espaço entre as especialidades médicas visto que a integração entre cardiologistas e oncologistas oferece ao paciente o melhor cuidado integral possível durante e após o tratamento oncológico.

 

  1. Kalil Filho, R et al. I Diretriz Brasileira de Cardio-Oncologia da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Arquivos Brasileiros de Cardiologia [online]. 2011, v. 96, n. 2 suppl 1 [Acessado 16 junho 2021], pp. 01-52. Disponível em: <https://doi.org/10.1590/S0066-782X2011000700001
  2. Hajjar LA, Costa IBSS, Lopes MACQ, Hoff PMG, Diz MDPE, Fonseca SMR, Bittar CS, et al. Diretriz Brasileira de Cardio-oncologia – 2020. Arq. Bras. Cardiol. 2020;115(5):1006-43.
  1. Lenihan D.J.; Cardinale D.; Cipolla C.M.; The compelling need for a cardiology and oncology partnership and the birth of the International Cardioncology Society. Prog Cardiovasc Dis. 2010; 53: 88-93

21 de Junho: Dia Mundial da Yoga

Rafael Luís

Vivian Antunes

A yoga é uma forma milenar de exercício para o corpo e a mente. Seu principal objetivo é criar conexão e harmonia entre corpo, mente e espírito. É uma filosofia tão antiga que historiadores têm dificuldade em datar com precisão seu início. Alguns arqueólogos encontraram os traços mais antigos da yoga há 5.500 anos. É surpreendente perceber que essa prática atravessou tantos anos e se mantém tão viva nos tempos de hoje, o que nos refletir sobre sua força.

Algumas formas de yoga são bastante árduas, enquanto outras são mais leves e se concentram mais no trabalho de meditação e respiração. A prática da yoga pode não apenas tornar nossos músculos e articulações mais flexíveis, mas também promover relaxamento intenso e maior controle das emoções. É nesse ponto que as coisas passam a se conectar: o câncer e yoga.

Pacientes com câncer frequentemente experimentam sensações desagradáveis e aversivas, sejam físicas pela própria doença ou pelos efeitos do tratamento, ou emocionais, com aumento de ansiedade, angústia e sintomas depressivos. Nesse sentido, buscar maneiras de bem-estar físico e emocional dentro das condições que o adoecimento traz, são medidas importantes para melhorar a qualidade de vida durante e após o tratamento. A yoga pode ser, portanto, uma importante terapia complementar e forte aliada do paciente com câncer.

Em 2010 foi publicada uma revisão sistemática que avaliou justamente a relação entre os potenciais benefícios da yoga para pacientes com câncer. Como resultado, os pesquisadores concluíram que a yoga pode ajudar a reduzir a ansiedade, a depressão, o cansaço (fadiga) e estresse. Foi também capaz de melhorar a qualidade do sono, humor e bem-estar espiritual.

Adicionalmente, um estudo específico sobre o uso de yoga em pacientes tratando câncer de mama comprovou que, além da redução do cansaço, as pacientes passaram a ter um melhor enfrentamento do processo de adoecimento, com significativa redução da percepção de sofrimento. Nesse estudo, 191 mulheres com câncer de mama foram distribuídas aleatoriamente em três grupos: 1) yoga; 2) alongamento simples; ou 3) nenhuma instrução sobre yoga ou alongamento.

Como resultado, as mulheres que praticaram yoga durante o período de tratamento relataram maiores benefícios ao seu funcionamento físico e em sua saúde geral, como redução de fadiga. Também foram mais propensas a encontrar significado de vida a partir de sua experiência com o câncer do que os outros grupos. Umas das possíveis explicações para esses dados positivos seria a redução do hormônio cortisol (hormônio do stress), que foi comprovado por meio de amostras de saliva no mesmo estudo.

Também já sabemos que a insônia é um problema que aflige muitas pessoas pelo mundo, incluindo pacientes com câncer. E a yoga mostrou benefício neste cenário.

Foi feita uma metanálise (análise estatística da combinação de dados dos estudos disponíveis) que tentou responder se yoga era mais ou menos eficaz que caminhada para melhorar problemas de sono de pacientes com neoplasias malignas. Os autores encontraram 25 estudos – o que representou quase 2.000 pacientes. A maioria dos pacientes tinham câncer de mama (72%) e, portanto, quase 86% eram mulheres. A análise demonstrou que a ambos os exercícios são eficazes em promover uma boa noite de sono, mas a caminhada – de intensidade moderada – parece levar uma vantagem na comparação.

Apesar das limitações, o que podemos tirar desse estudo é que atividade física regular é importante em razão de inúmeros aspectos, inclusive para ajudar a melhorar a insônia. Não só isso: os resultados reforçam que a caminhada é um exercício fácil de fazer, não precisa de estrutura específica e tem eficácia até maior que outras atividades mais complexas. Lembrando sempre que pacientes com problemas graves pulmonares e/ou cardíacos devem ter orientação do médico para liberação para realização de exercícios.

Pratique yoga (ou qualquer atividade física): faz bem para a saúde e ajuda a dormir melhor!

 

Referências:
Smith KB, et al. An evidence-based review of yoga as a complementary intervention for patients with cancer. Psychooncology. 2009 May;18(5):465-75.

Tang MF, et al. Walking is more effective than yoga at reducing sleep disturbance in cancer patients: A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Sleep Med Rev. 2019;47:1-8

28 de maio: Luta pela saúde da mulher

Dra. Vivian Antunes

Dra. Susana Ramalho

 

Quem é a mulher que adoece no Brasil?

A mulher que adoece no Brasil é a mesma que sonha, que ama, que gesta, que trabalha e que é cuidadora principal de tantas famílias.

Essa mulher é a que está ao seu lado. A que te ama, a que te cuida ou a que está dentro de você. Ela é cada uma de nós ou cada uma que está ao seu lado apoiando sua vida.

No Brasil, uma em cada oito mulheres nascidas hoje terão câncer de mama durante a vida, se viverem até os 60 anos. Dessas, 82% não tem nenhum antecedente familiar de câncer de mama.

O câncer de mama é o tumor mais comum entre as mulheres e também o responsável pelo maior número de óbitos no Brasil e no mundo. Mas, e no nosso Brasil, quem é a mulher que adoece de câncer de mama? Alguns pesquisadores iniciaram, em 2008, uma pesquisa com o objetivo principal de descrever quem são, como são e como é a doença nas mamas dessas brasileiras.

Numa série de estudos intitulada “AMAZONA I-III”, pesquisadores do Brasil todo nos deram a oportunidade única de conhecer melhor esse cenário. Uma das informações mais importantes foi que no Brasil temos 41% de pacientes com diagnóstico de câncer de mama em idade inferior a 50 anos, o que é uma proporção maior de diagnósticos em pacientes jovens do que em outros países, como Alemanha e Estados Unidos.

Outro dado que chama muito a atenção e traz preocupação é que o diagnóstico das nossas mulheres é feito em fase mais tardia da doença. Em torno de 71% das pacientes são diagnosticadas nos estádios II (46,8%) e III (24,6%), quando a doença já é localmente avançada geralmente atingindo os gâglios linfáticos da axila, o que certamente impacta direta e negativamente na mortalidade das brasileiras. Esse número é consideravelmente mais alto do que em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, com dados que mostram apenas 31% de pacientes com diagnóstico na fase localmente avançada da doença.

No Brasil, apenas 18% das pacientes são diagnosticadas no estádio I, o mais precoce, o estádio que geralmente se consegue diagnosticar quando se faz exames de mamografia de rotina(o chamado rastreamento). Quando olhamos comparativamente e retrospectivamente, os dados de 2001 são muito semelhantes aos de 2018, ou seja, infelizmente sem melhoras nesse cenário.

Isso mostra que apesar da estratégia de rastreamento para diagnóstico precoce estar disponível no Brasil, não está atingindo a nossa população de mulheres de forma eficaz, seja por que as mulheres não aderem ao exame oferecido, ou por dificuldade de acesso a esse recurso.

Outro tipo de câncer importante entre as mulheres e que também marca um a imensa desigualdade no nosso país é o câncer de colo uterinoEm estados da região Norte do Brasil esse é o câncer mais incidente entre as mulheres, ultrapassando o câncer de mama, que é o primeiro em incidência em todas as outras regiões. Assim observamos que este é um triste marco das diferenças socioeconômicas desse nosso país continental.

Esse dado vem carregado de um “pesar” que já nos acompanha há décadas. Apesar do câncer de colo de útero ser bastante prevenível, através da vacinação contra o vírus HPV e através do exame de rastreamento de citologia oncótica (o conhecido preventivo – exame papanicolau), temos uma altíssima incidência e mortalidade no Brasil. A incidência de câncer de colo de útero no Brasil é muito maior que vários países desenvolvidos onde a incidência é bastante baixa. Para 2018, a estimativa esperada no Brasil foi de 16.370 casos novos, com um risco de 17,11 casos a cada 100 mil mulheres.

Outro tumor que também atinge as mulheres é o de ovário, com menor incidência (estima-se 6.150 casos novos no Brasil) porém alto risco por escasso métodos de prevenção e necessidade de tratamento adequado e precoce. Também o tumor de endométrio vem crescendo sua incidência principalmente associado a obesidade, sedentarismo e síndromes metabólicas cada vez mais frequentes em nossa população feminina.

Voltando a falar da nossa mulher que sonha, que ama, que gesta, que trabalha, e que “cuida”, paro minha reflexão no verbo “cuidar”. O mesmo cuidado que nossas mulheres têm com seus filhos, netos, maridos e trabalho, deve ser destinado a ela, seja por parte da ciência, que tem o dever de melhorar o cenário da doença com novas descobertas (cada vez mais frequentes, é verdade!), seja por parte do governo, com melhor gestão assistencial, ou por ela mesma, voltando seu olhar para o seu próprio cuidado como forma de amor à vida.

 

Quais as perspectivas para as mulheres brasileiras?

 É importante ressaltar que os casos de câncer irão dobrar até 2035 no mundo todo. E o maior aumento será nos países em desenvolvimento com população relativamente jovem. Assim, os sistemas de saúde devem estar preparados, já que se estima que 60% dos casos de câncer ocorrerão nesses países, precisarão planejar e alocar recursos.

O impacto que o adoecimento de uma mulher em uma família – em que muitas vezes ela é a fonte principal de sustento – é enorme e pouco se tem feito para melhorar os programas de rastreamento e o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, o que reflete a grande disparidade das taxas de mortalidade observadas entre os dados Brasil e EUA.

No Dia da Luta pela Saúde da Mulher, precisamos mostrar esta disparidade e cobrar do governo mais atitudes de prevenção em saúde feminina para que possamos, em um futuro breve, chegar perto das estatísticas de países desenvolvidos como os Estados Unidos, diminuindo a mortalidade por câncer em todo o país.

O diferencial de um cuidado humanizado em Oncologia

Keila Eunice Pereira,

enfermeira do Hospital e Maternidade Santa Tereza

Descobrir um câncer é sempre um susto. Pode trazer muitas dúvidas, medos e tristeza nos pacientes, familiares e amigos, pois é um momento que se deparam com sua saúde bem frágil.

Por isso, desde os tempos da Florence Nightingale, humanizar a assistência de enfermagem é de extrema importância.  O paciente oncológico não deve ser considerado como mais um caso a ser tratado em mais um dia de trabalho e, sim, devemos ter empatia no cuidado desses pacientes, proporcionando um atendimento digno e capaz de contribuir com sua saúde e qualidade de vida. Ao dar um atendimento diferenciado, muitas vezes revertemos a situação delicada que estão passando nesse momento.

Sentimos em nosso dia a dia que ao estarmos atentos, conseguindo ouvir, tendo bom humor, proporcionando um ambiente acolhedor e levando alegria e otimismo vamos, aos poucos, criando uma relação mais próxima de confiança e respeito, conseguindo reduzir o medo e a ansiedade não só dos pacientes, mas também dos familiares.

A missão de todo profissional de saúde é cuidar, acolher, confortar e oferecer um tratamento humanizado para cada paciente, dando atenção individual no momento que estão tão vulneráveis. Quando entendemos melhor a profundidade da experiência de receber um diagnóstico e tratar o câncer, conseguimos nos colocar ao menos um pouco no lugar desses pacientes para, então, podermos prestar uma assistência integral, segura e humanizada.

Assim enfatizamos que, a jornada com ânimo e esperança faz parte dessa caminhada em busca de uma importante meta, a vitória que é a cura.

Parabéns a todos os enfermeiros que no cuidado dos pacientes oncológicos, conseguem unir ciência, excelência e humanização!

 

Oncologia oftalmológica: o que eu preciso saber?

Guilherme Armbrust Araújo

 

O câncer de olho pode se referir a qualquer câncer que começa no olho. O tipo mais comum é o melanoma. Mas existem outros tipos de câncer que afetam diferentes tipos de células do olho. O olho tem três partes principais:

  • O globo ocular, que é principalmente preenchido com um material gelatinoso chamado humor vítreo e tem três camadas principais (a esclera, a úvea e a retina).
  • A órbita (os tecidos ao redor do globo ocular).
  • As estruturas acessórias, como as pálpebras e as glândulas lacrimais.

Diferentes tipos de câncer começam em cada uma dessas áreas. Os cânceres que afetam o próprio olho são chamados de cânceres intraoculares (dentro do olho). Aqueles que começam no olho são chamados de cânceres intraoculares primários. São cânceres intraoculares secundários aqueles que começam em outro lugar e se espalham para o olho.

Em adultos, os cânceres intraoculares primários mais comuns são:

  • Melanoma;
  • Linfoma não Hodgkin.

Em crianças, os cânceres intraoculares primários mais comuns são:

  • Retinoblastoma, um câncer que começa nas células da retina (as células sensíveis à luz na parte posterior do olho);
  • Meduloepitelioma (este é o segundo mais comum, mas ainda é extremamente raro).

Cânceres intraoculares secundários (cânceres que começam em algum outro lugar do corpo e depois se espalham para o olho):

 à mais comuns são os cânceres de mama e de pulmão . Na maioria das vezes, esses cânceres se espalham para a parte do globo ocular chamada úvea: 2% a 7% irão evoluir com metástase ocular.

O tumor metastático para o olho e anexos representa de 4% a 12% de todos os tipos de cânceres que cursam com doença avançada (carcinomas).

O melanoma intraocular é o tipo mais comum de câncer que se desenvolve no globo ocular em adultos, mas ainda é bastante raro. Os melanomas que começam na pele são muito mais comuns do que os melanomas que começam no olho.

A maioria dos outros melanomas intraoculares começa na íris. Esses são os mais fáceis para uma pessoa (ou seu médico) ver, porque geralmente começam em uma mancha escura na íris, que está presente há muitos anos e, em seguida, têm crescimento.

Cânceres da órbita e anexos se desenvolvem a partir de tecidos como músculos, nervos e pele ao redor do globo ocular e são como cânceres em outras partes do corpo. Por exemplo:

O diagnóstico é feito por meio de uma avaliação oftalmológica completo e o tipo de tratamento adequado varia de acordo com cada caso. O aparecimento de tumores no olho é relativamente raro, mas pode acometer desde crianças nos primeiros meses de vida até adultos e idosos. Muitos casos não são diagnosticados em razão da apresentação assintomática das lesões. Um diagnóstico precoce pode resultar numa maior chance de tratamento bem-sucedido.

Importante salientar que o necessário tratamento oncológico pode trazer sintomas que devem ser acompanhados, por isso é importante visitar o oftalmologista periodicamente.